Ameaça de confissão de Cid teve pouco valor até agora, mas já produziu efeitos

Gilmar Fraga: muamba acima de tudo... | GZHBruno Boghossian  (Folha) * Charge do Fraga (Zero Hora)

A ameaça de confissão feita pela defesa de Mauro Cid produziu efeitos antes mesmo de o coronel decidir se vai realmente abrir a boca. O principal deles foi escancarar a condição de Jair Bolsonaro. O ex-presidente nunca esteve tão vulnerável. O poder dava a Bolsonaro a proteção de órgãos de controle e uma generosa boa vontade no mundo político.

Depois que ele deixou o Planalto, a blindagem se desfez rapidamente, e a luz do dia expôs segredos que submeteram o ex-presidente a um desgaste igualmente acelerado.

LEALDADE DOS ALIADOS – Restaria a Bolsonaro um ativo importante para se resguardar: a lealdade de aliados fiéis que testemunharam seus passos ou estiveram envolvidos nas suspeitas que recaem sobre o ex-presidente. Se o mais próximo desses parceiros vacilasse, a muralha poderia cair de uma vez.

A jogada do novo advogado de Mauro Cid parecia ter o objetivo de reforçar essa mensagem. Assim que assumiu a defesa do tenente-coronel, Cezar Bittencourt afirmou que o ajudante de Bolsonaro só cumpria ordens. Também disse à revista Veja que o militar vendeu joias nos EUA a mando do ex-presidente e que o dinheiro havia sido repassado ao antigo chefe.

O doutor estreou com a manjada malícia dos advogados que tratam de casos sobre organizações criminosas. Lançou na praça a possibilidade de incriminar outros suspeitos com o objetivo de despertar o interesse da polícia e, em especial, avisar a outros investigados que não assumiria sozinho nenhuma acusação.

DEPOIS, O RECUO – Dado o recado, o advogado ensaiou um recuo e deixou meias palavras no ar. Até que Cid resolva se vai falar nos autos, a promessa tem pouco valor, mas deixa à mostra os buracos da defesa de Bolsonaro.

Se uma declaração simples de Cid sobre a ordem para a venda das joias e o destino do dinheiro pode ser considerada fatal, há poucos fios sustentando o ex-presidente.

Afinal, a investigação já deixa poucas dúvidas sobre aquelas transações e ainda pode oferecer caminhos alternativos para esclarecer outras lacunas, sem uma única palavra do tenente-coronel.

Enrolado com o Centrão, Lula teve de adiar a reforma ministerial para depois da viagem

Lula embarca neste domingo para a cúpula do Brics, na África do Sul | O  TEMPO

Lula já embarcou para a cúpula do Brics, na África do Sul |

Ingrid Soares

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi obrigado a adiar novamente a reforma ministerial para depois de sua viagem à África do Sul, onde participará do Brics e só retornará no próximo final de semana. O chefe do Executivo, que viajou neste domingo, passou os últimos dias em encontros com ministros fora da agenda oficial.

A expectativa era de que Lula anunciasse no sábado as mudanças para acomodar o centrão mas o grande impasse ainda gira em torno do Ministério do Desenvolvimento Social (MDS), dirigido pelo petista Wellington Dias, amigo e homem de confiança do presidente.

PASTA DO FUFUCA – A pasta é cobiçada pelo centrão e seria ocupada pelo deputado federal André Fufuca (PP-MA). Porém, Lula reluta em entregar o MDS e se reuniu com Dias nos últimos dias. O ministro obteve aval do petista para tocar o novo projeto contra a fome no Brasil, intitulado “Brasil sem Fome”. O presidente também marcou viagem ao lado dele para o Piauí no próximo dia 31, onde deverá anunciar o programa.

Na sexta-feira, o ministro da Casa Civil, Rui Costa, foi categórico em negar a saída do ministro Welington Dias e o desmembramento da pasta, que abriga o Bolsa Família.

Conforme relatos de membros do governo ao Correio, no cenário desenhado até o momento, a presidência da Caixa Econômica Federal sairia da alçada de Maria Rita Serrano e seguiria sob direção da ex-deputada e advogada próxima a Arthur Lira (PP-AL), Margarete Coelho.

OUTRAS MUDANÇAS – Outra alteração ocorreria com o ministro Márcio França (PSB) que deve deixar Portos e Aeroportos, que ficará sob o guarda-chuva de Silvio Costa Filho (Republicanos-PE). França pode assumir o Ministério de Ciência e Tecnologia e a titular, Luciana Santos, deve ser alocada na pasta das Mulheres, de Cida Gonçalves.

Na noite do último dia 16, Lula conversou fora da agenda oficial com o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), para acertar os ponteiros em relação à troca de cadeiras e garantir maioria para votação de projetos do governo. A votação do novo arcabouço fiscal, matéria considerada prioritária para o Executivo, foi novamente adiada para esta semana devido ao imbróglio.

Um dos acenos explícitos do centrão a Lula foi a anulação da convocação do ministro da Casa Civil, Rui Costa para a CPI do MST, feita por Lira.

‘Eu vou dar 20 ou 30 versões, posso dizer o que quiser’, diz advogado de Mauro Cid

O advogado Cezar Bitencourt, que atua na defesa de Mauro Cid.

Bitencourt diz que Wassef é trapalhão e lunático

Tácio Lorran
Estadão

Após recuar da informação de que seu cliente iria incriminar o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) no escândalo das joias, o advogado Cezar Bitencourt afirma que dará “20, 30 versões” e que “pode dizer o que quiser”. Em entrevista ao Estadão, o criminalista chega a afirmar que defenderia Bolsonaro se ele o procurasse “pagando bem” e “bem mais caro” do que o cobrado do seu cliente, o tenente-coronel Mauro Cid.

O advogado admite, por outro lado, que seu cliente fará de tudo para livrar o pai de uma eventual prisão e condenação, mesmo que isso atinja Bolsonaro. “Vou fazer o trabalho de defesa do meu cliente, se respingar nele [Bolsonaro], não vou deixar de usar”, afirmou.

A atuação do senhor seria pro bono (sem custo)?
Não, claro que não. Não é verdade. Não tenho que falar [o valor]. Os meus honorários eu falo para a Receita Federal.

O senhor poderia revelar os valores?
Não. Não vale a pena. Mas não sou barato, né?!

Mas chega na casa dos milhões?
Próximo, por aí. Mas não vamos valar em valores. Isso é entre o advogado e o cliente.

O senhor mudou o discurso em relação à linha de defesa?
Eu vou dar 20 ou 30 versões, posso dizer o que quiser. A versão da defesa, efetivamente, vai vir nos autos. Não é questão de mudar. Imagine se eu tivesse que ficar preso com uma informação que eu dei? A defesa técnica eu faço no processo. Eu falo sobre fatos para jornalistas, não vou falar sobre defesa técnica.

O senhor diz à revista Veja que o Bolsonaro teria pedido para vender as joias. E quando o senhor fala com a GloboNews o senhor tira essa parte. É um detalhe mínimo, mas importante, certo?
É, mas eu tinha que ter uma confirmação desse negócio porque eu poderia ter me enganado, né? Eu não tenho muita simpatia por ele, então tenho que tomar mais cuidado para não deixar essa antipatia falar.

Mas o senhor confirma que teve essa mudança?
Teve uma pequena mudança de redação. Teve, sim. A defesa eu não mudei porque eu não fiz a defesa ainda, isso eu vou fazer nos autos. Eu tô dando informações. Não é aquilo que a gente fala para a imprensa que a gente coloca no processo.

O senhor tem informação de que as investigações também podem chegar na Michelle Bolsonaro ou no Nelson Piquet?
Não tenho a menor ideia, eu não li os autos. A Michelle pode fazer a extensão? Acho que não. Desses fatos? Não sei. Acho difícil nela. Pode ser, mas acho difícil. E com o Piquet não vejo razão nenhuma.

Uma parte das joias chegou a ficar na fazenda do Piquet, que é aliado do Bolsonaro.
Se eu tenho uma fazenda, e um amigo coloca uma coisa lá, eu não tenho responsabilidade por isso.

Não tem responsabilidade?
Não. Como vou responder se eu tenho uma fazenda e um cara bota no canto um negócio lá?

Mas se a pessoa autoriza ela tem responsabilidade…
Então, mas aí você botou um ‘se’. Não sei, não. Não sou advogado do Piquet. Não tenho nada. É muita picuinha. O cara está participando? Não. Até fizeram uma brincadeira aqui comigo. Se o presidente resolver fugir de uma hora para a outra, com certeza vai pegar um avião do Piquet. Mas isso é uma brincadeira, né? Mas isso não vai implicar ele, não. O cara tem outras assessorias, outras pessoas mais próximas.

E no caso da Michelle? Temos outros fatores apontando para ela, como a questão do dinheiro vivo.
As pessoas podem ganhar presentes, não vejo problema nenhum. Ainda mais se tratando da primeira-dama. Presente é presente. Eu tive uma informação hoje. Tem um departamento lá que tem um cidadão que é chefe desse departamento há 10 anos. Chegou presente de fora. Eles têm um departamento encarregado de despachar, reportar, catalogar e verificar esses tipos de presentes. E tem dois setores, o público e o privado. O encarregado chefe desse departamento, que sequer o Bolsonaro conversa, vai lá e faz a catalogação. Ele bota lá como público e é público. Os outros ele diz que é particular, então é particular. Então isso é do presidente. E ele faz o que quiser, pode vender. Claro, caso tenha acontecido um erro, deve se apurar juridicamente. Mas isso aí tem um problema, tem um erro de direito, pode ter sido induzido a erro. Pode acontecer? Pode. Não tenho nenhuma simpatia com o Bolsonaro. Não sou político, não gosto de política partidária. Nunca fiz política. Eu sou advogado. Se o presidente me procurasse, pagando bem, faria a defesa dele. Bem mais caro, é claro.

O senhor chegou a conversar com o dr Paulo Bueno, advogado do Bolsonaro?
Conversamos. Ele me telefonou, nos cumprimentamos. Não tem problema.

Qual foi o teor da conversa com ele?
Papo furado. A gente se trata bem. O advogado não é inimigo da parte contrária. Nós não assumimos a posição de parte, nós somos advogados da parte. Um jornalista não vai ficar inimigo de outro jornalista.

Os senhores chegaram a falar do processo?
Não, não falamos. Talvez eu nem conheça o processo ainda, está chegando. Ele faz o trabalho dele e eu faço o meu.

Ele chegou a te oferecer acesso aos autos?
Não, os autos são públicos.

Então o senhor já tem acesso?
Eu tenho acesso.

Na GloboNews o dr Paulo Bueno disse que te ofereceu acesso aos autos…
Gentileza, falando assim, mas eu tenho acesso. Troca de gentileza.

