Moraes tem outros problemas graves nos EUA, além do processo judicial de Trump

Moraes é citado em ação nos EUA; caso amplia tensão diplomática com o STF, avaliam analistas – Noticias R7

Moraes é processado por Trump e investigado pelo Capitólio

Carlos Newton

A vida está dando uma bela lição no ministro Alexandre de Moraes, que precisa urgentemente usar parte dos R$ 80,2 milhões que conseguiu receber do banqueiro Daniel Vorcaro e contratar um grande escritório de advocacia nos Estados Unidos, para defendê-lo na ação movida pela plataforma de vídeos Rumble e pela  Trump Media & Technology Group, que é proprietária da rede social Truth, do presidente Donald Trump.

Mesmo que gaste parte da fortuna para se defender, Moraes será irremediavelmente condenado pela Justiça Federal americana, porque não tem como justificar as violações à Primeira Emenda da Constituição, que desde 1791 garante os direitos fundamentais dos cidadãos lá na matriz.

OUTROS PROBLEMAS – Além dessa ação judicial que vai condená-lo por estabelecer censura, perseguição política e outros graves crimes ao exercer a magistratura, Moraes tem outros problemas nos Estados Unidos, com destaque para a investigação que está sendo feita pelo Congresso americano sobre a atuação política de Moraes em seus julgamentos relacionados aos EUA.

Divulgado recentemente, o relatório inicial do Comitê Judiciário da Câmara dos EUA acusa diretamente o ministro do Supremo de violar a liberdade de expressão em solo americano. Para o Comitê Judiciário, comandado atualmente pelo Partido Republicano, Moraes montou uma campanha de censura e lawfare que atingiu o cerne da democracia brasileira.

Por meio de intimações na Justiça dos EUA, o Comitê Judiciário obteve cópias de ordens de Alexandre de Moraes às redes sociais dos EUA, determinando a remoção de postagens e a suspensão de contas, como se a Justiça da filial Brazil se sobrepujasse à Justiça da matriz USA.

85 ANEXOS – O relatório é impressionante, acompanhado de 85 anexos. A maioria deles consiste em decisões de Moraes ordenando às redes sociais americanas a suspensão de contas e a remoção de postagens. Há, por exemplo, quatro diferentes ordens para a plataforma de áudio Spotify remover conteúdos do youtuber Bruno Aiub, o Monark.

“Baseado em novos documentos obtidos pelo Comitê, este relatório fornece evidências adicionais de como o regime de censura do Brasil mina a liberdade de expressão nos Estados Unidos, por meio da edição de ordens de remoção de conteúdo com efeitos globais, parcerias com censores em outros países e pela remoção de proteções legais das plataformas de redes sociais”, diz o relatório.

Não há como Moraes se desfazer das acusações, porque as provas são abundantes, fornecidas por ele próprio, ao deflagrar uma patética campanha para calar as críticas de oposicionistas que se manifestavam contra o governo Lula nas redes sociais.

###
P.S. –
Outro erro de Moraes foi pedir a extradição do ex-deputado Alexandre Ramagem, que o ministro condenou à prisão e à perda do mandato e do cargo de delegado federal, sem haver a menor prova de participação dele na trama golpista. A extradição não será concedida e será judicialmente usada contra o próprio Moraes. Mas este é outro assunto importante, que depois abordaremos. (C.N.)

8 thoughts on “Moraes tem outros problemas graves nos EUA, além do processo judicial de Trump

  1. Espero que esse Torquemada tupiniquim pague por todos os seus crimes e que sinta na pele todo o mal que causou as pessoas. Ele pensa que a justiça lá não funciona, mas está errado, não é essa justiça falha que temos aqui

  2. Cabe ao Brasil combater seus criminosos

    Classificar PCC e CV como terroristas não muda o fato de que combatê-los é tarefa do governo brasileiro

    A decisão do governo dos EUA de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas foi imediatamente capturada pela disputa política doméstica, como era previsível às vésperas da campanha eleitoral.

    Flávio, que defendeu a medida em recente visita à Casa Branca, celebrou o anúncio feito pelo Departamento de Estado americano. “Grande dia”, escreveu o parlamentar numa mídia social.

    Em nota, Lula reagiu chamando de “deplorável” a articulação bolsonarista e afirmando que “a soberania nacional é inegociável”.

    Em meio aos ruídos típicos das lides políticas, convém serenar os ânimos e lançar luz sobre a realidade objetiva. Designar o PCC e o CV como organizações terroristas, lamentamos dizer, não será a bala de prata que mudará a vida dos milhões de brasileiros que dormem e acordam diariamente sob o jugo dos facínoras.

    Por outro lado, não se pode ignorar que as facções, além das milícias, representam uma afronta ao Estado detentor do monopólio da violência e que, portanto, devem ser enfrentadas com tudo o que estiver ao alcance das autoridades, dentro da lei.

    Até aqui, o crime organizado tem ganhado a guerra e expandido seu domínio, enquanto valentes agentes da lei tentam combatê-lo sem ter os instrumentos adequados para isso. Não é à toa que a sociedade se sente desamparada – e pronta a aceitar qualquer medida de força contra essas máfias.

    O crime organizado avançou sobre territórios, extrapolou fronteiras e se imiscuiu em instituições e mercados legais com uma desenvoltura que expôs a fragilidade do Estado de forma constrangedora.

    Há décadas, o PCC e o CV deixaram de ser bandos locais voltados ao tráfico de drogas para se tornarem estruturas criminosas altamente complexas.

    Seu poder para impor medo à população de cidades como Rio, São Paulo e muitas capitais do Norte e do Nordeste do País é real. Tudo o que for feito para fortalecer o Estado no combate a essas verdadeiras máfias terá o apoio deste jornal.

    Dito isso, os EUA têm o direito soberano de classificar como “terroristas” os grupos que bem entenderem, de acordo com suas leis e seus interesses estratégicos. Isso não significa, contudo, que o Brasil deva fazer o mesmo.

    A despeito de suas lacunas, a Lei Antiterrorismo fixa parâmetros claros para a caracterização do terrorismo, nos quais não se enquadram nem o PCC nem o CV. Essas facções criminosas, entre outras, até podem praticar atos de violência indiscriminada e dominar territórios, mas seus objetivos são primordialmente econômicos.

    Mas a confusão conceitual não diminui a gravidade da ameaça que as facções representam. E é justamente por isso que a resposta institucional à decisão dos EUA impõe prudência.

    O País não está prestes a ver fuzileiros navais americanos desembarcando na Baía de Guanabara, tampouco ver-se-á livre das organizações criminosas por meio de uma canetada do secretário americano Marco Rubio.

    Se estiver genuinamente preocupado em resguardar os interesses nacionais, Lula deve ter a serenidade de combinar a defesa da soberania brasileira com o estreitamento das relações com Trump de modo a construir um ambiente de cooperação entre Brasil e EUA que, de fato, fortaleça o enfrentamento ao crime organizado, um mal comum.

    Cabe apenas ao Brasil combater seus criminosos, mas sem bravatas, e sim com inteligência policial, integração entre as forças de segurança, controle de fronteiras, asfixia financeira das facções e cooperação internacional permanente.

    Nenhuma decisão tomada desde Washington substituirá a responsabilidade do Estado brasileiro de enfrentar os criminosos que aqui nasceram, cresceram e consolidaram seu poder marginal.

    Nenhuma intervenção estrangeira devolverá a tranquilidade às famílias que vivem sob a ameaça cotidiana às suas liberdades mais comezinhas.

    E, finalmente, nenhum bate-boca eleitoreiro sobre soberania nacional e leniência com o crime tirará o sono dos chefões mafiosos que ameaçam o Brasil.

    O Estado de S. Paulo, Opinião, 30/05/2026 | 03h02 Por Editorial

    Texto relevante.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *