Na eleição de um novo presidente, a percepção fiscal pesa mais que os fatos

Flávio desfila propostas sem cobrança sobre os números

Míriam Leitão
O Globo

Algumas vezes, há um divórcio entre fato e percepção, e observamos isso neste processo eleitoral. O importante na eleição é a percepção, e não o fato. O fato é que foi o PT que criou o MEI, e não há nenhuma informação concreta sobre algo que Bolsonaro tenha feito para favorecer os microempreendedores. Mas fica a ideia de que o candidato do PT, que tem sua origem no movimento sindical do ABC, fala apenas com o trabalhador formal e não fez esforços concretos para o resto da economia.

Os economistas, inclusive aqueles especializados em contas públicas, classificam o governo do PT como gastador e o de Jair Bolsonaro como austero. No entanto, Lula reduziu o déficit primário, e Bolsonaro não foi austero. Além disso, o que Flávio tem proposto agora são absurdos fiscais, como ressuscitar o Perse sem informar de onde viriam os recursos para um programa que foi interrompido após registrar gastos bilionários, em torno de R$ 60 bilhões, e irregularidades.

DESFILE DE PROPOSTAS – O candidato do PL vem desfilando propostas com impacto fiscal, sem nenhuma cobrança sobre os números. Até agora, Flávio não apresentou nenhum programa de ajuste fiscal que indique a possibilidade de um corte de 1,5% do PIB, os tais R$ 200 bilhões, que se compromete a fazer, caso eleito, no primeiro ano de mandato.

Até aqui, no entanto, Lula também não fez nada em seu discurso para melhorar essa percepção de gastador, especialmente, quando afirma que a solução para a dívida é crescer mais a economia.

O debate na TV Globo é desenhado para ter mais discussão de propostas, o que o torna ainda mais importante nessa reta final em que a pesquisa ainda mostra um percentual significativo de indecisos. O ponto é que o debate econômico nessa eleição, até aqui, tem fugido dos fatos.

Bastidores de Brasília já redesenham o poder após a eleição presidencial

Aliados discutem Alcolumbre no TCU e Pacheco no STF

Andréia Sadi
O Globo

Os cenários para o dia seguinte à eleição, que acontece neste domingo (25), já começaram a ser discutidos nos bastidores de Brasília. Uma das possibilidades colocadas na mesa, em caso de derrota do presidente Lula (PT), é a indicação do ex-senador Rodrigo Pacheco, hoje no TCU, para uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF).

Mas há outra hipótese que passou a circular nas conversas políticas: uma eventual ida do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), para o Tribunal de Contas da União (TCU). A avaliação de interlocutores envolvidos nessas discussões é que Alcolumbre enfrentaria um cenário mais difícil para permanecer no comando do Senado, especialmente em caso de vitória de Flávio Bolsonaro.

DISPUTA DE FORÇAS –  Embora tenha interesse em continuar à frente da Casa, Alcolumbre teria de lidar com a força de nomes como Rogério Marinho (PL-RN), atual coordenador da campanha de Flávio Bolsonaro (PL), e Tereza Cristina (PP-MS), que circulam nas articulações para o comando do Senado em um eventual governo do candidato do PL.

Mesmo se Lula for reeleito, o cenário não é simples. A composição do Senado, com forte presença de parlamentares de direita, pode dificultar a permanência de Alcolumbre na presidência.

Há ainda um componente político e institucional importante nessa equação. Alcolumbre mantém uma relação de proximidade com ministros do Supremo, especialmente Alexandre de Moraes, e não é visto por seus interlocutores como alguém disposto a dar andamento a pautas de impeachment de integrantes da Corte.

INDICAÇÃO AO TCU – É nesse contexto que começou a ser discutida a possibilidade de uma indicação ao TCU. Segundo relatos, a hipótese é considerada também sob a perspectiva da proteção institucional que o cargo oferece. Ministros do TCU têm foro por prerrogativa de função no STF, o que, na avaliação de interlocutores que discutem o cenário, poderia representar uma forma de blindagem jurídica.

A discussão ainda é preliminar. Não há decisão tomada nem indicação formal encaminhada. Mas a hipótese revela como os movimentos de bastidores já levam em conta não apenas o resultado da eleição presidencial, mas também a disputa pelo controle do Senado e o futuro da relação entre Congresso e Supremo.