E quando foi essa ligação?
Não sei, acho que foi ontem a noite. Que dia é hoje? Hoje é sábado, nem me lembro mais. Acho que foi ontem. Mas foi só uma ligação, correto? Só uma ligação.

O Frederick Wassef chegou a te procurar também?
Não. Esse cara não tem nível, né. É um trapalhão.

O senhor acha que ele cometeu algum crime?
Não acho nada, não vou dar opinião sobre o colega. Acho que ele é um lunático, é motivo de piada.

A investigação da Polícia Federal diz que ele atuou na recuperação das joias, e ele mesmo disse que pagou com dinheiro do próprio bolso.
Ele só está querendo fazer média pois já está escanteado. Não ajuda o presidente, só atrapalha. Ele não tem nível, não tem preparo técnico. É complicado. Pelo que eu entendi, ele está sendo escanteado. Lá atrás pode ter ajudado nos negócios dos filhos, mas não tem conhecimento técnico-jurídico para encarar esse tipo de coisa.

E sobre o caso do ex-presidente Bolsonaro, o senhor acha que ele cometeu algum tipo de crime?
Quem vai julgar são as autoridades. Eu defendo um outro que nem está muito alinhado com ele, então é melhor não emitir opinião.

O senhor fala que o Mauro Cid não está muito alinhado com o Bolsonaro?
Não. Eu não estou alinhado. Eu vou fazer a defesa do meu constituinte e, se possível, nem tocar no nome do outro [Bolsonaro].

O senhor chegou a conversar novamente com o Mauro Cid?
Conversei hoje.

E o que trataram na conversa? Falou sobre a repercussão que teve?
Falei de um relatório das coisas que fiz durante a semana. Pedi um material que ele tem por causa do processo, e as coisas que a gente vai fazer na semana que vem.

Chegaram a falar em Bolsonaro na conversa?
Não, não é tão importante assim para ficar falando nele.

Mas ele demonstrou alguma preocupação em proteger o Bolsonaro?
Não, ele tem que se preocupar com a defesa dele, que é comigo. Esquece o outro lado. Acho que não é uma guerra.

Em relação ao pai, o Mauro Cid está demonstrando uma preocupação, correto?
É, mas o pai que está preocupado com o filho. Conversei com o pai também. Eles confiam no meu trabalho.

Podemos entender então que ele demonstra preocupação com o pai, e não com o Bolsonaro?
Pode. Ele se preocupa com o pai, com o Bolsonaro não. Não tem que se preocupar com o outro. Talvez o Bolsonaro pode ter preocupação com ele. Mas vi uma entrevista do presidente, ele olhou, viu o material que escrevi a respeito do meu cliente, e disse que não tem nada demais. E não tem mesmo. Essas coisas vão acontecendo no desenrolar do processo. Pode desagradar? Pode. Pode desagradar muito? Pode. Pode agradar? Também. Depende das circunstâncias. Alguém disse: ‘Você mudou a versão’. Olha, eu mudei, assim, o ângulo dos fatos. Mas a versão, defesa técnica, eu vou falar nos autos.

Mas essas mudanças protegem o Bolsonaro, correto?
Eu não estou preocupado com o Bolsonaro. Nem protege nem prejudica. O problema vai acontecer na hora certa. Quando tiver uma outra coisa. Tudo que saiu até agora eu acho que é neutro. Não tenho nenhuma preocupação em agradar ou desagradar o Bolsonaro. Vou fazer o trabalho de defesa do meu cliente, se respingar nele não vou deixar de usar.

O senhor não está preocupado se o Bolsonaro vai ou não ser preso?
Não, para mim não faz diferença. Quem decide isso é a Justiça, eu sou advogado do meu cliente.

Sobre o Mauro Cid, o senhor pretende avaliar uma prisão domiciliar?
Não, isso eu vou avaliar semana que vem. Nem falei com o delegado da Polícia Federal ainda. Um passo de cada vez.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Caramba, o advogado fala demais, é desvairado. Chega a ofender um outro advogado envolvido, Frederick Wassef, dizendo que ele é trapalhão, lunático e não tem nível.  Bem, com um advogado desse naipe, o julgamento do El Cid será um espetáculo inesquecível. Quem viver verá. (C.N.)

Aliados de Bolsonaro acham que “confissão” de Mauro Cid será um gesto de desespero

Cid nega relação pessoal com Bolsonaro e diz que ficará em silêncio na CPI | Metrópoles

Mauro Cid dirá que apenas cumpria as ordens de Bolsonaro

Marianna Holanda
Folha

Aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) consideram um gesto de “desespero” as frequentes mudanças de estratégia da defesa de seu ex-ajudante de ordens, Mauro Cid. Segundo o advogado Cézar Bittencourt, o tenente-coronel do Exército iria confessar ter negociado as joias nos Estados Unidos a mando do ex-mandatário.

A estratégia de admitir sua atuação e indicar Bolsonaro como mandante da negociação foi revelada pela revista Veja e confirmada pelo defensor à Folha e à GloboNews. Depois, voltou atrás e disse que a confissão não será sobre as joias..

PRESO EM MAIO – Interlocutores do ex-presidente lembram que Cid está preso desde maio no Batalhão do Exército, em Brasília, e está preocupado com a família. Está detido, aliás, por outra investigação, sob suspeita de adulterar o seu cartão de vacinação.

A cela possui 20 metros quadrados. O militar só costuma sair do local duas horas por dia, para um período de banho de sol em que tem disponível grande espaço para realizar corridas e musculação.

O temor é o de que Cid fale o que for preciso para deixar a cadeia, o que avaliam que pode acontecer. Interlocutores de Bolsonaro insistem, contudo, que pode até haver trapalhada ou imoralidade, mas que não houve ilegalidade na atuação do ex-presidente. E que ele não determinou que Cid fizesse o que fez com as joias.

CLIMA DE TENSÃO – Mesmo antes da operação deflagrada na semana passada, o clima já era de tensão na família do ex-ajudante de ordens. Diante da operação da sexta-feira passada (11) em que a Polícia Federal mirou Cid e seu pai, o general Lourena Cid, eles ficaram ainda mais isolados, inclusive entre aliados no Exército.

Como mostrou a coluna de Mônica Bergamo, o general Lourena Cid já havia se afastado de Jair Bolsonaro. Ele vinha demonstrando chateação com o ex-presidente e sentia que ele e seu filho estavam abandonados.

A PF descobriu que os dois atuavam em negociações para vender presentes recebidos por Bolsonaro em viagens oficiais. Os bens são considerados de Estado, e Bolsonaro não poderia apoderar-se dos itens valiosos, segundo entendimento do TCU (Tribunal de Contas da União).

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Mauro Cid deve depor novamente na próxima semana. “Ele vai confessar que comprou as joias, evidentemente a mando do presidente. Comprou e vendeu. Resolva esse negócio e venda”, disse seu advogado, antes de voltar atrás e instaurar o caos na defesa do tenente-coronel, ressalvando que ele não fará delação premiada. (C.N.)

Infelizmente, o mundo não entende e critica o estadista que vende presentes que não são dele

Há 3 homens brancos no desenho de Luiza Pannunzio. Muito parecidos com Bolsonaro, o advogado Frederick Wassef e o ex-ajudante de ordens Mauro Cid. Os dois últimos estão vestidos de homens placa - como os que existem nos grandes centros comerciais de cidades de todo Brasil. Wassef - está em pé vestindo uma placa amarela escrito em vermelho e preto: COMPRO ROLEX OURO PRATA BRILHANTE - PAGO EM CASH posicionado do lado direito de Bolsonaro que veste terno e tem a mão direita no bolso da calça e a esquerda no bolso do paletó. Um pouco a frente, Cid caminha com uma maleta na mão esquerda também vestindo uma placa amarela escrito em vermelho e preto: VENDO JOIAS OURO RELÓGIO.

Ilustração de Luiza Pannunzio (Folha)

Ricardo Araújo Pereira
Folha

A alegação de que Bolsonaro teria vendido nos Estados Unidos as joias e relógios que lhe foram oferecidos pela Arábia Saudita e pelo Bahrein é, a se confirmar, uma inspiração a todos nós. Sua excelência o senhor ex-presidente da República do Brasil não teve vergonha de vender presentes. A vergonha é um monstro difícil de dominar, mas Bolsonaro conseguiu subjugá-la por completo.

Cada vez é mais claro que Bolsonaro não tem vergonha nenhuma. Quantas vezes já recebemos presentes de que não gostamos? Tantas.

NO SITE ENJOEI… – Normalmente, a nossa reação é esquecê-los no fundo de uma gaveta. Em geral, nos ocorreria vendê-los. Especialmente se, a rigor, não fossem nossos, como é o caso.

Mas Bolsonaro terá mesmo avançado para a venda no site americano Precision Watches — com pena minha, aliás. Para manter a coerência com o nível do resto da história, Bolsonaro devia ter ido vender o Rolex e o Patek Philippe no site Enjoei.

Infelizmente, o mundo olha para um estadista que se dedica a vender presentes que não lhe pertencem e, em vez de louvar a sua coragem, o critica. O mundo parece acreditar que Bolsonaro e os seus assessores não tinham direito de vender as joias, uma vez que elas eram propriedade do Estado.

TRANSGRESSÃO E DESFEITA – Tecnicamente, o mundo tem razão. Bolsonaro cometeu uma transgressão e fez uma desfeita. Uma transgressão porque, de fato, uma pessoa não pode vender o que não lhe pertence.

Uma desfeita porque os jornais de todo o planeta estão a revelar o destino que ele deu aos presentes que a Arábia Saudita e o Bahrein lhe ofereceram.

Os dirigentes daqueles países ficaram sabendo que Bolsonaro não gostou do Rolex nem do Patek Philippe que eles compraram com tanto carinho.

EM DINHEIRO VIVO – Se ele for novamente eleito presidente do Brasil e voltar a visitar aqueles países, talvez eles façam como nós quando um sobrinho adolescente faz aniversário e se limitam a lhe dar um envelope com dinheiro, para garantir que ele não se desfaça do presente na primeira oportunidade. Pouparia muito trabalho porque o envelope não precisa ser declarado na alfândega e nem vendido na Precision Watches.

Esta é mais uma prova da seriedade e do desapego de Bolsonaro. Bens materiais como joias e relógios não lhe dizem nada. Troca-os imediatamente por alguns simples papéis com alguns números escritos. Sempre a pensar nas contas corretas e na economia.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – Ricardo Araújo Pereira é humorista português, membro do coletivo português Gato Fedorento e autor de “Boca do Inferno”. Está se especializando em fazer “piada de brasileiro” e já tem um repertório vastíssimo. (C.N.) 

