Relembre a belíssima “Disparada”, que serviu como crítica ao regime militar em 1966

Geraldo Vandré – Disparada / Canto Aberto – Vinyl (7", 33 ⅓ RPM), 1979  [r5868347] | Discogs

“Disparada” fez um sucesso enorme

Paulo Peres
Poemas & Canções

O advogado, cantor e compositor paraibano Geraldo Pedroso de Araújo Dias, mais conhecido como Geraldo Vandré, e seu parceiro Théo de Barros (1943-2023), na letra de “Disparada” fazem um belíssimo relato sobre a vida do vaqueiro no sertão. Por analogia, a canção serviu também como uma crítica à ditadura vivida na época e, consequentemente, apresenta uma maravilhosa comparação entre a exploração das classes sociais pobres pelas mais ricas e a exploração das boiadas pelos boiadeiros, entre a maneira de se lidar com gado e se lidar com gente. 

Em 1966, a música “Disparada”, defendida por Jair Rodrigues, participou do II Festival de Música Popular Brasileira (TV Record), dividindo o primeiro lugar com “A Banda” de Chico Buarque, defendida por Nara Leão. Nesse mesmo ano, a música foi gravada pelo próprio Jair Rodrigues no LP O Sorriso de Jair, pela Philips.

DISPARADA
Théo de Barros e Geraldo Vandré

Prepare o seu coração
Prás coisas
Que eu vou contar
Eu venho lá do sertão
Eu venho lá do sertão
Eu venho lá do sertão
E posso não lhe agradar…

Aprendi a dizer não
Ver a morte sem chorar
E a morte, o destino, tudo
A morte e o destino, tudo
Estava fora do lugar
Eu vivo prá consertar…

Na boiada já fui boi
Mas um dia me montei
Não por um motivo meu
Ou de quem comigo houvesse
Que qualquer querer tivesse
Porém por necessidade
Do dono de uma boiada
Cujo vaqueiro morreu…

Boiadeiro muito tempo
Laço firme e braço forte
Muito gado, muita gente
Pela vida segurei
Seguia como num sonho
E boiadeiro era um rei…

Mas o mundo foi rodando
Nas patas do meu cavalo
E nos sonhos
Que fui sonhando
As visões se clareando
As visões se clareando
Até que um dia acordei…

Então não pude seguir
Valente em lugar tenente
E dono de gado e gente
Porque gado a gente marca
Tange, ferra, engorda e mata
Mas com gente é diferente…

Se você não concordar
Não posso me desculpar
Não canto prá enganar
Vou pegar minha viola
Vou deixar você de lado
Vou cantar noutro lugar

Na boiada já fui boi
Boiadeiro já fui rei
Não por mim nem por ninguém
Que junto comigo houvesse
Que quisesse ou que pudesse
Por qualquer coisa de seu
Por qualquer coisa de seu
Querer ir mais longe
Do que eu…

Mas o mundo foi rodando
Nas patas do meu cavalo
E já que um dia montei
Agora sou cavaleiro
Laço firme e braço forte
Num reino que não tem rei       

Firmeza de Mendonça consegue levar a crise do Supremo para dentro do governo Lula

Moraes, sem condições de se defender, responde atacando quem o denuncia

Embate começou após Mendonça levantar sigilo de investigação da PF, que revelou diálogos entre Moraes e Vorcaro

Mendonça tem provas suficientes para destruir Moraes

Fernando Schüler
Estadão

 A estratégia do ministro Alexandre de Moraes é a mesma de sempre: em vez de explicar alguma coisa, ataca o denunciante. Quando saíram os primeiros diálogos com Vorcaro na mídia, em março, ele ensaiou uma nota sugerindo que aquelas mensagens do dono do Master eram para outras pessoas.

Nesta semana, reveladas 52 mensagens entre Vorcaro e uma conta com o seu nome, o ministro não divulgou nota nenhuma. Fez algo mais “ousado”, como escutei de um animado comentarista: acionou o inquérito sobre fake news contra o relator do processo, André Mendonça, com base em um relatório anônimo da “inteligência” da Polícia Federal.

PF PARALELA? – Inútil perguntar como o relatório foi parar nas mãos do ministro. Ou, ainda, quem pediu para que a atuação do ministro fosse “avaliada” por alguém da Polícia Federal. O relatório acumula uma sucessão de suposições políticas, por vezes um tanto curiosas. Uma delas diz que é um “risco” a indicação de Jorge Messias para o Supremo. Messias estaria muito próximo de André Mendonça e, por isso, teria dificuldades de avaliar os “riscos políticos” do caso Lulinha. Riscos políticos para quem, exatamente?, daria para perguntar. Mas é inútil.

Messias seria também um risco pela sua proximidade com Mendonça, já que este estaria “agressivamente” tentando mudar a correlação de forças no STF, em detrimento do grupo de ministros que tão valorosamente atuou para salvar nossa democracia. Parece piada, mas está escrito lá. E foi este o relatório usado por Moraes para abrir uma “investigação” contra André Mendonça. A lógica é perfeitamente conhecida: ninguém pode investigar coisa nenhuma. E, se alguém tentar, sofrerá as consequências.

PEIXE PEQUENO – O caso mais notório foi o de Eduardo Tagliaferro. Um peixe pequeno. Era um perito criminal que participou do núcleo de poder. Suas denúncias eram gravíssimas. Entre muitas coisas, o “use sua criatividade” para produzir provas contra alvos determinados.

