Um dilema existencial confundia e inquietava o poeta e compositor Antonio Cícero

Marina Lima lamenta morte de Antonio Cícero: 'Foi coerente com tudo que pensava' | G1

Antonio Cícero e a irmã Marina Lima

Paulo Peres
Poemas & Canções

O filósofo, escritor, compositor e poeta carioca Antonio Cícero Correa de Lima escreve poesia desde jovem, mas seus poemas só apareceram para o grande público quando sua irmã, a cantora e compositora Marina Lima, passou a musicá-los. Antes, porém, já eram suas as canções como Fullgás, Para Começar e À Francesa – as duas primeiras em parceria com a irmã, e a última com Cláudio Zolli. Neste poema que transcrevemos, Cícero reconhece um dilema existencial, que o confunde bastante.

DILEMA
Antonio Cícero

O que muito me confunde
é que no fundo de mim estou eu
e no fundo de mim estou eu.

No fundo
sei que não sou sem fim
e sou feito de um mundo imenso
imerso num universo
que não é feito de mim.

Mas mesmo isso é controverso
se nos versos de um poema
perverso sai o reverso.

Disperso num tal dilema
o certo é reconhecer:
no fundo de mim
sou sem fundo.

Câmara acelera o PL da misoginia e debate opõe proteção e liberdade de expressão

Ilustração DA Editoria de Arte/CB/D.A Press

Anna Júlia Lopes
CNN

O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), instituiu nesta sexta-feira (24) a criação de um grupo de trabalho para debater o PL (projeto de lei) da Misoginia, que equipara o ódio ou a aversão a mulheres ao crime de racismo.

O grupo terá um prazo de 45 dias para concluir seus trabalhos e será coordenado pela deputada Tábata Amaral (PSB-SP). Cada um dos partidos presentes na Casa Baixa poderá indicar um deputado para integrar o colegiado. Em vídeo publicado em seu perfil no Instagram, Hugo afirmou que a criação do grupo tem o objetivo de promover um debate “técnico e profundo”, ao mesmo tempo que agiliza a tramitação da pauta para que seja votada em plenário.

PROPOSTAS – “Proteger as brasileiras é prioridade absoluta nessa casa. Por isso, faço questão de dar celeridade a todas as matérias que tratam da segurança das nossas mulheres”, declarou o presidente da Casa Na publicação, Hugo citou ainda uma série de propostas aprovadas nos últimos meses pela Câmara.

Diante de um cenário de aumento de violência contra as mulheres em todo o país, o Congresso Nacional aprovou, por exemplo, o porte de spray de pimenta para defesa pessoal para mulheres; a obrigatoriedade do uso de tornozeleira eletrônica para agressores; e a tipificação do crime de vicaricídio (quando há o assassinato de filhos ou parentes com o intuito de causar sofrimento à mulher).

Escolhida para comandar o grupo, Tabata foi uma das deputadas que comemorou o avanço da pauta. Defensora de pautas relacionadas às mulheres, a congressista é autora de um projeto que propõe a distribuição de absorventes em espaços públicos.

PL DA MISOGINIA – O PL da Misoginia propõe a tipificação do crime envolvendo a misoginia (palavra utilizada para definir o ódio às mulheres). Até o momento, a misoginia não é tipificada como um crime específico no Código Penal brasileiro, sendo muitas vezes equiparada a delitos de injúria e difamação, que possuem penas mais brandas.

A proposta estabelece penas de dois a cinco anos de reclusão para esse tipo de crime e equipara a misoginia ao crime de racismo. Dessa forma, a misoginia se tornaria um crime inafiançável, ou seja, que não admite fiança e impede que o preso pague para responder o processo em liberdade; e imprescritível, que não perde a validade e pode ser punido a qualquer momento.

“MACHOSFERA” – Diante de uma crescente onda de ódio às mulheres nas redes sociais, incentivada por movimentos como o “Red Pill” e a “machosfera”, o projeto visa combater discursos de ódio e discriminação contra mulheres com base na ideia de uma suposta supremacia masculina.

No Senado Federal, o texto foi aprovado por unanimidade. Na Câmara, no entanto, enfrenta resistência entre parte dos deputados. O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) já se posicionou de forma contrária ao texto. Segundo ele, o PL ameaça a liberdade de expressão. A deputada Júlia Zanatta (PL-SC) definiu a proposta como “censura” e disse que ela pode ser usada “por quem se veste de mulher para atacar e calar mulheres”.