Inércia proposital? PM usou seus soldados iniciantes para reprimir a invasão do 08/1

PMs do Amazonas reforçarão segurança em Brasília até o fim do mês

A verdade é que a PM contribuiu para acontecer a invasão

Jonatas Martins
Metrópoles

Em denúncia enviada ao Supremo Tribunal Federal (STF), a Procuradoria-Geral da República (PGR) aponta que a Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF) escalou 200 homens com a “pior formação” e “a menor experiência” para atuar no dia 8 de janeiro de 2023, quando manifestantes golpistas invadiram e depredaram prédios federais em Brasília.

Mensagens do alto comando da PMDF na véspera dos atos antidemocráticos mostram que foram escalados 200 praças em formação, militares recém-ingressados na corporação, para conter os golpistas.

INEXPERIENTES – Sobre a convocação desses policiais novatos, a PGR afirma que se tratava de um efetivo “sem qualquer experiência policial, postos de maneira covarde pelos mais altos oficiais da PMDF para conter milhares de insurgentes dispostos a confrontos físicos”.

A acusação da procuradoria baseou-se em uma conversa entre os principais líderes da PMDF na época: coronel Klepter Rosa Gonçalves, subcomandante, e o coronel Fábio Augusto Vieira, comandante-geral da corporação durante o 8 de Janeiro. Os homens trocavam informações sobre o contingente militar que seria utilizado.

Coronel Klepter Rosa afirma que estão escalados 200 CFP, referindo-se aos praças em formação E o coronel Fábio Vieira opina que o efetivo proposto por Klepter devia ser suficiente, diz o material obtido pelo Metrópoles

CONFRONTO ESPERADO – Além dos 200 praças, houve um efetivo militar especializado que foi mantido na Praça dos Três Poderes. No entanto, segundo a PGR, a Polícia Militar do DF deveria impedir que os “manifestantes” chegassem ao local, conforme compromisso assumido em documentos. O restante do efetivo da PMDF ficou em regime de sobreaviso.

“Os policiais com aptidão para obstar o avanço dos insurgentes, portanto, deveriam estar prontos para confronto na retaguarda das linhas de contenção, inviabilizando qualquer acesso à Praça dos Três Poderes”, indicou a denúncia. Na mesma conversa em que decide escalar os praças em formação, Klepter também reforça a possibilidade de um confronto.

Para a Procuradoria-Geral da República, o regime de sobreaviso era insuficiente para garantir “a salvaguarda dos bens jurídicos postos em perigo”, dada a perspectiva de invasão de prédios públicos e a necessidade de efetivo para impedir os planos golpistas e repelir eventuais depredações materializadas por eles.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Está mais do que caracterizada a cumplicidade da Polícia Militar, que inclusive escoltou os milhares de manifestantes no percurso do acampamento até a Praça dos Três Poderes. Por isso, a Polícia Federal realizou uma operação nesta sexta-feira e já estão presos sete oficiais que faziam parte da cúpula da Polícia Militar do Distrito Federal. E ainda falta prender muita gente. (C.N.)

Confissão de Cid sobre Rolex de Bolsonaro não interessa à PF, dizem os investigadores

O tenente-coronel Mauro Cid em depoimento à CPI do 8 de Janeiro

Bolsonaro pretende que Mauro Cid assuma a culpa sozinho

Malu Gaspar
O Globo

A nova estratégia jurídica do tenente-coronel Mauro Cid teve grande repercussão política, mas não deve garantir a ele nenhuma boa vontade onde realmente interessa: a Polícia Federal.

O advogado Cezar Bitencourt, que assumiu nesta semana a defesa do ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro ,deu entrevistas nos últimos dias afirmando que Cid vai confessar que vendeu nos Estados Unidos o Rolex recebido de presente da Arábia Saudita por ordens do presidente Jair Bolsonaro. Depois, voltou atrás, desmentiu tudo.

PF JÁ SABE TUDO – Porém, de acordo com investigadores que trabalham no inquérito sobre a venda (e a posterior recompra) das joias sauditas, não há nenhum interesse na confissão do tenente-coronel.

“Essa confissão que ele quer fazer não acrescenta nada ao que já sabemos. As provas que reunimos já mostram que ele vendeu o relógio e que fez isso por determinação do ex-presidente”, diz um investigador envolvido no caso. “Se for para confessar o que a PF já sabe, melhor ele esperar para tentar usar a confissão no julgamento e reduzir a pena.”

Desde que entrou no caso em nome de Cid, na última quarta-feira, o criminalista Cezar Bitencourt já deu duas versões diferentes para a venda das joias sauditas.

Na quinta-feira, Bitencourt disse à revista Veja que Cid confessaria a negociação de joias subtraídas do patrimônio da Presidência sob ordens de Bolsonaro. Mas nesta sexta-feira, em entrevista ao programa Estúdio i, da Globonews, ele recuou e disse que o ex-ajudante de ordens operou a venda de uma única joia, um Rolex.

FICOU CONFUSO – Ao explicar o que foi feito do dinheiro, ficou confuso. Disse que não sabia ao certo, mas que achava que tinha sido transportado nos bolsos de alguém, e entregue ao ex-presidente ou à ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro.

Bitencourt também afirmou na entrevista que Mauro Cid pretende prestar um novo depoimento à PF, mas os investigadores ainda não receberam nenhum contato da equipe do ex-ajudante de ordens de Bolsonaro.

De todo modo, afirmam não ter “nenhuma pressa” de ouvir nem Cid filho e nem o pai, general Lourena Cid, que emprestou sua conta bancária nos Estados Unidos para receber os US$ 68 mil pagos pelo Rolex de platina cravejado de diamantes por uma loja da Pensilvânia.

TERÃO DE FALAR – Tanto os Cid como o ex-presidente Bolsonaro e o advogado Fred Wassef, que foi ao Estados Unidos em março para recomprar o Rolex e devolver ao Tribunal de Contas da União (TCU), devem ser ouvidos no bojo desse inquérito.

Mas, em princípio, a ideia é ouvi-los só mais para o final, quando as perícias nos celulares apreendidos e outras diligências já tiverem terminado.

Claro que nada disso elimina o interesse da Polícia Federal em uma delação premiada do ex-ajudante de ordens. Mas, se quiser entrar em acordo com a PF, Cid terá de falar mais do que já falou. Bem mais.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Essa delação premiada seria espetacular, porque Mauro Cid teria de falar tudo o que sabe sobre Bolsonaro, para reduzir ao máximo suas penas. Quanto à dinheiro, isso não é problema, porque a família Cid ficou misteriosamente rica nos Estados Unidos e todos têm green-card (visto de permanência), e mesmo Cid sendo expulso do Exército, sua esposa continuaria ganhando a pensão de tenente-coronel. (C.N.)

Bitencourt, Bueno e Wassef montam teatro de absurdos para defender Cid e Bolsonaro

Teses das defesas são repletas de contradições e falhas

Pedro do Coutto

Os advogados que defendem no processo das joias o tenente-coronel Mauro Cid e o ex-presidente Jair Bolsonaro, respectivamente Cezar Bitencourt e Paulo Amador Cunha Bueno, e também com a participação sempre surpreendente de Frederick Wassef, na verdade, montaram um20 verdadeiro teatro de absurdos na tentativa de defender o ex-ajudante de ordens e o próprio ex-presidente da República da acusação de venda ilegal de joias nos Estados Unidos numa sequência impressionante de ultrapassagens legais.

O advogado Cezar Bitencourt iniciou a montagem do teatro com uma entrevista à Veja na quinta-feira, onde ameaçava que Mauro Cid estava disposto a confessar ter vendido o relógio Rolex e entregue o dinheiro a Bolsonaro. Nesta altura, entrou em campo o advogado Paulo Amador Cunha Bueno. Ele disse que falou rapidamente com Bitencourt, que então reapareceu na noite de sexta-feira na GloboNews recuando de suas declarações iniciais gravadas pela Veja, e afirmando que o tenente-coronel não iria denunciar o episódio, mas sim explicar.

TESE CONTRADITÓRIA – A explicação não servia para Paulo Amador Cunha Bueno. Tanto assim que em uma longa entrevista à Natuza Nery e Andréia Sadi Cunha Bueno desenvolveu uma extensa tese, sustentando que o ex-presidente da República, com base na lei, poderia vender os presentes valiosos. Se a lei permitia, e Bolsonaro podia comercializar as joias recebidas de presente, por que ele insistiu na negativa em relação a tal transação? Se era legítima, não havia motivo para negar a ação.

Mas nada disso o advogado levou em conta. Está evidente que houve uma combinação com a entrada em cena de Paulo Amador da Cunha Bueno, revelando a preocupação de Jair Bolsonaro com a possibilidade de confissão de Mauro Cid. O absurdo montado por Cezar Bitencourt, Paulo Amador Cunha Bueno e com a participação de Frederico Wassef, que saiu espontaneamente do Brasil para recomprar o relógio Rolex, evidencia que Bolsonaro está envolvido numa teia de contradições e enigmas.

No O Globo, edição deste sábado, a repórter Paolla Serra escreve uma excelente matéria sobre o assunto, e Natuza Nery e Andréia Sadi foram testemunhas, na sexta-feira, das contradições apresentadas por Cezar Bitencourt e Paulo Amador Cunha Bueno. Elas não aceitaram as versões fantasiosas, e ambos saíram mal na cena.

ELETROBRAS – Numa entrevista a Manuel Ventura e Thiago Bronzatto, O Globo, o ministro Alexandre Silveira afirmou que o MInistério de Minas e Energia não chegou a nenhuma conclusão sobre o apagão que atingiu uma grande parte do país, acrescentando que governo está sem quase interlocução com a Eletrobras.

Se o Ministério de Minas e Energias, ao qual a Eletrobras está vinculada e subordinada, afirma que a sua direção não tem quase interlocução com o governo Lula da Silva, a Diretoria da Eletrobras tem que ser substituída. Não é possível que uma empresa, na qual o governo detenha 42% das ações, se recuse a ter diálogo com o Poder Executivo.

CRITÉRIO – Estranha a afirmação do ministro, pois não está acompanhada de nenhuma ação junto ao governo para restabelecer a interlocução. Também não é possível que, com 42% das ações da Eletrobras, o governo tenha apenas 10% dos votos nas assembleias. Na minha opinião, o Supremo vai restabelecer o critério lógico de votação.

Silveira não descarta a possibilidade de sabotagem, o que é muito grave e também um erro do Operador Nacional do Sistema. A responsabilidade é do ONS, pois se a entidade tem a tarefa de operar o sistema nacional,é evidente que, se operou errado ou se existiu a má intenção, a responsabilidade é sua.

