Cargos comissionados avançam nos MPs e já superam concursados em parte dos estados

STF endurece contra “dribles” e mira nova farra dos supersalários no Judiciário

Charge do Jean Galvão (Folha)

Luísa Martins
Folha

Os ministros Alexandre de Moraes, Cristiano Zanin, Flávio Dino e Gilmar Mendes, do STF (Supremo Tribunal Federal), fizeram um novo alerta conjunto sobre o que consideram “drible” à decisão da corte que limitou os penduricalhos salariais. Entre as burlas está a reclassificação de comarcas como “de difícil acesso”, que costumam gerar uma indenização.

Os quatro despachos publicados na última sexta-feira (8), idênticos, também proíbem o recebimento de valores em mais de um contracheque. De acordo com interlocutores dos ministros Gilmar e Dino, um holerite para o salário e outro para as gratificações é uma prática considerada comum nas carreiras jurídicas, o que dificulta a devida transparência.

TRANSPARENTE E FIEL – “Ficam vedados pagamentos registrados em mais de um contracheque, e este único contracheque deve ser transparente e fiel ao efetivamente depositado nas contas bancárias dos integrantes do Poder Judiciário, do Ministério Público, da Advocacia Pública, da Defensoria Pública e dos Tribunais de Contas”, dizem as novas decisões.

Ficam proibidas também “as revisões, reclassificações ou reestruturações de comarcas, ofícios, unidades funcionais, cargos e funções”, o que inclui “benefícios assistenciais e de saúde”. Eles relembram que, no julgamento, ficou estabelecido que “as verbas indenizatórias submetem-se ao princípio da legalidade”.

CRIAÇÃO DE PENDURICALHOS – Como mostrou a Folha, 14 iniciativas em tribunais e Ministérios Públicos de ao menos oito estados regulamentaram ou discutem criar penduricalhos depois da decisão que limitou o pagamento de verbas extras. Entre os adicionais estão previstas gratificações por atuação em locais de difícil provimento.

Os ministros dizem que, desde o julgamento do tema pelo plenário da corte, em 25 de março, “não produzem efeitos nova classificação de comarcas como ‘de difícil provimento’, desdobramentos de ofícios, novas normas sobre plantões funcionais, gratificações de acúmulo, entre outros caminhos de drible ao cumprimento legal e respeitoso da decisão do STF”.

Segundo os magistrados, ficou definido que a atribuição para regulamentar as verbas indenizatórias é compartilhada apenas entre o CNJ (Conselho Nacional de Justiça) e o CNMP (Conselho Nacional do Ministério Público), não sendo viável a delegação dessa prerrogativa a quaisquer outros órgãos, inclusive tribunais superiores. “O modelo definido pelo Supremo busca impedir a reprodução de práticas fundadas em comparações remuneratórias entre órgãos distintos, com sucessivas pretensões de equiparação, incompatíveis com a responsabilidade fiscal e com o cumprimento uniforme das decisões desta corte”, dizem os ministros.

NOVA DELIBERAÇÃO – les afirmam que, quando estiverem concluídas todas as adaptações e revisões determinadas pelo STF, “haverá nova deliberação sobre reestruturações, reclassificações e similares”. O recado final é de que “tudo deve ser adequadamente publicado nos Portais de Transparência, sob pena de responsabilidade”.

Um alerta já havia sido feito na quarta (6), quando Moraes, Zanin, Dino e Gilmar declararam que estão “absolutamente vedados” a criação e o pagamento de penduricalhos que não estejam autorizados pela tese da corte sobre supersalários.

Na decisão de março, o STF autorizou o pagamento de valores acima do teto constitucional até que o Congresso Nacional aprove uma legislação sobre o tema, mas estabelece um limite que até então não existia. O teto constitucional segue como R$ 46.366, mas os adicionais podem superar esse valor, a depender do caso.

LIMITE -A tese do Supremo estabeleceu que as verbas indenizatórias no Judiciário e no Ministério Público deverão ser submetidas a um limite de 70% do salário dos servidores. O julgamento do tribunal sobre supersalários ocorreu em meio a uma crise de imagem do STF, alavancada pelas controvérsias na investigação do caso do Banco Master.

