A mulher doida de amor e a mulher santa, na poesia magistral de Adélia Prado

😉O que Adélia e Fernanda Montenegro têm em comum? 🥰Ambas possuem relação  com "Dona Doida". 🎥A partir da obra Adeliana, a atriz protagonizou a peça "Dona  Doida: Um Interlúdio", que estreou em

Fernanda e Adélia Prado na montagem de “Dona Doida”

Paulo Peres
Poemas & Canções

A professora, escritora e poeta mineira Adélia Luzia Prado de Freitas, no poema “A Serenata”, pressente a chegada do desespero. Este poema ficou famoso e serviu e inspiração a Fernanda Montenegro para montar o monólogo teatral “Dona Doida”, que fez enorme sucesso e consolidou a amizade entre ela e Adélia Prado.

A SERENATA
Adélia Prado

Uma noite de lua pálida e gerânios
ele viria com boca e mão incríveis
tocar flauta no jardim.
Estou no começo do meu desespero
e só vejo dois caminhos:
ou viro doida ou santa.
Eu que rejeito e exprobo
o que não for natural como sangue e veias
descubro que estou chorando todo dia,
os cabelos entristecidos,
a pele assaltada de indecisão.
Quando ele vier, porque é certo que ele vem,
de que modo vou chegar ao balcão sem juventude?
A lua, os gerânios e ele serão os mesmos
– só a mulher entre as coisas envelhece.
De que modo vou abrir a janela, se não for doida?
Como a fecharei, se não for santa?

PF mira escritórios de advocacia em operação contra fraudes milionárias no INSS

Nikolas, Zema e o clã Bolsonaro na disputa interna que redefine forças na direita

Indicado ao STF, Messias enfrenta cerco no Senado e terá que provar autonomia do governo

Desenrola 2.0: será um alívio imediato ou apenas uma ilusão de solvência?

Supremo se preocupa com baixarias na campanha eleitoral e começa a fazer cobranças

Charge: Campanha nas redes - Blog do AFTM

Charge do Cazo (Blog do AFTM)

Vicente Limongi Netto

Eleições distantes, mas o estoque de agressões e injúrias entre candidatos e pré-candidatos é espantoso. De corar freiras. O Supremo Tribunal Federal tenta colocar freios nos mais afoitos, que exageram, ultrapassam os limites do bom senso, da educação e do respeito. ]

Famílias começam a entrar no rol degradante, infame e covarde de injúrias pessoais. Liberdade de expressão não pode ser confundida com irresponsabilidades, mesquinharias,  torpezas e leviandades.

EXCESSO DE TOLICES – Jovens prontos para votar pela primeira vez estão perplexos com excessos de tolices na mídia e redes sociais.  Com exageros de linguagem, a vulgarização de gestos e atitudes começa a ser gritante e avassaladora.

Campanhas eleitorais precisam pontuar ideias e planos de ação. Eleitores, na imensa maioria, repudiam ofensas. Esperam debates civilizados entre os candidatos. Nesta linha, o Supremo Tribunal Federal tem agido com firmeza, punindo com severidade e rigor candidatos que preferem insultar, ao invés de que pensar, argumentar e raciocinar.

Os punidos, já tornados réus, alegam perseguição. Não creio. Democracia é respeito, não é baderna nem xingamentos.  Não demora, a Suprema Corte cortará as asas de mais açodados. E os palanques eleitorais ficarão mais saudáveis….

Campanha por Messias vira operação com pressão de ministros e negociação no Congresso

Expectativa é de que resultado seja apertado

Luísa Martins
Folha

A campanha de ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) junto a senadores para tentar aprovar a indicação de Jorge Messias como novo integrante da corte incluiu o “superpoder” de influência de André Mendonça, uma virada no posicionamento de Gilmar Mendes e um encontro mediado por Cristiano Zanin.

Magistrados se dizem otimistas com os efeitos da atuação coordenada e têm expectativa de que Messias seja aprovado, embora por um placar apertado. A sabatina está prevista para esta quarta-feira (29). Conforme mostrou a Folha, o governo Lula (PT) também intensificou a ofensiva a favor de Messias, negociando cargos e emendas para garantir a aprovação.

CABO ELEITORAL – Tão logo Messias foi indicado, em novembro do ano passado, Mendonça se tornou seu maior cabo eleitoral no Senado, ajudando a diminuir a resistência demonstrada pela bancada evangélica. Embora indicados por governos ideologicamente opostos, a religião é um ponto comum entre ambos, assim como a carreira na AGU (Advocacia-Geral da União).

