Minuta para travar BC é encontrada em celular de Vorcaro e amplia suspeitas na CPI do INSS

Arquivo pretendia suspender decisões do BC

Rafael Moraes Moura
Malu Gaspar
O Globo

Entre os mais de 12 mil documentos que foram extraídos do celular de Daniel Vorcaro e compartilhados com a CPI do INSS, um chamou a atenção de quem se debruçou sobre o material enviado ao Congresso Nacional: a minuta de um despacho do Tribunal Contas da União (TCU) determinando que o Banco Central suspendesse “toda e qualquer decisão” a respeito do Banco Master.

Duas versões do documento em formato Word – intitulado “TCU_mora_excessiva” – foram criadas em 29 de agosto de 2025, às 9h24 e às 12h47, conforme as informações que constavam dos metadados. Além de determinar que o BC sobrestasse toda e qualquer decisão sobre o Master, a minuta também determinava a oitiva de técnicos do Banco Central em um prazo de dez dias.

SEM ASSINATURA – O documento é apócrifo, ou seja, não tem autor e nem assinatura. Não se sabe se Vorcaro a recebeu ou se enviou a alguém. À época, o relator do caso do Master no TCU já era o ministro Jhonatan de Jesus, que decidiu na última terça-feira (24) suspender o processo que mira a atuação do BC no processo de decretação da liquidação extrajudicial do Master até a conclusão das investigações do caso.

Naquele momento, porém, Jhonatan já tinha rejeitado uma representação do Ministério Público junto ao TCU para investigar possíveis omissões do Banco Central na fiscalização das operações do Master e eventuais irregularidades no negócio com o BRB.

NOS BASTIDORES – Ex-deputado do Republicanos de Roraima, Jhonatan foi indicado para o TCU por influência de lideranças do Centrão como Ciro Nogueira, que admite ser amigo de Daniel Vorcaro e foi autor no Senado de medidas legislativas que favoreciam os negócios do Master. Ciro Nogueira também operou nos bastidores contra a instalação da CPI do Banco Master no ano passado.

Após a liquidação do Master, o ministro Jhonatan de Jesus convocou o BC a prestar esclarecimentos, ordenou que fosse feita uma inspeção na autoridade monetária e ainda chegou a ameaçar nos bastidores reverter a liquidação extrajudicial do banco de Vorcaro decretada em 18 de novembro, um dia depois de ele ser preso pela Polícia Federal no aeroporto de Guarulhos sob a suspeita de fugir do país.

Mas o ministro decidiu não levar o plano adiante, após sofrer pressão de colegas do TCU, de integrantes do Supremo Tribunal Federal (STF) e de agentes do mercado financeiro.

ALERTAS IGNORADOSA minuta de decisão do TCU foi criada num momento em que o Banco Central se aproximava de um veredicto sobre o futuro do negócio entre o BRB e o Master – e já havia cobrado uma série de medidas do banco de Vorcaro para resolver problemas de liquidez.

Além disso, em meados de agosto, representantes do governo do Distrito Federal e do BRB se reuniram com integrantes do Ministério Público Federal no DF e foram informados das suspeitas de irregularidades nas carteiras de crédito que tinham sido vendidas ao BRB por mais de R$ 12 bilhões.

Na reunião, os procuradores da República avisaram que estavam recomendando ao BC não aprovar a operação de compra do Master, e ao governo do DF, que aguardasse a “demonstração da fidedignidade e lisura dos ativos que compõem todo o perímetro da operação, assegurando-se que os recursos públicos não sejam utilizados para absorver passivos ocultos ou ativos sobrevalorizados”.

PREOCUPAÇÃO – A possibilidade de o negócio ser vetado já era bastante concreta, portanto, quando Vorcaro salvou no celular as duas versões da minuta do TCU suspendendo as decisões do BC. Mesmo assim, em 2 de setembro, o governo Ibaneis pediu ao TCU que colocasse técnicos para acompanhar a análise da operação Master-BRB, manifestando preocupação com a demora na decisão.

No dia 3, o Banco Central de fato vetou a compra do Master pelo BRB e informou o BRB por ofício. Logo em seguida, o Distrito Federal fez um novo pedido ao TCU, desta vez para “suspender de forma imediata e integral os efeitos de quaisquer autorizações, deliberações ou decisões ou manifestação regulatória por agentes do Banco Central do Brasil – uma redação bem semelhante à minuta de decisão encontrada no celular de Vorcaro.

