PL suspende agenda de Michelle e concentra forças na sobrevivência política de Bolsonaro

Michelle viajaria ao Mato Grosso no próximo sábado

Luísa Marzullo
O Globo

O PL decidiu cancelar um evento que Michelle Bolsonaro faria no próximo sábado, em Sorriso, no Mato Grosso. A atividade estava marcada para o dia seguinte ao encerramento do julgamento de Jair Bolsonaro no Supremo Tribunal Federal (STF), previsto para sexta-feira, e acabou sendo suspensa para que a ex-primeira-dama permaneça ao lado do marido no momento decisivo.

Em nota, o PL informou que “a decisão foi tomada em razão da atual situação pela qual o seu marido e presidente de honra do Partido Liberal, Jair Bolsonaro, está passando, de modo que a Sra. Michelle Bolsonaro ficará ao seu lado durante o desfecho do julgamento. Dessa forma, ela não poderia estar presente no evento em Sorriso”.

AGENDA – A legenda afirmou que o evento será reagendado e agradeceu a compreensão de apoiadores que já haviam se inscrito. O evento seria parte das ações do PL Mulher, em que a ex-primeira-dama tem viajado pelo país. O cancelamento tem peso simbólico. Michelle vinha assumindo papel cada vez mais ativo nas caravanas do PL.

O encontro em Sorriso seria mais uma oportunidade para consolidar sua imagem como porta-voz do bolsonarismo, que busca renovação. Dentro do partido, a avaliação é que não seria possível sustentar uma agenda de mobilização um dia após o julgamento que pode condenar o ex-presidente.

ALTERAÇÃO – Não é a primeira vez, nesta semana, que a agenda da legenda é alterada. O ato de filiação do ex-governador de Mato Grosso do Sul, Reinaldo Azambuja, também foi adiado. Marcado para 12 de setembro, o evento acabou transferido para o dia 21, após integrantes da sigla afirmarem que o evento se tornaria o “velório de Bolsonaro”.

O julgamento de Bolsonaro na Primeira Turma do STF foi retomado na manhã desta terça-feira, com o voto do relator, o ministro Alexandre de Moraes. Também estão previstas sessões para os próximos dias. Além do ex-presidente, outros sete são réus na trama do golpe.

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O que é ‘data dump’, citado por Fux neste julgamento de trama golpista

Moraes fala em 'erros e acertos' e destaca colegiado - 11/08/2025 - Poder -  Folha

Voto de Luiz Fux surpreendeu Moraes e abriu nova frente

Raisa Toledo
Estadão

Durante a leitura de seu voto no julgamento da ação penal contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e sete aliados nesta quarta-feira, 10, o ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF), criticou a forma como as provas foram apresentadas no processo. Ele usou as expressões em inglês ‘data dump’ e ‘document dump’, que significam, se traduzidas literalmente, “despejo” de dados ou documentos.

Os termos são usados no direito processual para indicar a disponibilização de uma quantidade massiva de informações de forma desestruturada, o que pode dificultar o trabalho jurídico.

DEFESA CERCEADA – Fux afirmou que a conduta compromete o trabalho dos advogados e usou esse argumento para acolher a preliminar da defesa dos réus que alegava violação da garantia da ampla defesa.

“Salta aos olhos a quantidade de material probatório envolvido, até pra mim. Elaborar esse voto foi motivo de extrema dificuldade. Foi exatamente nesse contexto que as defesas alegaram cerceamento de defesa, em razão dessa disponibilidade tardia que apelidei de tsunami de dados, que no direito anglo-saxônico se denomina de ‘document dump’, disse.

Ele acrescentou que o material foi disponibilizado “sem identificação suficiente e antecedência minimamente razoável”.

70 TERABYTES – O material reunido pela acusação ocupa cerca de 70 terabytes, o que equivaleria, segundo ele, “a milhões ou bilhões de páginas”. Para o ministro, isso representa um “abuso do direito de acusar e ausência de justa causa”.

A avaliação de Fux contrasta com a do relator do processo, Alexandre de Moraes, que votou pela rejeição das preliminares apresentadas pela defesa.

Moraes afirmou que todos os documentos e mídias foram disponibilizados às partes e negou uma estratégia deliberada de sobrecarregar os advogados.