O resultado todos sabemos. Terminou o próprio Tagliaferro convertido em réu, além de nada ter sido investigado. Muita gente aplaudiu. Era politicamente interessante, então ok. Um dia isto será devidamente passado a limpo. Pode demorar, mas vai acontecer.

O truque agora pode funcionar novamente? É evidente que sim. Para começo de conversa, cria-se uma falsa equivalência. Haveria algum “erro processual” de Mendonça comparável à relação fartamente documentada de Moraes com Vorcaro. Alguém já viu este filme? “Erros processuais” para anular casos notórios de corrupção? Ato seguinte, embaralha-se o jogo na opinião pública.

VIRA FLA-FLU – Com o País dividido, às vésperas das eleições, é fácil que tudo se converta em um Fla-Flu, em que “quem gosta do Lula fica com o Alexandre de Moraes” e “quem gosta do Flávio fica com o André Mendonça”. O jogo político é real.

De fato, o País está dividido neste tema, e quase tudo se define com as eleições. Mas a equivalência é falsa como uma nota de três reais. A única questão real em jogo é se o Supremo decidirá ou não investigar as relações de um de seus ministros com Vorcaro e o escândalo Master. Mais do que isto, está em jogo a própria ideia de que somos uma república e a pergunta sobre se desejamos ou não conviver com um tipo de poder acima de qualquer hipótese de controle ou responsabilização.

Cá entre nós, não foi por acaso que chegamos a esta situação. Ainda na semana passada, escutava jornalistas importantes repetindo o mantra de que “tempos de exceção exigiam poderes de exceção”. Insistiam, gaguejando um pouco, que pode ter havido algum exagero nos poderes dados ao ministro para censurar e mandar prender quem lhe desse na telha, com base no infinito Inquérito das Fake News.

PODER DE EXCEÇÃO – Na sequência do diálogo, um dos jornalistas emendou: depois que prenderam o Bolsonaro, deveriam ter parado, não é mesmo? Pois é, quem diria, não pararam. Não acho que ninguém vá aprender nada com isso, mas, de qualquer forma, repito a lição: há um preço em aceitar poderes de exceção em uma república. Primeiro, o poder terá o aspecto de alguma virtude.

No Brasil, houve gente que realmente acreditou que tudo era feito para salvar a democracia. Depois, o poder será usado para benefício próprio. Para ganhar muito, mas muito dinheiro, além da prerrogativa de eliminar do léxico republicano o conceito de conflito de interesses. Ato seguinte, o mesmo poder será usado para que nada, em nenhuma hipótese, seja investigado. E, por fim, para ameaçar e retirar do jogo quem arriscar alguma oposição.

Chegamos agora a uma encruzilhada. Nosso sistema de freios e contrapesos foi danificado. A inércia do Congresso e a passividade da PGR são apenas sinais disso tudo. Restam-nos, no fundo, as eleições. O novo presidente indicará três ou quatro novos ministros para o STF. E uma nova maioria pode, ou não, se formar no Senado. O próximo presidente governará por quatro anos, mas definirá os rumos do País por muito mais tempo. E é sobre isto, lá no fundo, que a crise desta última semana pode nos ajudar a refletir.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGEnviado pelo comentarista Duarte Bertolini, o artigo de Fernando Schüler mostra que Moraes está sem saída e terá de devolver os poderes que usurpou com apoio da chamada imprensa amestrada. (C.N.)

Dino teve de “inventar” uma lei para mandar que Andrei reassuma a Polícia Federal

Flávio Dino.

Decisão absurda de Dino afronta o Princípio da Legalidade

Marina Rossi, Mariana Schreiber e Giulia Granchi
BBC News Brasil

O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta quarta-feira (9/9) a reintegração de Andrei Augusto Passos Rodrigues e Leandro Almada da Costa aos cargos que ocupavam na Polícia Federal — respectivamente, Diretor-Geral e Delegado, e Delegado e Diretor de Inteligência Policial.

Os dois haviam sido afastados na terça-feira por decisão liminar do ministro André Mendonça, referendada em seguida por maioria formada na Segunda Turma do STF. Rodrigues recorreu a Dino, que reverteu a decisão com base em sete argumentos principais. Dino também proibiu, em caráter preventivo, que sejam impostas novas medidas cautelares pessoais contra Andrei Rodrigues e Leandro Almada com base em atos praticados no exercício regular de suas funções, e determinou que a Diretoria de Inteligência Policial da PF volte a funcionar normalmente.

NO PLENÁRIO – Segundo o ministro, a decisão estará submetida à autoridade do Plenário do STF, porque o partido Novo não tinha legitimidade para pedir o afastamento

Em sua decisão, Dino afirma que Mendonça afastou Andrei Rodrigues e Leandro Almada a partir de um requerimento apresentado pelo partido Novo. Segundo Dino, o Código de Processo Penal não inclui partidos políticos entre os sujeitos autorizados a requerer medidas cautelares em processos penais.

Dino cita o artigo 282, parágrafo 2º, do Código Processual Penal, segundo o qual as “medidas cautelares serão decretadas pelo juiz a requerimento das partes” ou por iniciativa da autoridade policial ou do Ministério Público — nunca de uma agremiação partidária.