CRÍTICAS – A postura do governo do DF foi duramente criticada em auditoria da Corte de Contas tornada pública nesta terça-feira (24) por decisão da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado. “Essa insistência em utilizar, de forma oblíqua, a via de controle externo na possível tentativa para reverter decisão técnica que havia concluído pela inviabilidade da operação, especialmente diante das irregularidades já detectadas (indícios de fraudes nas cessões anteriores, ativos de existência duvidosa, ausência de due diligence), revela potencial descolamento entre a gestão da coisa pública e os princípios constitucionais da administração pública”, afirmaram os técnicos do TCU, em parecer assinado em 5 de fevereiro deste ano.

“A possível tentativa de pressionar o regulador setorial para aprovar operação que expunha o BRB a riscos bilionários, invocando a atuação do TCU como instância recursal do BCB [Banco Central do Brasil] em matéria de discricionariedade técnica regulatória, configura conduta que merece reprovação no âmbito do controle externo e reforça a necessidade de apuração das responsabilidades pelos órgãos competentes.”

PLANO – O texto salvo no celular do dono do Master não chegou a se transformar em uma decisão do tribunal. Mas a minuta sugere que os recursos do governo de Ibaneis não eram um movimento isolado e podem ter feito parte de um plano do então banqueiro para reverter a decisão do BC no TCU. Consultada, a defesa de Vorcaro disse que não comentaria informações de documentos sigilosos. O BRB e o governo Ibaneis não haviam se manifestado até a publicação deste texto.

Conforme apontou uma auditoria do TCU, ao longo do primeiro semestre de 2025, o Banco Central já havia identificado “graves irregularidades nas carteiras de crédito cedidas pelo Banco Master ao BRB”, que envolviam a utilização de artifícios contábeis “com o propósito de ocultar a real situação financeira do cedente, caracterizada por um grande volume de operações suspeitas e desprovidas de comprovação financeira, realizadas em desrespeito às normas de boa gestão”.

ALERTA – Um ano antes de determinar a liquidação do Master, o Banco Central já havia detectado dificuldades do banco do executivo Daniel Vorcaro em captar recursos e honrar compromissos, alertando sobre o risco de adoção de “medidas prudenciais preventivas.

De acordo com a Unidade de Auditoria Especializada em Bancos Públicos e Reguladores Financeiros do TCU, os alertas ao Master sobre a possibilidade de aplicar sanções por falta de liquidez do banco começaram em novembro de 2024 e se repetiram até setembro de 2025.

No dia seguinte ao veto da compra do Master pelo BRB, em 4 de setembro de 2025, foi firmado um novo Termo de Comparecimento com o Banco Master, no qual o BC exigiu a recomposição da liquidez da instituição em dois dias úteis. O prazo acabou estendido até 30 de setembro, em razão do ingresso de recursos provenientes com a venda da seguradora Kovr pelo Banco Master.

O QUE DIZ A DEFESA –  Procurada, a assessoria de Vorcaro alegou que não cabe à defesa “comentar conteúdos que decorrem de vazamentos ilegais de material sigiloso”.

“Trata-se, inclusive, de fatos que já são objeto de investigação criminal determinada pelo ministro André Mendonça no Supremo Tribunal Federal. Qualquer manifestação sobre informações obtidas dessa forma apenas reforçaria a disseminação de conteúdos cuja divulgação é, em si, objeto de apuração”, disse.

Defesa e Flávio reagem a Moraes e questionam domiciliar temporária de Bolsonaro

Moraes decidirá se mantém domiciliar em 90 dias

João Pedro Abdo
Arthur Guimarães de Oliveira
Folha

A reavaliação do quadro de saúde de Jair Bolsonaro (PL) para manutenção da prisão domiciliar humanitária, determinada pelo ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes na terça-feira (24), foi alvo de críticas da defesa do ex-presidente e do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

Moraes entendeu que o quadro de Bolsonaro, que está internado desde o último dia 13, após ser diagnosticado com uma broncopneumonia por aspiração, justificava o cumprimento da pena em casa. O ex-presidente deixou a UTI (Unidade de Terapia Intensiva) na segunda (23) à noite, mas segue sem previsão de alta.

CRÍTICAS – A decisão que concedeu a medida humanitária foi criticada em parte por um dos advogados de Bolsonaro, o criminalista Paulo Cunha Bueno. Para ele, o caráter temporário da medida, que será reavaliada no prazo de 90 dias, é “singularmente inovadora”. Os cuidados médicos são, segundo Bueno, permanentes e “demandados por toda vida”.