SEM TEMPO – Os advogados dos réus argumentam que não tiveram tempo suficiente para analisar todas as provas reunidas pela Polícia Federal no inquérito.

As defesas queriam mais prazo para buscar elementos que eventualmente pudessem enfraquecer a denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR).

As provas usadas na denúncia são selecionadas pela acusação dentro de um universo maior de evidências, como a íntegra de conversas extraídas de celulares apreendidos, arquivos recuperados em computadores e cópias de documentos manuscritos.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Moraes agiu como um déspota neste processo, dificultando ao máximo o trabalho das defesas. Exibiu a minuta do golpe como se fosse parte do plano secreto dos conspiradores, mesmo sabendo que era um documento público, já discutido abertamente pelas autoridades. Ainda bem que Fux acordou na undécima hora, quando os réus já estavam praticamente engaiolados. Afinal, porque não se pode fazer um julgamento justo? (C.N.)

No processo de Bolsonaro, Brasil diz que nem tudo é negociável

A imagem mostra um homem parcialmente visível, com a parte superior do corpo e o rosto aparecendo através de uma grade. Ele está usando uma camisa azul e tem cabelo escuro. O fundo é escuro, e a luz incide sobre seu rosto, destacando suas características. A grade cria um efeito de sombras sobre ele.

A grande dúvida é se Bolsonaro será preso na Papuda

Demétrio Magnoli
Folha

Jair Bolsonaro não é Josef K., por mais que Trump e a ultradireita brasileira tentem exibi-lo como o personagem de Kafka esmagado por um Estado judicial tão perverso quanto inescrutável. O processo de Bolsonaro e da sua quadrilha de conspiradores merece o “P” maiúsculo por outra razão: o adjetivo “histórico”, hoje desmoralizado por uso excessivo, aplica-se legitimamente a ele.

O Brasil que sentencia os golpistas está dizendo que nem tudo é objeto de negociação, enquanto os EUA fugiram ao dever de condenar Trump pela sua tentativa de golpe de Estado.

EROSÃO INSTITUCIONAL – O fruto disso não é o retorno do golpista à Casa Branca, algo que deriva das políticas, essencialmente da obsessão identitária do Partido Democrata, mas a erosão geral das instituições que sustentam a democracia americana.

O Brasil segue caminho diverso, submetendo o ex-presidente e uma malta de altos oficiais militares ao império da lei. Nesse passo, rompe-se a tradição da conciliação por cima, que, ao longo da República, premiou tantos inimigos da ordem democrática.

Nosso Processo é uma obra imperfeita. Num tribunal mais cuidadoso com o decoro legal, juízes não pronunciariam discurso políticos retumbantes que antecipam seus votos.

PROCESSO COM DESLIZES – Um tribunal menos ativista ajustaria seu regimento interno às circunstâncias históricas, julgando os réus no pleno de 11 ministros. Um tribunal mais atento ao futuro constrangeria o relator a se declarar impedido, pois ninguém deve ocupar simultaneamente os lugares de magistrado e vítima potencial.

Nenhum dos deslizes do Processo autoriza a utilização do adjetivo “kafkiano”. Os réus beneficiaram-se de amplo direito à defesa. São múltiplas, incontestáveis, provas de que foram deflagrados atos preparatórios para um golpe destinado a anular o resultado das eleições e abolir o Estado de Direito.

Infelizmente, porém, cada um desses deslizes oferecerá pretextos para operações judiciais e políticas destinadas a anular as sentenças.

NADA APRENDEU – O chefe golpista nada aprendeu, como evidencia sua conspiração com uma potência estrangeira para interromper o Processo. O novo crime, que causa danos econômicos a toda a sociedade brasileira, tende a produzir uma involuntária consequência positiva.

Antes da interferência imperial de Trump, cogitava-se no STF poupar Bolsonaro da prisão em regime fechado, condenando-o a uma mansão com vista para o lago.

Depois da sanção tarifária e da aplicação da Lei Magnitsky, tudo indica que desmoronou o ensaio de subordinar a lei às conveniências dos “homens bons”.

