Fachin deu uma gargalhada falsa e vai trabalhar para excluir Alexandre de Moraes do STF

Fachin deixou claro: cargo no STF não pode servir de escudo. Agora, André Mendonça pretende levar o caso de Alexandre de Moraes ao plenário, e o voto de Cármen Lúcia poderá ser decisivo. A batata está ...

Charge reproduzida do Instagram

Carlos Newton

A frase famosa – “Uma imagem vale mais do que mil palavras” – é atribuída erradamente ao filósofo chinês Confúcio, que viveu lá atrás, há 2,5 mil anos. O verdadeiro criador da expressão foi o jornalista americano Arthur Brisbane (1864/1936), ao afirmar: “Use a picture. It’s worth a thousand words” (Use uma imagem. Ela vale por mil palavras), num evento para publicitários em 1911, quando o uso da fotografia, com a invenção do clichê, estava revolucionando a imprensa.

Na quinta-feira, a foto feita por Brenno Carvalho para O Globo tornou-se o assunto do momento, por mostrar a falta de seriedade dos ministros do Supremo diante da maior crise já vivida pela instituição. No flagrante, o presidente do Supremo, Edson Fachin, está rindo tanto que chegou a se entortar. Parece até ser cúmplice de Moraes.

APARÊNCIAS ENGANAM – No entanto, outro ditado imortal nos lembra que as aparências enganam. No STF, está acontecendo justamente isso, porque Fachin parece estar se divertindo junto com Moraes, mas sua gargalhada é falsa e na verdade ele está empenhado em facilitar que haja impeachment.

Outros ministros compartilham as gargalhadas, como demonstra a foto de Brenno Carvalho, um flagrante que faz lembrar a cena do então presidente Jânio Quadros todo entortado, na célebre foto do Correio da Manhã, que deu o Prêmio Esso de Fotojornalismo a nosso amigo Erno Schneider.

Depois da cena grotesca de quarta-feira, Fachin agiu com firmeza, ao dar cinco dias para a Polícia Federal, a Procuradoria-Geral da República e o relator André Mendonça para confirmarem suas posições sobre o pedido para abrir investigação contra Alexandre de Moraes no caso do Bando Master.

ESFRIOU O CLIMA – Assim, com maestria, Fachin esfriou o clima e deu também a Moraes o mesmo prazo de cinco para se explicar. Mas o ministro está de pavio curto, não quis nem saber e na manhã seguinte já pedia a destituição de Moraes por “abuso de poder”, através do Inquérito do Fim do Mundo, aquele que não acaba nunca e serve para tudo.

No entanto, foi um tiro no pé, porque Moraes se baseou num documento da Polícia Federal que é considerado sem valor probatório pela própria PF, não tem assinatura e foi entregue a Moraes pelo diretor da PF, Andrei Rodrigues, que está envolvido no caso Vorcaro junto com a namorada, a jornalista  e lobista Renata Varandas, e o presidente Fachin imediatamente retirou do inquérito interminável a falsa acusação contra Mendonça. 

Na próxima semana, passados os cinco dias,  na sexta-feira Fachin já terá recebido os relatórios dos ministros e das instituições que receberam intimação, vai distribuir cópias aos demais membros do STF e pode marcar para a outra semana a sessão que decidirá investigar e afastar Moraes por advocacia administrativa e outros crimes conexos, com base nas mensagens existentes nos celulares de Daniel Vorcaro.

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P.S.
Tudo isso significa que a decisão inicial contra Moraes poderá sair antes da eleição, que será dia 4 de outubro, com resultados devastadores para o candidato Lula, que cometeu o maior erro estratégico de sua vida pública, ao aceitar um jantar na casa de Moraes, um ministro que já se encontrava em putrefação e mesmo assim conduziu esse encontro comes e bebes para celebrar conluio de Lula com os presidentes da Câmara e do Senado, os nada recomendáveis Hugo Motta e Davi Alcolumbre, e tudo isso com a cumplicidade de outro ministro, Cristiano Zanin, que se comportou infantilmente, pois não tinha motivos para participar desse tipo de relacionamento vicioso. (C.N.)