Em termos jurídicos, a venda das joias não é nada, em comparação ao golpe

Charge: Fraude x Golpe. Por Laerte

Charge do Laerte (Folha)

Roberto Nascimento

A venda das joias, sejam consideradas “personalíssimas” ou se deveriam constar do Patrimônio da União, é de menor potencial ofensivo para a nação, quando comparada à extrema gravidade da tentativa do golpe de Estado, que chegou perto de acontecer — muito perto mesmo, convenhamos

Os principais personagens no caso das joias, Mauro Cid e Bolsonaro, se comprovados os crimes de peculato, evasão de divisas e lavagem de dinheiro, a pena máxima não excederá oito anos de prisão.

TRANCAR A AÇÃO – Portanto, com a habilidade dos advogados criativos na construção da defesa, Paulo Bueno (Bolsonaro) e Cezar Bitencourt (Mauro Cid), nesse caso específico acredito que o juiz possa até conceder o trancamento da Ação Penal, pois Bolsonaro não tem mais foro privilegiado, deve ser julgado pela primeira instância da Justiça Federal de Brasília, onde morava na ocorrência dos crimes.

A situação de Bolsonaro se agrava mesmo é em relação a esses crimes de ameaça à democracia, tentativa de fraudar o processo eleitoral, utilização de milícias digitais para se perpetuarem no Poder e incentivo e planejamento do vandalismo de 12 de dezembro de 2022 e 8 de janeiro de 2023.

Desses processos a turma golpista não escapa, porque seus autores deixaram pontas soltas. E o quebra cabeça está quase fechado, com nome e sobrenomes dos partícipes.

ROMPIMENTO – Tudo indica que há possibilidade de rompimento entre Mauro Cid e Jair Bolsonaro, que insiste em atribuir ao ajudante de ordens uma suposta “autonomia plena” no caso das joias, afirmação que é apenas uma forma de transferir a Cid toda a culpa pela venda das peças.

Portanto, é preciso acompanhar a movimentação do atual advogado de Mauro Cid, que um dia faz um pronunciamento, no outro se desmente e cria outra narrativa.

Entrevistado na GloboNews” na sexta-feira, o advogado Cezar Bitencourt, que defende Mauro Cid, se contradisse o tempo todo. Pressionado pelas jornalistas Andreia Sadi e Natuza Nery, ele primeiro negou e depois foi obrigado a admitir ter conversado na noite anterior com o advogado de Bolsonaro, Paulo Bueno.

CAI A MÁSCARA – As jornalistas colocaram Bitencourt no canto do ringue, com a seguinte pergunta: “O senhor mantém a afirmação de que não se encontrou com o advogado de Bolsonaro?”

A máscara então caiu e ele foi constrangido a admitir que realmente falou com o criminalista Paulo Bueno. Mas, disse que foi por telefone e no tempo de apenas um minuto.

À tarde, também na GloboNews, em programa comandado por Julia Dualibi, o advogado de Bolsonaro também admitiu que conversou com Cezar Bitencourt, e o tempo então subiu para três minutos…

ESTRATÉGIA DIVERSIONISTA – Está claro que os advogados estão insistindo em discutir a questão da venda das joias, para tirar do foco os crimes muito mais graves que envolvem a tentativa frustrada do golpe de Estado. Essa estratégia diversionista da defesa não deixa dúvida de que os advogados terão muito trabalho para desconstituir a participação de Bolsonaro e Cid na trama golpista.

E a entrevista de Bolsonaro ao Estadão, sexta-feira, dentro de uma padaria muito simples, tomando café com leite, foi um marketing para demonstrar ser um homem do povo, um simples cidadão que luta diariamente pela sobrevivência.

Bolsonaro na verdade recebe quase 100 mil reais por mês entre aposentadoria de capitão, aposentadoria de deputado federal e os 42 mil reais que o dono do PL (Partido Liberal), Valdemar da Costa Neto, lhe paga religiosamente com recursos do Fundo Partidário. Michelle ganha outros R$ 42 mil do PL, e Bolsanaro fatura mais R$ 150 mil mensais com o rendimento do R$ 17,2 milhões do Pix de apoiadores.

ESPÍRITO PÚBLICO – Lembrem que só podemos escrever estas simplórias linhas, sem risco de sermos presos, torturados e até mortos, porque os militares legalistas do Alto Comando do Exército, em maioria dos seus membros, foram contra o golpe de Estado.

Sempre reafirmo o relevante espírito público dos generais. Não entraram nessa loucura, que poderia desencadear numa guerra civil e a até na consequente divisão da nação em cinco regiões autônomas, para as potências externas explorarem os brasileiros com mais facilidade.

A força do país brasileiro está na unidade nacional, nos objetivos permanentes de uma sociedade mais justa e solidária, irmanada na mesma língua portuguesa e no equilíbrio entre os Estados da Federação.

Um coração vadio que busca repartir felicidade, na canção de Claudio Nucci e Paulinho Tapajós

Claudio Nucci Estrela da manhã parceria com Paulinho Tapajós - YouTube

Paulinho Tapajós e Claudio Nucci

Paulo Peres
Poemas & Canções

O produtor musical, cantor e compositor paulista Claudio José Moore Nucci,  conhecido como Claudio Nucci, e seu parceiro Paulinho Tapajós (1945-2013), falam de um “Coração Vadio” em busca de repartir felicidade entre as pessoas, embora a letra também possa se entendida como uma forma de traição amorosa. A música foi gravada por Jackie Hecker no CD Isso e Aquilo, em 2005, pela Dabliú.

CORAÇÃO VADIO

Paulinho Tapajós e Claudio Nucci

Quisera que o meu coração,
Apenas quisesse você,
Mas ele sadio, vaidoso, vadio,
Enxerga o mundo que vê

Os passos do meu coração,
Só fazem traçar bem-querer,
Fazendo o destino,
Total desatino,
Seu sangue é latino, é viver

Abrindo a prisão,
Bancando o vilão,
Soltando as amarras da vida,
Vivendo aprendiz,
Da alma que diz

Saber ser feliz é uma arte,
Amor quando a gente reparte,
Retorna dobrado depois.

Prisão de Bolsonaro agora só se justificaria caso ele pudesse obstruir as investigações

Leandro_Assis_Ilustra on Twitter: "Tenho um novo vício. Ilustrar a rotina  do Bozo atrás das grades. Satisfatório demais. #JAILBolsonaro  #ForaBolsonaro #bolsonarogenocida https://t.co/4weYyazCTh" / X

Charge do Leandro Assis (Twitter)

Renata Galf
Folha

Os recentes desdobramentos na investigação sobre o suposto desvio de joias e presentes recebidos por Jair Bolsonaro (PL) enquanto era presidente não justificariam neste momento uma eventual prisão preventiva do ex-mandatário. O mesmo se aplica ao suposto plano contra as urnas relatado à CPI do 8 de janeiro pelo programador Walter Delgatti Neto. A avaliação é de professores e advogados criminalistas consultados pela Folha.

Entre os elementos que precisariam estar presentes para uma eventual decretação de prisão preventiva, além dos indícios de ocorrência de crime, está a existência de risco com a liberdade do investigado, como de coação de testemunhas ou destruição de provas.

VENDA DAS JOIAS – No dia 11 de agosto, a Polícia Federal fez buscas contra pessoas próximas a Bolsonaro e apontou o ex-presidente como suspeito de um esquema para vender os bens no exterior e receber os valores em dinheiro vivo.

A PF pediu, inclusive, a quebra de seus sigilos bancário e fiscal de Bolsonaro, bem como os da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, o que foi autorizado pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), na quinta-feira (17).

Também na quinta, o novo advogado do tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro, disse que Cid decidira confessar a participação na venda das joias e declarar que havia agido por ordem de Bolsonaro. O defensor do militar, no entanto, já mudou a versão sobre o assunto diversas vezes em entrevistas.

DISSE O HACKER – Outro acontecimento que aumentou a pressão sobre Bolsonaro foi o depoimento do programador Walter Delgatti Neto, conhecido como hacker da Vaza Jato, à CPI do 8 de janeiro. Entre outras afirmações, ele disse que a campanha do ex-presidente planejou forjar a invasão de uma urna eletrônica durante as celebrações do 7 de Setembro de 2022.

A advogada criminalista Marina Coelho Araújo, que é também conselheira do IASP (Instituto dos Advogados de São Paulo), não vê hoje fundamentos para uma prisão preventiva de Bolsonaro, fazendo a ressalva de que não conhece o processo na íntegra.

Ela aponta que o Código de Processo Penal, ao tratar das hipóteses de prisão preventiva, prevê a garantia da instrução criminal. Nesse caso, condutas como a coação de testemunhas são lidas como atos que afetam essa circunstância. Além disso, ela aponta que a prisão preventiva exige contemporaneidade. “O que significa isso? Um perigo iminente e atual de que os crimes continuem acontecendo. E eu não vejo isso.”

EXTREMA NECESSIDADE – Vinicius de Souza Assumpção, advogado criminalista e segundo vice-presidente do IBCCrim (Instituto Brasileiro de Ciências Criminais), diz que a prisão só deve ser adotada em caso de extrema necessidade e não vê justificativa para tanto, com base nas informações que se tem hoje sobre os casos envolvendo Bolsonaro.

Ele diz ainda que, mesmo em um cenário em que Mauro Cid fizesse uma confissão, nos termos afirmados por seu advogado, colocando Bolsonaro como mandante, não seria justificativa para prisão. “Não é a quantidade de elementos que vai determinar que a prisão seja feita agora”, diz.

“Poderia haver uma prisão preventiva diante desse quadro que a gente tem se, por exemplo, se comprova uma tentativa de fuga do país. Isso de maneira comprovada, com elementos. Não basta especular que a pessoa pode fugir.”

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Em liberdade, Bolsonaro não representa risco de atrapalhar inquérito, muito pelo contrário. Ele é um risco para si mesmo, porque suas declarações sempre contribuem para agravar sua situação. Como escrevi aqui em 2018, conheci Bolsonaro pessoalmente em 2007, quando tive uma importante conversa com ele na Câmara e lhe informei sobre uma grave ameaça à integridade do Brasil. Apesar de eu ter explicado a situação duas vezes, pausadamente, tive certeza de que ele não compreendera o que eu estava falando. Bem, com essa estreiteza mental, cada vez que Bolsonaro tenta se defender, é uma tragédia para os advogados dele. (C.N.)