SEM “ACERTOS” – O Brasil nunca teve a coragem de julgar os responsáveis pelas violações de direitos humanos durante a ditadura militar, mas agora escolhe rejeitar a via dos acertos espúrios entre elites. O resultado mais relevante do Processo será ensinar às Forças Armadas que a política é território exclusivo dos cidadãos sem armas.

Os governadores da direita e o centrão ensaiam firmar um intercâmbio com Bolsonaro. O ex-presidente apoiaria a candidatura de Tarcísio de Freitas, em troca de futuro indulto presidencial. O pacto indecente, que expõe a fragilidade do compromisso da direita com a democracia, desvia a conclusão do Processo para a esfera política. 

Na prática, as sentenças judiciais só serão confirmadas após as eleições presidenciais de 2026 – e apenas na hipótese de derrota do governador paulista. 

STF tem maioria para condenar Mauro Cid por tentativa de golpe

Mauro Cid: Bolsonaro Pediu Mudanças na Minuta do Golpe

Cid é um covarde, que chorou ao saber que seria preso

Deu na BBC Brasil

A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) formou maioria para condenar o tenente-coronel e ex-ajudante de ordens do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), Mauro Cid, pelo crime de tentativa de abolição violenta do Estado democrático de direito.

Ele é o primeiro réu do chamado “núcleo crucial” a ter maioria por sua condenação. Por ter firmado uma colaboração premiada, sua pena poderá ser perdoada total ou parcialmente.

TRÊS VOTOS – A maioria foi formada após o voto do ministro Luiz Fux. Ele já havia tido o voto por sua condenação dado pelo relator, Alexandre de Moraes, e pelo ministro Flávio Dino.

“Considerando as premissas, a própria colaboração que gera uma autoincriminação e a fundamentação acima, julgo procedente em parte o pedido de condenação, condenando-o pelo crime de tentativa de abolição do Estado democrático de direito”, disse Fux.

Em outro trecho de seu voto, Fux afirma que as provas colhidas pela acusação demonstram que Mauro Cid tinha conhecimento da trama golpista.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Mauro Cid é um militar covarde, que chorou e desmaiou quando soube que ia ser preso. Sua delação é cheia de furos e de denúncias que não foram confirmadas. Pertence a uma linhagem de corruptos. Junto com o pai, general Mauro Cid, e com o irmão, Daniel Cid, criou nos EUA a empresa Cid Family Trust, especializada em nebulosos negócios. No governo Bolsonaro, o general foi presidente da Apex (Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos), onde a raposa ficou tomando conta do galinheiro, digamos assim (C.N.)

Trump ameaça: sanções e até poder militar para proteger ‘liberdade de expressão

Ninguém cantou a Lua como Cândido das Neves e Vicente Celestino

Vicente Celestino, Catulo & Cândido Das Neves - História Da MPB

Vicente Celestino era o rei do romantismo

Paulo Peres
Poemas & Canções

O carioca Cândido das Neves (1899-1934), apelidado de “Índio”, era compositor, cantor e instrumentista. “Noite Cheia de Estrelas”, gravada em 1932 na RCA Victor, por Vicente Celestino, mostra as as suas características na arte de compor: letras sempre muito extensas, cantavam a natureza duma forma romântica.

NOITE CHEIA DE ESTRELAS
Cândido das Neves

Noite alta, céu risonho
A quietude é quase um sonho
O luar cai sobre a mata
Qual uma chuva de prata
De raríssimo esplendor…
Só tu dormes, não escutas
O teu cantor.
Revelando à lua airosa
A história dolorosa desse amor…

Lua!
Manda a tua luz prateada
Despertar a minha amada!
Quero matar meus desejos!..
Sufocá-la com os meus beijos…

Canto
E a mulher que eu amo tanto
Não me escuta, está dormindo…
Canto e por fim
Nem a lua tem pena de mim,
Pois ao ver que quem te chama sou eu
E entre a neblina se escondeu…

Lá no alto a lua esquiva…
Está no céu tão pensativa,
As estrelas tão serenas
Qual dilúvio de falenas
Andam tontas ao luar,
Todo o astral ficou silente
Para escutar:
O teu nome entre as endeixas
A dolorosas queixas
Ao luar.

