Reeleição de Lula derrete o Ibovespa e dólar tem a maior alta desde 1999

Lula e a economia: boca fechada, dólar cai; boca aberta, dólar sobe |  Jornal de Brasília

Charge do Baggi (Jornal de Brasília)

Deu no Estadão

Reação negativa à reeleição petista levou a Bolsa de Valores a acionar o circuit breaker pela primeira vez desde a pandemia da covid-19, e os papéis mais sensíveis à política econômica caíram mais de 50%.

Após a retomada dos negócios, por volta das 10h48, o Ibovespa chegou a recuar 16,8%, aos 170,4 mil pontos, antes de reduzir parte das perdas até o encerramento.

TERMÔMETROS – Entre as ações que compõem o Ibovespa – o principal indicador de desempenho dos papéis negociados na B3, termômetro para o mercado de capitais brasileiro –, as maiores baixas foram registradas para Magazine Luiza (-58,23%), Vamos (56,79%), Hapvida (-54,93%) e C&A (-47,47%). Em comum, essas empresas têm forte relação com o desempenho da economia.

Os papéis da própria B3 também encostaram em 50% de queda na abertura do pregão e reduziram as perdas no início da tarde; ainda assim, afundaram 36,28%. Já as ações da Petrobras apresentam retração de 8,18%.

De acordo com levantamento feito pelo Broadcast (serviço de informações financeiras do Grupo Estado), os bancos perderam R$ 249 bilhões em valor de mercado somente na primeira hora do pregão desta segunda. No início da tarde, as maiores desvalorizações entre as grandes instituições eram de BTG (24,83%), Banco do Brasil (29,33%) e Bradesco (21,7%). Os papéis do Itaú caíram 13,66%; e os do Santander, 4,47%.

PRESSÃO DO DÓLAR – Só oito ações tiveram alta no pregão, todas de empresas exportadoras cujas receitas são atreladas ao dólar. Suzano (SZUB3) liderou os ganhos com alta de 10,08%, seguida de Embraer (EMBJ3), que subiu 8,89%, e Weg (WEGE3), com alta de 4,21%.

Em Nova York, as ações da XP caíram 48,36% na Nasdaq. Já a Nu Holding, listada na NYSE, recuou 16,95%.

O dólar também abriu em forte alta. Por volta das 10h30, a moeda estava cotada a R$ 5,60, com uma valorização de 12%. Logo depois, o movimento arrefeceu.

DOLAR EM ALTA – No fechamento, a cotação ficou em R$ 5,40, uma alta de 8,21% contra o real. Segundo o Broadcast, é a maior oscilação na cotação à vista desde 13 de janeiro de 1999. Naquela ocasião, o País encerrou o regime de bandas cambiais e adotou o câmbio flutuante, em meio à moratória do governo de Minas Gerais e à saída de Gustavo Franco da presidência do Banco Central, lembra o estrategista da Sincra, Gustavo Cruz.

Segundo ele, o mercado está precificando incertezas sobre a condução da política fiscal pelo governo reeleito, pois o resultado das urnas, na sua avaliação, chancelou as medidas de gastos adotadas na gestão Lula.

Os investidores já esperavam que Flávio Bolsonaro não promovesse um ajuste fiscal profundo, mas contavam com a estabilização da dívida pública. Agora, a percepção é de que a relação entre dívida e PIB poderá voltar a crescer. Cruz ressalva que essa é uma percepção inicial, que pode piorar ou se reverter conforme as medidas fiscais anunciadas por Lula.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
– Só existe uma explicação: o mercado não confia mais em Lula, cujo governo atua disseminando insegurança jurídica. Ou seja, o presidente é irresponsável e faz o que bem entende com a economia. Por isso, até um estreante como Flávio Bolsonaro é mais confiável do que Lula. Pense sobre isso. (C.N.)

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Caso Master acumula adiamentos e empurra conclusão de inquéritos para novembro

PF remarca oitiva de Fabiano Zettel pela segunda vez

Deu na CNN

A PF (Polícia Federal) remarcou para esta semana o depoimento de Fabiano Zettel, apontado como operador financeiro de Daniel Vorcaro e investigado no âmbito do caso Master. O interrogatório, que estava agendado para ocorrer por videoconferência a partir do presídio em Potim, interior de São Paulo, foi cancelado pela segunda vez.