A criação de um código de ética passou a ser defendida pelo presidente do STF, Edson Fachin, sob relatoria da ministra Cármen Lúcia. Mas há resistência interna de parte de ministros. Em abril, Fachin assinou uma resolução conjunta do CNJ que visava regulamentar os penduricalhos conforme a decisão do Supremo, mas que, na prática, abriu brecha para também criar outros tipos de benefícios. A resolução foi na contramão da decisão do STF.

TSE arma cerco jurídico contra milícias e testa limites da democracia eleitoral

PT teme vazamentos políticos caso delação de Daniel Vorcaro seja rejeitada pela PGR

Flávio Bolsonaro fala em governo de até oito anos e recua após repercussão

Relatório conclui que JK foi morto pelo regime militar, e não vítima de acidente

Vorcaro será destruído pelas delações de seu cunhado e do ex-presidente do BRB

charge de Thiago Lucas (@thiagochargista), para o Jornal do Commercio. # vorcaro #danielvorcaro #bancomaster #toffoli #stf #chargejc  #chargejornaldocommercio #chargethiagojc #chargethiagolucas  #chargethiagolucasjc *digital

Charge do Thiago Lucas (Jornal do Commercio)

Roberto Nascimento

Daniel Vorcaro é um mafioso, um homem perigoso, e sua tática da delação premiada é uma farsa, um engodo para ganhar tempo, enquanto aguarda um socorro tipo VAR, vindo daquelas personalidades a que Vorcaro pagou para ter proteção, e uma delas é o atual alvo da PF, o senador Ciro Nogueira (PP-PI), investigado por participação na rede de Vorcaro.

Vorcaro jamais incluirá Ciro, Alcolumbre e Arthur Lira na sua delação. Ministros togados, nem pensar, fora de cogitação, porque se o fizer o mundo vai cair sob seus pés. Está mais do que claro que só bagrinhos vão aparecer na lista do banqueiro fraudador: Cláudio Castro, Ibaneis Rocha, Celina Leão, Paulo Roberto Costa e outros menos votados.

GANHAR TEMPO – Tudo isso e inútil e só funciona para ganhar tempo. Não há salvação para Vorcaro, porque o ex-presidente do Banco Regional de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa, vai fazer delação e acaba de ser transferido para uma prisão mais confortável, a chamada Papudinha. Além disso, o próprio cunhado e operador, Fernando Zettel, também se ofereceu para delatar.

Portanto, se continuar mitigando a delação, provavelmente Vorcaro terá que voltar para a prisão na Papuda, o pior dos mundos para ele, porque o quadro se agravou com a descoberta de suas ligações com o presidente do PP, senador Ciro Nogueira.

Meses atrás, respondendo a repórter da CNN sobre seu envolvimento com Vorcaro, Ciro fez um desafio: ” Se encontraram algum ilícito meu envolvendo o Banco Master, renunciarei ao meu mandato”.

NOGUEIRA NA PIOR – Com certeza, essa promessa do senador Ciro Nogueira foi parar no brejo. Ele se comportava como dono do Partido Progressista e foi quem indicou o corrupto Paulo Henrique Costa para a presidência do BRB. Como se sabe, o governador Ibaneis Rocha, do MDB, aceitou o pedido do amigo do Centrão, e  se gritar pega ladrão, não fica um, meu irmão, nas palavras do general Augusto Heleno.

A atual governadora de Brasília, Celina Leão, do PP, é muito grata a Ciro Nogueira, de quem se considera afilhada, porque entrou na chapa de Ibaneis atendendo a um pedido dele. Agora, Celina Leão está em pânico.

Brasília é uma cidade de muro baixo, isso significa que nada escapa aos fofoqueiros de plantão. As narrativas começam a pipocar, porque os advogados dos envolvidos já falam em perseguição política e Ilações tiradas fora de contexto. Mas é tudo um jogo de cartas marcadas. Se Vorcaro não fizer a delação correta, entregando seus protetores nos três Poderes, vai se dar mal, porque as delações de Paulo Henrique Costa e Fernando Zettel serão suficientes para deixá-lo envelhecer na cadeia.

