
Documento foi editado por “Ministro Alexandre de Moraes”
Eduardo Gonçalves
O Globo
A advogada Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou que o marido foi consultado sobre o contrato assinado entre o seu escritório e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Master, que previa o pagamento de R$ 131 milhões em três anos.
Em nota, Viviane confirmou que “solicitou informações” por meio da área de compliance do seu escritório a Moraes sobre “eventuais impedimentos legais para a contratação nos termos propostos na minuta contratual”. Metadados do arquivo do contrato, enviado por WhatsApp a Vorcaro, mostram que o documento foi editado por um usuário identificado como “Ministro Alexandre de Moraes”. A informação foi revelada pelo jornal O Estado de S. Paulo.
SEM IMPEDIMENTO – Segundo afirma Viviane, porém, o contrato só foi assinado depois que se comprovou a “inexistência” de “qualquer impedimento legal” por ela ser esposa do ministro do Supremo. “Diante da inexistência de previsão de atuação no STF ou de qualquer impedimento legal, uma vez que o Ministro Alexandre de Moraes jamais julgou qualquer causa envolvendo o Banco Master, o contrato foi assinado e os serviços advocatícios devidamente prestados”, diz o texto.
O contrato milionário firmado entre Vorcaro e Viviane Barci foi revelado pela coluna de Malu Gaspar, do O Globo, em dezembro de 2025. O conteúdo do documento informava que o contrato previa uma remuneração de R$ 3,6 milhões mensais por 36 meses a partir do início de 2024.
Os investigadores analisaram as informações contidas no documento extraído do celular de Vorcaro. Na aba “propriedades” do arquivo, ficam registrados dados sobre a data, horário e autoria de atualizações no arquivo, os chamados metadados. Nessas informações, consta uma edição atribuída ao perfil “Ministro Alexandre de Moraes” às 23h04 de 15 de janeiro de 2024. Isso teria ocorrido cerca de 1h40 depois de Vorcaro remeter o documento a Viviane. O autor do documento seria Guilherme de Toledo Benazzi, administrador do escritório de Viviane.
MINUTA – Segundo os diálogos interceptados pela PF, uma minuta do contrato foi enviado por Viviane a Vorcaro em 17 de janeiro de 2024. “Bom dia! Segue a minuta do contrato. Abraço”, escreveu ela. Vorcaro respondeu: “Oi, tudo bem? Como podemos proceder na assinatura?”.
Os pagamentos foram paralisados após a primeira prisão do banqueiro, em 17 de novembro de 2025 – depois, Vorcaro foi solto e novamente detido em março de 2026. Parte desses repasses constam na declaração de imposto de renda do Master, segundo documento enviado à CPI do Crime Organizado, do Senado.
Em março deste ano, o escritório de Viviane afirmou que, durante o período do contrato – de fevereiro de 2024 a novembro de 2025 – produziu um total de 36 pareceres e realizou 94 reuniões de trabalho com integrantes do Master. Segundo o texto, esse serviço se referia a uma “ampla consultoria e atuação jurídica” prestada ao Banco para “análise de documentos e discussão dos problemas jurídicos”.
CONTRATO AMPLO – Como mostrou Malu Gaspar, o contrato tem um escopo bastante amplo, o de representar o Master onde for necessário, e não especifica uma única causa ou processo. Um dos processos em que Viviane atuou foi uma queixa-crime apresentada em abril de 2024 por Vorcaro e pelo Master contra o investidor Vladimir Timerman, da Esh Capital, que possui um litígio antigo com o empresário Nelson Tanure, acionista da Gafisa.
Na queixa crime, Timerman é acusado de caluniar o banqueiro, qualificado como “renomado empresário mineiro de 40 anos de idade”, que de acordo com Timerman teria “participado e/ou realizado operações fraudulentas entre GAFISA e o Fundo Brazil Realty” – do qual, segundo o investidor, o Master era cotista.
MENDONÇA CONSULTA PGR – Em outra frente relacionada à relação de Moraes e Vorcaro, o ministro André Mendonça, relator do caso Master no STF, pediu à Procuradoria-Geral da República (PGR) que se manifeste sobre um relatório da PF detalhando conteúdos de mensagens trocadas entre o colega de Corte e o ex-dono do Banco Master. No despacho enviado nesta segunda-feira ao procurador-geral da República, Paulo Gonet, Mendonça deu um prazo de cinco dias para manifestação.
