
Bolsonarismo vê campanha de Flávio perder tração
Andréia Sadi
G1
A campanha de Flávio Bolsonaro enfrenta um diagnóstico cada vez mais frequente dentro do próprio bolsonarismo: entrou em “modo cercadinho”. A expressão, usada até por aliados como Fábio Wajngarten, descreve uma candidatura que se fecha sobre si mesma, acumulando ruídos internos e encontrando dificuldades para falar além da própria base.
Esse cenário se soma a uma crise que se desenrola em duas frentes. Na frente familiar, a disputa entre Michelle e Flávio Bolsonaro deixou de ser um assunto de bastidor. Michelle busca protagonismo, “risca o chão” e explicita divergências que antes permaneciam restritas ao ambiente doméstico.
ATIVOS ELEITORAIS – Com isso, acaba atingindo dois dos principais ativos eleitorais do bolsonarismo: o eleitorado feminino e o segmento evangélico. Além disso, desgasta a imagem de unidade familiar, um dos pilares da narrativa construída pelo grupo político.
Na frente externa, cresce a insatisfação com a falta de comando da campanha. A avaliação de integrantes do partido é que as principais decisões estratégicas vêm sendo tomadas a partir do núcleo instalado nos Estados Unidos, onde está Eduardo Bolsonaro.
Enquanto isso, lideranças que permanecem no Brasil cobram que Flávio enquadre ou desautorize a atuação do chamado “gabinete do ódio” no exterior. Desgastes recentes, como o tarifaço e os ataques a aliados, são atribuídos por aliados a essa condução.
DARK HORSE – Há ainda um elemento adicional de pressão: o caso da Dark Horse, investigado pela Polícia Federal para apurar se houve recursos destinados ao financiamento da permanência de Eduardo Bolsonaro no exterior.
O resultado é que o racha familiar transborda para a política. Afeta alianças, dificulta a coordenação da campanha e reforça a percepção de uma candidatura cada vez mais fechada sobre si mesma — o chamado “modo cercadinho” — justamente no momento em que precisaria ampliar sua base de apoio.
Flávio recorre (de novo) a Trump e levanta a bola para gol de Lula
Erro tático de Flávio, que tentou pedir socorro a Trump por tarifaço e levou um novo carimbo de “traidor da pátria”
A análise política bota a lupa em mais uma jogada desastrada da oposição que acabou servindo de palanque para o governo.
Flávio articulou uma petição direcionada a Trump e ao governo norte-americano. O documento pede o adiamento das tarifas contra as exportações brasileiras para depois das eleições.
Contudo, ao tentar fazer política partidária nos bastidores de Washington, Flávio acabou levantando (mais uma vez) a bola para Lula marcar um gol e escancarar a submissão da oposição aos interesses estrangeiros.
Em nota, Lula aproveitou a chance para criticar novamente a postura de Flávio, classificando o pedido de suspensão temporária do tarifaço como uma “atitude de traidor da pátria”.
Fonte: Metrópoles, Política, Opinião, 03/07/2026 04:30 Por Ricardo Noblat