Erro de Mendonça abre caminho para outro de Dino e especialistas apontam atropelos jurídicos

PSD agora hesita em bancar Ronaldo Caiado e enfrenta pressão por recursos para candidatos

“Aqui é um problema nosso”: Lula confronta Trump e diz que eleição definirá futuro da democracia

No carnaval do Rio, a falsa baiana acabou sendo inspiração de um cantor mineiro

LP – História Da Música Popular Brasileira - Geraldo Pereira ( Vários  Artistas )

Geraldo Pereira, grande compositor

Paulo Peres
Poemas & Canções

No carnaval carioca, o cantor e compositor mineiro Geraldo Theodoro Pereira (1918-1954), nascido em Juiz de Fora, se encontrou com o grande músico e compositor Roberto Martins (1909-1992), cuja mulher estava fantasiada de baiana, mas não demonstrava animação e reclamava o tempo todo.

Pereira perguntou ao amigo o que estava acontecendo e Martins respondeu: “É a falsa baiana…”.

Essa situação inspirou o compositor mineiro a fazer um samba mostrando a diferença existente entre a verdadeira e a “falsa baiana”. Este samba foi gravado por Ciro Monteiro, em 1944, pela RCA Victor, fazendo grande sucesso.

FALSA BAIANA
Geraldo Pereira

Baiana que entra no samba e só fica parada
Não samba, não dança, não bole nem nada
Não sabe deixar a mocidade louca
Baiana é aquela que entra no samba de qualquer maneira
Que mexe, remexe, dá nó nas cadeiras
Deixando a moçada com água na boca

A falsa baiana quando entra no samba
Ninguém se incomoda, ninguém bate palma
Ninguém abre a roda, ninguém grita ôba
Salve a Bahia, senhor

Mas a gente gosta quando uma baiana
Samba direitinho, de cima embaixo
Revira os olhinhos dizendo
Eu sou filha de são salvador

Moraes perdeu mais do que Mendonça com as decisões anunciadas por Fachin

Tribuna da Internet | Processo contra Moraes nos EUA é grave, porque  desmoraliza o ministro e o Brasil

Ilustração reproduzida do Correio Braziliense

Rafael Moraes Moura
O Globo

O “pacote” de decisões anunciado nesta quarta-feira (9) pelo presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, marca dois duros reveses ao ministro Alexandre de Moraes, que não só perdeu a relatoria do inquérito das fake news, como se viu confrontado com o agendamento do julgamento na próxima terça-feira (15) que vai analisar o explosivo relatório da Polícia Federal que se debruçou sobre as mensagens trocadas entre Moraes e o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro.

Antagonista de Moraes, André Mendonça também saiu perdendo, ainda que em proporção menor, já que Fachin derrubou a decisão do colega que havia determinado o afastamento de Andrei Rodrigues da chefia da Polícia Federal. Mas Mendonça conseguiu emplacar a sua reivindicação principal: a convocação de uma sessão extraordinária para avaliar a relação promíscua de Moraes e Vorcaro.

SESSÃO ANTECIPADA – O plenário da Corte costuma se reunir às quartas e quintas-feiras, mas a escalada da crise fez Fachin convocar uma sessão extraordinária já para a manhã da próxima terça-feira.

Fachin também suspendeu um procedimento aberto pela Procuradoria-Geral da República (PGR) para apurar a confecção do relatório da PF sobre as mensagens trocadas entre Moraes e Vorcaro, feito a pedido de Mendonça.

E, pelo menos por enquanto, Mendonça segue na relatoria das investigações dos dois esquemas bilionários de corrupção, apesar das ilações feitas por Moraes de “fortes indícios da prática de improbidade administrativa, abuso de autoridade e crime de responsabilidade” por parte do relator do caso Master.

JÁ ERA HORA – “Fachin finalmente usou o poder da caneta que tem. Já era hora”, resumiu uma fonte que acompanha de perto os desdobramentos da crise.

O julgamento sobre Moraes vai escancarar as divisões internas da Corte, testar a adesão ao plenário à defesa incondicional do ministro e lançar luz sobre três personagens considerados peça-chave na definição do resultado: Cármen Lúcia, Kassio Nunes Marques e o próprio Fachin, que passou esta quarta-feira em uma maratona de conversas reservadas com os colegas para achar uma solução para a crise.

