Se você fosse candidato, iria comparecer ao tribunal da inquisição da Rede Globo?

Entrevistas da Globo com presidenciáveis: veja datas e como assistir | G1

Os políticos deveriam dizer algumas verdades sobre a Globo

Carlos Newton

A pretexto de ajudar o cidadão a escolher o melhor candidato à Presidência da República, a Rede Globo de Televisão, que fatura cerca de R$ 15 bilhões anualmente, mais do que o dobro do que é arrecadado por todas as emissoras de televisão e rádios, vem entrevistando os seis candidatos melhor posicionados nas pesquisas como se fosse a intérprete das dúvidas e questionamentos de cerca de 160 milhões de eleitores.

A TV Globo se diz isenta e independente e, portanto, habilitada a emparedar quem melhor lhe aprouver, com indagações complexas, fáceis e outras oportunistas. Há quatro anos, por exemplo, o entrevistador William Bonner, por conta própria, inocentou Lula de todos os crimes cometidos e que justificaram sua prisão por 580 dias.

HOMER SIMPSON – Bonner é aquele jornalista que iguala o telespectador ao personagem Homer Simpson. Por isso falou essa asneira, dizendo que Lula nada devia à Justiça. Se era inocente e não devia nada, por que Lula ainda não ingressou com ação indenizatória bilionária contra a União e, por decorrência, contra os magistrados que ousaram trancafiá-lo.

Aliás, Lula poderia processar também os membros do Ministério Público e da Polícia Federal que o investigaram e, em especial, mover ação contra a Rede Globo, que o constrangeu e o injuriou por mais de quatro anos? Lembram-se do petroduto diário?

A fita métrica da TV Globo, para produzir e encaminhar questionamentos, tem como parâmetro o exercício da liberdade de imprensa e, nesse contexto, nada a impede de ser facciosa e até defensora de algum candidato que possa lhe assegurar quatro anos de tranquilidade, mantendo-a como a melhor favorecida pelos milionários recursos públicos destinados à propaganda oficial, como acontece ainda hoje.

MANIPULAÇÃO – A audiência da Globo é tão grande quanto o seu desejo de manipular a opinião pública no dia-a-dia de sua programação, como atesta sua parceria com cassinos internacionais para levar o vício das bets para todos os lares, e o Familhão que explora os pobres no programa Domingão com o Huck, tão cansativo e repetitivo como a dança dos famosos.

Veja o caso do candidato Romeu Zema que, segunda-feira, foi trucidado perante dezenas de milhões de telespectadores. Foram tantas as perguntas para anulá-lo que os entrevistadores acabaram usando mais tempo para perguntar do que teve o candidato, para responder.

Por que teria ele concordado em participar dessa flagelação pública se seu percentual nas pesquisas não ultrapassa os 4%?

CAIADO DESTROÇOU – Já com o candidato Ronaldo Caiado, a estratégia editorial da emissora fracassou. O experiente ex-deputado federal, senador e governador de Goiás, desde o início, enquadrou os afoitos entrevistadores, tanto que ao final pareciam duas crianças perdidas no parque. Não acreditavam no que estava se desenrolando ao vivo e a cores. Foram a nocaute, como a conhecida operação policial “Castelo de Areia”, que o substituto do Bonner tão bem conhece.

Como o Lula da Silva  e o Flávio Bolsonaro, comparecendo a essa simulação de debate, nada irão acrescentar a suas campanhas eleitorais, melhor que não se submetam aos caprichos da Organização Globo e preservem as posições já conquistadas. Se forem à entrevista vão ser engolidos pois não têm o traquejo do candidato do PSD, que infelizmente tem um vice distraído que dorme durante os debates, para deleite dos atentos fotógrafos.