O filho do ex-presidente e pré-candidato à Presidência pelo PL, Flávio Bolsonaro, também criticou o trecho. Em entrevistas aos canais GloboNews e CNN, ele classificou a decisão como “exótica” e chamou de inovação o que chamou de “prisão domiciliar provisória”.

RISCO – “Ele está tendo uma domiciliar humanitária, porque, no local onde ele está há um risco de agravamento do seu estado de saúde. Ele vai para casa para melhorar esse quadro. Daqui a 90 dias, se saúde dele melhorar, ele volta pro ligar onde a saúde ele tava piorando?”, questionou o senador.

A reavaliação periódica já foi utilizada por Moraes na concessão de outras prisões domiciliares humanitárias. Um precedente previsto ocorreu no caso de Jorge Picciani, ex-presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, que previa uma reavaliação médica a cada dois meses. O relator desse caso foi o ministro Dias Toffoli.

Gilmar busca uma brecha que permita, mais adiante, anular processo do Master

Tribuna da Internet | Crescente degradação da autoridade do STF corrói  também a democracia

Charge do Thiago Lucas (Jornal do Commercio)

Merval Pereira
O Globo

A divergência aberta no Supremo Tribunal Federal entre os ministros Gilmar Mendes, decano da instituição, e André Mendonça, relator do caso Master, é a evidência de que a crise de legitimidade que atinge o STF não se resolverá tão cedo, muito menos agora, quando os dois ministros se manifestaram publicamente sobre teses conceituais, um fustigando o outro.

O ministro André Mendonça, já colocado na mídia como o novo guardião da moralidade jurídica, mandou seu recado em evento da OAB do Rio, afirmando, entre outras coisas, que não cabe ao juiz “ser uma estrela”, mas simplesmente agir de maneira certa, e julgar dentro do que é certo.

APLAUDIDO NA OAB – O raciocínio de Mendonça é aparentemente simplório, mas foi aplaudido na OAB, porque, nesta fase, estamos, cansado do juridiquês fraudulento e das manhas jurídicas que permitem decisões teratológicas como se fossem sapiências tiradas do fundo da cartola de um mágico decadente.

Já o ministro Gilmar Mendes usou seu reconhecido repertório jurídico para, não tendo ambiente favorável a um voto divergente depois que a sua Turma já havia firmado a maioria para manter a prisão do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, deu unanimidade à decisão, mas acusou Mendonça de usar “conceitos porosos e elásticos” para a decretação de prisões preventivas.

TIPO LAVA JATO – Não foi à toa que o ministro Gilmar Mendes relembrou a Operação Lava Jato, desmontada por sua combativa ação no Supremo, tão combativa quanto nos anos seguidos de defesa da mesma operação que, na sua opinião, estava desmontando o “estado cleptocrático” instalado pelo PT no país.

Disse Mendes em seu voto: “Em um passado recente, essas mesmas fórmulas foram indevidamente invocadas pela força-tarefa da Lava Jato para justificar os mais variados abusos e arbitrariedades contra aqueles que, ao talante dos investigadores, eram escolhidos como alvos de persecução penal ancorada em razões políticas e ideológicas”.

Assim, Gilmar Mendes começa a tentar montar dentro do Supremo um ambiente que permita, mais adiante, anular o processo do Banco Master assim como fez com todos os processos da Operação Lava Jato, abrindo a porteira para que outros juízes usassem a decisão de considerar o então juiz Sérgio Moro parcial no julgamento do caso do triplex do Guarujá contra Lula.

LIBEROU GERAL – O que seria uma decisão pontual, como garantiu Mendes na ocasião, acabou se tornando a senha para o liberou geral que culminou com a libertação de todos os condenados pela Operação Lava Jato, inclusive os famosos empreiteiros que admitiram culpa nas delações premiadas, que mais tarde foram consideradas, inclusive pelo ministro Dias Toffoli, como resultado de pressão ilegal das autoridades.

A partir daí, até quem se ofereceu para devolver dinheiro roubado acabou recebendo de volta o produto do roubo, graças à compreensão da Suprema Corte.

O raio não cai de novo no mesmo lugar, diz a sabedoria popular, mas com a Justiça brasileira nada é impossível, pois a Lava Jato teve o mesmo fim de outros processos contra corrupção anulados por tecnicalidades.

TOFFOLI E LULINHA – Neste cenário, a empresa da família Toffoli e o empresário Lulinha, filho do presidente Lula, foram protegidos respectivamente pelos ministros Gilmar Mendes e Flavio Dino, sob a mesma alegação: a quebra do sigilo dos dois foi feita em bloco, e não individualmente.