Segundo o analista de Segurança Pública da CNN, Elijonas Maia, ao CNN Novo Dia, o episódio não é isolado. Uma série de depoimentos relacionados ao caso Master foram agendados e posteriormente cancelados ou adiados, transformando os atrasos em uma característica marcante da investigação.

DEPOIMENTOS –  Entre os investigados que tiveram depoimentos cancelados estão o próprio ex-banqueiro Daniel Vorcaro, o empresário Augusto Lima, o senador Jaques Wagner (PT-BA), o ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa, o ex-presidente do Banco Central Roberto Campos Neto — ouvido na condição de testemunha —, e André Esteves, do BTG Pactual, também como testemunha.

O depoimento de Fabiano Zettel, que seria realizado por uma equipe da PF de Minas Gerais, trataria sobre o grupo denominado “A Turma”, descrito como um grupo armado que, segundo consta na Polícia Federal, teria sido organizado para ameaçar e intimidar adversários de Daniel Vorcaro, incluindo jornalistas, adversários políticos e empresariais.

O interrogatório estava previsto para começar às 14h. Por volta das 14h20, a equipe de investigação recebeu um telefonema comunicando o cancelamento. O argumento foi que o presídio não dispunha de conexão à internet para a realização da oitiva por videoconferência. A Polícia Federal confirmou o cancelamento, mas não informou oficialmente o motivo do adiamento.

MUDANÇA DE ADVOGADOS –  De acordo com Elijonas Maia, fontes com acesso ao caso apontam que um dos fatores que explicam a grande quantidade de adiamentos é a troca frequente de advogados pelos investigados. “Todos os principais investigados nesse caso mudaram de advogados e mais de uma vez”, afirmou o analista. Cada nova troca implica um novo pedido de acesso integral aos autos do processo, o que acaba por postergar os depoimentos.

Os sucessivos atrasos também têm impacto direto no prazo para a conclusão do inquérito. A previsão inicial da Polícia Federal era de que pelo menos um dos inquéritos fosse finalizado e relatado ao STF (Supremo Tribunal Federal) em julho, antes do início da campanha eleitoral.

Com os adiamentos, a data foi postergada para agosto, depois para setembro, outubro, e agora a nova estimativa aponta para novembro. Dois inquéritos estão mais adiantados: o referente a “A Turma”, que aguarda um ou dois depoimentos, incluindo o de Fabiano Zettel, e o que investiga a suposta atuação de servidores do Banco Central em favor de Daniel Vorcaro.

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Minoria no Congresso não será obstáculo intransponível para Lula, que já se acostumou

Tamanho de bancada não assegura hegemonia no Congresso

Dora Kramer
Folha

Um clima de alarmismo ronda as expectativas a respeito do que será o Congresso Nacional a partir de fevereiro de 2027. Antes de nos entregarmos ao catastrofismo por causa do tamanho das bancadas conquistadas pelo PL, convém lembrar de como as coisas funcionam naquele chão de fábrica.

Sem alianças não se dá um passo no universo de 594 parlamentares; nem quando se tem 28 senadores e 121 deputados, insuficientes para formar maioria absoluta, incertos em votações de maioria simples e distantes do quórum qualificado para aprovar emendas constitucionais.

APETITE DO CENTRÃO – A direita bolsonarista cresceu, a esquerda ficou do mesmo tamanho, e o chamado conservadorismo continuou majoritário com um pequeno acréscimo de 57% para 59%. O centrão encolheu, mas seu apetite e expertise não diminuíram.

Portanto, são precipitadas as conclusões de que Luiz Inácio da Silva (PT) acumulará derrotas de de goleada no Parlamento, sem conseguir governar. Vida fácil ele não terá, de forma alguma. 

A maioria não garantirá  hegemonia a Lula. Mas o petista é muito experiente e sabe como adestrar as onças. 