Há quase 70 anos, uma canção se tornava um verdadeiro Hino do Dia das Mães

Ângela Maria: Disco De Ouro – Música Brasileira

Ângela Maria cravou esta canção em 1956

Paulo Peres
Poemas & Canções

O jornalista, escritor e letrista David Nasser (1917-1980), nascido em Jaú (SP), é autor de diversos clássicos do nosso cancioneiro popular, entre os quais “Mamãe” em parceria com Herivelto Martins, a canção que passou a ser considerada como o hino do Dia das Mães. A música foi gravada por Ângela Maria, em 1956, pela Copacabana.

MAMÃE
Herivelto Martins e David Nasser

Ela é a dona de tudo
Ela é a rainha do lar
Ela vale mais para mim
Que o céu, que a terra, que o mar

Ela é a palavra mais linda
Que um dia o poeta escreveu
Ela é o tesouro que o pobre
Das mãos do Senhor recebeu

Mamãe, mamãe, mamãe
Tu és a razão dos meus dias
Tu és feita de amor e de esperança
Ai, ai, ai, mamãe
Eu cresci, o caminho perdi
Volto a ti e me sinto criança

Mamãe, mamãe, mamãe
Eu te lembro o chinelo na mão
O avental todo sujo de ovo
Se eu pudesse
Eu queria, outra vez, mamãe
Começar tudo, tudo de novo

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O advogado, jornalista, analista jurídico do Tribunal de Justiça do RJ, letrista e poeta Paulo Peres, também se inspirou nessa data tão importante para  todos.

DIA DA MÃES
Paulo Peres

Entre a razão e a emoção
existe um ponto de interrogação
chamado Humana Renovação:
ventre bendito – coração MÃE, 
obra suprema do Criador.

MÃE, 
neste dia dedicado a VOCÊ, 
quero parabenizá-la e pedir-lhe
que continue a ser esta
MÃE MARAVILHOSA

STF chega a sete meses desfalcado, com dez ministros e risco de impasses em casos sensíveis

Senado impõe sigilo sobre entradas de nomes ligados ao escândalo do Banco Master

Entre escândalos, eleições e guerras: a política sob pressão no Brasil e no mundo

Flávio tenta diminuir proximidade com Ciro Nogueira

Pedro do Coutto

A política raramente oferece terreno firme. Em períodos eleitorais, então, alianças mudam rapidamente, antigos parceiros se tornam pesos incômodos e fatos inesperados podem alterar estratégias cuidadosamente planejadas. O cenário atual brasileiro parece confirmar essa lógica de maneira contundente. A movimentação do senador Flávio Bolsonaro, apontado como possível presidenciável do PL para 2026, revela exatamente esse ambiente de instabilidade.

Nos bastidores de Brasília, tornou-se perceptível um esforço para reduzir a proximidade política com o senador Ciro Nogueira, presidente nacional do Progressistas. O motivo é evidente: as investigações envolvendo operações financeiras ligadas ao Banco Master e suspeitas levantadas pela Polícia Federal criaram um ambiente tóxico para qualquer projeto eleitoral que dependa do discurso anticorrupção.

DESGASTE MORAL – Na política moderna, sobretudo em tempos de redes sociais e exposição permanente, desgaste moral produz efeitos imediatos. Não importa apenas a existência de culpa comprovada ou condenação judicial. A percepção pública passou a ter peso devastador. Quando um aliado estratégico se transforma em personagem frequente de manchetes negativas, o custo político se torna elevado demais.

É justamente esse cálculo que parece orientar setores do bolsonarismo neste momento. Durante anos, Ciro Nogueira foi peça importante na sustentação política do governo de Jair Bolsonaro. Experiente articulador do Centrão, ajudou a construir pontes institucionais fundamentais para a sobrevivência do governo no Congresso.