Moraes desmonta defesa de general e expõe alinhamento direto com Bolsonaro

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Defesa de Bolsonaro celebra voto de Fux, mas ministros veem contradição e cerco à Corte

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Voto discordante de Fux apenas adia a condenação de Bolsonaro

Fux critica intervenção de Dino no voto de Moraes durante julgamento no  STF: 'Não foi o que combinamos'; veja vídeo

Fux discordou de Moraes e quer anular o julgamento

Vicente Limongi Netto

O julgamento de Bolsonaro e mais 7 réus, no STF é um exemplo da altiva democracia brasileira para o mundo. A gritaria dos perdedores, oportunistas e demagogos é oceânica.

Todo cidadão pode discordar de resultados de julgamentos no Supremo Tribunal Federal. O que não se pode é discordar usando a violência, a intolerância e a truculência, destruindo dependências dos prédios dos três Poderes. 

RECURSOS BAIXOS – Bolsonaristas usaram e continuarão usando, de todos os recursos baixos e nada republicanos para atacar, ameaçar e insultar os ministros do Supremo. 

Bolsonaristas estavam cantando de galo. Fogosos diante das absurdas declarações infames e ameaçadoras do presidente Donald Trump.  Chegando ao ponto máximo da ignorância impondo ao Brasil taxação de 50% para os produtos brasileiros. 

Nesta linha canalha do topetudo Trump juntaram-se, como ordinários sabujos, o deputado fujão, Eduardo Bolsonaro e o jornalista, também fujão, Paulo Figueiredo.  Ambos se fartaram de jogar praga, agredir, ameaçar e debochar do judiciário. Esmerados patifes em jogar pedras no ministro relator Alexandre de Moraes.

HISTERISMO – Agora, Inês é morta.  O choro é livre. Aumentou o histerismo dos raivosos. Bolsonaristas começaram a arrancar os cabelos. Estavam certos que Moraes recuaria. Caíram do cavalo.

Nessa linha, em diversos textos, aqui na valorosa Tribuna da Internet,   mostrei, salientei, afirmei, cravei, e antevi que não havia nenhuma chance de absolvição de Bolsonaro e mais 7 réus. Fui xingado pela escória de decaídos. Chamado de exagerado, limão azedo, rancoroso, esquerdista e outras sandices.  Mato a cobra e mostro o pau.

No artigo de 19 de julho escrevi: “Moraes não cederá, porque ministro do supremo não erra. Moraes tem consciência, com base nos autos, contra Bolsonaro e o filho fujão, que antes de tudo é preciso salientar para fariseus, que a soberania brasileira é inatacável e precisa ser respeitada”.

INABALÁVEL – Em outro artigo, de 9 de agosto, sublinhei: “Alexandre de Moraes prossegue inabalável a pressões e ameaças, atuando serenamente dentro dos autos”. Já no dia 14 de agosto, fui taxativo:

“Nada nem ninguém alivia a barra de Bolsonaro no STF. Nem mesmo se um raio dos Deuses vier atingir, em cheio,  o prédio da Suprema Corte, com todos os ministros presentes. Isso só adiaria a decisão”.

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Tarcísio se lança candidato, mas depois volta para cima do muro

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Os filhos de Bolsonaro querem tirar Tarcísio da disputa

Vicente Limongi Netto

É louvável a banda boa do governador Tarcísio de Freitas que apregoa, sempre que pode, a lealdade dele a Jair Bolsonaro. Mas é patética a banda ruim e mal cheirosa do agitado governador, bajulando Bolsonaro e insultando o ministro Alexandre de Moraes, em atitude inconveniente e constrangedora para os planos do governador do mais rico e poderoso estado do Brasil. 

Tarcísio começou ensaiando o script de leal e grato a Bolsonaro. Colou na testa. Ganhou seguidores. De uma hora para outra, talvez atendendo luzes do além, passou a atirar no Supremo Tribunal Federal e no ministro Alexandre de Moraes. 

FICA NO VAIVÉM – Tarcísio não é bem-vindo entre os filhos de Bolsonaro. Nem pintado de ouro. Tarcísio erra feio quando extrapola a lealdade para se tornar inacreditável capacho.

Agora Tarcísio mudou de tom. Voltou a dizer que abre mão da candidatura à Presidência da República, se Bolsonaro for beneficiado pela anistia. Os búzios do governador andam mais por baixo do que tapete de porão, diria o eterno craque, Sérgio Porto. 

