Entre a esperança e a disputa: o importante ano político que se inicia

Charge do Gilmar Fraga (Zero Hora)

Pedro do Coutto

O Ano Novo começa, como quase sempre na política, sob o signo da esperança. Não se trata de um sentimento ingênuo, mas de um motor histórico que move partidos, lideranças e eleitores. Juscelino Kubitschek, um dos presidentes mais emblemáticos da República, sintetizou essa lógica ao afirmar que a política se alimenta, antes de tudo, da expectativa.

É essa projeção do futuro — quase sempre idealizada — que sustenta alianças, campanhas e narrativas, mesmo em contextos de desgaste institucional, crise econômica ou crescente desconfiança da sociedade em relação aos seus representantes. Pesquisas recorrentes conduzidas por instituições como a Fundação Getulio Vargas e o Latinobarómetro demonstram que, ainda quando a confiança nas instituições democráticas sofre abalos, a expectativa de mudança permanece como elemento central de mobilização política.

EVENTOS SIMBÓLICOS – Esse sentimento tende a ganhar força em anos marcados por eventos simbólicos de grande impacto coletivo. O calendário deste ano reúne eleições gerais e Copa do Mundo, combinação que intensifica emoções, desloca atenções e cria um ambiente fértil para disputas narrativas.

A política, longe de ser suspensa nesses momentos, adapta-se ao clima social, buscando dialogar com o humor do eleitorado. Estudos analisados por veículos de referência internacional, como The Economist e Le Monde, apontam que grandes eventos esportivos influenciam o estado de ânimo da população e, em certos contextos, acabam sendo incorporados ao discurso político como metáfora de união, superação ou identidade nacional.

No campo eleitoral, esse cenário amplia tanto as oportunidades quanto os riscos. Governos tendem a ressaltar realizações e promessas de continuidade, enquanto a oposição explora frustrações acumuladas e a demanda por renovação. Relatórios do Tribunal Superior Eleitoral e de organismos internacionais de observação democrática indicam que períodos eleitorais costumam intensificar a polarização, mas também elevam o nível de participação cívica, ainda que marcada por conflitos e discursos mais duros.

ESPAÇO DE CONFRONTO – A arena pública transforma-se, assim, em um espaço de confronto permanente entre diferentes projetos de país, mediado por expectativas muitas vezes infladas. Diante desse contexto, o desafio que se impõe à sociedade vai além da escolha entre candidaturas ou partidos. Trata-se de exercer um olhar crítico capaz de distinguir promessa de projeto, emoção de estratégia, esperança legítima de ilusão conveniente.

A política continuará sendo movida pela expectativa — como ensinou Juscelino Kubitschek —, mas a maturidade democrática exige que ela venha acompanhada de memória histórica, responsabilidade coletiva e vigilância cidadã. Só assim o ano que se inicia poderá ser lembrado não apenas pelo entusiasmo do calendário, mas pela capacidade de transformar esperança em decisões conscientes e duradouras.

Moraes manda prender Filipe Martins após descumprimento de cautelares em caso do golpe

BC identifica fraudes do Master em fundo investigado junto com o PCC

Charge 23/12/2025

Charge do Marco Jacobsen (Arquivo Google)

Carlos Newton 

Conforme já informamos aqui na Tribuna da Internet, a Organização Globo, dirigida pelos irmãos Marinho (João Roberto, Roberto Irineu e José Roberto, por ordem de importância) jamais quis comprar a briga dos jornalistas Lauro Jardim e Malu Gaspar, que levantaram o escândalo do Banco Master e apontaram o contrato de R$ 129,6 milhões celebrado com a mulher do ministro Alexandre de Moraes para serviços mais do que jurídicos, digamos assim.

Lembrem que, a princípio, O Globo não deu a devida cobertura ao furo de seus jornalistas, jamais houve  destaque no próprio jornal e sempre foi feita uma repercussão mais do que tímida na TV Globo. 

FOI SURPRESA – Na verdade, as primeiras notícias apanharam de surpresa a família Marinho. Só foram publicadas devido à liberdade relativa dada aos colunistas.

Mesmo depois que o assunto virou escândalo, a Organização Globo fez o que pode para minimizar  a gravidade do envolvimento do escritório da mulher de Moraes com o banqueiro fraudador Daniel Vorcaro.

Em O Globo, as sucessivas notícias sobre os crimes financeiros do Master foram dadas sempre  por colunistas, inclusive Merval Pereira, e jamais tiveram destaque no jornal, no portal da internet ou na TV Globo, sendo tratadas apenas na GloboNews, onde seria impossível deixar de fazê-lo sem exercer censura acintosa.