7 thoughts on “Fachin deu uma gargalhada falsa e vai trabalhar para excluir Alexandre de Moraes do STF

  1. Alexandre de Moraes está desesperado

    O ministro Alexandre de Moraes está dando sinais de que está desesperado. Incluir André Mendonça no inquérito das Fake News foi uma atitude completamente absurda. Está fazendo exatamente o que acusa Mendonça de ter feito.

    E, pior, usou documento da Polícia Federal sem valor probatório para atacar. Deveria explica como teve acesso ao relatório. Mendonça nós sabemos, tem acesso porque é o relator do caso Master no STF.

    Evidente que Moraes quis criar confusão para ver se recupera um pouco o terreno. Mas ele não tem mais saída.

    A atitude de Fachin de ter retirado o pedido do inquérito das Fake News é uma demonstração clara de que ele fez uso indevido desse processo do qual foi acusado durante muitos anos de usá-lo para perseguir pessoas, e agora usa para se defender.

    É mais uma prova do seu desespero, e está usando todas as armas que tem à mão. Tenho a impressão de que o presidente do STF, Edson Fachin, vai acabar com esse processo.

    Ele agora tomou a dianteira, assumiu o caso e está me parecendo, pelas suas primeiras decisões, que o STF não pode deixar de se pronunciar e tomar providências.

    Ou a instituição ficará desmoralizada junto com Moraes e Toffoli, que já tinha tido seu caso abafado pelos colegas.

    O Globo, Opinião, 04/09/2026 19h41 Por Merval Pereira

  2. “Um tal de “relatório de inteligência” – em tese, também feito pela PF – do qual Moraes se valeu para acusar Mendonça de improbidade administrativa, abuso de autoridade e violação da Lei Orgânica da Magistratura Nacional, a bem da verdade, é uma peça tosca que mal vale o papel em que foi escrita.
    Não tem cabeçalho oficial, não é assinado por um delegado federal e consiste em uma série de ilações sobre objetivos políticos de Mendonça.
    No corpo do próprio texto, pasme o leitor, consta a advertência de que se trata de um documento “sem caráter decisório e sem valor probatório” e, ademais, de “baixa a moderada confiabilidade”.
    Foi com base nisso que Moraes pediu – e o presidente do STF, Edson Fachin, em boa hora recusou – que Mendonça fosse incluído no rol de investigados do inquérito das fake news.”

    Fonte: O Estado de S. Paulo, Opinião, 04/09/2026 | 16h40 Por Editorial

  3. “Um tal de “relatório de inteligência” – em tese, também feito pela PF – do qual Moraes se valeu para acusar Mendonça de improbidade administrativa, abuso de autoridade e violação da Lei Orgânica da Magistratura Nacional, a bem da verdade, é uma peça tosca que mal vale o papel em que foi escrita.

    Não tem cabeçalho oficial, não é assinado por um delegado federal e consiste em uma série de ilações sobre objetivos políticos de Mendonça.

    No corpo do próprio texto, pasme o leitor, consta a advertência de que se trata de um documento “sem caráter decisório e sem valor probatório” e, ademais, de “baixa a moderada confiabilidade”.

    Foi com base nisso que Moraes pediu – e o presidente do STF, Edson Fachin, em boa hora recusou – que Mendonça fosse incluído no rol de investigados do inquérito das fake news.”

    Fonte: O Estado de S. Paulo, Opinião, 04/09/2026 | 16h40 Por Editorial

  4. Alexandre de Moraes vandaliza o Supremo

    Ao declarar guerra a André Mendonça, ministro causa mais dano ao STF que os arruaceiros do 8 de Janeiro

    Sem quebrar um copo, o ministro Alexandre de Moraes infligiu ao Supremo Tribunal Federal (STF) um dano mais grave do que o causado pelos arruaceiros que tomaram a Corte de assalto no fatídico 8 de janeiro de 2023. Na quinta-feira passada, Moraes vandalizou a instituição em nome de sua defesa pessoal.

    O gatilho para a ira do ministro foi a revelação, feita por este jornal, de novos e inquietantes pormenores da promíscua – e potencialmente criminosa – relação entre ele e Daniel Vorcaro, que, como se sabe, celebrou um contrato de serviços advocatícios no valor de R$ 131 milhões com o escritório da mulher do ministro, Viviane Barci de Moraes.