Os dois ministros têm em comum o gosto pela política, com planos eleitorais claros para 2030. Mendes tem muito prestígio em seu estado, o Mato Grosso, onde há uma proposta de criação de um município chamado “Gilmarlândia”, e mais cinco anos de mandato no STF. Dino vem da política maranhense, tendo sido governador do estado e mantendo até hoje um grupo político atuante que disputa o poder estadual em uma briga com o atual governador Carlos Brandão, que já foi seu aliado.

Pesquisa Atlas Intel/Estadão  mostra que o único juiz da Corte que tem avaliação popular positiva maior que a negativa é André Mendonça. Já o ministro Dias Toffoli é o pior avaliado, seguido de Gilmar Mendes. O ministro Flavio Dino é o que tem uma menor avaliação negativa entre seus pares, à exceção de Mendonça.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGBelo artigo de Merval Pereira, mostrando que é preciso reagir contra as armações jurídicas de Gilmar Mendes e dos ministros de sua coudelaria, digamos assim, pois defendem as mesmas teses que deveriam ser consideradas indefensáveis. (C.N.) 

Ratinho Jr sai, oposição se fragmenta e Caiado ganha espaço na corrida presidencial

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Flávio perde Tereza Cristina e corre contra o tempo para ter vice competitivo

Kassab, o senhor dos anéis, sempre dá um jeito de levar vantagem nas eleições

Charge: Vencedor - Blog do AFTM

Charge do Cazo (Blog do AFTM)

Carlos Newton

Na política brasileira, há muitos “donos” de partidos, mas não existe ninguém como Gilberto Kassab. Ele entrou na política em 1989, pelas mãos de Guilherme Afif Domingos, que presidia em São Paulo o PL, partido criado pelo deputado Álvaro Valle. Depois, foi para o PFL, que se tornou DEM, e nele ficou até 2011, quando era prefeito de São Paulo, uniu-se a dissidentes de diversas siglas e recriou o  Partido Social Democrático (PSD).

Desde então, Kassab é o presidente e vive às custas da sigla, que se tornou o partido de maior crescimento no país. Em 2024, conquistou a prefeitura de 887 municípios, sendo cinco capitais, o que representou aumento de 35% em relação ao pleito de 2020.

DONO DO PARTIDO – Kassab vive em função do PSD e levou o partido a uma política adesista, sob a justificativa de que “o PSD não é de direita nem de esquerda”. Essa vocação de equilibrista faz com que o partido sempre apoie presidentes, governadores e prefeitos de outras siglas, e assim o PSD vai dominando cada vez mais os cabides do poder.

Nas eleições de 2022, a sigla lançou uma quantidade expressiva de candidaturas próprias a governos estaduais, resultando na eleição de dois governadores no primeiro turno.

E agora, na eleição presidencial, pela primeira vez Kassab muda de estratégia, por sentir que há espaço para uma terceira via que enfrente a polarização entre bolsonaristas e lulistas. Com a desistência de Ratinho Júnior, o próprio Kassab, que no PSD é uma espécie de senhor dos anéis, vai decidir se escolhe Ronaldo Caiado, de Goiás, ou Eduardo Leite, do Rio Grande do Sul, e a candidatura será para valer, no primeiro turno.

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P.S. –
Não importa o candidato que venha a ser escolhido, seja Caiado ou Leite. O objetivo maior de Kassab é sempre marcar presença. Vai trabalhar pela vitória, é claro. No entanto, caso o candidato do PSD não chegue ao segundo turno, não tem problema, porque o partido vai retomar o velho hábito de não apoiar nenhum dos candidatos e esperar a apuração das urnas, para então declarar seu amor eterno ao vencedor, não importa se for Lula da Silva ou Flávio Bolsonaro. De uma forma ou outra, o grande vencedor será sempre Kassab, que então vai ficar à frente de algum ministério importante. E vida que segue, como dizia João Saldanha, que faz uma falta danada em ano de Copa. (C.N.)

Para os criminosos tudo se consegue, sem burocracia e com muita dignidade

Para refletir #chargedireitoshumanos #chargecriticasocial #direitoshumanos # charge

Charge do Nani (nanihumor.com)

Luiz Felipe Pondé
Folha

A esta altura, todo mundo já deve saber que a guerra dos Estados Unidos contra o Irã é apenas colateralmente sobre Israel, apesar do papel essencial que o moderno Estado judeu tem desempenhado, ao longo dos anos, ao combater os tentáculos do regime iraniano assassino através de seus “proxies”, como o Hamas e o Hezbollah.