Tarcísio não quer sair do jogo. Passou a atirar para todos os lados. Todo disparate que fala repercute. Quer mostrar que está vivo na disputa presidencial. Mas agora o voto de Fux abre novas polêmicas para Tarcísio apontar erros de Alexandre de Moraes na Suprema Corte.

PODE ESPERAR – O plano B de Tarcísio de Freitas — ser reeleito governador ou ser eleito senador — fica melhor para o figurino dele. Tem mais futuro. 

Tarcísio é novo e capaz. Não precisa, politicamente, do clã Bolsonaro para rigorosamente nada. Tarcísio, vá devagar ao pote. Para não ficar sem o mel e a cabaça.

O apressado come mal e cru.  Cabeça é para ser usada. Não apenas para colocar bonés de Trump.   

Fux dá aula de Direito e pede anulação dos processos abertos por Moraes

Fux defende anulação do processo da trama golpista por “incompetência  absoluta” do STF | Brasil 247

Fux aponta erros primários cometidos pelo relator Moraes

Carlos Newton

O ministro Luiz Fux surpreendeu a todos no julgamento dos golpistas, ao questionar nesta quarta-feira a competência do Supremo para julgar a ação. De acordo com Fux, considerado o maior processualista brasileiro, os réus não têm foro privilegiado e não deveriam, portanto, ser julgados pelo STF.

“A prerrogativa de foro deixa de existir quando os cargos foram encerrados antes da ação”, disse Fux, assinalando que este é o caso de todos os réus desse processo.

ANULAR TUDO – “Estamos diante de uma incompetência absoluta para julgar a ação”, assinalou, apontando o erro do ministro-relator Moraes, ao decidir julgar esses réus que não tinham mais foro privilegiado, e houve erro também da Procuradoria-Geral da República, que deveria ter advertido o Supremo sobre a inexistência de foro especial.

Assim, Fux defende que o processo seja anulado por incompetência absoluta do Supremo para julgá-lo. Além disso, também acolheu a preliminar sobre a incompetência da Primeira Turma em julgar o caso, que foi levantada por várias defesas.

“Ao rebaixar a competência original do plenário para uma das turmas, estaríamos silenciando as vozes de ministros que poderiam esterilizar a formar de pensar sobre os fatos a serem julgados nesta ação penal”, explicou.

JUSTIFICATIVA – Disse Fux que a Constituição Federal não se refere às Turmas, ela se refere empre ao plenário. “E seria realmente ideal que tudo fosse julgado pelo plenário do STF com a racionalidade funcional”, disse.

Ainda segundo Fux, como os demais casos envolvendo os fatos foram julgados em plenário, o restante do julgamento deveria continuar dessa forma.

“Ou o processo deve ir para o plenário ou tem de descer para a primeira instância”, resumiu.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
– Fux é o único jurista do Supremo, e não tem errado nos casos políticos. Em 2019, por exemplo, foi contra a libertação de Lula, e em 2021 também rejeitou a descondenação do petista, para poder sair candidato. Até agora, seu único equívoco foi votar a favor dos 17 anos de prisão para invasores do 8 de Janeiro, conforme já explicamos aqui na Tribuna. Agora, Fux está se redimindo do erro. (C.N.)

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Ministros do Supremo criticam Barroso e veem risco político em fala sobre anistia

“Não defendi ideia de anistia”, diz Barroso

Catia Seabra
Folha

A declaração em que o senador Ciro Nogueira (PP-PI) atribui o avanço de negociações sobre a anistia de envolvidos na trama golpista a uma avaliação do presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Luís Roberto Barroso, provocou a irritação de ministros da corte com o colega.

Barroso contrariou integrantes do tribunal ao afirmar que, após o julgamento e a eventual condenação dos réus, a anistia seria uma decisão política. Embora o ministro negue essa intenção, a fala foi interpretada por bolsonaristas como um aval à deflagração de uma articulação no Congresso para concessão de indulto ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

AMBIENTE PROPÍCIO – Em entrevista à Folha, Ciro Nogueira, que é presidente do PP e foi ministro de Bolsonaro, afirmou que a declaração de Barroso criou o ambiente propício para o debate no Congresso. Contrário à tese de Barroso, um ministro do STF fez duras críticas, sob reserva, à declaração do presidente do tribunal. Esse magistrado aponta que o regime democrático é uma cláusula pétrea da Constituição, sendo absurdo considerar perdoável um ataque à democracia.

