Centrão vê adiamento de visita como jogada política de Tarcísio diante da crise da direita

Charge do Cláudio (Arquivo do Google)

Camila Turtelli
O Globo

O adiamento da visita do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), ao ex-presidente Jair Bolsonaro, preso na Papudinha, foi interpretado por lideranças do Centrão como um movimento para ganhar tempo em meio à indefinição da direita na disputa pela Presidência.

Nos bastidores, a avaliação é que o encontro, autorizado pelo Supremo Tribunal Federal (STF), carregava mais riscos do que ganhos para o governador, ao associá-lo de forma precoce à estratégia eleitoral do clã Bolsonaro. A visita havia sido solicitada pela defesa do ex-presidente.

PRIORIDADE – Segundo o senador Flávio Bolsonaro (PL) disse ao O Globo, o objetivo do encontro seria reforçar ao governador que sua reeleição em São Paulo deveria ser tratada como prioridade. A leitura foi recebida com irritação no entorno de Tarcísio, cujos aliados ainda alimentam a possibilidade de ele disputar o Palácio do Planalto.

Interlocutores do governador avaliam que, se a visita tivesse ocorrido, dificilmente traria algo de positivo para seus planos políticos. A avaliação é que Bolsonaro já fez sua escolha ao indicar o filho como pré-candidato à Presidência, e que uma conversa privada pouco alteraria esse cenário. Ainda assim, a percepção predominante é que o adiamento acabou sendo mais vantajoso para Tarcísio do que o encontro em si.

Para um dirigente do Centrão, Tarcísio quis evitar ser empurrado para uma definição num momento em que o bolsonarismo ainda tenta se reorganizar após a prisão do ex-presidente. De acordo com essa leitura, quanto mais o encontro demorar a acontecer, melhor para o governador.

“PONTO SEM VOLTA” – Nesse contexto, a visita passou a ser vista como um possível “ponto sem volta”, ao cristalizar a expectativa de que Tarcísio assumisse um papel mais explícito na campanha presidencial de Flávio. Para líderes do Centrão, esse movimento seria arriscado diante da alta rejeição do senador e da ausência, até agora, de sinais claros de que o nome escolhido por Bolsonaro consegue unificar a direita para além de seu núcleo mais fiel.

Um dirigente resumiu a preocupação ao afirmar que um eventual recuo do partido “ficaria feio para Bolsonaro e para Flávio”, por expor insegurança e fragilidade política. Para partidos de centro, a instabilidade é um sinal negativo em um campo que busca previsibilidade para organizar alianças.

A visita de Tarcísio a Bolsonaro havia sido autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes e seria o primeiro encontro entre os dois desde a prisão do ex-presidente, no fim de novembro — e também a primeira conversa após Bolsonaro indicar formalmente o filho como pré-candidato ao Planalto, em dezembro.

Provas são tão evidentes que o corrupto Dias Toffoli nem tenta se defender

Chega de malícia: o “resort do Toffoli” nunca foi de Toffoli

Toffoli mostrou ser um autêntico representante de Lula

Fabiano Lana
Estadão

É tanta revelação em sequência desde que José Dias Toffoli, ministro do Supremo Tribunal Federal, foi parar em um jatinho rumo a Lima em companhia de advogado do liquidado Banco Master, que o silêncio do envolvido se tornou uma espécie de confissão de culpa para o perplexo público externo.

São suspeitas de ser proprietário oculto de resort via uso de laranjas (confiram a reportagem do Estadão), sociedades com parentes de gente ligada ao banco, tráfico de influência e algo a mais. Tudo somado com uma tentativa desesperada, na aparência, de controlar o caso que o envolve por meio de decretação de sigilo e limites à ação da Polícia Federal.

MORAL E POLÍTICA – Ninguém é culpado até a decisão final da Justiça, podem dizer os que se apegam à lei. Mas a questão Toffoli vai bem além do Judiciário. Tornou-se moral. Tornou-se também política.

Aliás, ministros do STF, por ações e declarações, se sentiram bastante confortáveis em se tornar personagens da política diária brasileira. Agora precisam suportar o escrutínio que envolve todo mundo que resolve entrar para a vida pública, que pode se tornar avassalador.

Ainda não temos o chamado “outro lado” de Toffoli. As reportagens sobre o assunto muitas vezes contêm a seguinte informação: “Procurado, o gabinete do ministro não respondeu”, algo assim.

SILÊNCIO REVELADOR – Por que essa estratégia da mudez? Por se sentir injustiçado? Por se sentir acima da lei? Para preparar um contra-ataque aos caluniosos? Ou pior, por não saber o que responder frente à avalanche de informações? O silêncio, no caso, tem sido uma péssima saída, porque alimenta as mais indômitas interpretações.

Se, de um lado, a sociedade e parte do Congresso falam abertamente de impeachment do ministro, de outro, consta que Toffoli não pretende abrir mão nem mesmo da condução do caso Master.

Recebeu, inclusive, um auxílio da providência, quer dizer, da Procuradoria-Geral da República (PGR), que não viu necessidade de impedimento do ministro na investigação do escândalo pela tal carona no jatinho. Mais um fator de espanto para os espectadores e lesados.

FALSOS HERÓIS – Há apenas quatro meses, o Supremo era tido como herói de parte da nação, após a condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro por tentativa de golpe de Estado. Agora, foi arrastado na lama do Banco Master.

O ministro Alexandre de Moraes, principal algoz do ex-presidente, está quase tão enrolado quanto seu colega, pelo mal explicado contrato de R$ 129 milhões de sua esposa, Viviane Barci, com a instituição falida.

O triunfalismo da Corte tinha pés de barro e temos mais um exemplo, entre tantos, de a soberba preceder a queda.

No instante do entanto, na poesia sempre revolucionária de Leminski

O amor, esse sufoco, agora a pouco era... Paulo Leminski - PensadorPaulo Peres
Poemas & Canções

O crítico literário, tradutor, professor, jornalista, escritor e poeta paranaense Paulo Leminski Filho (1944-1989), gostava de fazer poemas curtos, que sempre tinham profundidade e despertavam interesse. No poema “No Instante do Entanto”, Leminski faz um desafio a quem possa esquecer sua poesia.

NO INSTANTE DO ENTANTO
Paulo Leminsk

No instante do entanto
Diga minha poesia
E esqueça-me se for capaz
Siga e depois me diga
Quem ganhou aquela briga
Entre o quanto e o tanto faz

Jatinho usado por Toffoli em Lima aparece em voos para o resort do ministro

Diretor do BC pressionou BRB a comprar créditos fraudados do Banco Master

Liquidação do Will Bank expõe fragilidades do sistema e cobra transparência das autoridades

Pedro do Coutto

A decisão do Banco Central de decretar a liquidação do Will Bank marca mais um capítulo delicado no já conturbado processo envolvendo o banco Master e lança luz sobre fragilidades que insistem em reaparecer no sistema financeiro brasileiro — sobretudo quando o impacto recai, de forma desproporcional, sobre clientes de baixa renda.

A medida, revelada em reportagem de O Globo, não surgiu do nada: foi a resposta a uma sequência de descumprimentos legais e operacionais que tornaram insustentável a continuidade da instituição. O ponto de inflexão ocorreu no dia 19, quando o Will Bank deixou de honrar sua grade de pagamentos junto à Mastercard.