Ao retirar a relatoria do inquérito das fake news das mãos de Alexandre de Moraes, Fachin frisou que a medida era necessária para “estabelecer segurança jurídica e adequada delimitação institucional”. Fachin manteve com Moraes apenas os casos de ações penais já instauradas no âmbito do inquérito das fake news, com denúncia recebida.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG –
Pensar que Fachin vai votar a favor de Moraes é maluquice. O fato concreto é que Fachin quer ser lembrado como o maior presidente que o Supremo já teve. O cavalo passou encilhado diante dele e ele não vai perder a oportunidade de montar, com diz o velho ditado. Fachin sabe que, se deixar Moraes sair incólume, a culpa será dele. E isso ficará registrado na História Republicana. (C.N.)

O Tribunal que virou parte

Crise deixou de ser uma história sobre dois ministros

Marcelo Copelli
Congresso em Foco

Existe uma ironia desconfortável no centro da crise que hoje divide o Supremo Tribunal Federal: a Corte criada para mediar conflitos entre os demais poderes tornou-se, ela própria, incapaz de resolver uma controvérsia que envolve dois de seus integrantes. Quando a instituição responsável por dar a palavra final passa a ser também parte do conflito, a questão deixa de ser apenas saber quem tem razão e passa a ser descobrir qual mecanismo institucional ainda é capaz de produzir uma resposta confiável.

Os fatos ajudam a entender como se chegou a esse ponto. Em 1º de setembro, o ministro André Mendonça, relator do inquérito sobre o Banco Master, determinou a retirada de sigilo de um relatório da Polícia Federal produzido a partir do celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro. O material trouxe à tona mensagens trocadas entre Vorcaro e Alexandre de Moraes, incluindo manifestações de gratidão do banqueiro ao ministro dias antes de sua prisão.

CONTRATOS – Entre os documentos estavam ainda contratos de serviços advocatícios envolvendo o escritório da mulher de Moraes, Viviane Barci de Moraes, com partes ligadas ao caso. A divulgação desses elementos, por si só, não estabelece irregularidade, mas ampliou as dúvidas que passaram a cercar a relação entre o ministro e pessoas diretamente envolvidas no caso.

Dois dias depois, Moraes reagiu divulgando trechos de outro relatório da PF e pedindo ao presidente da Corte, Edson Fachin, a abertura de investigação contra o colega, sob a alegação de abuso de autoridade. Fachin retirou o caso do inquérito das fake news, abriu procedimento apartado sob sua própria relatoria e deu cinco dias para que Moraes, Mendonça, o procurador-geral Paulo Gonet e o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, se manifestassem.

Nesta terça-feira, a crise subiu mais um degrau. Mendonça determinou o afastamento preventivo de Rodrigues e do diretor de Inteligência da corporação, Leandro Almada da Costa, segundo a decisão, sob a alegação de que ambos produziram e direcionaram relatórios de inteligência sobre magistrados e outras autoridades.

PEDIDO DE VISTA – A Segunda Turma do Supremo formou maioria para manter a medida, mas o julgamento foi interrompido por pedido de vista de Gilmar Mendes. Na véspera, treze ex-ministros e ex-presidentes da Corte haviam enviado carta a Fachin classificando o momento como uma das crises mais graves da história do Supremo, sem citar nominalmente nenhum dos dois ministros — ao contrário de Marco Aurélio Mello, que dias antes classificara a relação revelada como “impensável” e defendera publicamente a conduta de Mendonça.

A disputa processual que se seguiu devolveu simetria ao quadro. A Advocacia-Geral da União recorreu da decisão de Mendonça, sustentando que nomear e afastar o diretor-geral da PF é atribuição do presidente da República, e avalia apresentar uma suspensão de liminar diretamente a Fachin — instrumento excepcional, raramente usado contra decisão de um ministro do próprio Supremo.

Ao mesmo tempo, o procurador-geral Paulo Gonet pediu a nulidade do procedimento aberto por Mendonça contra Moraes, argumentando que a investigação de um ministro dependeria de autorização do colegiado, não de decisão monocrática do relator. Tanto o ato que deflagrou a crise quanto a resposta mais recente a ela estão, portanto, sob contestação jurídica — o que já basta para afastar qualquer leitura simplista de que um dos lados age dentro da lei e o outro fora dela.

