Lula sobe o tom e cobra mais trabalho e desenvoltura dos ministros

A absurda precarização da rede federal de hospitais do Rio de Janeiro

Materiais vencidos custaram mais de R$ 20 milhões

Pedro do Coutto

A reportagem exibida no último domingo no Fantástico, na TV Globo, sobre a situação de calamidade em que se encontram os hospitais federais no Rio de Janeiro revela a necessidade de uma revisão permanente na situação das unidades de Saúde, pois o que foi demonstrado é inacreditável, consequência da irresponsabilidade  e da omissão de setores responsáveis pela manutenção de equipamentos que salvam vidas humanas.

O Fantástico teve acesso com exclusividade aos seis hospitais da rede federal do Rio de Janeiro e constatou uma série de precariedades estruturais, materiais médicos vencidos e milhares de pacientes esperando por atendimento. Por trás desse cenário, uma longa lista de denúncias sobre loteamento nesses hospitais.

DISPUTA – Há décadas, cargos cobiçados na direção das unidades são disputados por grupos políticos, que indicam nomes para funções sem o devido critério técnico. Em muitos casos, esses apadrinhados estão sendo investigados por denúncias sobre ineficiência, negligência e corrupção.

Impressionante o enorme problema que vem se estendendo há muito tempo e que agora a ministra da Saúde, Nísia Trindade, tem pela frente. A situação calamitosa nos hospitais exibidos, vale repetir, vem de um processo lento e gradual. São descalabros em série envolvendo vidas e que faz lembrar que a situação exibida não é um fato isolado, pois pode estar atingindo vários outros setores da administração pública federal.

A ministra garantiu ainda que não haverá qualquer tipo de influência na gestão dessas unidades. “Hoje, não há grupo político dono desses hospitais, do ponto de vista da sua gestão. Isso posso dizer com toda a clareza”. O Tribunal de Contas da União, que fiscaliza as atividades dos hospitais federais no Rio de Janeiro, vai acompanhar de perto a mudança na gestão das unidades.  “A má gestão desses hospitais é crônica, eu posso te dizer que ela é crônica, por isso vamos avaliar. Deve ter muita gente incomodada, mas é necessário dar esse passo”, disse Vital do Rêgo, ministro do TCU.

NA FILA – Referências no atendimento de alta complexidade, os hospitais federais do Rio realizam procedimentos como tratamentos de câncer, cardiologia e transplantes. Para 2024, o orçamento passa de R$ 862 milhões. Ainda assim, mais de 18 mil pacientes aguardam algum tipo de procedimento cirúrgico. Em muitos setores dos hospitais, os aparelhos médicos estão quebrados e caixas de materiais vencidos ou danificados — como utensílios cirúrgicos e próteses ortopédicas, cujo valor passa dos R$ 20 milhões.

É preciso montar equipes permanentes capazes de fiscalizar e apontar a real situação dos serviços voltados para a população, sobretudo a de menor rendimento. Nas condições verificadas, o panorama revelou condições calamitosas, e isso precisa ser revisto e combatido com a máxima urgência. É preciso que novas normas sejam traçadas na atual administração, determinando ações efetivas e de máximo rigor em suas apurações.

Lava Jato forneceu ao país um cenário de corrupção e deve ser avaliada de forma ampla

Charge do ZéDassilva (nsctotal.com.br)

Pedro do Coutto

Numa entrevista ao jornal Estado de S. Paulo de domingo, o ministro aposentado do Supremo Tribunal Federal, Marco Aurélio Mello, colocou em discussão aspectos da atual atuação da Corte Supremo sobre a Operação Lava Jato, acentuando que o STF ajudou a enterrar a Lava Jato.

“O que eu acho é que houve uma concepção equivocada por parte do Supremo. Só não houve a mesma concepção quanto ao Mensalão porque foi o Supremo quem julgou, aí evidentemente o tribunal ficaria muito mal na fotografia se viesse a declarar vícios na investigação e no próprio processo-crime.”

ANULAÇÃO – A questão não se reveste apenas de um lado, pois não há dúvida de que a operação Lava Jato forneceu ao país um cenário de corrupção então existente. Mas o fato é que o STF, meses depois dos julgamentos de Moro, envolvendo inclusive o atual presidente da República, anulou as condenações impostas a Lula, definindo como parciais os julgamentos do foro de Curitiba.

Entretanto, é preciso distinguir os efeitos da operação à época. A Lava Jato, repito, foi importante no país e seus exageros no julgamento não invalidam o aspecto principal da questão que se encontra no combate à corrupção. Tanto assim que várias empresas firmaram acordos de leniência, logo ficando evidente o reconhecimento de ilegalidades cometidas pelas organizações. Essa questão é impossível de ser ignorada.

SUSPENSÃO – Em entrevista ao Estadão, o ministro aposentado conta também que não vê com bons olhos a decisão de Dias Toffoli que suspendeu o pagamento das parcelas dos acordos de leniência firmados pela J&F e pela Odebrecht na Lava Jato.

“O grande problema é que nós passamos a ter, não pronunciamentos de órgão único, que seria o Supremo reunido em plenário, mas a visão individual de cada qual. Hoje a insegurança grassa, o que é péssimo. E mais do que isso: grassa o descrédito da instituição.”

O processo da Lava Jato, apesar de alguns percalços, funcionou como medida preventiva para evitar novos excessos, não só através dos julgamento de responsáveis, mas também como uma forma de confissão, pois a leniência decorre da aceitação da acusação, ainda que as empresas envolvidas agora tenham voltado às suas atividades. O importante agora é distinguir todo o processo que envolveu a Lava Jato e não apenas um lado da questão.

