Estamos lascados nesta eleição, porque Lula e Flávio não merecem nosso voto

Cartum mostra um outdoor com a frase 'Vote em mim!'. Da boca do candidato sai um líquido marrom que inunda a cidade. Um homem, agarrado ao pé do outdoor, quase sendo levado pela correnteza, responde 'Eu votei!'. Ao fundo, prédios e nuvens negras. No primeiro plano, carros boiando

Charge da Folha (Cláudio Mor)

Hélio Schwartsman
Folha

Não dá para a gente pular direto para a eleição de 2030? Pergunto porque, pelas opções que se nos descortinam agora, estamos lascados. O principal candidato da oposição, Flávio Bolsonaro, dá diariamente mostras de que não tem condições de conduzir uma patinete por rua tranquila de cidade do interior. É preciso ter perdido o juízo para entregar-lhe a condução de um país com as complexidades do Brasil.

A suposta novidade no pedaço, Renan Santos e seu partido Missão, vendem-se como representantes do liberalismo, mas não desperdiçam nenhuma oportunidade de abraçar posições iliberais. Já o incumbente, Luiz Inácio Lula da Silva, está bem fora de forma e parece perdido em algum lugar entre o passado e o futuro. Com isso, quero dizer que não assimilou as lições do passado e apresenta uma visão de futuro bem obnubilada.

ERRO INFANTIL – Para um político que disputa sua sétima eleição presidencial, ele cometeu erro infantil ao afirmar não conhecer e jamais ter estado perto da lobista Roberta Luchsinger. Fotos que provam o contrário apareceram em minutos.

Na mesma linha, custa crer que Lula, que já passou pelo mensalão e pelo petrolão e sofreu enorme desgaste por causa dos negócios do filho Fábio Luís, não tenha tomado medidas preventivas para evitar que a vida empresarial do primogênito não voltasse a assombrá-lo.

Algo parecido vale para o caso Marcola. Um presidente precisa saber o que ocorre na antessala de seu gabinete.

E A DÍVIDA – O mais desalentador foi a declaração do presidente de que a dívida pública não o preocupa. Deveria. No Brasil, a dívida mobiliária, dadas a reduzida poupança interna e as condições de rolagem, opera como uma âncora que puxa para baixo todas as variáveis necessárias para manter a economia crescendo por períodos mais longos, condenando-nos aos proverbiais voos de galinha.

Nos últimos 30 anos, o PIB do Brasil cresceu 105%, pouco perto dos 165% da Colômbia ou 220% do Chile e uma piada diante dos 620% do Vietnã ou 1.200% da China.

Não ver um problema desse tamanho é grave.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Mais um extraordinário artigo de Helio Schwartsman, que trafega admiravelmente pela Política, pela Economia, pela Filosofia e pelas Artes em geral. É um dos brasileiros mais qualificados, porém às vezes cabe fazer algum reparo a seus artigos, como acontece agora. Schwartsman reduziu a pó os principais candidatos ao governo, para concluir que “estamos lascados” e deveríamos adiar a eleição para 2030. Peço licença para discordar. Como a eleição não será adiada, os brasileiros deveriam votar no menos pior, digamos assim, que se chama Ronaldo Caiado e não sofreu nenhuma crítica de Schwartsman, que a meu ver não quis apoiá-lo para evitar atrito com a maioria dos jornalistas, que é de esquerda e apoia Lula. O editor da Tribuna é um velho admirador de Engels e Marx (nesta ordem, por favor, prefiro Engels a Marx…). Hoje atuo como social-democrata, em busca do Estado de Bem-Estar (Welfare State) e não ligo mais para as divergências entre direita e esquerda, porque todos somos iguais e precisamos optar pelo que é certo. Nesta eleição, o certo é votar em Caiado, por simples constatação de que os demais são muito inferiores a ele. Vamos voltar ao assunto, é claro. (C.N.)

6 thoughts on “Estamos lascados nesta eleição, porque Lula e Flávio não merecem nosso voto

  1. O melhor ou como preferem alguns, menos pior dos candidatos é Lula. Os outros, tá loko, como dizem, nós, os gaúchos.
    A única maneira de crescermos é voltar a aumentar a nossa industrialização e investir em P&D. China e Vietnã, países citados, fizeram. E há somente um candidato que fala sobre isso. Depender de exportação de commoditiies pode até aumentar o PIB em algumas épocas, mas a renda fica concentrada na minoria.
    Certamente devemos gastar menos do que arrecadamos, mas ficar somente nos gastos é coisa simplista e hipócrita, sabemos em quem essa diminuição pretendida pelo mercado recairá.

    • A camapanha de Lula sabe falar.

      Fala mal, mas o conteúdo não faz sucesso à toa.

      O sonho era que pelo menos essas obviedades fossem percebidas pelos “concorrentes”.

      Que subestimam a inteligência e a atenção interessada e concentrada do seu próprio povo, que já sofre tanto.

  2. Justiciabilidade…

    O cidadão tem como exigir os seus direitos?

    A décima eleição presidencial direta desde 1989…

    Parece que foi ontem.

    Além disso, conheçam, acompanhem, cobrem os seus legisladores, seus representantes no parlamento, porque é o mais decisivo e teoricamente plural dentre as funções do poder, conhecidos como nossos podres poderes.