A informação foi publicada pelo Metrópoles e confirmada pela coluna de Malu Gaspar com fontes ligadas à investigação. Procurados, Andrei, Gonet e Moraes não se manifestaram.
MENSAGENS NO CELULAR – O relatório foi produzido pela PF a partir de mensagens encontradas no celular de Daniel Vorcaro, em que ele diz a um interlocutor não identificado que precisa da proteção de Andrei e Paulo, uma referência ao diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e a Paulo Gonet.
“Se o Andrei conseguir atrasar pra outra semana, pois tem feriado, o banco não quebra. Tenta chamar ele e sensibilizar isso se achar possível”, escreveu o banqueiro ao ministro do STF uma semana antes da primeira prisão dele, em 17 de novembro, segundo informações publicadas pelo Estadão.
Vorcaro acabaria preso em 17 de novembro às 22h, no aeroporto internacional de Guarulhos, em São Paulo, quando tentava embarcar em um jato particular para Dubai, com escala em Malta. Um dia antes do pedido para adiar a operação, Vorcaro também fez um desabafo a Moraes: “Não conseguimos reverter isso com Paulo ou Andrei? Muita sacanagem isso”, lamentou Vorcaro a Moraes, segundo a investigação.
O material revelado teria sido considerado de baixo potencial ofensivo, e a decisão de proceder dessa maneira teria sido tomada em consenso entre os pares?
Pôquer é para quem pensa à frente: afinal, você distribui as cartas focando no próximo lance ou no fechamento do jogo?
Devem ter chegado a um impasse: é preciso revelar algo, mas não é necessário mostrar a bunda.
É difícil acreditar que tenham decidido expurgar o feudo, usando-o como boi de piranha.
Até porque, nesse cenário, deve haver outros na fila para o mesmo destino.
Decisão de Mendonça transforma Moraes em personagem central das eleições
A decisão de André Mendonça de enviar à PGR relatório da PF detalhando mensagens de celular trocadas entre o seu colega e principal rival, Alexandre de Moraes, e o dono do banco Master, Daniel Vorcaro, preso por comandar o maior esquema de fraude financeira da história, torna evidente o tamanho da crise no Supremo.
Com a divulgação das mensagens, Mendonça empurra a PGR a duas decisões:
– Ou concorda que existem indícios para investigar Alexandre de Moraes, abrindo a possibilidade de um futuro afastamento seja por decisão dos demais ministros do STF
– Ou por um processo de impeachment pelo Senado, ou recusa o pedido de Mendonça e amplifica o discurso de dezenas de candidatos ao Senado pelo país de que o STF é uma ‘casa de intocáveis’.
A decisão de incluir Alexandre de Moraes no processo é exclusiva do procurador-geral Paulo Gonet. A competência da investigação é do Ministério Público e não do STF.
Faltando 33 dias para a escolha de 54 senadores, Mendonça transformou Alexandre em personagem central das eleições.
(…)
Fonte: O Globo, Política, Opinião, 01/09/2026 14h13 Por Thomas Traumann
DIRETAS-JÁ, A REPÚBLICA MAIS CORRUPTA, INJUSTA E VIOLENTA DA HISTÓRIA DA HUMANIDADE MODERNA RECENTE ESTÁ PRESTES A EXPLODIR. Forças Armadas esfregam as mãos! Nomes da infernal e apocalíptica caixa de pandora serão revelados pelos leões-de-chácara do STF em favor vingativo de seus corruptos prediletos! Não sobrará nem mesmo a ‘’esperança’’ no fundo desse baú de todos os terrores políticos e religiosos escondidos! Estão preparados para a ditadura militar mais poderosa e sangrenta do século 21? Tenham medo, tenham muito medo! Adeus eleições! Adeus ‘’democracia’’ sufragista hedionda e tenebrosa de 40 anos, sistema político farsante, diabólico, maquiavélico, sanguinário, exterminador de cidadãos do bem, sistema governado por organizações criminosas praticantes de todas as infâmias, de todos os horrores e terrores contra um povo sem futuro! LUÍS CARLOS BALREIRA. PRESIDENTE MUNDIAL DA LEGIÃO CIENTÍFICA BRASILEIRA.