Confirmação de trama golpista por Bolsonaro aumenta temperatura política no país

Charge do Nando Motta (brasil247.com)

Pedro do Coutto

A divulgação do processo sobre a tentativa de golpe do ex-presidente Bolsonaro contra o resultado das urnas de 2022 e, portanto, contra a posse do presidente Lula, ganhou uma dimensão muito grande, sobretudo quando o general Freire Gomes confirmou o encontro em que admitiu até a hipótese de prender o ex-presidente da República pela elaboração de um plano envolvendo comandos militares num desfecho contra a democracia.

Com isso, o panorama ganha uma nova dimensão e torna possível o julgamento e a condenação dos envolvidos, o que causará um reflexo e um impacto muito forte na opinião pública. A polarização ganhará mais intensidade e o quadro político terá a sua temperatura elevada.  Afinal de contas, ficou nítido o impulso golpista e a sua inevitável vinculação com o 8 de janeiro e com as consequências lógicas de uma situação que expõe Jair Bolsonaro e sua equipe próxima.

INVESTIDA – O problema é grave na medida em que vai avançando a possibilidade de prisão. Claro que as sentenças terão que ter foco nos principais articuladores da investida antidemocrática. A cada etapa, evidencia-se uma perspectiva de agravamento do cenário nacional. As consequências refletem a rota de colisão cada vez mais clara em virtude dos depoimentos e de sua divulgação.

As eleições de 2024 vão incluir as duas correntes e será um balanço de forças com a ideia de uma tentativa de golpe que fracassou. A opinião pública tem a possibilidade de incluir o debate institucional com questões municipais. É esse panorama para as urnas que se aproximam. A democracia venceu nas eleições de 2022 e precisa vencer novamente em 2024. Portanto, o desafio está posto no tabuleiro político, envolvendo a integração dos problemas comunitários com o quadro nacional.

Depoimento de ex-comandante explode versão de Bolsonaro e complica a sua defesa

Depoimento de Gomes é tão grave quanto o de Mauro Cid

Pedro do Coutto

A situação de Jair Bolsonaro se complicou com o depoimento do general Freire Gomes, inclusive porque apesar de não haver indícios de fraudes nas eleições de 2022, o ex-presidente persistiu na tentativa de golpe. O problema agora é como o governo irá lidar com as próximas ocorrências diante das constatações reveladas no inquérito conduzido pela Polícia Federal.

Esse problema se revela como sendo fundamental porque militares resistiram e negaram qualquer apoio à tentativa golpista. O general Freire Gomes foi o primeiro do Alto Comando a negar qualquer procedimento contra a legitimidade das eleições. O militar revelou também que Bolsonaro estava de posse de uma minuta com conteúdo golpistas.

TRAMA – Após os esclarecimentos contundentes e depoimentos divulgados, o que poderá acontecer? O relator do caso no Supremo é o ministro Alexandre de Moraes, o que revela uma tendência clara de levar à condenação do ex-presidente da República e dos demais implicados na articulação do 8 de janeiro, sem dúvida alguma tramada claramente por Bolsonaro.

O tenente-brigadeiro do Ar Carlos de Almeida Baptista Junior, ex-comandante da Aeronáutica, em depoimento à PF afirmou que também contestou os ataques às urnas pelo ex-presidente. Nos próximos dias, o desenrolar dos fatos será encaminhado para uma etapa crítica, com episódios tão previsíveis quanto difíceis de serem avaliados. Como será o julgamento de Bolsonaro e de alguns comandantes é a pergunta que a lógica dos fatos conduz.

NEGATIVA –  O fato essencial é que só não houve golpe de Estado em face da negativa do comando militar. Tem que ser considerado também a posição do ex-ministro Anderson Torres que tinha em seu poder uma minuta do decreto golpista.

Torres quando se encontrou com Bolsonaro nos Estados Unidos foi também o homem que, nomeado secretário de Segurança de Brasília, transformou-se num agente importante na articulação que não deu certo. O problema agora, conforme dito, é verificar o que poderá vir nos próximos dias. O golpismo transformou-se em algo absolutamente absurdo e assim deverá ser julgado.

Iniciativas de governo devem ser direcionadas aos interesse público

Governo deve potencializar projetos e alavancar aprovação de Lula

Pedro do Coutto

O governo está pronto a receber propostas de planos de comunicação pelas empresas especializadas no setor, mas o projeto de comunicação capaz de deter a queda da popularidade do presidente Lula da Silva dependerá do conteúdo de suas ações. As empresas de comunicação são notoriamente eficientes, incluindo o acesso às redes sociais da internet. Mas é preciso que se divulguem iniciativas de governo que possam ir ao encontro da opinião pública cumprindo assim compromissos assumidos na campanha eleitoral.

O cenário nacional está conturbando, a começar da divergência entre o Senado e o Supremo Tribunal Federal quanto à questão do porte de drogas. Onde fica a população no meio de tais dúvidas?

PREOCUPAÇÃO – A questão da Petrobras também continua sendo um ponto de preocupação do governo e está marcado um novo encontro do presidente da Petrobras, Jean Paul Prates com o presidente Lula.

A questão é a participação da Petrobras num programa mais amplo de energia limpa e no combate aos problemas sociais do país. A Petrobras também tem compromisso com os seus acionistas, um deles, inclusive, o próprio governo. Os temas são vários e complexos como pode ser visto.

FAKE NEWS – O inquérito das fake news no STF completou ontem cinco anos. Em 2020, com apenas um voto contrário, o Supremo  validou o inquérito ao apreciar uma ação que questionava sua legalidade. Relator do inquérito, o ministro Alexandre de Moraes virou alvo preferencial de bolsonaristas e acumulou poder a partir da concentração de relatoria de uma série de apurações, com decisões vistas como duras e, por muitas vezes, controversas.

