
Charge do Cazo (Blog do AFTM)
Ana Gabriela Oliveira Lima
Folha
A proposta do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) de entregar um selo a institutos de pesquisa cujos resultados mais se aproximarem dos dados aferidos no dia das eleições carece de base científica e pode tumultuar o cenário eleitoral, na opinião de especialistas ouvidos pela Folha. Eles entendem que a iniciativa não considera questões metodológicas inerentes às pesquisas e ultrapassa a atribuição da Justiça Eleitoral, em movimento que pode trazer consequências negativas.
Na última semana, o presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, apresentou a representantes de institutos a proposta de criação de um selo para entregar às instituições que mais se aproximarem do resultado das eleições. A minuta da proposta prevê que a ação valeria para as eleições gerais, com enfoque nos pleitos para presidente e governador. O selo, de “caráter exclusivamente honorífico”, seria dado pelo TSE e TREs (Tribunais Regionais Eleitorais).
PRECISÃO DOS DADOS – Segundo a minuta, o objetivo é contribuir para a precisão dos dados e incentivar o aprimoramento da qualidade metodológica das pesquisas. A entrega das premiações ocorreria após o segundo turno das eleições, e os critérios de avaliação seriam definidos em regulamento específico. As medidas valeriam para pesquisas efetivamente divulgadas e realizadas no dia das eleições (boca de urna) e aquelas realizadas nos sete dias que antecedem o pleito.
Para a cientista política e professora da USP Maria Tereza Sadek, premiar institutos de pesquisa não é atribuição do Judiciário. “A Justiça Eleitoral tem que cuidar da organização das eleições, que elas sejam livres e limpas. As pesquisas têm que ser livres e avaliadas por outras instituições que não a Justiça Eleitoral.”
Ela chama a proposta de “preocupante” e afirma que a iniciativa não considera o fato de que os levantamentos são um retrato do momento, e que os resultados aferidos podem mudar.
IMPACTO – Para Sadek, a premiação pode impactar a legitimidade da Justiça Eleitoral ante à população ao valorizar alguns institutos em detrimento de outros. “Vivemos um momento de crise institucional. O mais importante é que a Justiça Eleitoral cumpra com rigor as suas atribuições, e não as expanda.”
Sérgio Praça, cientista político e professor visitante da Unifal (Universidade Federal de Alfenas), concorda que a iniciativa desconsidera as especificidades dos levantamentos eleitorais, que registram um retrato do momento.
De acordo com ele, a medida também não é eficaz para tratar a atual “proliferação de institutos de baixa reputação que fazem pesquisas enviesadas” no Brasil. Praça entende serem necessárias outras medidas para combater institutos que “erram de propósito”, com o objetivo mais de influenciar os resultados do que informar a população. Uma das medidas, afirma, seria a própria imprensa ser mais rigorosa com as pesquisas que divulga, desconsiderando aquelas com problemas metodológicos.
CASUÍSMO – Para Lucio Rennó, professor de ciência política da UnB (Universidade de Brasília), mudanças envolvendo os institutos, como a proposta no TSE, seriam agora puro “casuísmo”. “Gera instabilidade, insegurança jurídica e é prejudicial ao processo. As regras existentes já contemplam razoavelmente a publicação e divulgação das pesquisas, permitindo a punição de institutos que não coadunem com as normas”, diz Rennó.
Para ele, a ação se enquadra no rol de tentativas atuais de questionar a cientificidade dos processos de pesquisa eleitoral. “Qualquer coisa que mexa com isso agora é prejudicial e não ajuda”. Ele afirma que a proposta de premiação é “desprovida de qualquer base científica” e que mais valeria a promoção de eventos e de discussões sobre metodologia de pesquisa.
“A proposta não contribui com o aprimoramento ou inovação tecnológica das pesquisas e, na verdade, tumultua o processo eleitoral, colocando em xeque novamente a cientificidade dessas pesquisas”.
RESTRIÇÃO – No Congresso, tramitam propostas que visam restringir a divulgação de pesquisas. Projeto aprovado pela Câmara em 2021, sob a liderança de Arthur Lira (PP-AL), estabelecia censura à divulgação dos levantamentos na véspera e no dia do pleito e a exigência da publicação pelos institutos de uma “taxa de acerto” de eleições passadas.
Bruno Bolognesi, cientista político e professor da UFPR (Universidade Federal do Paraná), chama de “absurdo completo” a proposta de criação de selo pelo TSE. Ele entende que a medida desconsidera a complexidade que envolve a realização das aferições, perpassada por fatores como as altas taxas de abstenção, que atingem de maneira assimétrica os brasileiros.
Embora os institutos tentem estimar essas diferenças, o cenário medido no dia da eleição é também afetado por outros fatores, como se choveu ou se houve feriado próximo, afirma Bolognesi. Para ele, uma consequência possível da aplicação do selo é que institutos prefiram medir resultados mais seguros, com o objetivo de conseguir o certificado.
MAIS QUALIDADE – De acordo com Bolognesi, a Justiça Eleitoral deveria focar outras medidas para incentivar mais qualidade nas pesquisas, como exigir a presença de cientistas políticos, estatísticos não só no processo de amostra e que os institutos tenham formação para melhorar a elaboração de questionários.
“Se a preocupação é com qualidade, e não só fazer o TSE ser um carimbador, há outras medidas mais importantes do que criar um selo que, no final, vai criar um ranking de empresas”.
Pesquisa Quaest: 55% acreditam na vitória de Lula e só 25% de Flávio
Até o registro da candidatura, em 5 de agosto, Flávio Rachadinha será alvo de denúncias, vídeos e ataques para tentar convencer o ex-mito a substituí-lo.