ACOMODAÇÃO – Passado o entusiasmo inicial das eleições, a tendência do Congresso é a de acomodação das forças. Nem todo direitista é bolsonarista, nem todos babam na gravata, e a estridência dos cristãos-novos tende a sucumbir à experiência dos colegas velhos de guerra no trato dos acordos decisivos e na defesa da hipertrofia de poder do Legislativo.

Desse conhecimento de como as pedras rolam dão notícia Davi Alcolumbre (União Brasil) e Hugo Motta (Republicanos), que não esperaram acabar o pleito para cuidar das próprias reeleições e tratar que as mudanças deixem tudo como está. Afinal de contas, é como se diz por aí: camarão que dorme, a onda leva.

Espera-se que os políticos esqueçam as divergências e trabalhem pelo país

Democracia neste sete de abril - Rede Humaniza SUSRede Humaniza SUS - O SUS  QUE DÁ CERTO

Charge do Solda (Arquivo Google)

Vicente Limongi Netto

O Brasil venceu. A escória do mal, da arrogância, da petulância, do deboche, do rancor e da vingança foi derrotada pela fibra do ex-torneiro mecânico, de 80 anos de idade, Luiz Inácio Lula da Silva, que amanhã completa 81 anos.

Bravo e simples cidadão que perdeu um dedo trabalhando, insultado no debate pelo tosco e boçal Flávio Bolsonaro, Lula cavou seu destino com as próprias mãos. Destemido, de peito aberto, e respeitado no exterior.

QUARTA VITÓRIA – Foi a sétima disputa presidencial de Lula. Agora carrega no peito, com orgulho, a quarta vitória.  A disputa presidencial foi árdua. Marcada por intrigas torpes, deboches e covardias. Campanha difícil.

Do princípio ao fim. Lula enfrentou adversários fortes, como governadores, senadores, deputados, donos da Fiesp, o ex-presidente golpista e presidiário, Jair Bolsonaro, deputados e ministros bolsonaristas do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça e Nunes Marques. Togados desprezíveis, serviçais do imundo bolsonarismo.

Lula mais uma vez saberá usar sua vasta experiência pessoal e profissional, em ações que engrandeçam a Nação, procurando acabar com desavenças políticas que deslustram a saudável atividade política.

DIFICULDADES – Lula sabe que terá dificuldades com o futuro Congresso Nacional. Sabe também que estará lidando e convivendo com senadores e deputados que precisam colocar os interesses coletivos em primeiro lugar.

Lula nunca deixou de dialogar com ninguém. Não é à toa que foi eleito para o quarto mandato presidencial. Foi reeleito agora com perto de 5 milhões de votos de diferença do adversário.

Todos precisam colaborar para o Brasil continuar crescendo. Lula estará com o espírito aberto. O povo deseja que os homens públicos juntem os cascos do embate político e trabalhem para melhorar a qualidade de vida dos brasileiros mais necessitados.

A letra era do Vinicius, mas Tom Jobim preferiu a versão de Dolores Duran

Dores que duram -

Dolores sabia cantar o amor e a saudade

Paulo Peres
Poemas & Canções

A cantora e compositora carioca Adiléa da Silva Rosa (1930-1959), a saudosa Dolores Duran, foi uma das maiores representantes do samba-canção, gênero musical onde prevaleciam a “fossa e a dor de cotovelo” nos anos 50, conforme a letra de “Por Causa de Você”, em parceria com o mestre Tom Jobim,  que retrata a tristeza de uma pessoa e do ambiente em que ela mora pela perda de um amor. A música foi gravada por Dolores Duran, em 1958, pela Copacabana.

A detalhe: a letra original foi feita por Vinicius, mas Tom Jobim gostou mais da versão de Dolores Duran.

POR CAUSA DE VOCÊ
Tom Jobim e Dolores Duran

Ah, você está vendo só
Do jeito que eu fiquei
E que tudo ficou
Uma tristeza tão grande
Nas coisas mais simples
Que você tocou

A nossa casa, querido
Já estava acostumada
Aguardando você
As flores na janela sorriam, cantavam
Por causa de você

Olhe, meu bem
Nunca mais nos deixe, por favor
Somos a vida, o sonho
Nós somos o amor

Entre, meu bem, por favor
Não deixe o mundo mau
Lhe levar outra vez
Me abrace simplesmente
Não fale, não lembre
Não chore, meu bem.

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Vitória de Lula reforça aposta no multilateralismo

Deu no O Globo

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, celebrou a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas eleições brasileiras como um triunfo para “a democracia e o multilateralismo”. A manifestação ocorreu após o presidente brasileiro derrotar o conservador Flávio Bolsonaro no segundo turno, com 51,7% dos votos, e garantir um novo mandato.

O presidente francês, Emmanuel Macron, também parabenizou Lula e o incentivou a trabalhar em conjunto por “um mundo mais justo”. As declarações se somaram às de líderes de diferentes continentes que reconheceram a vitória do brasileiro e defenderam a continuidade da cooperação com o Brasil.

GRANDE VITÓRIA – O presidente do governo espanhol, Pedro Sánchez, classificou o resultado como uma “virada do progressismo global”. “Grande vitória para Lula! O que aconteceu no Brasil acontecerá na Espanha. A virada do progressismo global acaba de começar”, escreveu na rede social X.

Na América Latina, a presidente mexicana, Claudia Sheinbaum, celebrou a vitória brasileira. “Viva a democracia, o povo do Brasil venceu. Parabéns, presidente Lula!”, escreveu no X. O presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, chamou Lula de “irmão” e classificou o resultado como uma “vitória histórica”, que, segundo ele, garante a continuidade do caminho da paz, da soberania e da justiça social.

COOPERAÇÃO – A ex-presidente argentina Cristina Kirchner também comemorou o resultado. Segundo ela, Lula “soube despertar em seus compatriotas sentimento e sentido para vencer esta batalha” eleitoral. Outros líderes da região, como o presidente uruguaio, Yamandú Orsi, e o presidente da Guatemala, Bernardo Arévalo, manifestaram interesse em manter e ampliar a cooperação com o governo brasileiro.

As manifestações internacionais ocorreram após uma disputa eleitoral acirrada. O resultado mantém o Brasil entre os principais governos progressistas da América Latina, em uma região onde países como Argentina, Chile e Colômbia passaram por uma guinada à direita.

FORTALECIMENTO –  Fora das Américas, o primeiro-ministro canadense, Mark Carney, destacou que a relação bilateral “floresceu” sob a liderança de Lula. “Vamos aproveitar esta oportunidade para torná-la ainda mais forte, juntos”, afirmou.

O primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, também felicitou o brasileiro, a quem chamou de “estimado amigo”. “Juntos, continuaremos reforçando nossa cooperação em diferentes setores, fazendo avançar as prioridades comuns do Sul”, escreveu.

FELICITAÇÕES CHINESAS – A China também felicitou Lula pela reeleição e declarou disposição para aprofundar a cooperação com o Brasil. “A China tomou conhecimento de que o Tribunal Superior Eleitoral do Brasil anunciou que o presidente Lula venceu o segundo turno das eleições gerais brasileiras e expressa suas felicitações”, afirmou o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores chinês, Guo Jiakun.

Pequim está “disposta a trabalhar com o Brasil para continuar avançando na construção de uma comunidade de futuro compartilhado entre China e Brasil”, acrescentou o representante.

REPRESENTANTES DA DIREITA –  Apesar de terem posições políticas diferentes das de Lula, representantes da direita latino-americana também reconheceram sua vitória. A peruana Keiko Fujimori felicitou o presidente brasileiro e defendeu o fortalecimento da integração e da cooperação entre os dois países.

“Reafirmo nossa vontade de fortalecer nossa aliança estratégica, a integração, cooperação e o desenvolvimento sustentável da Amazônia que compartilhamos, em benefício de ambos os povos”, publicou Keiko no X.

O presidente chileno, José Antonio Kast, afirmou ter conversado com Lula e transmitido suas felicitações. “Chile e Brasil têm muito futuro em comum”, declarou, ao defender uma agenda de integração econômica e combate ao crime organizado. O presidente equatoriano, Daniel Noboa, também defendeu a cooperação regional. “Nossa região tem inimigos comuns, desafios compartilhados e muito a ganhar quando trabalhamos juntos”, escreveu no X.