O tempo decorrido de investigação é bastante longo. De fato, vivemos uma situação extraordinária. O Supremo reagiu à altura e não o fez contra a lei, mas a partir de uma margem legal que lhe foi conferida pelo regimento. Um inquérito durar cinco anos não é o mais adequado, mas não há ilegalidade por si só.

COMBATE – As fake news, potencializadas pela inteligência artificial, precisam ser combatidas com rigor. Relatos crescentes de pais que perderam filhos para a desinformação, levando crianças e adolescentes a tirarem a própria vida, destacam a urgência da situação. A monstruosidade do mundo virtual das mentiras não conhece limites.

Nesta semana, o presidente do Senado Federal, Rodrigo Pacheco disse que as fake news propagadas nas redes sociais são “algo insustentável” e pediu a responsabilização das plataformas. “De fato, está ficando insustentável a quantidade de mentiras na internet. E, realmente, está uma coisa fora do comum, exagerado, sem limite. E eu acho que cabe às plataformas ter um pouco de responsabilidade em relação a isso, independente da lei até, acho que seria uma questão ética mesmo”, disse Pacheco em sessão no Plenário do Senado.

O próprio Pacheco foi alvo de fake news: “Disseram que eu sou a favor de poligamia, de mudança de sexo de criança e um monte de outras coisas mais. Então, isso, evidentemente, uma mentira completamente sem eira nem beira, que vira uma verdade para um monte de pessoas”, afirmou.

PERÍODO ELEITORAL – Segundo o presidente do Senado, as informações falsas atribuídas a ele podem ser corrigidas, mas a situação se complica durante o período eleitoral. “Isso em um período eleitoral, em que o período é curto para conhecer as propostas de alguém, manipular as informações com mentira e com desinformação, com a busca de deturpar a realidade e ferir a reputação das pessoas, é algo realmente insustentável. Nós não podemos mais conviver com isso.”

O congressista citou o PL 2.630/2020, chamado de “PL das fake news”, que foi aprovado pelo Senado e aguarda análise da Câmara dos Deputados. “O Senado Federal já aprovou um projeto de lei de combate a fake news para colocar limites a essas plataformas digitais. Está na Câmara dos Deputados. Espero que a Câmara discipline essa questão”, afirmou.

Embora o Supremo Tribunal Federal (STF) esteja comprometido com o combate à desinformação, cabe aos deputados e senadores chegarem a um consenso sobre as regras que se tornarão lei. Os líderes de todos os partidos devem ser convocados para o debate, respeitando os princípios democráticos.

Governo federal decide fazer ‘rodízio’ para ‘oxigenar’ conselhos de estatais

Costa afirmou que governo fará mudanças nos conselhos de estatais

Pedro do Coutto

O ministro da Casa Civil, Rui Costa, afirmou nesta terça-feira, que o governo fará mudanças nos conselhos de outras estatais, além da Petrobras. Segundo o ministro, a medida visa “oxigenar” os conselhos de administração das empresas. Costa não informou quais estatais terão mudanças.

O presidente da República, Lula da Silva, quer agora estabelecer um sistema de rodízio dos conselhos das empresas estatais. Na verdade, a modificação tem como objetivo a Petrobras, cujos problemas recentes quanto à distribuição dos dividendos incomodou o Palácio do Planalto ao ponto de levar ao Ministério da Fazenda ter um assento no Conselho da empresa.

ARTICULAÇÃO – De um modo geral, entretanto, o episódio e o projeto agora de rodízio demonstram uma falta de articulação do governo, em alguns momentos com o Congresso, e em outros com as empresas estatais que ganharam a autonomia, o que causou uma contrariedade no governo.

Não se pode entender direito o que está se passando, pois fica nítida uma divergência de projetos que estão tumultuando a pauta administrativa do Executivo, sobretudo num momento em que a aprovação do atual governo no primeiro ano de funcionamento apresenta recuos enquanto a desaprovação cresceu. As pesquisas do Ipea e do Datafolha revelam no fundo um esgarçamento da malha administrativa que deveria apresentar uma sintonia maior com o Planalto.

NA PAUTA  – Na esfera do Supremo Tribunal Federal, ums dos temas na esfera de discussão  está a separação de quantidades pequenas de maconha e o transporte de doses maiores que si representam o comércio ilegal. O consumo é uma coisa, o tráfico é outra. Mas não pode haver consumo sem tráfico uma vez que a maconha não é comercializada direta e abertamente.

Mas se compreende que a legislação separe esses dois aspectos, sobretudo para não ampliar  a margem de pessoas presas cuja detenção levará milhares de indivíduos a ingressarem no sistema penitenciário, o que terminaria ocasionando uma infeliz escala de aumento da criminalidade. São opções que têm que ser feitas pelo governo, pois o tempo tem demonstrado a ineficácia da repressão ao porte de quantidades pequenas e sua diferença de uma posse maior do produto.

A Comissão de Segurança e Justiça do Senado decidiu ontem sobre o projeto que praticamente colide com a decisão da Corte Suprema, cuja tendência é evidente no sentido de separar o transporte da droga para uso pessoal e o transporte de quantidades maiores para a comercialização ilegal e que não interessa à socidade e nem ao proprio governo. São temas, todos eles, marcados por controvérsias. Mas essas têm que ser eliminadas, pois as proposições no Senado e no STF têm rumos diversos.