BLOQUEIO – Diante da falta de liquidez, a operadora de cartões bloqueou as transações, paralisando, na prática, a vida financeira de milhares de clientes. O episódio expôs não apenas a fragilidade da instituição, mas também a dependência estrutural de um modelo que exige confiança permanente entre bancos, bandeiras e consumidores. Quando um elo falha, o efeito dominó é imediato.

O Banco Central, ao intervir, cumpriu o papel que lhe cabe: preservar a estabilidade do sistema e evitar que o problema se alastre. A liquidação, ainda que traumática, é um instrumento extremo justamente para conter riscos maiores. Ao mesmo tempo, a autoridade monetária avalia a possibilidade de venda das operações do Will Bank no mercado financeiro, hipótese que, embora prevista na regulação, se mostra complexa. O prazo de até 120 dias para negociações existe, mas o histórico recente e o tamanho do passivo tornam a tarefa árdua.

Enquanto isso, quem paga a conta da incerteza são os correntistas. Muitos deles recorreram ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC), mecanismo essencial para proteger depósitos e limitar danos sociais em crises bancárias. O FGC cumpre uma função silenciosa, mas decisiva: impedir que episódios como esse se transformem em tragédias financeiras pessoais. Ainda assim, o acesso à informação e ao próprio dinheiro, segundo relatos de clientes, tem sido confuso e lento — um problema que não pode ser tratado como detalhe operacional.

DESAFIOS – Há, neste episódio, uma dimensão política e institucional que não pode ser ignorada. A proliferação de bancos digitais ampliou a inclusão financeira e reduziu custos, mas também impôs desafios regulatórios inéditos. A supervisão precisa ser firme sem sufocar a inovação, e a comunicação com o público deve ser clara, sobretudo quando decisões duras — como uma liquidação — se tornam inevitáveis. Falhas de governança e de compliance não são acidentes; são escolhas ou omissões que, mais cedo ou mais tarde, cobram seu preço.

O caso do Will Bank reforça uma lição conhecida, mas frequentemente esquecida: estabilidade financeira não é um dado permanente, é uma construção diária. Exige vigilância técnica do Banco Central, responsabilidade dos controladores e transparência com a sociedade. Quando essa equação se desequilibra, o discurso da modernização bancária perde força diante da realidade concreta de clientes sem acesso ao próprio dinheiro. E isso, em um país ainda marcado por desigualdades profundas, é um risco que vai muito além das planilhas e dos balanços.

PGR arquiva pedido para afastar Toffoli e o mantém à frente de investigação do Banco Master

Charge do Gilmar Fraga (Zero Hora)

Mariana Muniz
O Globo

O procurador-geral da República, Paulo Gonet, decidiu arquivar a representação apresentada por parlamentares da oposição que pedia o afastamento do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), da relatoria da investigação que apura fraudes financeiras envolvendo o Banco Master, no âmbito da Operação Compliance Zero. A decisão é do dia 15 de janeiro.

A representação foi protocolada pelos deputados federais Adriana Ventura (Novo-SP), Carlos Jordy (PL-RJ) e Caroline de Toni (PL-SC), que alegavam possível impedimento ou suspeição de Toffoli em razão de uma viagem a Lima, no Peru, em novembro de 2025.

CARONA – Os parlamentares argumentaram que o episódio marcado por uma carona tomada por Toffoli no jatinho de um empresário para torcer pelo Palmeiras na final da Copa Libertadores da América contra o Flamengo na companhia de um advogado de um dos executivos do Master investigado na Operação Compliance Zero comprometeria a isenção do ministro para conduzir o caso.

Na decisão pelo arquivamento, Gonet afirma que os fatos narrados já estão em análise no âmbito do STF, com acompanhamento regular da própria Procuradoria-Geral da República. Para o chefe do Ministério Público, não há providência adicional a ser tomada pela PGR neste momento, o que levou ao arquivamento da representação.

“O caso a que se refere a representação já é objeto de apuração perante o Supremo Tribunal Federal, com atuação regular da Procuradoria-Geral da República. Não há, portanto, qualquer providência a ser adotada no momento”, escreveu Gonet no despacho.

DESCONFORTO – A decisão ocorre em meio a um ambiente de desconforto em relação à condução das investigações envolvendo o Banco Master por Dias Toffoli, o que tem gerado críticas públicas à atuação do ministro e incômodo de alguns de seus pares nos bastidores do STF. Além deste pedido de afastamento que foi arquivado, nesta semana outras iniciativas passaram a pedir o afastamento do magistrado do caso.

O senador de oposição Eduardo Girão (Novo-CE) encaminhou à PGR uma representação em que sustenta que circunstâncias pessoais e decisões controversas adotadas por Toffoli ao longo da investigação levantam dúvidas sobre a imparcialidade do relator, o que, na avaliação do senador, justificaria uma manifestação formal da Procuradoria perante o Supremo. A PGR ainda não respondeu esse pedido.

Os pedidos de afastamento de Toffoli se somam a outras iniciativas parlamentares que buscam questionar decisões do Supremo e da PGR em casos sensíveis, especialmente aqueles que envolvem autoridades com foro privilegiado.

Atrás dos R$ 129 milhões, mulher de Moraes segue defendendo o Master

Caso Master: Esposa de Moraes não atuou em órgãos previstos | Brasil |  Pleno.News

Moraes e a mulher vivem juntos, mas trabalham separados…

Johanns Eller
O Globo

A decisão sigilosa da Justiça Federal de São Paulo que encaminhou ao ministro Dias Toffoli o processo que investiga os empresários Nelson Tanure e Gilberto Benevides por insider trading em operações da Gafisa revela que o Banco Master está entre as partes interessadas do inquérito e é representado no caso pelo escritório de Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes. A advogada firmou com o banco de Daniel Vorcaro um contrato de R$ 129 milhões.

A informação consta na decisão da juíza federal Maria Isabel do Prado, assinada na noite do último dia 16. Além de Viviane, dois filhos do magistrado do STF (Alexandre e Giuliana) estão entre os profissionais do escritório Barci de Moraes que atuam em nome do Maste,.

A DENÚNCIA – O caso foi remetido ao Supremo em função das conexões entre o processo da construtora e o das fraudes no Banco Master, citadas na denúncia apresentada pelo Ministério Público Federal (MPF) contra Tanure e Benevides em dezembro e admitidas posteriormente pela defesa do primeiro empresário, que também é investigado no caso do Master.

A instituição liquidada pelo Banco Central em novembro passado figura como “”, ou seja, uma pessoa física ou jurídica que não consta na relação processual inicial, mas tem legítimo interesse jurídico caso a decisão final da Justiça tenha o potencial de afetar seus direitos.

Vorcaro e o Master não foram denunciados pelo MPF no caso da Gafisa, mas as investigações relacionadas às supostas operações irregulares de Tanure e Benevides na construtora miraram gestoras como a Trustee e Planner e fundos investigados no âmbito do banco. Por esse motivo, os interesses do banqueiro e da instituição liquidada podem ser impactados no decorrer do processo no STF.