Flávio Bolsonaro busca no Planalto o escudo contra os próprios escândalos

Ministro alerta para risco de retrocesso nas demarcações com avanço do bolsonarismo

Não importa o vencedor, o Brasil espera que trabalhe pelo povo e pela nação

Eleições 2026: qual o horário da votação no 2º turno? - PontoPoder - Diário do Nordeste

Votar é oportunidade única que não se deve desperdiçar

Vicente Limongi Netto

A jornalista Ana Dubeux (Correio Braziliense – 25/10) pede coragem a todos na hora do voto. Não se trata de um voto qualquer. A seu ver, “o voto hoje é o voto pelo futuro”. Enfática, a diretora de redação do Correio Braziliense afirma “que hoje e sempre , farei a opção pela verdade”.

Alimento no coração as exortações de Dubeux. Que o vencedor para Presidente da República respeite o povo. Que saia do palavreado e dos ranços do ódio e do rancor e seja capaz de atitudes e gestos grandiosos que dignifiquem e melhorem a qualidade de vida dos cidadãos.

TUDO MELHOR – Que o medonho novo Congresso pense no povo e no Brasil. Que não seja torpe, covarde e leviano, com planos mesquinhos contra adversários e, sobretudo, contra instituições.

Que as promessas sejam transformadas em mais empregos, mais segurança e mais comida na mesa Epara os mais necessitados.

E que o vencedor, seja Lula ou Flávio, proteja e cuide de verdade das crianças, nosso maior legado para um Brasil justo e feliz.

O que os “nove dedos” revelam sobre Flávio Bolsonaro

A frustrada busca pela felicidade, na poesia de Vicente de Carvalho

Tribuna da Internet | Na poesia de Vicente de Carvalho, a busca da felicidade que jamais é encontrada…Paulo Peres
Poemas & Canções

O advogado, jornalista, político, abolicionista, fazendeiro, magistrado, contista e poeta paulista Vicente Augusto de Carvalho (1866-1924), membro da Academia Brasileira de Letras, no soneto ‘Velho Tema”, um dos mais conhecidos de sua obra,  com uma sensibilidade muito profunda, penetra com agudeza na busca pela felicidade, que jamais é encontrada. Mas tudo isso sem decorrer a devaneios e com apuro de forma, de acordo com os moldes do Parnasianismo, esses sentimentos subiam à tona com objetividade e realismo, “às claras”, como ele mesmo preconizava no “Velho Tema”.

VELHO TEMA
Vicente de Carvalho

Só a leve esperança em toda a vida,
Disfarça a pena de viver, mais nada,
Nem é mais a existência, resumida,
Que uma grande esperança malograda.

O eterno sonho da alma desterrada,
Sonho que a traz ansiosa e embevecida,
É uma hora feliz, sempre adiada,
E que não chega nunca em toda a vida.

Essa felicidade que supomos,
Árvore milagrosa que sonhamos,
Toda arreada de dourados pomos,

Existe, sim, mas nós não a alcançamos,
Por que está sempre apenas onde a pomos,
E nunca a pomos onde nós estamos.

Eleitores chegam às urnas, pautados pelas disputas entre cansaço e medo

Confira a #CHARGE de hoje ! #novembro #charge

Charge do Tim Cotrim (Arquivo Google)

Ricardo Corrêa
Estadão

Eleitores de todo o País que vão às urnas neste domingo, 25, para decidir entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o senador Flávio Bolsonaro estarão com as mentes povoadas de sentimentos que podem ser resumidos em uma disputa do cansaço contra o medo. Essa sensação atinge, em especial, os independentes e indecisos que estão fora da polarização.

Considerando os resultados das pesquisas, o nível de mobilização dos indecisos na reta final terá papel decisivo para o resultado.

CANSAÇO DO PT – De um lado, os que agora pendem para Flávio Bolsonaro estão cansados dos mesmos personagens e discursos para enfrentar os problemas do País. Consideram que Lula, após três mandatos, pouco tem a acrescentar nas batalhas difíceis de vencer para garantir um crescimento sustentável do Brasil.

Acham que o País gasta mal e demais e dão ao governo parcela de responsabilidade até pelos erros que veem nos outros Poderes, em especial um Judiciário sem controle.

Por essas e outras, muitos independentes preferem dar mais quatro anos ao bolsonarismo, com a esperança de que algo novo seja entregue. Eles veem o Brasil estagnado ou caminhando lentamente na direção da melhora de suas condições de vida. E querem algum tipo de ruptura com a ordem que está hoje estabelecida.