Decisão do governo deixou nítida uma restrição a Jean Paul Prates

Lula reuniu integrantes do Executivo e da Petrobras por mais de três horas

Pedro do Coutto

O presidente da Petrobras, Jean Paul Prates, afirmou, após reunião com o presidente Lula da Silva e com ministros na última segunda-feira, que continuará no cargo e que uma possível troca não foi tratada no encontro. É evidente que o presidente Lula da Silva interveio na Petrobras na questão da distribuição de dividendos. Se não fosse para intervir na empresa, não faria sentido a inclusão de um representante do Ministério da Fazenda no Conselho da empresa.

De outro lado, destacam-se as declarações de Lula criticando o que considerou “choradeira de investidores”. É evidente o atrito entre Jean Paul Prates, presidente da Petrobras, com o ministro Alexandre Silveira. Para acrescentar, Lula anunciou a sua pressa em colocar representantes do Ministério da Fazenda, indicado portanto por Haddad, no Conselho da Estatal.

RESTRIÇÃO – A decisão do governo deixou nítida uma restrição a Jean Paul Prates na questão, embora o governo tenha acentuado que Prates permanece na presidência da Petrobras. Só o anúncio de que Prates permanecia serve para reforçar a análise sobre a sua decisão modificada pelo governo com base no controle acionário da Petrobras.

O episódio desta semana inclui-se assim em vários outros que o antecederam. O Planalto apresentou como justificativa a necessidade de que a empresa precisa de mais recursos para existir e também a necessidade de aplicação de uma parcela do lucro para setores que possuem vinculação direta com o desenvolvimento social e com a melhoria das condições de vida da população.

Entretanto, esse é apenas um aspecto, pois existem vários outros embutidos na atividade de exploração do petróleo que inclusive levou o nosso país à condição de exportador. O problema do petróleo para nós brasileiros desloca-se para o setor de refino, já que enquanto somos exportadores de óleo bruto, o que leva à participação de uma receita alinhada com os níveis de preço, somos importadores de óleo diesel, de gasolina e produtos refinados.

Datafolha: Boulos e Nunes empatam na corrida eleitoral de São Paulo

Empate técnico reflete a continuidade da polarização no país

Pedro do Coutto

A pesquisa do Datafolha revelou que Guilherme Boulos e Ricardo Nunes lideram tecnicamente empatados a corrida eleitoral de 2024 para a Prefeitura de São Paulo, acentuando um equilíbrio entre Guilherme Boulos e Ricardo Nunes. Boulos marca 30% e Nunes tem 29% — estão isolados do segundo pelotão de pré-candidatos.

A deputada Tábata Amaral aparece em terceiro lugar com oito pontos. O embate que evidentemente mantém a polarização atual, traça perspectivas não só em 2024 na luta pelas prefeituras, mas também, reflete uma projeção mais longa para 2026. A eleição da cidade de São Paulo deverá ir para o segundo turno, mas o desempenho de Nunes demonstrou uma surpresa, principalmente em relação às pesquisas anteriores.

CONFRONTO – O equilíbrio na cidade de São Paulo é um fato positivo para o bolsonarismo, uma vez que a capital do estado sempre registrou vantagem para o PT nos confrontos ocorridos. Nas eleições para a Presidência da República em 2022, Bolsonaro obteve grande vantagem no estado, mas perdeu para Lula na capital. Lula, sob outro prisma, obtém uma vantagem para Boulos, mas é preciso considerar que ele possui os instrumentos da máquina na mão. O confronto político, portanto, esquentou novamente.

Outras capitais, como o Rio de Janeiro, têm grande importância no xadrez político, mas nenhuma com peso maior do que a cidade de São Paulo, palco de embate entre lulistas e bolsonaristas. O sinal de alarme disparou no convés do poder quando a aprovação de Lula caiu na última pesquisa. Interessante verificar o roteiro dos índices dentro da área municipal, uma vez que a aprovação e a desaprovação evidentemente estão mais refletidos no combate na cidade de São Paulo.

De qualquer forma, Nunes teve um avanço considerável, enquanto Boulos ficou praticamente estacionado. As posições assim precisam ser reavaliadas, até porque o aspecto da cidade de São Paulo tem grande importância para o país.

Renda do trabalho dos brasileiros tem a maior alta dos últimos anos

Lula retomou o aumento para o salário mínimo acima da inflação

Pedro do Coutto

A pesquisa do Ipea, objeto de reportagem de Fernando Canzian, Folha de S.Paulo, apontou um crescimento expressivo na renda do trabalho em 2023 na escala de 11,7%, o maior salto desde o Plano Real, quando a queda abrupta da inflação, a partir da metade de 1994 e em 1995, promoveu forte aumento do poder de compra no país.

Entretanto, os componentes considerados para esse patamar, que é francamente positivo, encontram-se nos programas sociais, a exemplo do Bolsa Família e do Auxílio Brasil, que repassam recursos para os grupos de renda menor. O importante, no caso, não é apenas assinalar o progresso do rendimento, mas se os mesmos refletem o pagamento de salários que incluem também os programas de apoio social com a transferência de recursos estatais para os grupos mais desfavorecidos da população.  

NÍVEL DE EMPREGO – De qualquer forma, o aumento verificado na renda do trabalho deve incluir a melhoria do nível de emprego que realmente significa um avanço positivo. Inevitavelmente, a confirmação da ascensão do produto do trabalho tem que ser observado no nível de consumo da população, o que representa sem dúvida a retomada de um processo de desenvolvimento social.

É preciso analisar quais os setores de consumo foram os mais atingidos, a começar pelo setor da alimentação. De outro lado, o crescimento de 11,7% resulta de uma comparação com o exercício de 2020, quando a remuneração do trabalho estava oprimida com a política do ministro Paulo Guedes durante o governo de Jair Bolsonaro. Analistas destacam inclusive a necessidade de se examinar um reflexo causado por um processo de alavancagem com base principalmente no salário mínimo.