 

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Michelle se opõe a Frias e acirra disputa do PL pelo Senado em São Paulo

Ex-primeira dama e deputado já trocaram farpas 

Carlos Petrocilo
Folha

A ex-primeira dama Michelle Bolsonaro tem sido contrária à possível candidatura do deputado federal Mário Frias (PL-SP) ao Senado paulista pelo PL. O favorito é o presidente da Assembleia Legislativa, André do Prado, e corre por fora o vice-prefeito de São Paulo, Ricardo Mello Araújo.

A relação entre Frias e Michelle não é boa, principalmente depois que o deputado afirmou, em abril de 2025, que “ladainha da inclusão deve ser eliminada da direita”. Michelle, que tem a inclusão como bandeira, publicou um vídeo em repúdio a Frias, defendendo a acessibilidade.

Senado, PGR e AGU se unem contra ação do PT no STF à sombra das delações do Master

Combustíveis, poder e narrativa: a política econômica no fio da eleição

Charge do Cazo (Correio Braziliense)

Pedro do Coutto

Há momentos em que a economia deixa de ser apenas um campo técnico e se transforma, sem disfarces, em instrumento político. A decisão do governo Lula da Silva de utilizar a receita extra gerada pela exportação de petróleo para aliviar o preço de combustíveis como diesel e gasolina se insere exatamente nesse território.

Trata-se de uma medida que combina lógica fiscal, oportunidade de mercado e, sobretudo, sensibilidade eleitoral. Em um país onde o preço na bomba influencia diretamente o custo de vida — e, por consequência, o humor do eleitor —, qualquer intervenção que reduza esse impacto tende a produzir dividendos políticos quase imediatos.

COMPENSAÇÃO – O raciocínio é simples, mas não trivial. O Brasil consolidou-se como exportador relevante de petróleo, ao mesmo tempo em que ainda depende da importação de derivados. Essa assimetria abre espaço para uma engenharia econômica em que ganhos externos compensam perdas internas.

Ao subsidiar combustíveis com receitas vindas do mercado internacional, o governo busca amortecer a inflação e proteger o consumo doméstico. Não há ilegalidade ou ruptura institucional nesse movimento — pelo contrário, ele se insere dentro das prerrogativas legítimas do Executivo. A questão central não é jurídica, mas política: o timing e os efeitos dessa decisão dialogam diretamente com o calendário eleitoral.

Reduzir o preço do diesel significa aliviar o custo do transporte; baratear a gasolina impacta a percepção imediata do consumidor; mexer nos tributos federais amplia ainda mais esse efeito. O resultado é uma cadeia que vai do bolso do cidadão à urna.

“FORÇA DA CANETA” – Não se trata de determinar o desfecho eleitoral, mas de reconhecer que medidas dessa natureza alteram o ambiente de disputa. A chamada “força da caneta” — expressão recorrente na política brasileira — manifesta-se com clareza quando decisões administrativas reverberam no cotidiano da população.

Esse movimento ocorre em paralelo a um cenário econômico e institucional mais amplo, marcado por tensões e transformações. O caso do Banco Master, por exemplo, segue alimentando debates sobre regulação, transparência e o papel do sistema financeiro.

Declarações de Gilmar Mendes, ao deslocar o foco da crise para o coração do poder econômico na Faria Lima, revelam uma tentativa de reposicionar o debate: menos sobre instituições formais e mais sobre estruturas de influência. Ao mesmo tempo, o embate entre o ministro e o ex-governador Romeu Zema mostra como o conflito institucional pode ser convertido em capital político — especialmente em um ambiente pré-eleitoral.

CRISE DOS CORREIOS – No campo econômico estrutural, outras mudanças silenciosas ajudam a compor o quadro. A crise dos Correios ilustra a transição acelerada para o ambiente digital. A queda no volume de correspondências tradicionais, substituídas por comunicações instantâneas e gratuitas, redefine modelos de negócio e impõe desafios a empresas estatais com estruturas rígidas e custos elevados. É um exemplo claro de como a tecnologia não apenas transforma mercados, mas também pressiona o Estado a se reinventar.

