“Dark Horse” transforma Mendonça em protagonista da crise entre Michelle e Flávio

Ministro é amigo de Michelle, mas diz que será imparcial

Luísa Martins
Folha

A escolha do ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal), como relator das investigações sobre o caso “Dark Horse” coloca o magistrado como peça-chave no embate entre a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, de quem é amigo, e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), com quem não tem relação de proximidade.

O inquérito para apurar os repasses do empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, ao filme ainda não foi formalmente aberto, mas Mendonça disse a auxiliares que não vai aliviar para Flávio caso veja elementos suficientes para autorizar uma operação policial —o que pode dar munição para Michelle na campanha de descrédito contra o enteado.

DESCONFIANÇA – Aliados de Flávio têm manifestado desconfiança com uma possível ação coordenada de Mendonça com Michelle para prejudicar o senador. O ministro, contudo, diz a pessoas do seu entorno que suas decisões vão sempre ter como base as evidências juntadas aos autos pela PF (Polícia Federal), independentemente de ideologias ou preferências pessoais.

Michelle e Flávio travam uma briga pública com origem em divergências sobre as alianças do PL nas eleições para o Governo do Ceará. O auge do atrito ocorreu em 24 de junho, quando ela publicou nas redes sociais vídeos em que acusa o senador de desrespeitá-la e de maltratá-la.

Aliados do filho mais velho de Jair Bolsonaro afirmam que a ex-primeira-dama tem atuado para minar a pré-candidatura de Flávio, sinalizando que sabe de informações capazes de abalar a reputação do enteado. Segundo três magistrados do tribunal, eventuais decisões de Mendonça contra o senador podem reforçar essa narrativa.

GRANDE TESTE -Dois desses ministros avaliam que esse será o grande teste de Mendonça desde que tomou posse, em 2021 —indicado, aliás, pelo então presidente Bolsonaro. Para esses integrantes do tribunal, a proximidade do relator com a família coloca sob escrutínio público o rigor que ele prometeu adotar para os casos do Master.

A interlocutores o relator diz que não tem qualquer tipo de relação próxima com Flávio que possa colocar em xeque a sua imparcialidade, ao mesmo tempo em que admite a amizade com Michelle. Apesar disso, Mendonça rechaça a possibilidade de que os atritos familiares possam interferir, de alguma maneira, nas suas ordens judiciais.

A relação fraterna com Michelle começou no início do governo Bolsonaro, quando ele era advogado-geral da União. Evangélicos, ambos se aproximaram em razão da religião. A então primeira-dama teve um papel fundamental na indicação do ministro para o Supremo. Flávio, por exemplo, defendia o nome do ex-procurador-geral Augusto Aras para a vaga.

REQUERIMENTO DA PGR – A instauração de um inquérito contra Flávio no STF ainda depende de um requerimento formal da PGR (Procuradoria-Geral da República). Na semana passada, Mendonça solicitou o parecer do órgão sobre os rumos do pedido de investigação feito pelo deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ), mas a manifestação não tem prazo definido para ser enviada.

Flávio pediu dinheiro a Vorcaro para financiar o filme que conta a trajetória do pai. O ex-banqueiro chegou a pagar R$ 61 milhões para a produção de “Dark Horse”, mas um áudio divulgado pelo site The Intercept Brasil mostra o senador cobrando mais recursos para finalizar o longa-metragem.

A suspeita é de que os valores tenham origem nas fraudes financeiras perpetradas pelo Master e que levaram à prisão preventiva de Vorcaro. Além disso, a PF suspeita que o dinheiro tenha sido usado para financiar as despesas do ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) nos Estados Unidos, como mostrou a Folha.

RECURSOS PARA O FILME – Flávio e Eduardo negam irregularidades. O senador disse que só tratou com Vorcaro para conseguir angariar recursos para realizar o filme e que omitiu essa informação de aliados devido a uma cláusula de confidencialidade no contrato. Já o ex-deputado afirmou que a suspeita da PF sobre ele é “tosca”.

Auxiliares de Mendonça já admitem que as investigações do Master e seus desdobramentos vão invadir o período da campanha eleitoral e inevitavelmente levar o ministro a proferir decisões com potencial de embaralhar o xadrez político. Deputados e senadores também atribuem ao magistrado um papel decisivo no pleito de outubro.

Vexame! PCC é perseguido nos EUA, mas continua a ter “apoio” da Justiça brasileira

Justiça manda soltar mulher acusada pelos EUA de elo com PCC

Stella Stefanie, a primeira-dama do PCC, já está solta

Carlos Newton

É uma situação surrealista, que chega a ser inacreditável. Enquanto nos Estados Unidos a facção criminosa brasileira PCC (Primeiro Comando da Capital) é considerada organização terrorista, para facilitar a ofensiva policial destinada a enfrentá-la, no Brasil a Justiça continua apoiando esses criminosos de uma forma acintosa e desafiadora.

Figura de destaque na lista dos integrantes do PCC divulgada pelo governo americano, a brasileira Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira foi presa na semana passada pela Operação Exchange da Polícia Federal, mas cinco dias depois a Justiça Federal de São Paulo mandou soltá-la, junto com outros integrantes da quadrilha, sob alegação de que não existiriam motivos para manter a prisão.

INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL – Justamente numa época em que se discute a possibilidade de uso da Inteligência Artificial (IA) no funcionamento da Justiça, surge essa decisão estarrecedora e estapafúrdica da juíza Monica Aparecida Bonavina Camargo, lotada em Santos (SP), ao soltar Stella Stefanie e outros investigados, alegando falta de fatos novos que justificassem as prisões.

Foi realmente uma decisão tipo Inteligência Artificial, porque o inaceitável e abominável ato demonstra que a juíza federal não é humana e raciocina como um robô, que vive à parte da sociedade, pois está absolutamente alheia ao que acontece no Brasil e no mundo.