DE REPENTE… – O assunto tem sido tratado com muito mais profundidade no Estadão, na Folha, no UOL e na CNN Brasil, por exemplo. Mas tudo tem limites. A podridão chegou a tal ponto que na última quarta feira, dia 31, o Jornal Nacional enfim fez uma longa matéria sobre o envolvimento do banco Master com a gestora de fundos Reag, que foi cúmplice num bilionário esquema de lavagem de dinheiro.

Essa mudança de estratégia está sendo adotada porque não dá mais para segurar as notícias, devido ao avanço das investigações sobre os múltiplos crimes do Banco Master.

Ou seja, os irmãos Marinho estão sendo obrigados a liberar as informações sobre o Master, para não passar vergonha diante da concorrência. Como se sabe, por tradição, O Globo apoia qualquer governo e autoridade que possa favorecê-lo, mas o caso Master/Moraes chegou a tal gravidade que fica impossível fingir que não se está notando. O cheiro nauseabundo é forte demais.

NA ACAREAÇÃO – A mudança de postura ficou patente na cobertura dos depoimentos colhidos na terça-feira (30) e da acareação entre Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, e Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB.

Com o fim da censura interna, a TV Globo saiu em campo e teve acesso aos esclarecimentos apresentados ao Tribunal de Contas da União pelo diretor de Fiscalização do Banco Central, Ailton de Aquino Santos, que também depôs terça-feira no STF.

Entre a farta documentação ao TCU, Aquino incluiu provas de crimes do Banco Master com a financeira Reag, que está sendo investigada por ligação com o PCC, uma das maiores facções criminosas do país.

ACAREAÇÃO – Um dos destaques do Jornal Nacional foram as divergências nos interrogatórios, que levaram a Polícia Federal a realizar uma acareação entre o dono do Master, Daniel Vorcaro, e o ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa.

As discrepâncias entre as declarações de Vorcaro e de Costa foram constatadas pela delegada federal Janaina Palazzo, que aproveitou a chance.

Vorcaro e Costa foram então colocados frente a frente para explicar por que o BRB aceitou comprar do Master  falsas carteiras de crédito no valor de R$ 12,2 bilhões, numa operação fraudulenta destinada a posteriormente justificar a ruinosa compra do Master pelo BRB.

OUTROS CRIMES – Além da suspeita de irregularidade nas negociações do Master com o BRB, o Banco Central também identificou indícios de crime contra o Sistema Financeiro Nacional em outras operações.

Em novembro, ao constatar a lavagem de dinheiro com a gestora de fundos Reag, o Banco Central encaminhou o caso à Procuradoria-Geral da República. Há indicações de que as transações foram feitas para desviar dinheiro do conglomerado Master.

Em agosto, a Reag já tinha sido um dos alvos de busca e apreensão em uma megaoperação contra o crime organizado, que mirou o esquema de lavagem de dinheiro usado pelo PCC.

VEJA A FRAUDE – Segundo os investigadores, os fundos administrados pela Reag que não estavam disponíveis a qualquer cotista eram abastecidos com dinheiro ilegal.

A denúncia  do Banco Central à Procuradoria-Geral da República explica que a fraude funcionava através de uma empresa que pegava dinheiro emprestado com o Master e aplicava em um fundo administrado pela Reag. Este fundo, por sua vez, comprava títulos a um valor supervalorizado de um vendedor que também era da Reag.

E assim o dinheiro ia passando de fundo em fundo até voltar para Vorcaro e sócios do Master. O valor dessas transações criminosas pode chegar a R$ 11,5 bilhões. De acordo com o BC, o esquema fraudulento começou em julho de 2023 e foi até julho de 2024, combinando diferentes tipos de investimentos em uma única transação e botando em risco os recursos dos clientes.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
A morte da Lava Jato foi um crime contra a nação e possibilitou que os criminosos do colarinho branca passassem a usar até bancos comerciais em suas armações ilimitadas. Por isso, a atuação do Banco Central e da Polícia Federal nesse caso do Master deve ser considerada engrandecedora. Quanto à Organização Globo, não mudou nada de Roberto Marinho para cá. Continua a mesma putrefação. (C.N.)

Com senador e filho de Lula no alvo, CPI do INSS vira disputa sobre prorrogação

Charge do Cláudio (Arquivo do Google)

Thaísa Oliveira
Caio Spechoto
Folha

Com um senador e um filho do presidente Lula (PT) na mira, a CPI do INSS terminou o ano sem saber se a investigação será encerrada em 28 de março, como previsto inicialmente, ou prorrogada por até 120 dias.

A decisão, ao fim, será do presidente do Congresso, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP). Integrantes da comissão dizem não ter tido nenhum sinal do senador até agora, mas pessoas próximas a ele veem a prorrogação como improvável.

PRESSÃO – Antes da operação da Polícia Federal e da CGU (Controladoria-Geral da União) que trouxe o senador Weverton Rocha (PDT-MA) para o centro das suspeitas, integrantes da CPI diziam ser certo que a comissão acabaria em março. Com a operação, a oposição aumentou a pressão para que a CPI seja estendida por mais quatro meses —o que empurraria o relatório final para julho, a poucos meses das eleições.

Parlamentares protocolaram um pedido de prorrogação com mais de 200 assinaturas, mas técnicos do Congresso dizem que há dúvidas se o pedido vale automaticamente ou depende do aval do presidente. “O número de assinaturas já foi obtido. A dúvida é se [a ampliação] será automática”, diz o relator, deputado federal Alfredo Gaspar (União Brasil-AP).

Um integrante da CPI avalia que Alcolumbre pode adotar o meio-termo e prorrogar a comissão por mais um mês apenas, para evitar aborrecimentos. Deputados federais e senadores da base governista também não fecharam uma posição conjunta sobre o assunto. Um deles admite que, com Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, no alvo do relator, quanto antes a comissão acabar, melhor.

No Supremo, o excesso de poder fez seus ministros enlouquecerem

Tribuna da Internet | Superpoderes do Supremo minam sua legitimidade, e  está difícil controlá-los

Charge do Mariano (Charge Online)

Merval Pereira
O Globo

A maior prova de que a acareação marcada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli sobre o caso Master estava tecnicamente errada e era injustificada foi o presidente do banco, Daniel Vorcaro, e o ex-presidente do Banco Regional de Brasília Paulo Henrique Costa, que era o pretenso comprador, terem sido convocados para um interrogatório que não estava previsto.

Continuamos assistindo a um simulacro processual, pois, antes mesmo dos depoimentos oficiais dos envolvidos, pressupõe-se que haverá contradições, justificando a acareação.

QUEREM ACOBERTAR – Todo o atropelo do processo, desde o momento em que foi transferido ao STF sem razão de ser, dá a impressão à sociedade de que querem acobertar alguma coisa. Não é a primeira vez que o dono de um banco liquidado pelo Banco Central (BC) reclama, alegando prejuízos provocados pela ação saneadora da instituição que fiscaliza o sistema financeiro nacional.

A diferença hoje é que o Supremo entrou na briga, aparentemente a favor de Vorcaro, embora o BC tenha se livrado da subordinação aos demais Poderes e seja autônomo legalmente.

Mesmo tendo sido indicado pelo presidente Lula, o presidente do BC, Gabriel Galípolo, vem sendo criticado pela esquerda devido à manutenção dos juros altos e, agora, pela liquidação do Banco Master.

FANTASIA IDEOLÓGICA – Para os amigos de Vorcaro, o envolvimento dos ministros Alexandre Moraes e Dias Toffoli em denúncias contra o Master deve-se a uma manobra da direita para desacreditar os dois, considerados os principais líderes do STF na defesa da democracia por ocasião da tentativa de golpe bolsonarista.

A polarização política impede que os fatos se sobreponham à fantasia ideológica. É um estranho caso de esquerdistas defendendo um banqueiro ladrão, enquanto os direitistas querem vê-lo atrás das grades.

Criticar Moraes, apesar do contrato exorbitante de sua mulher com o Master, por pressões a favor de Vorcaro; ou Dias Toffoli, pela ingerência no processo de liquidação sem que o STF tenha a ver com a questão, de exclusiva responsabilidade do BC, é automaticamente apoiar a direita em sua tentativa de desmoralizar o Supremo.

ACIMA DOS MORTAIS – As atitudes no mínimo estranhas dos ministros, que dão as costas aos mais comezinhos cuidados com potenciais conflitos de interesses, como se estivessem acima do comum dos mortais, não entram nas análises dos simpatizantes.

O mesmo sentimento de invulnerabilidade parece tomar conta de alguns ministros, que se consideram responsáveis pela salvação da democracia brasileira e, portanto, merecedores de ser reverenciados por todos, mesmo quando exorbitam seus poderes.

O mesmo sentimento que a História registra em líderes políticos ou militares que consideram saber o que é certo para suas populações e tornam-se ditadores.