Essa transformação digital também chega ao centro do debate regulatório. O avanço de plataformas como Google levanta discussões sobre uso de conteúdo jornalístico, remuneração e equilíbrio concorrencial. A atuação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica nesse campo pode se tornar um divisor de águas, não apenas para o setor de mídia, mas para a definição de regras mais amplas sobre poder econômico na era digital.

Enquanto isso, problemas mais antigos seguem à margem da agenda com a mesma gravidade de sempre. A situação da Rodovia BR-393, marcada por abandono, acidentes e perdas humanas, expõe um contraste incômodo: enquanto o debate político se concentra em grandes narrativas — combustíveis, bancos, Supremo —, a infraestrutura básica continua sendo um ponto cego persistente. E esse tipo de negligência também produz efeitos políticos, ainda que menos imediatos e mais difusos.

CUSTOS E BENEFÍCIOS – O que emerge desse conjunto de fatos é um retrato complexo do Brasil pré-eleitoral. De um lado, um governo que utiliza instrumentos econômicos para estabilizar preços e melhorar a percepção popular. De outro, um ambiente institucional tensionado, onde disputas judiciais, financeiras e políticas se entrelaçam. No meio disso tudo, uma sociedade que experimenta, simultaneamente, os benefícios de decisões pontuais e os custos de problemas estruturais não resolvidos.

A eleição que se aproxima não será decidida por um único fator. Mas seria ingênuo ignorar o peso de medidas que afetam diretamente o cotidiano. O preço do combustível, afinal, não é apenas um número — é um termômetro político. E, neste momento, ele está sendo cuidadosamente calibrado.

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Messias reza para os senadores não lerem a denúncia

Carlos Newton

Escritores como Conan Doyle, Agatha Christie, Maurice Leblanc e Allan Poe sabiam que não há crime perfeito; o que existe são investigações equivocadas que não conseguem solucionar o caso. Mas todo crime, por sua própria natureza, é sempre um ato imperfeito, pois demonstra a deformação social de seus autores.

No caso da nomeação do atual ministro Jorge Messias para procurador da Fazenda Nacional, em 2007, houve várias ilegalidades. Ocorreram há quase 20 anos, em Brasília, mas vêm passando despercebidas. Era como se fossem crimes perfeitos.

FRAUDES DE MESSIAS – As provas até agora coletadas mostram que Jorge Messias foi beneficiário das fraudes que a partir de 2003 passaram a ocorrer em concursos públicos, para aparelhar a máquina administrativa em favorecimento ao PT.

As fraudes aconteciam através da atenuação das exigências legais aos candidatos ligados ao partido, além da espantosa multiplicação de vagas que não existiam e até do fornecimento de dicas aos favorecidos. No caso específico de Messias, a ilegalidades ocorreram no concurso convocado em Edital da Escola de Administração Fazendária (ESAF), em 1º de dezembro de 2005 para provimento de 27 vagas no cargo de Procurador da Fazenda Nacional.

Ele se formara em dezembro de 2003 e precisa demonstrar dois anos de prática forense e ser inscrito na OAB. Seus quatro currículos (Portal da Transparência, Lattes, Escavador e Wikipédia) registram que nessa época (2005/2006) ele morava em Recife, onde era empregado de dedicação exclusiva na Caixa Econômica Federal e trabalhava na agência Teatro Marrocos.

IMPOSSIBILIDADE – Surge uma grande dúvida. Como Messias poderia ter dois anos de prática forense pós- formado, conforme é exigido, se à época do concurso ainda trabalhava em horário integral na Caixa?

Mesmo assim, os dirigentes da ESAF entenderam que ele cumpriu as exigências e Jorge Messias participou do concurso, embora ainda hoje existam dúvidas pertinentes também quanto ao exame exigido pela Ordem dos Advogados do Brasil para exercício da profissão.

Em 2005, Messias ainda morava em Recife, continuava trabalhando na Caixa Econômica, e deveria se inscrever  na Seccional de Pernambuco. Porém, isso jamais ocorreu. A única inscrição que tem é de Brasília, com o nº 31.448 indicando que foi feita em 2010 ou 2011, anos depois de ser nomeado. Ele jamais foi inscrito em Recife, seu nome não consta como ativo ou inativo.

SURGIRAM PROBLEMAS – A homologação do concurso ocorreu em 22 de junho de 2006, quando Jorge Messias constou na lista de aprovados, no 86º lugar. Mas havia problemas em relação a ele e a outros 65 inscritos, porque a nomeação deles para o cargo de Procurador da Fazenda Nacional só ocorreu um ano e meio depois, em 6 de novembro de 2007.