MEDO DO MITO – De outro lado, os que preferem ir com Lula têm medo do que pode se transformar um novo mandato para o bolsonarismo. Preocupam-se com o risco de uma nova aventura antidemocrática como a que levou à tentativa de golpe de 8 de Janeiro. E temem o excesso de poder que pode advir do controle simultâneo do Executivo e das Casas do Congresso.

Esses eleitores preocupam-se com eventual perda de direitos a partir de um discurso de redução da máquina pública e de menor regulamentação. Acham que a postura pode afetar a educação e a saúde públicas. Temem que o negacionismo que se espalhou na pandemia volte a ser alimentado. E se assustam com os efeitos da pregação a favor de mais armamento nas mãos da população.

DESCONFIANÇA – Com o abismo entre esses sentimentos, qualquer resultado levará a uma forte desconfiança de parte expressiva da população. E não há no horizonte qualquer sinalização de que haverá trégua ou pacificação.

Com tantas promessas difíceis de cumprir feitas ao longo da campanha, um novo sentimento tende a crescer durante no próximo governo: a desilusão em relação aos partidos políticos.

Abstenção entre brasileiros no exterior chega a 62,7%, quase o triplo da registrada no Brasil

Mais de 574 mil brasileiros no exterior não votaram

Mayara Paixão
Folha

A distância do centro de votação é um dos principais fatores que afastam o eleitor brasileiro no exterior das urnas para a votação para presidente, a única da qual se pode participar fora do Brasil.

No primeiro turno destas eleições, no último dia 4, 62,7% dos aptos a votar no exterior se ausentaram das urnas, um aumento de seis pontos percentuais em relação a 2022. São mais de 574 mil pessoas. O número é quase o triplo do da abstenção em território brasileiro —21%.

DISTÂNCIA DAS URNAS – Apatia com a política e esquecer de transferir o título de eleitor também são ingredientes importantes para esse resultado. Mas funcionários consulares, especialistas e, em especial, os próprios eleitores, elencam a distância das urnas como o fator preponderante.

O Brasil organiza votações para presidente no exterior desde 1989, ano em que ao redor de 18,5 mil brasileiros estavam aptos a votar fora do país. Hoje esse número chega a 916,5 mil. As eleições são organizadas por 146 postos (consulados, embaixadas) em 167 locais de votação. Mas muitas vezes acessar a urna se torna uma tarefa custosa, em tempo e em dinheiro. A escritora e professora universitária Bruna Dantas Lobato, 35, natural de Natal (RN), vive nos Estados Unidos desde 2011. Hoje, está radicada no estado de Iowa.

Para votar, Bruna precisa ir ao estado vizinho de Illinois, na cidade de Chicago. São ao redor de dez horas de carro na estrada, ida e volta, além dos custos com pedágio, gasolina, alimentação e eventual hospedagem. Ela desembolsou US$ 400, mais de R$ 2.000. Votar para ela é uma maneira de exercer a cidadania e de se conectar com a nacionalidade. “Como imigrante, já me sinto muito de fora, ações como essa são a minha chance de fazer parte do meu povo, reafirmar e exercitar meus valores políticos é muito importante”, diz.

PLATAFORMA – Mas Bruna sabe que essa possibilidade, de empregar tempo e dinheiro, não é uma realidade para todos. Compartilhando desse sentimento, o brasileiro Pedro Morel Rosa, 27, carioca que vive em Paris, criou uma plataforma pública chamada “Voto Lá Fora”.

Trata-se de um site que conecta pessoas que querem oferecer caronas para ir ao centro de votação e mesmo hospedagem em suas casas para aqueles que vêm de longe votar. Até a última quarta-feira (14), quando ele falou com a reportagem, mais de 900 pessoas já haviam se cadastrado.

MOTIVAÇÃO – Pedro diz que foi motivado pelo que viu na hora de votar: pessoas chegando com malas, porque haviam acabado de sair da estação de trem, vindo de longe, e amigos oferecendo suas casas para que brasileiros possam se hospedar no segundo turno.

E mais: “Muitos que eu conheço, infelizmente, não transferiram o título e não vão poder votar no exterior. Pensei que oferecer uma carona ou um lugar para dormir era uma forma de mobilizar essas pessoas, permitindo que participassem desse momento tão importante da democracia brasileira.”

A plataforma, explica, não está ligada a partidos políticos. Brasileiros na Europa têm sido os que mais participam, com a França à frente. Os dados mais recentes do Itamaraty mostram que a maior parte da comunidade brasileira no exterior está nos EUA (mais de 2 milhões de pessoas), com Portugal na sequência (628 mil).