O mesmo ministro classificou como uma barbaridade a avaliação de Barroso, por entender que o caso não estaria suscetível à anistia —nem antes nem depois do julgamento. Uma ala do tribunal considerou a declaração como um desrespeito à maioria do tribunal, que seria contrária à anistia. Barroso teria dado uma justificativa para a deflagração de um movimento de bolsonaristas no Congresso sem consultar a corte.

Um magistrado acrescenta que, do ponto de vista jurídico, não haveria nem mesmo impedimento à anistia antes da decisão da corte, como afirmou Barroso. Outro ministro, também contrário à anistia, avalia que a visão expressada por Barroso é minoritária no plenário. Ele calcula que apenas três ou quatro dos 11 integrantes do STF pensam dessa maneira, o que incluiria o próprio presidente do tribunal.

“CHANCE ZERO” – Nas palavras desse magistrado, há “chance zero” de o tribunal avalizar uma anistia ampla, mesmo que tenha apoio em massa no Congresso Nacional. Esse ministro interpreta as declarações de Barroso como uma tentativa de fazer um gesto político num momento considerado delicado, diante das ameaças constantes de sanções do governo dos EUA a integrantes do Supremo.

Ministros lembram que Barroso deu um dos oito votos no STF que invalidaram o indulto concedido por Bolsonaro ao então deputado Daniel Silveira. Em 2022, ele foi condenado pelo STF por incitação à abolição violenta do Estado Democrático de Direito e coação no curso do processo.

Então presidente, Bolsonaro concedeu o indulto ao parlamentar, mas a medida foi derrubada pela corte. Na ocasião, Barroso acompanhou a tese de que o ato do presidente havia sido marcado por desvio de finalidade e apontou que o Supremo tinha a prerrogativa de avaliar os atos do Executivo.

ALINHAMENTO – Outro ministro que votou pela derrubada do indulto foi Luiz Fux, que tem dado sinais de alinhamento às teses da defesa dos réus dos ataques de 8 de janeiro e da trama golpista. Naquele julgamento, Fux afirmou que não caberia perdão do Congresso no caso de crimes contra a democracia.

“Entendo que crime contra o Estado democrático de Direito é um crime político e impassível de anistia, porquanto o Estado democrático de Direito é uma cláusula pétrea que nem mesmo o Congresso Nacional, através de uma emenda, pode suprimi-la”, disse o ministro.

OUTRO LADO –  Depois que bolsonaristas espalharam a ideia de que o presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Luís Roberto Barroso, seria favorável à anistia, o ministro esclareceu que ainda não fez juízo de valor sobre a proposta.

“Não defendi a ideia de anistia. E, caso o tema seja judicializado, não emiti opinião sobre como o tribunal se posicionará neste caso. Nunca antecipo voto”, afirmou nesta quinta-feira, em mensagem à CNN.

Apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro têm utilizado uma fala de Barroso feita em agosto, durante um evento da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja-MT), como um indicativo de que o STF poderia validar a anistia.

QUESTÃO POLÍTICA – Na ocasião, o presidente da Corte disse que, juridicamente, é impossível aprovar uma anistia antes da conclusão de qualquer julgamento – mas que, depois disso, o tema “passa a ser uma questão política” a ser definida pelo Congresso.

“Não estou dizendo que acho bom, nem ruim, nem que deve fazer e nem que não deve. Mas pode ser um fator de pacificação”, disse ele em Cuiabá. A frase tem sido replicada nos últimos dias, em meio ao julgamento de Bolsonaro.

“Indagado sobre anistia, em um evento em Mato Grosso, disse que não achava que ela pudesse ser possível antes do julgamento. E que após o julgamento, entendia que essa passava a ser uma matéria para o Congresso. Não defendi a ideia de anistia. E, caso o tema seja judicializado, não emiti opinião sobre como o tribunal se posicionará neste caso. Nunca antecipo voto”, afirmou o ministro.