Israel tem sorte de que os Estados Unidos precisam, por razões geopolíticas, cortar as asas da China no Oriente Médio. O Irã era, até ontem, a grande cabeça de ponte da China para desgastar o orçamento militar, a inteligência e a energia geopolítica americana.

PLANO DA CHINA – Ao vender armas superagressivas e tecnológicas para o “governo legítimo dos aiatolás”, o governo chinês —com um Irã hoje totalmente dependente da China, como Cuba foi um dia da URSS— viu no iraniano uma chance de, quem sabe, concretizar o sonho de engolir Taiwan e a sua superindústria, indispensável para armas e lucros do século 21.

 Enquanto isso, os Estados Unidos iniciariam negociações sem fim com o Irã, principalmente se um democrata for eleito presidente e o país voltar a ser leniente com terroristas.

Irã, Venezuela e Cuba são, hoje, os tentáculos da China na Guerra Fria do século 21. E o Brasil quer brincar de bobo da corte nessa tragédia. Sinto vergonha alheia de ver gente grande, e, supostamente, bem formada, “defendendo” a dignidade e legitimidade do regime dos aiatolás, como se geopolítica fosse uma brincadeira infantil de polícia e ladrão.

PODER E DOMÍNIO – O sofrimento dos seres humanos nunca importou em geopolítica. Judeus, palestinos, africanos, indígenas, só importam quando sopram ventos de alguma modinha humanista efêmera. A história chega a ser monótona na sua repetição de que o que importa é poder, domínio, dinheiro e, como um resumo disso tudo, o controle do futuro próximo.

Quando se faz parecer que o que está em jogo em geopolítica são direitos humanos, se presta um enorme desserviço à informação e formação da sociedade. Afirmar que direitos humanos importam em geopolítica é uma das maiores fake News, divulgadas até mesmo por jornalistas profissionais.

Voltando para o nosso quintal. Outro dia, vindo do aeroporto de Guarulhos em um táxi, tentei usar o celular até perceber que, como de costume ao passar pelas imediações das penitenciárias, o sinal é interrompido por razões de “segurança”.

WI-FI DA CADEIA – O motorista imediatamente reagiu: “Os presos usam o wi-fi da cadeia, porque, afinal, eles têm direito de continuar seus negócios de lá de dentro, né?”. E continuou de forma desenvolta, como se defendesse uma tese em sociologia.

Os bandidos têm muito mais direitos humanos do que nós, que trabalhamos de sol a sol e somos roubados, assassinados e temos nossas famílias acuadas por eles. Afinal de contas, os bandidos têm um ofício: matar, roubar e vender drogas para os riquinhos. Mais do que um ofício, eles têm o direito de nos matar, roubar e tomar conta do país, com a ajuda da “Justiça”.

BOLSA RECLUSÃO – Coitados, nós tiramos o direito deles de ir e vir para roubar, matar e vender drogas. Por isso mesmo, eles recebem “bolsa reclusão”. Já que a sociedade os trancafiou de forma injusta na cadeia, nada mais legítimo do que paguemos, com o dinheiro que nos é roubado pelo governo em impostos, uma bolsa para as suas famílias, vítimas do absurdo que é botar bandidos na cadeia. Para os criminosos tudo se arranja, com zero burocracia e muita “dignidade”.

Mas a nossa vergonha alheia não para aí. Nosso STF ainda decidiu que, nesses casos, não importa o que aconteça em termos de abusos de poder, nem de indiferença para com conflitos de interesses que parecem se multiplicar na mais alta corte.

ABUSOS DO STF – A sociedade brasileira, que já nasceu cansada e corrupta, não fará nada para barrar esses abusos. Nossos representantes são delinquentes institucionais. Nasce assim uma nova cultura de truculência: uma truculência togada. E com esta ninguém pode —e tudo regado ao “molho” da defesa da democracia.

Aliás, falando de democracia, não conheço uma em que não se possa xingar seus mais altos mandatários. O argumento da honra, hoje, a fim de defender abusos das altas patentes do Estado brasileiro, é uma verdadeira desonra nacional. E desgraçadamente, essa desonra nacional vem cercada de discursos da “intelligentsia” que defendem todo tipo de abuso, contanto que ajude Lula a ganhar a eleição deste ano.

O tal desfile que fez propaganda de Lula no Carnaval carioca é a prova de que o Brasil está perdido como lugar de instituições que gozam de alguma credibilidade. Se você for aliado do Lula, você pode até mesmo debochar de segmentos religiosos considerados aliados dos “idiotas em conserva”.