Na Portaria Conjunta assinada pelos ministros Guido Mantega (Fazenda) e Dias Toffoli (AGU), fica claro que Jorge Messias e os outros 65 aprovados pediram para serem colocados no final da lista de nomeação.

Esse tipo de solicitação só ocorre quando o candidato tem dificuldades de apresentar documentos, como diploma, exame da OAB, comprovação de dois anos de prática forense etc. É mais uma dúvida no nebuloso início de carreira de Messias, que acabou ficando como 586º nomeado num concurso para 27 vagas, o que demonstra o aparelhamento da máquina administrativa pelo PT.

JOVEM PRODÍGIO – Detalhe importante: nessa época, o jovem Jorge Messias já tinha sido  aprovado para Procurador do Banco Central, onde não havia exigência de dois anos de prática forense.

Ficou em surpreendente quarto lugar, com apenas 25 anos, mesmo sendo empregado da Caixa Econômica Federal em horário integral, que impediu ter experiência como advogado.

Na verdade, a fraude é inquestionável, porque Jorge Messias não tinha registro na Ordem dos Advogados do Brasil, Morava em Recife quando foi nomeado, e jamais  teve inscrição na OAB de Pernambuco, repita-se. Para conferir, basta consultar os sites da OAB nacional e da OAB pernambucana.

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P.S. 1 –
 Tudo que se refere ao futuro ministro do Supremo tem jeito de fraude. Mas o assunto não está esgotado e amanhã voltaremos a ele. (C.N.)

Caiado apoia PL da Misoginia e se distancia de ala da direita contrária ao projeto

Funcionário dos EUA deixa o Brasil após governo adotar reciprocidade

Senador da oposição diz que Messias dificilmente será vetado pelos senadores

Cartum: quadrinhos, tirinhas e charges - 22/11/2025 | Folha

Charge do Cláudio Oliveira (Folha)

José Carlos Werneck

Está marcada para o próximo dia 29 a sabatina no Senado de Jorge Messias, advogado-geral da União indicado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva para o cargo de ministro do Supremo Tribunal Federal.

Não obstante os esforços da Oposição para que o nome seja rejeitado, parlamentares já admitem que a indicação deve ser aprovada, tanto na Comissão de Constituição e Justiça quanto no plenário.

SEM ESPERANÇAS – “Eu duvido que ele [Jorge Messias]seja reprovado, infelizmente, porque o sistema está aí”, afirmou o senador Marcos do Val, do Avante do Espírito Santo, em entrevista à imprensa.  Apesar de manifestar seu voto contrário à indicação de Messias, ele ressalta que “não adianta ter esperança agora”.

Assim como não vislumbra  condições para a reprovação da indicação de Messias, do Val também descarta o avanço no Congresso de pedidos de impeachment contra ministros do STF.

“Não vai ter impeachment. Sabe por que não vai acontecer nada daqui até as eleições? Porque os atores são os mesmos”, afirmou, apostando na renovação do Legislativo a partir das próximas eleições”.

Caso Master: delações podem atingir direita, esquerda e expor na campanha e crise no STF

Lucido e atuante, Sarney ainda reina nos bastidores do poder em Brasília

Sarney celebra 96 anos exaltando o amor e a memória

Sarney e o bolo rubronegro (Foto Junior Pereira)

Vicente Limongi Netto

Os deuses da energia e da lucidez saúdam os 96 anos de idade do ex-presidente José Sarney. Responsável, na chefia da nação, pela transição democrática. Homem telúrico, poeta, escritor lido e consagrado no mundo inteiro.

Como jornalista, ex-deputado federal, ex-senador, ex-governador e ex-presidente do Congresso Nacional, ex-presidente da Repúblca e imortal da Academia Brasileira de Letras (ABL), o maranhense José Sarney é respeitado por todos os segmentos da sociedade e ainda encontra tempo para ser conselheiro de políticos famosos e consagrados. Entre eles, o presidente Lula.

Nessa linha, analistas do primeiro time da política acreditam que diante da confusa quadra brasileira, Lula precisa tirar um tempo para nova rodada de conversas com o experiente autor de “Marimbondos de Fogo”.