FILHO FENÔMENO – Se a jornalista Renata Vasconcelos perguntar hoje ao Lula se ele acha que seu filho ainda é um fenômeno como empresário, se não é submisso aos interesses da atraente lobista Roberta Luchsinger, se vai voltar ao Brasil para votar no pai ou se as bets estão ajudando a Receita Federal a aumentar a arrecadação, Lula poderia sair pela tangente, dizendo algumas verdades aos apresentadores:

“Vocês sabiam que em 2007 eu renovei as cinco outorgas de concessão da Rede Globo, em favor dos irmãos Marinho, mesmo sabendo que eles, descumprindo a lei de radiodifusão, sem autorização do governo, transferiram o controle dos canais da Globo para empresas de fachada, totalmente descapitalizadas? Sabiam que aprovei esse favor esquecendo que as concessionárias estariam devendo ao Fisco cerca de R$ 600 milhões, como apontado em 2013 pela companheira Luiza Erundina? E pior, emitimos assim mesmo uma certidão negativa de débito para que tudo continuasse como está…”

DIRETO AO PONTO – O: candidato Flávio Bolsonaro também pode ir direto ao ponto. Ele é acusado de enriquecimento ilícito por causa das rachadinhas, que subtraem parte da arrecadação de assessores parlamentares, além da compra de imóveis com dinheiro vivo e a lavagem achocolatada de dinheiro.

Flávio poderia responder que muito mais grave do que isso, foi o golpe societário que Roberto Marinho cometeu, apossando-se das ações de mais de 600 fundadores da TV Paulista, canal 5 de São Paulo, promovendo assembleias com documentação falsa e sem a presença dos acionistas majoritários, que, mesmo mortos há anos, teriam outorgado procurações a terceiros para assinarem o livro de presença es a ata da assembleia ilegal.

“Acho mesmo que meu pai, quando ainda presidente, em dezembro de 2022, não deveria ter imitado Lula e renovado por mais 15 anos as concessões da Rede Globo”, poderia dizer Flávio Bolsonaro no JN.

OUTRA AFIRMATIVA – O candidato Flávio Bolsonaro também poderia perguntar se César Tralli e Renata Vasconcelos sabiam que uma microempresa de eventos esportivos, com capital de apenas R$10 mil, em setembro de 2006 miraculosamente transferiu para os irmãos Marinho cerca de R$ 5,8 bilhões, equivalentes a US$ 2,8 bilhões?

Para a Receita Federal, infelizmente, nada mais pode ser feito sobre esse incidente contábil, pois o governo decaiu da obrigação de investigar a origem dessa fortuna.

Moral do enrosco: quem não for ao debate não vai perder nada. A entrevista dos candidatos pela Globo só serve para realçar o seu convencimento de que ela e só ela deve dar a última palavra, como aconteceu com o triste episódio da Escola de Base de São Paulo, um dos mais vergonhosos abusos da liberdade de imprensa no Brasil, que, pelo jeito, vem sendo seguidamente esquecido.

5 thoughts on “Se você fosse candidato, iria comparecer ao tribunal da inquisição da Rede Globo?

  1. A Grobo Lixo montou uma arapuca para trucidar os opositores do Ladrão. O Zema caiu na arapuca mas, o Caiado já foi preparado e trucidou a dupla de imbecis que faziam a entrevista.

  2. Flávio continua enrolado na página que não virou

    Flávio Rachadinha se irrita com a imprensa ao ser questionado sobre sua relação com Vorcaro, como se o caso estivesse superado. Não está: faltam ainda muitas explicações.

    Rachadinha disse que o caso de sua relação com o banqueiro Daniel Vorcaro, protagonista do maior escândalo financeiro da história brasileira, é “página virada”. Não é!

    A página está enrolada, e depende das muitas explicações de Flávio. Pois, alguém que o pai quer como presidente não pode ter em sua biografia uma relação obscura com um banqueiro preso por fraudar em bilhões o sistema financeiro – a quem, recorde-se enfaticamente, chamava de “irmão”.

    Flávio insiste que o dinheiro foi dado por Vorcaro numa “relação privada”, sem envolver recursos públicos, razão pela qual não haveria crime. Ora, isso é ofender a inteligência alheia.

    O dinheiro que Vorcaro distribuía a mancheias a seus “irmãos” Brasil afora, como Flávio, era fruto de fraudes bilionárias – e o candidato a presidente certamente sabia disso.