COMPETÊNCIA – Dino também questionou quem tinha poder para julgar o caso. Ele lembrou que o presidente do STF, Edson Fachin, já havia aberto um procedimento próprio reconhecendo que a competência para examinar essa controvérsia era do Plenário, e não de um colegiado menor.

Se isso é verdade, argumentou o ministro, a decisão individual de Mendonça — ainda que submetida à Segunda Turma para referendo — passou por cima de uma instância que já tinha sido chamada a decidir.

Dino argumentou que a decisão de Mendonça teria se sobreposto a um procedimento no qual o próprio ministro figura como parte, já que os relatórios de inteligência que fundamentaram o afastamento também tratavam de suposto monitoramento dirigido a ele.

OUTROS ARGUMENTOS – O relator chegou a questionar, no texto, se “uma parte pode ser juiz de si mesma” — e concluiu que, nesse caso, caberia a Mendonça se dirigir ao presidente do STF ou ao Plenário, não decidir sozinho.

Na decisão, Dino chamou atenção para outro fato que, segundo ele, reforça a necessidade de cautela: a notícia de que Mendonça teria se reunido com o empresário Daniel Vorcaro — investigado em processos sob a própria relatoria do ministro — nas dependências de uma empresa privada, com intermediação de pessoas ligadas a investigações em curso no Judiciário.

O ministro afirmou que não está fazendo nenhum julgamento sobre o que aconteceu nesse encontro, mas o citou como parte de um contexto que, em sua avaliação, pede mais moderação da magistratura — especialmente em plena campanha eleitoral.

MAIS ALEGAÇÕES – Para o ministro, suspender as atividades de inteligência da Polícia Federal, como determinou Mendonça, pode travar centenas de investigações em andamento – inclusive algumas que estão sob sua própria relatoria.

 

Dino lembrou que casos de grande repercussão, como o assassinato da vereadora Marielle Franco, só foram esclarecidos justamente graças ao trabalho de inteligência da PF, o que reforçaria o risco de uma paralisação ampla da área.

Dino não é o único a levantar essas questões. Ao pedir vista do processo ainda na Segunda Turma, o decano do STF (ministro que ocupa a cadeira há mais tempo), Gilmar Mendes, já havia sinalizado as mesmas preocupações: a possível ilegitimidade do partido para fazer o pedido e a competência do Plenário para julgar o caso.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Flávio Dino arranca a máscara da face e mostra ser um jurista tão manipulador quanto Alexandre de Moraes. Ele está afrontando o Princípio da Legalidade “Nullum crimen, nulla poena sine praegevia lege” (Não há crime, nem pena, sem lei anterior que os defina). Este princípio determina que, se uma conduta não é explicitamente proibida por lei, ela é juridicamente permitida. Ou seja, você tem a liberdade de agir onde a lei silencia. No caso, a lei permite que “medidas cautelares serão decretadas pelo juiz a requerimento das partes“. E o Partido Novo é justamente uma das partes, a autora. Simples assim, mas Dino resolveu reinventar a lei. (C.N.)

Flávio Dino determina reintegração de Andrei Rodrigues no cargo de diretor-geral da PF

Lula perde a folga, Flávio cresce e eleição de 2026 entra em território de alto risco

STF vira tema central da eleição ao Senado, e até aliados de Lula cobram mudanças

Tema, antes restrito à direita, ganhou novo impulso eleitoral

Luísa Marzullo
O Globo

O acirramento da crise no Supremo Tribunal Federal (STF) levou candidatos da base governista e de partidos de centro a adotarem críticas à Corte e a defesa de mudanças no Judiciário como bandeiras das campanhas ao Senado. O tema, antes restrito à direita, ganhou novo impulso eleitoral após a revelação de mensagens do banqueiro Daniel Vorcaro ao ministro Alexandre de Moraes, seguida da reação de Moraes com acusações ao colega André Mendonça.

A Casa presidida por Davi Alcolumbre (União-AP) é responsável por votar indicações ao Supremo, papel que ganhou contornos inéditos com a rejeição do ministro Jorge Messias (Advocacia-Geral da União), a primeira em 132 anos, e por afastar integrantes da Corte via impeachment, mecanismo que a Casa jamais usou até hoje.

POLARIZAÇÃO – Com duas vagas em disputa em cada estado e uma crise sem precedentes no STF, candidatos de esquerda e de centro se movimentaram para evitar que os concorrentes de direita aproveitassem sozinhos a crise de imagem do Supremo. Como mostrou O Globo, na semana passada, as primeiras pesquisas nos estados apontam para uma tendência de aumento de polarização na Casa, com redução de espaço do Centrão, mas com esquerda e bolsonarismo ainda longe de ter uma maioria sólida.

As soluções propostas são distintas. Aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro reforçam o mote de eleger uma maioria capaz de afastar ministros do STF. Já os nomes de centro e os mais próximos ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) seguem distantes da pauta do impeachment, mas houve uma inflexão no discurso: cobranças por investigação da conduta de magistrados e defesa de mudanças nas regras do Judiciário, com propostas como códigos de conduta, passaram a ganhar força.

Em São Paulo, a ex-ministra do Planejamento Simone Tebet (PSB), candidata ao Senado e aliada de Lula, defendeu a abertura de investigação sobre Moraes, mas marcou distância da ofensiva bolsonarista ao cobrar que a apuração alcance também as relações de Flávio Bolsonaro (PL) com Vorcaro.