LOUCOS PELO PODER -Há um ditado atribuído a Sófocles: os deuses, quando querem punir os humanos, primeiro os enlouquecem com o poder.

Oscar Wilde parafraseou a ideia dizendo que, quando os deuses desejam punir os humanos, atendem a seus desejos — e isso geralmente os leva à ruína.

Um bom exemplo no caso atual é a Operação Lava-Jato. Os procuradores e o então juiz Sergio Moro ganharam tanto poder e apoio popular que atravessaram a divisória entre o lícito e o ilegal. Os ministros do Supremo, depois de anos os apoiando, passaram a demonizá-los, e a sorte virou.

SUPREMA LOUCURA – Foi a vez de os deuses enlouquecerem os ministros do STF, que se dedicam hoje a anular todos os processos da Lava-Jato, mesmo os crimes confessados, com dinheiro devolvido e tudo.

O empenho pessoal de alguns ministros, entre eles Gilmar Mendes e Toffoli, em fazer terra arrasada das investigações leva seus adversários a considerar que o objetivo não era conter os eventuais excessos de Curitiba, mas livrar os criminosos de colarinho branco.

O problema com os nossos “deuses” do Olimpo jurídico é que eles manobram para que ninguém, ou nenhuma instituição, possa limitar seus poderes. Foi assim na criação do Conselho Nacional de Justiça, que não tem jurisdição sobre o Supremo, e é assim hoje com o código de conduta que o presidente Edson Fachin tenta criar contra a maioria silenciosa do Supremo.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Análise primorosa de Merval Pereira, que recorre aos Deuses do Olimpo para condenar a inconveniente e ilegal concentração de poderes no Supremo, que atingiu um estágio de acintosa degeneração. (C.N.)

Precisamos encontrar novos sinais que nos transmitam fé, amor e esperança

Empatia: o remédio que o mundo precisa tomar - goodbrosVicente Limongi Netto

Uma modesta, bem enfeitada e montada árvore de natal chama a atenção de quem passa pela avenida L-2 Norte, Brasília.  Não cedeu ao vento nem à chuva ocasional no Ano Novo.

Carros param. Motoristas saltam e apreciam. Respiram forte, é a chama da fé, do amor e da esperança que nunca acabam. apesar das dificuldades.

UMA VIDA MELHOR – A árvore fincada no chão irregular, com poças de água, decora as nuvens que nascem no céu e são enviadas por corais de anjos. Crianças, adultos e idosos são símbolos desta singela árvore e sonham com uma vida melhor, depois das festas de final de ano.

A árvore de natal de um grupo de moradores em espaço baldio de mato e lama.  na L-2 Norte, suaviza a alma. Permanece firme. Esperando ano novo menos sofrido. Mãos trêmulas estendidas pedem aos corações alheios que lhes deem carinho, amor, comida e agasalhos.

UM POEMA – Por fim, mais um pequeno poema. Como dizia Rubem Braga, “a poesia é necessária”.

SOMBRAS DO CÉU
Vicente Limongi Netto

Recebo sombras do céu
molhadas com orvalho.
carregadas de mãos.
No peito amoroso,
a dor da aflição;
na boca entreaberta,
a timidez do prazer.

Moraes autoriza general condenado por trama golpista a estudar e trabalhar para reduzir pena

Paulo Sérgio está detido desde o final de novembro

Rafaela Gama
O Globo

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou o ex-ministro da Defesa Paulo Sérgio Nogueira a trabalhar, ler e fazer cursos para abater parte da pena recebida por participação na trama golpista. Sentenciado a 19 anos de prisão, o general está detido no Comando Militar do Planalto, em Brasília, onde também cumpriu pena Augusto Heleno, o ex-ministro do Gabinete de Segurança, antes de ser liberado para a prisão domiciliar na semana passada.

Na decisão, proferida nesta quarta-feira, o magistrado também determinou que a defesa do militar deverá indicar, no prazo de cinco dias, em quais cursos superiores ou profissionalizantes ele tem interesse em se matricular. De acordo com a Lei de Execuções Penais, o condenado tende a abater um dia de sua pena a cada 12 horas de frequência escolar ou três dias de trabalho. Moraes também autorizou o general a receber, ao longo da próxima semana, visitas presenciais e por videoconferência, com duração máxima de 30 minutos e horário marcado.

TRÂNSITO EM JULGADO – O ex-ministro está preso desde o fim do mês passado, quando sua sentença passou a transitar em julgado. Ele foi condenado por ter instrumentalizado a estrutura do Ministério da Defesa, pasta a qual comandava, para dar respaldo técnico a alegações infundadas sobre vulnerabilidades das urnas, mesmo após auditorias independentes e testes públicos apontarem a plena confiabilidade do sistema eletrônico.