SITUAÇÃO IRREGULAR – No caso dos EUA, um fator adicional se somou à abstenção: o medo de alguns brasileiros que, vivendo no país em situação irregular, poderiam encontrar o ICE, a polícia migratória, no caminho. Brasileiros, mesmo sem status imigratório regular, podem votar para presidente do Brasil. No primeiro turno, não houve nenhum relato de ação do ICE contra brasileiros.

Se para a potiguar Bruna a distância da urna foi feita de carro, há quem tenha de pegar avião. O pesquisador Matheus Gadelha, natural da Paraíba, vive em Seattle, no estado de Washington, na Costa Oeste dos EUA. Mas o local mais próximo para votar é San Francisco, na Califórnia, a 14 horas de carro, ou duas horas de avião.

Ele e a esposa não conseguiram se planejar para votar no primeiro turno, mas irão no segundo. As passagens ida e volta saem por ao redor de US$ 500, em torno de R$ 2.500, para cada um, além da reserva de um hotel para pernoitar. “Essa eleição me parece crucial para a existência de outras eleições e para o bem-estar de diversas minorias, que está em jogo”, diz. “Sei que meu voto sozinho não faz diferença, mas me sentirei mal se no futuro disser que não fiz nada.”

PRAZO – Muitos brasileiros no exterior também perdem o prazo para transferir seu título de eleitor para um novo posto de votação, onde moram. A escritora Ananda Lima, 47, natural de Brasília mas há 20 anos nos EUA, morava em Chicago, mas se mudou para a cidade de Nova York, a um voo de duas horas de distância, no início deste ano e perdeu o prazo.

Ainda assim, foi votar. Ananda comprou passagens, chegou a Chicago no dia 4 e retornou no mesmo dia. Fará o mesmo no segundo turno, desembolsando, no total, ao redor de US$ 600, ou R$ 3.000. “Não voto somente porque isso me afeta. Voto por todo mundo. Minha família, por exemplo, está toda no Brasil.”

Um último fator se soma à alta abstenção. O número de eleitores registrados para votar no exterior cresceu em torno de 30%. Em parte, a alta é relacionada ao fato de que houve uma grande leva de renovação de passaportes brasileiros no exterior no último ano.

JUSTIÇA ELEITORAL – Para renovar o documento, o cidadão precisa estar em dia com a Justiça Eleitoral, e havia muitos no exterior que não tinham transferido seus títulos ainda. Assim, o número cresceu, mas a abstenção não se manteve proporcional à anterior porque o alargamento se deu com cidadãos que já não tinham o costume de ir às urnas.

O presidente Lula (PT) foi quem recebeu mais votos no exterior, com 47,57%, seguido pelo senador Flávio Bolsonaro (PL), com 43,49%.

Ministros do STF querem eleger Lula e depois abafar o escândalo do Master

Master: Toffoli e Moraes enfrentam isolamento no STF e silêncio de colegas após queda de credibilidade

Os corruptos Moraes e Toffoli podem dormir sossegados

Wálter Maierovitch
UOL

A fúria contra ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) perdeu força entre os eleitores neste segundo turno eleitoral. Depois da primeira etapa, os supremos ministros que são os principais alvos das indignações submergiram assustados, com Flávio Bolsonaro (PL) na liderança. Por enquanto, nenhum é investigado.

Conforme noticiado, coube ao decano, ministro Gilmar Mendes, a iniciativa de construir pontes com os bolsonaristas de alto coturno.

UMA PINGUELA – Se Lula for reeleito, o acerto, por meio dos ministros Flávio Dino e Cristiano Zanin, não será complicado. Nenhuma grande obra de engenharia precisará ser realizada, uma pinguela resolverá.

A meta buscada por Gilmar Mendes seria evitar processos de impeachment por crimes de responsabilidade.

Gilmar tem força política. Como se diz no popular, ele “melou de vez” a apuração das rachadinhas, crime de peculato no gabinete do então deputado estadual do Rio de Janeiro Flávio Bolsonaro. Fora isso, num passado próximo, quando se cogitava impeachment do ministro, Jair Bolsonaro (PL) mandou as lideranças políticas não mexerem com ele.

FORA DO DEBATE – O escândalo do STF foi jogado para escanteio e não apareceu nos debates. Ninguém se lembrou do ministro Alexandre Moraes e da suspeita de que ele tenha sujado a toga no caso Master.

