Corte monta esquema especial para análise de procedimento
Pepita Ortega
O Globo
Inédita, a sessão extraordinária do Supremo Tribunal Federal (STF) prevista para amanhã será marcada por um esquema de segurança reforçado, acesso restrito ao plenário e telões para que jornalistas possam acompanhar as discussões. No centro do julgamento, estará o relatório com mensagens enviadas pelo banqueiro Daniel Vorcaro ao ministro Alexandre de Moraes às vésperas da prisão do dono do Banco Master.
O julgamento está marcado para 10h, mas seu rito ainda segue sob indefinição. Normalmente, os debates no plenário do STF têm início com a manifestação de defesas e da Procuradoria-Geral da República, seguidas da leitura do voto pelo relator e, em seguida, há o debate pelos demais ministros do STF.
CREDENCIAMENTO PRÉVIO – As sessões do STF também são, via de regra, abertas ao público, com acesso ao plenário. Para terça-feira, no entanto, foi exigido um credenciamento prévio, similar ao que ocorreu, por exemplo, no julgamento sobre os atos golpistas de oito de janeiro.
Para jornalistas será montado um esquema para acompanhamento da sessão na marquise do prédio principal do STF. A Corte montará telões no local para que os repórteres possam acompanhar o julgamento. Os debates serão transmitidos pela TV Justiça e pelo canal do STF no YouTube.
Na pauta da sessão de terça está o procedimento que foi aberto pelo ministro André Mendonça para a identificação de interlocutores de Vorcaro nas mensagens identificadas no celular do ex-banqueiro. A partir desta decisão, a Polícia Federal elaborou um relatório apontando Moraes como o destinatário dos textos do dono do Master.
CRISE – Mendonça tornou o relatório público e submeteu para a análise do plenário do Supremo, inaugurando uma crise sem precedentes na Corte. Como mostrou O Globo, o documento levanta a suspeita de que Vorcaro recebeu orientações de Moraes no auge da crise da instituição financeira.
Durante um período de 13 dias, mensagens extraídas do celular do banqueiro mostram que ele pediu a intervenção do magistrado para impedir a liquidação do banco e o avanço das investigações. Nas conversas, Vorcaro faz apelos para “sensibilizar” autoridades e pergunta sobre como deveria proceder para “desarmar” e “reverter” a situação.
Moraes tem de ser investigado
Não é apenas o destino jurídico de um colega que está em jogo amanhã, mas a honorabilidade do Supremo. Cada ministro carregará para o resto de sua vida o peso do voto que proferir
O STF decide amanhã se Alexandre de Moraes deve ser investigado por suas supostas transações, potencialmente criminosas, com o banqueiro Daniel Vorcaro. Não deveria haver dúvida. Não deveria haver “alas” da Corte duelando em praça pública.
Deveria ser unânime a compreensão dos ministros votantes de que a sobrevivência de um Supremo republicano passa, necessariamente, por tratar Moraes como seria tratado qualquer cidadão na mesma situação que ele – nem com mais nem com menos rigor.
Ao fim e ao cabo, Suas Excelências dirão o que é o STF: se é um tribunal jurídica e moralmente íntegro, disposto a submeter seus integrantes aos mesmos comandos legais que valem para todos os brasileiros, ou se é uma casta que vira as costas para o Brasil decente e se fecha intra corporis ao ser exposta às suas próprias fraquezas.
A rigor, não é o caso concreto de Moraes que estará em julgamento, e sim a honorabilidade da mais alta instância judicial da República.
Por mais comprometedores que sejam os fatos, sobejamente conhecidos, não se trata, hoje, de condenar Moraes pelo que quer que seja. Nem sequer se discute, neste momento, o eventual oferecimento de uma denúncia contra o ministro. Estamos muitos passos atrás.
O que a sociedade civil espera dos ministros votantes é algo muitíssimo mais modesto: somente autorizar que se apurem os fatos suspeitos envolvendo um colega, fatos que, se atribuídos a qualquer outro cidadão deste país, já teriam ensejado a abertura de um inquérito policial há muito tempo.
Por indícios bem menos robustos do que os que ora pesam sobre o sr. Moraes, o STF já autorizou a investigação de outras autoridades com prerrogativa de foro por função.
Por tudo o que se sabe, não há razão jurídica – apenas corporativa – para que o julgamento seja outro apenas porque o eventual investigado veste uma toga e convive com seus julgadores.
Não são triviais as suspeitas que recaem sobre Moraes. O escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro, firmou um contrato de prestação de serviços no valor de R$ 131 milhões com o Banco Master – uma cifra muito superior ao que cobram escritórios de reputação e porte incomparavelmente maiores do que os da banca da sra. Barci de Moraes.
Para piorar, como revelou o Estadão (e o próprio escritório confirmou por meio de nota), o documento foi editado por Moraes em pessoa ao menos duas vezes antes de ser enviado ao Banco Master. Ou seja, uma atividade tipicamente advocatícia que um ministro do STF, obviamente, jamais poderia executar.
Só isso já é razão mais do que suficiente para que Moraes seja investigado pela Polícia Federal e, nessa condição, afastado do cargo.
Cada ministro que tomar assento no plenário do STF amanhã carregará, para o resto de sua vida, o peso do voto que proferir. Não é exagero retórico: é a exata dimensão do que está em jogo. Autorizar a abertura de investigação nada tira de Moraes, como de resto não tira de qualquer cidadão brasileiro.
Ao ministro estarão assegurados os direitos ao silêncio, à assistência por advogado durante toda a investigação e, sobretudo, à presunção constitucional de inocência até o eventual trânsito em julgado de sentença penal condenatória.