DISPUTA DE PODER – É justamente aí que o episódio se torna revelador. Instrumentos concebidos para auxiliar a Justiça — sigilo, relatório de inteligência, medida cautelar — passaram a ocupar o centro de uma disputa de poder entre ministros, quando as fronteiras institucionais se tornam pouco nítidas. Isso não torna, por si só, alguma medida ilegítima; reforça, porém, que, quanto maior o poder institucional envolvido, mais rigoroso precisa ser o controle sobre a forma como ele é exercido.

A origem política das indicações acrescenta outra camada ao problema. Moraes chegou ao Supremo por indicação de Michel Temer; Mendonça, por indicação de Jair Bolsonaro. Num ambiente menos polarizado, isso pertenceria à biografia dos ministros; no Brasil atual, tornou-se atalho para explicar decisões antes mesmo de seus fundamentos serem examinados. É significativo que o próprio Temer, ciente disso, tenha telefonado a Moraes defendendo uma composição com Mendonça — e tenha reconhecido, em seguida, que o afastamento da cúpula da PF tornou qualquer trégua mais distante.

Uma crise dessa natureza não pode depender da habilidade pessoal de seus protagonistas: quando uma Corte constitucional precisa de intermediação externa para administrar uma divergência interna, o problema já é institucional, não pessoal.

PERÍODO ELEITORAL – O calendário eleitoral torna tudo mais delicado. O país se aproxima de uma eleição presidencial em que a polarização segue sendo elemento central da disputa, e qualquer decisão envolvendo Moraes, Mendonça, a PF ou o governo será avaliada politicamente antes de ser examinada juridicamente. Uma medida contra a corporação poderá ser vista como sinal de independência por um lado e como interferência por outro; o inverso vale para uma decisão favorável a ela. O mérito jurídico corre o risco de chegar ao debate público depois da percepção política — quando deveria ser exatamente o contrário.

Não há solução que passe por fingir que a divergência não existe. Ministros de uma Corte constitucional podem e devem discordar. O problema começa quando a divergência deixa de ser processada por mecanismos capazes de preservar a confiança na instituição e passa a contaminar as próprias estruturas encarregadas de investigar e decidir.

Essa exigência vale para todos os lados: suspeitas sobre um ministro devem ser apuradas; indícios de abuso de autoridade também; uso irregular de inteligência policial exige responsabilização; interferência em competência do Executivo exige revisão. O que não pode prevalecer é a ideia de que a legalidade de uma decisão varia conforme o grupo político que dela se beneficia.

POLARIZAÇÃO – É aqui que a crise deixa de ser uma história sobre dois ministros e passa a dizer algo sobre o país. A polarização brasileira transformou quase toda divergência em disputa de identidade — o adversário deixou de ser alguém que pensa diferente para se tornar uma ameaça ao próprio campo político. Essa lógica atravessa Congresso, Executivo, partidos e redes sociais e chega inevitavelmente às instituições que deveriam oferecer contenção para os conflitos, não reproduzi-los.

Transformar Moraes e Mendonça em símbolos de campos opostos seria, por isso, a pior resposta possível. O ministro indicado por Temer não deve ser julgado pela trajetória de quem o indicou, assim como o indicado por Bolsonaro não deve receber, por isso, certificado prévio de independência ou de suspeição. Ambos precisam se submeter aos mesmos parâmetros, aplicáveis independentemente de quem esteja sentado do outro lado da disputa.

O desafio não é descobrir qual dos dois ministros prevalecerá, mas preservar uma estrutura em que nenhum deles precise se sobrepor ao outro para que as instituições funcionem. O Supremo foi concebido para arbitrar conflitos que o sistema político não resolve sozinho; quando a própria Corte enfrenta dificuldade para organizar um conflito nascido dentro dela, a pergunta deixa de ser quem tem razão em determinado processo e passa a ser se ainda existem regras reconhecidas por todos para dizer quem tem o poder de estabelecer essa razão.

CONFIANÇA – O que está em jogo não é a vitória de um ministro sobre o outro, mas algo mais elementar: a confiança de que, mesmo na mais profunda divergência, existe um caminho capaz de separar investigação de eventual desvio de finalidade e decisão de demonstração de força.

