Baixa aprovação do governo torna bastante improvável a reeleição de Jair Bolsonaro

Charge do Aroeira (Arquivo do Google)

Pedro do Coutto

Pesquisa do Ipec, instituto de Carlos Augusto Montenegro e Márcia Cavallari, do antigo Ibope, revela com base na experiência deixada pelas eleições de 2018, que a aprovação baixa de candidatos, tanto aos governos estaduais, quanto à Presidência da República, tornam improváveis as suas reeleições.

Estão alinhados os ex-governadores Amazonino Mendes, Cida Borghetti, Ivo Sartori, José Eliton, Pedro Taques, Márcio França, Fernando Pimentel, Rodrigo Rollemberg, Robinson Faria e Sueli Campos. No momento, os governadores que assumiram em 2019, entre eles Renan Filho, Camilo Santana, Rui Costa, Ronaldo Azambuja, Flávio Dino e Wellington Dias, mantiveram aceitação alcançando índices contidos no desempenho de suas campanhas.

LULA NA FRENTE – Os exemplos, portanto, estendem-se a Jair Bolsonaro,  cuja aprovação no momento encontra-se na escala de 25%, que é também o número dos que votariam nele nas urnas de 2022. Mas Lula alcança 46%, deixando também para trás Ciro Gomes com 8 pontos. Estes três números foram revelados pelo Datafolha.

O tradicional Ibope foi adquirido pela empresa internacional Kantar, especializada em medir audiências na televisão e no rádio. A transferência de controle do Ibope foi concretizada há quase dois anos e até agora não vi publicada nenhuma pesquisa da Kantar.

É possível que tais pesquisas possam não ser públicas, mas, de qualquer forma, como é tradicional, vazariam informações. Mas este é outro assunto. Aliás, como dizia meu saudoso amigo Paulo Montenegro, “a única pesquisa que pode ter prognóstico conferido na prática é o levantamento eleitoral. Nenhuma outra”.

CONFERÊNCIA – Sabemos que a TV Globo lidera amplamente a audiência na televisão e tenho a impressão que a GloboNews ocupa o primeiro lugar nos cabos políticos por assinatura. Mas ninguém tem como conferir,  a menos que as emissoras se disponham a tornar público os dados. Porém, os resultados eleitorais são facilmente conferidos pela população.

As perspectivas não são boas para Jair Bolsonaro em 2022, sobretudo porque pegou mal a sua ameaça de não realizar eleições caso o Congresso não reimplante o voto impresso, o que seria um absurdo.

PAULO GUEDES –  Reportagem de Thiago Resende, Folha de S. Paulo, revela que o ministro Paulo Guedes e sua equipe no Ministério da Economia desejam que o Trabalho e Previdência Social, que passam a integrar a pasta comandada por Onyx Lorenzoni, possam retornar para as mãos de Guedes em abril de 2022 quando Lorenzoni poderá sair do cargo para disputar as eleições para a Câmara Federal. Um sonho em uma noite de inverno.

O Ministério do Trabalho e Previdência Social jamais voltarão a ser como antes após o desastre que lhe foi imposto pela administração de Paulo Guedes. É muita ingenuidade dos diplomados pelas universidades  de Harvard e Chicago acreditarem em tal hipótese. Na realidade, é possível até que Lorenzoni prefira jogar o seu destino na reeleição de Bolsonaro do que deixar o cargo para buscar o retorno incerto para a Câmara Federal.

NASCE UMA ESTRELA – Rayssa Leal, 13 anos de idade, em plena entrada na adolescência, conquistou a medalha de prata do skate feminino na Olimpíada de Tóquio. Só foi batida por uma grande veterana japonesa.

Rayssa é um exemplo para as novas gerações, para todos os atletas que vierem, após os atuais heróis da história dos jogos. Glória eterna a Rayssa Leal. Ficará para sempre na história olímpica universal.

FUTEBOL SE GANHA NO CAMPO – Sustentei essa realidade no artigo que publiquei no domingo, focalizando a luta do amanhecer no futebol da Olimpíada. A previsão que adoto sempre com cautela se confirmou; o Brasil empatou em 0 x 0 com a Costa do Marfim no Estádio Internacional de Yokohama, no Japão, neste fim de semana. Tivemos mais chances de vencer, apesar da rigorosa expulsão de Douglas ainda na metade do primeiro tempo. Cometeu uma falta grave segurando o adversário pela camisa e o derrubando.

Mas não havia cartão amarelo anterior e o juiz foi rigoroso demais, apesar de não estar errado. Mesmo assim, dominamos bem o segundo tempo e por pelo menos três vezes estivemos a um passo da vitória. Mas ela não veio. Futebol é assim.

FASCÍNIO – Devo lembrar  que na transmissão pela TV Globo, Galvão Bueno lembrou que vários jogadores da Costa do Marfim atuam no futebol europeu. Dois atletas são titulares de um dos grandes times ingleses, no caso, o Manchester United.  Acordei às 5h para ver a partida. A bola rolando sempre me fascinou e me fascina.

Hoje, terça-feira, desperto na madrugada para não perder a seleção feminina brasileira contra a de Zâmbia. Com quatro pontos obtidos, a seleção deverá se classificar para as quartas de final. No futebol masculino, a mesma confiança em relação ao time de Jardine que tem Richarlison como grande astro. Falta somente a partida contra a Arábia Saudita amanhã, quarta-feira. Vamos torcer. Futebol só se ganha no campo e os confrontos só terminam com o apito do juiz.

Na poesia de Mário Quintana, a importância do “calor animal” apimentando o encontro com a amada

Com o tempo, não vamos ficando sozinhos apenas pelos que se foram, vamos ficando sozinhos uns dos outros.... Frase de Mario Quintana.Paulo Peres
Poemas & Canções

O tradutor, jornalista e poeta gaúcho Mário de Miranda Quintana (1906-1994), no poema “Bilhete com Endereço”, fala do querer, do amor e do desejo que ele quer daquela pessoa, ou seja, o calor animal dela.

BILHETE COM ENDEREÇO
Mário Quintana

Mas onde já se ouviu falar
Num amor à distância,
Num tele-amor?!
Num amor de longe…
Eu sonho é um amor pertinho
Um amor juntinho…
E, depois,
Esse calor humano é uma coisa
Que todos – até os executivos – têm.
É algo que acaba se perdendo no ar,
No vento
No frio que agora faz…
Escuta!
O que eu quero,
O que eu amo,
O que desejo em ti,
É o teu calor animal!

Militares aliados a Bolsonaro deviam seguir o exemplo do general americano Mark Milley

Mark Milley e Donald Trump

Quando Trump ameaçou a democracia, foi logo enquadrado

Dorrit Harazim
O Globo

O marxista alemão Bertolt Brecht, que usou o teatro para tentar transformar o mundo, também produziu uma série de poemas esperançosos e atípicos para a época. Foi na terceira década do século XX —naquele entreguerras em que os intelectuais e poetas chafurdavam na desilusão, e o militarismo das nações cavalgava para novos confrontos — que Brecht escreveu seu mais célebre poema, dirigido a oficiais:

O vosso tanque, general, é um carro-forte/ Derruba uma floresta, esmaga cem/ Homens/ Mas tem um defeito/ —Precisa de um motorista./ O vosso bombardeiro, general/ É poderoso/ Voa mais depressa que a tempestade/ E transporta mais carga que um elefante/ Mas tem um defeito/ —Precisa de um piloto. / O homem, meu general, é muito útil/ Sabe voar, e sabe matar/ Mas tem um defeito/ —Sabe pensar.

PENSAR LIVRE – Esse chamamento à capacidade humana de um pensar livre não foi ouvido à época, e o mundo se encarniçou na Segunda Guerra Mundial. Algumas lições do conflito foram incorporadas à História, outras nem tanto. Ainda assim, aos trancos e barrancos, conseguiu-se chegar a 2021.

Oitenta anos depois de Brecht, o cenário global vive novo período de negativismo moral (não confundir com negacionismo): o planeta Terra está literalmente derretendo por obra de quem nele habita, a humanidade vive para não morrer na pandemia, a desigualdade entre pobres e ricos virou cancro explícito e obsceno, e as instituições que sustentam os regimes democráticos estão sob assalto por toda parte. Daí a atualidade da esperança brechtiana no homem e da necessidade de um engajamento coletivo. Pensar leva a agir. Só alertar já não basta.

BIDEN FALOU CLARO – Em discurso na Filadélfia, berço da democracia norte-americana, o presidente Joe Biden falou claro, dias atrás. “Estamos enfrentando a prova mais tormentosa à nossa democracia desde a Guerra Civil”, advertiu ele, referindo-se ao conflito interno do século XIX que fez mais de 600 mil mortos e deixou feridas nacionais não cicatrizadas até hoje.