“PERPLEXA” – Ela disse estar “perplexa” e “indignada” com as novas revelações e afirmou que o episódio precisa ser esclarecido porque “ninguém está acima da lei e não é possível ter dois pesos e duas medidas”. Tom semelhante veio da ex-ministra do Meio Ambiente Marina Silva (Rede), também aliada de Lula e postulante ao Senado. Para ela, Moraes precisa se explicar “com toda transparência que a gravidade dos fatos exige”, mas é preciso impedir que o caso seja usado por quem deseja “deslegitimar” o STF.

Do lado bolsonarista, o deputado Guilherme Derrite (PP) falou em “abusos do Poder Judiciário” e disse que votará a favor do impeachment de ministros caso eleito. Já o presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo, André do Prado (PL), outro postulante ao Senado, afirmou que Moraes não tem mais “condições” de ocupar o cargo.

NOVAS NORMAS – A saída de um ministro do STF, porém, está fora da agenda de candidatos do campo governista, que concentram o discurso na necessidade de investigações e reformas. Em Minas Gerais, a ex-prefeita de Contagem Marília Campos (PT), candidata ao Senado, defendeu a apuração e a adoção de novas normas de conduta para magistrados.

“Reforma é necessária. Precisamos de um código de ética e de mais transparência. Isso fortalece o Judiciário. Onde houver indício de crime, tem que haver investigação. Não importa o cargo, partido ou quem seja. O que não pode é a investigação virar instrumento de perseguição política nem a toga virar escudo contra a lei”, disse.

O avanço do tema para além do bolsonarismo ocorre no momento em que a própria campanha de Lula tenta formular uma resposta ao desgaste do Supremo sem aderir à ofensiva pelo impeachment de Moraes. Na sexta-feira, o presidente disse em evento no Planalto que “ninguém pode usar o cargo em benefício pessoal”. Um dia antes, já havia divulgado vídeo sobre a crise defendendo “reformas profundas” no Judiciário e no “sistema político”, além de investigações sem blindagem.

DEBATE AMPLO – Líder do governo no Senado, Teresa Leitão (PT-PE) endossou a defesa de Lula por mudanças no sistema de Justiça, mas ponderou que uma eventual reforma não deve ser desenhada apenas como reação à atual crise. Ela está em meio de mandato e não concorre neste ano: “Seria um debate amplo e não apenas focado na crise”, afirmou.

No Mato Grosso do Sul, dois nomes ligados ao campo de Lula também passaram a defender apurações. O deputado Vander Loubet (PT), candidato ao Senado, classificou as denúncias como graves e afirmou que o partido não pretende blindar Moraes caso sejam comprovadas irregularidades. Soraya Thronicke (PSB) foi na mesma linha e disse que “preservar as instituições não significa blindar pessoas, assim como cobrar respostas não autoriza julgamentos antecipados”.

Fora do campo governista, candidatos de centro também passaram a apresentar a eleição para o Senado como caminho para mudar o Supremo. No Paraná, Alexandre Curi (Republicanos), aliado do governador Ratinho Jr. (PSD), classificou os fatos envolvendo Moraes e Vorcaro como “gravíssimos”, defendeu o afastamento do ministro e disse que votaria pelo impeachment caso seja eleito e o processo chegue à Casa. Em Minas, Carlos Viana (PSD), que disputa a reeleição, também defendeu o afastamento de Moraes, argumentando que a medida serviria para preservar o próprio Judiciário.

POSTURA DE ALCOLUMBRE – A crise também deu novo fôlego à estratégia que o PL já vinha montando antes das revelações do caso Master: transformar a eleição das 54 vagas do Senado também numa disputa sobre a relação entre Congresso e Supremo, apostando no crescimento da bancada para aumentar a pressão por processos de impeachment de ministros. Um procedimento do tipo só avança com aval do presidente do Senado.

Alcolumbre, que deve tentar concorrer no ano que vem novamente ao comando da Casa, mantém boa relação com Moraes e já indicou a aliados que não deve dar aval.

Folha diz que Fachin pode tirar de Mendonça os casos Master e INSS, mas é conversa fiada

Efeito Moraes poderá fazer Lula perder uma eleição que ganharia com facilidade

Lula não quer mais saber da amizade com Moraes

Lula não quer mais saber de sua amizade com Moraes

Carlos Newton

Mais uma vez, será uma eleição eletrizante, a ser decidida em dois turnos, sem que se possa apontar quem será o vencedor. Porém, de antemão já se sabe que a disputa presidencial será decidida por apenas um dos muitos itens que influenciam os eleitores – os índices de rejeição. Sem a menor dúvida, será uma disputa entre as rejeições de Lula da Silva (PT), em sua oitava e última campanha, e o estreante Flávio Bolsonaro (PL).  

Em comum, os dois candidatos têm várias características, pois além de apresentarem os mais elevados índices de rejeição, ambos estão envolvidos em corrupção, tornaram-se enriquecidos ilicitamente e são despreparados para governar, fato que demonstra como é complicar entender a política brasileira.

EM CIMA DA HORA – O mais impressionante é que, na chamada undécima hora, estão surgindo situações capazes de influenciar fortemente o comportamento da faixa de eleitores que vai decidir essa ferrenha disputa, formada pelos indecisos.  E não se pode precisar o percentual aproximado, porque, num país marcado pela corrupção como o Brasil, como se poderia confiar nas pesquisas eleitorais?