Entretanto, em um ambiente eleitoral polarizado, qualquer associação com suspeitas de corrupção pode corroer narrativas construídas com dificuldade ao longo dos últimos anos. O bolsonarismo sabe que sua força eleitoral depende, em grande medida, da preservação de uma imagem ligada à defesa da moralidade pública e do combate aos privilégios do sistema político tradicional. Quando aparecem investigações envolvendo personagens centrais desse campo político, abre-se uma fissura delicada na narrativa.

REFLEXOS – A oposição certamente explorará esse desgaste nas eleições de outubro. E não apenas por razões eleitorais naturais, mas porque a corrupção continua sendo um tema altamente sensível para o eleitor brasileiro. Escândalos financeiros produzem indignação transversal, atingindo desde eleitores conservadores até setores mais moderados da sociedade.

Enquanto isso, o presidente Lula da Silva tenta ocupar outro espaço político: o da projeção internacional. O recente encontro com Donald Trump na Casa Branca teve forte simbolismo diplomático e repercussão global. Para Lula, a reunião serviu como demonstração de relevância internacional em um momento de instabilidade geopolítica crescente. Para Trump, o encontro também representou oportunidade estratégica em meio às tensões internacionais que cercam sua política externa.

Mas o contexto americano é extremamente delicado. O avanço da crise envolvendo o Irã e o risco de ampliação do conflito no Oriente Médio começam a produzir impactos internos nos Estados Unidos, especialmente no aumento do preço dos combustíveis e na insegurança econômica. Em sociedades altamente dependentes de energia, guerras externas rapidamente se transformam em problemas domésticos.

TRAUMA DO VIETNÃ – Além disso, existe um fator emocional profundo na memória coletiva americana: o trauma do Vietnã. A simples possibilidade de um envolvimento militar mais amplo desperta temores históricos em parte significativa da população. Famílias americanas ainda associam guerras prolongadas a perdas humanas, desgaste político e erosão da imagem internacional dos Estados Unidos.

A lembrança da derrota no Vietnã permanece viva justamente porque simboliza os limites do poder militar diante de conflitos complexos e prolongados. O receio atual é que o Oriente Médio se transforme novamente em um cenário de desgaste contínuo, capaz de consumir recursos financeiros gigantescos e produzir consequências imprevisíveis.

Nesse contexto, o Estreito de Ormuz talvez represente hoje um dos pontos mais sensíveis do planeta. Qualquer instabilidade naquela região pode comprometer o fluxo mundial de petróleo e provocar impactos econômicos em escala global. Não se trata apenas de um conflito regional entre Irã e Israel, mas de uma disputa com potencial de envolver grandes potências e alterar o equilíbrio internacional.

ATORES – Ao redor desse tabuleiro estão atores explosivos: Estados Unidos, Israel, Hezbollah, além da permanente tensão envolvendo a Coreia do Norte. Qualquer erro de cálculo pode ampliar dramaticamente o conflito.

No fim das contas, política e guerra continuam ligadas por uma lógica brutal de poder. A diferença é que, na democracia, a disputa deveria ocorrer sem destruição física, sem mortes e sem cidades arrasadas. Quando conflitos escapam do campo político e se transformam em confrontos armados, o custo humano se torna irreparável.

TURBULÊNCIAS – O Brasil observa esse cenário em meio às suas próprias turbulências internas. De um lado, disputas judiciais e escândalos políticos moldam o ambiente eleitoral. De outro, crises internacionais ameaçam impactar diretamente a economia, os combustíveis e a estabilidade global.

Num tempo marcado por polarização, investigações, guerras e incertezas econômicas, a única certeza parece ser a imprevisibilidade. E talvez seja justamente essa a essência mais permanente da política: a capacidade de surpreender até aqueles que acreditam controlar o jogo.

Derrota do “sistema de poder” precisa ser reconhecida pelo próprio Supremo

Esta é a charge de Claudio Mor (@mortoon_oficial) publicada em todas as plataformas da Folha. Quer ver mais charges no jornal? Acesse folha.com/ charges #PraTodosVerem: Charge de Claudio Mor publicada na Folha em

Charge reproduzida do Arquivo Google

Fernando Schüler
Estadão

“Foi a vitória da baixa política”, leio em um artigo, sobre a rejeição de Messias, para o STF. Achei curioso. Quem sabe a “alta política” teria sido repetir a crônica de 130 anos de “carimbos”, por parte do Senado, às indicações para o Supremo, vindas do executivo. Em outra notícia, leio que um grupo de “juristas” cogitava recorrer ao Supremo por “desvio de finalidade”. Achei graça, naquilo, mas me pareceu plausível.

Desvio de finalidade já justificou impedir Lula de assumir um ministério, no governo Dilma. E um ex-presidente conceder um indulto para um deputado condenado por “delito de opinião”. Isso e um bocado de esquisitices. Em um País que se especializou em relativizar direitos e reescrever a lei, a partir do próprio judiciário, não me surpreenderia com mais esta bizarrice.

GRANDE NOVIDADE – A rejeição da indicação de Messias traz uma novidade em nossa história republicana: o Legislativo pode decidir com autonomia, na contramão do Executivo. Pode resistir ao peso da liberação de emendas e das posições no governo. Não há grande virtude, nisso. Há apenas instituições cumprindo o seu papel. Exercendo poder, funcionando dentro da regra.

Como disse o próprio Messias, em sua fala sóbria e ponderada, depois do resultado, há dias de vitória e há dias de derrota. Talvez tenhamos esquecido disso, nos últimos 130 anos de mando do governo sobre o parlamento. E é positivo para nossa república que todos saibam que as coisas possam seguir um rumo diferente.

A rejeição de Messias sugere um outro aspecto: é a derrota de um perfil de indicações, para o Supremo. De um político experiente escutei a frase síntese: o Supremo não é assessoria da presidência.

Depois de indicar seu advogado pessoal e um correligionário político, Lula tentou emplacar alguém cuja carreira foi essencialmente produzida pela fidelidade ao partido e a seus governos. Nenhum problema com isso. Pode ser uma ótima carreira.

Mas inadequada a uma Suprema Corte, cuja virtude essencial é precisamente a independência e a imparcialidade, não o alinhamento político. É a fidelidade à lei e à Constituição, e não a uma fé, a um governo ou ideologia.

CASO DE HOMOFOBIA – Por fim, há o tema existencial brasileiro. Na última semana, a PGR arquivou uma ação por homofobia contra um ministro do Supremo. E o fez porque considerou a fala (reconhecida como homofóbica pelo próprio ministro), como sem maior relevância. E porque ele havia se desculpado, depois.

Curioso, isso. Significa que, a partir de agora, se alguém fizer uma fala homofóbica ou racista, e no dia seguinte pedir desculpas, estará tudo bem? Ou vale só neste caso? Ou não somos exatamente iguais, perante a lei? Ou quem sabe a lei, criada pelo próprio Supremo, é só de brincadeirinha, aplicada segundo a “interpretação” do momento?

O que temos aí é uma minúscula cereja do bolo. O fato é que o estado de direito foi quebrado, no Brasil, exatamente porque fomos cedendo, ao longo do tempo, a uma estranha hierarquia: a interpretação à frente do texto. A norma aplicada segundo a cor, a posição, o “lado”, o contexto.

FORO ERRADO – É o mesmo caso com a imunidade parlamentar. O que faz um deputado processado, por denunciar um caso de abuso de poder da tribuna da Câmara? O que faz um pastor, sem foro, convertido em réu no Supremo, por chamar um punhado de autoridades de “covardes”. E o que faz uma Advocacia Geral da União mandando uma carta a uma jornalista para que apague um tuite com uma crítica a um projeto de lei em discussão, no Congresso?

Se observarmos com algum cuidado, é este o mesmíssimo significado da aprovação final da “dosimetria”, no Congresso. Ou alguém acha que há amparo legal para condenar aquele senhor de 70 anos, do interior de Santa Catarina, a 14 anos de prisão, por um Pix de 500 reais? Ou acha bacana atirar pela janela o princípio da instância devida, julgando pessoas sem Foro no Supremo, sem direito a recurso, à revelia de tudo que reza nosso estado de direito?