Vitória de Lula é revés para Trump e freia avanço da direita na região

Desta vez, o Brasil chegou às urnas dividido entre dois projetos de poder

Decisão de Zanin sobre horário da votação foi referendada por Nunes Marques após conversa

Lula vira sobre Flávio, derrota o bolsonarismo e conquista o quarto mandato

Reeleição de Lula pode abrir nova crise no Supremo com rejeição de ministros

charge de Thiago Lucas (@thiagochargista), para o Jornal do Commercio.  #DiasToffoli #bancomaster #justiça #master #STF #lula #moraes #chargejc  #chargejornaldocommercio #chargethiagojc #chargethiagolu

Charge de Thiago Lucas (Jornal do Commercio)

Roseann Kennedy
Estadão

O resultado da disputa presidencial entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), neste domingo, 25, era aguardado com ansiedade nos bastidores do Supremo Tribunal Federal (STF). O principal interessado no desfecho era, sem dúvidas, Alexandre de Moraes; afinal, seu futuro e seu poder estão diretamente atrelados a quem assumirá a Presidência da República.

A eventual vitória de Lula era vista nos bastidores da Corte como a salvação de Moraes e para garantir o empoderamento de seu grupo, chamado nos corredores da magistratura de “o quarteto”.

FIM DO CICLO – Já a vitória de Flávio apontava para o fim do ciclo de poder daquele que era considerado por sua corrente política como único “carrasco do bolsonarismo”, cuja vitória daria mais força para o possível impeachment de Moraes.

Logo após o primeiro turno, com a expectativa de vitória de Flávio, Moraes adotou uma mansidão repentina. Na linha do “salve-se quem puder”, agradou o “filho Zero Um” de Jair Bolsonaro, autorizando-o a voltar a visitar o pai.

Nos bastidores, entretanto, o ministro avançava em outra estratégia de salvamento, fazendo uma reunião secreta em seu gabinete com a cúpula da Polícia Federal.

POR SORTEIO? – Quinze dias depois desse encontro, a PF avançou em novas frentes de investigação contra Flávio e pediu a abertura de um inquérito para apurar suspeitas de lavagem de dinheiro envolvendo sua relação com o advogado Willer Tomaz. Por sorteio, o caso ficou sob relatoria de Moraes.

Com Alexandre de Moraes de volta à cena política, caiu por terra a tentativa de apaziguamento feita ao final do primeiro turno com integrantes da campanha bolsonarista.

Na noite da sexta-feira, 23, o magistrado determinou o bloqueio de bens móveis e imóveis e o sequestro de R$ 6 bilhões das contas de Willer Tomaz. O alvo tem um amplo espectro de relações políticas em Brasília. A defesa diz que se trata de uma “pescaria probatória” para “fabricar falsos escândalos com fins político-eleitorais”.

LULA REINA – Agora, Lula indicará mais quatro ministros para o STF. Como a Corte é formada por 11 ministros, isso será definitivo para estabelecer o jogo de forças internamente.

Hoje, a ala de Moraes vota de forma coesa e reúne Cristiano Zanin — que foi advogado do petista —, Flávio Dino — ex-ministro do governo Lula —. Dias Toffoli – ex-advogado do PT,  e Gilmar Mendes.

Juntos, eles já conseguiram, por exemplo, frear o pedido de abertura de investigações contra Moraes sobre o contrato de R$ 131 milhões do escritório de sua esposa, Viviane Barci, com o Banco Master, além de outras suspeitas de sociedade com o banqueiro Daniel Vorcaro.

DOMÍNIO TOTAL – Com Lula reeleito, esse bloco dobrará de tamanho. Um reforço já será imediato para a vaga aberta de Luís Roberto Barroso. Isso aumenta o poder de Moraes, que deve assumir a presidência do STF em setembro de 2027.

Os demais integrantes do Supremo não votam necessariamente alinhados, pois têm perfis, interesses e exposições públicas variados.

Para completar esse cenário, o Supremo Tribunal Federal continua vivendo a maior crise reputacional de sua história, com pedidos de investigação sobre seis de seus atuais 10 ministros.

NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – Com um cenário de maioria bolsonarista, tudo pode acontecer – de bom e de ruim. Vários ministros lulistas podem sofrer impeachment e as novas indicações de Lula podem ser rejeitadas, provocando uma crise monumental. (C.N.)

Donald Trump dá o tom, e a bancada da bala aplaude a pena de morte

Os vitoriosos são Lula, Alckmin e Tarcísio, que será imbatível em 2030

Lula pede para Zé Dirceu se candidatar a deputado federal nas eleições de 2026 - Estadão

Lula e José Dirceu fingiram que voltaram a ser amigos

Carlos Newton

Em junho de 2005, o deputado José Dirceu (PT-SP) era o político mais importante do Brasil, comandando com mão de ferro a Casa Civil do primeiro governo de Lula da Silva. Todos sabiam que era ele quem mandava no país. Mas veio o desentendimento com Roberto Jefferson, que comandava o PTB e denunciou o escândalo do mensalão, Dirceu pediu demissão.

A compra de votos de parlamentares atingia frontalmente o PT e o presidente Lula, que se viu ameaçado de impeachment. Mas Dirceu teve uma atitude nobre, assumiu a inteira responsabilidade pelo mensalão, dizendo que Lula não tinha conhecimento de nada.

PREOCUPAÇÃO – Na época, o Mensalão estarreceu a todos, não se falava em outra coisa. Dois dias depois da demissão, o jornalista esteve no coquetel de inauguração do escritório de consultoria de Darc Costa, vice-presidente do BNDES e professor da Escola Superior de Guerra, considerado o maior estrategista brasileiro.

No evento, conversando com amigos, o general Leônidas Pires Gonçalves, ex-ministro do Exército no governo José Sarney, manifestou sua preocupação.

“A situação é gravíssima. José Dirceu tinha preparo e firmeza para conduzir o governo, mas Lula prefere nomear essa Dilma Rousseff, que ninguém conhece, pode haver o caos no país e afetar o desenvolvimento” – alertou o ex-ministro. Mas eu cuidei de acalmá-lo, dizendo:

“Desculpe, general, mas o senhor pode ficar tranquilo, não haverá crise alguma, porque o país cresce à noite, quando os políticos estão dormindo e não conseguem atrapalhar…”. Foi um sucesso. A piada era velha, mas ninguém conhecia e todos caíram na gargalhada.

OUTRA REALIDADE – Se Dirceu tivesse contado a verdade, Lula teria sofrido impeachment e a realidade do país seria outra. Mas o ex-guerrilheiro fez o chamado “beau geste” e inocentou Lula. Logo em seguida, abriu uma empresa de lobby e rapidamente enriqueceu, antes de cumprir pena.

Lula virou as costas a Dirceu, embora o amigo tivesse atendido a segunda-dama Rosemary Noronha, acusada de corrupção. Dirceu coordenou a defesa dela, que foi inocentada. Mesmo assim, Lula nunca mais quis conversa com ele, não mais se falaram, nem mesmo por telefone. Só voltaram a se encontrar no início deste ano, quando Lula gravou um vídeo apoiando a campanha de Dirceu a deputado federal e pediu votos para o ex-ministro.

Na mensagem, Lula afirmou que a eleição de Dirceu representaria uma “reparação histórica”, que acabou não ocorrendo.

OS VITORIOSOS – O grande vitorioso desta eleição é próprio Lula, é claro, que fez um esforço sobre-humano para tocar sua campanha pelo país, mostrando-se incansável. Outro vencedor é  Geraldo Alckmin, que não vê a hora de tomar posse, assim que Lula não tiver mais condições de governar, pois é o mais velho presidente eleito da História, ninguém chegou ao poder pelo voto com 80 anos, em nenhum país minimamente civilizado.

Lula completa 81 anos nesta terça-feira, e o tempo  trabalha a favor de Alckmin, que se transformou num urubu pousado no ombro do petista.