MORAES VOTARÁ – Caso o inquérito chegue ao plenário da Corte, o processo relatado por Toffoli poderá ser votado por Alexandre de Moraes, marido da advogada do Master, quando estes interesses estariam em jogo.

Também figuram como “terceiros interessados” o investidor Vladimir Joelsas Timerman, acionista da Gafisa cuja denúncia sobre as movimentações suspeitas na empresa deu origem ao processo, sua gestora, a Esh Capital, a própria construtora e a Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

Como revelamos no blog em dezembro, o contrato entre o Master e o escritório Barci de Moraes, cuja sócia-controladora é Viviane, apreendido na primeira fase da Compliance Zero, conta com um escopo bastante amplo e não especifica uma única causa ou processo. Fica claro apenas o propósito de representar o banco onde for necessário.

AINDA NA DEFESA – A decisão da Justiça Federal de São Paulo, assinada pela juíza Maria Isabel do Prado, sinaliza que os serviços de advocacia continuam sendo prestados por Viviane após a liquidação do Master. O acerto previa o pagamento de quase R$ 130 milhões caso o contrato fosse cumprido integralmente, o que não ocorreu em função do desmantelamento da instituição por determinação do BC.

Em mensagens obtidas pelos investigadores, Vorcaro deixava claro em mensagens enviadas para auxiliares que os desembolsos para o escritório de Viviane eram prioridade total do Master e não podiam deixar de ser feitos em hipótese alguma.

Procurado para comentar, o escritório Barci de Moraes e a própria Viviane não retornaram o contato da equipe da coluna. Apenas p empresário Nelson Tanure se manifestou, dizendo-se inocente.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG –
Minha gente, 129 milhões de reais é um bocado de dinheiro, em qualquer país do mundo. O Master está no vermelho e não vai mais pagar a ninguém, porém os contratos com advogados são considerados prioritários no ordenamento jurídico brasileiro, equivalendo aos créditos trabalhistas. Assim, pode ser que ainda sobre algum para a família Moraes, mas é difícil garantir. (C.N.)

É insuportável ter clareza sobre a vulnerável condição humana

Desenvolver a consciência fez o homem encarar a realidade

Luiz Felipe Pondé
Folha

Mais um ano se foi. E as pessoas sobre a Terra fizeram planos. Não há dúvida de que convenções podem ser poderosas para um animal que pouco tem além delas. Leis, democracia, religiões e moral vagam sob um absoluto vazio de fundamento.

Sempre fui um apaixonado pela biologia. Isso me levou, entre outras razões, à faculdade de medicina. Sempre senti um halo de beleza e tragédia na teoria da evolução natural e em sua cegueira estrutural.

SALTO INFELIZ – A consciência é um salto evolutivo infeliz. A clareza absoluta sobre a condição humana é um sintoma insuportável. Melhor seria se nunca tivéssemos atingido esse grau excessivo de consciência. Quem disse que a evolução natural sabe o que faz?

Do autor de quem vou falar aqui hoje, infelizmente, a oferta em português é precária. O mercado editorial brasileiro, cada vez mais, se divide, na sua imensa maioria, entre as casas ideológicas e as casas que só querem best-sellers de péssima qualidade, quando os dois traços não se misturam.

Trata-se de Peter Wessel Zapffe, norueguês, advogado não praticante, montanhista e filósofo, morto em 1990.

TRAGÉDIA  HUMANA – “O Último Messias”, um opúsculo, existe em português, apesar de eu nunca ter visto essa tradução. Sua obra máxima, que li em inglês, “On the Tragic”, até onde sei, não foi vertida para o português.

Zapffe se inscreve naquela tradição rara em filosofia chamada por alguns de “filosofia lunar”. A maior parte dos filósofos, de uma forma ou de outra, pertence à “filosofia solar”. Ser lunar significa não crer que no final do dia, ou dos tempos, a ordem intrínseca, que tende ao bem, se impõe. Crer nessa ordem faz de você um ser lunar.

Nesse sentido, lunares seriam autores como o romano Lucrécio, o francês Pascal, no século 17; Kierkegaard e Schopenhauer, no século 19; Unamuno, Freud, Jung, Camus, Cioran e Zapffe, no século 20; John Gray, no século 21. Antes que alguém salte com correções de orelha, Nietzsche é um demilunar, ou meio lunar.

EXCESSO DE CONSCIÊNCIA – Uma característica de Zapffe é partir da biologia —mais especificamente da teoria da evolução— para dizer que a consciência, e sua condição cognitiva excessiva, foi um salto evolutivo que deu ruim. Um peso para a frágil espécie humana que se arrasta pelo mundo criando escapes para este excesso de consciência.

Uma analogia conhecida que Zapffe faz é com o alce pré-histórico extinto que, com seus exuberantes e poderosos galhos na cabeça, acabou sucumbindo ao peso que eles significavam no dia a dia.

No caso da consciência, ela tem suas funções adaptadas à tragédia da sua condição excessiva.

FUGAS E DISTRAÇÕES – Zapffe enumera essas adaptações, ou fugas, como ancoragem —mecanismos rígidos de fuga, como religiões ou ideologias políticas—, isolamento —fuga do pensamento obcecado pelo insuportável da consciência—, distração —se ocupar, próximo do “divertissement” de Pascal— e sublimação —fazer da agonia uma arte, filosofia, literatura, próximo a Freud.

O insuportável citado acima pode ser compreendido pela contradição insolúvel entre nosso desejo infinito e a indiferença do universo —próxima à ideia de absurdo em Camus.

Duvidar de si e do mundo, antecipar o futuro, ver o vazio de fundo, a impermanência, a vulnerabilidade, a contingência, a morte, o silêncio e a escuridão dos espaços infinitos que apavoravam Pascal. Todas essas realidades são atributos da nossa percepção.

EVOLUÇÃO TRÁGICA – Em Zapffe, o mundo não é trágico, tampouco trágica é a estética ou a moral em si. Trágica é a evolução natural da espécie, em direção à sua consciência plena, ou à clareza absoluta da sua própria condição.

Neste sentido, a lucidez que advém da clareza sobre nós mesmos —como pensava Camus— é um sintoma desse salto evolutivo infeliz, desse mau passo da natureza.

Como diz Zapffe, a natureza nos deu a consciência por meio de um erro cego e, com isso, nos expulsou dela, fazendo de nós uma espécie animal exilada do “paraíso” da ausência de consciência.

QUEDA DO PARAÍSO – Assim, o filósofo norueguês lia o mito da queda do paraíso. Como dizia Pessoa, “se o coração pensasse, parava de bater”.

Se Agostinho fosse um trágico, diria que passamos a vida buscando o trágico do lado de fora de nós, quando ele está dentro de nós. Trágica é a consciência, essa condição insuportável quando tomada na sua nudez.

“Uma noite, nos tempos imemoriais, o homem despertou e viu a si mesmo”, diz Zapffe, na abertura de “O Último Messias”. “Sua mulher o mandou caçar”, complementa o autor. Diante do animal indefeso, foi tomado de compaixão. Naquele dia, foi encontrado devorado por algum predador. Há muita beleza na tragédia humana. Há terror e há piedade.