“E não digo isso para alarmá-los. Digo isso porque vocês precisam ficar alarmados.” Motivos não faltam. Desde sua posse, em janeiro, o sucessor de Donald Trump não conseguiu impedir o cerceamento acelerado do direito ao voto no país.

Dados do Centro Brennan de Justiça, citados pelo jornal The Guardian, apontam que, só neste ano de 2021, 17 estados já aprovaram 28 leis que dificultam o ato de votar; 400 outros projetos de lei no mesmo sentido foram apresentados em legislaturas de 48 estados. No conjunto, essas mudanças tendem a afetar grupos eleitorais de tendência democrata (pobres, negros, jovens).

QUAL É O PLANO? -“Precisamos agir”, exortou Biden ao final. Soou bonito, mas oco. Ele ficou devendo seu próprio plano de ação para neutralizar a insidiosa alegação trumpista de que eleições são fraudulentas. Mais de 70% de seus eleitores negam até hoje o resultado das urnas que deu vitória ampla a Biden em 2020 — e voltarão a fazê-lo em 2024.

Este é o legado mais oneroso de Donald Trump ao país: ter conseguido achincalhar e minar a instituição do voto democrático. Jamais um ocupante da Casa Branca havia ameaçado rejeitar um resultado que lhe fosse desfavorável e se recusara a passar o poder.

O desarranjo institucional chegou a tamanha fervura que o chefe do Estado-Maior das Forças Armadas, general Mark Milley, teve de se posicionar diante da possibilidade de Trump querer recorrer a militares para ganhar na força.

DISSE O GENERAL – “Em caso de disputa sobre qualquer aspecto eleitoral, a lei ordena que as Cortes e o Congresso dos Estados Unidos, não os militares, resolvam essas questões. Não vejo qualquer papel para as Forças Armadas nesse processo. Eu, assim como todos os membros das Forças Armadas, prestamos o juramento de defender a Constituição dos Estados Unidos, respeitando as ordens legais da cadeia de comando”, testemunhou Miller por escrito. E assim foi.

Em países como a Austrália, a aproximação entre fardados e política é anátema. Numa entrevista coletiva que adquiriu notoriedade dois anos atrás, a maior autoridade militar do país, general Angus Campbell, comunicou ao então ministro da Defesa, Christopher Pyne, que todo o Alto-Comando presente se retiraria do evento quando o tema da entrevista focasse questões políticas. E assim foi.

OFENSAS À DEMOCRACIA – Recomenda-se aqui mais comedimento ao atirado ministro da Defesa, Walter Braga Netto; ao defenestrado da Casa Civil e empurrado para a Secretaria-Geral da Presidência, general Luiz Eduardo Ramos; ao vice-presidente topa-tudo, general Hamilton Mourão; ao showman chefe do Gabinete de Segurança Institucional, general Augusto Heleno; ao indiciado ex-ministro da Saúde, hoje abrigado no Gabinete de Segurança Institucional, general Eduardo Pazuello.

Leiam o artigo de Octavio Guedes “De Prestes a Brizola: por que generais bolsonaristas ofendem a democracia” e contentem-se com seus salários duplos pagos por nós.

Por ora, os únicos militares que o país quer aplaudir alto e saudar são os 91 atletas das Forças Armadas que compõem 30% do Time Brasil nos Jogos Olímpicos de Tóquio. Eles competirão em 21 das 46 modalidades. Na Rio2016, fizeram lindo: conquistaram 13 das 19 medalhas brasileiras, honrando o ótimo Programa Atletas de Alto Rendimento (PAAR) do Ministério da Defesa. Eles honram o uniforme que vestem. Vocês desonraram a patente que conquistaram. Leiam Brecht — o brasileiro também sabe pensar.

Mais do que errar, Bolsonaro repete o erro — o que mostra, infelizmente, que não erra por acaso

Charge do Nani (nanihumor.com)

J. R. Guzzo 
(
Gazeta do Povo)

O presidente Jair Bolsonaro, como se sabe desde que ele começou a assinar nomeações de peixes gordos para o seu governo, já mostrou com clareza que é muito ruim para escolher qualquer funcionário que tenha alguma coisa a ver com justiça. Mais do que errar, ele se tornou um especialista na arte de repetir o erro — o que mostra, infelizmente, que não erra por acaso.

O último chute no pau da barraca foi a renomeação do procurador-geral da República, Augusto Aras, para mais um período no cargo que vem tratando tão mal desde que foi nomeado a primeira vez.

A FAVOR DA CORRUPÇÃO – O problema desse Aras 2.0 não é, como se escandalizaram os crentes no estado de graça permanente do Ministério Público, o fato de não fazer parte da “lista tríplice” expedida pelos militantes sindicais do MP. O problema real está no fato de que Aras é, na data de hoje, um dos instrumentos mais eficientes para impedir o combate à corrupção que despacha dentro da máquina estatal brasileira.

Aras vem destruindo, em tudo o que faz, todo o trabalho do MP contra a ladroagem que chegou a extremos inéditos nos governos Lula-Dilma — os 13 anos e meio em que a politicalha e seus vários senhores mais roubaram na história do Brasil.

Para não alongar um assunto sobre o qual até as crianças com 10 anos de idade estão suficientemente informadas, o PGR que Bolsonaro agora nomeia de novo mandou acabar, sem o menor constrangimento, nada menos que a Operação Lava Jato — enfim desfeita, de forma oficial e com toda a papelada de praxe, em fevereiro último.

HERÓI DOS POLÍTICOS – Precisa dizer mais alguma coisa? O PGR de Bolsonaro, na verdade, é hoje o herói da classe política brasileira — não só de Lula e do PT, mas de todo político enrolado com o Código Penal que dá expediente entre o Oiapoque e o Chuí. Por isso mesmo, não vai se ver o senador Renan & cia. propondo nenhuma CPI para “investigar” Augusto Aras, ou dar um pio sobre o assunto.

“Precisamos estancar a sangria”, disse o ex-senador Romero Jucá, em momento realmente histórico da política brasileira, durante o governo Michel Temer. Pois foi isso, exatamente, que Aras fez: estancou a sangria.

Poucas vezes um mandarim da política de Brasília resumiu tão bem, como Jucá, os sentimentos verdadeiros dos seus pares. E poucas vezes um PGR fez com tanta perfeição o trabalho que os políticos brasileiros realmente esperavam dele.

TODOS FICAM QUIETINHOS – É por essa razão, e nenhuma outra, que os fugitivos da lei penal ficam tão quietinhos quando o assunto é PGR. Os mais excitados ativistas em favor da “democracia”, e contra o genocida de direita, jamais deram um pio neste assunto. O genocida, aí, vira um grande homem.

Aras piorou notavelmente o seu desastre ao congelar investigações sobre o filho do presidente e calar-se sobre as violências grosseiras que o STF fez em seu “inquérito contra os atos antidemocráticos” e as suas agressivas intervenções nas áreas de competência dos outros poderes.

Cala-se, consente e está mantido no cargo. “Governabilidade” deve ser isso aí.

Disputa pelos recursos do “orçamento secreto” provoca início de rebelião no PSL

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Já se esperava que o sistema de castas provocasse revolta

Mariana Carneiro
O Globo

“O que vocês estão fazendo é roubo. Mas vocês não estão me roubando, estão roubando o meu estado! Não vou admitir!”, gritava o deputado federal da Paraíba Julian Lemos, na última quarta-feira (21), na frente de mais de uma dezena de funcionários e parlamentares da liderança do PSL.

O alvo de sua revolta era o líder da sigla, Major Vitor Hugo (GO), responsável pela divisão do dinheiro das emendas do orçamento secreto entre os deputados do partido.

PRETERIDOS  – Julian Lemos tinha acabado de saber que Vitor Hugo havia feito pedidos de liberação de emendas para um grupo de deputados do partido que não o incluía. E ele não era o único preterido.

Na lista de WhatsApp do partido, já se ensaiava àquele momento uma pequena rebelião de parlamentares, à medida que iam descobrindo não terem sido contemplados na lista de emendas preparada pelo líder do PSL.

As emendas do orçamento secreto, que todo parlamentar disputa hoje nos bastidores, são diferentes das emendas regulares, a que todo deputado tem direito (neste ano, são de R$ 16 milhões por parlamentar) e que ficam registradas nos sistemas de empenho da União.

SEM CRITÉRIOS – Por essa modalidade de envio de recursos, o relator do Orçamento pode escolher para quem e para onde enviar o dinheiro sem ter que obedecer a uma cota fixa, nem explicar quais os critérios para o envio do recurso, nem dizer qual parlamentar é o dono daquela verba.