Com Flávio em alta, governo abandona cautela e arma uma nova ofensiva eleitoral

Alta do diesel pressiona inflação e vira novo desafio do governo em ano eleitoral

De novo na prisão domiciliar, Jair Bolsonaro só cumpriu 1,2% da pena de 27 anos

Kassab vai se reunir com Leite antes de anunciar Caiado como pré-candidato

Leite se reúne com PSD e confirma pré-candidatura à Presidência

Kassab pedirá que Eduardo Leite se candidate ao Senado

João Paulo Alexandre
Jornal Opção

Após encontro com o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, ocorrido nesta terça-feira, 24, o presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab deve se reunir com o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, na manhã desta quarta-feira, 25.

Em seguida, ele pretende se encontrar com membros do conselho do partido para, então, fazer a oficialização de Caiado como pré-candidato à Presidência da República. A previsão é que isso ocorra até sexta-feira, 27. As informações foram confirmadas ao Jornal Opção por pessoas próximas ao governador.

REUNIÃO – Mais cedo, o Jornal Opção mostrou que, após a desistência de Ratinho Jr., o pré-candidato Ronaldo Caiado foi a São Paulo para se reunir com Kassab. O encontro teria como objetivo acertar os pontos finais para o lançamento da pré-candidatura do pessedista.

Segundo o Jornal O Globo, a conversa perpassou por vários temas, como verbas até alianças políticas.

Na segunda-feira, fontes do PSD disseram que não viam o governador do Paraná motivado para a disputa e avaliaram que Ronaldo Caiado tem mais experiência durante sua trajetória política.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Tudo indica que o escolhido será Ronaldo Caiado. E somente Kassab pode explicar o motivo da preferência, que é inescrutável. Pode ser até problema sexual. Como se sabe, Kassab vai fazer 66 anos, continua solteiro e jamais foi visto acompanhado por alguma mulher. Durante a campanha eleitoral de 2008, após questionamentos sobre sua vida pessoal, ele abordou o assunto publicamente para esclarecer que não é homossexual. Quer dizer, seria assexuado, se é que vocês me entendem, porque vou parar por aqui. (C.N.)

Sem acordo com Alcolumbre, Lula vê indicação de Messias ao STF ser travada

Moraes permite compartilhamento de provas na investigação contra Eduardo Bolsonaro

Polícia Federal vai poder usar provas de processo

Pepita Ortega
O Globo

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, autorizou que a Polícia Federal use, no procedimento administrativo disciplinar contra o ex-deputado Eduardo Bolsonaro, provas do processo em que o ex-parlamentar é réu por ter atuado nos Estados Unidos em favor de sanções a autoridades brasileiras.

A Polícia Federal pediu as provas para abastecer um procedimento que foi aberto para apurar supostos atos de improbidade administrativa atribuídos ao ex-deputado. A corporação investiga Eduardo, na seara administrativa, por “ameaçar e expor servidores da Polícia Federal com o propósito de constrangê-los e intimidá-los, em razão de suas atuações nas investigações supervisionadas pelo Supremo Tribunal Federal”.

COMPARTILHAMENTO – Ao analisar o pedido da PF, Moraes considerou que o compartilhamento seria “útil, razoável, adequado e pertinente”. O ministro ainda destacou o parecer da Procuradoria-Geral da República, que concordou com o pedido da PF, destacando que a investigação é pública e que o compartilhamento seria importante para a ” economia da máquina pública e eficiência administrativa”.

Eduardo Bolsonaro é réu por coação no processo que foi compartilhado com a PF. Segundo a denúncia da Procuradoria-Geral da República, o ex-deputado e o blogueiro Paulo Figueiredo Filho atuaram pelas sanções como forma de atrapalhar o andamento do processo conduzido pelo STF que resultou na condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) por tentativa de golpe de Estado.

Com tornozeleira, Jair Bolsonaro cumpre prisão domiciliar sob regras de Alexandre de Moraes

Ex-presidente ficará ao menos por 90 dias em casa

Pepita Ortega
Mariana Muniz
O Globo

A prisão domiciliar concedida ao ex-presidente Jair Bolsonaro, até a recuperação de sua broncopneumonia, deverá ser cumprida seguindo uma série de regras, a começar pelo uso de tornozeleira eletrônica.

Em decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), houve também a determinação de que o ex-chefe do Executivo não poderá usar o celular, nem acessar a internet, tampouco gravar vídeos ou áudios.