André Mendonça e Nunes Marques foram mencionados de passagem por Lula, como amigos de Flávio no TSE (Tribunal Superior Eleitoral).

Dias antes, indagado pela jornalista Renata Lo Prete em entrevista na TV Globo, o presidente Lula falou da necessidade de investigações e, além de Moraes, incluiu Dias Toffoli, como a chutar cachorro morto.

TUDO CERTO – Pelo andar da carruagem, antes da posse do presidente eleito —seja qual for—, o presidente Edson Fachin estará com a briga interna entre Moraes e Mendonça resolvida.

A representação de Moraes contra Mendonça é inepta, sem apoio em prova. Moraes sabe disso. Usou-a para fazer fogo de encontro, criar fato novo, dada a sua posição de inferioridade.

O relatório no qual se baseou não vale nada, nem como início de prova. Trata-se de relatório apócrifo de inteligência da Polícia Federal, com ilações que o próprio texto diz ser imprestáveis para formulações de juízos.

ARQUIVAMENTO – Quatro procuradores, por determinação do procurador-geral da República, Paulo Gonet, analisaram a representação de Moraes contra Mendonça e opinaram pelo arquivamento.

Fachin mandará a representação a exame em sessão Plenária, e o arquivamento é o única via a ser percorrida.

Também poderá haver arquivamento da representação contra Moraes, na qual foram comprovadas trocas de mensagens do ministro com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro via WhatsApp.

PASSANDO A BORRACHA – Tudo em nome da pacificação interna e do receio de demonstrações de divisões e fraquezas. E foi a união que, tempos atrás, sob a presidência de Luís Roberto Barroso, garantiu a democracia e a força do STF.

Enfim, internamente, a previsão é de que, fingindo nunca tendo ouvido falar do filósofo Baruk Espinosa, o pai da ética, Fachin aquivará e impedirá a investigação contra Moraes, depois de deliberação unânime dos supremos ministros.

Para isso, o STF contará com parecer costurado pelo enrolado e interessado Gonet. E os impeachments, caso vença Flávio, serão esquecidos, com cachimbo da paz fumado para garantir um governo sem judicializações. Com Lula, a negociação será acordada, e até o desafeto Toffoli terá saída honrosa.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
– O pior de tudo é ver um jurista importante, como Wálter Maierovitch, escrevendo sobre o escândalo com tamanha placidez, sem nenhum resquício de revolta, como se os brasileiros tivessem de aceitar inertes esses conluios dos detentores do poder. É decepcionante. (C.N.)

Entre o debate e as urnas, uma eleição sem desfecho previsível

Debate na TV não foi evento decisivo, determinante, do que sairá hoje das urnas

Tribuna da Internet | Pesquisas caem na real e já trazem Flávio à ...

Flávio Bolsonaro tem mais chances de vencer do que Lula

William Waack
Estadão

Três perguntas deveriam ter sido respondidas no debate da TV Globo. Alguém conseguiu virar o voto de alguém? Alguém sentiu ter cometido um erro ao ter escolhido no primeiro turno o candidato que escolheu? Alguém se sentiu mais motivado a comparecer às urnas no domingo?

A resposta às três perguntas é “não”. A impressão produzida pelo debate é a de que não foi o evento decisivo, determinante, do que sairá das urnas neste domingo.

POR PONTOS – É óbvio que cada lado dirá que seu candidato foi excelente, ótimo e massacrou o oponente. E somará pontinhos nesta resposta ou naquela pergunta. Ocorre que esse tipo de acontecimento político não é decidido por pontos, como numa luta de boxe. Ele é decidido pelas emoções − ou impressões − que acaba deixando nos dois lados.

inguém saiu nocauteado, o que era exatamente a proposta da campanha de Flávio Bolsonaro. Como ele entrou no palco em vantagem (apertada, mas em vantagem) segurar esse tipo de “empate” significa segurar a dianteira em relação ao oponente. Essa é a única acepção de “ganhador” que se poderia tirar do evento.

A aposta da campanha de Flávio foi cumprida à risca: falar para frente, falar de segurança e custo de vida. Nesse sentido, ficou para Lula o papel do “ideológico”, do “rico” contra “pobre”, do enaltecimento de um passado que o primeiro turno das eleições provou não ser suficiente para fechar a conta da reeleição.