Poucas semanas atrás, o candidato do bolsonarismo parecia derrotado, devido a sua proximidade ao banqueiro Vorcaro. Mas o vento mudou, em cima da hora, e seu crescimento agora é inquestionável.

Um dos fatores já era esperado – o cansaço de Lula, que é o mais idoso presidente do mundo e completa 81 anos em outubro. Lula está visivelmente exaurido e não consegue mais fazer campanha todos os dias, uma circunstância que é compreensível e aceitável, porque o petista começa a não dizer coisa com coisa.

EFEITO MORAES – Nesta reta final, porém, o principal fator negativo para Lula é o chamado efeito Moraes. É inacreditável que o presidente, em plena campanha para reeleição, tenha aceitado jantar na mansão de Alexandre de Moraes, um ministro desonrado, sem eira nem beira, e o objetivo dessa confraternização é exclusivamente fazer conluio com dois políticos ultrajados e ultrajantes – Davi Alcolumbre e Hugo Motta, os poderosos chefões do Congresso.

Depois desse encontro nada republicano, não demorou para o Supremo se emporcalhar de vez, com as gravações das mensagens entre Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro. O efeito tem sido devastador, o escândalo aumenta a cada dia, e assim será até o julgamento de Moraes pelo plenário, que deve ocorrer na semana anterior à eleição.

O pior para Lula é que o resultado do julgamento lhe será adverso, em qualquer hipótese. Se Gilmar Mendes pedir vistas para anular o julgamento ou se o amigo Moraes for afastado do STF, o efeito será terrível para o presidente. E se o ministro for inocentado, será pior ainda, devido ao alto índice de impunidade relativa do ar. E assim Lula estará passando ao segundo turno em má situação, não há qualquer dúvida, arriscado a perder para um estreante como Flávio Bolsonaro, um político rachadista e sem expressão..

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P.S. 1 –
Diante de um problema
dessa gravidade, não existe marqueteiro capaz de reverter o quadro. Lula já sentiu o drama e declarou na quinta-feira passada, ao lado de Fachin, que “numa democracia, ninguém pode usar cargo em benefício pessoal”. E logo depois Lula acrescentou que o ministro Edson Fachin e o procurador-geral Paulo Gonet têm de resolver a situação “sem proteger ninguém”. Ou seja, mais um pouco e Lula dirá que nem conhece Moraes…

P.S. 2Os petistas estão perplexos e culpam o ministro André Mendonça. Acham que a investida dele contra Moraes, às vésperas das eleições, não pode ser mera coincidência.

P.S. 3 – O delegado Andrei Rodrigues, diretor-geral da Polícia Federal, não consegue mais dormir, porque o ministro Mendonça tem munição de grosso calibre contra ele e contra a namorada Renata Varandas, que acumula as profissões de jornalista e lobista. No desespero, Gilmar pediu vistas e evitou o afastamento de Andrei, que está completamente desmoralizado na Polícia Federal. E vida que segue, diria João Saldanha, surpreso com os rumos que o Brasil tomou no futebol e na política. (C.N.)

Barroso e Lewandowski ficam fora do manifesto dos ministros e fazem papel constrangedor

Gilmar faz esforço enorme para evitar que Moraes provoque derrota de Lula

BLOG DO VINÍCIUS ASSUMPÇÃO: CHARGE: O DESPREZO DE GILMAR MENDES

Charge do Paixão (Gazeta do Povo)

Felipe de Paula, Fausto Macedo, Aguirre Talento e Carolina Brígido
Estadão

O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), criticou a decisão de André Mendonça que afastou, nesta terça-feira, 8, o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues. Gilmar afirmou que decisões “tendentes a promover o desequilíbrio da disputa político-eleitoral” devem ser submetidas ao Plenário da Corte, e não a uma das Turmas. O ministro pediu vista apenas 11 segundos após a liberação, no plenário virtual, da votação sobre o referendo do afastamento de Andrei.

A Segunda Turma do Supremo, apesar do pedido de vista de Gilmar, formou maioria para referendar a decisão de Mendonça cerca de 10 minutos após a abertura da votação. Acompanharam o relator da Operação Compliance Zero os ministros Nunes Marques e Luiz Fux. Falta o voto de Dias Toffoli.

TRÊS PONTOS – As razões do pedido de vista feito por Gilmar após 11 segundos de votação se sustentam em três pilares, segundo o ministro. O primeiro é o pouco tempo para analisar o caso. Gilmar afirmou que o processo “foi incluído em pauta no próprio dia do julgamento, menos de uma hora antes do início da sessão virtual”, o que “impediu o exame da integralidade dos autos e da decisão submetida a referendo”.

O segundo ponto questiona o fato de o afastamento ter sido determinado por Mendonça “a partir de solicitação formulada por partido político (Novo)”, em “aparente contrariedade” ao Código de Processo Penal e ao Regimento Interno do STF.

Por fim, o decano criticou ainda o envio de “incidentes conexos, oriundos de uma mesma apuração” para colegiados diferentes.