CRESCIMENTO  – De fato, o salário mínimo avançou acima da inflação, mas os demais salários, que são múltiplos do piso, não apresentam o mesmo crescimento. Curioso também é comparar a pesquisa do Ipea com a pesquisa do Ipec que apontou no sábado uma perda de popularidade do presidente Lula exatamente nessa área que no país é relativamente majoritária.

Se o salário aumentou acima da inflação, tal processo há de refletir no poder de compra. Enfim, o resultado não deixa de ser positivo para o governo e para os trabalhadores. Entretanto, é necessário analisar-se as consequências no processo de justiça social, conforme acentuei.

A análise política dos fatos deve estar voltada para um processo que exige uma sequência que, ao que tudo indica, terá que seguir em frente, pois qualquer impulso menos intenso na área salarial representará um desastre. O governo Lula deve estar comemorando o avanço que resulta também da área da Fazenda.

Avaliação positiva do governo Lula cai e acende alerta no Planalto

Pesquisa aponta queda de cinco pontos na avaliação positiva

Pedro do Coutto

A pesquisa do Ipec divulgada revela uma queda sensível na aprovação do governo Lula e, ao mesmo tempo, uma ascensão dos que consideram o seu governo como ruim. A sua gestão, segundo o instituto, é aprovado por 33%, mas rejeitado por 32% da população. Enquanto isso, cerca de um terço o considera regular. Portanto, o que deve preocupar o Planalto é o fato de em relação às últimas pesquisas ter se registrado uma perda crescente de apoio.

Sinal de alarme no convés do governo e o resultado que o Ipec aponta é extremamente ruim, pois não se pode esquecer que o governo tem em suas mãos os instrumentos de realização. Se não está executando é porque não se mostra competente para cumprir uma missão que dirige-se totalmente no sentido da opinião pública. A insatisfação tem causas definidas e várias delas facilmente perceptíveis.

VENEZUELA – Questões políticas como a da Venezuela, que reúne preocupações do governo brasileiro no sentido equivocado, é um desses motivos. Afinal, por que se preocupa tanto o presidente Lula com aquele país, quando tem pela frente diversas questões no front interno que devem ser tratadas com eficiência ? A questão da Petrobras, por exemplo, é um dos fatos que também sintetiza erros de rumo.

O governo tem as engrenagens nas mãos, conforme já falei. Se não as exerce produtivamente em favor da população de forma geral é porque está errando em algum lugar. Com isso, a oposição ressurge em meio a um panorama conturbado enquanto a Polícia Federal aprofunda as suas investigações e ouve depoimentos críticos sobre a atuação de um setor militar que envolveu praticamente os destinos do país.

A ação de uma minoria das Forças Armadas é um capítulo ultrapassado. Porém, de qualquer forma, vincula-se a uma parcela a opinião ponderável da população que não concorda e não se alinha com o governo.

PERDA DE ESPAÇOS – Um detalhe fundamental que deve estar preocupando muito o governo Lula é a sua perda de espaços nas classes de renda menor que pela primeira vez demonstram sinais de insatisfação. No geral, o governo Lula tem uma diferença mínima em seu favor, refletido no placar de 33% a 32%. Mas um outro aspecto é crítico, o índice de aprovação do governo vem em queda bastante sensível e o índice de desaprovação vem subindo. O impasse assim se configura num quadro absolutamente negativo.

O governo precisa analisar a fundo o resultado da pesquisa do Ipec porque se a tendência de queda se mantiver, o governo estará entrando num período muito difícil, tanto para ele quanto para a própria população que está retirando a confiança e o entusiasmo transmitidos nas urnas de 2022 e que estão se diluindo sem que o governo até hoje tenha percebido.

O reconhecimento do papel da mulher na sociedade brasileira

A independência da mulher é um fato de absoluta justiça

Pedro do Coutto

Ontem foi comemorado o Dia Internacional da Mulher. A data não deveria ser apenas comemorada, mas também gerar efeitos concretos nos relacionamentos sociais do país, a começar pela diferença de salários pagas aos homens e as remunerações das mulheres. A lei sancionada pelo presidente Lula encontra-se em vigor, mas não há sinais de que está sendo aplicada como deve ser e de acordo com o texto integral que vai ao encontro de antigas reivindicações.

A injustiça contra a mulher é muito maior do que se pensa. É preciso ver com consciência a questão dos seus direitos e estarmos atentos ao seu cumprimento. É uma questão que atravessa os séculos. E é impressionante como parte da sociedade recusa-se a aceitar a independência feminina como um fato essencial à vida. Da maternidade ao trabalho de modo geral, a presença da mulher é marcante e merece ser reconhecida plenamente por todos os segmentos sociais.

POLÍTICA – No Brasil, vê-se que a participação das mulheres na política e na administração pública. O país ainda registra um aumento lento nesse sentido e figura entre os piores das Américas Latina e Central neste contexto. Está à frente apenas do Haiti e de Belize. Apenas 17,7% das cadeiras do Congresso Nacional são ocupadas por deputadas e senadoras. Alguns Estados, como Sergipe, elegeram pela primeira vez duas representantes femininas. Antes, não havia nenhuma.

Nas últimas eleições, 38 mulheres concorreram ao cargo de governadora e 94 ao de vice-governadora, mas só Pernambuco e Rio Grande do Norte elegeram as candidatas femininas.  Das 29 legendas registradas no Tribunal Superior Eleitoral, apenas seis são presididas por mulheres.

A luta brasileira tem que prosseguir e a independência da mulher é um fato de absoluta justiça, pois nenhum ser pode se considerar superior ao outro. Além da questão da mulher na sociedade, tem que se incluir a questão dos preconceitos observados nos mais diversos ângulos. É incrível como em pleno XXI ainda tenhamos que falar sobre o assunto.