MESMA IMPRESSÃO – Como sempre acontece em situações nas quais as emoções trazidas por imagens se sobrepõem a qualquer “racionalidade” de números e argumentos – e isso é potencializado pela revolução digital – a “impressão” deixada por Flávio e Lula é a mesma desde o começo. Um senador jovem com ar simpático contra um ancião irritadiço e feições idem.

É isto que permite afirmar que as acusações mútuas no bloco derradeiro, o bloco das baixarias, provavelmente está precificado na votação do dia 4 último.O que não significa dizer que ela se repetirá tal e qual neste domingo. São longas horas ainda, mas elas se parecem muito com os últimos dias. A competição parece estabilizada em margem mínima, com Flavio em vantagem.

Dois caminhos para o país, um teste para a democracia

Esta é a eleição mais ridícula e perigosa que já ocorreu no país. Pense sobre isso.

Reprodução de Objetos Inanimados

Carlos Newton

No próximo dia 13 de dezembro, aniversário sinistro do AI-5, vou completar 60 anos de atuação no jornalismo de política, com passagens pelo O Globo, Diário de Notícias, Manchete, Correio Braziliense, Fatos & Fotos, Pasquim, Revista Nacional, Diário de Minas, Tribuna da Imprensa, Última Hora, Rádio Nacional, TVE, IstoÉ, TV Manchete etc. e tal.

Com base nessa abrangente experiência, podemos garantir que jamais houve uma eleição tão ridícula como a que se encerra neste domingo, que foi marcada pela extremada polarização entre os dois mitos da política atual – Lula da Silva e Jair Bolsonaro.

ESTRATÉGIA – Os militantes de cada facção se dedicaram exclusivamente a criar narrativas e manipular situações que pudessem denegrir Lula, Bolsonaro, respectivas famílias e apoiadores. A estratégia de semear ódio e pânico nada tem de novidade, faz parte da velha prática eleitoral, mas faz tempo que não era aplicada com tamanha intensidade.

Desta vez, os marqueteiros largaram de mão os projetos e programas de governo e usaram as novas tecnologias e as redes sociais para espalhar um número enorme de fake news e narrativas manipuladas, que entravam e saiam das big techs, das redes sociais e dos portais da grande imprensa, com a mesma sem-cerimônia.

Nesse final de campanha, foi impressionante o que rolou de informação distorcida, vagabunda e sem importância, que as pessoas trocavam incessantemente pelo celular e acabam sendo divulgadas pela imprensa.

CANSAÇO DO PT – Trata-se, é claro, de uma distorção doentia, que denota um comportamento social abusivo e sem precedentes, que chega muito próximo de uma situação verdadeiramente patológica, porque parece que não vai ceder e a tendência é até de se agravar.

Há quem pense que seria um bom sinal, porque o maior interesse pela política demonstraria uma evolução social aqui no Brasil, mas não parece ser exatamente isso que está ocorrendo, porque podemos estar seguindo para a mesma radicalização que hoje ocorre na Europa.

O fato concreto é que nunca ocorreu nada igual aqui do lado debaixo do Equador. A meu ver, temos de estar atentos e tentar diminuir ao máximo essa tensão, lembrando que a principal característica de democracia é a exigência de que não haja perseguição a adversários políticos, para que possa ocorrer normalmente a salutar alternância no poder.

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P.S.
– Repare que a realidade com a qual nos deparamos aqui no Brasil e em muitos outros países é no sentido de que cada facção busque destruir os adversários políticos, o que significa exatamente a negação da democracia. Amanhã, voltaremos ao assunto. (C.N.)

Fake news sobre fraude nas urnas vira arma de mobilização de apoiadores de Flávio

Senador eleito usa desinformação para convocar apoiadores

Bela Megale
O Globo

O senador eleito Gustavo Gayer (PL-GO) usou uma fake news para convocar apoiadores de Flávio Bolsonaro a serem fiscais de urna na eleição de domingo. Gayer enviou um áudio para o grupo de WhatsApp “Tropa do Flávio” afirmando que receberam denúncias de que mesários estariam computando votos de pessoas que não compareceram às urnas, especialmente no Nordeste.

A região é a única em que Lula teve uma ampla maioria dos votos. O senador eleito não fundamenta de onde vieram as denúncias e nem diz ter feito qualquer comunicação às autoridades responsáveis para que o caso fosse investigado.