Parlamentares relatam que a influência de Mendonça —nomeado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL)— cresceu depois que ele se tornou relator de duas investigações criminais potencialmente explosivas para a República: uma sobre os desvios do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) e outra sobre as fraudes financeiras do Banco Master.

Mendonça contou com a ajuda do ministro Kassio Nunes Marques para tentar convencer os senadores de oposição de que Messias, apesar de ser AGU de Lula e de ter sido subchefe de assuntos jurídicos do governo de Dilma Rousseff, não faz parte da militância petista clássica e pode ajudar a fortalecer a ala mais conservadora do Supremo.

MUDANÇA – A interlocutores bolsonaristas os magistrados afirmaram que Messias, além de ter perfil técnico, representaria uma mudança significativa de posição em relação ao seu antecessor na corte, o ministro Luís Roberto Barroso, especialmente nas chamadas “pautas de costumes”, que envolvem questões como aborto e drogas.

Decano do STF, Gilmar passou a apoiar Messias na reta final da campanha. Inicialmente, ele era um entusiasta da indicação do ex-presidente do Senado Rodrigo Pacheco (PSB-MG), conforme ele próprio declarou à Folha ainda em agosto, antes de Barroso se aposentar.

“A corte precisa de pessoas corajosas e preparadas juridicamente”, disse o decano à coluna Mônica Bergamo. “E o senador Pacheco é o nosso candidato. O STF é jogo para adultos”, disse, dando a entender que outros ministros também apoiavam o nome do parlamentar para integrar o tribunal.

FRUSTRAÇÃO – A indicação de Messias frustrou os apoiadores de Pacheco, entre eles o atual presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP). O clima de indisposição o levou a marcar a sabatina ainda para dezembro, antes de o Palácio do Planalto oficializar a mensagem presidencial. A data acabou adiada, mas Alcolumbre acusou Lula de “omissão grave”.

Gilmar, entretanto, não permaneceu no coro dos descontentes e passou a defender Messias não só em conversas privadas com senadores como também publicamente. Nas redes sociais, escreveu que as “críticas vazias” ao AGU ignoram seu “currículo qualificado, marcado por vasta experiência na administração pública e sólida formação acadêmica”.

Ministros e parlamentares veem nas ações do decano uma tentativa de conseguir a adesão de Messias ao seu grupo dentro do STF, que é oposto ao de Mendonça. A corte hoje está dividida sobre qual a melhor maneira de enfrentar as crises do tribunal, diante das repercussões do caso Master e de um possível aumento de ataques durante as eleições.

AJUDA DE ZANIN – Para driblar a dificuldade de obter um encontro reservado com Alcolumbre, Messias contou com a ajuda de Zanin. O ministro convidou Alcolumbre para um jantar em sua casa, em Brasília. O presidente do Senado disse a aliados que ficou surpreendido quanto o anfitrião perguntou se o advogado-geral poderia se juntar ao grupo. Pacheco e o ministro Alexandre de Moraes também estavam presentes.

Segundo interlocutores de Alcolumbre, ele não se opôs, mas relatou posteriormente um clima de constrangimento. Na conversa, Messias pediu abertamente o apoio do senador, que preferiu não se comprometer, apenas garantir que o indicado por Lula ao STF seria tratado com respeito e que o rito da sabatina seria integralmente cumprido.

Suspeita de fraude aumenta, porque Messias “provou” prática forense que jamais teve

Na reta final para a sabatina, Messias tenta agenda com Alcolumbre e se reúne com cúpula da CCJ

Senadores precisam exigir a carteira original de Messias na OAB

Carlos Newton

Nesta série de reportagens da Tribuna da Internet sobre a indicação do novo ministro do Supremo Tribunal Federal, foi levantada a suspeita de fraude na comprovação de que em 2006 o então bacharel Jorge Messias já teria dois anos de prática forense, condição exigida para ser nomeado procurador da Fazenda Nacional.

A ocorrência de irregularidade no cumprimento dessa obrigatoriedade fica reforçada agora, às vésperas da aprovação de Messias pelo Senado, devido ao teor do Ofício nº 54 da Escola de Administração Fazendária (ESAF), de 8 de junho de 2006.

SEM PRÁTICA FORENSE – Esse comunicado oficial relaciona os candidatos que conseguiram demonstrar os dois anos de experiência jurídica. Entre eles estava José Messias.