Jornal Nacional arrebentou com Dias Toffoli, mas Fachin saiu na defesa dele

Tribuna da Internet | Com a evolução digital, a imprensa tem missão cada vez mais importante

Charge do Bier (Arquivo Google)

Carlos Newton

O jornalista Helio Fernandes costumava criticar a “imprensa amestrada” e sua ironia era procedente, porque o jornalismo estava dominado  pelos donos dos órgãos de comunicação, que vigiavam e controlavam pessoalmente as redações. Assim, somente eram publicadas as notícias que fossem do interesse deles.

Assis Chateaubriand era o Cidadão Kane brasileiro, comandava a linha editorial de seu império e escrevia os artigos de opinião. Outros empresários da comunicação usavam a mesma estratégia, como Octavio Frias, Júlio de Mesquita, Carlos Lacerda, Samuel Wagner etc.

EDITORIALISTAS – Com a modernização dos jornais e revistas, os  grandes empresários passaram a cuidar apenas dos negócios e contrataram experientes jornalistas para escrever os editoriais, a exemplo de Roberto Marinho, Paulo Bittencourt, Nascimento Brito, Roberto Civita, Adolfo Bloch e todos os demais.

Surgiram assim os editorialistas, que eram contratados para defender as teses do interesse dos empresários, que continuam controlando as redações, dando origem à tal imprensa amestrada, que os verdadeiros jornalistas tanto desprezavam.

De repente, aconteceu a informatização, com a internet, a notícia em tempo real, e os empresários foram perdendo o controle da redações, apesar de continuar entregando as chefias a jornalistas submissos e servis, para fazer o trabalho sujo.

COISA DO PASSADO – O controle direto e absoluto acabou, é coisa do passado. Os donos de veículos de comunicação não são jornalistas e nem chegam perto das redações. Mandam instruções através de seus títeres, fazem ameaças, mas não há como vigiar tudo, as notícias acabam vazando, os jornalistas de maior prestígio ganham cada vez mais independência, a imprensa livre tornou-se uma realidade irrefreável nesta nova era da notícia em tempo real.

Assim, não existe mais imprensa amestrada. Os verdadeiros jornalistas não aceitam tutela e no final acabam sempre defendendo o interesse público.

Essa realidade está sendo comprovada no caso do Banco Master. A sujeirada começou a ser denunciada discretamente em O Globo e logo se alastrou pela imprensa inteira, sem que os empresários pudessem segurar as notícias.

FARTA PODRIDÃO – Ao mesmo tempo, descobriu-se o supercontrato da mulher de Alexandre de Moraes e as pressões que o próprio ministro fez ao Banco Central, em favor do Banco Master.

Agora veio a tona o escândalo do resort-cassino de Dias Toffoli, que emporcalhou ainda mais o Supremo, além das notícias da Tribuna da Internet, denunciando a atuação ilegal de Alexandre de Moraes, que se apresentou como falso relator e irregularmente julgou sozinho dois recursos da defesa de Jair Bolsonaro.

Assim, a imprensa demonstra a importância que terá neste século, quando se registra o maior desenvolvimento tecnológico de todos os tempos, mas precisa ser acompanhado de uma evolução política, ambiental e socioeconômica, para que possamos viver num mundo mais justo.

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P.S. –
Este artigo já estava escrito, quando assisti ao Jornal Nacional na noite desta quarta-feira, um programa que vem me surpreendendo, porque agora está sendo comandado por um jornalista de verdade. Ao contrário de William Bonner, que durante 29 anos conduziu o programa para ser assistido por “telespectadores do tipo Homer Simpson”, o jornalista e apresentador César Tralli mudou o JN e agora dá destaque à política. Nesta quinta-feira, o repórter Júlio Mosquera deixou Dias Toffoli com as calças na mão
no caso do resort, digamos assim, dando sequência a uma demolidora matéria publicada pelo Estadão. O mais importante, porém, foi a conclusão da matéria, com o presidente do STF, Edson Fachin, defendendo ridiculamente Toffoli e ameaçando quem critica o Supremo. Era só o que faltava… Fachin está tomando o caminho errado e pode cair do cavalo,  junto com o colega. Depois voltaremos ao assunto. (C.N.) 

Procurador acusa Dias Toffoli de liberar R$ 200 milhões de maneira ilegal

MP-SP 'pegou muito na mão' de réus, diz procurador-geral - 16/04/2024 -  Poder - Folha

Procurador-geral não concorda com o proceder de Toffoli

Felipe de Paula e Pepita Ortega
Estadão

O procurador-geral de Justiça de São Paulo, Paulo Sérgio de Oliveira e Costa, afirmou que a decisão monocrática do ministro Dias Toffoli, que liberou o pagamento de honorários milionários a uma associação ligada a parentes de ministros das Cortes superiores, representa uma “afronta ao devido processo legal”. A reportagem pediu manifestação do gabinete do ministro sobre a decisão. O espaço está aberto.

Como mostrou o Estadão, o Ministério Público questionou, em 5 de novembro, uma decisão proferida em outubro pelo ministro Dias Toffoli que autorizou o pagamento de cerca de R$ 200 milhões ao Núcleo Universitário de Pesquisa, Estudos e Consultoria pelo município de São Sebastião, no litoral norte paulista. A prefeitura havia contratado a entidade em julho de 2022 para ingressar em uma disputa judicial pelos royalties do petróleo contra o arquipélago de Ilhabela.

FORA DA LEI – Para o chefe do Ministério Público de São Paulo, Toffoli atendeu o recurso da entidade “por meio de instrumento processual inexistente na legislação e inadequado para o controle da aplicação de precedentes da Corte Suprema”.

Paulo Sérgio sustenta que o ministro do Supremo desconsiderou “as balizas do devido processo legal, segundo as quais a atuação do Estado-Juiz deve observar o contraditório e a ampla defesa, atender as regras de competência e, ainda, verificar se houve a utilização do instrumento processual adequado, até mesmo em situações de suposto desrespeito às decisões da Corte Suprema”.

Firmado sem licitação, pelo critério da inexegibilidade, o contrato envolve uma entidade que mantém em seus quadros advogados ligados a familiares de ministros do Supremo Tribunal Federal e do Superior Tribunal de Justiça. Integram o Nupec Djaci Falcão Neto, filho do ministro Francisco Falcão, do STJ, e Hercílio Binato de Castro, genro do ministro Luiz Fux, do STF.

DIZ A ASSOCIAÇÃO – Interlocutores do Nupec, que se apresente como associação especializada em temas relacionados aos royalties da exploração de petróleo e gás, ressaltam que não há ligação entre os advogados e Toffoli, relator do tema no STF. Sustentam também que o processo só foi distribuído ao gabinete do ministro por ele ter sido o relator de um processo relacionado à matéria na Corte máxima.

Segundo apurou a reportagem, o contrato entre a Nupec e a prefeitura de São Sebastião resultou em R$ 1 bilhão em royalties de petróleo para o município. E Toffoli liberou R$ 200 milhões a entidade ligada a parentes de ministros, provocando crise com o Tribunal de Justiça.

Ao Estadão, a prefeitura de São Sebastião afirmou que “sempre cumpriu integralmente as determinações do Poder Judiciário, em observância à legalidade, à segurança jurídica e à boa-fé administrativa” durante a tramitação da ação relacionada aos royalties do petróleo.