O fato é que a tudo isso fomos assistindo um tanto quanto “bestializados”, nos anos recentes. E agora houve uma reação. Uma derrota não do governo, mas de um sistema de poder. De um modo de lidar com os direitos e garantias individuais, no Brasil.

A melhor resposta que o Supremo pode dar a esta reação é encerrar os “inquéritos” e retomar a normalidade institucional, no País. Retomar a vigência da regra do jogo, que todos decidimos, e da qual jamais deveríamos ter nos afastado, neste triste Brasil dos últimos anos.

Documentos da ditadura expõem ligação internacional com práticas de tortura no Brasil

Advogados de Bolsonaro decidem seguir a linha de defesa que a Tribuna sugeriu

Marcelo Bessa entra na chapa de Vevé nas eleições da OAB-DF

Marcelo Bessa utiliza os argumentos sugeridos pela Tribuna

Carlos Newton

Cinco meses depois de a Tribuna da Internet ter revelado erros processuais e jurídicos do relator Alexandre de Moraes, ao negar seguimento aos embargos infringentes e declarar concluído o processo contra Jair Bolsonaro quando ainda havia direito a recurso, seus novos advogados enfim seguem o caminho judicial que sugerimos e nesta sexta-feira, dia 8,  apresentaram o derradeiro recurso ao Supremo para anular os 27 anos de prisão pela trama golpista.

Conforme a Tribuna noticiou em dezembro, com absoluta exclusividade, os advogados precisavam explorar os abusos do relator Moraes, mas somente agora eles decidiram alegar que o julgamento na Primeira Turma foi irregular e estão pedindo novo relator no caso, solicitação que deveria ter feita naquela época pelos advogados anteriores, mas dormiram no ponto, por desconhecerem o Regimento do Supremo.

REVISÃO CRIMINAL – No recurso de revisão criminal, agora apresentado ao ministro Edson Fachin, presidente do Supremo Tribunal Federal, a defesa de Bolsonaro enfim pede que a condenação seja anulada.

Os novos advogados, Marcelo Bessa e Thiago Lôbo Fleury, que atuam nos tribunais superiores em Brasília, alegam que o julgamento na Primeira Turma foi irregular, exibindo suas justificativas num documento de 90 páginas, em que pedem a absolvição de Bolsonaro dos crimes contra o Estado Democrático de Direito etc.

No requerimento em que solicitam a abertura da revisão criminal, os advogados seguem o que foi sugerido pela Tribuna da Internet e pedem que um novo relator seja sorteado na Segunda Turma para garantir a imparcialidade, na forma prevista no Regimento do Supremo (art. 76).

DEFESA ERROU – Todos esses detalhes jurídicos foram explicados detalhadamente na época pela Tribuna da Internet, mas os três advogados famosos que então defendiam Bolsonaro (Sanchez Vilardi, Paulo Amador da Cunha Bueno e Daniel Bettamio Tesser), considerados sumidades em Direito Penal, simplesmente não se deram ao trabalho de estudar o Regimento do STF, que tem mais de 500 dispositivos.

Se dominassem o assunto, não teriam se equivocado, ao encaminhar agravo regimental ao próprio relator Alexandre de Moraes, como se ele fosse isento o suficiente para admitir os erros cometidos.

Esse agravo, na forma do Regimento, deveria ser encaminhado ao presidente do Supremo para sortear novo relator entre os membros da Segunda Turma – no caso, André Mendonça, Nunes Marques, Luiz Fux e Dias Toffoli, pois Gilmar Mendes é presidente da Turma e não pode relatar.

ENRIQUECIMENTO ILÍCITO – Em Brasília, comenta-se que esses três famosos advogados paulistas teriam recebido cerca de R$ 16 milhões para defender o ex-presidente. A ser verdadeira tal informação, Bolsonaro deveria processá-los por enriquecimento ilícito, pois os erros deles causaram sua condenação e prisão.  

Os criminalistas simplesmente mostraram desconhecer os artigos 335 e 76, que fundamentam a prática processual. Ao invés de enviar o agravo regimental a Fachin, encaminharam a Moraes, que já nem era mais relator, porém imediatamente meteu a caneta e declarou encerrado o processo. Ninguém protestou, à época. Apenas a Tribuna da Internet apontou o erro, com base no artigo 76.