Mais vexame! Procuradoria reduz em quase R$ 7 bilhões a multa que foi imposta à J&F

Quem é Joesley Batista, o empresário que entregou Temer | Exame

Joesley sabe fazer mágicas ao manipular recursos públicos

Deu em O Globo

O Ministério Público Federal (MPF) confirmou a redução no valor a ser pago pela empresa J&F como multa imposta em acordo de leniência de pouco mais de R$ 10 bilhões para cerca de R$ 3,5 bilhões, conforme adiantou a colunista do GLOBO, Malu Gaspar. Os donos da empresa, os irmãos Joesley e Wesley Batista, assinaram o acordo em 2017 no âmbito da Operação Lava-Jato, como forma de atenuar sanções.

Como mostrou Malu Gaspar, as tratativas que culminaram na redução da multa abriram uma crise interna no MPF. Um dos procuradores alerta Augusto Aras sobre ‘ilegalidades’ em desconto de R$ 6,8 bilhões na leniência da J&F, mas as negociações prosseguiram.

TERIA HAVIDO ERRO – O cálculo inicial feito pelo MPF previa o pagamento de R$ 10,3 bilhões distribuído para União e outras entidades, como os fundos de pensão Funcef e Petros, além de BNDES e a Caixa Econômica Federal.

Contudo, de acordo com o MPF, foi identificado um “grave erro na fórmula adotada no cálculo do faturamento bruto” da empresa na hora de definir o valor do acordo, levando a um aumento de R$ 5 bilhões na base de cálculo.

Além disso, ainda segundo o MPF, foram constatados “ausência de qualquer fundamentação legal para indicar a aplicação dos percentuais de agravante, atenuante e redução legal da multa” e alguns “excessos na aplicação de outras variáveis”, bem como “inovações não previstas na lei”. Ao fim, informa o órgão, chegou-se ao valor de aproximadamente R$ 3,5 bilhões.

PEDIDO DA EMPRESA – Apesar de confirmar a mudança no tamanho da multa, o MPF pontuou que a alteração atendeu a um “pedido pontual de solução de controvérsias” apresentado pela empresa, “e não de uma repactuação ou revisão” dos termos.

O órgão frisou que a 10ª Vara Federal da Seção Judiciária do Distrito Federal e o Tribunal Regional Federal da 1ª Região tinham chancelado o acordo de leniência e apontaram a “necessidade de enfrentamento do mérito da solução de controvérsias”.

Os procuradores definiram ainda que o pagamento, agora, será destinado exclusivamente à União, que vai passar a receber integralmente o valor a ser pago pela J&F.

NOTA DO MPF – “As demais entidades com natureza jurídica de direito privado equivocadamente beneficiadas no acordo de leniência foram excluídas de tal benefício por ausência de amparo legal, por não ter sido comprovado qualquer prejuízo sofrido em face da empresa leniente e, ainda, pelo fato de ser descoberto com algumas das diligências realizadas que estas mesmas entidades, ao contrário do que afirmado, obtiveram volumosos ganhos e rendimentos por ocasião das negociações realizadas com a citada empresa”, explica o MPF, em nota.

O órgão acrescenta que não cabe à instituição “promover a advocacia particular ou a defesa dos interesses particulares das entidades listadas e ilegalmente beneficiadas no acordo de leniência”.

Até o momento, segundo o MPF, a empresa só providenciou o pagamento junto a União da quantia aproximada de R$ 608,2 milhões.

APROVAÇÃO SINGULAR – Outra mudança foi a redução do prazo para quitar o valor, que passou de 25 anos para oito anos.  As medidas foram aprovadas pelo coordenador da 5ª Câmara de Coordenação e Revisão do MPF, Ronaldo Albo, em junho. A redução na multa prevista no acordo de leniência da J&F gerou atritos no MPF.

Como mostrou a colunista do GLOBO Malu Gaspar, o coordenador Ronaldo Albo teria tomado a decisão à revelia dos votos de outros dois subprocuradores, que não concordaram com a diminuição do valor.

O procurador da República Carlos Henrique Martins Lima, responsável pelo processo da J&F, também desejava que as mudanças fossem anuladas.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Mais uma importante matéria enviada por Mário Assis Causanilhas. Desculpem a franqueza, mas essa “negociação” fede a quilômetros de distância, ainda mais quando se sabe o passado dos irmãos Joesley e Wesley Batista, conhecidos especialistas em corromper e subornar autoridades públicas. O fedor é insuportável. (C.N.)

Defesa de Cid e nova versão de Wassef mostram que a turma do golpe age no modo desespero

Wassef admite compra de Rolex para devolver à União e diz ter usado dinheiro próprio

Wassef assume a culpa, na tentativa de proteger Bolsonaro

Bruno Boghossian
Folha

Jair Bolsonaro tinha um dedo de ouro para escolher auxiliares. Seu principal assessor no Planalto era um militar que, segundo sua defesa, era tão disciplinado que cumpria até ordens ilegais. Já o advogado particular do ex-presidente era capaz de atravessar o continente para ocultar suspeitas sobre o chefe e ainda jurar que agia sem ninguém pedir.

As explicações oferecidas por aliados de Bolsonaro sobre o escândalo das joias mostram que a tropa da muamba opera num modo desesperado.

O ROLO SE AMPLIA – Uns fazem de tudo para proteger a si mesmos, e outros ensaiam piruetas para blindar o chefe. Todos acabam deixando o ex-presidente um pouco mais enrolado.

O avanço das investigações da PF testa a fidelidade de Mauro Cid, ajudante número um de Bolsonaro. O novo advogado contratado pela família do coronel apareceu na GloboNews para afirmar que o militar é inocente. “Ele é só o assessor. Assessor cumpre ordens”, declarou. Depois, deu entrevista à Veja anunciando que Cid dirá que Bolsonaro mandou vender as joias, em dinheiro vivo.

Já o notório Frederick Wassef se expôs ao ridículo para tentar desviar as atenções de Bolsonaro. Na segunda-feira (14), o advogado disse que nunca tinha visto o Rolex que, segundo a PF, ele havia recuperado nos EUA para ajudar o ex-presidente.

TUDO ERRADO – A estratégia de Wassef foi tão ousada quanto obtusa. Os investigadores tinham seu bilhete aéreo para os EUA na época das transações, os diálogos sobre sua participação na história e um recibo da compra do relógio em seu nome, por US$ 49 mil.

O advogado teve que mudar a versão. Convocou uma entrevista e admitiu que havia resgatado o relógio, mas protegeu o ex-presidente: “Meu cliente Jair Bolsonaro não tem nada a ver com essa conduta, que é minha, e eu assumo a responsabilidade”.

Wassef reedita a desculpa esfarrapada que deu em 2020, quando a polícia entrou numa casa do advogado e encontrou Fabrício Queiroz escondido. Na ocasião, ele tentou fazer jus ao apelido de Anjo que recebeu da família de Bolsonaro e disse que o ex-presidente não sabia de nada.

Carla Zambelli será condenada por sacar arma, mas não será cassada (por enquanto…)

Carla Zambelli saca arma e aponta para homem em rua de São Paulo

Carla Zambelli protagonizou uma cena de violência nas ruas

Luana Patriolino
Correio Braziliense

O Supremo Tribunal Federal (STF) formou maioria, nesta sexta-feira (18/8), para transformar a deputada Carla Zambelli (PL-SP) em ré por porte ilegal de arma de fogo e constrangimento ilegal com emprego de arma de fogo. Às vésperas da eleição presidencial do ano passado, a parlamentar perseguiu e ameaçou o jornalista Luan Araújo, em São Paulo.

O processo está no plenário virtual da Corte. A acusação foi oferecida pela Procuradoria-Geral da República (PGR). Os ministros podem inserir seus votos no sistema até segunda-feira (21). Até a última atualização desta matéria, o placar está em 6 a 1 para transformar Zambelli em ré.

MULTA E PORTE – A PGR pede que o STF condene a deputada a uma multa de R$ 100 mil por danos morais coletivos, além da decretação da pena de perdimento da arma de fogo utilizada no contexto criminoso e do cancelamento definitivo do porte de arma.

Segundo o órgão, Zambelli não tinha autorização para usar o revólver ostensivamente em público. O ministro Gilmar Mendes, relator do caso, destacou que, embora Carla Zambelli tenha porte de arma, ela agiu “fora dos limites da defesa pessoal, em contexto público e ostensivo. Ainda mais às vésperas das eleições, em tese, pode significar responsabilidade penal”.

O voto de Gilmar Mendes foi acompanhado por Alexandre de Moraes, Cármen Lúcia, Cristiano Zanin, Edson Fachin e Luís Roberto Barroso. O ministro André Mendonça divergiu, argumentando que não cabe à Suprema Corte analisar esse tipo de denúncia.

RELEMBRE O CASO – Carla Zambelli, uma das maiores aliadas do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) — derrotado nas urnas — apareceu em um vídeo gravado, nos Jardins, bairro nobre de São Paulo, com uma arma na mão correndo atrás do jornalista Luan Araújo.

O caso ocorreu às vésperas das eleições. próximo a um ato de campanha do candidato a presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do PT.

As imagens que circularam pelas redes sociais mostram o homem correndo no cruzamento das alamedas Lorena e Joaquim Eugênio, perseguido pela deputada, que ainda não aparece com a pistola.

ARMA NA MÃO – A pessoa que faz a gravação diz “é a Zambelli, é a Zambelli”. Momentos depois, a deputada aparece com uma arma na mão, apontando em direção ao homem, e grita “pega ele”.

O rapaz tentou se esconder em um comércio e a deputada entrou no local e gritou para ele: “deita no chão, deita no chão”. Depois do episódio, ela apareceu em seu perfil do Instagram alegando que foi agredida pelo homem, que seria “um homem negro” e “militante de Lula”. “Me chamaram de filha da puta”, disse.

Após o caso, o ministro Gilmar Mendes ordenou que a bolsonarista entregasse a arma às autoridades. A vítima foi ao STF pedir a abertura de processo criminal contra Zambelli. Na ação, a defesa do homem diz que a deputada teria cometido quatro delitos: racismo, ameaça, perigo para a vida ou saúde de outrem e constrangimento ilegal majorado pelo emprego de arma de fogo.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Quando o Supremo aceita a denúncia, indica que haverá condenação. Carla Zambelli será obrigada a pagar multa, terá a pistola apreendida e nunca mais possuirá porte de arma. Desta vez, não será cassada. Mas depois poderá perder o mandato, em função de outros processos criminais a que responde, de maior gravidade. (C.N.)

Cid tinha ‘autonomia’ para vender um Rolex no exterior e trazer o dinheiro, diz Bolsonaro

Jair Bolsonaro disse em entrevista ao Estadão que Mauro Cid tinha "autonomia" para agir

Ficou claro que Bolsonaro tenta culpar Cid

Weslley Galzo
Estadão

O ex-presidente Jair Bolsonaro alegou em entrevista ao Estadão que seu ex-ajudante de ordens Mauro Cid tinha “autonomia” para agir. A declaração foi em resposta ao questionamento se o ex-presidente havia pedido para seu subordinado vender joias no exterior e trazer de volta o dinheiro para o País. Mauro Cid levou para os Estados Unidos um relógio Rolex que Bolsonaro havia recebido de presente. O item deveria ter sido devolvido à União.