Essa informação do edital vem comprovar a impossibilidade de Messias ter cumprido regularmente a exigência, porque se formou em fins de 2003, mas desde fevereiro de 2002 já estava trabalhando na Caixa Econômica Federal em Recife, como técnico bancário, em regime de horário integral e dedicação exclusiva, conforme ele próprio registrou em seus vários currículos.

“Caixa Econômica Federal (08/2002-06/2006) – Técnico Bancário. Vínculo: Celetista formal. Enquadramento Funcional: Empregado Concursado. Carga horária: 40., Regime: Dedicação exclusiva” – informou o próprio Messias.

IMPOSSIBILIDADE – Não houve engano, Messias não digitou errado as datas, porque nos currículos ele discrimina as atividades em Recife: 08/2002-01/2004, Direção e administração, Agência Teatro Marrocos. Cargo ou função, Técnico de Fomento. 02/2004-06/2006, Direção e administração, Agência Teatro Marrocos. Cargo ou função, Gerente de Relacionamento Estados e Municípios.

Bem, trabalhando das 9 às 17 horas na agência da Caixa, o jovem bacharel Jorge Messias não poderia estar atuando ao mesmo tempo no Fórum de Recife, em busca de dois anos de prática forense. Justamente por isso, não existe, em nenhum dos quatro currículos de Messias a citação de que tenha feito estágio como estudante ou bacharel, antes de fazer o exame da OAB.

Para comprovar esse período de experiência, é necessário demonstrar atuação em cinco atos judiciais por ano, mediante cópias autenticadas de petições em que apareçam data e nome/assinatura do advogado. Messias não tinha nada disso, por trabalhar em horário integral na agência da Caixa.

IMPOSSIBILIDADE – Como se vê, Messias somente poderia provar os dois anos através de declaração emitida por algum escritório de advocacia de Recife, informando que ele trabalhara dois anos como estagiário.

Mas isso somente poderia ser provado se tivesse carreira de trabalho assinada e inscrição na OAB como estagiário antes de 8 de junho de 2004, porque esse registro provisório teria de ser feito dois anos antes de Messias ser nomeado.

Como ele admite ter trabalhado na Caixa Econômica durante esses alegados dois anos, em “horário integral e dedicação exclusiva”, não teria valor qualquer documento que possa ter entregue à ESAF para comprovar esses dois anos de estágio, sem a apresentação simultânea das dez cópias autenticadas de petições incluindo o nome dele como estagiário, caso contrário sua nomeação teria ocorrido mediante fraude.

INSCRIÇÃO NA OAB – Dai a importância da primeira inscrição de Messias na OAB de Pernambuco, antes dele cancelá-la e transferi-la para Brasília, fazendo com que seus dados literalmente sumissem do histórico da Seccional da Ordem.

Esse cancelamento da inscrição original na OAB, ao se mudar para outro Estado, é um ato absolutamente incomum, somente praticado por advogado que fracassa na profissão e tem dificuldades para pagar a anuidade num Estado e evita pagar em duas Seccionais da OAB.

A prática é exatamente o contrário. Quando se mudam para a capital do país e assumem importantes cargos públicos, os advogados sempre têm orgulho de manter a inscrição em sua terra de origem e fazem apenas uma inscrição suplementar no DF, sem cancelar e apagar o registro  original.

EXIBIR A CARTEIRA – Diante dessa nebulosa situação, para aprovar Jorge Messias na sabatina, os 27 membros da Comissão de Constituição e Justiça do Senado precisam exigir que ele exiba sua carteira original da OAB, para que seja possível saber se estava inscrito como estagiário antes de 8 de junho de 2004.

Se o registro for posterior, comprova que a nomeação foi mesmo fraudada. Infelizmente, a OAB se recusa a divulgar a data dessa inscrição, exigindo que o jornalista da Tribuna da Internet entre na Justiça para que algum juiz autorize a divulgação, vejam até onde vai a desfaçatez dessa gente.

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P.S. 1 –
Comprovar prática forense é como demonstrar que foi vacinado. Ou você exibe o certificado na hora ou terá de fabricar um e apresentá-lo em grau de recurso. Foi o que aconteceu com Jorge Messias. Não tinha como provar a prática forense e teve de fabricar um certificado.