Agora, com abertura de um novo processo sem Moraes como relator, os novos advogados pedem a anulação do acordo de delação premiada do tenente-coronel Mauro Cid, bem como de todas as provas derivadas dessa delação. Os advogados alegam ainda cerceamento de defesa ao longo do processo, fato que realmente ocorreu.

ABSOLVIÇÃO – Com base nos erros de Moraes, a defesa de Bolsonaro requer a absolvição completa do ex-presidente de todos os crimes imputados a ele – liderança de organização criminosa armada, golpe de Estado, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, danos contra o patrimônio da União e deterioração de patrimônio tombado.

Na forma da lei, os advogados também pedem que a Procuradoria-Geral da República se manifeste sobre o caso, assinalando: “O fundamento dessa ação é a reparação do erro judiciário, para que a jurisdição penal volte a atuar segundo os postulados da justiça”.

Agora, a revisão depende de Fachin, que não tem fundamentos jurídicos para rejeitá-la. A não ser que exercite novamente a criatividade demonstrada em 2021, quando limpou a ficha suja de Lula da Silva, alegando que o processo dele, julgado por unanimidade em três instâncias, teria se originado na Vara errada. Aliás, era tão errada que na hora os ministros do Supremo nem souberam dizer qual teria sido a Vara certa…

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P.S. 1
É tudo verdade, diria Orson Welles, tomando uma caipirinha com Grande Otelo no Copacabana Palace, em meio às filmagens de seu documentário sobre o Brasil. Realmente, os ilustres ministros cancelaram as condenações de Lula sem saber em que Vara ele deveria ter sido julgado. Tiveram de se reunir novamente, no dia seguinte, para escolher entre São Paulo e Brasília, vejam a que ponto chega a desfaçatez desses juristas, no manuseio das leis que teriam sido feitas para todos. 

P.S. 2 – O assunto é apaixonante. Voltaremos a ele amanhã, com novas informações absolutamente exclusivas, é claro. (C.N.)

Apenas um dia para homenagear as mães é pouco, muito pouco mesmo…

Mulher, mãe, TAE e de luta - SINTUFCE | Sindicato dos Trabalhadores das Universidades Federais no Estado do Ceará

Nada substitui o amor de mãe e nada consegue destruí-lo

Vicente Limongi Netto

Mãe é a semente divina germinando vidas. O porta-retrato da ternura. É o frescor cativante da solidariedade e do amor. Mãe é o acolhimento diário dos bons exemplos e da bondade. Mãe é aquela que reflete a alma amorosa e o carinho infinito. É a energia forjando o caráter.

Mãe é a protetora nos obstáculos. Mãe é quem alimenta esperanças e otimismo. É ela que abranda o coração nas aflições. Mãe é quem deixa de comer para dar aos filhos. Mãe não dorme enquanto o filho não chega.  É a sensatez fortalecendo atitudes. Mãe é a fortaleza que navega no espírito do filho. Mãe é o porto seguro da dignidade.

Operação contra Ciro Nogueira é vista no Senado como recado do Planalto

Senadores interpretaram como resposta à derrota de Messias

Deu na CNN

Uma ala do Senado Federal interpretou a operação policial contra Ciro Nogueira como um recado do Palácio do Planalto, especialmente após a derrota na tentativa de aprovar Jorge Messias para o STF (Supremo Tribunal Federal).

A avaliação é da analista de política Larissa Rodrigues ao Bastidores CNN, que acompanha a relação entre o Legislativo e o Executivo. O cenário de tensão se intensificou após Davi Alcolumbre afirmar que “não tem o que esperar do governo”, sinalizando o grau de deterioração dessa relação política.

CHAMADO DE ATENÇÃO – Segundo Larissa Rodrigues, o entorno de Ciro Nogueira também enxergou a operação como um chamado de atenção direcionado ao próprio Alcolumbre. Nos últimos meses, Ciro Nogueira havia adotado uma postura mais discreta.