Na entrevista, primeira vez em que fala longamente sobre o caso, Bolsonaro negou que tenha recebido dinheiro de Cid por conta da venda do Rolex. “Não mandei ninguém vender nada”, disse. “Não recebi nada”, completou.

MAIOR DIVERGÊNCIA – Essa é, até o momento, a principal divergência entre as defesas do ex-presidente e do seu ex-ajudante de ordens. O advogado de Mauro Cid, Cezar Bitencourt alega que seu cliente vendeu o relógio e entregou o dinheiro ao chefe Bolsonaro. Já o ex-presidente disse que não recebeu valor algum.

Nesta sexta-feira, a defesa de Mauro Cid mudou de versão em relação a um ponto importante. Há um dia, Bitencourt havia declarado que seu cliente agiu sob ordens de Bolsonaro e que vendeu o relógio porque o chefe pediu. Agora, o advogado de Cid afirma que o ex-presidente pediu que seu subordinado resolvesse o “problema do Rolex”. Coube a Mauro Cid tratar do assunto por sua conta.

O advogado do Mauro Cid mudou a versão dele em relação à entrevista da revista Veja…
Eu li a matéria, não achei nada de concreto contra mim ali. O tempo vai esclarecer tudo isso aí.

E a decisão do ministro Alexandre de Moraes que determinou a quebra de sigilo do senhor?
Sem problema nenhum. Minha esposa, sem problema nenhum.

Não incomoda… à primeira dama?
Lógico que tudo incomoda, lógico que incomoda, mas sem problema nenhum.

Essa manhã, como que o senhor estava se sentindo assim com essas especulações (de prisão)?
O que que você acha, eu tô, eu tenho uma pressão desde antes de assumir a Presidência. Passei quatro anos difíceis, né? Para o Brasil e para mim também, para a minha família. Eu tô há oito meses aqui, estamos em agosto né? Parece que eu continuo sendo… pautando a vida. Tem uma declaração do Lira falando sobre esse caso, né? Todos os ex-presidentes tiveram problemas (com presentes). A legislação é confusa. É de 1991, se não me engano. Tem uma portaria do final de 2018 no governo Temer, e ali está dito o que é personalíssimo, que quem disse que qualquer presente é personalíssimo ou não é um órgão da Presidência. E tem começar por aí. Eu gostaria muito que vocês fizessem um jornalismo investigativo. Essa equipe que trabalha lá não é comissionada, são pessoas antigas.

Presidente, a Veja cita essa portaria do Michel Temer e lá está descrito que essa portaria foi revogada.
Final de 21.

Em relação a isso, já não vale mais a portaria. Em relação ao caso das joias…
Ela vale, pelo menos, até a data que ela ‘vigiu’. Agora, se eu tivesse má-fé, não teria… estaria preocupado com essa portaria.

O caso então não se enquadraria no Rolex, por exemplo, da Arábia Saudita mas no Patek Philippe…
Eu não vou entrar em detalhe. Quando a portaria é revogada, tem direito a uma vacância. O TCU fez um acórdão em 2016 que provoca o Parlamento para que uma decisão legislativa seja tomada para botar um ponto final nessas questões. Você pode ver, o Lula sofre até hoje com isso. Todos os ex-presidentes apanharam no tocante a isso aí. Eu tô nesse bolo.

Quanto ao Walter Delgatti, o senhor faria uma acareação com ele?
Vamos continuar com esse assunto (presentes), eu volto no Walter Delgatti para você. Tem que ter uma legislação, o único problema que eu tô tendo no governo é isso. Uma legislação que todo mundo com boa-fé, quando vê a legislação verifica que não tem problema. Outra coisa, quando você recebe presente fora do Brasil, você recebe muito presente. Nenhum presente veio no meu avião, vem no outro avião, e ele vem diretamente, essa é a orientação pra tal do GADH para cadastrar e classificar. Então não tenho acesso a tudo que chega lá. Eu tenho nove mil itens, metade dos itens são camisetas e bonés. Agora, camisetas e bonés. O que fazer com isso aí? Tá guardado em um canto. Tá bem guardado, mas é só dor de cabeça.

O ponto mais tenso é que na PF tem um diálogo do Cid dizendo, por exemplo, que um dos relógios foi vendido nos Estados Unidos, em Nova Iorque e seria dado 25 mil dólares ao senhor.
Eu não recebi nada. Delgatti, eu recebi o Delgatti, não nego. A Carla Zambelli levou ele lá. O que a gente procurava naquela época? Ter a certeza que o sistema é seguro. Tanto é que eu o encaminhei para a Comissão de Transparência Eleitoral, que foi uma comissão que foi criada por uma decisão do ministro Barroso, e que era para exatamente colaborar com o TSE para que a decisão fosse a mais segura possível. Pelo o que eu sei, ele ficou lá talvez 15 e 20 minutos, pelo que eu sei, ele não foi recebido pelo ministro da Defesa, foi recebido por alguém dessa comissão e pelo que eu sei, pelo que eu sei, nunca mais voltou lá.

O senhor faria uma acareação com ele?
Para que fazer uma acareação?

O depoimento dele teve partes que o Wajngarten disse que foram mentiras.
Ali, foi mostrada a vida pregressa dele, estelionatário e contumaz. A acareação tem que ser em pontos sensíveis. A palavra, só a palavra dele e mais nada? Ele está preso. Pelo que vi na imprensa, ele não quer delação premiada, ele quer entrar no programa de proteção à testemunha. Quem está preso não está no programa de proteção à testemunha. Ele está preso. À tarde, quando o pessoal da oposição começou a inquiri-lo ele falou coisas importantes. (na verdade foi em resposta para o presidente da CPMI). (Ele disse que) até 2018, apenas uma pessoa tinha o código-fonte. Ele disse que essa pessoa poderia alterar o resultado das eleições. Ele falou também de 2018, o inquérito que foi aberto lá e até hoje não foi fechado, em que foi apurado inconsistências nas minhas eleições, em 2018. Nesse ponto que ao meu entender, deveria ser focado. O que a gente tem que fazer, a gente faz, né?

O sr. disse que não que não recebeu nada. Mas o sr. mandou Mauro Cid vender as joias?
Já vi outra matéria aí, que conversaram com o advogado dele, dizendo que ele tinha autonomia.

O sr. mandou Mauro Cid vender as joias?
Como está na matéria da Folha, ele tem autonomia. Não vou mandar ninguém vender nada.

Então, ele agiu por conta própria?
Joias é tido como personalíssimo, ou seja, pertence ao presidente. Até 2021. Agora, eu deixo claro. Foi no meu governo que derrubou a portaria. Se eu tivesse intenção outra, eu teria revogado, teria preocupação com essa portaria. Teve uma viagem do escalão nosso. 20, 25 pessoas receberam relógio do chefe daquele país. Inclusive discutiram: ‘devolve, não devolve’, foi decidido que ficava com aquelas pessoas.

Anulada então a portaria, pode ter alguma implicação?
A portaria é do governo Michel Temer. Todo mundo conhece, foi presidente da Casa três vezes, é uma pessoa respeitada, exerceu dois anos e pouco de governo. Eu entendo que a portaria é legal. No mínimo até o final de 2021, tudo é personalíssimo, inclusive joia. Dali para frente, pode estar um vácuo. Precisa de uma lei para disciplinar isso aí.

Tem matérias que dão conta que ali no ano de 2022 teria mais algum presente. Então em 2022 seria irregular?
Até 2021 tudo certo? Tem que se basear no que está escrito. A partir de 2022, está definido o que é personalíssimo.

Aí a avaliação fica para a Justiça?Fica no ar. Em dúvida, tem que beneficiar um lado.

Há a especulação de que pode haver prisão preventiva.
Eu não sou advogado. Tem pré-requisitos.

O senhor teme que pode isso pode acontecer?
Se eu estiver ligando para alguém fazer isso ou aquilo. Se for flagrado, eu me disponho à Justiça. Eu quero clarear o mais rápido possível.

Os seus advogados vão conversar com o ministro Moraes em algum momento?
Meus advogados estão em São Paulo. Até ontem à noite, conversei com alguns. Hoje, não conversei.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGA ignorância de Bolsonaro chega a ser constrangedora. Ele não sabe se defender. Minha dúvida é se os advogados conseguirão defendê-lo. Seria causa vencida facilmente por Bolsonaro, na forma da lei, se não tivesse tentado furtar o que já era seu. Depois voltaremos a esse assunto. (C.N.)

Perdeu-se a arte de bater carteiras, ninguém escreve cartas, mas o estrogonofe já voltou

Mascar chiclete deixa você 10% mais alerta e impulsiona o pensamento

Sobrar chicletes de bola saiu de moda no mundo inteiro

RUY CASTRO
Folha

Começou há algumas semanas, quando me gabei de ter sido um grande chutador de tampinhas, daquelas de refrigerante, soltas nas calçadas. Dias depois, um leitor perguntou se eu era capaz de dar o piparote com o sapato na borda da tampinha, fazê-la subir e matá-la no peito do pé. Humilhado, tive de confessar que não.

E, agora, outro leitor, para meu opróbrio supremo, escreve para dizer que no peito do pé era fácil —ele queria ver era se o sujeito fazia, como ele, a tampinha pousar no lado do pé. Tudo isto porque observei que, por falta das próprias, ninguém mais chuta tampinhas pelas ruas.

E AS GALOCHAS? – Muita coisa deixou de existir por falta de matéria-prima. Por exemplo, ninguém mais escorrega em cascas de banana. Continua a chover, mas não se usam mais galochas. Ninguém mais cheira rapé ou sopra chicletes de bola. Ninguém mais usa boina, só boné, e, mesmo assim, ao contrário.

Artigos de primeira necessidade como o pote de goma arábica, o mata-borrão e a espátula para abrir cartas deixaram de existir. Ninguém mais lambe selos para pregar no envelope. Eu próprio há anos não lambo um selo e não escrevo ou recebo uma carta.

Velhos hábitos desapareceram. Desaprendemos, por exemplo, a aplaudir sentados. Qualquer showzeco nota 3, se aplaudido, é hoje aplaudido de pé. Em breve, teremos de plantar bananeiras para premiar uma performance verdadeiramente genial.