Segundo o acórdão do STF, ao difundir desinformação com aparência de relatório oficial, Nogueira contribuiu para “semear desconfiança deliberada” e fortalecer o discurso que alimentou a mobilização golpista.

INSTALAÇÕES SIMPLES – No Comando Militar do Planalto, tanto Paulo Sérgio quanto Augusto Heleno foram alocados no terceiro andar do prédio. As instalações são consideradas simples, com uma sala mobiliada, com escrivaninha, cadeira, armário, TV e cama. Além disso, há banheiro privativo, frigobar e ar-condicionado.

As salas especiais são vigiadas por guardas que se revezam durante o dia e a noite. Os presos não podem sair dos locais e precisam cumprir horário para banho de sol e receber visita. Eles receberão café da manhã, almoço e jantar preparados no rancho, refeitório dos quartéis. O ex-ministro do GSI, no entanto, foi autorizado por Moraes, no último dia 22, a cumprir prisão domiciliar em função da idade avançada e do diagnóstico de Alzheimer recebido pelo general.

Lula enfrenta fios desencapados que vão do INSS às emendas e ao Master

Governo avalia que racha sobre gastos impacta popularidade de Lula... # charge #cartum #cartoon #humor #política #humorpolitico #desenho #art #caricatura #caricature #jornal #opovo #jornalismo #illustration #ilustração #editorialcartoon #politicalart ...

Charge do Clayton (O Povo/CE)

Vera Rosa
Estadão

O governo terminou o ano com uma prioridade para 2026: a reeleição do presidente Lula da Silva. Não vai inventar marola nem novo programa. De agora em diante, tudo o que for anunciado será apenas vitrine para a campanha eleitoral do ano que vem. Na prática, nada de inusitado sairá do papel nos próximos meses.

Alguns assuntos, porém, causam pânico no Palácio do Planalto pelo potencial explosivo. Na lista de fios desencapados que podem atingir aliados estão a CPI do INSS, o intrincado negócio do Banco Master, a Operação Carbono Oculto, o imbróglio da Refinaria de Manguinhos (Refit) e o infindável estica e puxa das emendas parlamentares.

FORTE IMPACTO – Todos esses casos têm conexões e desdobramentos políticos com impacto no governo, na cúpula do Congresso e até em ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), com chances de respingar na economia e na taxa de juros.

É nesse ambiente conflagrado que o Planalto encerrou 2025. Pior: Lula sabe que enfrentará outra batalha, a partir de fevereiro, quando o Congresso voltar das férias parlamentares. O Centrão vai cobrar caro para aprovar a indicação do ministro-chefe da Advocacia-Geral da União (AGU), Jorge Messias, a uma cadeira do STF.

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), não só não gostou de ver seu candidato Rodrigo Pacheco (PSD-MG) preterido para a vaga no Supremo como promete trabalhar contra Messias. Não está sozinho nessa “missão”.

VOTO DE CABRESTO – No STF, o ministro Flávio Dino fecha o cerco contra o desvio de recursos de emendas ao Orçamento, que abastece os redutos eleitorais de deputados e senadores. A moeda de troca virou o voto de cabresto da atual temporada, distorcendo o resultado das disputas nos Estados.

Mas, como se não houvesse amanhã que não fosse o das eleições, o Congresso aprovou, na semana passada, R$ 61 bilhões em emendas parlamentares para 2026. Enquanto isso, despesas com programas sociais como Auxílio Gás e Pé-de-Meia, por exemplo, foram alvo de tesourada. Quarenta e oito horas depois, no entanto, Dino descobriu um “jabuti” para ressuscitar o orçamento secreto.

PÉ DE GUERRA – A manobra foi incluída no projeto do corte de benefícios fiscais e evitou que até R$ 3 bilhões fossem liberados. Foi o que bastou para a fúria contra o ministro entrar em cena.

Agora, quando prometem barrar a indicação de Messias para o STF, senadores dizem que não querem um “novo Dino”. Mas Dino e Messias não são amigos. Ao contrário: os dois têm muitas desavenças. Como se vê, 2026 promete. E Lula que se cuide com essa história de não entrar no Ano-Novo com o pé direito….