Assim fica mais difícil fiscalizar se o dinheiro está sendo bem aplicado ou se houve toma lá dá cá em troca de votos, por exemplo. O relator do Orçamento de 2021 é o senador Márcio Bittar (MDB-AC), mas segundo a sistemática estabelecida pela cúpula do Congresso, é Arthur Lira (PP-AL) quem comanda o dinheiro da Câmara.

Neste ano, Lira tem R$ 11 bilhões para distribuir entre os deputados. Outros R$ 5,8 bilhões vão para o Senado – e agora serão administrados por Ciro Nogueira (PP-PI) no ministério da Casa Civil.

SISTEMA DE CASTAS – Na Câmara, como revelamos na semana passada, Lira criou um sistema de castas para a divisão do dinheiro das emendas, que varia de acordo com o tamanho do partido e também conforme a importância de cada parlamentar.

Deputados da casta inferior têm direito a carimbar cerca de R$ 20 milhões, líderes R$ 80 milhões e chefes de partidos e bancadas mais fiéis a Lira chegam a ter direito a distribuir mais de R$ 100 milhões em emendas para suas bases.

Acontece que o sistema de Lira acabou deixando uma parte dos deputados de fora da divisão. E agora eles estão se digladiando com os líderes de suas siglas para serem contemplados.

CASTAS DO PSL – À frente do PSL, Vitor Hugo criou seu próprio sistema de castas – repartindo as emendas de acordo com suas próprias prioridades e de alguns poucos e selecionados aliados, em vez de dividir o dinheiro de forma mais ou menos equânime no partido.

Vitor Hugo guardou R$ 100 milhões só para ele. Para parlamentares mais fiéis, como o delegado Marcelo Freitas (PSL-MG), ele reservou R$ 50 milhões. Os mais distantes receberam R$ 10 milhões.

E houve quem não levasse nada  – Julian Lemos, que costuma ser fiel a Lira, mas tem diferenças com Vitor Hugo, foi um deles. Outro foi Júnior Bozella (PSL-SP), que costuma ser crítico a Jair Bolsonaro.

TAMBÉM NO PSC – E não foi só no PSL que a avidez de Vitor Hugo criou conflitos. Um dia antes da cobrança do deputado Julian Lemos, um deputado de outro partido, Glaustin da Fokus (PSC-GO) convocara uma reunião da bancada de Goiás para discutir um problema semelhante: Vitor Hugo estava enviando a prefeitos de sua região valores muito superiores ao que ele, Glaustin, era capaz de carimbar.

Segundo o relato de parlamentares goianos, Vitor Hugo estava enviando R$ 1 milhão para Corumbá de Goiás, cidade da base de Glaustin, enquanto o próprio Glaustin só conseguira uma cota de R$ 100 mil no orçamento secreto. A informação provocou apreensão na bancada de Goiás, uma vez que a disparidade em favor de Vitor Hugo poderia asfixiar as candidaturas de outros políticos no estado.

DESPISTANDO – Ao ser procurado para falar do assunto, o deputado Glaustin da Fokus despistou: “Não teve nada a ver com emendas extras. A confusão foi porque ele procurou prefeitos e visitou cidades entrando em espaços que são não dele”, disse.

Vitor Hugo não atendeu às nossas ligações, nem respondeu mensagens. A quem reclama da distribuição dos recursos, ele pede que enviasse uma lista de pedidos para avaliação. A briga, porém, acendeu um alerta no PSL.

Sem saber se podem mesmo confiar nas promessas de Vitor Hugo, um grupo de deputados agora pretende recorrer à “instância superior”. Levarão suas disputas ao próprio presidente da Câmara, para que ele as arbitre e encontre uma solução.

Jair Bolsonaro diz que Mourão ‘atrapalha’, mas é igual a cunhado, que ‘você tem que aturar’

Há meses, Bolsonaro mantém Mourão no congelador

Por G1 — Brasilia

O presidente Jair Bolsonaro afirmou nesta segunda-feira (26) que o vice-presidente Hamilton Mourão “por vezes atrapalha”, mas que vice-presidente é igual a “cunhado”, que “você casa e tem que aturar”. Bolsonaro deu a declaração ao conceder entrevista à rádio Arapuan (PB).

Durante a entrevista, o presidente foi questionado sobre como será a escolha para o candidato a vice-presidente em 2022. Respondeu, então, que a escolha por Mourão em 2018 foi “a toque de caixa”.

CARGO PARA AGREGAR – “O Mourão faz o teu trabalho. Ele tem um independência muito grande, por vezes atrapalha um pouco a gente, mas o vice é igual cunhado: você casa e tem que aturar o cunhado do teu lado. Você não pode mandar o cunhado ir embora. Então, estamos com o Mourão sem grandes problemas, mas o cargo dele é muito importante para agregar. Dele, não, o cargo de vice é muito importante para agregar simpatias”, declarou Bolsonaro.

O G1 procurou a assessoria de Mourão e aguardava resposta até a última atualização desta reportagem. Nos últimos meses, o vice-presidente manifestou publicamente algumas divergências em relação a declarações de Bolsonaro.

O presidente da República já chegou a afirmar, por exemplo, que pode não haver eleições no Brasil em 2022 se não houver voto impresso. Mourão, por sua vez, diz que o país não é “república de banana” e que haverá eleição mesmo sem voto impresso.

CASO DO CENTRÃO – Durante a entrevista desta segunda-feira, Bolsonaro foi questionado sobre a aliança do governo com o Centrão. Durante a campanha, Bolsonaro criticava o grupo.

“[Os parlamentares do grupo] têm sido úteis para nós aprovarmos muita coisa. Por exemplo, nós devemos – não está definido ainda – mandar uma proposta de emenda à Constituição para acertamos a questão do Bolsa Família. Se eu não tiver apoio dos partidos de centro, o Bolsa Família não tem como ser reajustado agora para novembro e dezembro”, disse Bolsonaro.

CIRO NOGUEIRA – O presidente também foi questionado se a escolha do senador Ciro Nogueira (PP-PI) para comandar a Casa Civil é contraditória com o discurso de não fazer um governo de coalizão com o Centrão.

“Os ministérios mais importantes continuam com critérios técnicos. Tem uma possibilidade de o Ciro Nogueira assumir o ministério da Casa Civil. A Casa Civil não tem orçamento em suas mãos. Faz a articulação com o Parlamento. E nós entendemos que um político, no caso um senador, poderia fazer melhor essa articulação com o Parlamento”, respondeu Bolsonaro.

Não posso provar fraude nas eleições, diz Bia Kicis, autora da PEC do voto impresso

Bia Kicis admite que está difícil aprovar o “voto auditável”

Daniel Carvalho
Folha

Apesar de Jair Bolsonaro (sem partido) prometer há mais de um ano comprovar que as eleições presidenciais foram fraudadas, a aliada e autora da PEC (proposta da emenda à Constituição) do voto impresso, deputada federal Bia Kicis (PSL-DF), é categórica ao dizer que não é possível provar.​

“Eu não vou entrar nesta seara. Sabe por quê? Porque eu não vou falar uma coisa que eu não possa provar. Eu não posso provar que teve fraude. Sabe por quê? Porque o sistema não é auditável”, disse a deputada à Folha na terça-feira (20).

“O eleitor não tem como provar. Ele só sabe o que ele viu, que o voto dele não apareceu naquela urna. Aí você quer jogar para o eleitor o ônus de provar uma fraude? Isso é uma prova demoníaca. Não tem como. Agora, existem muitos indícios de problemas. Se foi fraude, se foi problema técnico, eu não sei”, afirmou.

BOLSONARO INSISTE – Horas antes, Bolsonaro havia dito que, nos próximos dias, apresentará o que chama de prova de que Aécio Neves (PSDB-MG) venceu Dilma Rousseff (PT) em 2014 —algo que o próprio deputado tucano nega.

O presidente questiona frequentemente a credibilidade das urnas eletrônicas, mas nunca mostrou qualquer indício além da retórica.

O modelo atual de votação tem várias camadas de proteção e auditoria, em suas diferentes etapas, inclusive com participação de instituições e grupos externos ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral). Até hoje não há evidências de que tenham ocorrido fraudes em eleições com uso da urna eletrônica.

FALTA TRANSPARÊNCIA – Kicis, assim como Bolsonaro, condena o que chama de falta de transparência do sistema eleitoral brasileiro e a interferência do TSE no Congresso para barrar o voto impresso. “Eleição no Brasil virou um ato de fé. Você vota e reza para o seu voto ir para o seu candidato”, disse a deputada.

“A questão é que virou uma contenda, uma guerra. O Parlamento sempre foi a favor do voto auditável. Só que desta vez, a Justiça Eleitoral entrou em campo exatamente para abortar até mesmo o debate. Então, isso é uma coisa muito pouco republicana.”

Ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) articularam com 11 partidos do Congresso um movimento contra a mudança no sistema de votação brasileiro e botaram em xeque a maioria que Bolsonaro tinha em relação ao tema na Câmara.

UMA DERROTA ANUNCIADA – A PEC do voto impresso quase foi derrotada em sessão na semana retrasada na comissão especial da Câmara, mas uma manobra de governistas adiou a votação para 5 de agosto, depois do recesso parlamentar, que vai de 18 a 31 de julho.

Mesmo que avance na comissão especial, para aprovar uma PEC são necessários ao menos 308 votos na Câmara — de um total de 513 deputados — e 49 no Senado — de um total de 81 senadores —, em votação em dois turnos. E, para valer para as eleições de 2022, a proposta teria de ser promulgada até o início de outubro.

No fim da semana passada, Bolsonaro disse acreditar que o texto não será aprovado na comissão especial. Um dos principais articuladores políticos do Palácio do Planalto chegou a dizer, sob condição de anonimato, que uma reversão da situação em plenário será difícil.

BEM MAIS DIFÍCIL – Kicis tenta se manter otimista e acompanha de perto as alterações que o relator da proposta, o deputado Filipe Barros (PSL-PR), faz no texto para tentar diminuir a resistência. “Ficou bem mais difícil, mas eu não jogo a toalha, não”, afirmou a deputada.

Para Bia Kicis, o discurso de Bolsonaro alegando que houve fraudes “atrapalhou na medida em que ficou politizada a questão e isso deu uma justificativa para as pessoas que vão votar contra por causa da interferência do TSE dizer que é por causa do presidente”.

Bolsonaro já fez diversas falas golpistas sobre o que poderia acontecer se não houver voto impresso. Chegou a dizer que poderia haver no Brasil algo pior do que o que ocorreu nos Estados Unidos em janeiro, referindo-se à invasão do Capitólio por apoiadores do ex-presidente Donald Trump, que não havia reconhecido a vitória de Joe Biden, alegando fraude.

Bolsonaro defende intervenção militar e acha normal que se exija um novo AI-5

O presidente Jair Bolsonaro conversa com apoiadores no cercadinho do Palácio da Alvorada na manhã desta segunda-feira (26/07/2021)

Jair Bolsonaro defende o direito de pedir uma nova ditadura

Ingrid Soares
Correio Braziliense

O presidente Jair Bolsonaro afirmou nesta segunda-feira (26/7) que “não é justo” punir quem pede a volta do Ato Institucional Nº 05 (AI-5), promulgado durante o regime militar (1964-1985). Declaração do mandatário foi feita a apoiadores na saída do Palácio da Alvorada ao comentar sobre manifestações. Ele alegou tratar-se de liberdade de expressão.

“Se alguém comete um ato antidemocrático, é contra o governo federal, não é contra um do Supremo (Tribunal Federal). Eu não estou reclamando, entendo como liberdade de opinião. Você quer levantar um cartaz na rua pedindo pena de morte, faça o que você bem entender, isso é liberdade de expressão. Está na Constituição, eu respeito isso, outros não respeitam. Não é justo punir, abrir inquérito contra as pessoas”, alegou.

RESPEITAR A CONSTITUIÇÃO – “Pessoal, eu jurei cumprir a Constituição por dever de ofício, assim como deputados, senadores. Juramos respeitar a Constituição. Então, tenho que respeitar o art. 1º, 2º, o 9º, o art. 20º, o art. 100. Tem ou não tem? E tem que respeitar também o 142º. O cara levanta uma placa ‘Artigo 142’, ele é processado por causa disso? Então vamos retirar o art. 142 da Constituição”, acrescentou, citando artigo que trata sobre intervenção das Forças Armadas.

“As Forças Armadas, constituídas pela Marinha, pelo Exército e pela Aeronáutica, são instituições nacionais permanentes e regulares, organizadas com base na hierarquia e na disciplina, sob a autoridade suprema do presidente da República, e destinam-se à defesa da Pátria, à garantia dos poderes constitucionais e, por iniciativa de qualquer destes, da lei e da ordem”, diz a Constituição.

FUNDO ELEITORAL – Bolsonaro admite que fundo eleitoral pode ser de R$ 4 bi: “Espero não apanhar como sempre”, disse, acrescentando que deverá ser vetado apenas o “excesso”.

A declaração foi feita a apoiadores na saída do Palácio da Alvorada. O mandatário justificou que vetará apenas o valor extra de R$ 2 bilhões e citou que pode incorrer em crime de responsabilidade se vetar o restante.

Ele disse ainda esperar não ser atacado pela sanção e ironizou que se os eleitores reclamarem muito poderão escolher entre o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e Ciro Gomes no segundo turno das eleições de 2022.

LEITE CONDENSADO – “Deixar claro uma coisa: vai ser vetado o excesso do que a lei garante, tá? A lei garante quase R$ 4 bilhões de fundo. O extra de R$ 2 bilhões vai ser vetado. Se eu vetar o que está na lei, estou incurso em crime de responsabilidade. Espero não apanhar do pessoal como sempre. Porque se o pessoal começar a bater muito, vão escolher para segundo turno Lula ou Ciro. A crítica é válida quando ela tem fundamento, pessoal. É igual leite condensado. Parte da direita bateu tanto em mim que eu falei: ‘Pô, pelo amor de Deus, será que estou consumindo tanto leite condensado assim?'”, reclamou.

A aprovação no Congresso Nacional da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) para 2022 aumentou os recursos para o Fundo Eleitoral do ano que vem de R$ 2 bilhões para R$ 5,7 bilhões. Fica a cargo do presidente decidir se veta ou não a lei. Bolsonaro disse na semana passada que deveria vetar o fundo. Porém, destacou que a palavra final é do Congresso, que poderá manter ou derrubar o veto.

CPI da Covid mira empresário apontado como ‘número 2 informal’ de Pazuello na Saúde

Pazuello abriu o Ministério para seu amigo “Cascavel”

Camila Bomfim
GloboNews

A CPI da Covid recebeu novos documentos da Procuradoria da República no Distrito Federal para aprofundar as investigações sobre a atuação informal do empresário Airton Soligo, conhecido como Airton Cascavel, em ações de alto escalão no Ministério da Saúde. A CPI será retomada em agosto com novos depoimentos sobre suspeitas na compra de vacinas

Soligo é próximo do ex-ministro Eduardo Pazuello e, segundo apuração preliminar, atuou sem vínculo com a pasta em ações contra a pandemia e encontros com autoridades. A informação foi antecipada na estreia do Conexão, novo jornal da GloboNews.

DENTRO DO MINISTÉRIO – Pazuello assumiu interinamente o ministério da Saúde no fim de maio de 2020, após Nelson Teich deixar o cargo por divergências com o presidente Jair Bolsonaro na condução da pandemia.

Segundo as apurações, foi justamente nesse período, que há registros das ações do representante da iniciativa privada em funções exclusivas de gestores públicos, como agendas públicas de Pazuello sobre respiradores e reuniões com prefeitos e secretários estaduais de saúde.

O empresário atuou de maneira informal em ações da pandemia pelo menos entre maio e junho, quando o vínculo informal veio à tona.

VIROU ASSESSOR – A partir desse momento o Ministério da Saúde o nomeou assessor especial de Pazuello, cargo que ocupou formalmente de 24 de junho de 2020 a 21 de março deste ano, quando foi exonerado.

Em março de 2021, Soligo anunciou que 14 milhões de doses da vacina da Pfizer contra a Covid-19 deveriam chegar ao país em maio e junho. Posteriormente, o empresário assumiu o cargo público de secretario de saúde de Roraima, e deixou o posto na semana passada.

A Procuradoria da República no Distrito Federal aponta que prints mostram fotos e referências a Airton Cascavel como o “número 02 do Ministério da Saúde”. A apuração preliminar é sobre suspeita de usurpação de função pública, ou seja, atuar como um gestor público sem ter vínculo formal. O crime é previsto no artigo 328 do Código Penal.

INQUÉRITO POLICIAL – O procurador Wellington Divino Marques de Oliveira determinou o “envio de ofício à Polícia Federal, solicitando a instauração de inquérito policial para investigar a conduta ora descrita”.

A GloboNews entrou em contato com a assessoria de Airton Soligo, mas não obteve retorno até a última atualização desta reportagem.