BATER CARTEIRAS – E perdeu-se de vez a arte de bater carteiras. Os atuais meliantes não se valem mais de dedos leves e hábeis para subtraí-las de nossos bolsos. Vão direto de trabuco no nariz, até porque, com o celular e o pix, já quase não se usam carteiras.

Em compensação, coisas há muito dadas como extintas estão voltando espetacularmente. Uma delas é o bigodinho, fora de moda há uns 70 anos. Os garotos voltaram a jogar bafo com as figurinhas. E até o estrogonofe voltou.

Mas preocupante mesmo é a volta do nazismo.

Mauro Cid e os outros militares envolvidos serão expulsos do Exército, apostam oficiais

Cumpre ordens acima de tudo', diz novo advogado sobre Mauro Cid

Cid será expulso, mas a mulher ficará recebendo pensão

Fabio Victor
Folha

Nos bastidores do Exército, é dado como certo que o tenente-coronel Mauro Cid “vai pro barro”. A gíria da caserna, usada por um oficial que comentou a situação, é sinônimo de que um militar será punido.

No caso do ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro, a aposta é que ele será excluído da corporação e perderá sua patente caso condenado na Justiça comum – hipótese também considerada muito provável diante dos fatos já revelados nas investigações em que Cid está envolvido.

SITUAÇÃO SE AGRAVA – Cid está preso há três meses e meio num batalhão da Polícia do Exército em Brasília sob suspeita de ter falsificado cartões de vacinação de Bolsonaro e familiares e é investigado em outros casos, como o do vazamento de dados sigilosos sobre a urna eletrônica e os ataques golpistas do 8 de janeiro.

A situação do tenente-coronel se agravou nos últimos dias, quando uma operação da Polícia Federal trouxe novos detalhes sobre a participação dele e do pai dele (o general da reserva Mauro Cesar Lourena Cid) na venda de joias presenteadas ao governo brasileiro e desviadas do acervo presidencial.

O novo advogado de Cid filho, Cezar Bittencourt, afirmou que o cliente apenas cumpriu ordens de Bolsonaro – recuou e depois reafirmou, num vaivém confuso desde que assumiu o caso.

SERÁ EXPULSO – Seja como for, militares da ativa e da reserva ouvidos pela reportagem sob condição de anonimato descrevem como inevitável a expulsão de Cid do Exército.

Segundo um oficial superior, a avaliação corrente entre seus colegas é a de que o tenente-coronel, tido até outro dia por 9 entre 10 colegas como um ótimo militar, teria se perdido no personagem e extrapolado suas funções como ajudante de ordens –o que resta óbvio há muito tempo fora da caserna.

Cid estaria, na definição desse oficial, no “contra-azimute” –  outra expressão muito usada pelos militares. Azimute é a marcação da bússola que aponta o sentido correto da navegação.

CABEÇAS CORTADAS – A avaliação, vigente inclusive no Quartel General do Exército em Brasília, é semelhante para quase todos os vários outros fardados investigados por malfeitos ou por participação nos ataques de 8 janeiro. Haverá, conforme a bolsa de apostas informal verde-oliva, algumas “cabeças cortadas” –mais uma expressão do gosto dos fardados.

Por uma decisão do Comando do Exército, amparada na legislação militar, a eventual perda de patente e expulsão de Cid e outros fardados só pode ocorrer depois que se esgotarem os processos contra eles na Justiça comum. O tenente-coronel não responde a inquéritos militares.

Em caso de condenação, Cid passaria por uma espécie de tribunal militar de primeira instância chamado Conselho de Justificação, que avaliará se ele procedeu incorretamente no desempenho do cargo, teve conduta irregular ou praticou atos que afetassem “a honra pessoal, o pundonor militar ou o decoro da classe”. Se condenado nessa instância, a sentença ainda é submetida ao Superior Tribunal Militar (STM).

CASO DE BOLSONARO – Foi um Conselho de Justificação do Exército que condenou Bolsonaro em 1988 pela acusação de elaborar um plano terrorista de explodir bombas em unidades militares. O então capitão seria depois absolvido pelo STM.

O Conselho de Justificação está previsto no Estatuto dos Militares, e seu funcionamento é regido por outra lei, de 1972. O texto determina que serão submetidos ao conselho os militares condenados por crime doloso a uma pena de até dois anos tão logo transite em julgado a sentença.

Ou seja, o integrante das Forças Armadas condenado a uma pena superior a dois anos será expulso compulsoriamente, sem nem precisar passar pelo Conselho – ao menos em tese.

CONSEQUÊNCIAS – A perda de posto, patente e condecorações como resultado de condenação superior a dois anos também está prevista no artigo 99 do Código Penal Militar.

Neste caso, o condenado vira “ex-militar” e obviamente deixa de receber salários. A legislação que rege as pensões militares determina, porém, que mesmo em caso de condenação e consequente expulsão e perda de patente, o benefício continue a ser pago aos seus dependentes.

Apesar de integrantes do Exército terem aderido em peso às campanhas de 2018 e 2022 de Bolsonaro e terem integrado o governo sem jamais contestar a politização das tropas decorrente desse processo, a derrocada de Cid e de inúmeros colegas de farda fez começar a cair a ficha em parte da tropa e, em menor escala, da “turma do pijama” (os inativos).

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
El Cid será expulso, mas sua mulher continuará recebendo vultosa pensão, como se ele tivesse morrido. Nada mal, hein? (C.N.)

Delgatti reafirma acusações feitas em CPI, mas não tem como prová-las, diz advogado  

Walter Delgatti chama Sergio Moro de 'criminoso contumaz' em depoimento à  CPMI | O TEMPO

Delgatti só consegue provar que foi pago por Carla Zambelli

Filipe Matoso e Mateus Rodrigues
g1 — Brasília

O hacker Walter Delgatti Neto reafirmou à Polícia Federal nesta sexta-feira (18) as acusações feitas durante depoimento à CPI dos Atos Golpistas na quinta, informou o advogado Ariovaldo Moreira. Segundo ele, Delgatti também apresentou “indícios de provas” para ajudar os investigadores a confirmarem as acusações feitas contra o ex-presidente Jair Bolsonaro, a deputada federal Carla Zambelli (PL-SP) e o ex-ministro da Defesa Paulo Sérgio Nogueira, entre outros.

Ainda de acordo com Ariovaldo Moreira, advogado de Delgatti, o hacker apresentou à PF um áudio em que conversa com uma assessora de Carla Zambelli sobre possíveis pagamentos por serviços prestados ao governo.

DESCRIÇÃO DA SALA – No depoimento, fez também uma minuciosa descrição da sala no Ministério da Defesa onde teria se reunido com técnicos da pasta para elaborar um relatório técnico sobre as urnas eletrônicas usadas em 2022.

“Ele reiterou o que foi dito ontem na CPMI […] Exatamente o que ele disse na quinta-feira. no Congresso. Tudo o que os senhores ouviram ontem, o Walter hoje repetiu para a autoridade policial”, disse Moreira.

“Ele apresentou Indícios de provas. A autoridade policial deve agora, nas investigações, encontrar as provas de que o Walter esteve na [sede do ministério da] Defesa”.

PROVA IMPOSSSÍVEL – Mais cedo, na chegada à sede da Polícia Federal em Brasília, o advogado havia dito que era possível provar a presença de Delgatti Neto no Palácio da Alvorada, para reunião com o então presidente Jair Bolsonaro em agosto de 2022 – mas era “impossível” provar o conteúdo da conversa.

Questionado sobre um possível acordo de delação premiada a ser firmado por Delgatti, o advogado disse que não poderia comentar porque “está em andamento”.

Recapitulando: na quarta-feira (16), Delgatti foi transferido de Araraquara (SP), onde está preso desde o início do mês, para prestar depoimento à PF em Brasília sobre o fato de ter invadido sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) – supostamente, a pedido de Carla Zambelli. E na quinta, em fala à CPI dos Atos Golpistas, Delgatti fez uma série de acusações inéditas.

O QUE REVELOU? – O hacker disse, por exemplo, que Bolsonaro pediu que ele assumisse a autoria de um grampo já realizado contra o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes) – e que prometeu um “indulto” aos crimes de Delgatti, caso ele aceitasse a proposta.

O hacker disse também que Bolsonaro lhe orientou a ir ao Ministério da Defesa explicar aos técnicos como seria possível uma eventual fraude nas urnas.

O que diz Bolsonaro? Após o depoimento de Delgatti, a defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro divulgou nota confirmando a reunião no Alvorada, mas negando o teor da conversa e e ameaçando processá-lo por calúnia.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Delgatti atua como hacker e como estelionatário, ao mesmo tempo. Não tem a menor credibilidade. Mesmo assim, foi levado para se reunir com o presidente em seu palácio residencial, fora de agenda, vejam bem a que ponto chegou a promiscuidade entre governantes e meliantes. Ah, Brasil!!!… (C.N.)

Versões de Bolsonaro sobre o caso das joias: “Não pedi, nem recebi” e “pode ser vendido”

Bolsonaro deve falar à nação e embarca ainda hoje para os EUA - Prisma - R7  Blog do Nolasco

Cada vez que tenta se defender, Bolsonaro se complica mais

Deu em O Globo

O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) disse, nesta sexta-feira, que seu ex-ajudante de ordens Mauro Cid tinha “autonomia” para agir enquanto ele ocupou o Planalto. A afirmação, dada ao jornal “O Estado de S. Paulo” durante viagem a Goiânia (GO), veio acompanhada de negativas sobre o recebimento de dinheiro oriundo da venda de joias e representa mais uma versão apresentada por Bolsonaro e seu entorno sobre o caso, investigado pela Polícia Federal, que mira supostas transações irregulares envolvendo presentes entregues ao então chefe do Executivo por nações estrangeiras.

Inicialmente, foi apontado que o governo passado tentou trazer para o Brasil, de forma ilegal, um conjunto de colar e brincos recebidos do governo da Arábia Saudita, avaliado em cerca de R$ 16,1 milhões.

SEM ILEGALIDADE – Logo depois de o caso vir à tona, em março, em reportagem do jornal “O Estado de S. Paulo”, o ex-presidente Jair Bolsonaro afirmou ao canal CNN Brasil que não pediu, nem recebeu os presentes.

— Estou sendo acusado de um presente que eu não pedi, nem recebi. Não existe qualquer ilegalidade da minha parte. Nunca pratiquei ilegalidade — afirmou Bolsonaro em 4 de março.

As joias estavam com um assessor de um ministro de Bolsonaro (almirante Bento Albuquerque) e foram retidas pela Receita Federal no Aeroporto de Guarulhos, em São Paulo, ao chegarem ao país. Em seguida, o governo fez uma série de tentativas de reaver os conjuntos junto à Receita.

‘PERSONALÍSSIMO’ – O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), filho “zero um” do ex-presidente, saiu em defesa do pai logo após a revelação do caso, afirmando que as joias da marca suíça Chopard foram incorporadas ao seu acervo pessoal por terem caráter “personalíssimo”:

— Na minha opinião, (a caixa de joias) é personalíssima, independentemente do valor. O TCU está tendo esse entendimento agora. A Comissão de Ética falou que não tinha problema. Foi seguindo o que foi sendo pedido. Não tem nenhum dolo da parte dele, de maldade, ou ato de corrupção. Zero — disse Flávio Bolsonaro.

A defesa do ex-presidente, depois de ter se oferecido para fazer a devolução dos conjuntos de joias, afirmou que Bolsonaro “em momento algum pretende locupletar-se ou ter para si bens que pudessem, de qualquer forma, serem havidos como públicos”.

OUTRAS JOIAS – O posicionamento foi apresentado pouco depois de o Tribunal de Contas da União (TCU) determinar que o segundo pacote de joias presenteadas por autoridades sauditas fosse devolvido à Presidência.

As investigações da PF, porém, já apontaram que presentes chegaram a ser colocados à venda em um leilão, em fevereiro deste ano, com valor estimado entre US$ 120 mil e US$ 140 mil.

Quando voltou ao Brasil, no final de março, Bolsonaro afirmou que os presentes não entraram “escondidos” no país. A declaração foi dada no Aeroporto de Orlando, nos Estados Unidos, para onde ele havia viajado ainda no fim do mandato.

NADA FOI ESCONDIDO — “Não sei por que esse escândalo todo. Vamos em frente. Nada foi extraviado, nada sumiu. Nada foi escondido. Ninguém vendeu nada. Acho que a questão desses três pacotes [de joias] está resolvida. Se eu tivesse pego escondido, ninguém teria conhecimento” — afirmou, em 29 de março.

Pouco tempo depois, em abril, o ex-presidente disse à PF que teve conhecimento do conjunto de joias apreendidas no Aeroporto de Guarulhos apenas em dezembro do ano passado, duas semanas após o ocorrido. Aos investigadores, informou que buscou informações sobre o caso para evitar um “vexame diplomático” e um “constrangimento internacional” caso os itens fossem leiloados.

— Um presente de chefe de Estado dado ao governo brasileiro jamais poderia ir a leilão por inação de quem quer que seja — explicou o advogado e ex-ministro Fábio Wajngarten, na ocasião.

CUMPRIU AS RECOMENDAÇÕES – Primeiro filho do ex-presidente a se pronunciar sobre operação da PF sobre a compra e venda de joias recebidas por Bolsonaro enquanto esteve na Presidência, desencadeada no início de agosto, o vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ) afirmou, no último domingo, que o pai cumpriu “todas as recomendações” do Tribunal de Contas da União (TCU) no caso.

O advogado Paulo Amador da Cunha Bueno, que representa o ex-presidente no caso das joias, negou, nesta sexta-feira, que o ex-presidente tenha recebido qualquer valor referente à venda de um relógio Rolex. A defesa do ex-ajudante de ordens Mauro Cid alega que o montante teria sido entregue a Bolsonaro ou à ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro.

— O Cid evidentemente tem muita autonomia. Imagina a quantidade de demandas que chegam a ele e que ele tem que resolver sem o presidente da República — disse o advogado, em entrevista à GloboNews nesta sexta-feira, e acrescentou: — O presidente Bolsonaro nunca recebeu nenhum valor em espécie do Cid referente à venda de nada.

ADVOGADO DISCORDA – Em entrevista à revista Veja, o advogado Cezar Bitencourt, que atua na defesa de Cid, afirmou que o ex-ajudante de ordens teria recebido orientação de passar o dinheiro ao ex-presidente em espécie e usou a conta do pai, o general Mauro Lourena Cid, para guardar parte da quantia proveniente da venda das joias.

O próprio Jair Bolsonaro também comentou o caso nesta sexta-feira. Além de entoar o mesmo discurso sobre a “autonomia de Cid”, o ex-presidente afirmou, em entrevista ao jornal Estado de S. Paulo, que deseja ver o caso solucionado o quanto antes.

— Ele (Cid) tinha autonomia. Não mandei ninguém fazer nada. (…) Eu quero clarear o mais rápido possível — disse Bolsonaro.

QUEBRA DE SIGILOS – O ex-presidente também comentou a decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes em autorizar a quebra do seu sigilo bancário e fiscal, assim como o da ex-primeira-dama, Michelle.

— Sem problemas. Tudo incomoda, mas sem problemas.

Para justificar a manutenção das joias em seu patrimônio, Bolsonaro voltou a citar o caráter personalíssimo do item. Como mostrou o Globo, a estratégia de citar uma portaria nula foi aderida por outros parlamentares de sua base de apoio.

— Ela (a portaria 59/2018) vale pelo menos até a data em que ela existiu. Quando a portaria é revogada, tem uma vacância. O acórdão de 2016 provoca o parlamento — disse Bolsonaro.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Bolsonaro nem precise de quem o acuse. Suas próprias declarações ao se defender acabam aumentando as denúncias contra ele. Desse jeito, ele pode ser considerado indefensável. (C.N.)

Mauro Cid explode esquema e isola Jair Bolsonaro no cenário político

Bolsonaro está disposto a transferir a culpa dos atos ilegais para o militar

Pedro do Coutto

A posição assumida pelo tenente-coronel Mauro Cid no meio da pressão em que se encontra submetido, especialmente pelo caso do Rolex e das joias, levou-o, de acordo com reportagens de Paolla Serra e Reynaldo Turollo Jr, O Globo, e de César Feitosa na Folha de S. Paulo, a confessar que entregou ao ex-presidente da República o dinheiro da venda do Rolex e de joias agindo por ordens do próprio Bolsonaro.

A confissão do ex-ajudante de ordens de Bolsonaro no Planalto foi formalizada pelo advogado Cesar Bitencourt que o defende das acusações existentes contra ele que culminaram com a recompra, especialmente do caríssimo relógio, numa loja da Pensilvânia pelo advogado Frederick Wassef, um homem de mistério que sai das sombras e se coloca no centro do palco dos acontecimentos em ocasiões inesperadas.

CONTRADIÇÃO – O homem das sombras, inclusive, primeiro se expôs afirmando que nada sabia sobre o Rolex. Dois dias depois deu entrevista à imprensa, reproduzida pela GloboNews, revelando ter readquirido o relógio com o seu próprio dinheiro para cumprir a decisão do Tribunal de Contas da União que determinou a Bolsonaro que devolvesse a joia e a incorporasse ao patrimônio público do país.

No meio dessa movimentação estranha, Wassef saiu para jantar na noite paulistana, quarta-feira, levando consigo, em seu carro, quatro telefones celulares, inclusive um que ele diz ter sido utilizado apenas para conversas com o ex-presidente da República. Os aparelhos foram apreendidos pela Polícia Federal quando o advogado se encontrava no restaurante. Mais um mistério, portanto, sobretudo porque o telefone que ele diz ter usado apenas para a comunicação com o ex-presidente da República poderá comprometer ainda mais Jair Bolsonaro e ele próprio.

A quinta-feira foi um capítulo extremamente difícil para Bolsonaro, pois paralelamente à exposição do esquema que existia por Mauro Cid, surgiu no horizonte do crime o hacker Walter Delgatti , que revela ter participado de encontro com o ex-presidente da República conduzido pela deputada Carla Zambelli.

QUEBRA DE SIGILO – Bolsonaro o teria encaminhado ao general Paulo Sérgio Nogueira, então ministro da Defesa, com o objetivo de descobrir falhas no sistema de computação dos votos nas urnas eletrônicas. O ministro Alexandre de Moraes, em face dos novos fatos que surgiram, decretou a quebra de sigilo bancário de Bolsonaro e de Michelle, sua esposa.  

Delgatti, em depoimento à CPI do Congresso, disse ter sido comunicado pelo próprio Bolsonaro de que poderia praticar uma fraude no sistema de votação porque, se condenado, lhe daria um indulto como agiu no caso do ex-deputado Daniel Silveira. Indulto, aliás, anulado pelo STF. Jair Bolsonaro viu-se assim praticamente cercado por todos os flancos, passando de personagem central a um figurante da cena política isolado pelos fatos concretos.  

ATOS ILEGAIS – A reação do tenente-coronel Mauro Cid, e do general Mauro Cesar Cid, seu pai, era esperada, sobretudo em decorrência da posição do próprio Jair Bolsonaro que deixou claro a sua disposição de transferir a culpa dos atos ilegais para o seu auxiliar mais direto, para o general Mauro César Cid e para outros militares que serviam no Planalto, tentando, assim, um caminho de fuga pela passagem das responsabilidades às mãos dos que cumpriam ordens.

Este ponto é a base da argumentação da defesa de Mauro Cid. Outros aspectos surgirão, como o de que não se pode cumprir ordens que conduzam à prática de crimes. Mas essa é outra questão que não altera a explosão final do tenente-coronel Mauro Cid, pelo que os fatos indicam, hoje arrependido de ter aceito as tarefas.

APAGÃOA Eletrobras não conseguiu ainda apresentar uma explicação concreta sobre o apagão   que atingiu diretamente 29 milhões de brasileiros e brasileiras nesta semana. Na Folha de S. Paulo, edição de ontem, Alexa Salomão e Nicola Pamplona publicaram ampla reportagem sobre o ocorrido , incluindo também a responsabilidade do Operador Nacional do Sistema.

A Eletrobras e o ONS continuam devendo uma justificativa lógica e convincente para o episódio. E, na conclusão, se for o caso, reconhecerem ter ocorrido uma ação criminosa.

PRESERVAÇÃO DE AÇÕES –  Em decisão publicada no Diário Oficial de quinta-feira, o presidente Lula determinou a preservação das ações que o governo detém na Eletrobras, 42% do capital da empresa, afastando-as totalmente de qualquer plano de desestatização. No O Globo, a matéria é de Daniel Gullino.

A atitude de Lula indica claramente que o governo está aguardando uma decisão favorável do Supremo Tribunal federal contra a condicionante de, apesar de deter 42% das ações, a União somente possuir 10% dos votos nas assembleias gerais da empresa, um verdadeiro absurdo.

Na minha impressão, a partir do momento em que o Supremo assegurar o direito de voto da União compatível com a sua participação no esquema acionário, o presidente Lula vai entrar em ação para substituir o comando da empresa, indicando alguém de sua confiança. Nesta semana, por exemplo, Wilson Ferreira Júnior foi substituído por Ivan Monteiro na Presidência da Eletrobras sem que o ministro Alexandre Silveira, de Minas e Energia, fosse sequer comunicado.