SEM VISITAS – Além disso, Bolsonaro ficará pelo menos 90 dias sem receber visitas, com exceção dos filhos, de sua mulher Michelle Bolsonaro, de seus advogados, médicos e fisioterapeuta. Para as visitas autorizadas, celulares deverão ficar em depósito com os agentes policiais que estiverem realizando a segurança.

A suspensão das visitas, segundo Moraes, visa “resguardar o ambiente controlado necessário” para a recuperação, evitando “risco de sepse e controle de infecções”. Visitas a outros moradores da casa do ex-presidente também foram vedadas e deverão ser autorizadas judicialmente.

Ao conceder a prisão domiciliar humanitária a Bolsonaro, Moraes frisou que o descumprimento das regras fixadas levará à revogação da medida, com o retorno do ex-presidente à Papudinha ou a um hospital penitenciário.

NOVA ANÁLISE – O ministro salientou que, após os 90 dias da prisão domiciliar, vai voltar a analisar os requisitos necessários para a manutenção da prisão domiciliar humanitária, inclusive com perícia médica, se for necessário.

O despacho assinado nesta tarde ainda fixou uma série de regras de segurança a serem seguidas pelos policiais que acompanharão a prisão domiciliar do ex-presidente. Elas deverão ser seguidas pela Polícia Militar do Distrito Federal, que vai elaborar relatórios semanais sobre a prisão de Bolsonaro. Os PMs ainda deverão informar Moraes imediatamente sobre qualquer descumprimento das medidas impostas.

VISTORIA – Os PMs terão de vistoriar os porta-malas de todos os veículos que saírem da casa de Bolsonaro. Também vão monitorar a área externa da casa, na divisa com outros imóveis.

Moraes ainda proibiu acampamentos, manifestações ou aglomerações em um raio de um quilômetro da casa de Bolsonaro. A realização de uma vigília na porta do condomínio do ex-presidente foi um dos motivos que levou o ministro do STF a impor a prisão preventiva a Bolsonaro, em novembro – decisão que levou o ex-chefe do Executivo à custódia da Polícia Federal do Distrito Federal.

Jingle contra o Centrão força freio na campanha de Flávio e revela tensão com aliados

“Amar você é coisa de minutos”, dizia o revolucionário poeta Paulo Leminski

O amor, esse sufoco, agora a pouco era... Paulo Leminski - PensadorPaulo Peres
Poemas & Canções

O crítico literário, tradutor, professor, escritor e poeta paranaense Paulo Leminski Filho (1944-1989) escreveu belíssimos poemas românticos, como “Amar Você é Coisa de Minutos”.

AMAR VOCÊ É COISA DE MINUTOS
Paulo Leminski

Amar você é coisa de minutos
A morte é menos que teu beijo.
Tão bom ser teu que sou
Eu a teus pés derramado.
Pouco resta do que fui
De ti depende ser bom ou ruim.
Serei o que achares conveniente
Serei para ti mais que um cão
Uma sombra que te aquece
Um deus que não esquece
Um servo que não diz não.
Morto teu pai serei teu irmão
Direi os versos que quiseres
Esquecerei todas as mulheres
Serei tanto e tudo e todos.
Vais ter nojo de eu ser isso
E estarei a teu serviço
Enquanto durar meu corpo
Enquanto me correr nas veias
O rio vermelho que se inflama.
Ao ver teu rosto feito tocha
Serei teu rei teu pão tua coisa tua rocha.
Sim, eu estarei aqui              

Delação de Vorcaro será bombástica e os ministros terão que ser investigados

A nova decisão de Moraes que reforça precedente desfavorável para Bolsonaro  – CartaCapital

Moraes está sendo investigado e não tem como escapar

Merval Pereira
O Globo

Tenho a impressão de que Daniel Vorcaro está numa segunda fase da delação. A primeira é quando se acha possível enganar a polícia denunciando alguns bagrinhos para ganhar as vantagens. Isso ele já descobriu que não adianta, porque a PF tem um dossiê imenso de informações, saído dos próprios celulares dele.

Então, terá que fazer muito esforço para contar para a PF tudo o que ela não sabe e não saberá mesmo depois que abrir todos os celulares. E ele já mandou recado de que não vai livrar ninguém.

CONTAR TUDO – Aí vem a segunda fase, e, evidentemente, para contar tudo, tem que explicar a relação com Dias Toffoli, a compra do resort Tayayá, e a história do contrato da mulher de Alexandre de Moraes, por exemplo.

Vai ter que aprofundar esta relação e, de uma maneira muito clara, denunciar todos os que comprou, ou a delação não será validada.