SEGUNDA TURMA – A reivindicação central do procurador-geral de Justiça era para que Dias Toffoli mantivesse o caso suspenso até que a Segunda Turma do Supremo se manifestasse sobre o tema.

Em 11 de novembro, o recurso chegou a ser incluído na pauta de julgamento, com início da discussão previsto para o dia 21 do mesmo mês. No entanto, em 17 de novembro, o processo foi retirado da pauta. Às 19h do dia seguinte, o Nupec voltou a acionar Toffoli. No dia 19, às vésperas do recesso do Judiciário, o ministro atendeu ao pedido e liberou os R$ 200 milhões.

Em sua manifestação, o procurador-geral de Justiça disse que o pagamento não pode ser feito sem o processo transitar em julgado.

“Patente a impropriedade (inadmissibilidade) do emprego do instrumento processual denominado “petição” diretamente neste Supremo Tribunal, no bojo de Recurso Extraordinário afetado pela sistemática da repercussão geral, sequer transitado em julgado.” Para ele, “constata-se, portanto, a ausência de interesse de agir, na vertente inadequação do meio processual eleito”.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
A constatação é a seguinte. Alguns ministros, como Alexandre de Moraes e Dias Toffoli, mantêm a rotina de decidir monocraticamente processos da maior importância, sem ouvir os outros quatro ministros da Turma. Isso é altamente constrangedor e suspeito, quando se trata de liberar o pagamento de R$ 200 milhões. Esse tipo de comportamento depõe contra a respeitabilidade do Supremo, é claro. Mas quem se interessa? (C.N.)

Recuo de Tarcísio após sinalização eleitoral irrita aliados de Bolsonaro

Bolsonaristas classificaram como “estranho” o recuo

Luísa Marzullo
O Globo

O cancelamento da visita que o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), faria nesta quinta-feira ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) na unidade conhecida como “Papudinha” provocou irritação e desconfiança entre aliados do ex-mandatário. A sensação foi traduzida pelo líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante, que afirmou “esperar” que o recuo não tenha motivação eleitoral.

Nos bastidores, parlamentares bolsonaristas classificaram como “estranha” a decisão de recuar em meio ao clima de disputa na direita após o lançamento da pré-candidatura presidencial do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

PRIMEIRA CONVERSA – A visita havia sido autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e seria o primeiro encontro entre Tarcísio e Bolsonaro desde a prisão do ex-presidente. A agenda também marcaria a primeira conversa presencial entre os dois após Bolsonaro indicar Flávio como pré-candidato ao Palácio do Planalto, em dezembro.

A expectativa no entorno do ex-presidente era de um gesto com forte simbolismo político, com potencial de reforçar uma imagem pública de unidade e consolidar o alinhamento do governador ao núcleo bolsonarista.

O líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante (RJ), afirmou que “espera” que o cancelamento tenha sido motivado apenas por razões de agenda. “Ele (Tarcísio) deve ter os motivos dele. Na primeira agenda autorizada pelo Alexandre de Moraes, eu também tive que remarcar. Não sei se teve motivo eleitoral. Espero que não. Flávio está consolidado”, afirmou.

DESCONFORTO – Interlocutores ouvidos pelo O Globo afirmam que o desconforto se aprofundou depois que Flávio antecipou publicamente que Bolsonaro diria ao governador que a hipótese presidencial estava descartada e que a reeleição em São Paulo seria prioridade estratégica para o bolsonarismo. No entorno de Tarcísio, a leitura foi de que a visita, antes tratada como demonstração de solidariedade pessoal, passaria a ter peso eleitoral.

Aliados do governador passaram a definir a visita como uma “armadilha” para colocá-lo sob cobrança pública de engajamento na campanha de Flávio, algo que ele não pretende assumir agora.

O incômodo, porém, não foi unânime. Uma ala do bolsonarismo avaliou que o recuo foi uma forma de evitar o enquadramento e manter margem de manobra diante da pressão interna. Esse grupo enxerga em Tarcísio um nome mais competitivo do que Flávio para enfrentar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

CONSTRANGIMENTO – Nesse núcleo, a defesa mais explícita é de uma chapa presidencial encabeçada pelo governador, com Michelle Bolsonaro como vice. O vereador paulistano Adrilles Jorge (União Brasil-SP) avaliou que o episódio pode ter criado um constrangimento político para o governador num momento em que se discute a possibilidade de ele retomar ambições nacionais.

“O Tarcísio já declarou apoio ostensivo à candidatura de Flávio Bolsonaro. Fez isso de maneira pública. Mas, a partir do momento que ele ouve do Flávio que o Bolsonaro falou que as eleições presidenciais estão descartadas para ele, talvez crie um constrangimento. Tudo caminha para a candidatura, para a convergência em torno da candidatura do Flávio Bolsonaro. É só ter, da parte da família do Bolsonaro, um pouquinho mais de delicadeza, um pouquinho mais de tato em relação ao Tarcísio”, afirmou.

Toffoli costuma frequentar o resort que uniu a família ao Banco Master

Ucho.Info | A Marca da Notícia

Charge do Sponholz (Arquivo Google)

Paulo Ricardo Martins e Lucas Marchesini
Folha

O ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Dias Toffoli e seus irmãos, José Carlos e José Eugênio, continuam a frequentar o Tayayá Resort mesmo após a venda do negócio para o advogado Paulo Humberto Barbosa, apurou a Folha.

Toffoli chega ao local, na divisa de Paraná com São Paulo, de helicóptero e pousa em um heliponto exclusivo próximo à casa que mantém numa área próxima ao resort.

SERIAM DONOS? – Entre funcionários e ex-trabalhadores do resort Tayayá, o ministro Toffoli e sua família ainda são citados como os donos do empreendimento, junto a Paulo Humberto Barbosa, advogado que atua para a JBS, dos irmão Batista.

A Folha mostrou que duas empresas ligadas a parentes do ministro tiveram como sócio um fundo de investimento conectado à teia usada pelo Banco Master em fraudes investigadas por autoridades, de acordo com documentos e dados oficiais analisados. Depois, o controle passou para Barbosa.

A reportagem ficou hospedada no resort por duas noites e conversou, sob condição de anonimato, com cinco funcionários, uma ex-funcionária, moradores de Ribeirão Claro (PR) onde está localizado o empreendimento, além de dois hóspedes frequentes do hotel.

FREQUENTADOR – Toffoli é um frequentador regular do resort Tayayá, de acordo com relatos, usando um helicóptero como meio de transporte. O ministro foi observado no local pela última vez no Ano-Novo. Um funcionário disse que, na ocasião, ele foi visto caminhando pelo resort.

Quando está lá, Toffoli fica em uma casa localizada em uma parte mais reservada do Tayayá, em um local chamado Ecoview, uma vila de 18 casas no alto de um morro. O acesso mais recomendado é por carro ou com a van do hotel. O heliponto fica a poucos metros da casa de Toffoli, o que limita a sua exposição pública.

O resort fica às margens do lago de uma represa por onde passa o rio Itararé, e o ministro usa um barco do Tayayá que não está disponível para outros hóspedes para passeios.

TUDO EM FAMÍLIA – O irmão do ministro Toffoli, José Eugenio Toffoli, é quem administrava o local enquanto a família tinha uma participação societária. Ele também tem uma casa no resort.