PL mira no confronto permanente contra o governo Lula

Nikolas Ferreira foi eleito presidente da Comissão de Educação 

Pedro do Coutto

O PL está propondo uma presença permanente do ex-presidente Jair Bolsonaro em atos públicos numa tentativa de demonstrar poder de ataque ao atual governo de Lula da Silva, mas também para praticamente tornar permanente uma campanha que nas urnas de 2022  acarretou os acontecimentos de 8 de janeiro de 2023, um atentado contra a democracia.

Agora mesmo, a legenda conseguiu eleger a deputada Carola de Toni para a Presidência da Comissão e Justiça da Câmara  O cargo é de grande importância , uma vez que todos os projetos de lei e iniciativas parlamentares necessitam de exame da CCJ para seguir a sua tramitação normal.

EDUCAÇÃO – Além disso, o deputado federal Nikolas Ferreira foi eleito presidente da Comissão de Educação da Câmara, com 22 votos a favor e 15 em branco. A escolha é uma nova derrota para a base de apoio do presidente Lula da Silva, que articulou para que o congressista mineiro não comandasse o colegiado.

De fato, o condicionamento de uma comissão como a CCJ está atrelada ao fato de que, não satisfeito com a tentativa de golpe, grande parte do PL quer prosseguir combatendo a atual gestão num confronto sem sentido. Não adianta hostilizar ou dificultar as ações do Executivo, pois a atividade parlamentar tem que ser marcada a partir de atos constitutivos.

Atrapalhar o governo em inúmeros casos significa bloquear matérias de interesse do país. Essa ideia colocada em prática tem um objetivo prejudicial a todos. O interesse nacional deve estar acima de rivalidades puramente políticas. Oposição apenas por si própria não resolve os problemas e os desafios. É preciso construir cada vez mais para se obter melhorias para toda a sociedade.  

51% aprovam trabalho do presidente Lula; 46% desaprovam

Resultado foi puxado principalmente pela avaliação dos evangélicos

Pedro do Coutto

Pesquisa Quaest divulgada nesta quarta-feira aponta que 51% dos entrevistados aprovam o trabalho do presidente Lula da Silva (PT). Por outro lado, 46% desaprovam. O levantamento ouviu duas mil pessoas entre os dias 25 e 27 de fevereiro, em 120 municípios. A margem de erro é de 2,2 pontos percentuais para mais ou para menos. O resultado deve servir como ponto de preocupação do governo. Ao mesmo tempo, indica a permanência da polarização entre lulistas e bolsonaristas.

Todo início de governo apresenta dificuldades em virtude das promessas de campanha que são de difícil realização na prática, a exemplo do combate à fome em sua forma mais ampla. A aprovação de Lula caiu três pontos percentuais na comparação com a pesquisa anterior, realizada em dezembro de 2023. À época, 54% dos entrevistados aprovaram o trabalho do presidente, enquanto 43% reprovaram. Segundo o levantamento, 3% dos entrevistados não souberam ou não responderam.

REFLEXO – De qualquer forma, 51 a 46 é uma margem que reflete praticamente o resultado da eleição. A diferença do pleito foi menor, mas ainda comprova o antagonismo entre as correntes políticas. Possivelmente, o presidente Lula teve a sua citação comparando os ataques de Israel ao território de Gaza com o Holocausto levada em consideração.

Não pegou bem na opinião pública e pode ter se refletido no resultado das pesquisas. Trata-se de um período terrível da 2ª Guerra Mundial que torna a atrocidade do nazismo incomparável com qualquer evento político ou militar. A prova está nos números sobre a comparação feita.

Em pesquisa também realizada pela Quaest neste mês sobre a popularidade do presidente Lula, apontou-se que maioria dos entrevistados achou exagerada a fala sobre a guerra entre Israel e o Hamas – citando o Holocausto.

COMPARAÇÃO – Eleitores de Bolsonaro e evangélicos estiveram entre os maiores opositores ao presidente sobre este assunto; 60% dos entrevistados consideram que Lula exagerou ao comparar o que acontece em Gaza ao que Hitler fez na Segunda Guerra. Em comparação, 28% acham que Lula não exagerou. O restante (12%) não soube responder.

Parte dos entrevistados têm perspectivas de melhorias na economia. Segundo a Quaest, 46% dos entrevistados afirmaram que têm a expectativa de que a economia vai melhorar. Para 31%, a economia vai piorar. Além disso, 19% acreditam que vai permanecer como está. Por fim, 4% não souberam ou não responderam.

Na comparação com o levantamento anterior, houve uma queda de 9 pontos percentuais entre aqueles que acreditam que a economia vai melhorar. Lula assim supera mais um obstáculo, mas ainda tem muitos pela frente.

Suprema Corte decide que Trump pode disputar eleições dos EUA

Juízes, de maioria conservadora, autorizaram pré-candidatura

Pedro do Coutto

A decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos determinando a inclusão da candidatura de Donald Trump nas prévias do Colorado, sem dúvida alguma, fortalece o candidato que, apesar dos processos aos quais responde e dos fatos negativos que o envolve, está avançando junto ao eleitorado norte-americano dentro do lance que escolheu, buscando um movimento de opinião pública capaz de bloquear as várias ações que o ameaçam na justiça.

É o único caminho à sua disposição, uma vez que a Constituição dos Estados Unidos não prevê explicitamente a inelegibilidade de quem chegou ao ponto desfechar um golpe de Estado, único na história de seu país, contra as urnas de 2020. A invasão do Congresso tem uma enorme importância, mas em relação a qual tanta deseja passar por cima.