PLANO DE GILMAR – Aliado de primeira hora do ministro Alexandre de Moraes, Gilmar sustenta que “a decisão de afastamento cautelar registra elementos que sugerem que o relatório de inteligência teria sido produzido pelo Diretor-Geral da Polícia Federal por provocação de membro da Primeira Turma desta Corte”.

Para Gilmar, se essa premissa for considerada, “a competência para exame dos atos imputados a integrante do Tribunal é do Plenário, e não da Segunda Turma”.

No terceiro pilar, Gilmar citou entendimento do Plenário que, com base na “paridade de armas” e no “dever de neutralidade do Estado em relação aos partidos políticos e candidatos”, considerou inconstitucionais decisões “tendentes a promover o desequilíbrio da disputa político-eleitoral”.

AFASTAMENTO Na manhã desta terça, Mendonça determinou o afastamento preventivo do diretor-geral da Polícia Federal e do diretor de Inteligência da corporação, Leandro Almada da Costa. Mendonça ordenou que a PF, por meio de sua Corregedoria, abra procedimentos investigatórios de natureza penal e administrativo-disciplinar para apurar os “graves fatos identificados” na produção de relatórios de inteligência.

Andrei Rodrigues entregou na semana passada ao ministro Alexandre de Moraes um relatório de inteligência após ter recebido uma ordem do ministro.

Como mostrou o Estadão, o documento diz que não possui valor probatório, e não pode servir como elemento de acusação, mas Moraes usou o material no inquérito das Fake News para acusar André Mendonça de abuso de autoridade, depois que o ministro solicitou a confecção de um relatório da PF contendo conversas entre Moraes e Daniel Vorcaro, nas quais o banqueiro chega a pedir orientação se deveria fugir do país diante das investigações.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Gilmar Mendes está exercitando sua maior especialidade, o “jus embromandi”. Recentemente, fez uma harmonização que melhorou seu visual, mas o caráter continua o mesmo e ele saiu em defesa do diretor da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, que está envolvido no caso Master junto com a namorada, a jornalista e lobista Renata Varandas. Mas as iniciativas de Gilmar Mendes têm um encontro marcado com o fracasso, porque Luiz Fux e Nunes Marques apoiaram Mendonça e o diretor da PF foi mesmo afastado. Agora, Moraes, Toffoli e Andrei têm chance zero de escaparem incólumes desse escândalo. Não há embromação que dê jeito. (C.N.)

Julgamento sobre diretor da PF expõe divisão do STF entre Moraes e Mendonça

Gilmar interrompeu análise e busca tempo para solução

Mariana Muniz
O Globo

O julgamento da decisão de André Mendonça que afastou o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, começou a revelar no plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) a formação de uma ala alinhada ao ministro em meio à crise que divide a Corte. Ao mesmo tempo, o pedido de vista de Gilmar Mendes interrompeu a análise e deu mais tempo para que os ministros busquem uma solução para o impasse nos bastidores.

Mesmo com a suspensão, Mendonça conseguiu formar maioria para manter sua decisão, com os votos antecipados de Kassio Nunes Marques e Luiz Fux, dois ministros que vinham sendo contabilizados entre os possíveis apoios ao magistrado nas discussões internas provocadas pelo caso Master. Dias Toffoli, por sua vez, não votou. Apesar da interrupção do julgamento, a liminar de Mendonça continua em vigor.

APOIO A MENDONÇA – Desde que a crise entre Mendonça e Alexandre de Moraes se agravou, ministros passaram a mapear apoios diante da perspectiva de que diferentes aspectos do embate fossem submetidos ao plenário. Fux já era considerado o apoio mais seguro de Mendonça, enquanto Kassio aparecia entre os ministros que poderiam funcionar como fiéis da balança.

O pedido de vista de Gilmar, porém, interrompeu a conclusão do julgamento e abriu uma janela adicional para as articulações internas. Decano do Supremo e ministro com maior trânsito político dentro e fora da Corte, Gilmar tem atuado nas discussões para tentar construir uma saída para a crise institucional. O pedido de mais tempo ocorre justamente quando o placar deixa mais clara a correlação de forças dentro do tribunal. Na semana passada, com as turbulências já em andamento, Gilmar teve um encontro com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

A suspensão não derruba, por si só, a decisão de Mendonça. Enquanto o julgamento não for concluído ou não houver uma nova deliberação do Supremo sobre o tema, a liminar permanece produzindo efeitos.

CONTABILIDADE – A composição dos votos também chama atenção diante das contas que vinham sendo feitas internamente desde o início da crise. Pessoas próximas a Moraes contabilizam Cristiano Zanin, Flávio Dino e o próprio Gilmar como integrantes de uma ala mais próxima ao ministro. Do outro lado, Mendonça tinha Fux como apoio considerado mais seguro e buscava conquistar novas adesões, entre elas a de Nunes Marques. Cármen Lúcia e o presidente do STF, Edson Fachin, também eram vistos como possíveis fiéis da balança.

A votação desta terça revela o primeiro retrato concreto de como parte dessas articulações pode se traduzir no plenário. Ela não significa, porém, que a mesma maioria será automaticamente reproduzida em todas as discussões decorrentes da crise.

Ministros ouvidos nos últimos dias têm ressaltado que a composição de cada grupo pode variar de acordo com o objeto submetido ao colegiado, se a legalidade dos procedimentos adotados nas investigações, o conteúdo dos relatórios da Polícia Federal ou eventuais apurações sobre a conduta de integrantes da Corte.

