Renegociação de dívidas dos estados pode custar R$ 347 bilhões à União

6 thoughts on “Renegociação de dívidas dos estados pode custar R$ 347 bilhões à União

  1. Muitas dívidas públicas estão atreladas a municípios sem qualquer relevância econômico-financeira. Há que se ter coragem para baixar o nº de municípios para um número razoável. São, por baixo, cerca de 5.500; algo em torno de 3.000 seria um bom começo. A coragem para se materializar isso é que o problema…

    • “O poder se auto protege”, Senhor José Perez, lamentavelmente. Talvez ainda mais quando corrupto, autocrata.

      É uma tendência natural de sistemas, instituições e indivíduos no poder de criar mecanismos de blindagem para garantir sua própria sobrevivência, perpetuação e imunidade contra ameaças ou cobranças de responsabilidade.

  2. Alta da dívida no governo Lula é uma aberração

    O terceiro mandato de Lula é uma aberração. Em maio, a dívida pública chegou a 81,1% do PIB, um salto em relação aos já aberrantes 71,7% entregues por Jair Bolsonaro.

    A expectativa é que, entre o início de 2023 e o fim de 2026, o aumento fique próximo de 12 pontos. (…). Confirmada a projeção, o terceiro mandato de Lula só perderá para o desastroso segundo mandato de Dilma Rousseff, quando a alta foi de 13 pontos.

    Toda essa irresponsabilidade com a questão fiscal tem um preço.

    As despesas com o pagamento de juros em 12 meses ultrapassaram a barreira de R$ 1 trilhão no ano passado. De lá para cá, aumentaram ainda mais e não se sabe quando estabilizarão. Como papéis da dívida têm vencido, o governo se vê na obrigação de substituí-los por novos, pagando taxas maiores.

    Quando Lula subiu a rampa do Palácio do Planalto para receber a faixa presidencial em 2023, o custo médio para rolar a dívida em 12 meses era de 10,5%.

    Hoje está em 12,3% e, até dezembro, deverá se aproximar de 14%, tamanha a desconfiança na capacidade do governo de honrar seus compromissos. Confirmada a projeção, a alta será comparável à vista na pandemia.

    A previsão é que o custo continue subindo, e alguns falam que poderá chegar a 16%, patamar registrado apenas na recessão que sucedeu ao estouro da bolha imobiliária nos Estados Unidos (uma crise vinda de fora) e depois no governo Dilma (esta, de produção caseira mesmo).

    Deve-se lembrar que o custo crescente incide sobre uma dívida muito superior às de 2009 ou 2016. (…) No cenário mais provável, o endividamento continua crescendo até chegar a 115%, um patamar elevadíssimo.

    É preciso reconhecer que a estratégia adotada até agora é insustentável.

    Sem um ajuste nas contas públicas no próximo governo, seja quem for o vencedor na eleição de outubro, a crise fiscal cobrará um preço altíssimo no longo prazo, com retrocesso provável em indicadores sociais de que o governo tanto se vangloria.

    Fonte: O Globo, Opinião, 05/07/2026 00h10 Por Editorial

  3. Gasto público está na origem dos juros, não o contrário

    A recente disparada das taxas de juros no mercado de títulos públicos acende mais um alerta sobre a fragilidade das finanças do governo Lula.

    Papéis de longo prazo indexados à inflação são negociados com TAXAS REAIS SUPERIORES A 8% AO ANO — e o GANHO DOS SONHOS PARA RENTISTAS reflete problemas crescentes de financiamento.

    São as pressões fiscais persistentes —expansão contínua de gastos públicos, especialmente os obrigatórios, sob Lula — que impulsionam o déficit do Tesouro e a inflação, também alimentada pelo estímulo eleitoreiro ao crédito favorecido.

    Para evitar o descontrole de preços, o Banco Central precisa manter seus juros nas alturas. O resultado é um círculo vicioso: taxas mais altas elevam o serviço da dívida, que consome fatia crescente da poupança nacional já escassa e reduz o espaço para investimento do setor privado.

    O Brasil flerta com um cenário em que a degradação fiscal pode começar a limitar a ação da política monetária: mais elevações de juros para conter a inflação gerariam desconfiança quanto à solvência do Tesouro e novas pressões sobre os preços.

    A margem para aperto adicional também é estreita devido aos impactos no setor privado, que sente o peso do crédito caro por meio de endividamento das famílias em nível recorde e inadimplência alta entre empresas.

    A dependência de juros altos como único instrumento de controle da inflação não oferece, portanto, saída sustentável. Sem reconhecer esse fato básico, as autoridades semeiam ainda mais incerteza no mercado credor.

    Fonte: Folha de S. Paulo, Opinião, 4.jul.2026 às 22h00 Por Editorial

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