“DENÚNCIAS” – “Recebemos aí várias denúncias de mesários espalhados por todo o Brasil, principalmente ali na região do Nordeste, que estão votando por pessoas que não foram. Ou seja, pessoas que se ausentaram, que se abstiveram, olharam lá depois e parece que tiveram o voto dela computado na zona. Há uma denúncia séria de que mesários estão fazendo isso. Qual é a única solução para a gente impedir que isso aconteça no segundo turno? Nós precisamos ter fiscais de urna”, disse Gayer na gravação.

Segundo a pesquisa Quaest divulgada nesta quarta-feira (21), Lula segue com 61% das intenções de voto no Nordeste, enquanto Flávio oscilou para baixo de 32% para 31%. O senador eleito disse que é necessário ter 2 milhões de fiscais espalhados pelo Brasil para “garantir que não vai ter mesário votando no Lula depois das 5h00, que é o que muitas denúncias estão nos dizendo”.

A campanha de Flávio intensificou os pedidos para que seus apoiadores atuem como fiscais de urna, representantes credenciados pelos partidos políticos para acompanhar e fiscalizar a votação e a apuração dos votos. Segundo um integrante da cúpula do PL, no primeiro turno a sigla teve cerca de 50 mil fiscais e planeja ter cerca de 150 mil no segundo turno.

Preso por tentativa de golpe, Silvinei Vasques indica nomes para eventual governo Flávio

Silvinei Vasques monta lista para a PRF

Bela Megale
O Globo

Preso na Papudinha desde dezembro, em Brasília, o ex-chefe da Polícia Rodoviária Federal (PRF) Silvinei Vasques encaminhou à família Bolsonaro uma lista com a indicação de nomes para ocupar a chefia da corporação, caso Flávio Bolsonaro seja eleito.

A lista teve como destinatário o senador eleito por Santa Catarina, Carlos Bolsonaro (PL). Os nomes sugeridos pelo ex-diretor tiveram posições de destaque na gestão de Jair Bolsonaro. Um deles é Wilmen Silva Vieira, que foi diretor de Administração e Logística quando a corporação estava sob o comando de Vasques.

EXONERAÇÃO – O outro é Jean Coelho, que foi diretor-executivo e acabou exonerado em 2022 para atuar em Washington. O afastamento ocorreu após a comoção pública com o assassinato de Genivaldo de Jesus Santos, morto por asfixia em uma abordagem de policiais rodoviários federais em Sergipe.

O terceiro nome é Fábio Elissandro Cassimiro Ramos, que foi diretor do Comando de Operações Especializadas e de Fronteira (COE) da PRF na gestão Bolsonaro e cotado para comandar o órgão antes de Vasques assumir o posto.

Silvinei Vasques foi condenado a 24 anos de prisão por tentativa de golpe e cumpre pena em Brasília. No início do ano, depois de fazer uma visita ao pai, Jair Bolsonaro, que na ocasião estava preso na Papudinha com o ex-chefe da PRF, Carlos Bolsonaro criticou a prisão de Vasques e do ex-ministro da Justiça Anderson Torres.

Constitucionalistas questionam plano de Flávio para ampliar o próprio mandato

Da fraude nas urnas à fabricação de popularidade: a nova desinformação eleitoral

Charge de Jean Galvão (Folha)

João Pedro Abdo
Folha

A desinformação eleitoral pode ter mudado de alvo no primeiro turno de 2026. Conteúdos que lançam suspeitas sobre as urnas perderam espaço, e cresceram os que fabricam sinais de apoio, rejeição ou vantagem de candidatos, aponta relatório da agência Lupa.

Falsos sinais de força política, como pesquisas inventadas e apoios que nunca existiram, apareceram em 17 das 80 frases verificadas em 2026 (21,3%). Em 2022, eram 14,9%; em 2018, 15,4%. No sentido inverso, alegações falsas sobre regras e procedimentos de votação caíram de 21,3% em 2022 para 3,8% neste ano. As que atacam a integridade do sistema eleitoral recuaram de 23,4% para 7,5%.

CHECAGENS E VERIFICAÇÕES – O estudo reúne 310 frases analisadas pela Lupa de 16 de agosto a 4 de outubro, dia do primeiro turno. São 230 em checagens e 80 em verificações. Em 2022, foram 367 registros; em 2018, 581, em períodos equivalentes.

Entre as verificações deste ano, 15 (18,8%) envolveram material produzido ou alterado por IA, o que não foi identificado em 2018 e 2022. Há falas falsamente atribuídas a candidatos, fotos manipuladas e multidões inexistentes.