Já negar a abertura de investigação contra Moraes, seja sob um pretexto corporativista qualquer, seja por chicana, equivale a afirmar, publicamente, que o STF dedica aos seus um regime de exceção extremamente benevolente. E isso permanecerá para sempre marcado na imagem e na história da Corte, com consequências imprevisíveis para a democracia brasileira.
Aos senhores ministros que eventualmente ainda possam estar hesitantes, sejam quais forem suas razões, vale lembrar: a dúvida não é sobre a culpabilidade de Moraes – matéria para a conclusão de uma eventual ação penal contra ele, não para o julgamento de amanhã –, mas sobre que instituição pretendem legar ao Brasil.
Um STF que aplica a si mesmo o rigor que aplica à Nação, ou um STF que se dobra a lealdades corporativas ou conveniências políticas de ocasião. Não há gradações possíveis.
Amanhã, cada ministro votante deve dizer, de viva voz, a qual STF deseja pertencer.
O Estado de S. Paulo, Opinião, 14/09/2026 | 15h28 Por Editorial
As vidas ” pregressas ” de Alexandre de Moraes e André Mendonça , tem que serem investigadas e viradas pelo avesso .
Acredito muito em São Tomé.
“Ver para crer”
Muito blá blá blá..o cheiro é de Pizza.
Senhor Luiz Fernando/POA , sou obrigado a dar-te o braço á torcer , pois para investigar um juiz do STF , terão que investigar todos os demais , se é que o juiz relator André Mendonça já não o fez na surdina , tal como fez com o Alexandre de Morais .
Senhor Luiz Fernando/POA , sou obrigado a dar-te o braço á torcer , pois para investigar um juiz do STF , terão que investigar todos os demais , se é que o juiz relator André Mendonça já não o fez na surdina , tal como fez com o juiz Alexandre de Morais , por isso sua ” oposição e resistência ” em liberar e permitir que seus colegas tenham acesso a integra de todos os materiais comprobatórios colhidos ao longo das investigações .
Barci de Moraes contratou três consultorias jurídicas para atender o Master…
https://economia.uol.com.br/colunas/mariana-barbosa/2026/09/15/barci-de-moraes-concentrou-pagamentos-do-master-para-mais-tres-escritorios.htm?cmpid=copiaecola
“Cada enxadada, uma minhoca”
“Quando o machado entrou na floresta, uma das árvores falou: Não se preocupem, o cabo é um dos nossos!”
(Provérbio árabe).
“Há uma lição profunda escondida nessa frase.
Nenhuma floresta teme apenas o ferro. O ferro sozinho não derruba árvores. O que torna o machado poderoso é justamente a parte que veio da própria floresta. A destruição muitas vezes não começa do lado de fora; ela encontra força quando algo de dentro decide servir ao que a ameaça.
Na vida, os maiores perigos raramente vêm dos inimigos declarados. Destes sabemos nos defender. O verdadeiro risco surge quando princípios são vendidos, quando a lealdade é trocada por conveniência e quando alguém esquece suas raízes em troca de vantagens passageiras.
A história mostra que povos, famílias, empresas e nações dificilmente caem apenas pela força externa. Antes da queda, geralmente existe uma rachadura interna. Existe alguém disposto a abrir os portões, a enfraquecer os alicerces ou a negociar aquilo que deveria proteger.
Mas essa reflexão não serve apenas para apontar os outros. Ela nos obriga a olhar para dentro. Quantas vezes somos o cabo do machado contra nossos próprios sonhos? Quantas vezes nossas escolhas fortalecem aquilo que nos destrói? Quantas vezes abandonamos nossos valores para agradar, para lucrar ou para evitar conflitos?
O ferro corta. Mas é a madeira que lhe dá direção.
Por isso, a maior vigilância não deve ser contra os inimigos que vemos, mas contra as pequenas concessões que fazemos àquilo que ameaça nossa essência. Porque uma floresta permanece forte enquanto suas árvores se lembram de quem são. E nenhum machado é realmente perigoso até que encontre, dentro dela, alguém disposto a ajudá-lo.
A traição mais devastadora não é a que vem de longe. É a que nasce das próprias raízes.”
PS. O necessário e desassombrado alerta para despertar aos que em pretensas muralhas, anulando-se em seus dons divinos, foram arregimentados e egoisticamente juntaram-se impedidos de desenvolve-los como soluções, pois mantidos pelo caos e a desordem que lhes proporciona as multilaterais primeiras poltronas, crendo-se desassemelhados e sem pátria definida e como apátridas, tidos “cidadãos do mundo”.
A tida “Tribo de Efraim”.
“Recado do Altíssimo”:
“Quanto a Efraim, a sua glória como ave voará, não haverá nascimento, não haverá gestação nem concepção.
Ainda que venham a criar seus filhos, contudo os privarei deles para que não fique nenhum homem. Ai deles, quando deles eu me apartar!
Efraim, assim como vi a Tiro, está plantado num lugar aprazível; mas Efraim levará os seus filhos ao matador.
Dá-lhes, ó Altissimo; mas que lhes darás? Dá-lhes uma madre que aborte e seios secos.
Toda a sua malícia se acha em Gilgal, porque ali os odiei; por causa da maldade das suas obras lançá-los-ei para fora de minha casa. Não os amarei mais; todos os seus príncipes são rebeldes.
Efraim foi ferido, secou-se a sua raiz; não darão fruto; sim, ainda que gerem, matarei os frutos desejáveis do seu ventre.
O Altíssimo os rejeitará, porque não O ouviram, e errantes andarão entre as nações.”
Oséias 9:11-17
“Gilgal” significa literalmente “círculo de pedras eretas”,