FORÇA – A inclusão do nome de Trump nas prévias do Colorado  decidida pela Suprema Corte não tem nada a ver com o conteúdo dos múltiplos processos aos quais responde pelos mais diversos fatos. Entretanto, entre os republicanos a sua força é inquestionável e com ela o ex-presidente pretende novamente chegar às urnas cujo resultado tentou subverter.

Um outro fato que surgiu e do qual pretende tirar proveito é a questão política da idade dos que disputam a Casa Branca. Esse fator acentuado por falhas na memória do presidente Joe Biden parece ajudá-lo, embora a diferença de idade não seja grande. Porém, o marco de 80 anos é uma questão a ser considerada.

O êxito de Trump nas prévias o ajuda muito, mas dá margem a contradições na medida em que chama atenção para falhas de comunicação que acometeram o atual presidente. Mas é preciso considerar o posicionamento contrário caracterizado nas prévias dos republicanos que poderão ou nao representar dissidências na hora do voto nas urnas. Um fato o ajuda e está na falta de um ânimo maior das bases democratas em caminhar com a candidatura de Joe Biden. Surgiram até dúvidas se o atual partido que comanda o poder poderia escolher um candidato mais jovem.

Freire Gomes tornou-se um personagem chave para a história do Brasil

Ex-comandantes contam à PF como seria o golpe contra a democracia

Pedro do Coutto

Quanto mais se acentuam os debates e a busca pela verdade sobre a tentativa de golpe contra a democracia, mais claro se torna o comprometimento do bolsonarismo através da investida que tramou contra o resultado das urnas. Bela Megale focalizou o assunto ontem em sua coluna online no O Globo.

O ex-comandante do Exército Freire Gomes e o ex-comandante da Aeronáutica Carlos Baptista Júnior implicaram diretamente Jair Bolsonaro na trama golpista investigada pela Polícia Federal. Ambos concederam longos e detalhados depoimentos aos investigadores e ajudaram a preencher “lacunas importantes do caso”, segundo envolvidos nas apurações.

PARTICIPAÇÃO – Os dois ex-comandantes confirmaram participação na reunião na qual foi discutida uma minuta golpista. O encontro foi revelado pelo ex-ajudante de ordens da Presidência, o tenente-coronel Mauro Cid, em seu acordo de delação premiada. O depoimento do general ocorreu na sexta-feira passada e ele respondeu todas as perguntas feitas pela PF.

Havia a dúvida, entre os investigadores, se o ex-comandante seria tratado como investigado ou testemunha. Essa decisão seria tomada de acordo com o grau de colaboração do depoimento. A avaliação foi a de que Freire Gomes adotou a postura de ajudar nas investigações e segue como testemunha. Esse é o mesmo status do brigadeiro Baptista Júnior, que também concedeu um longo depoimento à PF, há poucas semanas, na qual trouxe informações importantes aos policiais.

Verifica-se assim mais um desses eventos políticos inesperados, mas que mudam o curso da história, dos governos e dos países. Em 1955, por exemplo, o golpismo da época não esperava a atuação fortemente legalista do general Teixeira Lott. O golpismo foi derrotado e Juscelino Kubitschek assumiu o comando do país.

COLISÃO – Nos tempos de hoje, o papel de Freire Gomes marca uma coincidência democrática do destino, pois incorporou o pensamento e a posição do Alto Comando militar que não embarcou na caravana no rumo de uma versão inconstitucional que hoje se vê representava um ponto de colisão entre a vontade das urnas e a posição dos que desejavam negá-la, mas que não contavam com o compromisso democrático da grande maioria das Forças Armadas.  Freire Gomes tornou-se um personagem chave para a história do Brasil.

Ele interpretou o sentimento da população ou da disposição das próprias Forças Armadas. Na medida em que o bolsonarismo o acusam até de traidor, esquecem que traição maior foi a invasão de Brasília com o propósito de explodir os alicerces da democracia. O episódio deve ser eternamente lembrado. O quadro verdadeiro a cada dia vai se dissipando com as sombras.  

A descentralização e expansão do Rio ao longo das últimas décadas

Ipanema RJ: o que fazer, onde ir e principais pontos turísticos | Westwing

As casas da bucólica Ipanema deram lugar aos edifícios

Pedro do Coutto

Excelente a reportagem de Ricardo Ferreira, O Globo deste domingo, baseado em imagens do colecionador Rafael Cosme , mostrando as diferenças da cidade do Rio de Janeiro ao longo dos últimos 80 anos, destacando inclusive aspectos de Ipanema em períodos anteriores à existência do Maracanã, do Aterro do Flamengo, do Elevado Paulo de Frontin e da Ponte Rio-Niterói.

Ipanema era um bairro cheio de casas que foram sendo substituídas por edifícios. O mesmo processo ocorreu no Leblon. A revolução urbana na Zona Sul e no Centro começou com as obras do desmonte do Morro do Castelo e do Morro de Santo Antônio.

ATERRO DO FLAMENGO – As terras deste último, em frente ao Largo da Carioca, foram utilizadas para a construção do Aterro do Flamengo. Mas, além da comparação poética de Ipanema, Copacabana foi o marco da descentralização do comércio e de serviços, antes concentrado no Centro do Rio.

Vários serviços obrigavam a população a se deslocar de suas áreas de moradia para o Centro da cidade em busca de serviços diversos. Com Copacabana, o comércio passou a se localizar fora do eixo principal e a partir daí o crescimento de uma série de outros bairros passou a ser um impulso irreversível.

É interessante a comparação que se pode fazer a partir de imagens que, se de um lado deixam saudades, de outro apontam também o crescimento de problemas urbanos decorrentes da expansão da própria cidade.