P.S. 2 – Esta série de reportagens mostra que Jorge Messias está realmente sob suspeita. Mas o motivo maior para o Senado não aceitar a ida dele para o STF é o simples fato de não ter notório saber nem reputação ilibada. Como disse lá atrás o almirante Francisco Barroso, o Brasil espera que cada um cumpra seu dever. (C.N.)

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A poética paixão de Adalgisa Nery pelo homem angustiado que viu em fotografias

FCO-2940 - Retrato de Adalgisa Nery | Obras | Portinari

Adalgisa, retratada por Portinari

Paulo Peres
Poemas & Canções

A jornalista e poeta carioca Adalgisa Maria Feliciana Noel Cancela Ferreira (1905-1980), mais conhecida como Adalgisa Nery (sobrenome de seu primeiro marido, o pintor Ismael Nery), no poema “Escultura”, fala de um amor que começou pelas fotografias e que se caracteriza pela angústia.

ESCULTURA
Adalgisa Nery

Eu já te amava pelas fotografias.
Pelo teu ar triste e decadente dos vencidos,
Pelo teu olhar vago e incerto
Como o dos que não pararam no riso e na alegria.
Te amava por todos os teus complexos de derrota,
Pelo teu jeito contrastando com a glória dos atletas
E até pela indecisão dos teus gestos sem pressa.
Te falei um dia fora da fotografia
Te amei com a mesma ternura
Que há num carinho rodeado de silêncio
E não sentiste quantas vezes
Minhas mãos usaram meu pensamento,
Afagando teus cabelos num êxtase imenso.
E assim te amo, vendo em tua forma e teu olhar
Toda uma existência trabalhada pela força e pela angústia
Que a verdade da vida sempre pede
E que interminavelmente tens que dar!…

Na reta final ao STF, Messias modera discurso, mas falta de apoio de Alcolumbre preocupa

Messias acelerou as conversas com integrantes do Senado

Luísa Marzullo
O Globo

Ainda em busca de votos para ser aprovado pelo Senado ao Supremo Tribunal Federal (STF), o ministro da Advocacia-Geral da União (AGU), Jorge Messias, acelerou nos últimos dias as conversas com integrantes da Casa e vem se preparando para responder, na sabatina marcada para quarta-feira, sobre temas como o Banco Master, as relações entre Judiciário e Legislativo, anistia a envolvidos na trama golpista e aborto. Messias calcula ter falado com 75 senadores, mas uma ausência na lista, no entanto, causa preocupação: o presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP).

Auxiliares organizaram um roteiro de temas considerados sensíveis e vêm simulando cenários de embate com base em questionamentos já feitos por parlamentares em conversas reservadas. Messias tirou férias da AGU até o fim do mês para se dedicar à sabatina.

LINHA INSTITUCIONAL – Os ensaios, segundo interlocutores, não se limitam ao conteúdo técnico das respostas, mas também ao tom e à forma de exposição. Há preocupação em evitar declarações que possam ser interpretadas como confronto com o Congresso ou que estimulem críticas à atuação do STF. A orientação é adotar uma linha institucional, com menor carga de enfrentamento, em sintonia com o esforço de se apresentar como um nome conciliador.

Além do treinamento, as interlocuções mais recentes com senadores, sejam ao vivo, por telefone ou via mensagens de WhatsApp, incluíram nomes da oposição e têm servido como teste para o que virá na sabatina na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).

Messias defendeu nas conversas uma postura menos intervencionista da Corte sobre o Congresso, em resposta a críticas de senadores sobre decisões que atingem prerrogativas do Legislativo. Evangélico, ele também afirmou ser favorável às hipóteses já previstas em lei para o aborto e defendeu que eventuais ampliações sejam tratadas pelo Legislativo, não pelo Judiciário.

APOIOS – A leitura entre aliados é que a estratégia adotada na reta final — com discurso mais moderado e foco na redução de resistências — busca consolidar o movimento de ampliar apoios. Nos bastidores, aliados trabalham com um universo potencial de até 60 votos favoráveis, mas com uma projeção mais realista entre 46 e 48 votos. A conta inclui parlamentares que evitam assumir posição publicamente, mas que, segundo relatos, indicaram tendência de voto favorável em conversas reservadas.

Apesar do avanço nas conversas, a ausência de um encontro com Alcolumbre passou a concentrar as preocupações de interlocutores de Messias. A avaliação é que a reunião poderia funcionar como gesto decisivo para dar previsibilidade ao desfecho e reduzir a margem de incerteza entre parlamentares ainda indecisos.