O resort Tayayá funciona no modelo de multipropriedades. Cada apartamento, flat, chalé ou casa é dividido entre cotistas, que se revezam para frequentar o local. Cada casa do Ecoview é dividida entre 13 cotistas, e cada cota vale pouco mais de R$ 750 mil. As residências seguem um mesmo padrão: possuem três suítes, sala, cozinha e uma varanda com piscina. A maior parte das casas possui vista para a represa.

Um outro irmão, José Carlos Toffoli, que é padre, reza missas no local em datas festivas.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Toffoli não tem arrependimento, porque conta seus pecados ao padre da família, que lhe perdoa tudo. (C.N.)

Malafaia diz que Flávio não empolga e aponta Tarcísio como alternativa viável

Ministros do STF sonham encontrar a “saída honrosa” para Dias Toffoli

Tribuna da Internet | Category | C. Newton

Charge do Iotti (Gaúcha/Zero Hora)

Luísa Martins, José Marques e Adriana Fernandes
Folha

Para contornar a crise de imagem enfrentada atualmente pelo STF (Supremo Tribunal Federal) em razão dos desdobramentos do caso Master, integrantes da corte passaram a defender o envio da investigação à primeira instância como uma “saída honrosa” para o ministro Dias Toffoli. Ele, no entanto, resiste a deixar a condução das apurações.

Toffoli está sob pressão interna devido à sua postura na supervisão do inquérito. As críticas começaram com o severo regime de sigilo imposto ao caso, seguido pela viagem de jatinho com um dos advogados da causa e por negócios que associam seus familiares a um fundo de investimentos ligado ao Master, como revelou a Folha.

FORO PRIVILEGIADO? – A operação Compliance Zero —cujo principal alvo é o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro — começou na Justiça Federal em Brasília, mas subiu para o Supremo depois que a PF apreendeu um documento que cita o deputado João Carlos Bacelar (PL-BA), detentor de foro privilegiado.

Outra investigação, que se iniciou no âmbito da Justiça Federal em São Paulo, também foi enviada ao STF e fundamentou a segunda fase da operação, deflagrada no último dia 14, e que apura suspeitas de fraudes realizadas no Master por meio de fundos de investimento, incluindo empresários.

Contudo, até agora, não há qualquer linha de apuração que aponte para o envolvimento do parlamentar nas fraudes bancárias, segundo investigadores a par do caso. Bacelar afirma que apenas participou de um fundo para a construção de um condomínio na Bahia e que Vorcaro havia demonstrado interesse em adquirir parte do projeto, mas a transação não foi adiante.

DEVOLVER OS AUTOS – Uma ala da corte afirma que Toffoli poderia aproveitar a falta de evidências contra Bacelar para devolver os autos ao primeiro grau. Seria uma maneira de tirar o STF do foco da crise, afastar as alegações de suspeição e manter válidos todos os atos assinados pelo ministro até aqui.

Nessa hipótese, os termos dos depoimentos dos investigados, a ata da acareação entre banqueiros e os resultados dos mandados de busca e apreensão cumpridos pela PF (Polícia Federal) na semana passada seriam compartilhados com a Justiça Federal e a investigação não precisaria voltar à estaca zero.

O envio do processo à primeira instância também é defendido por integrantes do MPF (Ministério Público Federal), por pessoas próximas a Toffoli e por advogados que acompanham o caso, embora tenha sido a defesa de Vorcaro a autora do requerimento para que a investigação fosse supervisionada pelo STF.

TOFFOLI INSISTE – Apesar desses apelos, Toffoli descarta abandonar a relatoria das investigações, como mostrou a Folha. A interlocutores, o ministro afirmou que não existe razão para abdicar do processo, pois não se enquadra nas hipóteses objetivas de impedimento previstas em lei, nem tem qualquer motivo de foro íntimo para se declarar suspeito.

Toffoli argumenta que a sua imparcialidade não está comprometida. O ministro também tem afirmado que, na primeira instância, as informações estariam mais sujeitas a vazamentos, o que deve ser evitado a todo custo em uma investigação dessa natureza.

Ao mesmo tempo, Toffoli indica a auxiliares que só com novos avanços das apurações será possível definir com clareza se o caso fica no Supremo ou se volta à primeira instância.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGToffoli atingiu o chamado ponto sem  retorno. Tudo nele indica corrupção e favorecimento. Está emporcalhando a imagem do Supremo, onde só poderia entrar como réu, jamais como ministro. É caso de impeachment, sem a menor dúvida. (C.N)

Lembrando “Filosofia”, uma lição de vida na visão de Noel Rosa e André Filho

Caricatura reproduzida do Google

Paulo Peres
Poemas & Canções

O cantor, músico e compositor carioca Noel de Medeiros Rosa (1910-1937) e seu parceiro André Filho (1906/1974), autor de “Cidade Maravilhosa”, retratam na letra de “Filosofia” exatamente como é a sociedade em que vivemos, em que todos somos criticados quando não estamos de acordo com conceitos impostos por ela.

Esse samba foi gravado por Mário Reis e Orquestra Pixinguinha, em 1933, pela Columbia.

FILOSOFIA
André Filho e Noel Rosa

O mundo me condena,
E ninguém tem pena
Falando sempre mal do meu nome
Deixando de saber
Se eu vou morrer de sede
Ou se vou morrer de fome

Mas a filosofia hoje me auxilia
A viver indiferente assim
Nesta prontidão sem fim
Vou fingindo que sou rico
Pra ninguém zombar de mim

Não me incomodo que você me diga
Que a sociedade é minha inimiga
Pois cantando neste mundo
Vivo escravo do meu samba,
Muito embora vagabundo

Quanto a você da aristocracia
Que tem dinheiro,
Mas não compra alegria
Há de viver eternamente
Sendo escrava dessa gente
Que cultiva hipocrisia

Piada do Ano! Gonet não vê (?) elementos para suspeição de Toffoli no caso Master

Cunhada desmente o festival de mentiras sobre o resort de Dias Toffoli

Sem saber que estava sendo gravada, cunhada de Toffoli "abre o bico" (veja o vídeo)

Cunhada diz que o marido e pobre e não foi dono do resort

Pedro Augusto Figueiredo, Taba Benedicto e Luiz Vassallo
Estadão

A Maridt Participações, empresa dos irmãos do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli que chegou a ter um terço de participação no resort de luxo Tayayá, no interior do Paraná, tem como sede uma casa de 130 metros quadrados no bairro Jardim Universitário, em Marília, interior de São Paulo.

O local é a residência de José Eugênio Dias Toffoli, irmão do ministro que aparece como diretor-presidente da empresa. O imóvel tem sinais de deterioração. A pintura da fachada está rachada em alguns pontos e os pisos da garagem e da calçada estão quebrados.

TUDO MENTIRA – O Estadão foi até o endereço, obtido na Junta Comercial de São Paulo, e encontrou Cássia Pires Toffoli, esposa de José Eugênio. Questionada pela reportagem, ela disse que nunca soube que sua casa foi a sede da Maridt e que não tem conhecimento de qualquer ligação do marido com o resort.