DIVULGAÇÃO DE RELATÓRIOS – A crise se agravou após a divulgação de relatórios produzidos pela área de inteligência da Polícia Federal. Mendonça afirma que foi submetido a “monitoramento sistemático” pela corporação e que houve “monitoramento e coleta dirigida” de informações sobre ele e sobre o advogado-geral da União, Jorge Messias. A decisão destaca que seis relatórios foram produzidos entre 3 e 31 de agosto.

Na decisão, Mendonça classificou a produção desse material como ilegal e afirmou que os relatórios também faziam análises sobre sua atuação como magistrado. O ministro sustenta ainda que Moraes tinha conhecimento prévio da existência dos documentos e registra que o material foi encaminhado por Andrei em 1º de setembro.

Impeachment de Moraes vira moeda de troca pela presidência do Senado

Senadores veem Alcolumbre à espera das eleições

Thaísa Oliveira
Folha

Com a escalada da crise envolvendo o STF (Supremo Tribunal Federal), aliados do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), avaliam que ele vai esperar o resultado das eleições para decidir sobre o impeachment de ministros.

Uma pessoa próxima a Alcolumbre afirma que ele não vai ceder à pressão do bolsonarismo pela destituição de integrantes da corte antes de saber quem será o próximo presidente da República e os 54 novos senadores. Só a partir disso decidirá se abre um processo de impeachment e contra quem.

CÁLCULO POLÍTICO – No cenário atual, a chance de um pedido de afastamento de um ministro do STF prosperar no Senado passou a ser tratada como algo possível até por parlamentares que antes costumavam rechaçar essa possibilidade. O cálculo de Alcolumbre envolve sua campanha pela presidência do Senado no ano que vem —que ocorre tradicionalmente no primeiro dia de funcionamento do Congresso Nacional, em fevereiro.

Alcolumbre, dizem aliados, sabe que o impeachment do ministro Alexandre de Moraes é a única moeda de troca capaz de atrair o apoio de senadores bolsonaristas para ser reeleito. Por isso, precisa entender exatamente qual será o peso do grupo no Senado após as eleições.

O presidente do Senado é amigo de Moraes e sempre se colocou contra a possibilidade de afastá-lo do cargo. Políticos próximos a Alcolumbre dizem que a posição dele continua exatamente igual. Parte do grupo reconhece, porém, que, a depender do perfil de senadores que emergir das urnas, será difícil impedir a abertura de um processo.

INVESTIDA – O impeachment de Moraes se tornou uma das principais investidas de aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) após a condenação por tentativa de golpe. Políticos de diferentes posições afirmam que o ministro André Mendonça deu ainda mais fôlego à campanha de candidatos ao Senado que prometem avançar contra o Supremo ao revelar, na terça-feira (1º), detalhes sobre a relação de Moraes com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master.

Como mostrou a colunista Mônica Bergamo, Alcolumbre também discutiu com pessoas de confiança a possibilidade de abrir um impeachment contra Mendonça, de quem é desafeto. Um interlocutor do senador afirma que o ministro atropelou o rito formal ao pedir uma investigação contra Moraes na semana passada.

De acordo com outra pessoa do entorno do senador do Amapá, parte dos argumentos na mesa para o impeachment de Mendonça está no relatório sem assinatura citado por Moraes para a investigação do colega por abuso de autoridade. Até mesmo senadores da base governista que também costumavam rechaçar o afastamento de ministros do STF hoje admitem que essa possibilidade se tornou real —seja no caso de Moraes, de Mendonça ou de outro magistrado.

REFORMA NO JUDICIÁRIO – Um líder partidário diz, sob reserva, que o escândalo pode desencadear uma reforma no Judiciário a partir do ano que vem, até com o impeachment de mais de um ministro. Parlamentares também lembram diferentes propostas aventadas nos últimos anos, como a criação de um mandato fixo, em substituição à aposentadoria compulsória aos 75 anos, e o aumento da idade mínima para indicação, que hoje é de 35 anos.

“A minha opinião é que a gente deve dar um tempo para que, diante de todos esses escândalos, o próprio Supremo dê uma posição. Acho que, se não der, o Senado ficará na obrigação de fazer alguma coisa”, diz o senador Cid Gomes (PSB-CE).

Moraes conversou pessoalmente com Alcolumbre na última quarta-feira (2) —um dia depois do relatório em que vieram a público mensagens enviadas a ele por Vorcaro. A informação foi revelada pelo jornal O Globo e confirmada pela Folha.

REAÇÃO – Poucas horas após o encontro, o presidente do Senado reagiu à cobrança pela abertura do impeachment do ministro, citando o pedido de R$ 130 milhões feito ao ex-banqueiro pelo candidato à Presidência do PL, senador Flávio Bolsonaro (RJ), para um filme sobre o pai. “Apenas um comentário, no momento adequado eu vou falar. Todo mundo esqueceu que pediram R$ 130 milhões para a mesma pessoa para fazer um filme. E agora o culpado sou eu e o ministro Alexandre de Moraes”, afirmou.

Na terça-feira passada, ao ser questionado sobre o impeachment de Moraes, o senador respondeu que não é normal haver 109 pedidos e que a pressão feita pela oposição acontece “há muito tempo”. “A minha percepção é que tem 109 pedidos, isso não é normal. [São] 109 solicitações no Congresso, [a respeito] dos dez ministros do Supremo, de pedido de impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal.”

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Charge do Nando Motta (Brasil247)

Vicente Limongi Neto

A direita, que domina o Congresso, não tem um mínimo de vergonha de falar em defesa do trabalhador, porque na prática é contra quaisquer benefícios a favor da classe operária e do aposentado.

Flávio Bolsonaro, nos bastidores, vem trabalhando para não ser aprovada a PEC que acaba com a jornada de trabalho 6 x 1.  A direita vem com propostas indecentes, alegando que o acordo do empregado e o patrão é semelhante ao acordo do pescoço com a corda.

ESCOLHER HORÁRIO – Há também a proposta ridícula de Flávio Bolsonaro, propondo que o trabalhador possa escolher quantas horas por dia deseja trabalhar.

A direita quer o trabalhador ganhando pouco e trabalhando muito. Foi assim o governo do presidiário Jair Bolsonaro que não deu um aumento do salário mínimo acima da inflação.

Agora, na propaganda das eleições, a direita vem cinicamente dizer que o trabalhador ganha pouco. Quando a direita se preocupou com os trabalhadores e os aposentados? 

SÁBIO BETO – O Brasil parou para ouvir o sábio e inconfundível presidente da OAB Nacional, Beto Simonetti, no palco iluminado do Jornal Nacional. O mundo jurídico tem que agradecer aos deuses da floresta amazônica e aos anjos do firmamento por Simonetti existir.

As declarações enfáticas do chefão da entidade, que já foi presidida por craques como Bernardo Cabral, Reginaldo Oscar de Castro e Seabra Fagundes, precisam ser panfletadas por avião durante o Rock in Rio e no Maracanã no dia de Fla-Flu.

Beto sabe tudo. Fazia tempo que não dava o ar da graça. Todavia, para  falar o rosário oceânico de obviedades sobre o quadro atual da crise no Supremo Tribunal Federal (STF), francamente, era melhor o doutor Beto Simonetti continuar mudo, pescando tambaqui em Manaus e se deliciando com tacacá, açaí e peixe frito.

CLIMA PESADO –  El Nino antecipou chegada. Como em rio de piranha, jacaré está nadando de costas, diria o sábio Sérgio Porto, na voz do impagável e eterno Stanislaw Ponte Preta.

Ministro do Supremo Tribunal Federal(STF), André Mendonça, abusando das funções. Com faca na toga e sangue nos olhos, quis afastar do cargo o diretor-geral da Policia Federal, Andrei Rodrigues.

Drones da feroz política e das acirradas disputas eleitorais tomaram conta do cardápio diário da Suprema Corte. O perigoso tiroteio não tem prazo para acabar. No jogo raivoso a razão perdendo para a emoção.  O terrivelmente evangélico Mendonça colocou mais lenha na fogueira das vaidades absurdas que estão rachando as instituições. O mais patético e estarrecedor, nenhum dos envolvidos na destrambelhada rinha de poderosos arrogantes, leva em consideração o bem estar do povo. Tenho ânsia de vômito.

Direção do PT acende o alerta com queda de Lula e cobra reação da campanha

Petistas atribuem rejeição a erros da campanha

Julliana Lopes
CNN

O aumento da desaprovação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas pesquisas mais recentes provocou incômodo dentro do PT e abriu uma nova rodada de críticas à condução da campanha.

Dirigentes e integrantes do partido ouvidos reservadamente atribuem parte da piora, que varia de 3 a 7 pontos a depender do levantamento, a erros na coordenação política e na comunicação desta fase da disputa.

DESORGANIZAÇÃO – As reclamações atingem o núcleo mais próximo do presidente, que inclui nomes como Sidônio Palmeira e a primeira-dama Janja da Silva, mas não se restringem a eles. A avaliação de petistas é que a campanha ainda não conseguiu organizar uma mensagem capaz de conter o desgaste de Lula e responder com rapidez aos movimentos dos adversários.

Há também queixas sobre a divisão de funções e sobre o peso de decisões tomadas por um grupo considerado restrito. Internamente, dirigentes defendem uma participação maior do partido na definição da estratégia eleitoral.

A piora nos números reforçou, dentro do PT, a cobrança por ajustes na campanha. A avaliação é que o momento exige uma coordenação mais afinada entre partido, comunicação e núcleo político do presidente.

Um domingo na praça, revivendo pequenas lembranças do poeta Mauro Mota

ROGEL SAMUEL: A Elegia Nº1 de Mauro Mota

Mauro Motta, grande poema pernambucano

Paulo Peres
Poemas & Canções

O advogado, jornalista, professor, memorialista, cronista, ensaísta e poeta pernambucano Mauro Ramos da Mota e Albuquerque (1911-1984), membro da Academia Brasileira de Letras revive com este poema “Domingo na Praça” suas lembranças de menino criado em cidade do interior.

DOMINGO NA PRAÇA
Mauro Mota

Na praça, este domingo
não é de hoje: é antigo.
O banco, o lago, a relva
para onde é que me levam?

Ai, dezembro de acácias,
esta praça não passa.
E essa gente depressa
(a moça e a bicicleta)
passa para deixar-se
um pouco nesta tarde.

Ai, dezembro de acácias,
este cheiro, esta música…
Sou, domingo na praça,
um momento o que fui.       

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