    Temos o senado brasileiro com a grande eleição desde 2018.

    A Câmara que deveria ser cada do povo, com sua representação proporcional.

    Deveriam ser representantes e freios (equilíbrio, contrapeso) contra os abusos dos exercentes (mandatários) dos demais poderes.

    Mas o desespero com esse sistema é tremendo.

    Como foram feitas essas linguiças de carne podre e papelão de padrão JBS?

    Quando a Inglaterra perdeu para a França a guerra do estreito da Normandia, o rei João-Sem-Terra passou a aumentar os tributos com o fim de se fortalecer. De contratar mercenários.

    Não no nível da roubalheira e do acordão atual nestas terras brasileiras em sua ocupação histórica e atual.

    Os Senhores Feudais de lá resistiram bravamente e se recusaram a lutar sob carga tributária pesada e passaram a exigir a anterioridade tributária.

    Há 811 anos…

    Dessa tentativa de insurgência contra o Rei surgiu a Magna Carta de 1215 e o devido processo legal.

    De 1215 a 1789, vários movimentos antimonárquicos formaram na Terra o movimento iluminista, que começa, oficialmente, na Inglaterra e deságua na Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, mãe filosófica dos Direitos Humanos.

    Em 1771 o movimento foi interrompido, segundo contam, por um raio fulminante naquela Inglaterra e o Iluminismo fugiu para a França e fez lá uma ambiciosa revolução burguesa contra os privilégios dos nobres.

    Isso não ocorreu por aqui.

    Apenas a passeio ou por ostentação os nobres privilegiados de cá perambulam pelo Castelo de Versalhes e pelos movimentos de Paris de 1789.

    É no pós-oitocentismo que os Direitos Humanos ganham sobrepujança, materializando, em palavras, a ideia de liberdade, igualdade e fraternidade.

    Ainda não chegamos à verdadeira ruptura. Corremos o risco de sermos extintos antes de enxergarmos a humanidade como o centro. Há linhas paralelas, segundo a teoria crítica, com viseiras de cavalo. A relativização e a interessada imposição mostram a fraqueza e seguimos desgovernados por novas monarquias.

    Bebendo na fonte socrática, chegamos ao Topoi, com a hermeneutica diatômica, característica de cada povo, o famigerado multiculturalismo.

    Depois de seguidas atrocidades temos a Declaração Universal dos Direitos Humanos de 1948, com Segunda Guerra Imperialista e Neovolobialista Mundial. A esposa de Roosevelt foi importante. Finalmente os Direitos Humanos ganharam alguma envergadura jurídica.

    Foucault situaria em biopolítica. Migramos, pela lógica, para a necropolítica.

    Lembremos dos terrores de décadas passadas e da virada de 2020.

    Há seis décadas, em 1966, tivemos uma nova formulação documental, o Pacto dos Direitos Civis e Políticos (marcado pela cisão da primeira dimensão de Direitos Humanos) e Pacto dos Direitos Econômicos, Culturais e Sociais (que simbolizam a Segunda Dimensão).

    Cá estamos com a vida nua, sem cidadania, vítimas da mortandade por parte do Estado, que controla a morte nossa de cada dia.

    Necropolítica da violência do Estado de Exceção, com carga tributária muito maior do que no período colonial, com um acordo escuso entre os novos senhores feudais e a côrte suntuosa.

    Sobrevivendo em meio à violação diária dos nossos direitos.

    Nadando contra corrente. Observando o caminhar desmotivado e a passos de formiga da evolução moral da humanidade, nas poucas décadas de passagem por este planeta e por esse lindo e exemplarmente maltratado país.

    Cercados por almas muito habilidosas.

    Mas extremamente mesquinhas.

  3. 1) Licença… pode ser que eu me engane, mas a zebra desta eleição majoritária talvez seja o candidato da “Auto Ajuda”…

    2) Médico, Psiquiatra, Escritor… Augusto Cury …

    3) Há décadas estamos vendo esses nas mídias

    4) O citado candidato do “Pensamento Positivo” é novidade… e os eleitores gostam de novidade de vida …

  4. Está escrito:
    Capítulo I
    https://www.islam-radio.net/protocols/indexpo.htm
    [30/
    “Todavia, no mundo, as palavras Liberdade, Igualdade, Fraternidade colocadas em nossas fileiras, por meio de nossos agentes cegos, legiões inteiras de homens que arvoraram com paixão nossos padrões. Contudo, tais palavras eram os vermes que roíam a borboletas dos não-judeus, destruindo por toda a parte a paz, a tranqüilidade, a solidariedade, minando todos os alicerces de seus Estados. Vereis pelo que se segue como isso serviu ao nosso triunfo; isso nos deu, entre outras coisas, a possibilidade de obter o triunfo mais importante, isto é, a abolição dos privilégios, a essência própria da aristocracia dos cristãos, o único meio de defesa que tinha contra nós, os povos e as nações. (10). Sobre as ruínas da aristocracia natural e hereditária, elevamos nossa aristocracia da inteligência e das finanças. Tomamos por seleção dessa nova aristocracia uma riqueza que depende de nós, e da ciência, que é dirigida por nossas riquezas.”

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