Os casos incluem uma pesquisa inventada que dava vitória a Flávio Bolsonaro (PL) já no primeiro turno e imagens criadas por IA de uma multidão em ato pró-Lula (PT) no 7 de Setembro. “Nas checagens, a gente sabe quem é que está falando. A gente vai num debate ou numa sabatina e tenta analisar o que é possível checar”, afirma Maiquel Rosauro, pesquisador da Lupa.

DÚVIDAS – Já as verificações partem de dúvidas de leitores enviadas ao WhatsApp da agência. “É geralmente aquele conteúdo que está viralizando nas redes sociais”, diz Rosauro. Segundo ele, a origem costuma ser anônima e difícil de rastrear.

A base para comparar as narrativas são as verificações: 26 em 2018, 47 em 2022 e 80 em 2026. Para Rosauro, o recorte permite identificar mecanismos recorrentes de desinformação.

As checagens incluem as declarações de políticos em debates e sabatinas. Elas são analisadas pelas etiquetas e pelos temas das afirmações. A Lupa ressalta que os dados descrevem o conteúdo que selecionou, e não toda a desinformação que circulou nas campanhas.

NA BOCA DOS CANDIDATOS – Nas checagens, 24,3% das frases checadas em 2026 receberam a etiqueta “Falta contexto”, praticamente o mesmo patamar das classificadas como falsas (24,8%). Em 2022, eram 12,5%; em 2018, 10,8%.

A informação “Falsa” é comprovadamente incorreta. A que recebe “Falta contexto” pode trazer dados verdadeiros, mas omite detalhes necessários para interpretá-los e leva o eleitor a conclusões equivocadas.

MENTIRA TRABALHADA – A Lupa usa ainda “Verdadeiro” (informação comprovadamente correta), “Exagerado” (dados inflados), “Subestimado” (dados minimizados), “Contraditório” (contradiz o que a mesma fonte já disse) e “Insustentável” (sem dados públicos que a comprovem). “Antes, a gente tinha uma mentira mais pura dos candidatos. Agora, a gente tem uma mentira um pouco mais trabalhada”, diz Rosauro. “Isso é baseado em alguma verdade. A partir disso, eles mudam completamente o contexto.”

Flávio atribuiu a queda da violência em Alagoas à chegada de Alfredo Gaspar (PL) à Secretaria de Segurança, mas os homicídios já caíam antes. Lula comparou a inflação de seu governo à de Jair Bolsonaro (PL) sem citar o impacto da pandemia Entre os cinco candidatos com frases checadas, Renan Santos (Missão) teve a maior proporção de falsas: 36,7% (11 de 30). Depois vêm Flávio, com 33,3% (12 de 36), e Ronaldo Caiado (PSD), com 24,3% (9 de 37).

Augusto Cury (Avante) teve 21,2% (7 de 33), e Lula, 21,1% (8 de 38). No mesmo recorte, Fernando Haddad (PT) liderou em 2018, com 31,7%, e Jair Bolsonaro, em 2022, com 59,1%. Os índices valem só para as falas checadas.

Povo brasileiro têm muito a perder com a eleição de Flávio Bolsonaro

Flávio Bolsonaro

Charge reproduzida do Correio Braziliense

Vicente Limongi Netto

Eleição de Flávio Bolsonaro custará caro ao povo e ao Brasil. O candidato do PL repete promessas absurdas e mirabolantes. É arrogante e debochado. O Brasil vai retroagir, perderá o respeito internacional, enquanto os trabalhadores perderão seus direitos sociais e econômicos.

Os brasileiros enfrentarão tempos de ódio, vingança e intolerância. Se o leitor tivesse uma empresa precisando contratar um gerente honesto, que não seja mentiroso, contrataria Flávio Miliciano? Pense nisso.

NOVO SENADO – Concordo com o jornalista da Folha de São Paulo, Reinaldo Azevedo, quando diz que o novo Senado será medonho, imundo, incompetente, horroroso, ordinário, medíocre, rancoroso e desprezível.

E quem está muito preocupado com a eleição deste domingo é o consagrado jornalista e escritor paulista Ignácio de Loyola Brandão, integrante da Academia Brasileira de Letras, que nos mandou a seguinte mensagem:

Limongi,

Acredito na virada amanhã, Se não, como sobreviver? O que virá desta raça nojenta, agressiva, estúpida, chamada Bolsonaro?

Abraços

Ignácio

Promessa de Flávio Bolsonaro ameaça deixar 286 terras indígenas sem demarcação