Se esse caminho for preservado, a crise poderá deixar limites mais claros para o exercício do poder. Se não for, o Supremo correrá o risco de confirmar, dentro de suas próprias paredes, aquilo que deveria ajudar o país a superar: a transformação permanente do conflito em guerra de posições.

Incapaz de agir, STF arrasta Lula na crise, que desonra cada vez mais o Judiciário

Charge - Estado de MinasWilliam Waack
CNN Brasil

O Brasil assiste de boca aberta ao deprimente espetáculo de um Supremo que parece ter perdido a capacidade de agir. Em qualquer direção. Muito menos na direção que a maioria da sociedade, juristas e lideranças de vários setores consideram a direção certa, que é a de examinar fatos envolvendo seus integrantes, investigá-los e tomar as medidas legais cabíveis.

O envolvimento de integrantes do tribunal no maior escândalo financeiro da história continua sendo o problema central. Agravado por ações e reações de ministros em função de um jogo sujo de bastidores destinado a melar as investigações e transformar investigadores em investigados.

CASO DE ANDREI – Foi nesse contexto que se deu a decisão do ministro André Mendonça de afastar o diretor geral da Polícia Federal, num gesto que provoca fortes discussões entre juristas, mas que tanto a ala de força do Supremo quanto o Palácio do Planalto consideram mera jogada eleitoral, destinada a favorecer a oposição, conforme a decisão de Flávio Dino para reintegrar o diretor da PF.

Estão preocupados com as pesquisas indicando perda de vantagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Talvez provocada também pela perda de legitimidade do próprio Judiciário.

Aliás, uma das principais articulações de cunho eleitoral em favor de Lula foi feita por um ministro do Supremo – enrolado no escândalo – com os presidentes das casas legislativas, também preocupados com investigações.

OLHOS VENDADOS – O que os ministros que se acham donos do Supremo não perceberam, e o Planalto também, é que a crise já não se limita a saber quem desrespeitou mais o rito processual. Além disso, também não funciona mais acusar alguém de métodos lavajatistas ou coisa que o valha.

A pergunta que o Supremo Tribunal Federal neste momento não consegue responder é simples: quem desonra mais a toga?

A queda e a volta do delegado Andrei Rodrigues revelam uma crise muito maior

Moraes sai do inquérito das fake news e não manda mais em nada no STF

O presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Edson Fachin

Fachin tira Moraes das fake news e vai extinguir o inquérito

Mariana Muniz
Pepita Ortega
O Globo

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, tomou uma série de decisões para tentar contornar a crise enfrentada pela Corte, entre elas o agendamento para a próxima terça-feira, dia 15, de julgamento para tratar de um relatório da Polícia Federal (PF) que mostra troca de mensanges entre o banqueiro Daniel Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes.

Além disso, Fachin assumiu a investigação do chamado inquérito das fake news, retirando Moraes da função, e suspendeu as decisões que tratavam sobre o afastamento do delegado-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues, ao mesmo tempo que manteve o integrante da corporação no cargo. Mas isso não  significa que poderá escapar incólume, muito pelo contrário.

O CALENDÁRIO – O presidente do STF convocou uma sessão extraordinária do plenário para a próxima terça-feira, dia 15, às 10h, para analisar o processo que reúne mensagens do banqueiro Daniel Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes, cujo sigilo foi retirado por decisão do ministro André Mendonça.

Quanto ao afastamento do diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, Fachin afirmou que as decisões sucessivas, em 24 horas, criaram um “inconciliável conflito de posições judiciais” e determinou que a controvérsia passe a ser tratada pela presidência da Corte.

Fachin também intimou o delegado Andrei a prestar informações em 48 horas. Somente depois dessa manifestação será analisada pela presidência do STF a permanência do delegado no comando da PF.  O presidente ainda manteve o prazo de 72 horas concedido a Mendonça para prestar esclarecimentos a respeito do caso, e que se encerra na sexta-feira.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Fachin está conduzindo a crise de forma segura e cautelosa. O julgamento de terça-feira é importantíssimo, com resultado até agora indecifrável. Depois voltaremos ao assunto, que envolve o respeito às regras do Regimento do STF, conforme o jurista carioca Jorge Béja já advertiu aqui na Tribuna. (C.N.)

PF deflagra operação sobre Dark Horse e expõe novas suspeitas sobre dinheiro de Vorcaro

Dino se exibiu para o PT, na esperança de se tornar herdeiro de Lula em 2030

Decisão de Flávio Dino sobre leis estrangeiras: análise jurídica

Dino acha (?) que pode substituir Lula como dono do PT

Carlos Newton

O país inteiro de surpreendeu nesta quarta-feira, com a decisão do ministro Flávio Dino, que aceitou recurso encaminhado por Andrei Rodrigues e Leandro Almada da Costa para serem reintegrados aos cargos que ocupavam na Polícia Federal — respectivamente, diretor-geral e diretor de Inteligência Policial.

Com altas dose de audácia e desfaçatez, Dino tornou-se um tríplice coroado em matéria de manipulação, porque desrespeitou simultaneamente normas existentes em três legislações – o Regimento do Supremo Tribunal Federal, o Código de Processo Civil e a própria Constituição,

INFRAÇÕES GRAVES – Sem a menor dúvida, o ministro cometeu duas graves infrações processuais. A primeira delas foi desrespeitar o Regimento, ao aceitar recurso em processo que corre em outra Turma. As normas do Supremo determinam que cada Turma é revisora da outra, mas isso só ocorre em caso de “ação revisional”, como o processo que Jair Bolsonaro está movendo hoje na Segunda Turma, para anular sua condenação pela Primeira Turma a 27 anos e três meses de prisão.

Ou seja, em nenhuma hipótese um ministro tem poderes para intervir em ação que corre na outra Turma. Mas Dino foi audacioso e não ficou somente nisso, pois também anulou a decisão da maioria da Segunda Turma (Mendonça, Fux e Marques) por motivo inexistente, ao alegar que o Partido Novo não podia ser “parte” no processo, embora não exista nenhum dispositivo legal que determine essa impossibilidade.

Portanto, com essa decisão Dino cometeu crime de responsabilidade, por desrespeitar o Princípio da Legalidade (artigo 5º, inciso II, que impõe: “Ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei”. E não existe lei que impeça o Partido Novo de recorrer à Justiça e ao Supremo para pedir medida cautelar, conforme Dino infantilmente alegou.  

A MOTIVAÇÃO – Cabe aqui a pergunta que não quer calar: Por que Flávio Dino, que é juiz federal licenciado e conhece profundamente as leis, cometeu essas graves infrações?

Bem, é preciso lembrar que, apesar de ser juiz, Flávio Dino preferiu a política, foi deputado federal, governador e senador. Para ele, embora tenha aceitado ser ministro do STF, a política é mais importante do que a Justiça.

No caso do enfrentamento ao ministro André Mendonça, Dino está atuando politicamente para tentar garantir a reeleição do presidente Lula da Silva. Nesta manobra, jogou todas as suas fichas na vitória do PT nesta eleição, para depois ser candidato a presidente em 2030, pois Lula jamais deixou surgir alguma liderança que possa substituí-lo no partido e o lugar está vago.

É CANDIDATO? – Em 2030, o ministro Flávio Dino estará com 62 anos e nada impede que pretenda ser candidato à sucessão. Basta renunciar ao mandato do Supremo para ter condições legais de concorrer às eleições.

Mas essa possibilidade só pode ocorrer se Lula conseguir a reeleição neste ano.  Se Lula perder este ano para Flávio Bolsonaro, o quadro muda de figura, porque o PT pode se enfraquecer de tal maneira que em 2030 a candidatura de Dino ou qualquer outro pretendente ficaria completamente inviabilizada.

Quanto a Lula, que aos 81 já está meio gagá, com 85 anos estará completamento fora do ar, cantando “Ninguém me ama”, caso continue resistindo aos chamados do Criador, é claro. E, sem ele, ninguém aposta na sobrevivência do PT.

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P.S. –
Quanto à crise do STF, Édson Fachin ainda é o dono do baralho. Nesta sexta-feira ele recebe os relatórios de Mendonça, Moraes, Gonet e Andrei. Vai passar o fim de semana fazendo trabalho extra, mas segunda-feira ele terá de se pronunciar. E o suspense é de matar o Hitchcock, como dizia o genial jornalista e compositor carioca Miguel Gustavo.  (C.N.)

Lula agora exige quebra total do sigilo do caso Master e cobra explicações

Lula cobrou explicações sobre ‘crise institucional’ no Judiciário

Kellen Barreto
G1

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) defendeu nesta quarta-feira (9) a quebra completa do sigilo das investigações relacionadas ao chamado “caso Master”. Na ocasião, Lula também cobrou mais transparência sobre as apurações diante de um possível impacto à disputa eleitoral, na qual ele concorre ao quarto mandato.

A mensagem foi publicada em meio à crise no Supremo Tribunal Federal (STF) em torno das investigações do caso Master. O embate ganhou força após o ministro André Mendonça, relator de processos ligados ao caso, retirar o sigilo de relatórios da Polícia Federal que expuseram trocas de mensagens entre o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes.

APURAÇÃO – Em reação, Moraes pediu ao presidente do STF, Edson Fachin, a abertura de apuração sobre a atuação de Mendonça. Os desdobramentos mais recentes da crise envolvem a decisão de Mendonça que determinou o afastamento do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e do diretor de Inteligência da corporação, Leandro Almada. Nesta quarta-feira (9), o ministro Flávio Dino derrubou a medida e determinou a recondução dos dois delegados aos cargos.

Na mensagem publicada na rede social X, o presidente afirmou que o Brasil precisa de explicações diante do que classificou como “o maior crime financeiro da história do Brasil”. Na publicação, Lula também disse haver uma “crise institucional” que atingiu o Poder Judiciário e criticou o que chamou de “vazamentos seletivos” de informações.

IMPACTO – Segundo ele, esses vazamentos têm impacto sobre a disputa eleitoral. O petista concorre ao quarto mandato. “O povo brasileiro precisa de explicações e medidas imediatas para enfrentar a crise institucional que tomou conta do Poder Judiciário”, escreveu o presidente.

Ao final da mensagem, o presidente defendeu a abertura total das informações das investigações. “É urgente a quebra completa do sigilo das investigações de todos os envolvidos no caso Master, seja quem for, doa a quem doer. O Brasil precisa saber a verdade”, afirmou.

Piada do Ano! Temer tenta apagar incêndio, pedindo que Moraes e Mendonça façam as pazes…

Flávio vira o jogo em Minas e acende alerta para Lula na corrida presidencial

Racha no STF leva campanha de Flávio Bolsonaro a temer contra-ataque de Moraes e Dino

Calendário de Fachin leva esta crise do Supremo para as vésperas do primeiro turno

Charge do Nando Motta (Brasil 247)

Mariana Muniz
O Globo

Os primeiros prazos estabelecidos pelo presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, para esclarecer os episódios que desencadearam a atual crise na Corte terminam nesta sexta-feira, dia 11. Até esta data, os ministros André Mendonça e Alexandre de Moraes, assim como o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, devem apresentar a Fachin suas manifestações sobre o relatório da PF.

O calendário que está sendo seguido pelo ministro indica que na próxima terça-feira, dia 15, poderá ser iniciado no plenário o julgamento que trata de um relatório da Polícia Federal (PF) que mostra uma comprometedora troca de mensagens entre o banqueiro Daniel Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes. Neste julgamento será decidido se serão investigados o ministro Moraes, o procurador-geral Gonet e o delegado federal Andrei Rodrigues.

O OUTRO CASO – O cronograma é mais longo no segundo caso sob análise de Fachin, aberto a partir das acusações feitas por Moraes contra Mendonça. Nesse caso, o presidente do STF determinou que a Procuradoria-Geral da República se manifeste primeiro, em cinco dias úteis. Somente depois será aberto um novo prazo, também de cinco dias úteis, para que Mendonça responda às imputações.

Moraes pediu investigação sobre o colega alegando indícios de improbidade administrativa, abuso de autoridade e crime de responsabilidade na condução das investigações do caso Master e das fraudes do INSS.

Com isso, embora parte das respostas chegue ao gabinete da presidência do Supremo ainda nesta semana, os dois procedimentos só devem estar integralmente instruídos na segunda quinzena de setembro. Se seguir esse cronograma, uma decisão de Fachin sobre o destino da crise tende a ocorrer às vésperas do primeiro turno, num momento em que a disputa eleitoral já estará em sua fase decisiva.

CARÁTER DE INSTRUÇÃO – Entre a noite de quinta-feira e a manhã de sexta da última semana, Fachin reuniu os relatórios relacionados à crise em um mesmo procedimento, apartado e vinculado a seu gabinete. Ao determinar as manifestações, o presidente do STF fez questão de registrar que as medidas têm caráter de instrução e não representam uma conclusão prévia sobre a conduta dos envolvidos.