José Eugênio, que é engenheiro eletricista, estava viajando a trabalho, segundo ela. O Estadão o procurou por mensagem, mas ele não respondeu até a publicação desta reportagem. O ministro Dias Toffoli também não se manifestou.

“Essa casa é minha, financiei com o meu dinheiro, por 25 anos”, disse Cássia. “Eu falei para as minhas irmãs que eu tenho vontade de sumir daqui. As pessoas ficam inventando coisas, que (José Eugênio) é dono do Tayayá”, disse Cássia ao ser questionada sobre a participação do marido na Maridt e da empresa no resort de luxo.

CASO MASTER – Como revelou o Estadão, em 2021, os irmãos Toffoli venderam metade da participação que tinham no resort, de R$ 6,6 milhões, para um fundo do pastor e empresário Fabiano Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.

Dias Toffoli é relator do inquérito do caso Master no STF, que também investiga a Reag Investimentos, gestora dos fundos envolvidos na transação.

Dias Toffoli passou a ser responsável pelo inquérito após aceitar um pedido da defesa do banqueiro Daniel Vorcaro para que o caso subisse para o STF.

DIZ A CUNHADA – “Moço, dá uma olhada na minha casa. Você está vendo a situação da minha casa? Eu não tenho nem dinheiro para arrumar as coisas da minha casa! Se você entrar dentro, vai ficar assustado. O que está lá (na Junta Comercial), eu não sei. Eu sei que moro aqui há 24 anos e não sei de nada que é sede (da Maridt) aqui. Aqui é onde eu moro”, acrescentou.

Ao ser questionada se o marido já havia comentado algo sobre o Tayayá Resort, a cunhada de Dias Toffoli respondeu: “Eu não sei e não quero nem saber”.

A casa em que ela atendeu à reportagem foi comprada por R$ 27 mil em 1998 e financiada pela Caixa Econômica Federal. Corrigido pelo Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M), comumente usado no mercado imobiliário, o valor atual é de R$ 276 mil.

NÃO TINHA DINHEIRO – “Quando eu financiei essa casa, eu morava com meu pai; a gente não tinha nem como fazer essa casa, não tinha nem dinheiro”, disse Cássia. “Meu marido é engenheiro e ele trabalha com coisas de engenheiro. Ele é engenheiro eletricista. Ele pega projetos.”

A Maridt é uma sociedade anônima, o que significa que seu quadro societário é sigiloso na Junta Comercial. Porém, o e-mail associado ao registro Maridt remete às iniciais de José Eugênio:“jedtoffoli”.

Além disso, documentos da Junta Comercial mostram que ele assina como presidente na venda de parte das cotas que a empresa detinha na Tayayá Administração e Participações e na DGEP Empreendimentos, donas do resort e que também tiveram como sócio Mario Umberto Degani, primo do ministro Dias Toffoli.

COMPRA E VENDA – As vendas das participações da companhia na Tayayá Administração e na DGEP se deram, respectivamente, por R$ 2,8 milhões e R$ 698 mil, em fevereiro de 2025, marcando a saída completa da Maridt das empresas do resort. Nas duas operações, a compradora foi a PHB Holding, pertencente ao advogado de Goiás Paulo Humberto Barbosa – que já advogou para a JBS em causas tributárias.

Em 2021, como revelou o Estadão, a Maridt já havia vendido fatias nas duas empresas do resort. Na época, o comprador foi o fundo Arleen, gerido pela Reag Investimentos e que pertence a Fabiano Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro.

O Arleen Fundo de Investimentos, da Reag, chegou a investir R$ 20 milhões nas duas empresas dos familiares do ministro responsáveis pelo resort de 58 mil metros quadrados, como revelou a Folha de S. Paulo. O jornal mostrou que o Arleen investiu em outros fundos que estão sob suspeita pela Polícia Federal.

ÚNICO DONO– Atualmente, nem o Arleen nem os familiares de Toffoli permaneceram formalmente na sociedade. O fundo, o primo e os irmãos do ministro cederam suas cotas para Paulo Humberto Barbosa, atualmente único sócio das empresas do resort. Mesmo sem participação direta no resort, o ministro Dias Toffoli ainda frequenta o Tayayá.

Além de José Eugênio, José Carlos, outro irmão do ministro, também já apareceu em documentos oficiais como presidente da Maridt. Ele é cônego da Diocese de Marília, mas, desde que a ligação com o Tayayá veio a público, em 2021, ele foi afastado da paróquia pela qual era responsável.

O Estadão também foi até a residência do padre, uma chácara chamada Recanto Quatro, no condomínio Estância Uberlândia. “Até logo, passar bem”, disse pelo interfone após a reportagem se identificar. O local conta com um pequeno campo de futebol, uma rede de vôlei e um deck externo à casa. No caminho para se chegar ao condomínio está a Avenida Luiz Toffoli, batizada com o nome do pai do ministro do STF.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG –
Em tradução simultânea, Toffoly é um corrupto trapalhão, que não sabe esconder suas lavagens de dinheiro. É uma vergonha para o Supremo, para o Brasil e para o PT de Lula, que é da mesma coudelaria, sempre envolvida  com enriquecimento ilícito. Como dizia Tom Jobim, é a lama, é a lama, é lama. (C.N.)

Fundos previdenciários: a engrenagem silenciosa de um risco sistêmico

Charge reproduzida do Arquivo Google

Pedro do Coutto

Há notícias que parecem episódicas, mas que na verdade iluminam a raiz de muitos dos problemas que voltam a assombrar o Estado brasileiro. A nova frente de investigação aberta por Ministérios Públicos estaduais sobre aplicações de fundos previdenciários em instituições como o Banco Master é uma delas. Não se trata apenas de um caso isolado de má alocação de recursos, mas de um modelo estruturalmente frágil, politizado e historicamente tolerado.

Os fundos de previdência complementar ligados a estatais — Postalis, Petros, Funcef, Previ e tantos outros — administram bilhões de reais que pertencem, em última instância, a trabalhadores e aposentados. São reservas formadas ao longo de décadas, com a finalidade clara de garantir benefícios futuros. Ainda assim, repetidas vezes, esses recursos foram direcionados para operações de alto risco, ativos ilíquidos ou instituições financeiras que jamais deveriam figurar como porto seguro de poupança previdenciária.

PADRÃO CONHECIDO – A experiência recente mostra que isso não ocorre por acaso. A literatura especializada em governança de fundos de pensão, assim como sucessivos relatórios do Tribunal de Contas da União e da própria CVM, aponta para um padrão conhecido: conselhos fragilizados, dirigentes indicados politicamente, baixa independência técnica e pressões diretas ou indiretas vindas do topo das estatais controladoras. Presidentes de empresas públicas — por sua vez também indicados por critérios políticos — acabam exercendo influência decisiva sobre decisões que deveriam ser estritamente técnicas.

O resultado é perverso. Fundos que deveriam operar com lógica conservadora passam a funcionar como instrumentos de política econômica informal, socorro a empresas amigas ou apostas financeiras mal explicadas. Quando essas apostas dão errado, o prejuízo não some: ele aparece na forma de déficits atuariais bilionários, planos de equacionamento, aumento de contribuições e, em última instância, perda de confiança no sistema.