ENVIO DA INDICAÇÃO – A possibilidade de uma reunião esfriou após a participação de Messias em um jantar organizado pelo senador Lucas Barreto (PSD-AP), adversário político de Alcolumbre no Amapá. O mesmo grupo havia sido responsável por um encontro, semanas antes, que reuniu 38 senadores e ajudou a destravar o envio da indicação à CCJ, consolidando uma base inicial de apoio ao nome do advogado-geral da União.

Integrantes do governo chegaram a discutir a realização de uma agenda envolvendo o presidente Lula, Messias e Alcolumbre antes da sabatina, mas a hipótese perdeu força diante do calendário apertado.

Defesa de Malafaia tenta adiar julgamento no STF e questiona composição da Corte

Advogados alegam que Primeira Turma está incompleta

Fernanda Fonseca
CNN

A defesa do pastor Silas Malafaia pediu ao STF (Supremo Tribunal Federal) o adiamento do julgamento da denúncia apresentada pela PGR (Procuradoria-Geral da República), previsto para esta terça-feira (28), sob o argumento de que a Primeira Turma está com composição incompleta.

No pedido, os advogados afirmam que o colegiado, que deveria ser formado por cinco ministros, atualmente conta com apenas quatro integrantes, o que poderia resultar em empate na análise do caso e comprometer a efetividade da decisão. Segundo a defesa, a realização do julgamento nessas condições pode gerar insegurança jurídica e limitar o debate entre os ministros.

SEM URGÊNCIA – Os advogados também sustentam que não há urgência que justifique a análise imediata e defendem que o caso seja apreciado apenas quando a composição da turma estiver completa. A Primeira Turma está com uma vaga aberta desde a saída do ministro Luiz Fux do colegiado.

Atualmente, o colegiado é composto pelos ministros Flávio Dino, Alexandre de Moraes, Cristiano Zanin e Cármen Lúcia. Fux pediu transferência para a Segunda Turma após divergências no julgamento que condenou o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e outros réus no caso da tentativa de golpe de Estado.

DENÚNCIA –  O julgamento foi pautado após o ministro Cristiano Zanin ter pedido destaque no caso, retirando o julgamento do ambiente virtual, com possibilidade de discussão entre os ministros. A denúncia foi apresentada pela PGR em dezembro de 2025 e acusa Malafaia de injúria e calúnia contra integrantes do Alto Comando do Exército. As acusações têm como base declarações feitas pelo pastor durante um ato na Avenida Paulista, em abril daquele ano.

Na ocasião, Malafaia chamou os generais de quatro estrelas de “frouxos”, “covardes” e “omissos”. Cabe ao Supremo decidir se aceita ou rejeita a denúncia. Caso seja acolhida, o pastor passará à condição de réu e responderá a uma ação penal na Corte.

Proposta de reforma de Flávio Dino é vista como agenda individual e gera críticas no meio jurídico

STF, que tem sido protagonista da crise política

Renata Galf
Folha

Em meio a um intenso questionamento a ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) no debate público, incluindo a defesa da criação de um código de ética na corte, o ministro Flávio Dino divulgou na última semana texto em que defende uma ampla reforma do Judiciário, medida que, a seu ver, resolveria “problemas concretos”.

Ainda que com diferenças nas análises de cada um deles, especialistas consultados pela Folha compartilham da visão de que o movimento do ministro denota uma agenda individual, e não institucional – o que envolveria diálogo interno e participação do atual presidente do tribunal, o ministro Edson Fachin.

PROPOSTAS GENÉRICAS – Também veem as propostas como genéricas, apesar de concordarem que muitos dos problemas apresentados por Dino, como a morosidade da Justiça, de fato merecem atenção. Além disso, diversos itens demandariam aprovação do Congresso, o que não apenas exigiria articulação com outros Poderes como sinaliza para um horizonte mais distante.

Além de a lista de sugestões ser pouco detalhada e genérica, o STF, que tem sido protagonista da crise política envolvendo suspeitas de ligação de ministros com o caso do Banco Master, passa a ser quase um coadjuvante das propostas. De 15 itens listados por Dino, em artigo publicado no último dia 20 no site ICL Notícias, o Supremo é citado expressamente em apenas um, em que ele defende a “revisão das competências constitucionais do STF e dos tribunais superiores”, sem especificar, porém, o que isso significaria.