No despacho relacionado às acusações apresentadas por Moraes, Fachin afirmou que as providências foram tomadas “sem antecipação de juízo quanto à admissibilidade, à regularidade do procedimento ou ao mérito das imputações”. Segundo ele, somente depois do encerramento dos prazos, com ou sem manifestação dos envolvidos, os questionamentos serão analisados.

Caberá então a Fachin decidir qual será o próximo passo dos dois casos. Entre as possibilidades está a remessa da controvérsia ao plenário do STF, caminho defendido por Mendonça. Ainda não há, porém, uma definição sobre se os ministros serão chamados a deliberar coletivamente nem sobre a forma como isso ocorreria.

RITO DE MANIFESTAÇÕES – O calendário adotado pelo presidente do Supremo é uma sinalização de que ele quer evitar uma resposta imediata à crise e seguir o rito de manifestações antes de tomar uma decisão. Fachin explicitou essa posição na sexta-feira, durante um evento no Palácio do Planalto, ao lado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

“Faremos o que é certo. No tempo e pela forma que a ordem jurídica exige. As instituições precisam ser preservadas, sobretudo nos momentos de maior tensão. Nenhuma autoridade está acima da Constituição. Nenhum Poder está acima da lei. Nenhum interesse circunstancial pode se sobrepor à integridade do Estado de Direito democrático”, afirmou.

Na mesma fala, Fachin disse que a gravidade da crise não justificaria uma solução apressada e afirmou que o Supremo dará uma resposta institucional aos episódios. “A gravidade dos fatos não autoriza atalhos. Quanto maior o desafio, maior deve ser o compromisso com a legalidade, o devido processo legal e as garantias constitucionais. Não haverá precipitação, tampouco omissão. A resposta institucional será firme, proporcional e rigorosa”, disse.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGCom esse cronograma, Fachin está comunicando a Moraes, Gonet e Andrei que o gato deles já subiu no telhado de um prédio de 15 andares. Entre outras consequências, será o primeiro passo para o impeachment de Moraes na próxima legislatura. É só uma questão de tempo. (C.N.)

Fachin suspende decisões de Dino e Mendonça, para restabelecer a ordem no STF

Fachin suspende decisões de Dino e Mendonça sobre chefia da PF e  investigações sobre ministros - 09/09/2026 - Política - Folha

Ministros aliados a Moraes pressionaram Fachin ao máximo

Márcio Falcão e Pedro Henrique Gomes
TV Globo e g1

O ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF), suspendeu nesta quarta-feira (9) a decisão do ministro André Mendonça de afastar o diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues, e o diretor de Inteligência, Leandro Almada.

“É grave o quadro em que decisões de Ministros passam a ser desafiadas horizontalmente, mormente quando pendentes, tanto o julgamento em curso no âmbito da Segunda Turma deste Tribunal, quanto o pedido de suspensão de liminar que se encontra sob apreciação desta Presidência”, escreveu Fachin.

CONFLITOS – “Considero necessária a suspensão das decisões ora analisadas, porquanto, para além de qualquer juízo meritório sobre o afastamento ou não de autoridades, o qual será realizado oportunamente, cumpre obstar quadro de conflitos e sobreposições processuais que, por si só, configuram lesão à ordem pública e à integridade deste Tribunal”, continuou Fachin.

Edson Fachin também levou para si a relatoria de investigações do chamado “Inquérito das Fake News” e suspendeu “todo e qualquer procedimento” de investigação sobre integrantes do STF.

Além disso, Fachin também foi suspensa a apuração da Procuradoria-Geral da República (PGR) sobre possível interferência na produção do relatório da PF que apontou uma relação entre Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro, preso na Operação Compliance Zero.

BANCO MASTER – A crise no Supremo Tribunal Federal (STF) envolvendo os ministros André Mendonça e Alexandre de Moraes começou a partir de decisões relacionadas às investigações sobre o Banco Master.

O caso passou a envolver também o procurador-geral da República, Paulo Gonet, o diretor-geral da Polícia Federal (PGR), Andrei Rodrigues, o presidente do STF, Edson Fachin, e, posteriormente, o ministro Flávio Dino.