Além disso, ela agiu como um robô apresentando defeito, pois foi um ato revestido de ilegalidade, abertamente mal intencionado, porque a juíza não deu a menor importância às informações da Polícia Federal, que pedira a prisão preventiva devido ao risco de fuga e à alta periculosidade da primeira-dama do PCC, uma alegação que qualquer Inteligência Artificial entenderia.

TUDO AO CONTRÁRIO – Ao justificar a assombrosa e revoltante decisão, a juíza argumentou que não havia motivos para converter a prisão temporária em preventiva, porque as buscas já haviam sido concluídas…

O mais incrível é que, na mesma decisão, a magistrada Monica Aparecida Bonavina Camargo determinou a prisão preventiva do chefão Victor Henrique de Oliveira Shimada, que comanda o PCC ao lado de Stella Stefanie. Ou seja, nenhum rigor em relação aos criminosos já presos, porém máximo rigor contra quem está foragido e bem longe das garras da lei, como se uma coisa justificasse a outra, num raciocínio calhorda e também robótico.

Repete-se, assim, aquela longa lista de decisões judiciais que libertam criminosos de grosso calibre e alto poder corruptivo, como André de Oliveira Macedo, o célebre André do Rap, um dos mais importantes líderes do PCC.

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P.S.
Recordar é viver. O megatraficante foi preso em setembro de 2019, mas ficou pouco tempo na cadeia. Em outubro de 2020, ganhou liberdade com um habeas corpus concedido por Marco Aurélio Mello, do Supremo, em pleno sábado. O ministro, que também parece precursor da Inteligência Artificial, justificou a soltura com base no artigo 316 do Código de Processo Penal, que determina a renovação da prisão preventiva a cada 90 dias. Como a prisão do megatraficante não havia sido renovada dentro do prazo, Marco Aurélio entendeu que ele estava detido ilegalmente… No domingo, ao tomar conhecimento da decisão, o então presidente do STF, Luiz Fux, mandou o criminoso ser novamente preso. Mas ele já estava longe e nunca mais foi encontrado. Na época, Fux lamentou, dizendo: “Ele debochou da Justiça”. E até hoje há juízes que continuam debochando. (C.N.)

Fux presidirá Segunda Turma nos julgamentos do Caso Master, do INSS e de Bolsonaro

Fux será presidente do colegiado no lugar de Gilmar Mendes

Raisa Toledo
Estadão

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Luiz Fux será o próximo presidente da Segunda Turma da Corte. Ele assume o colegiado no lugar do ministro Gilmar Mendes em agosto, no retorno do recesso do Judiciário, e herdará uma pauta marcada pelos casos Master e INSS, além do novo julgamento de Bolsonaro, que já está em andamento, tendo como relator o ministro Nunes Marques.

A troca ocorre em um momento de tensão envolvendo as investigações sobre o Master. Gilmar Mendes tem feito sucessivas críticas à condução do inquérito pelo relator da Operação Compliance Zero, ministro André Mendonça, comparando métodos adotados na investigação a “tristes reminiscências” da Operação Lava Jato e questionando, por exemplo, os fundamentos das prisões preventivas no caso.

INCLUSÃO NA PAUTA – No último dia 16, o decano incluiu na pauta de forma repentina a retomada do julgamento sobre a soltura de Henrique e Felipe Vorcaro, pai e primo do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Master. Mendonça reagiu retirando o sigilo de duas investigações que miram os envolvidos nos esquemas de corrupção e fraude bilionária do banco.

O relator justificou que as informações reunidas pela Polícia Federal (PF) ilustravam os possíveis crimes e mereciam ser expostas para que as pessoas pudessem compreender o que estava em jogo no julgamento sobre a prisão preventiva do pai do banqueiro.

Na semana seguinte, com a derrota de Gilmar na soltura dos investigados, Mendonça restabeleceu o segredo de justiça para preservar a investigação diante das novas diligências em curso.

DIVERGÊNCIA – A sessão em que a Segunda Turma votou a prisão preventiva de Henrique e Felipe Vorcaro foi marcada por divergência entre os ministros. Gilmar, que havia pedido vista do processo em maio, defendeu a flexibilização das cautelares, com domiciliar para Henrique e soltura de Felipe.

Mas foi vencido pelo restante dos magistrados, que decidiram manter os réus presos. O resultado da votação foi 3 a 1, porque o outro ministro da Segunda Turma, Dias Toffoli, não participa de votações do caso Master, por ter admitido sua suspeição, pois é um dos investigados.

Na ocasião, Gilmar Mendes alegou que a prisão preventiva dos réus pode servir como forma de pressioná-los a firmar acordo de delação premiada e comparou a medida a ações da Lava Jato.

DISSE GILMAR – “Quando um acordo é celebrado em ambiente de pressão, há a completa erosão da voluntariedade que necessariamente deve nortear qualquer colaboração”, disse.

Mas Mendonça reagiu, lembrando os indícios de condutas violentas de grupo que agia a mando de Daniel Vorcaro: “Não estamos aqui a julgar a Lava-Jato”, disse, afirmando que o caso Master é “mais do que um crime de colarinho branco” e tem “contornos de máfia”.

Com Fux na presidência da Segunda Turma, a expectativa é de que a condução da pauta ocorra de forma mais alinhada à relatoria do caso. Cabe ao presidente da Turma definir a pauta de julgamentos e conduzir as sessões do colegiado, decidindo quando os processos serão levados a julgamento, inclusive após a devolução de pedidos de vista.

SISTEMA DE RODÍZIO – A mudança segue o sistema de rodízio previsto no Regimento Interno do STF. Pelas regras da Corte, cada Turma é presidida por um de seus cinco integrantes durante um ano, sem possibilidade de recondução até que todos os ministros tenham ocupado o cargo.

