Guerra no STF suplanta esforço de acomodação de Fachin
Igor Gielow
Folha
O conflito entre ministros do Supremo Tribunal Federal já não se distingue da disputa eleitoral entre Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL). A ação da Polícia Federal sobre o caso “Dark Horse”, autorizada por Flávio Dino, por óbvio tem vida própria em termos de relevância, mas se encaixa na ordem de batalha político-judicial em curso.
Ela foi definida por André Mendonça ao revelar o relatório com suspeitas sobre Alexandre de Moraes na relação com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, após saber que o colega tinha tido acesso ao documento sigiloso.
“TIMING” – Se o que está colocado é gravíssimo para o agora ex-relator do inquérito das fake news, o “timing” favoreceu diretamente Flávio, filho do ex-chefe e responsável pela indicação de Mendonça à corte.
Ato contínuo, o presidenciável politizou o caso e mirou a associação política entre Lula e Moraes, esquecendo de forma conveniente a relação de seu grupo com Mendonça e, principalmente, o fato de que ele próprio é objeto de suspeita no caso Master.
Nenhum de seus argumentos sobre a relação com o “meu irmão” Vorcaro até aqui parou de pé: Flávio nunca apresentou a contabilidade do apoio alegado ao filme e sim, havia dinheiro público na empreitada.
CERCO – Talvez antecipando o que o próprio presidenciável vendeu a apoiadores como uma “facada” no 7 de Setembro na Avenida Paulista, a produtora do filme procurou Mendonça para tentar levar ao STF o cerco que a polícia paulista fazia sobre o caso.
Acabou vendo Dino, que associou o episódio com a investigação sobre emendas parlamentares sob sua guarda, tomar a frente. Com isso, a tática bolsonarista poderá acabar expondo o candidato a mais revelações, com impacto eleitoral ainda a ser definido. Isso dito, o PT já calcula o dano da crise.
Do ponto de vista de foco político, a ofensiva autorizada por Dino vem em socorro de Moraes em um momento delicado para o aliado. O ministro que conduziu a condenação de Jair Bolsonaro vinha trocando fogo de artilharia pesado com Mendonça.
FREIO DE ARRUMAÇÃO – Após a revelação de suas relações com Vorcaro, ele buscou enquadrar o colega, que reagiu mandando afastar do cargo o diretor-geral da PF e o chefe de inteligência do órgão, segundo ele mancomunados com Moraes. O presidente do Supremo, Edson Fachin, buscou sair da catatonia institucional em que se encontrava e apresentou um freio de arrumação na quarta-feira (9): suspendeu todas as medidas dos dois ministros rivais.
Ao mesmo tempo, emasculou Moraes ao removê-lo da relatoria do inquérito das fake news, ainda que tenha mantido todas as decisões tomadas até aqui. E marcou para terça (15) uma sessão do Supremo para discutir se ele será objeto de investigação.
EXPOSIÇÃO – Moraes está exposto como nunca esteve, e é sintomático que tenha cancelado o pronunciamento que faria nesta quinta apenas uma hora após anunciá-lo. Foi um raro sinal público de indecisão do combativo ministro. Um conhecido seu dos tempos de Secretaria de Segurança de São Paulo diz que nunca o viu tão pressionado, mas que isso não deve antecipar uma capitulação.
Ele lembra que Mendonça ainda terá a regularidade de suas decisões discutida, e que na disputa maior, Flávio tem mais a perder do que Lula no caso Vorcaro. Por um caminho diverso, independentemente de mérito ou premência, Dino acabou por recolocar o caso “Dark Horse” no topo do noticiário. A “Pax Fachini” proposta pelo presidente do Supremo durou poucas horas.
A operação suprema para blindar Moraes no Caso Master
Ministros do Supremo querem pedir vista do pedido de providências e depois suscitar nulidades processuais nas chamadas questões preliminares
Aliados do ministro Alexandre de Moraes no STF intensificaram, ao longo do fim de semana, a articulação para barrar o pedido de providências apresentado pelo ministro André Mendonça contra o ex-relator do inquérito das fake news.