O caso das aplicações em bancos médios ou problemáticos, como agora se investiga em relação ao Master, expõe outro aspecto preocupante: a frouxidão dos mecanismos de controle preventivo. O Banco Central regula instituições financeiras; a Previc supervisiona fundos de pensão; a CVM olha para o mercado de capitais. Ainda assim, operações vultosas atravessam essas malhas sem questionamento efetivo até que o dano esteja consumado. A fiscalização chega tarde, quase sempre reativa.

INDÍCIOS – Não é por acaso que o Ministério Público entra em cena. Quando promotores de diferentes estados decidem agir de forma articulada, o sinal é claro: há indícios de que o problema não é pontual, mas disseminado. A atuação do MP, aliás, tem sido um dos poucos freios institucionais capazes de romper a inércia política que envolve os fundos previdenciários. Foi assim nos grandes escândalos do passado recente, e tudo indica que volta a ser agora.

O risco maior, contudo, vai além dos números. Cada rombo não coberto no curto prazo alimenta uma bomba de médio e longo alcance. A previdência complementar das estatais é parte relevante do sistema financeiro nacional. Quando esses fundos adoecem, o impacto se espalha: afeta o mercado de capitais, pressiona patrocinadores públicos, gera disputas judiciais intermináveis e corrói a credibilidade do próprio Estado como gestor.

NOVOS “CASOS MASTER” – O debate que se impõe não é ideológico, mas institucional. Enquanto fundos previdenciários continuarem sujeitos a interferências políticas, enquanto seus dirigentes não tiverem autonomia real e responsabilidade pessoal clara, e enquanto a governança for tratada como formalidade burocrática, novos “casos Master” continuarão a surgir — com nomes diferentes, mas consequências semelhantes.

A investigação em curso é necessária e bem-vinda. Mas ela só terá efeito duradouro se servir de ponto de inflexão. Caso contrário, será apenas mais um capítulo de uma história conhecida: prejuízos socializados, responsabilidades diluídas e aposentadorias colocadas em risco por decisões tomadas longe dos holofotes, mas muito perto do poder.

Lula pede que Gleisi dispute o Senado e abre a disputa pela articulação política

Pedido antecipa debate sobre quem sucederá a ministra

Augusto Tenório
Catia Seabra
Mariana Brasil
Folha

Ao pedir que a ministra Gleisi Hoffmann (PT) concorra ao Senado pelo Paraná, o presidente Lula (PT) precipitou o debate sobre quem ficará à frente do comando das Relações Institucionais do governo a partir de abril. Há uma constelação de cotados para assumir a articulação política do Planalto em meio a outras mudanças no palácio e na Esplanada.

Gleisi já deixaria o cargo para concorrer à Câmara dos Deputados, cuja eleição é considerada a via mais certeira para continuar com mandato por, pelo menos, mais quatro anos. Mas, na quarta-feira (14), Lula conversou com a ministra e pediu que concorra ao Senado, segundo fontes palacianas.

ENTUSIASMO – A interlocutores, Gleisi afirmou estar entusiasmada para cumprir o que considera uma missão dada pelo presidente. Nos bastidores, porém, aliados apontam uma certa reticência para assumir a candidatura e recomendam cautela. O PT do Paraná, já ciente do pedido de Lula, não crava posição e aguarda um posicionamento oficial de Gleisi para montar sua chapa majoritária.

Tradicionalmente, ministros que saem do cargo para concorrer nas eleições deixam a pasta sob o comando do seu secretário-executivo. Quem ocupa o posto na SRI (Secretaria de Relações Institucionais) é Marcelo Costa. Diplomata de carreira, ele tem perfil técnico, mas alas do PT entendem que a pasta precisa de um nome político, mesmo durante os meses da eleição.

Nesse sentido, correm pelos corredores do Planalto nomes de lideranças petistas cotadas para assumir o posto de Gleisi. Nesse rol são citados os ministros Wellington Dias (Desenvolvimento Social) e Camilo Santana (Educação). Ambos se elegeram senadores em 2022 e, dessa forma, não precisam disputar o pleito deste ano para continuar com mandato.

RISCO – Camilo, porém, tem futuro incerto. Sob risco de derrota no Ceará, o ministro é cotado para disputar o governo estadual. Nesse desenho, o atual governador, Elmano de Freitas (PT), concorreria ao Senado. Nessa dança das cadeiras, o atual líder do governo na Câmara, José Guimarães, não veria sua pré-candidatura a senador prosperar.

O deputado, que já foi considerado para a articulação política do governo, voltou a ser cotado para o ministério palaciano. Segundo aliados, o parlamentar de cinco mandatos tem dito que não tem interesse em permanecer mais quatro anos na Câmara. Assumir as Relações Institucionais, pelo menos até a formação do eventual quarto mandato de Lula, é visto no PT como uma saída para o cearense.

PERFIL DIFERENTE – Nos bastidores, Lula tem dito a aliados que a eleição de 2026 terá um perfil diferente das anteriores. O presidente pretende avaliar com lupa e intervir na nomeação dos ministros que substituirão os titulares que deixarão o cargo em abril.

Na Casa Civil, por outro lado, a nomeação da secretária-executiva Miriam Belchior está encaminhada. O ministro Rui Costa (PT) deixa o cargo para concorrer ao Senado ou ao Governo na Bahia, a depender da performance do atual governador, Jerônimo Rodrigues (PT), nas pesquisas.

Segundo interlocutores, Lula passou a dar atenção especial à eleição para o Senado, em reação à estratégia da base do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) para conseguir maioria na Casa a partir de 2027. A direita bolsonarista visa conter os poderes do STF (Supremo Tribunal Federal) e impor derrotas a um eventual quarto mandato do petista.

PERMANÊNCIA DE BOULOS –  Um dos poucos ministros de Lula que se manterão no cargo durante a campanha será Guilherme Boulos (Secretaria-Geral), que assumiu a posição em outubro passado. Deputado federal licenciado pelo PSOL-SP, Boulos poderia se afastar da posição atual para disputar a reeleição enquanto parlamentar, como será o caso de demais ministros. A opção do presidente, no entanto, foi mantê-lo no Planalto durante a campanha.

A permanência no governo até o fim do mandato foi um dos requisitos para que Boulos aceitasse entrar no governo Lula, em substituição a Márcio Macêdo (PT). O psolista assumiu a posição após meses de conversas em torno do comando da pasta, que é responsável pela ponte entre o presidente e movimento populares, assumindo cerca de oito meses antes do começo da campanha eleitoral.

AGENDA – Deixar a posição em abril —época indicada para que os ministros se descompatibilizem— daria pouco tempo para entregas. Uma das principais de sua agenda para o primeiro semestre de 2026, que deve ter relevância no período de pré-campanha antes de começarem as restrições eleitorais, será o Governo do Brasil na Rua, ação que leva serviços dos ministérios aos estados por meio de mutirões.

Em 2024, Boulos disputou a Prefeitura de São Paulo, perdendo para Ricardo Nunes (MDB). Interlocutores passaram a citar seu nome como cotado para a Secretaria-Geral meses depois, no início de 2025. Junto a Boulos, o ministro-chefe do GSI (Gabinete de Segurança Institucional), general Amaro dos Santos, também se manterá no cargo, uma vez que não ocupa uma posição política.