    O teor das dezenas de mensagens extraídas de celulares de Vorcaro pela Polícia Federal (PF) sugere que Moraes atuava como uma espécie de consigliere do banqueiro vigarista – nada menos.

    Diante desse fato escabroso, o único caminho republicano seria Moraes se afastar voluntariamente do cargo, poupando o Supremo de ser atirado na fossa moral em que ele mesmo se meteu.

    Mas, em vez disso, o ministro acionou o “modo sobrevivência” e usou o famigerado inquérito das fake news, seu brinquedo de pequeno tirano, para declarar guerra ao colega André Mendonça, o relator das investigações sobre o Banco Master no STF, que ousou levantar o sigilo do relatório da PF e, assim, expôs o grau de proximidade entre Moraes e Vorcaro.

    Já um tal de “relatório de inteligência” – em tese, também feito pela PF – do qual Moraes se valeu para acusar Mendonça de improbidade administrativa, abuso de autoridade e violação da Lei Orgânica da Magistratura Nacional, a bem da verdade, é uma peça tosca que mal vale o papel em que foi escrita. Não tem cabeçalho oficial, não é assinado por um delegado federal e consiste em uma série de ilações sobre objetivos políticos de Mendonça.

    No corpo do próprio texto, pasme o leitor, consta a advertência de que se trata de um documento “sem caráter decisório e sem valor probatório” e, ademais, de “baixa a moderada confiabilidade”.

    Foi com base nisso que Moraes pediu – e o presidente do STF, Edson Fachin, em boa hora recusou – que Mendonça fosse incluído no rol de investigados do inquérito das fake news.

    É preciso dizer sem rodeios: o sr. Alexandre de Moraes e todos os que o protegem no STF – a começar pelo decano do tribunal, Gilmar Mendes – se tornaram, não de agora, a maior fonte de instabilidade democrática no País.

    Essa ala daninha da Corte traiu o espírito norteador da criação do Supremo Tribunal Federal, em 1891, e a transformou nessa aberração corporativista que ameaça afundar o Brasil em uma crise de tal magnitude que, no limite, pode pôr em risco a própria democracia.

    Para salvar a pele, Moraes ainda tenta impor uma falsa equivalência entre legítimas dúvidas técnicas a respeito da atuação de Mendonça como relator do caso Master e as suspeitas gravíssimas que pesam sobre si mesmo.

    Ao que tudo indica, Moraes aposta na confusão generalizada para, ao fim e ao cabo, evitar ter de responder sobre o mérito dessas suspeitas, fixando-se na forma como foram expostas.

    Também não se pode condenar quem veja em sua campanha iracunda a pavimentação do caminho até a nulidade de todas as investigações sobre o caso Master no STF – sonho de todos em Brasília que colocaram suas almas à venda para servir aos interesses comerciais de Vorcaro.

    Para piorar, o subproduto dessa crise é a instrumentalização escancarada da PF: ora acionada por Moraes para produzir “relatórios” a seu feitio, ora orientada pelo decano do STF a praticar desobediência civil, ignorando decisões de Mendonça que considere “ilegais”, ora ameaçada pelo próprio Mendonça com o afastamento de seu diretor-geral, Andrei Rodrigues.

    Uma corporação que deve primar pela atuação legal, técnica e republicana virou joguete nas mãos de autoridades movidas por suas próprias agendas.

    O STF se reergueu fisicamente dos escombros do 8 de Janeiro. É incerto, porém, se será capaz de se libertar do cativeiro em que foi aprisionado por Moraes, que faz da Corte refém de suas ambições. Agora cabe a Fachin liderar essa histórica missão de resgate.

    Se decidir fazê-lo, tomando as decisões que lhe cabem nessa hora grave, o ministro presidente pode estar certo de que terá do jornal O Estado de S. Paulo todo o apoio de que precisar.

    O Estado de S. Paulo, Opinião, 04/09/2026 | 16h40 Por Editorial

  5. STF Futebol Clube nunca falhou com Moraes, porque Moraes nunca falhou com ele

    Moraes não nasceu ontem, o Brasil o viu crescer. O poder do ministro cresceu num ambiente em que cada heterodoxia sua recebia guarida de parte da sociedade.