A estratégia da ala ligada a Moraes é a seguinte: Em um primeiro momento tentar adiar a discussão para depois das eleições.
Ministros como Gilmar Mendes e Flávio Dino têm enviado recados ao presidente da Corte, Edson Fachin, falando sobre os impactos eleitorais do julgamento do pedido de providências, marcado para a próxima terça-feira.
A ideia desse grupo é fazer um pedido de vista já no início da sessão, antes mesmo da discussão das chamadas preliminares – que são questões processuais e formais inerente a qualquer julgamento.
Assim, seria possível, na visão dessa ala, preservar o Tribunal de eventuais impactos eleitorais. Esse caminho já foi pavimentado com a guerra de ofícios do final de semana.
Os ministros da ala Alexandrina vão argumentar que não tiveram tempo para analisar todas as provas do caso Master até o momento e que Mendonça demorou a derrubar o sigilo de boa parte das investigações.
Neste aspecto, essa ala pretende alegar, inclusive, que parte do material ainda está sob sigilo ou sob custódia da Polícia Federal.
No entanto, a ala ligada a Mendonça pretende antecipar votos justamente para obrigar a Corte, ao menos, a discutir as questões preliminares do julgamento. O próprio presidente da Corte avalia adotar essa providência.
Caso o pedido de vista não dê certo, a turma alinhada a Alexandre de Moraes deve suscitar dois tipos de nulidades a princípio: um alegar parcialidade do julgador, no caso o ministro André Mendonça, e argumentar que não houve por parte dos magistrados acesso integral às provas.
“Se um dos membros do colegiado possui essas informações, é prerrogativa dos demais membros do tribunal acessar aquilo que fundamenta a decisão que lhes cabe proferir. E, não deveria ser necessário lembrar, o plenário não é órgão do relator, mas colegiado cujos integrantes exercem jurisdição em condições iguais, sem hierarquia entre si”, disse Gilmar Mendes no ofício encaminhado a Fachin na noite deste domingo, 13.
Sobre esse último aspecto, a súmula vinculante 14 do STF deixa bem claro que “é direito do defensor, no interesse do representado, ter acesso amplo aos elementos de prova que, já documentados em procedimento investigatório realizado por órgão com competência de polícia judiciária, digam respeito ao exercício do direito de defesa”.
Mendonça, no entanto, nega que esteja agindo de forma parcial ou que tenha dificultado acesso as provas. Em resposta ao presidente do STF, o magistrado alegou que a divulgação de todo o material “colocaria em risco todo o seguimento e êxito das investigações”.
Outro ponto que – ironicamente – deve ser discutido pela turma alinhada a Moraes é a mistura das figuras de acusador, vítima e juiz por parte do ministro André Mendonça.
Justamente um argumento utilizado pelas defesas dos réus do 8 de janeiro ao questionarem a conduta de Moraes em todo aquele processo.
O Antagonista, Brasil, 14.09.2026 07:29 Por Wilson Lima
“O roubo se generalizou”, diz Alfredo Gaspar, candidato a vice de Flávio Bolsonaro
Ex-relator da CPMI do INSS critica duramente Alexandre de Moraes, acusa Lula de instrumentalizar a PF e defende as investigações sobre Lulinha
(…)
Revista Veja, Entrevista Páginas Amarelas, 11 set 2026, 13h59
https://veja.abril.com.br/paginas-amarelas/o-roubo-se-generalizou-diz-alfredo-gaspar-candidato-a-vice-de-flavio-bolsonaro/
Senhor Panorama , não deixe enganar , pois foi exatamente o ex-relator da CPMI do INSS Alfredo Gaspar , quem enterrou a CPMI do INSS , tanto por estar envolvido até ao pescoço , quanto seus comparsas congressistas e Flávio Bolsonaro .
Bem lembrado, Senhor José Carlos.
Grande abraço.