Uma pesquisa inédita (sic) Genial/Quaest mostra que 55% dos eleitores acreditam que o presidente Lula será reeleito e apenas 25% apostam na vitória de Flávio.
A vitória de Lula é a opinião majoritária em todas as regiões, gêneros, idades, nível escolar e religiões.
Entre os eleitores independentes, 52% acreditam na vitória de Lula. Apenas 14% em Flávio.
Fonte: O Globo, Política, Opinião, 20/07/2026 11h00 Por Thomas Traumann
Brasil será refém do passado até pelo menos 2030
Vença quem vencer a eleição deste ano, seremos reféns do passado até pelo menos 2030, quando haverá uma nova safra de políticos à disposição dos eleitores (…).
O hoje presidente Lula envelheceu no poder, de um renovador apresentado ao eleitorado em 1989 a um velho oligarca que hoje comanda um partido político, o PT, que caminha para a obsolescência assim que seu único líder se retirar da política, pela derrota este ano ou até 2030, ao terminar um possível quarto mandato presidencial.
Se alguma intercorrência, de saúde ou política, impedir que termine o eventual mandato, seu substituto será o vice Geraldo Alckmin, outra raposa política vinda dos tucanos para o petismo, capaz de cantar a Internacional Socialista com a mesma entonação monocórdica com que acusava Lula de ter roubado na eleição presidencial que disputaram entre si em 2006.
Nem Lula é esquerdista, como ele mesmo diz, muito menos Alckmin, mas os dois encontraram-se no terceiro governo de Lula como uma solução para aquietar a classe média de centro.
A direita hoje está refém da extrema direita liderada por Bolsonaro, e era liderada pela social-democracia quando existia o PSDB original.
Nunca mais, desde o Plano Real, tivemos governos com projeto de país, mas governos que se opõem aos adversários pela negação do outro, sem que apresentem ao eleitorado luzes para o desenvolvimento nacional.
As ações de natureza social, indispensáveis, iniciadas pelos tucanos e aprofundadas pelo petismo, encerraram-se em si mesmas, sem que dessem início a uma retomada de projeto de país para além das decisões compensatórias.
O bolsonarismo chegou a bordo de uma farsesca luta antissistema e anticorrupção, com o objetivo de destruir o que fora construído, colocando no lugar um governo golpista que não convive com as regras democráticas.
Estamos neste ponto.
Fonte: O Globo, Política, Opinião, 19/07/2026 04h30 Por Merval Pereira
Essas pesquisas são como jogo do bicho.
Ou loteria federal, só que teve gabiru engalanado que ganhou mais de vinte vezes na mega sena.
Enquanto existir cavalo São Jorge não anda a pé.
Entenda caso do contador de Lulinha que ganhou 250 vezes na loteria e trabalhou para o PCC
São Paulo
26/02/2024 21h47
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Em um depoimento sigiloso ao qual o Estadão teve acesso, João Muniz Leite, de 60 anos, contador que já prestou serviços ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e ao filho dele, Fábio Luis Lula da Silva, o Lulinha, disse ter ganhado R$ 20 milhões em 250 prêmios sorteados em loterias. Só em 2021, teriam sido 55 vezes.
No depoimento à polícia em São Paulo, o contador também admitiu que teve entre seus clientes um dos principais traficantes de drogas do Primeiro Comando da Capital (PCC) durante cinco anos: Anselmo Becheli Santa Fausta, o Cara Preta ou Magrelo… – Veja mais em https://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/agencia-estado/2024/02/26/entenda-caso-do-contador-de-lulinha-que-ganhou-250-vezes-na-loteria-e-trabalhou-para-o-pcc.htm?cmpid=copiaecola
Patrimônio de Flávio chega a R$ 600 milhões, diz ex-líder de Bolsonaro
Coordenador da campanha de Bolsonaro em 2018 diz que Flávio enriqueceu no governo do pai; equipe do presidenciável diz que não irá comentar
O ex-deputado Julian Lemos disse, em entrevista a um podcast, que o patrimônio do presidenciável Flávio Bolsonaro (PL-RJ) hoje é de R$ 600 milhões, e o do irmão Eduardo Bolsonaro chegaria a R$ 150 milhões.
A campanha do senador disse que ele não comentaria o assunto, mas enviou nota depois da publicação desta reportagem. Lemos foi procurado, mas não prestou esclarecimentos até o fechamento da reportagem.
Na última eleição que disputou, em 2018, Flávio declarou à Justiça possuir R$ 1,7 milhão em bens. No terceiro ano de mandato, comprou mansão em Brasília, praticamente à vista, por R$ 5,97 milhões.
Eduardo Bolsonaro declarou oficialmente à Justiça Eleitoral patrimônio de R$ 1,76 milhão nas eleições de 2022. Segundo o Intercept Brasil, o ex-deputado mora no Texas (EUA), em casa avaliada em R$ 6 milhões.
Julian Lemos foi um dos principais aliados de Bolsonaro em 2018, coordenou sua campanha no Nordeste e foi eleito deputado federal pela Paraíba, com forte associação ao então candidato.
No entanto, o rompimento ocorreu ainda na transição entre o governo eleito e a posse, no fim de 2018 e início de 2019, em meio a conflitos com Carlos Bolsonaro e o então ministro Gustavo Bebianno.
Fonte: Metrópoles, Política, Opinião, 15/07/2026 11:26 Por Andreza Matais, Eduardo Militão