Moraes rejeita pedido da defesa e manda Bolsonaro de volta à custódia da PF

O que você precisa fazer para ter um maravilhoso Ano Novo

Ser feliz sem motivo é a mais... Carlos Drummond de Andrade - PensadorPaulo Peres
Poemas & Canções

O bacharel em farmácia, funcionário público, escritor e poeta mineiro Carlos Drummond de Andrade (1902-1987) é um dos mestres da poesia brasileira. O significado principal do poema “Receita de Ano Novo” está em olhar para dentro de si mesmo e sentir-se, realmente, apto para ganhar uma belíssima passagem de ano.

RECEITA DE ANO NOVO
Carlos Drummond de Andrade

Para você ganhar belíssimo Ano Novo
cor do arco-íris, ou da cor da sua paz,
Ano Novo sem comparação com todo o tempo já vivido
(mal vivido talvez ou sem sentido)
para você ganhar um ano
não apenas pintado de novo, remendado às carreiras,
mas novo nas sementinhas do vir-a-ser;
novo até no coração das coisas menos percebidas
(a começar pelo seu interior)
novo, espontâneo, que de tão perfeito nem se nota,
mas com ele se come, se passeia,
se ama, se compreende, se trabalha,
você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita,
não precisa expedir nem receber mensagens
(planta recebe mensagens?
passa telegramas?)

Não precisa
fazer lista de boas intenções
para arquivá-las na gaveta.
Não precisa chorar arrependido
pelas besteiras consumadas
nem parvamente acreditar
que por decreto de esperança
a partir de janeiro as coisas mudem
e seja tudo claridade, recompensa,
justiça entre os homens e as nações,
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,
direitos respeitados, começando
pelo direito augusto de viver.

Para ganhar um Ano Novo
que mereça este nome,
você, meu caro, tem de merecê-lo,
tem de fazê-lo novo, eu sei que não é fácil,
mas tente, experimente, consciente.
É dentro de você que o Ano Novo
cochila e espera desde sempre.

Cai por terra a versão de Toffoli de que o BC errou ao liquidar o Master

Depoimento de diretor do BC complica banqueiros | CNN NOVO DIA

Aquino, diretor do BC, provou que houve fraude no Master

Luiza Martins
CNN Brasil

O depoimento prestado pelo diretor do BC (Banco Central) Ailton de Aquino nesta terça-feira complica a situação dos banqueiros Daniel Vorcaro, do Banco Master, e Paulo Henrique Costa, do BRB (Banco de Brasília).

Ambos são investigados por fraudes financeiras bilionárias envolvendo a formação de uma carteira de crédito falsa para a operação de venda do Master para o BRB. O BC identificou o problema e decretou a liquidação do banco privado.

EM MAUS LENÇÓIS – Fontes a par do inquérito avaliam que a participação de Aquino como “extremamente valiosa” com detalhes que deixam Vorcaro e Costa “em maus lençóis”. Prova disso foi que apenas os banqueiros seguiram para a acareação, enquanto o diretor do BC foi dispensado  e sequer está sujeito à invstigação.

A fala de Aquino foi descrita por interlocutores do STF (Supremo Tribunal Federal) como “útil, precisa, didática e detalhada”, ao passo que os depoimentos de Vorcaro e Costa foram considerados “erráticos e contraditórios”.

Cada banqueiro depôs por cerca de duas horas e meia, enquanto Aquino falou por aproximadamente uma hora e 20 minutos. Em seguida, o juiz auxiliar do ministro Dias Toffoli, relator da apuração no STF, liberou o diretor do BC.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Cai por terra a pretensão do ministro Dias Toffoli, que sonhava (?) reverter a situação e provar que tenha havido erro do Banco Central, conforme a nova narrativa de Vorcarco, que acusa o BC de ter desprezado uma solução de mercado, que teria surgido à última hora. Solução de mercado para fraude bancária? Era só o que faltava. (C.N.)

CPMI do Master já tem assinaturas necessárias, afirma deputado do PL

Bom dia, meu líder”; leia diálogo que embasou operação contra deputado Carlos Jordy | CNN Brasil

Carlos Jordy festejou a vitoriosa coleta de assinaturas

Deu na Veja  

O vice-líder da oposição na Câmara, Carlos Jordy (PL-RJ), afirmou nesta quarta-feira, 31, que o pedido de abertura de uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) sobre o caso do Banco Master já tem assinaturas suficientes para avançar no Congresso.

“Já temos 205 assinaturas para a instalação da CPMI do Banco Master”, afirmou Jordy nas redes. “Eram necessárias 198 e conseguimos 7 a mais. Contudo, não podemos nos acomodar. Continuem cobrando para que mais deputados e senadores assinem o requerimento. Obrigado a todos que ajudaram até aqui. Feliz ano novo!”

MINISTRO PRESO – O relator da CPI do Crime Organizado no Senado, Alessandro Vieira (MDB-SE), que também estava colhendo assinaturas para a CPMI, afirmou que “se avizinha” o momento em que o Brasil terá um ministro dos tribunais superiores preso.

Logo antes, o emedebista fazia alusão à investigação sobre um suposto esquema de venda de sentenças no STJ e à carona do ministro Dias Toffoli, do STF, em um jatinho do empresário Luiz Osvaldo Pastore, junto com o criminalista Augusto de Arruda Botelho, advogado de um ex-diretor do Banco Master, para a final da Libertadores.

Ex-presidente do Supremo e do TSE, o hoje ministro da Justiça e Pública Ricardo Lewandowski participava de audiência na CPI durante a fala de Vieira.

Brasil encerra 2025 com crescimento do emprego e desafios fiscais no horizonte político

Divisão interna no STF aumenta, ganha ares de crise e isola Fachin

Discreto, Fachin deve mudar a forma, mas não o conteúdo do STF

Código de Conduta de Fachin é rejeitado pela maioria

Daniela Lima
do UOL

O Supremo Tribunal Federal chega ao fim de 2025 enfrentando uma profunda divisão entre seus quadros e com o presidente da corte, Edson Fachin, sob forte artilharia interna.

O motivo? A percepção de que ele utilizou a corrida da imprensa por novidades sobre o caso Master, seja a respeito de Alexandre de Moraes ou de Dias Toffoli, para transformar o debate sobre um código de conduta para a magistratura numa batalha entre “puros e impuros” na corte.

FARISAÍSMO – As queixas vão de deslealdade à instituição, que passou dias sendo alvejada sem que Fachin tenha defendido as posições oficiais dos companheiros de plenário, até a de “farisaísmo”.

Dois ministros do STF recorreram a um mesmo exemplo para criticar o presidente da corte: uma nota, publicada pelo portal Metrópoles, que apontava que, enquanto Fachin havia usado uma aeronave de carreira para ir a um evento de direito fora de Brasília, Moraes voara em um avião da FAB (Força Aérea Brasileira).

“Sabe como ele [Fachin] voltou do evento?”, indagou um integrante do Supremo à coluna. “De carona com o Alexandre no avião da FAB.” Questionada sobre a informação, a assessoria do STF confirmou que o presidente voltou de carona com o colega na aeronave das Forças Armadas.

AMEAÇADOS – Moraes é de longe o ministro mais ameaçado do Supremo. Na sequência vem Flávio Dino, relator de investigações sobre as emendas parlamentares.

Impulsionado pelas críticas ao contrato da mulher de Moraes com o banco Master —ainda que ela não tenha advogado pela instituição no Supremo ou no impasse com o Banco Central— o propagado código de conduta, enaltecido até em publicidade de entidades da sociedade civil em jornais, caiu em desgraça internamente.

“Fala-se muito dos ministros que têm mulheres na advocacia. No entanto, nada se diz sobre os que têm filhos atuando livremente, inclusive no Supremo”, disse um terceiro integrante da corte.

FILHO DE FUX – É o caso de Luiz Fux, cujo filho, Rodrigo Fux, atuou ou atua em mais de 40 ações, a maioria recursos, segundo pesquisa no sistema público do STF.

Uma das filhas e outros parentes de Fachin também trabalham no ramo da advocacia, em especial no Paraná, onde o ministro se notabilizou pela atuação em direito civil chegando até o Supremo. Já Gilmar Mendes, Toffoli, Moraes e Cristiano Zanin têm ou tiveram esposas liderando escritórios de advocacia.

Assim, a insatisfação interna sobre o código de conduta pregado por Fachin ganhou ares que vão além da irritação com a condução pública do tema e resvalam no direito legal de autonomia dos tribunais.

DISCUSSÃO INTERNA – “É preciso colocar a bola no chão e ver, por exemplo, que a autodeterminação dos tribunais é regra constitucional. Qualquer iniciativa, portanto, deve ser discutida internamente”, explica um integrante da corte.

“E mais: é preciso saber que os integrantes do tribunal têm situações parecidas em vários aspectos, inclusive na questão de terem familiares na advocacia e na participação em eventos. Por que limitar a análise ao STF se temos tantos tribunais com problemas sérios, de penduricalhos a corrupção?”, indagou por fim.

Mesmo assim, o ministro-presidente iniciou as tratativas sobre o código de ética ou de conduta debatendo o tema no Conselho Nacional de Justiça e com presidentes de outras cortes, como o Superior Tribunal de Justiça. Entretanto, não detalhou seus planos internamente.

VITÓRIA DE PIRRO – O STF, que enfrentou um dos julgamentos mais complexos e ruidosos de sua história recente, o da trama golpista, chega ao fim de 2025 com sabor agridoce, como se tivesse obtido uma vitória de Pirro.

Com Toffoli tendo a missão de desnudar o maior escândalo e a maior guerra do mercado financeiro das últimas décadas, o Supremo se partiu em dois ao ser puxado para uma trama que está longe de acabar e pode render muita dor de cabeça a todos os integrantes da corte.

Isso sem citar os mais de 80 inquéritos sobre desvios de emendas do Orçamento Secreto que incomodam o Congresso e a apuração de venda de sentenças em diversas instâncias do Judiciário. 

Projeto de Tarcísio cria “farra dos coronéis” e diminui PMs das ruas

Galípolo não ataca nem defende Moraes e fica em péssima situação

Indicado ao BC, Gabriel Galípolo passa por sabatina no Senado

Galípolo revelou as pressões mas parece que se arrependeu

Carlos Newton

A atenção da grande mídia neste Ano Novo está dedicada em saber por que o Banco Central, decidiu liquidar o Banco Master, que estava sendo negociado com o BRB – Banco Regional de Brasília, para superar riscos de falência.

Na percepção dos especialistas do Banco Central, que tem por missão fiscalizar as atividades financeiras, tratava-se de interromper um golpe estratosférico em detrimento de milhares de investidores e o que poderia gerar instabilidade em todo sistema bancário, com repercussões internacionais.

R$ 40 BILHÕES – Nesse caso, para reparar perdas e prejuízos, o Fundo Garantidor de Crédito com recursos oriundos dos bancos deverá disponibilizar cerca de R$ 40 bilhões de reais, para proteger o sistema financeiro de possível desestabilização.

O assunto veio à baila depois que o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, em entrevista coletiva, jactou-se de ter resistido às intensas pressões de autoridades e políticos para permitir a venda ruinosa do banco Marques ao BRB (Banco Regional de Brasília, que é estatal.

Em seguida o jornalista Lauro Jardim, de O Globo, publicou que a advogada Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro do Supremo, tinha um supercontrato de R$ 129,6 milhões em três anos.

MORAES EM AÇÃO – A jornalista Malu Gaspar, também de O Globo, juntou as duas informações e saiu em campo. Apurou em seis fontes diferentes do Banco Central que Moraes realmente tinha feito pressões, em quatro telefonemas para Galípolo e uma reunião convocada por ele no STF.

O Estadão também procurou se informar e descobriu que houve muito mais telefonemas de Moraes ao Banco Central, tendo feito seis ligações num só dia.

Os telefonemas colocam Moraes em péssima situação, porque desde 2024 sua mulher tem o contrato milionário com o Master, que lhe paga por mês o equivalente a 100 salários líquidos de seu marido.

GOLPE NO BRB – As investigações começaram em 2024 antes da assinatura do contrato com a mulher de Moraes. Segundo a Polícia Federal, o Banco Master não teria recursos suficientes para honrar títulos com vencimento em 2025.

A apuração descobriu que o banco adquiriu créditos de uma empresa chamada Tirreno sem efetuar pagamento e, em seguida, vendeu esses ativos ao BRB, que teria desembolsado cerca de R$ 12 bilhões.

Apesar de todas as evidências de advocacia administrativa, crime cometido por Alexandre de Moraes para justificar a remuneração da mulher, o relator Dias Toffoli e o procurador-geral Paulo Gonet tentam proteger o ministro do STF.

SEM PROVAS – Alegam que até agora nenhum documento comprovando ilicitudes foi disponibilizado. O que existe são as palavras de Galípolo e informações sobre telefonemas e reuniões que precisam ser comprovadas, mas tudo foi feito fora de agenda.

Portanto, não há saída para Galípolo, a não ser exibir toda a “documentação” que disse possuir aos repórteres, na coletiva do dia 18.

Mas até agora o presidente do Banco Central não mostrou nenhuma intenção de fazê-lo, para não prejudicar o ministro Alexandre de Moraes.

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P.S.
Agindo assim, Galípolo acaba justificando a CPI que está sendo convocada pelo senador Alessandro Vieira (MDB-SE), um dos mais respeitados parlamentares do país, que pretende liderar o impeachment de Moraes e pode incluir também o impeachment de Galípolo, que provocou o interesse da imprensa e agora tenta sair de fininho, como se dizia antigamente. (C.N.)

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