CRESCIMENTO – Em 1950, por exemplo, a população do Rio era de 2,3 milhões de habitantes. Hoje é três vezes maior. As áreas ocupadas por favelas cresceram aceleradamente. No processo de descentralização, a partir da localização comercial dos bairros, além de Copacabana, devemos incluir a Tijuca e o Méier, na Zona Norte.  A população compreendeu que não era apenas o Centro da cidade o seu grande pólo de produção.

Hoje, temos aí uma realidade que impressiona, sobretudo pelos desafios decorrentes da própria expansão quanto da descentralização. Os transportes passaram a se constituir numa etapa a ser vencida, o saneamento também. As paisagens foram mudando. Durante muito tempo, na Baía de Guanabara não constava a imagem da Ponte Rio-Niterói. Hoje, estão lá 13 quilômetros proveniente de uma obra extraordinária.

A beleza de Ipanema acentuou-se por grandes artistas como Tom Jobim e Vinícius de Moraes, além de muitos outros que acrescentam os seus nomes e as passagens de suas artes ao longo do tempo e do espaço. Uma beleza comparar-se à situação urbana de hoje com a que a antecedeu. O fenômeno e as mudanças não são só do Rio de Janeiro. Mas aqui tem-se uma expressão marcante até pela beleza natural. O progresso é assim, mas além das coleções eternizadas nas películas, estão também os problemas que todos têm pela frente.  Assim, caminha o Rio de Janeiro.

Desempenho da economia favorece governo Lula e terá reflexos nas eleições municipais

Crescimento representa movimento da economia de R$ 10,9 trilhões

Pedro do Coutto

O desempenho da economia brasileira em 2023 provavelmente surtirá reflexos favoráveis ao governo nas eleições municipais deste ano. Por mais que as disputas nos municípios se caracterizam pelo seu componente comunitário, na realidade não há como deixar de ligar um resultado a outro.

O Produto Interno Bruto teve um crescimento de 2,9%, fazendo com que o Brasil voltasse ao grupo das dez maiores economias globais, de acordo com o levantamento da agência de classificação de risco Austin Rating. Considerando o PIB em valores ainda preliminares, a economia brasileira somou US$ 2,1 trilhões. É a nona maior do planeta.

REFLEXOS – São aspectos que refletem no universo político de modo geral. Até porque o resultado dá margem a uma maior firmeza ao governo Lula da Silva, apesar de os investimentos no segundo semestre do ano passado terem sido menores do que os previstos. O desafio que o governo tem pela frente é traduzir em benefícios sociais o crescimento da economia.

Ela tem que influir na distribuição de renda, pois a renda per capita pode ser elevada, mas a distribuição de renda não apresenta o mesmo avanço. Nesse caso, se observa uma concentração de renda cada vez maior, um desafio para gerações. Seja como for, devemos comemorar o crescimento do PIB, pois seria pior se o mesmo não se expandisse.

ARGUMENTO – Além disso, o panorama com o depoimento do general Freire Gomes tornou-se um argumento importante para o governo, uma vez que deixou caracterizada a investida golpista pelo bolsonarismo, como os fatos demonstram. Inclusive através da invasão da Praça dos Três Poderes e as depredações ocorridas em Brasília. Assim o governo passou a acumular pontos positivos logo no primeiro ano de seu mandato.

A Folha de S. Paulo e o Estado de S. Paulo também publicaram com destaque o resultado positivo do PIB brasileiro, que não deixa de ser um aspecto benéfico nas eleições municipais neste ano, sobretudo a começar pela disputa em São Paulo, centro nervoso do país, e no qual vai se travar uma batalha dura entre a corrente bolsonaristas e a lulista. O quadro precisa ficar mais definido para fornecer uma visão mais completa. De qualquer forma, os números do PIB acrescentam pontos ao governo.

Brasil volta ao grupo das 10 maiores economias globais

Declaração de Bolsonaro constitui-se numa confissão da trama golpista

Bolsonaro tropeça em suas próprias palavras

Pedro do Coutto

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes afirmou que declarações de Jair Bolsonaro sobre a minuta que supostamente decretaria um golpe no Brasil em 2022 se assemelha a uma confissão de que ele estava plenamente ciente da existência do documento.

No último domingo, o ex-presidente durante manifestação convocada na Avenida Paulista negou que tenha ocorrido uma tentativa de golpe de Estado, mas citou o documento encontrado nas investigações da Polícia Federal.

MINUTA – “Agora o golpe é porque tem uma minuta de um decreto de estado de defesa. Golpe usando a Constituição?”, questionou, acrescentando que é “o Parlamento que decide se o presidente pode ou não editar um decreto de estado de sítio”.

Na avaliação de Gilmar Mendes, o ex-presidente saiu de uma situação de “possível autor intelectual para pretenso autor material” da tentativa de golpe de Estado. “Temos esses dados e por isso talvez ele decidiu fazer esse movimento, para mostrar que tem apoio popular, que continua relevante na opinião pública. Isso não muda uma linha em relação às investigações, nem muda qualquer juízo ou entendimento do STF”, afirmou.

CONFISSÃO – De fato, a colocação do ministro Gilmar Mendes conduz à sensação de que a declaração de Bolsonaro constitui-se numa confissão da trama golpista. As coisas se complicam para o bolsonarismo. Era inevitável, pois os fatos levam à realidade arquitetada pela antiga gestão governamental.

A hipótese de mudar de tática se torna agora tardia. Bolsonaro avançou muito nas tentativas de negar as articulações para subverter os resultados das urnas e com isso partiu dar um golpe contra a democracia. O episódio de 8 de janeiro ficará na história como um episódio em que se tentou  subverter a democracia e com isso as instituições do país. Mas a democracia, mais uma vez, venceu essa batalha.