O primeiro pedido de apuração da suspeita de usurpação de função pública pelo empresário Airton Soligo partiu da deputada federal Gleisi Hoffmann (PT-PR). Em junho de 2020, Gleisi enviou para a Procuradoria-Geral da República informações e prints de agendas publicas do empresário com Pazuello em um período em que ele não tinha vínculo formal com o ministério. O caso foi encaminhado a Procuradoria da República no Distrito Federal.

AS INVESTIGAÇÕES – Em novembro, a procuradoria pediu abertura de inquérito à PF. A Globonews confirmou que a Polícia Federal abriu a investigação sobre suspeita de usurpação da função pública no dia 29 de dezembro de 2020. Ainda não há informações sobre as diligências já feitas nesse inquérito, que corre em sigilo.

Em junho, a Procuradoria da República no DF abriu uma apuração preliminar (que pode caminhar como uma segunda apuração ou ser anexada à primeira) sobre o mesmo assunto.

No dia 8 de julho, o procurador Wellington Marques pediu a PF abertura de inquérito com prazo máximo de 90 dias. Esse pedido está na PF e também foi compartilhado com a CPI da Covid na semana passada.

USURPAÇÃO DE FUNÇÃO – O pedido de investigação sobre o empresário não inclui Pazuello, pois se trata da suspeita de usurpação de função pública, ou seja, da ocupação de um cargo de maneira informal. No entanto, o ex-ministro está sendo investigado na Procuradoria da República no DF por improbidade administrativa.

Ao todo, oito procuradores ingressaram com a ação. Eles concluíram que “as condutas são, em verdade, dolosas, uma vez que, como se narrou na descrição dos fatos, as atitudes adotadas pelo chefe da pasta da Saúde o foram não com apoio em critérios técnicos, estudos científicos e necessidades prementes da população, mas, ao contrário, com base na aceitação acrítica (e injustificável) de orientações não técnicas e não-científicas de setores internos e externos ao governo federal”.

Pazuello responderá por danos causados ao patrimônio público e violação aos princípios da Administração. A ação aponta quase R$ 122 milhões de danos ao erário.

PDT tenta fazer com que Boulos apoie Ciro Gomes, mas parece ser missão impossível

Carlos Lupi e Ciro Gomes são otimistas e buscam aliados

Lauro Jardim
O Globo

Em busca de um palanque para Ciro Gomes em São Paulo, o PDT procurou Guilherme Boulos, adversário do pedetista na disputa à Presidência da República em 2018. Boulos, que é líder nacional do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), e o presidente do PDT,  Carlos Lupi, conversaram na semana passada.

O dirigente do PDT indicou o desejo de apoiar Boulos na disputa pelo governo de São Paulo. Mas o difícil, senão impossível, será fazer Boulos apoiar Ciro — e não Lula.

POSITIVO E NEGATIVO – As pesquisas encomendadas pelo comando da campanha de Ciro Gomes à Presidência revelam um dado positivo e outro negativo sobre ele. O favorável: Ciro aparece como o segundo voto de uma parcela expressiva de eleitores.

O desfavorável: sua imagem negativa, mais especificamente nos quesitos equilíbrio e serenidade. Neste ponto, a ideia não é transformá-lo num Cirinho paz & amor — tarefa, de resto, impossível — mas trabalhar mais a temperança e alguma moderação.

Centrão vai com Bolsonaro até o fim, desde que ele ouça os conselhos do grupo

Charge do João Bosco (O Liberal)

Valdo Cruz
G1 Política

O Centrão está disposto a ir até o final do governo ao lado do presidente Jair Bolsonaro, mas desde que ele esteja aberto a ouvir os conselhos e sugestões do grupo. Se ele repetir o atual formato, de atropelar seus ministros e aliados, a fórmula não dará certo e há o risco de uma separação no próximo ano.

Segundo líderes do Centrão ouvidos pelo blog, os partidos que formam o grupo de apoio ao presidente, agora no comando da Casa Civil, apostam no senador Ciro Nogueira (PP-PI) para ser um fator moderador dentro do Palácio do Planalto, atuando como um conselheiro para evitar que o governo entre em confronto com aliados e outros poderes.

FAZER A COISA CERTA – A principal missão de Ciro Nogueira, segundo interlocutores do senador, será fazer o governo andar na direção correta, deixando de lado temas que só geram desgaste e não contribuem para a recuperação econômica do país.

Se o presidente der ouvidos a seu futuro novo ministro da Casa Civil, seus amigos dizem que o governo pode se recuperar deste momento de fragilidade.

Por sinal, amigos antigos do presidente da República têm reclamado nos bastidores da decisão de Bolsonaro de praticamente entregar o comando do governo ao Centrão.

APOIO TEM LIMITES  – Esses interlocutores dizem que a ascensão d0s centristas aconteceu porque o presidente se enfraqueceu e precisa recuperar sua imagem. E, principalmente, manter o apoio do Centrão à sua administração.

Nas últimas semanas, o presidente foi avisado que o Centrão seguiria como aliado do Palácio do Planalto, mas não afundaria junto com o governo. E, alertaram líderes de partidos aliados, esse é o risco do governo se não fizer uma correção de rumo.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
– Bolsonaro parece anencéfalo. Somente um político descerebrado poderia imaginar que o Centrão pudesse apoiar um golpe militar. Os centristas sabem que o enriquecimento ilícito dos políticos ocorre mais facilmente em democracia plena. Para os aliados do presidente, a intervenção militar seria uma gelada, como dizem atualmente. O Centrão vai lutar para manter o status quo. O próximo governo significa apenas uma nova negociação de apoio.  (C.N.)

Deputada neonazista alemã, neta de ministro de Hitler, ficou entusiasmada ao trocar ideias com Bolsonaro

Bolsonaro recebeu parlamentar alemã neonazista no Palácio do Planalto

Bolsonaro recebeu no Planalto a neonazista e seu marido

Ingrid Soares
Correio Braziliense

O presidente Jair Bolsonaro se encontrou com a deputada Beatrix von Storch, vice-presidente do partido Alternativa para a Alemanha (AfD), investigada pelo serviço de Inteligência alemão por propagar ideias neonazistas, xenofóbicas e extremistas. A parlamentar publicou uma foto do encontro nas redes sociais nesta segunda-feira (26/7), ao lado também do marido, Sven von Storch.

Na legenda, escreveu que “em um momento em que a esquerda está promovendo sua ideologia por meio de suas redes e organizações internacionais em nível global, nós, conservadores, devemos nos unir”. A foto foi tirada na semana passada, durante sua passagem pelo país. Até o momento, o chefe do Executivo não publicou a imagem em suas redes sociais.

AMISTOSA RECEPÇÃO – “Um encontro impressionante no Brasil: gostaria de agradecer ao presidente brasileiro a amistosa recepção. Estou impressionada com sua clara compreensão dos problemas da Europa e dos desafios políticos de nosso tempo. Em um momento em que a esquerda está promovendo sua ideologia por meio de suas redes e organizações internacionais em nível global, nós, conservadores, devemos nos unir mais e defender nossos valores conservadores em nível internacional. Além dos EUA e da Rússia, o Brasil é um parceiro estratégico global para nós, com quem queremos construir o futuro juntos”.

No último dia 22, a deputada Bia Kicis (PSL-DF), aliada do chefe do Executivo, se encontrou com Beatrix von Storch. O Museu do Holocausto lamentou o encontro, e afirmou que Beatrix é neta do ministro das Finanças de Adolf Hitler, Lutz Graf Schwer. Segundo o Museu, a Alternativa para a Alemanha é um partido político alemão de extrema-direita, fundado em 2013, com tendências racistas, sexistas, islamofóbicas, antissemitas, xenófobas e forte discurso anti-imigração.

ELOGIO À DEPUTADA – Após polêmica pelo encontro, Kicis enviou uma carta ao presidente da Confederação Israelita do Brasil (Conib) elogiando e defendendo a deputada alemã. “Como eu, é uma defensora dos valores judaico-cristãos, da família e da luta pela soberania de sua Pátria”, afirmou.

No último dia 22, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) também conversou com a parlamentar alemã. Pelas redes sociais, afirmou que os conservadores são “unidos por ideais de defesa da família, proteção das fronteiras e cultura nacional”.

O ministro da Ciência, Tecnologia e Inovações, Marcos Pontes, também recebeu a visita da deputada da ultradireita alemã.

Desde 2001, militares foram alvo do TCU em 278 apurações de desvios e outras irregularidades

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Charge do Newton Silva (newtonsilva

André Shalders
Estadão

Dias atrás, o Tribunal de Contas da União (TCU) decidiu investigar militares do Exército e da Aeronáutica por supostas irregularidades em licitação para a compra de móveis de escritório, no valor de R$ 120 milhões. Agora, levantamento do Estadão nos dados do TCU mostra que este caso está longe de ser isolado: o tribunal fez pelo menos 278 auditorias envolvendo possíveis prejuízos para os cofres públicos em órgãos das Forças Armadas nos últimos 20 anos, desde 2001.

O número se refere às chamadas Tomadas de Contas Especiais (TCEs) em unidades militares e no Ministério da Defesa, e não é pequeno: as 278 apurações encontradas pelo levantamento do Estadão representam cerca de 10% dos 2.743 processos do tipo abertas no período, excluindo as relacionadas a prefeituras ou governos estaduais.

RECURSOS FEDERAIS – Além de outros ministérios e órgãos da União, o universo de 2,7 mil Tomadas de Contas Especiais (TCEs) inclui associações privadas, partidos políticos e até entidades do Sistema S — que o TCU fiscaliza ao receberem recursos federais.

A compilação de processos no tribunal mostra uma imagem das Forças bem diferente da alardeada pelo presidente Jair Bolsonaro e pelos militares do governo, segundo a qual Exército, Marinha e Aeronáutica seriam imunes à corrupção.

As investigações incluem desde suspeitas de fraudes em obras até o desvio de combustível de navios da Marinha, como numa apuração envolvendo o roubo de mais 100 mil litros de óleo diesel da antiga corveta Frontin, afundada em um exercício militar em 2016. A lista inclui ainda dezenas de casos de pagamentos indevidos de pensões.

PREJUÍZOS AO ERÁRIO – A TCE é um tipo de processo administrativo usado em casos que envolvem prejuízo aos cofres públicos. Pode ser instaurada pelo próprio órgão onde ocorreu o problema ou pelo TCU, que é quem a julga. No caso das Forças Armadas, a maioria dos processos ainda está em andamento: das 278 apurações abertas desde 2001, só 77 são consideradas encerradas pelo tribunal. Ou seja: ao menos 201 investigações do tipo ainda estão em curso.

E a punição também não é muito comum: desde 2010, apenas 73 militares foram punidos pelo Tribunal com multas e com a obrigação de reparar o dano, segundo dados compilados pelo TCU a pedido da reportagem.

Segundo um ministro do TCU ouvido pelo Estadão, o número relativamente baixo de militares punidos se deve a uma certa “deferência” que existia na Corte em relação aos fardados – muito por causa do prestígio que Exército, Marinha e Aeronáutica tinham na administração pública. Este prestígio, porém, estaria se “esvaindo”, na opinião do auditor.

OUTRO PODER – Ao contrário do que o nome sugere, o Tribunal de Contas não integra o Poder Judiciário: ele é ligado ao Poder Legislativo, com a missão de auxiliar o Congresso na tarefa constitucional de vigiar o Executivo.

Tem o poder de aplicar multas e determinar o ressarcimento dos danos. Quem é condenado — seja militar ou civil — pode recorrer no próprio TCU e ao Supremo Tribunal Federal (STF). Alguns tipos de irregularidades apuradas nas TCEs também podem ser punidas pela Justiça, inclusive com prisão.

Desde o começo de 2001, o Tribunal de Contas da União fez 27.657 Tomadas de Contas Especiais. Mais da metade (15.708) são de municípios. Nos casos mais antigos há registros incompletos: nem sempre o objeto do processo está discriminado de forma explícita.

DIZ A DEFESA – Procurado, o Ministério da Defesa disse em nota que “as Forças Armadas vêm atuando no sentido de buscar, por meio de processos de Tomada de Contas Especial (TCE), a apuração de irregularidades e responsabilidades com a reparação de possíveis danos ao Erário” e que a instituição é “comprometida com a legalidade, moralidade e transparência de todos os atos administrativos”.

Nos casos em questão, informou o ministério, “a Administração Militar iniciou procedimento administrativo” e “quaisquer irregularidades serão apuradas e tomadas as medidas julgadas cabíveis, conforme as decisões proferidas pelo Judiciário e pelo TCU”.

A complexa logística das Forças Armadas significa que elas estão sujeitas a problemas que dificilmente ocorrem em outras áreas do serviço público.

ALIMENTOS E DIESEL – Por exemplo: no ano passado, o 22.º Depósito de Suprimento do Exército, localizado em Barueri (SP), instaurou uma apuração para investigar a “subtração de gêneros alimentícios” do almoxarifado, entre 2016 e maio de 2018. O valor do prejuízo foi estimado em R$ 171,8 mil.

O extravio não é só de alimentos: uma das tomadas de contas apurou o roubo de óleo diesel da antiga corveta Frontin da Marinha, reformada em 2014. O fato ocorreu em 2012. Alegando que o diesel estocado no navio estaria contaminado por água do mar, o seu chefe de máquinas autorizou a retirada de 118,5 mil litros do óleo – o capitão de corveta agiu sem o conhecimento do superior e não fez qualquer análise para comprovar se o óleo estava contaminado.

O diesel foi levado por uma empresa de transportes e nunca foi recuperado. Ao se defender, o militar disse que “o precário estado de conservação” do navio tornava problemas deste tipo comuns. “Ao tomar conhecimento da contaminação do óleo (…) decidiu proceder à remoção do combustível contaminado de modo discreto, com a intenção de preservar a boa imagem do navio e da Marinha”, narra o TCU.

CAPITÃO CONDENADO – As alegações da defesa não foram aceitas e o capitão de corveta foi condenado a ressarcir a União em R$ 316 mil, além de pagar multa de mais R$ 40 mil. Outras cinco pessoas envolvidas também foram multadas.

Em número de casos, o tipo de problema mais comum investigado pelo TCU é o pagamento indevido de pensões: pelo menos 52 das 278 apurações identificadas pelo Estadão são sobre o tema. Há de tudo: desde filhas que continuaram recebendo após a morte dos beneficiários até o caso de uma mulher que recebeu pensão como viúva de um servidor da Defesa sem nunca ter sido casada com o mesmo.

Em um dos casos, a filha de uma pensionista continuou recebendo o benefício em nome da mãe durante 16 anos, de janeiro 2001 a agosto de 2017, depois do falecimento da titular da pensão. O prejuízo ao Erário, de acordo com o TCU, foi de R$ 2,1 milhões. A apuração foi instaurada pelo próprio Exército por meio de um Inquérito Policial Militar (IPM), ao perceber a irregularidade – o caso aconteceu no 2.º Regimento de Cavalaria Mecanizado, na cidade gaúcha de São Borja.

UMA NOVA MÃE  – Para continuar recebendo o benefício, a filha da pensionista não só omitiu a morte da mãe ao Exército, mas também apresentou à perícia uma “terceira pessoa, como sendo aquela (a própria mãe)”.

Em outro caso parecido, a fraude foi descoberta quando a filha da ex-pensionista Ismênia Mendes da Silva, já falecida, tentou levar uma outra pessoa que não sua mãe à Seção de Servidores Inativos do Exército para fazer a chamada prova de vida. Como as digitais eram diferentes, o golpe malogrou. Condenada, a filha recorreu ao Supremo Tribunal Federal (STF).

Em fevereiro de 2017, o ministro Luiz Fux, do STF, aceitou o recurso da defesa e livrou a ré da punição.

GASTOS ELEVADOS – No começo deste mês, a União divulgou, por determinação do TCU, os gastos com pensões de dependentes de militares: ao longo de 2020, foram R$ 19,3 bilhões. Nada menos que 137,9 mil filhas de militares recebem o benefício — elas perfazem 60% do total de pensionistas.

Os dados também mostraram que as pensões nas Forças são, em média, maiores que as dos civis. O benefício médio dos 226 mil pensionistas militares foi de R$ 5,8 mil em fevereiro de 2021, último mês para o qual há dados divulgados. Em fevereiro, a lista incluiu também 77 pensionistas que recebem acima do teto do funcionalismo público, de R$ 39,3 mil.

Escolha de ministro do STFR faz lembrar Vinicius de Moraes e o convite que Drummond recusou

José Carlos Werneck

Coube ao presidente Jair Bolsonaro a honrosa e importantíssima missão de indicar o novo juiz do Supremo Tribunal Federal, para a vaga do ministro Marco Aurélio Melo. Assim, teve uma grande oportunidade para nomear um jurista com todas as qualificações necessárias para ocupar um dos cargos mais importantes da República.

Infelizmente, escolheu um critério heterodoxo e exótico de indicar um nome “terrivelmente evangélico” para ser o próximo integrante do STF, pois o critério da religiosidade não é exatamente um parâmetro correto.

GRANDES NOMES – O Supremo Tribunal Federal já teve grandes nomes como integrantes, cidadãos da envergadura de José Eduardo do Prado Kelly, Adauto Lúcio Cardoso, Aliomar Baleeiro, Evandro Lins e Silva, José Carlos Moreira Alves, Luiz Gallotti, Xavier de Albuquerque, Eloy da Rocha, Ribeiro da Costa, Oswaldo Trigueiro, isto só para citar alguns dos inúmeros membros, que além do notório saber jurídico e reputação ilibada, reuniam independência política, coragem pessoal, desapego a vaidades, além de vasta cultura geral, grande inteligência e erudição.

O indicado por Bolsonaro deveria reunir todas essas qualidades, para restabelecer quaisquer desgastes que o STF possa ter sofrido, nos últimos tempos.

Num momento delicado, em que o Congresso Nacional, com pouquíssimas e honrosas exceções, está carente de integrantes de peso e abriga em seus quadros representantes medíocres e figuras, no mínimo exóticas, cabe ao mais alto tribunal do País ser um ponto de equilíbrio para a salvaguarda das Instituições democráticas e garantia das liberdades tão arduamente conquistadas pelo sofrido e descrente povo brasileiro.

EXEMPLOS PUJANTES – O STF, ao longo de sua história, já deu ao País, através de suas decisões, exemplos pujantes de respeito à Constituição e às liberdades individuais.

Para manter este padrão de excelência, precisa sempre abrigar em seus quadros o melhor dos melhores, para que o nível de qualidade seja o mais elevado e atenda às altas atribuições que a nobilíssima função requer.

Creio que tudo isto o presidente da República deveria ter levado em conta, quando tomou a importante decisão de submeter ao Senado Federal, o nome do escolhido para ser o novo ministro da nossa mais alta Corte de Justiça.

LEMBRANDO VINICIUS – Por tudo isso, um veterano jornalista comentava, em Brasília, que, quando algum nome consagrado for escolhido futuramente para o Supremo, os juristas renomados repetirão a célebre tirada do grande Vinicius de Moraes, respondendo, na década de 70, a uma pergunta de um jornalista sobre uma possível indicação de Carlos Drummond de Andrade para a Academia Brasileira de Letras:

“Tadinho, que mal que ele fez?”

Em tempo: naquela altura a ABL estava desgastada com a indicação de políticos, a partir de Getúlio Vargas, e depois de militares, como o general Aurélio de Lyra Tavares, que estavam longe de serem escritores consagrados.

Polícia Civil do DF também investiga as lesões sofridas por Joice Hasselmann

 (crédito: Bárbara Cabral/ Esp/ CB/ DaPress)

Joyce e seu marido deram entrevista sobre as investigações

Renato Souza
Correio Braziliense

A Polícia Civil do Distrito Federal também está investigar as lesões sofridas pela deputada federal Joice Hasselmann (PSL-SP). A parlamentar diz ter acordado sangrando em seu apartamento na Asa Norte, no último domingo (18/7).

Joice prestou depoimento na Polícia Legislativa e no Ministério Público Federal. De acordo com a congressista, as informações serão compartilhadas com as instituições que fazem parte das diligências.

CORPO DE DELITO – “Eu não sei bem o termo técnico. Mas a Polícia Civil do DF vai investigar o que aconteceu. Nesta segunda-feira, vou fazer o exame do corpo de delito”, disse Hasselmann.

O exame de corpo de delito pode colaborar para entender a origem das lesões e determinar se elas ocorreram por queda, agressão ou qualquer outro tipo de trauma.

A parlamentar apresenta cinco fraturas no rosto, uma na costela e uma lesão superficial na parte se trás da cabeça. Em coletiva à imprensa, neste domingo (25/7), a parlamentar exibiu também um hematoma na região da perna.

MARIDO SE ESPANTOU – O neurocirurgião Daniel França, marido da deputada federal Joice Hasselmann (PSL-SP), negou qualquer possibilidade de ter agredido a mulher. A parlamentar está com fraturas e hematomas pelo corpo desde a madrugada do dia 18 e não se lembra como os ferimentos aconteceram.

Ela desconfia de uma agressão e afirma ter dois suspeitos de ser o mandante do crime, ambos de nomes da política, sendo um deles um parlamentar. O casal, no entanto, não descarta completamente a possibilidade de ter sido um acidente doméstico.

“Primeira coisa, eu nunca agredi ninguém, nunca dei um tapa em ninguém, nem um murro em ninguém. Segunda coisa, eu não tenho nenhum motivo para fazer isso, eu jamais faria isso. Então, é exatamente por esta razão que tudo o que eu pude fazer para tentar comprovar o contrário, eu estou fazendo. Fui espontaneamente à polícia prestar depoimento. Me coloquei inteiramente à disposição de tudo, da imprensa, de tudo”, afirmou França neste domingo, 25, para jornalistas no apartamento funcional da deputada.

ACIDENTE DOMÉSTICO – França foi quem socorreu a mulher. Questionados sobre a demora para registrar uma ocorrência sobre o caso, o que só foi feito na quinta, e também para procurar apenas o hospital, o que se deu na terça-feira, o casal afirmou que imaginaram no começo se tratar de um acidente doméstico.

“Até quarta de manhã, eu tinha achado que tinha tomado um tombo, mas foram aparecendo hematomas em lugares que não tinha aparecido”, disse a deputada.

O marido corrobora: “Quando eu a vi e a primeira hipótese que ela me falou foi ‘eu caí, eu caí’. Aí, depois pensei se tratar de um acidente doméstico”, afirmou o médico. França disse ainda que nunca viu nenhum episódio de sonambulismo da deputada apesar de afirmar que o medicamento que ela toma para dormir poder gerar sonambulismo.

HIPÓTESE DE AGRESSÃO – O casal afirma que após receberem os resultados dos exames feitos no hospital, na quarta-feira, passaram a considerar a possibilidade de uma agressão por se tratar de muitos ferimentos.

Joice suspeita que uma pessoa tenha entrado no apartamento, onde ela estava com o marido, e provocado as agressões. Ela reafirmou ter dois suspeitos. “Um grande desafeto político que tem acesso muito fácil a esse bloco. Se alguém entrou aqui, não é coisa de amador”, disse ela sobre um dos suspeitos. Ela se recusa a dizer os nomes, mas afirmou ter relatado quem são ao Departamento de Polícia Legislativa (Depol), responsável pela investigação.

SEUS VIZINHOS – Na entrevista coletiva deste domingo, Joice contou que moram no seu bloco a ministra da Agricultura, Tereza Cristina, e o deputado Efraim Filho (DEM-PB), líder do DEM na Câmara, que é seu vizinho de porta. Além dos dois, segundo a deputada, o presidente do PSL, Luciano Bivar (PSL-PE), também tem um apartamento no seu bloco. Os dois estão em atrito político desde que ela anunciou sua saída do partido no mês passado.

“Enquanto pode ter um bandido profissional mandado para me executar, esses papagaios imbecis de internet querem manchar a honra de um homem que se dedica a salvar vidas e que salvou a minha”, criticou, em referência às acusações que o marido tem recebido nas redes de supostamente tê-la agredido. “Nojo dessa gente.”

A Depol abriu uma investigação para apurar o que ocorreu com a deputada. Na sexta-feira, 23, ela prestou depoimento na Polícia Legislativa, que atua no Congresso Nacional. O Depol é o órgão responsável por cuidar da segurança dos parlamentares. “O Depol está ouvindo pessoas e analisando imagens do circuito fechado de TV do prédio em que a deputada reside”, diz a nota da Câmara. A investigação está sob sigilo. Segundo a deputada, a Polícia Civil de São Paulo também acompanha o caso.

O ‘mito’ de 2018 acabou, Bolsonaro sempre foi do Centrão e brinca de golpes desde criancinha

Bolsonaro sempre foi filiado a partidos ligados ao Centrão

Eliane Cantanhêde
Estadão

O personagem de 2018, Messias, ou “mito”, acabou definitivamente quando o presidente Jair Bolsonaro admitiu que “nasceu no Centrão”, sempre foi Centrão, desde criancinha. Se o personagem da eleição era falso, essa confissão é verdadeira e gera uma dúvida para 2022: o Bolsonaro da TV e dos palanques será o real ou ele vai inventar um novo personagem para enganar os bobos?

A máscara caiu desde a posse e (literalmente até) na pandemia. Capitão insubordinado da reserva e depois deputado do baixo clero por 28 anos, ele foi despindo a fantasia da campanha, peça por peça, promessa por promessa, ao longo desses dois anos e meio, até ficar evidente: o eleitorado rechaçou a candidatura do tucano Geraldo Alckmin COM o Centrão, mas deu a vitória AO Centrão com Bolsonaro.

VITÓRIA DO CENTRÃO – Entre a dezena de partidos pelos quais o presidente passou, destaca-se um, o PP, onde ele ficou dez longos anos, sem jamais ser indicado líder de bancada, presidente de comissão ou relator de qualquer tema, relevante ou não, fosse de defesa nacional, segurança, emprego, qualquer coisa. Baixo clero no Congresso, baixo clero no PP.

A simbiose entre Bolsonaro e o PP, ou Progressistas, volta firme e forte com o senador Ciro Nogueira (PI), presidente do partido e influente líder do Centrão, não apenas num cargo no governo, mas no coração do governo: a Casa Civil. Onde, aliás, substituiu o general da reserva Luiz Eduardo Ramos e criou um marco: a derrota dos militares para o Centrão.

Como Jair Bolsonaro não tem gosto, aptidão, tempo e instrumental para governar, quem vai assumir o governo na prática é Ciro Nogueira.

TEM REQUISITOS – Nogueira entende de poder, é voraz e vai acelerar ou frear os projetos dos ministérios, como os do ministro Paulo Guedes, por exemplo. Bolsonaro só será chamado quando a coisa empacar entre o que é bom para a economia e o que é bom para sua reeleição. É preciso dizer qual será a decisão?

Nogueira não assume de mãos abanando. Acena com a fusão de PP, PSL e DEM numa sigla de dar inveja à Arena, com 125 deputados para apoiar os projetos e a reeleição de Bolsonaro. A ideia surgiu há duas semanas, em Trancoso, na Bahia, onde Ciro Nogueira se encontrou com o presidente do PSL, Luciano Bivar, na casa de veraneio do deputado Elmar Nascimento, do DEM.

Um drinque daqui, outro dali, por que não fundir as três siglas? A questão é saber quem lucra o quê e a resposta é óbvia: o grande beneficiário seria Bolsonaro.

ACM NETO ESTÁ FORA – Partido do candidato Bolsonaro em 2018 e descartado pelo presidente Bolsonaro em 2019, o PSL tem a maior bancada da Câmara (junto com o PT) e, assim, já tem a maior cota (R$ 600 milhões) do fundão eleitoral de, por ora, espantosos R$ 5,7 bilhões. O PP já chegou no teto, dono da Casa Civil e do governo. E o presidente do rachado DEM, ACM Neto (BA), avisa: “Não tenho a menor vontade, nem a menor perspectiva, de discutir uma coisa assim”. Leia-se: “Tô fora”.

O fato é que Bolsonaro está perdendo as estribeiras, assiste a manifestações crescentes pelo impeachment, convive com revelações chocantes da CPI da Covid, ataca ministros do Supremo, divide as Forças Armadas e vai perder a batalha contra a urna eletrônica – aliás, com partidos do Centrão e o próprio Ciro Nogueira do outro lado da trincheira.

Desde 2018, Bolsonaro jogou no lixo o combate à corrupção, o liberalismo econômico, as reformas estruturais, a natimorta “nova política” e a mania de falar em “família” a cada frase. Livrou-se do peso da fantasia. Agora, é preciso mostrar o seu verdadeiro eu, o eu do Centrão, do PP, do baixo clero, do tudo pelo poder. Bolsonaro renasceu, mas continua Centrão desde criancinha e brincando de golpes e explosões como nos tempos de tenente da ativa.

Ciro Gomes, apontado como terceiro homem para 2022, não participou do movimento das ruas contra Bolsonaro

Ausência de Ciro Gomes representou uma oportunidade perdida

Pedro do Coutto

Reportagem de Jan Niklas e Bianca Gomes, edição de domingo de O Globo, destaca o protesto contra o governo Jair Bolsonaro que levou milhares de pessoas às ruas de cidades do país e também tiveram a adesão de brasileiros residentes no exterior. Todos pedindo pela vacinação e o impeachment do presidente da República, além de estenderem o movimento contra o esquema de corrupção que surgiu na questão de compra de imunizantes.

A repercussão foi muito grande, mas a ausência do ex-governador Ciro Gomes representou uma oportunidade perdida por ele de se afirmar como um candidato independente de Lula, mas ao mesmo tempo contrário à reeleição e às ameaças de Bolsonaro. Faltou perspectiva porque no fundo da questão Ciro Gomes é de fato o único nome que pode ser colocado no centro da polarização entre o ex-presidente Lula da Silva e o presidente Jair Bolsonaro.

ALTERNATIVA – Mas é preciso considerar que ele, Ciro Gomes, para tentar chegar ao segundo turno nas urnas de outubro de 2022 só possui um caminho, além do pequeno percentual de votos que possui; arrebatar os bolsonaristas arrependidos.

Fora daí, não há espaço para ele. Não consegue tirar dez votos do líder do PT. O título deste artigo está inspirado no filme do diretor Carol Reed, “O terceiro homem”, com a participação da Orson Welles no elenco.

PRAZO – O presidente Jair Bolsonaro desde que se desfiliou do PSL não ingressou em nenhuma outra legenda partidária e terá que fazê-lo até outubro, pois a lei partidária estabelece que qualquer pessoa para se candidatar tem que ter filiação até um ano antes das eleições. O prazo colocado para Bolsonaro tem o limite de 3 de outubro deste ano.

Por incrível que pareça, Bolsonaro tem encontrado dificuldades em inscrever-se em alguma legenda, uma situação singular na história política moderna do país. De modo geral, as direções partidárias estão sempre abertas para a inscrição de um presidente da República. Mas não é o caso que se aplica a Bolsonaro.

Reportagem de Ricardo Della Coletta, Julia Chaib e Daniel Carvalho, Folha de S. Paulo, revelou ontem que o próprio PP, que participa do governo, encontra-se dividido sobre se aceita ou não o ingresso de Bolsonaro em seus quadros. Não conseguindo inscrição, Bolsonaro cria um caso único na Justiça Eleitoral; um presidente da República inelegível por falta de inscrição partidária.

RESTRIÇÕES – Correntes de outros partidos, além de uma fração PP, também levantam restrições a conceder registro eleitoral ao presidente que dentro de menos de 18 meses se dispõe a tentar a reeleição, chegando ao ponto de fazer ameaças de cancelar o pleito se as urnas eletrônicas não forem substituídas pelo voto impresso.

É claro que após o pronunciamento dos generais Braga Netto e Hamilton Mourão, o presidente da República ficou sem espaço político e terá que recuar. Aliás, já recuou. Não há outro caminho e vale lembrar que a política é a arte de comunicar coisas e situações que os lábios não pronunciam.

CONSUMO – Falei há pouco sobre o erro de Ciro Gomes ao não comparecer às manifestações. São muitas as queixas populares contra o governo que congela salários e aceita o aumento de preços, tornando o consumo alimentar dos brasileiros de menor renda impossivel. Estes, provavelmente, terão que comer um dia sim e outro não. Incluindo seus filhos e suas famílias.

Paulo Soprana, Leonardo Vieceli e Daniela Arcanjo, Folha de S.Paulo, revelam que as classes pobres sentem muito mais a alta de preços do que as classes médias e os de renda mais elevada. Isso porque para os de menor remuneração, mais atingidos inclusive pelo desemprego, o peso percentual da alimentação é maior do que para as demais categorias sociais.

Com isso, amplia-se a fome que forma, ao lado da escassez de saneamento, transporte e habitação, uma válvula de pressão e opressão permanente contra aqueles que ganham até um salário mínimo. Uma faixa que reúne também aqueles que nem o mínimo recebem por mês. Por tudo isso, ratifico, o terceiro homem para as urnas de 2022 evaporou-se no meio da multidão.

Um dilacerado poema de Mário de Andrade, sobre a esperança que se desfaz na solidão

Paulo Peres
Poemas & Canções

O romancista, musicólogo, historiador, crítico de arte, fotógrafo e poeta paulista Mário Raul de Moraes Andrade (1893-1945),  no poema “Canção”, retrata sua vivência com a solidão.

CANÇÃO
Mário de Andrade

….de árvores indevassáveis
De alma escura sem pássaros
Sem fonte matutina
Chão tramado de saudades
À eterna espera da brisa,
Sem carinhos …como me alegrarei?

Na solidão solitude
Na solidão entrei.

Era uma esperança alada,
Não foi hoje mas será amanhã,
Há de ter algum caminho
Raio de sol promessa olhar
As noites graves do amor
O luar a aurora o amor…que sei!

Não solidão, solitude,
Na solidão entrei
Na solidão perdi-me…

O agouro chegou. Estoura
No coração devastado
O riso da mãe-da-lua,
Não tive um dia! uma ilusão não tive!
Ternuras que não me viestes
Beijos que não me esperastes
Ombros de amigos fiéis
Nem uma flor apanhei.

Na solidão, solitude,
Na solidão entrei,
Na solidão perdi-me
Nunca me alegrar