Outro eixo fala em “composição e competências dos Conselhos Nacionais de Justiça e do Ministério Público, para que sejam mais eficientes na fiscalização e punição de ilegalidades”. O CNJ, porém, não tem poder para fiscalizar ministros do Supremo. Dino defende ainda a “tramitação adequada de processos na Justiça Eleitoral, evitando o indevido prolongamento atualmente verificado, causando insegurança jurídica e tumultos na esfera política”. Tal item, apesar de aparecer restrito à seara eleitoral, traz um diagnóstico que é por vezes apontado como sendo do STF também.

CORTE CONSTITUCIONAL – “Vai mexer nas competências do Supremo ou do STJ [Superior Tribunal de Justiça], mas em que sentido? Nós vamos transformar o Supremo numa corte constitucional?”, questiona Elival da Silva Ramos, professor titular de direito constitucional da USP (Universidade de São Paulo) e ex-procurador-geral do Estado de São Paulo.

Para ele, a proposta de Dino gera mais perguntas do que respostas, dada a falta de detalhamento, e dificilmente ela envolveria diminuir as competências da corte. O professor destaca ainda a falta de articulação e avalia que as medidas apontadas são insatisfatórias frente ao que a sociedade demanda do tribunal atualmente. “Parece um pouco uma cortina de fumaça”, diz.

Além de não estar claro o que Dino defende exatamente quando fala em rever as competências do Supremo, essa mudança requereria a aprovação de uma emenda à Constituição no Congresso. Já a aprovação de um código de conduta aplicável a ministros do STF, como vinha sendo defendido por Edson Fachin, bem como por grupos da sociedade civil, juristas e empresários, poderia ser aprovado a partir de deliberação do próprio tribunal.

VÍCIOS – Na avaliação do professor do Insper Diego Werneck, o artigo de Dino reproduz alguns dos vícios do STF, fazendo um paralelo com a atuação individualizada dos ministros por meio de decisões monocráticas e liminares. “É um ministro sozinho, lançando uma lista de temas e de propostas”, resume. Ele destaca que, embora a lista de problemas elencados seja ampla, não há propostas sobre comportamento de juízes, com exceção de sugestões como a de se aumentar a pena para algumas hipóteses como casos de corrupção.

“Sabemos concretamente que há problemas, e tem propostas concretas na mesa que só dependem do tribunal. E, curiosamente, a proposta [de Dino] não fala quase nada dos temas que estão ao alcance do tribunal”, diz Werneck. “O Supremo é o grande ausente dessa discussão da proposta do ministro.”

REPOSICIONAMENTO – Já a professora da FGV Direito SP Eloísa Machado classifica o texto como uma busca de reposicionamento do debate, no sentido de tratar a questão ética como um problema de todo Judiciário. “[O artigo] considera as críticas atuais feitas ao STF, mas evita que o tribunal se transforme em alvo, sobretudo daqueles que querem instrumentalizar críticas para fragilizar a existência do tribunal”, afirma.

Apesar de ver como mérito do artigo o reconhecimento de problemas do sistema de Justiça, ela vê as propostas em si como bastante gerais e parte delas como problemáticas. A professora aponta ainda que alguns dos temas poderiam ser encaminhados por projeto de lei de iniciativa do próprio Supremo, como as que tratam dos procedimentos e punições disciplinares.

CONSENSO INTERNO – A cientista política e professora da USP Maria Tereza Sadek, por sua vez, compara a falta de articulação do movimento de Dino ao que se viu na reforma promovida em 2004, quando houve interlocução entre os três Poderes. “Uma coisa é o que o Supremo pode fazer por ele mesmo, sem precisar de aprovação legislativa”, diz ela, destacando que, nesta hipótese, seria preciso alcançar um grau de consenso interno na corte que no momento parece inexistente. Por outro lado, Sadek destaca a necessidade de articulação para que outras medidas sejam aprovadas. “E isso é complicado, sobretudo porque nós estamos em véspera de eleição.”

Para a professora de direito constitucional da UFPR (Universidade Federal do Paraná) Vera Karam de Chueiri, que é conselheira na Comissão de Ética Pública da Presidência e também integra comissão de estudos do STF, ainda que os temas propostos por Dino sejam relevantes, seria importante que houvesse um alinhamento com a agenda atual da corte.

“Acho muito louvável as propostas do ministro Dino, dessa reforma maior, mas ela não pode colocar sombra naquilo que está hoje no centro do debate institucional, do debate com a sociedade, que é a questão do código de ética.