Antes da divulgação do relatório que desencadeou a sequência de decisões, já havia divergências entre o gabinete de André Mendonça e a direção da PF sobre o andamento das investigações do caso Master. Mendonça é relator de apurações relacionadas ao banco e de um inquérito sobre repasses para a produção de um filme sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

SEM SIGILO – Em 1º de setembro, André Mendonça retirou o sigilo de um procedimento no qual havia sido incluído um relatório da PF produzido a partir de dados extraídos do celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master.

O documento apresentava 52 mensagens enviadas por Vorcaro a Alexandre de Moraes. As respostas do ministro não apareciam no material divulgado.

As mensagens também continham referências a Gonet, e ao diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues. Em uma das mensagens, Vorcaro mencionava uma possível atuação junto a Gonet e Andrei. O relatório não indicava que Moraes fosse alvo da investigação.

NOVAS PROVAS – Na decisão que retirou o sigilo, Mendonça afirmou que os novos elementos deveriam ser analisados pelo plenário do STF. Segundo o ministro, caberia ao presidente do tribunal, Edson Fachin, definir a data e o procedimento para a deliberação.

No mesmo dia, a Procuradoria-Geral da República (PGR), em peça assinada por Gonet, se manifestou pela nulidade da investigação determinada por Mendonça. O procurador-geral afirmou que o relator não poderia ordenar o aprofundamento de apurações envolvendo outro ministro do Supremo sem pedido do Ministério Público ou da própria PF.

ARGUMENTOS – A PGR sustentou que cabe à polícia judiciária realizar investigações na fase pré-processual e ao Ministério Público buscar elementos para uma eventual acusação.

Gonet também afirmou que, conforme a Lei Orgânica da Magistratura Nacional, indícios de crime envolvendo um magistrado deveriam ser submetidos ao órgão competente para julgá-lo. No caso de um ministro do Supremo, esse órgão seria o plenário do STF.

Depois da manifestação da PGR, Mendonça manteve a indicação de que o relatório deveria ser levado ao plenário. Fachin passou a ser responsável por decidir se o material seria analisado pelos ministros e qual seria o rito da discussão.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Em tradução simultânea, Fachin botou ordem na zona. Mendonça quer apurar graves irregularidades e crimes envolvendo os ministros Moraes e Toffoli, mas a bancada petista do STF tenta tumultuar a questão, alegando que Mendonça quer eleger Flávio Bolsonaro. Essa investida de Gilmar & Cia. não dará certo, porque 13 ministros aposentados do STF estão defendendo que haja investigações, e a OAB e a Associação dos Delegados da Polícia Federal também apoiam as apurações, formando um movimento que deixa a bancada petista do STF em péssima situação, porque é crime apoiar a ocorrência de atividades criminosas, especialmente quando são magistrados do STF que cometem e apoiam esses crimes.
(C.N.)

Folha toma partido e diz que Mendonça transforma o STF em palanque político

Supremo se desmoraliza por ter duas bancadas: a do Lula e a do Bolsonaro

O Supremo Poder de Errar por Último - Espaço Vital

Charge do Cazo (Blog do AFTM)

Vicente Limongi Netto

Mais fermento no bolo da pantomima dos togados. Poderosos do Brasil surrealista trocam insultos e agressões em liminares. Os ministros André Mendonça e Flávio Dino acabaram com as poucas dúvidas que ainda existiam na cabeça dos cidadãos. Transformaram a Suprema Corte em destrambelhados puxadinhos do PL e do PT.

André Mendonça, indicado para o STF por Jair Bolsonaro, é defensor de Flávio, o filho Zero Um. Flávio Dino, por sua vez, indicado para a corte suprema por Lula, é defensor acalorado do atual presidente da República. O Supremo Tribunal Federal não deveria ter lado. Mas tem dois. Lula e Flávio Bolsonaro.  

GÊNIO DA BOLA – Mais uma vez o cerebral Paulo Henrique Ganso cala a boca dos venais e medíocres críticos, com impecável atuação, terça-feira, pela Libertadores. Tranquilo, simples, objetivo e decisivo, o craque tricolor merece aplausos de pé.

E a bola, rainha do espetáculo, agradece o constante carinho e amor do meia do Fluminense. 

Celso de Mello alerta que a suspeita está corroendo a autoridade do Supremo