Larissa Rodrigues destacou que, desde o escândalo envolvendo o caso Master, o senador passou a evitar posicionamentos públicos e declarações à imprensa. Apesar de ter sido um dos principais críticos ao governo Lula durante o chamado governo Lula III, Ciro Nogueira diminuiu o tom em 2026 — movimento atribuído tanto ao escândalo quanto ao cenário eleitoral. Ainda assim, essa mudança de postura não representou qualquer sinalização de aproximação com o Palácio do Planalto.

COLIGAÇÕES – A analista também ressaltou que o senador havia deixado para os estados a definição sobre eventuais coligações, dado que o PP, por ser um partido de centro, pode estabelecer alianças com o PT ou partidos de esquerda em diferentes regiões do Brasil. O senador, por sua vez, segue afirmando ser inocente, embora já houvesse a expectativa de que as investigações avançassem até ele, em razão da relação de proximidade com Vorcaro.

De acordo com Larissa Rodrigues, fontes indicaram que a Polícia Federal chegou a pedir ao STF autorização para realizar buscas e apreensões dentro do gabinete de Ciro Nogueira, no Senado Federal. No entanto, essa autorização não foi concedida. O advogado do senador, identificado como Kakay, classificou a operação como respeitosa, destacando que não houve grande exposição midiática na condução das diligências.

No entorno de Davi Alcolumbre, a percepção é de que a operação foi necessária e não visou diretamente o Senado Federal. A analista informou que Alcolumbre não pretende se envolver no assunto, ao menos por enquanto, e que a questão envolvendo Ciro Nogueira não complicaria ainda mais a relação entre o presidente do Senado e o Planalto. “Não vai complicar mais, porque já é uma relação muito complicada”, afirmou Larissa Rodrigues. Diante desse contexto, a tendência, segundo a analista, é de que o governo Lula intensifique as críticas a Ciro Nogueira nos próximos dias.

André Mendonça avalia destino de Vorcaro entre prisão domiciliar e retorno à Papuda

PF amplia cerco no BRB e inclui envolvidos em negócios bilionários com Master

Ciro Nogueira acha que perdeu a honra (que jamais teve) e está correndo atrás

09/05/2026 - Cláudio de Oliveira | Folha

Charge do Cláudio de Oliveira (Folha)

Vicente Limongi Netto

O presidente do PP, senador Ciro Nogueira, está aflito. Perdeu a honra. Um sentimento sensível que ajuda a pulsar o coração. Ciro pede ajuda das pessoas caridosas. A honra do senador é sensível. Costuma ser agressiva com desconhecidos. Mas com boa lábia ela cede e aceita tudo de bom que as maravilhas do mundo oferecem.
Ciro precisa muito da bendita honra para entregar ao advogado Antonio Carlos Castro, o Kakay. Outro homem bom. Sempre ajudando as pessoas abonadas. Kakay é sabido. Costuma transformar meliantes engomados em anjos prontos para serem canonizados pelo Vaticano.
CORRENDO ATRÁS – O senador montou um poderoso esquema entre amigos do peito para correr atrás da preciosa honra. Pediu ajuda ao senador Davi Alcolumbre, que também costuma perder e esquecer a honra em ministérios e poderosos palácios.
Com o habitual sorriso falso de hiena,  Alcolumbre prometeu fazer de tudo para acabar com a depressão do colega Ciro Nogueira. Vai acionar o FBI,  a Polinter, a Policia Rodoviária Federal e o Mossad (Polícia Secreta de Israel).
Amigos chegados do Piauí, terra de Ciro, sugerem que procure a honra nos guichês dos achados e perdidos. Outra boa opção é recorrer à exigente e respeitada Anvisa, onde poderá obter remédios caros e aprovados pela saúde publica com bastante dosagens de honra.
CAMISA DA SELEÇÃO – Em Teresina, o rico senador mandou afixar em vias públicas:  “Quem achar minha honra ganhará camisa da seleção brasileira autografada pelo amigão Daniel Vorcaro”.
Boas e desinteressadas amizades valem mais do que cartões de crédito, hotéis caros e viagens internacionais.

Moraes suspende a Lei da Dosimetria e provoca mais uma crise com o Congresso