Uma década após Dilma, país segue dividido, refém de um legado sem reconciliação

Reação de Gilmar dá fôlego a Zema e reforça discurso de vítima na corrida presidencial

Zema ganhou holofotes que não alcançaria sozinho

Bernardo Mello Franco
O Globo

Romeu Zema iniciou uma cruzada contra o Supremo para tentar sair da rabeira da corrida presidencial. A tática ainda não produziu efeito nas pesquisas, mas acaba de ganhar um impulso inesperado. No início da semana, Gilmar Mendes apresentou uma notícia-crime contra o ex-governador de Minas. Pediu que ele fosse investigado no inquérito das fake news, conduzido pelo colega Alexandre de Moraes.

O supremo ministro se irritou com vídeos publicados nas redes de Zema. Numa das peças, fantoches satirizam o envolvimento de juízes da Corte, chamados de “intocáveis”, com o escândalo do Banco Master. Em entrevista à TV Globo, Gilmar acusou o ex-governador de “sapatear” sobre a crise de imagem do Supremo. É verdade, mas a reação exagerada só ajuda o político do Partido Novo.

HOLOFOTES  – Ao ser ameaçado de processo pelo decano da Corte, Zema ganhou holofotes que jamais alcançaria por conta própria. Passou a se apresentar como vítima de perseguição judicial, tentativa de censura e abuso de poder.

A direita cerrou fileiras para apoiá-lo. Flávio Bolsonaro prestou solidariedade e aproveitou para criticar o “ativismo judicial”. O senador já batia no Supremo por causa da condenação do pai. Agora ganhou um pretexto para posar de defensor da liberdade de expressão.

Os ataques de Zema são tudo, menos espontâneos. Nos últimos dias, ele publicou mais de uma dezena de vídeos contra o Supremo, a maioria produzida com inteligência artificial. O objetivo é pegar carona na crise e se vender como candidato antissistema, que não teme peitar os poderosos.

“HOMEM SIMPLES” – Em outra frente, o ex-governador investe no figurino de homem simples, embora seja herdeiro de um dos maiores grupos empresariais de Minas. Ao debochar de seu jeitão caipira, Gilmar também dá gás a essa marquetagem.

Em campanha há oito meses, Zema segue empacado no pelotão dos nanicos. Oscila entre 3% e 4% das intenções de voto, desempenho pífio para quem governou o segundo estado mais populoso do país. Ainda não está claro se ele quer mesmo a Presidência ou se busca um convite para a chapa do filho de Bolsonaro. Em qualquer cenário, a escada oferecida por Gilmar pode ajudá-lo.

BC reverte decisão sobre Banco Master e mantém lacunas em análise de recursos

Nada pode disfarçar o apuro do amor, na poesia de Ana Cristina Cesar

Tribuna da Internet | Ana Cristina Cesar, genial poeta, em busca de um amor  cada vez mais difícilPaulo Peres
Poemas & Canções

A professora, tradutora e poeta carioca Ana Cristina Cruz Cesar (1952-1983) é considerada um dos principais nomes da geração mimeógrafo (ou poesia marginal) da década de 1970. Na sua visão romântica, nada pode disfarçar o apuro do amor.

NADA DISFARÇA O APURO DO AMOR
Ana Cristina Cesar

Um carro em ré.
Memória de água em movimento.
Beijo.
Gosto particular da tua boca.
Último trem subindo ao céu.
Aguço o ouvido.
Os aparelhos que só fazem som
ocupam o lugar
clandestino da felicidade.
Preciso me atar ao velame
com as próprias mãos.
Singrar.
Daqui ao fundo do horto florestal
ouço coisas que
nunca ouvi, pássaros que gemem.

Lula usa crise com os EUA para reforçar discurso de soberania e mirar avanço eleitoral

Lula endossa retórica de ‘guerra contra o crime’

Jeniffer Gularte
O Globo

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem usado o mais novo atrito entre Brasil e Estados Unidos, a retirada de um delegado da Polícia Federal dos EUA a pedido do governo Donald Trump, para retomar o discurso de soberania nacional e defesa da pátria.

Com dificuldade de ampliar a percepção na população sobre o que avalia como pontos positivos da própria gestão e em meio ao acirramento da disputa presidencial com Flávio Bolsonaro (PL), Lula pegou carona na divergência com a Casa Branca.