    Exposto em conversas indefensáveis com o hoje presidiário Daniel Vorcaro, o ministro Alexandre de Moraes sacou do coldre o inquérito das fake news e apontou-o para a cabeça do seu colega de Corte, André Mendonça, mergulhando o Supremo numa crise nunca vista.

    Ministros do STF se disseram perplexos. Democratas se abanaram. O presidente Lula apressou-se em afetar indignação.

    Ninguém duvida de que a crise é abissal. Mas tanta surpresa não se justifica. Alexandre de Moraes não acordou um dia transformado em Alexandre de Moraes. Tampouco virou sozinho o que é.

    Origem da audácia sem limites de Moraes

    Nessa transmutação, o inquérito das fake news é apontado como a origem da audácia aparentemente sem limites de Moraes. Menos lembrado é o episódio que o gerou.

    No dia 8 de fevereiro de 2019, a imprensa publicou que a Receita Federal fazia análises preliminares sobre a variação no patrimônio do ministro Gilmar Mendes e de sua então mulher, Guiomar Mendes.

    No dia 25, revelou-se que também a então mulher do ministro Dias Toffoli, Roberta Rangel, constava da lista de 133 contribuintes selecionados pela peneira da Equipe Especial de Programação de Combate a Fraudes Tributárias.

    As informações, protegidas por sigilo fiscal, foram vazadas irregularmente. Os ministros se enfureceram e, no dia 26 de fevereiro, a Receita informou não ter encontrado indícios que justificassem investigações contra Gilmar, Guiomar Mendes e Roberta Rangel.

    Gênese do Inquérito das fake News

    Essa foi a gênese do inquérito das fake news — nascido no dia 14 de março daquele ano. Embora o STF estivesse sob ataque — bolsonaristas pediam seu fechamento, e ministros eram ameaçados —, a cronologia e o objeto que Moraes conferiu à investigação revelam que ele surgiu menos da proclamada defesa da democracia que de um impulso de autopreservação:

    – Resguardar ministros e familiares dos efeitos da divulgação ilegal de informações patrimoniais que atingiam um ministro e as mulheres de dois integrantes da Corte — ambas advogadas, como Viviane Barci de Moraes, a mulher de Moraes.

    – A própria portaria inaugural do inquérito definia como objeto “notícias fraudulentas (fake news), denunciações caluniosas, ameaças e infrações (…) que atingem a honorabilidade e a segurança do Supremo Tribunal Federal, de seus membros e familiares”.

    Cinco dias depois, Moraes decidiu ampliar-lhe o escopo.

    No novo rol de crimes a ser investigados pelo doravante imortal 4.781, Moraes incluiu o vazamento de informações e documentos sigilosos destinado a atribuir ou insinuar a prática de ilícitos por integrantes do STF — fundamentos que agora invocou na destemperada tentativa, contida por Edson Fachin, de vingar-se do colega Mendonça.

    A partir daí, a história é conhecida:

    – À sombra do inquérito das fake news, Moraes censurou uma reportagem da revista Crusoé que mencionava Toffoli; suspendeu apurações da Receita sobre 133 dos 134 contribuintes selecionados e ordenou o afastamento de dois auditores; determinou que o Fisco rastreasse acessos aos dados de ministros e de cerca de cem parentes; e quebrou o sigilo da fonte de um jornalista que publicara reportagens sobre familiares do colega Flávio Dino.

    O poder de Moraes cresceu num ambiente em que cada heterodoxia sua recebia guarida de parte da sociedade não apenas em nome da excepcionalidade do combate ao golpismo, mas, da parte do STF, em nome do corporativismo também.

    O STF Futebol Clube nunca falhou com Moraes porque Moraes nunca falhou com ele.

    Diz-se que o poder absoluto corrompe absolutamente. Antes disso, porém, o poder excessivo costuma produzir algo mais banal — a perda de medida. O “posso porque preciso” de Moraes transformou-se pouco a pouco em “posso porque posso”.

    Moraes não nasceu ontem, o Brasil o viu crescer.

    A prosperarem os acordos que se avistam, ele se tornará presidente da Corte no ano que vem e, nessa condição, o rosto da Justiça brasileira. Essa aberração, os ministros ainda podem poupar ao país.

    Fonte: O Globo, Opinião, 05/09/2026 00h05 Por Thaís Oyama

    De indispensável leitura.

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