Por fim,  o terceiro vitorioso é Tarcísio de Freitas, que em 2030 não terá adversários à Presidência e vai destruir quem estiver pela frente.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – O grande perdedor não é Flávio Bolsonaro, que fez o que pôde contra um adversário portentoso e com a chave do cofre nas mãos. Quem realmente perdeu foi seu pai, Jair Bolsonaro, que inventou a candidatura do Zero Um, ao invés de apoiar Tarcísio de Freitas, um político que realmente poderia melhorar muito a situação deste país. Assim, Jair Bolsonaro perdeu a oportunidade de demonstrar grandeza e amor ao país indicando Tarcísio, ao invés de querer transformar a política em questão de família. Esse erro, pelo menos, Lula jamais cometeu. (C.N.)

A herança política de Bolsonaro e o risco de uma democracia sob cerco

Lula ou Flávio Bolsonaro preparam-se para aplicar um tremendo estelionato eleitoral

X-এ Folha de S.Paulo: "#charge Cláudio Hebdô | Lula e Flávio a ouvirem a palavra debate https://t.co/7cBIOvPC1p" / X

Charge do Cláudio Oliveira (Folha)

Raquel Landim
Estadão

Seja qual for o resultado das eleições de domingo, preparam-se para um estelionato eleitoral ou para uma crise econômica em 2027. Não é catastrofismo. O fato é que nem o presidente e candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva, nem o candidato do PL, Flávio Bolsonaro, apresentaram até agora propostas concretas para lidar com a economia.

Flávio negou todos os ajustes necessários para reduzir a dívida pública: desindexação do salário mínimo, mudança nos pisos de saúde e educação, uma reforma da previdência, entre outras medidas. Chegou até a se comprometer com a escala 6 por 1, que, num primeiro momento, vai afetar a produtividade da economia.

PROMESSAS VÃS – No debate promovido pela Band e Estadão, o candidato do PL disse que só o fato de se tornar presidente vai liberar recursos porque os juros de longo prazo vão cair. Flávio disso que vai combater a corrupção para conseguir mais recursos – uma promessa insólita dado o seu histórico. Prometeu um ministério da Prosperidade sem dizer quanto ia custar. Pode até ser que sua eleição provoque um alívio nos mercados, mas será temporário. Logo a conta vai chegar.

Lula estabeleceu um ritmo desenfreado de gastos para tentar vencer, já que está atrás nas pesquisas eleitorais: aumento de 15% do Bolsa Família, renovações sucessivas da subvenção à importação de combustíveis, compra de dívidas por meio do novo Desenrola, dinheiro para os microempreendedores e até mesmo a distribuição de canetas emagrecedoras pelo SUS, entre muitas outras.

Prometeu até uma PEC (Proposta de Emenda Constitucional) para garantir Passe Livre aos fins de semana, que quer pagar com o dinheiro das emendas parlamentares. Faltou combinar com o Congresso, que dificilmente vai querer abrir mão desses recursos. Muitas das emendas são carimbadas.

MANO A MANO – A ausência de propostas de austeridade fiscal por ambos os candidatos explica-se pela disputa mais acirrada da história do país. A diferença é de um a dois pontos percentuais dependendo da pesquisa. Ninguém quer correr risco de desagradar o eleitor e perder votos.

O que nos leva a um impasse. As equipes econômicas de Flávio e Lula não são ingênuas e sabem o que precisa ser feito para conter a dívida pública e evitar seu efeito deletério nos juros, no câmbio e na inflação. O Brasil precisa de um novo ajuste fiscal logo no início do novo mandato.

Os técnicos já estão preparando pacotes para soltar assim que vencerem o pleito, o que configurará um estelionato eleitoral dado o que os candidatos prometeram ou esconderam do eleitor. Ou pretendem deixar tudo como está, com ajustes graduais e cosméticos, que não vão resolver o problema do país. Se prevalecer a segunda alternativa, quem vai pagar a conta de uma dívida pública explosiva é, principalmente, o povo mais pobre com mais inflação.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
– A ausência de propostas de austeridade fiscal explica-se pela disputa acirrada; ninguém quer correr risco de desagradar o eleitor e perder votos Apenas isso. Lula e Flávio têm algo em comum — a preocupação deles com o povo é zero.  (C.N.)