RECIPROCIDADE – O chefe do Executivo usou o princípio da reciprocidade, com a determinação da perda de credenciais de um oficial americano que atuava da PF em Brasília, e aproveitou para fazer um gesto à corporação, chamando mil aprovados no concurso público. Assim, Lula combina o discurso de soberania com o endurecimento das falas sobre segurança pública, estratégia de campanha para conquistar o eleitor indeciso que flerta com a possibilidade de votar no filho do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Em menos de 24 horas, Lula citou duas vezes que está enfrentando o crime organizado. Na primeira, no vídeo publicado nas redes sociais na quarta-feira, em que anuncia a convocação de 630 agentes, 160 escrivães, 120 delegados, 69 peritos e 21 papiloscopistas para PF, afirma que o “assumiu um compromisso de fazer uma guerra contra o crime organizado”.

CONTRA O CRIME – Nesta quinta-feira, na abertura da Feira Brasil na Mesa em Planaltina (DF), voltou a tratar do tema e afirmou que quer mais policiais federais para “prender bandido”. “Assinei decreto dando mais mil vagas na PF, chamando as pessoas que prestaram concurso. Pela primeira vez na história, a PF vai conseguir ocupar todos os cargos que tem. Nós vamos derrotar o crime organizado e precisamos de todos delegados e todos os agentes trabalhando para prender bandido nesse país”,disse Lula.

Foi na toada da defesa da soberania que Lula alcançou os melhores índices de popularidade em 2025, em resposta aos tarifaços de 50% imposto pelos EUA sobre a importação de produtos brasileiros. Na época, de acordo com a Quaest, a aprovação subiu de 40% para 43%, enquanto a desaprovação caiu de 57% para 53%, entre junho e julho de 2025.

TRAPALHADAS DE EDUARDO – Naquele período, Lula também se beneficiou das derrapadas dadas pelo ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que endossava as sanções americanas contra o Brasil. Agora, no entanto, Flavio Bolsonaro tem evitado tratar do tema.

Ao anunciar as contratações para a Polícia Federal, Lula elogiou o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e endossou a reciprocidade diplomática aos EUA, no tom de “toma lá, dá cá”: “Parabéns pela sua posição em relação ao delegado americano, colocando a reciprocidade, ou seja, o que eles fizeram conosco, a gente vai fazer com eles. Esperando que eles estejam dispostos a voltar a conversar e as coisas voltar à normalidade”, disse Lula.

Apesar de reforçar o discurso de soberania, o presidente não deve pesar a mão nas críticas a Donald Trump. O governo brasileiro segue trabalhando na possibilidade de um encontro entre Lula e Trump na Casa Branca e não pretende estressar a relação com Washington a ponto de inviabilizar a ida do petista aos EUA. Na quinta-feira, Lula falou que quer levar jabuticaba e maracujá para Trump “se acalmar”.

RETIRADA DE CREDENCIAIS – Nesta semana, Rodrigues, anunciou a retirada das credenciais diplomáticas de um servidor dos Estados Unidos que atua no Brasil. O oficial era um policial americano que trabalhava dentro de uma unidade da PF em Brasília. A partir de agora, o agente deixa de ter acesso à unidade e a bases de dados usadas para as cooperações entre as polícias do Brasil e dos Estados Unidos. O chefe da PF afirmou que esse procedimento foi mesmo que aconteceu com o delegado brasileiro que atuava em Miami.

A medida ocorreu após o governo Donald Trump pedir a retirada dos Estados Unidos do delegado da Polícia Federal Marcelo Ivo de Carvalho, envolvido na prisão do ex-deputado Alexandre Ramagem (PL-RJ) em território americano.

PF conclui que Sicário atentou contra a própria vida e apresenta conclusão de investigação

Luiz Phillipi é considerado operador de Vorcaro

Mariana Muniz
O Globo

A Polícia Federal concluiu o inquérito que apurou as circunstâncias da tentativa de suicídio de Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, o “Sicário”, investigado ligado ao caso do Banco Master, e encaminhou o relatório final ao Supremo Tribunal Federal (STF) nesta quinta-feira. O documento foi entregue ao ministro André Mendonça, relator das investigações.

Mourão estava sob custódia na Superintendência da PF em Minas Gerais quando tentou tirar a própria vida. Ele chegou a ser socorrido, mas morreu dias depois em uma unidade hospitalar. A investigação foi aberta para esclarecer as condições do episódio ocorrido nas dependências da corporação e eventuais responsabilidades. Com a conclusão do inquérito, caberá agora ao STF analisar o material e definir os próximos passos do caso.

CRONOLOGIA – Mourão havia sido preso no âmbito da operação que investiga o banqueiro Daniel Vorcaro e um suposto esquema de fraudes financeiras e intimidação de adversários. No início do mês, o O Globo fez uma cronologia da prisão de “Sicário” até o momento de sua morte.  Por volta das 6 horas do dia 4 de março, agentes da Polícia Federal bateram na porta de Mourão para cumprir a ordem de prisão preventiva e mandados de busca e apreensão ordenados pelo Supremo.

As ações se davam na terceira fase da Operação Compliance Zero, deflagrada naquele dia, que se destina a apurar os crimes de fraude financeira, lavagem de dinheiro e obstrução de Justiça. Na residência, os agentes deram voz de prisão a Mourão e apreenderam equipamentos eletrônicos, documentos, relógios de luxo, joias e uma pistola sem registro. Se ele não tivesse morrido, ele responderia a um outro processo por porte ilegal de arma de fogo.

Por volta das 9h, ele foi levado à cela 2 do terceiro andar da superintendência da PF em Belo Horizonte. Nesse momento, como é praxe com alvos da corporação, ele passou por uma revista completa, na qual precisou deixar o cinto, relógio e cadarço. Às 12 horas, Mourão foi encaminhado à sala de interrogatórios, onde ficou por cerca de duas horas. Na cela, Mourão aparentava estar inquieto. Por volta das 15h20, ele tentou se matar.

GRAVIDADE –  Passaram-se cerca de dez minutos até que os agentes da PF percebessem o incidente e iniciassem a tentativa de reanimá-lo com massagem cardíaca e ventilação. Ao constatar a gravidade da situação, eles acionaram o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), que chegou por volta das 16h15. Mourão foi levado ao hospital João XXIII, em Belo Horizonte, onde foi internado às 17h56. Dois dias depois, a defesa dele confirmou a falecimento do preso após o “encerramento do protocolo de morte encefálica”.

Procurada, a defesa de Mourão não quis se manifestar. Nos bastidores, os advogados e familiares dele vão esperar a conclusão do inquérito da PF para decidir se pedem uma investigação paralela sobre a morte dele ou se movem alguma ação de indenização contra o Estado.

Esta Eva que defende penduricalhos de juízes precisa ser expulsa do Paraíso…

Desembargadora que falou em 'escravidão de juízes' recebeu mais de R$ 117  mil em março

A desembargador Eva simboliza o próprio retrato do Inferno

Vicente Limongi Netto

O troféu indecoroso de porta-estandarte da estupidez nacional pertence a uma desembargadora do Tribunal de Justiça do Pará, Eva do Amaral Coelho.  A despudorada juíza Eva cobriu a consciência nacional de vergonha ao reclamar do salário líquido de março de 91.211,82 reais.

Para a infame magistrada, a redução dos penduricalhos para magistrados, determinada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), significa a volta da escravidão.

ABISSAL IGNORÂNCIA – A nação indignada repudiou a abissal ignorância da desprezível togada. Eva do Amaral deslustra ainda mais o Judiciário, ultimamente atravessando inferno astral sem precedente. 

Diaristas e trabalhadores em geral não ganham, trabalhando durante anos, o salário da patética e chorona desembargadora. A desonra tomou conta do Brasil. Acabou o pudor, a esperança de dias melhores. A escória togada ajuda a arrastar o Brasil para o ralo da imundície social.  

Esta Eva precisa ser expulsa do Paraíso e purgar suas penas no inferno.

APENAS NO ZOO – Passaram sem festas os 66 anos de Brasília. Mas a data não ficou totalmente em branco. O amplo zoológico foi de graça.  O brasiliense viu hienas e abutres e lembrou de Ibaneis Rocha, Paulo Henrique Costa e Daniel Vorcaro, que destruíram o Banco Regional de Brasília.

A população também se divertiu com os pavões de cauda aberta, recordando as figuras de Alexandre de Moraes, Dias Toffoly, Flávio Dino e Gilmar Mendes.

As éguas, burros, cavalos, jumentos e cobras venenosas representaram políticos, especialmente do PT, do Centrão e do Partido Liberal.  O show de palhaços homenageou crianças, em particular e o povo, em geral, que desde sempre vem fazendo papel de palhaço.