    A intimidade fraternal – desde maio tornada pública – entre Flávio e Vorcaro, um notório fraudador é o escândalo público por definição, ainda mais envolvendo um aspirante ao principal cargo executivo do País.

    A questão vital continua sendo a obscuridade das razões que levaram Flávio e um escroque como Vorcaro a construir uma relação tão íntima e financeiramente tão proveitosa.

    Goste Flávio ou não, no curso da campanha a imprensa cumprirá o seu dever de lhe fazer as perguntas incômodas, tanto sobre o caso Master, como sobre quaisquer outras suspeitas que ainda pairam sobre ele sem explicação – caso das “rachadinhas”, do envolvimento com milícias do Rio de Janeiro e da aquisição de imóveis em dinheiro vivo, entre outras.

    O País precisa saber o motivo pelo qual um postulante à Presidência manteve uma relação afetuosa – e generosamente financiada – com o responsável pela maior fraude bancária já apurada no Brasil.

    Fonte: O Estado de S. Paulo, Opinião, 27/08/2026 | 03h01 Por Editorial

    • “O dinheiro que Vorcaro distribuía a mancheias a seus “irmãos” Brasil afora, como Flávio, era fruto de fraudes bilionárias – e Rachadinha certamente sabia disso.”

      “O País precisa saber o motivo pelo qual um postulante à Presidência manteve uma relação afetuosa – e generosamente financiada – com o responsável pela maior fraude bancária já apurada no Brasil.”

  3. O passado da república do militarismo e do partidarismo, seus tentáculos e as suas implicações no presente que inibem as perspectivas de futuro novo e alvissareiro para o país, a política e a vida do conjunto da população. O Debate é bom, propositivo e sugestivo, vale a pena ler o conjunto da obra. FATOS que demonstram que não foi à toa que o conjunto da sociedade brasileira, apartidária, inspirado e motivado por uma possível força espiritual maior, saiu às ruas do país, em Junho de 2013, aos gritos de “sem partidos, sem violência, sem corrupção, sem golpes, sem ditaduras, sem estelionatos eleitorais, vocês não nos representam”, com a maturidade nunca antes vista na história do país, como que pedindo, pelo amor de Deus, a quem de direito, o advento de uma possível mega solução, via evolução, representada por um possível megaprojeto novo e alternativo de política e de nação, via novo pacto político nacional, capaz de reorganizar o país, a política e a vida do conjunto da população, devolvendo a bola ato continuo para o congresso nacional, recolhendo-se em seguida, dando uma banana para os politiqueiros oportunistas de plantão, acreditando que o congresso nacional estivesse à altura de tamanha transformação, mas que, infelizmente, continua demonstrando que a sua praia é outra, tal seja a loucura compulsiva e insaciável por dinheiro, poder, vantagens e privilégios, sem limite$, que, infelizmente, continua enxergando o povo apenas com bucha de canhão, massa de manobras, vítima, refém, súditos e escravos dos delírios financeiros dos me$mo$, infeliz e desgraçadamente. Quem sabe agora o brioso e corajoso Papa, Leão XIV, que não teve medo de bater de frente contra Donald Trump, a matriz e raiz da encrenca nacional e internacional, com a Igrejas fiéis e Jesus Cristo, e seus fiéis escudeiros, possa nos ajudar no sentido do descortino dos novos horizontes que o país, a política e o povo inocente, do bem, necessitam há muito tempo, há 136 anos, a nosso ver, que passa necessariamente pela contenção e enquadramento da loucura por dinheiro, poder, vantagens e privilégios, sem limite$, mãe da desgraça nacional generalizada. https://tribunadainternet.com.br/2026/08/27/brasileiros-perderam-a-vergonha-e-passaram-a-idolatrar-politicos-altamente-corruptos/?fbclid=IwY2xjawT9QpFwZG9mAWV4dG4DYWVtAjExAHNydGMGYXBwX2lkEDIyMjAzOTE3ODgyMDA4OTIAAR7LfFq-co7RWXgeykhzGhJ6u-TMEDkhapDHsjJizRpoEdQ6ACe4zhSFZ99b6w_aem_lBE6S9YcPVwlqhITQ2ktiA#comment-212630

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *