
General foi condenado por participação na trama golpista
Leonardo Ribbeiro
CNN
O ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), autorizou o general da reserva Walter Braga Netto a realizar cursos de ensino à distância enquanto estiver preso por participação na tentativa de golpe de Estado.
A decisão também permite que o militar participe do programa de remição de pena por leitura na unidade prisional onde está custodiado. A autorização, publicada na última segunda-feira (13), atende a pedido apresentado pela defesa do ex-ministro da Defesa e da Casa Civil, condenado a 26 anos de prisão.
NORMAS – Na decisão, Moraes autorizou a participação de Braga Netto em cursos de ensino à distância, desde que sejam observadas as normas da unidade prisional. Entre as opções apresentadas pela defesa estão os cursos de Gestão de Projetos, Gestão de Riscos e Crises, Planejamento Estratégico e Gestão de Segurança Privada. O Comando da 1ª Divisão de Exército informou ao STF que dispõe de estrutura física e condições para acompanhar e supervisionar o apenado durante as atividades acadêmicas.
Antes da decisão, a PGR (Procuradoria-Geral da República) manifestou-se favoravelmente à matrícula do militar nos cursos, desde que fossem cumpridos os requisitos legais para a remição da pena pelo estudo. O órgão também defendeu sua inclusão no plano de leitura para fins de remição de pena.
Ao fundamentar a decisão, Moraes ressaltou que a Lei de Execução Penal assegura ao condenado em regime fechado ou semiaberto o direito à remição da pena por estudo ou trabalho. O ministro também destacou que a remição pela leitura é regulamentada pelo CNJ (Conselho Nacional de Justiça), que garante o benefício mediante leitura de obras literárias, elaboração de relatório e validação por comissão responsável.
INCLUSÃO – Segundo a decisão, o plano de leitura apresentado pela unidade militar atende às exigências previstas na legislação e nas normas administrativas do sistema prisional. O Ministério Público Federal concluiu que o programa estabelece critérios adequados para execução, controle e validação das atividades, não se opondo à inclusão de Braga Netto na iniciativa.
O Programa de Remição de Pena pela Leitura reduz quatro dias da condenação para cada obra literária, científica ou filosófica lida e avaliada. O limite é de um livro por mês (até 12 ao ano), permitindo abater no máximo 48 dias no total da pena no ano.
Tai, um general que deveria estar gozando as vantagens da reserva remunerada, curtindo a família e se aperfeiçoando, está preso.
Que sirva de lição para outros tolos.