O procurador-geral da República, Paulo Gonet, já demonstrou claramente que não está disposto a ir em frente nesta questão, e como tem uma disputa com a Polícia Federal, provavelmente caberá ao ministro relator André Mendonça decidir o que fazer.

Como ele sabe de tudo, porque tem acesso direto à PF, Vorcaro terá que indicar muitas novas pistas a serem investigadas, quer o procurador queira ou não.

Acredito que a delação será bombástica, ou ele não vai se livrar. Vai chegar a um ponto em que os ministros terão que ser investigados. Não sei como será a reação deles, mas será difícil vetarem a investigação, devido aos vestígios muito fortes de relacionamento com Vorcaro.

Pesquisa mostra que Gilmar Mendes tem motivos para chorar no plenário do STF

Em nome do tribunal”, Gilmar chora e homenageia o advogado de Lula (veja o vídeo)

Gilmar chorou no plenário ao chamar Moraes de “herói”

Fabiano Lana
Estadão

Os olhos do ministro do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, encheram-se de lágrimas, na semana passada, ao se referir ao seu colega Alexandre de Moraes, “em virtude de sua irretocável, proba e sacrificante atuação”.

Gilmar tem razão em se lamentar, não exatamente por seu enrolado companheiro da bancada no Supremo, mas com a instituição na totalidade, vista com desconfiança pela maioria da sociedade, de acordo com a pesquisa AtlasIntel/Estadão.

PAPEL DO STF – É preciso fazer uma ponderação. Ser popular não é objetivo, papel ou tarefa do Judiciário. Em tese, cabe a esse Poder cumprir a lei e pronto. Mas aí que está o grande problema atual.

A queda da aprovação do Supremo e dos seus ministros tem a ver com a impressão popular de que não estão garantindo a Constituição, mas cuidando de interesses próprios. Pior, teriam relações para lá de perigosas com gente do mundo do crime.

Hoje, 60% dos brasileiros não confiam no STF. Em agosto do ano passado, eram 51%, segundo a pesquisa. O que isso significa? Que mesmo durante o auge do processo de condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro, a sociedade estava dividida entre os que apoiavam ou não a corte.

MENDONÇA CRESCE – Com o inacreditável caso Master, o endosso ao Supremo desaba. 77% dos brasileiros acham que há “muita influência externa” no julgamento do Banco Master no STF;  e 66% acreditam que os ministros estão envolvidos diretamente no caso.

Hoje, o brasileiro não acha que o Supremo defenda a democracia, não acha que obedeça à Constituição, não acha que respeite o Poder Legislativo, não acha que defenda os direitos individuais.

Quando se pergunta nome por nome, o relator do caso Master, André Mendonça, é o mais popular do Brasil. Cabe perguntar se há um risco de ele se tornar um novo Sérgio Moro. Outro que encontrou uma veia popular foi o ministro Flávio Dino, que, ao determinar o fim dos penduricalhos, encontrou o apoio de 72% da população.

OUTRAS INSTITUIÇÕES – Para não dizer que o STF está de mal a pior, existem as instituições avaliadas de maneira ainda mais negativa pela sociedade. Os governos estaduais, o Exército e as Forças Armadas e o Congresso. Por outro lado, para mostrar que o brasileiro não está para brincadeira e apresenta viés punitivista, a Polícia Federal, a Polícia Civil e a Polícia Militar são as instituições mais admiradas. Ou seja, o povo adora polícia, quem não gosta é intelectual (e, eventualmente, jornalistas).

Alexandre de Moraes ainda conserva algo de sua força com 37% de apoio. Não será nenhuma surpresa que o abono a Moraes coincida com o eleitorado de Lula. Afinal, Moraes é ainda o algoz de Bolsonaro – tornou-se uma espécie de ídolo da esquerda.

Mas Dias Toffoli está completamente na chuva, com avaliação positiva de apenas 9% da população. O penúltimo em popularidade, aliás, foi o opinioso Gilmar Mendes, com 20% de endosso. A depender da continuidade do caso Master, mais lágrimas vão rolar.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Excelente artigo, analisando uma pesquisa que está muito próxima à realidade dos fatos. Aliás, daqui para a frente o ministro André Mendonça vai dominar a cena. E já percebeu que, para ser amado pelo povo, basta cumprir a lei e fazer o que é certo, conforme é o lema da Tribuna da Internet. E não esqueçam: comprem muitas pipocas, porque o preço do milho vai aumentar, com a crise mundial. (C.N.)

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