A escolha obedece ao critério de antiguidade entre aqueles que ainda não exerceram a função.

Fux passou a compor a Segunda Turma em outubro de 2025. Ele pediu transferência da Primeira Turma com a vaga aberta após a aposentadoria de Luís Roberto Barroso.

Justiça manda Caiado reduzir sua escolta para apenas quatro policiais militares

Decisão é provisória e prevê multa diária de R$ 10 mil

Ana Gabriela Oliveira Lima
Folha

O juiz Vinícius Caldas da Gama e Abreu, da 2ª Vara da Fazenda Pública do Estado de Goiás, decidiu na última segunda-feira, em tutela provisória, que o presidenciável Ronaldo Caiado (PSD) deve reduzir a quantidade de seguranças dele e de familiares para quatro policiais militares do estado.

Em junho, a Folha mostrou que o ex-governador de Goiás contava com um grupo de 51 agentes para fazer a segurança dele e de familiares. Caiado afirma que necessita do efetivo em decorrência de ações contra o crime organizado enquanto foi governador.

IMPROBIDADE – O Ministério Público de Goiás entrou com uma ação por improbidade administrativa contra Caiado, a ex-primeira-dama, Gracinha Caiado, que também usa os serviços, e o coronel Marco Aurélio Godinho, secretário-chefe da Casa Militar de Goiás que assinou uma portaria estendendo o benefício a familiares de ex-governadores.

O Ministério Público pediu ressarcimento dos danos ao erário, declaração de inconstitucionalidade da portaria de Godinho e limitação do quantitativo a quatro agentes para o ex-governador, sem extensão aos familiares.

O juiz Vinícius Caldas da Gama e Abreu atendeu parcialmente o pedido. Ele entendeu que os policiais podem ser usados na segurança dos familiares, mas que o valor total não pode se sobrepor a quatro.

ESTRUTURA ILIMITADA – O magistrado afirmou que, embora haja coerência na extensão da segurança institucional a familiares do ex-governador, uma vez que eles também podem ser alvos de ataques, “isso não significa autorização para estrutura ilimitada, autônoma, cumulativa ou desproporcional”. A extensão aos familiares, como toda medida de segurança, submete-se à proporcionalidade e aos limites constantes da legislação de regência”.

O juiz afirmou que o Estado de Goiás não negou que a Constituição limita o quantitativo a quatro agentes, mas que sustentou que “esse número não deve ser compreendido, necessariamente, como quatro pessoas físicas empregadas de modo permanente e sem substituição, mas como referência operacional compatível com escalas, turnos, rendições, descanso e revezamento”.

Para o juiz, entretanto, o limite corresponde a quatro policiais militares disponibilizados no total, e não a quatro agentes em atuação simultânea. “Caso seja necessária a proteção de familiares sem que haja a presença do ex-governador, será necessário o destacamento de policiais desse contingente de 4. Dessa forma, é possível preservar a proteção pessoal de ex-governador e seus familiares, impedindo-se apenas a criação de equipes próprias, paralelas ou cumulativas em favor dos familiares, situação que poderia tirar diversos policiais das ruas, causando prejuízo à segurança pública, e gerar evidente prejuízo ao erário”.

RELATÓRIO – O juiz também determinou que Godinho adeque a equipe no prazo de cinco dias, período em que a Secretaria de Estado da Casa Militar de Goiás também precisa enviar “relatório contendo a relação das diárias, passagens, hospedagens, combustíveis, veículos funcionais, aeronaves e demais despesas” com o serviço associado a Caiado.

O descumprimento injustificado da decisão gera multa diária de R$ 10 mil, limitada inicialmente a R$ 300 mil, “sem prejuízo de posterior revisão do valor, adoção de outras medidas executivas necessárias e apuração de eventual responsabilidade da autoridade competente”.

O estado de Goiás sustenta que as medidas estão de acordo com a legislação e não configuram ato doloso ou de má-fé. Ronaldo Caiado já afirmou à Folha que ‘escolta não é mordomia’ e falou da necessidade de segurança em razão de sua gestão ter combatido o crime organizado.

Bolsonaro banca candidatura de Michelle ao Senado em meio à crise familiar no PL

Caiado afirma que voto em Flávio Bolsonaro favorece reeleição de Lula

Caiado critica Flávio por postura ‘inaceitável’ sobre tarifaço

Bernardo Lima
O Globo

O pré-candidato do PSD à Presidência, Ronaldo Caiado (PSD), afirmou nesta quarta-feira que a postura do senador Flávio Bolsonaro (PL), adversário na disputa eleitoral, sobre o tarifaço do governo de Trump é “inaceitável”. Segundo ele, os votos no filho mais velho de Jair Bolsonaro vão reeleger o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

— Temos falhas de um candidato, e todo respeito a ele, do Flávio, em se colocar em uma sessão nos EUA, e dizer que adie a tributação a partir da eleição. É inaceitável isso, você tem que estar dentro do jogo para saber o peso disso para o país — disse Caiado em evento na Confederação Nacional do Comércio, em Brasília.

TARIFAÇO – Pré-candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro participou de audiência nesta terça-feira sobre a investigação comercial do governo americano que pode levar a novas tarifas sobre produtos brasileiros. Em documento enviado, o senador defendeu que a medida fosse suspensa até o final da eleição brasileira, sob o argumento de que Lula tem se beneficiado eleitoralmente com o tema.

Ao ser questionado se a sua candidatura ganha força em meio a desgastes da campanha de Flávio em meio à briga pública com Michelle Bolsonaro e a revelação de ligações com o banqueiro Daniel Vorcaro, Caiado disse que o voto no senador favorece Lula.

— Diante do cenário atual, como todas as pessoas sabem, muitos ainda não querem confessar, se você votar no Flávio, vai eleger o Lula. Essa é a verdade. O que temos que analisar é qual vai ser o candidato aprovado no primeiro turno com condições de disputar com Lula — respondeu.

EVENTO – Caiado participou do evento “Agenda dos Presidenciáveis”, organizado pela CNC nesta quarta. O presidenciável e ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo) também compareceu à cerimônia.

Na semana passada, Caiado anunciou o presidente nacional do seu partido, Gilberto Kassab, como seu candidato à vice-presidente. No evento de lançamento, Caiado já havia feito críticas a Flávio Bolsonaro.

– Se realmente nós chegarmos ao segundo turno, nós ganharemos as eleições porque nós teremos os votos dos independentes. Se o Flávio for para o segundo turno, vai fazer o desejo de mais quatro anos do PT, é a realidade, é o que está escrito em todas as pesquisas.

Bolsonaro fica curado imediatamente se for libertado, afirma Valdemar

Presidente do PL evita falar em perseguição

Luísa Marzullo
Letícia Pille
O Globo

O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, afirmou nesta quarta-feira que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) recuperaria a saúde imediatamente caso deixasse a prisão domiciliar. A declaração foi dada após um almoço promovido pelas frentes parlamentares do agronegócio, do empreendedorismo, do comércio e serviços e do livre mercado, em Brasília.

Além de atribuir o estado de saúde de Bolsonaro à situação jurídica enfrentada pelo ex-presidente, Valdemar voltou a defender que ainda é cedo para descartar uma candidatura dele à Presidência em 2026 e comparou o cenário ao retorno do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à disputa eleitoral depois de deixar a prisão.

CONDIÇÃO DE SAÚDE – Ao ser questionado sobre a condição de saúde de Bolsonaro, o dirigente afirmou que o ex-presidente sofre em razão da prisão e dos processos que enfrenta: “Ele está com a saúde complicada por causa da situação que ele está. Porque é difícil para o camarada sustentar isso”.

Na sequência, foi perguntado se Bolsonaro melhoraria caso deixasse a prisão. “Sai de lá pulando de alegria. Sara na hora”. Mais tarde, ao ser questionado se ainda acredita na possibilidade de Bolsonaro disputar as eleições de 2026, apesar da inelegibilidade e das ações em andamento no Supremo Tribunal Federal (STF), Valdemar respondeu fazendo uma comparação com Lula.

“Quando o Lula estava preso 580 dias, você imaginava que ele fosse ser candidato à Presidência da República? Tudo pode acontecer. E quem deu esse direito para o Lula? O ministro Fachin, que é um homem de bem, um homem de respeito”, afirmou.

“HOMEM DE ESQUERDA” – Na fala durante o evento em Brasília, o dirigente chamou Fachin de “um homem de esquerda, mas honesto”, levantando a hipótese de o processo do ex-presidente ser revisto pela Suprema Corte.

O presidente do PL também saiu em defesa de Bolsonaro ao comentar a nova operação da Polícia Federal realizada nesta quarta-feira para apreender armas que, segundo determinação do STF, deveriam ter sido entregues.

“O Bolsonaro não fez nada errado. Nem a arma que pegaram com o funcionário dele. Ele tinha dado para o funcionário. Bolsonaro não faz nada fora da lei, nada. Ele cumpre todas as determinações do Supremo. Ele não sai fora da linha”, disse.

PERSEGUIÇÃO – Questionado se considera que o ex-presidente é alvo de perseguição, Valdemar evitou usar esse termo e disse preferir preservar a relação institucional com o Supremo.

“Eu não te diria que é uma perseguição, porque, se eu falar isso, o Marcelo Bessa, que é meu advogado, me mata. Ele fala: `Não arruma encrenca com o Supremo´. Então nós temos que ter entendimento para tocar o país para frente”, afirmou.

Em seguida, afirmou que vê um “excesso de preocupação” por parte do ministro responsável pelo caso. “Excesso, vamos dizer, de preocupação do ministro. É direito que ele tem, e nós temos que ter paciência”, finalizou.

PSD enfrenta racha e deixa chapa Caiado-Kassab sem palanque em estados decisivos

Demora de Flávio em definir candidato ao Senado alimenta rumores sobre plano B

Aliados temem que Flávio desista de concorrer à Presidência

Bela Megale
O Globo

A demora de Flávio Bolsonaro em anunciar o candidato ao Senado pelo PL no Rio de Janeiro tem aumentado, entre aliados, a suspeita de que ele pode desistir de concorrer à Presidência e estaria deixando a vaga no Senado como um plano B.

O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, está convicto de que não há chance de Flávio desistir, embora correligionários ainda tenham dúvidas. Membros do partido reclamam da falta de explicações para a demora em revelar o nome escolhido por Flávio e Jair Bolsonaro para concorrer ao Senado no Rio.

DISPUTA – A disputa está entre o líder do PL no Senado, Carlos Portinho, e o deputado federal Carlos Jordy. Portinho é o preferido do segmento político, enquanto Jordy conta com mais apoio na ala ideológica.

No partido, a crítica unânime é que o atraso na definição do candidato acaba favorecendo o crescimento da candidata Benedita da Silva, do PT, e de Pedro Paulo, do PSD, apadrinhado por Eduardo Paes.

O senador tem até o dia 25 deste mês para fazer uma mudança de rota. É nesta data que acontecerá a convenção nacional do PL, que vai oficializar a candidatura de Flávio Bolsonaro ao Palácio do Planalto.

AGU sofre primeira derrota na ação contra Moraes nos Estados Unidos

Judge Mary Scriven T’84

Juíza Mary Scriven rejeitou o primeiro pedido da AGU

Pablo Giovanni
Metrópoles

As empresas Rumble e Trump Media, que pertence ao presidente americano Donald Trump travam  nova quebra de braço com a Advocacia-Geral da União (AGU) na ação contra o ministro Alexandre de Moraes, nos Estados Unidos.

Em decisão proferida na terça-feira (7/7), a juíza Mary Scriven, da Corte da Flórida, contrariou a manifestação do governo brasileiro e concedeu mais uma semana para que as empresas respondam ao pedido de extinção da ação apresentado pelo Brasil.

MAIS PRAZO – As empresas tinham até esta terça-feira para se manifestar sobre o pedido da AGU para extinguir o processo, mas solicitaram a prorrogação do prazo.

O governo brasileiro se opôs ao pedido, sustentando que as empresas tentavam criar “urgência artificial” para adiar a resposta e argumentou que já haviam tido tempo suficiente para se manifestar.

Como reforço da tese, os advogados que representam o Brasil citaram reportagem publicada pela coluna do portal Metrópoles com declarações do advogado das empresas, Martin De Luca.

ARGUMENTO – A AGU sustentou que, se a defesa das empresas teve tempo para conceder entrevistas, também teve tempo para elaborar a resposta ao pedido de extinção.

“Essa tentativa de manobra processual não deve ser recompensada com prazo adicional para tentar salvar uma ação fadada ao fracasso”, escreveu a AGU.

Apesar da manifestação do governo brasileiro, a juíza concedeu novo prazo até 14 de julho para que a Rumble e a Trump Media apresentem resposta ao pedido de extinção.

A QUESTÃO – Popular entre conservadores nos Estados Unidos, a Rumble é uma plataforma de vídeos similar ao YouTube. Em fevereiro de 2025, Moraes determinou a suspensão da rede em todo o Brasil por descumprimento de decisões judiciais brasileiras.

Segundo o ministro do STF, bolsonaristas usam a plataforma para disseminar notícias falsas e ataques contra as instituições democráticas brasileiras. Na ocasião, Moraes também afirmou que todas as empresas que operam no Brasil estão sujeitas à legislação local.

No processo, as empresas acusam Moraes de determinar ilegalmente o bloqueio de perfis de pessoas que vivem nos EUA em plataformas sediadas no país. Além disso, acusam o ministro do STF de promover censura ilegal contra discursos políticos de usuários alinhados à direita, como o influenciador Allan dos Santos.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGMoraes estava se achando o máximo e decidiu dar ordens a serem cumpridas pela Justiça dos EUA. É por isso que ele está sendo processado, praticamente sem possibilidade de vitória. É uma dura lição. (C.N.)

EUA rebatem Itamaraty e classificam como “absurda” hipótese de intervenção no Brasil

No roteiro do tempo de Lya Luft, não se pode levar a sério o destino

Perder dói! Não adianta dizer não... Lya Luft - PensadorPaulo Peres
Poemas & Canções

A professora aposentada, escritora, tradutora e poeta gaúcha Lya Fett Luft, no poema “Não Sou Areia” faz reflexões sobre como seria possível escrever o roteiro para o palco do seu destino, mas sem estar afinado com ele e sem levá-lo muito a sério.

NÃO SOU AREIA
Lya Luft

Não sou areia
onde se desenha um par de asas
ou grades diante de uma janela.
Não sou apenas a pedra que rola
na marés do mundo,
em cada praia renascendo outra.

Sou a orelha
encostada na concha da vida,
sou construção e desmoronamento,
servo e senhor, e sou mistério.

A quatro mãos
escrevemos o roteiro
para o palco de meu tempo:
o meu destino e eu.
Nem sempre estamos afinados,
nem sempre nos levamos
a sério.

Tribunais ignoram limite do Supremo e mantêm supersalários de até R$ 495 mil

Tecnologia criou a sociedade paranoica, como se fosse uma epidemia sistêmica

Ilustração de Ricardo Cammarota

Luiz Felipe Pondé
Folha

Vivemos numa sociedade paranoica. Evidente platitude essa afirmação. Nelson Rodrigues diria “óbvio ululante!”, mas a questão é: por quê? Nunca houve uma resposta tão fácil para uma questão tão complexa.

O tipo de paranoia que assola a sociedade em que vivemos advém da própria modernização tecnológica, produtora de conhecimento e informação em larga escala, e destruidora dos costumes.

NUNCA PRESTOU – Antes que alguém me acuse de ludista, não acho que antes era melhor. Nunca foi melhor. Nunca prestou. E nunca será melhor. Quem assim o nega, e “luta por um mundo melhor”, normalmente não passa de um vaidoso ou vítima da vaidade alheia.

Mas, evidentemente, há males hoje que não existiam “antes das máquinas”, como, aparentemente, pensava Ned Ludd, quando, supostamente, quebrou teares no final do século 18 na Inglaterra e virou símbolo dos chamados ludistas, que décadas depois transformaram este gesto num protesto contra a revolução industrial.

A moda hoje é dizer que quem teme a Inteligência Artificial é um neoludista. As modas do pensamento são como um fungo que se espalha pelo mundo, assim como a banalidade do mal.

DUAS VERSÕES – O temor de Ned Ludd, como símbolo de um olhar sobre a modernização industrial, pode ser visto tanto como uma crítica social e política ao futuro esmagamento do trabalhador pelo capital industrial, como também pode ser visto como um gesto romântico de nostalgia de um mundo ainda não devastado pela lógica furiosa do sucesso material, do “achievement” (realização, desempenho) do dinheiro, do crescimento desenfreado do progresso.

Mas antibióticos, IA, mundo digital, aviões, longevidade, medicina científica e saneamento costumam ser argumentos poderosos contra essa nostalgia romântica, ainda que apenas almas pouco dialéticas possam negar as profundas contradições que o “progresso moderno” causou no mundo, tanto no meio ambiente exterior, quanto no meio ambiente interior.

A paranoia como vínculo social é uma delas. Embora antes existisse causa para eventos paranoides, hoje a paranoia se tornou um paradigma vital, uma epidemia sistêmica que piora profundamente o convívio entre as pessoas.

SENSAÇÃO DE RISCO – Como já afirmava anos atrás o sociólogo Frank Furedi, a parentalidade no século 21 promete ser cada vez mais paranoica. A sensação de risco é tal que as crianças não podem mais ir dormir na casa dos coleguinhas por receio de abusos sexuais. Trabalhadores da educação infantil logo merecerão adicional de insalubridade por riscos de ameaça jurídica.

Apesar de todo o discurso fofo ao redor da educação, com cursos de formação dos educadores para deixar as crianças cada vez mais reprimidas nos seus gestos, o que se observa é uma atmosfera de crescente sensação de ameaça.

A parentalidade paranoica não para aí. Quanto mais especialistas em parentalidade “ensinam” aos casais como serem pais e mães, mais se cava um abismo na habilidade espontânea da lida com os pequenos. De novo, apesar dos discursos fofos sobre emoções e combates a preconceitos e defesa da espontaneidade, cada vez mais se anula a capacidade dos pais em nome das novas “ciências” dos especialistas.

TEORIAS PARANOIDES – Muitos desses especialistas trabalham com teorias que alimentam a paranoia. Muitos dos gestos herdados na prática da parentalidade — palavra da moda — são considerados heranças traumáticas a serem superadas por essas novas “ciências” dos especialistas.

Não estranhemos o fato de que a simples reprodução humana se tornou mau negócio sob inúmeros pontos de vista. Quando substituímos de modo sistêmico gestos por métodos, rompe-se necessariamente a cadeia de transmissão de experiências.

Mas, aqui está um dos núcleos da atitude moderna: tudo que não se realiza dentro do modo considerado moderno é antiquado e “tóxico”.

EM TEMPO REAL – Mas um dos centros da geração da sociedade paranoica é, sem dúvida, a rede de informação imediata que se produziu. Um fato curioso é que quanto mais os especialistas apontam para o risco das telas na vida das crianças e adolescentes, mais os pais se põem a construir um cotidiano paranoico de controle.

Chama atenção o fato de que, apesar dos danos que todo convívio paranoide causa, chegamos ao ponto de que se constitui de fato num procedimento necessário a adoção de medidas paranoicas na lida com o cotidiano que envolve as crianças. Como não ser exaustivo?

Parece, sim, ser danoso um mundo atravessado pelas “máquinas de informação”. A indústria do conhecimento acessível na velocidade digital e da IA deverá, cada vez mais, produzir humanos paranoicos e desesperados. Mas há que se lembrar que a paranoia já é uma commodity social e política.

Zema afirma que Tarcísio teria sido candidato “extremamente viável” ao Planalto

Quando o combate ao crime organizado se transforma em disputa geopolítica

Carta do Itamaraty cita risco de ação militar dos EUA

Pedro do Coutto

A resposta enviada pelo Ministério das Relações Exteriores à Câmara dos Deputados introduziu um dos mais delicados debates da política externa brasileira nos últimos anos.

Em documento oficial, o Itamaraty afirma que a decisão dos Estados Unidos de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas pode abrir espaço, ao menos do ponto de vista jurídico da legislação norte-americana, para medidas extraterritoriais que alcancem cidadãos, empresas e instituições brasileiras e, em um cenário extremo, até para o emprego de força militar em território nacional.

PREOCUPAÇÃO DIPLOMÁTICA – A advertência, por sua gravidade, extrapola o campo da segurança pública e passa a integrar o centro das preocupações diplomáticas e da soberania brasileira. A classificação das facções foi anunciada pelo secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, e entrou em vigor em junho.

Pela legislação americana, organizações enquadradas como terroristas passam a ser alvo de um amplo conjunto de sanções financeiras, bloqueio de ativos, restrições migratórias e instrumentos de investigação muito mais abrangentes do que aqueles utilizados no combate ao crime organizado convencional. O objetivo declarado de Washington é ampliar sua capacidade de enfrentar redes criminosas transnacionais que afetem interesses norte-americanos.

REFLEXOS – O ponto de tensão, contudo, está menos na classificação em si do que em suas consequências jurídicas e políticas. O Itamaraty sustenta que a legislação antiterrorismo dos Estados Unidos confere elevado grau de discricionariedade às autoridades daquele país, permitindo a adoção de medidas unilaterais de alcance extraterritorial.

Segundo o ministério, isso poderia produzir repercussões financeiras, penais e migratórias para brasileiros e empresas nacionais, além de abrir margem para interpretações que afetem diretamente a soberania do Estado brasileiro.

Não se trata de afirmar que uma intervenção militar seja iminente ou inevitável. O próprio documento trabalha com a hipótese de risco potencial decorrente da arquitetura jurídica criada pela legislação americana de combate ao terrorismo.

INSTRUMENTOS LEGAIS – Ainda assim, o simples fato de um governo registrar oficialmente essa possibilidade revela o grau de preocupação existente nos círculos diplomáticos brasileiros. Em relações internacionais, muitas vezes o problema não está apenas na intenção política do momento, mas nos instrumentos legais que podem ser utilizados por administrações futuras em circunstâncias distintas.

Outro aspecto relevante destacado pelo governo brasileiro é a avaliação de que a medida americana não acrescenta ganhos concretos à cooperação bilateral no combate às organizações criminosas. Brasil e Estados Unidos já mantêm mecanismos consolidados de assistência jurídica, compartilhamento de inteligência, cooperação policial, rastreamento de ativos financeiros e combate à lavagem de dinheiro.

Na visão do Itamaraty, transformar facções criminosas em organizações terroristas não fortalece esses instrumentos e pode, ao contrário, introduzir novos conflitos jurídicos entre dois ordenamentos legais que tratam terrorismo e crime organizado como categorias distintas.

COMPETÊNCIAS INVESTIGATIVAS – Essa distinção não é meramente semântica. No direito brasileiro, terrorismo possui definição própria e está associado a finalidades específicas previstas na legislação. Embora PCC e Comando Vermelho pratiquem crimes de extrema violência e possuam estrutura transnacional, o Estado brasileiro historicamente os enquadra como organizações criminosas, e não como grupos terroristas. Essa diferença produz efeitos relevantes sobre competências investigativas, cooperação internacional e aplicação de tratados multilaterais.

O episódio também evidencia como segurança pública e política externa passaram a se entrelaçar de forma inédita. A decisão norte-americana ocorre em um contexto de crescente endurecimento da política de Washington contra organizações criminosas internacionais, inspirado, em parte, no modelo já utilizado contra cartéis mexicanos e outros grupos considerados ameaças à segurança nacional dos Estados Unidos. A ampliação desse conceito para organizações brasileiras projeta o problema da criminalidade nacional para o centro da agenda estratégica hemisférica.

Internamente, o tema inevitavelmente adquire dimensão política. A classificação foi defendida por lideranças da oposição ao governo Lula, que argumentam que o enquadramento amplia instrumentos internacionais de combate às facções. O governo, por sua vez, interpreta que os custos diplomáticos, econômicos e jurídicos podem superar eventuais benefícios operacionais. São posições distintas sobre um mesmo problema, que refletem visões diferentes acerca dos limites da cooperação internacional e da proteção da soberania nacional.

TENSÃO – O debate também ocorre em um momento de crescente tensão nas relações entre Brasília e Washington, marcado por divergências comerciais e por disputas políticas que tendem a se intensificar diante dos calendários eleitorais dos dois países. Em ambientes de polarização, temas de segurança frequentemente deixam de ser exclusivamente técnicos para se transformarem em instrumentos de disputa política e diplomática.

Há ainda uma dimensão institucional que merece atenção. Ao registrar oficialmente suas preocupações perante o Congresso Nacional, o Itamaraty reforça o papel da diplomacia preventiva. Sua função não é antecipar cenários como inevitáveis, mas alertar para riscos decorrentes de mudanças normativas promovidas por outros Estados. Esse tipo de manifestação permite que o país prepare respostas jurídicas, fortaleça mecanismos de cooperação e preserve margens de atuação diplomática antes que eventuais conflitos se materializem.

O combate ao crime organizado continua sendo uma necessidade inquestionável. PCC e Comando Vermelho representam desafios reais para a segurança pública brasileira e possuem conexões internacionais que exigem intensa cooperação entre Estados. A controvérsia reside em definir quais instrumentos são mais eficazes para enfrentar essas organizações sem produzir efeitos colaterais sobre a soberania nacional, a segurança jurídica e as relações diplomáticas.

FRONTEIRAS – Ao final, a discussão revela um fenômeno mais amplo da política internacional contemporânea: fronteiras entre segurança, diplomacia, economia e direito tornam-se cada vez mais difusas. Decisões tomadas em Washington podem repercutir diretamente sobre instituições brasileiras; respostas formuladas em Brasília podem influenciar a cooperação regional; e a disputa contra organizações criminosas passa a integrar uma agenda geopolítica muito mais complexa do que a simples repressão policial.

Nesse cenário, preservar a cooperação internacional sem abrir mão da autonomia decisória do Estado brasileiro será um dos principais desafios da política externa nacional nos próximos anos.

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Pesquisa Meio/Ideia: Lula tem 45% e Flávio Bolsonaro, 40%, no 2º turno

É preciso festejar a sublime lição que a Copa está dando sobre miscigenação

Allez les Bleus": o canto da torcida da França que já foi motivo de briga judicial; entenda | Ge

A torcida da França exibe um país em plena miscigenação

Carlos Newton

Envolvidos nessa paixão fulminante que o futebol desperta, a ponto de a Fifa ter mais países filiados (211) do que a própria Organização das Nações Unidas (193), são poucos os que percebem a extraordinária, sublime e definitiva lição que essa Copa está dando ao mundo inteiro.

O impressionante evento esportivo confirma o conceito criado pelo sociólogo brasileiro Gilberto Freyre (1900/1987) sobre a chamada democracia racial, em absoluto pioneirismo, porque foi o primeiro intelectual que estudou a importância da miscigenação na fase pós-escravatura da humanidade.

TÍTULO DE SIR – Como escritor, Gilberto Freyre dedicou-se pesquisar a interpretação do Brasil sob ângulos de sociologia, antropologia, geografia e história. Foi também autor de ficção, jornalista, deputado federal, poeta e pintor.

É considerado um dos mais importantes sociólogos do século XX. Tinha grande admiração pela cultura inglesa e via o Reino Unido como modelo de tradição, ordem e desenvolvimento. Escreveu vários livros sobre a Inglaterra.

Seu conhecimento era tamanho que recebeu o título de Doutor Honoris Causa na renomada Universidade de Sussex. Em 1971, a consagração:  foi agraciado pela rainha Elizabeth II com o título de Cavaleiro Honorário da Ordem do Império Britânico. Como estrangeiro, ele não podia usar o “Sir” antes do nome, mas foi condecorado e teve reconhecida a grande contribuição à cultura mundial.

DEMOCRACIA RACIAL – Em sua vasta obra, o intelectual pernambucano jamais usou a expressão “democracia racial”, mas fixou as bases dessa evolução social em “Casa-Grande & Senzala”, de 1933.

Freyre simplesmente inverteu as teorias ignaras da época, que viam a mistura de raças como uma degeneração. Ao contrário, ele encarava a mestiçagem como um fenômeno positivo, argumentando que a miscigenação seria uma grande força e se tornaria o maior diferencial da identidade brasileira.

O autor defendia que a colonização portuguesa no Brasil, por ter sido mais branda e flexível, permitiu uma convivência íntima e uma intensa troca cultural e racial entre colonizadores, indígenas e africanos.

Gilberto Freyre: biografia e Casa-Grande & Senzala - Toda Matéria

Freyre foi um verdadeiro gênio da raça

CRÍTICAS VAZIAS – Na época, Freyre foi muito criticado por militantes negros, porque a expressão “democracia racial” passara a ser amplamente usada por intelectuais e políticos a partir da década de 1940, para esconder a existência de preconceito no Brasil. Mas o tempo passou e somente agora, quase 100 anos depois da publicação de “Casa Grande & Senzala”, a Copa de 2026 nos exibe o impressionante fenômeno da miscigenação racial.

Países europeus têm jogadores de todas as raças, o Japão apresenta um goleiro negro, as seleções africanas tem craques mulatos e brancos, até a Noruega tem negros no time, a Suíça é uma miscigenação, algo numa visto.

O mais importante, porém, são as torcidas, todas elas também exibindo a mistura humana que avança no mundo, mostrando que Gilberto Freyre tinha razão e a democracia racial será inexorável.

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P.S. –
Não existe nenhuma força mais democrática do que o amor. É a paixão entre amantes de diferentes raças que está purificando o mundo. Não adianta que alguns países muçulmanos continuem sonhando com um predomínio político e militar que lhes possibilite submeter, doutrinar ou até eliminar da face da terra os infiéis. Isso jamais acontecerá, porque não somente o amor possibilita a miscigenação, como a paixão pelo futebol também a incentiva expressivamente. Esta é a maior lição que os shows das torcidas estão ensinando ao mundo inteiro, nos fazendo lembrar a importância de um pensador como Gilberto Freyre, que merece ser classificado como gênio da raça. (C.N.)

Pedido de arquivamento não deve interromper investigação sobre a amiga de Lulinha

STF tende a manter investigação sobre Roberta Luchsinger

Mariana Muniz
O Globo

O pedido da empresária Roberta Moreira Luchsinger para que a investigação em que é alvo pela suposta relação com as fraudes no INSS seja arquivada no Supremo Tribunal Federal (STF) é visto por integrantes da investigação como improvável de prosperar neste momento.

A avaliação de interlocutores que acompanham o caso é que, enquanto a Polícia Federal sustentar a necessidade de novas diligências e não concluir o inquérito, dificilmente haverá espaço para o encerramento antecipado das apurações.

ARQUIVAMENTO – Na última segunda-feira, a defesa de Roberta pediu ao ministro André Mendonça que encaminhe os autos à Procuradoria-Geral da República (PGR) para que o órgão se manifeste pelo arquivamento da investigação em relação à empresária. Na petição, os advogados afirmam que ela passou a ser investigada apenas por manter uma amizade com Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), e sustentam que a investigação perdeu seu objeto.

Pessoas que acompanham a investigação afirmam que o inquérito ainda está em fase de produção de provas e que o entendimento da Polícia Federal continua sendo o de que há diligências pendentes antes da conclusão da apuração. Nesse cenário, o pedido da defesa é visto mais como uma tentativa de antecipar uma discussão que, em regra, ocorre apenas ao final da investigação.

Pela sistemática do processo penal, o trancamento de um inquérito durante sua tramitação é uma medida excepcional, reservada a situações em que a ausência de justa causa seja evidente, como quando o fato investigado não constitui crime ou quando não há qualquer elemento que justifique a persecução penal. Fora dessas hipóteses, a tendência é que a investigação siga seu curso natural até que a Polícia Federal conclua o relatório final, oportunidade em que a PGR decidirá se pede o arquivamento ou oferece denúncia.

APURAÇÃO – Na semana passada, o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, já havia sinalizado que a apuração segue normalmente. Ao comentar o pedido de prorrogação do inquérito, afirmou que as investigações continuam em andamento e descartou qualquer paralisação dos trabalhos.

A própria Polícia Federal pediu ao ministro André Mendonça mais seis meses para concluir essa etapa da investigação do INSS, alegando a necessidade de finalizar a análise do material apreendido durante a Operação Sem Desconto. O pedido ainda aguarda decisão do relator.

Na petição apresentada ao Supremo, a defesa de Roberta sustenta que a hipótese inicial da investigação — de que recursos recebidos por ela seriam destinados a Lulinha — já teria sido afastada pelos próprios elementos produzidos no inquérito. A defesa afirma ainda que a investigação passou a promover uma “fishing expedition”, expressão utilizada para designar buscas genéricas por provas, e que houve uma ampliação indevida das apurações para sua vida pessoal.

PAGAMENTOS – A empresária é investigada por pagamentos recebidos do empresário Antonio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS, apontado pela Polícia Federal como um dos operadores do suposto esquema de descontos irregulares em benefícios previdenciários. Segundo a defesa, porém, os valores correspondem à prestação de serviços de consultoria para um projeto relacionado à regulamentação do mercado de canabidiol e foram formalizados por contrato e emissão de notas fiscais.

Procurado, o advogado Bruno Salles afirmou que a defesa entende que a investigação já esgotou seu objeto em relação à empresária. Segundo ele, a prestação dos serviços contratados foi confirmada durante a investigação e não foram identificados repasses financeiros de Roberta ou de sua empresa para Fábio Luís Lula da Silva.

“A tese inicial era de que Roberta recebeu valores sem prestar serviços e que esses valores eram destinados a Fábio Luís. A prestação dos serviços ficou demonstrada e também não houve qualquer repasse para ele. Juridicamente, estamos tranquilos de que o objeto inicial das investigações já se exauriu”, afirmou.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG Ela diz que é “amiga íntima” de Lulinha. O que significa isso? Ninguém sabe, mas pode imaginar. Porém, como toda certeza, no mínimo significa que ela tem um péssimo gosto… (C.N.)