Poder público e mineradoras barbarizam moradores de cidades de Minas Gerais

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Moradores estão em pânico permanente, ninguém consegue dormir

Jorge Béja

O Poder Público de vários municípios de Minas Gerais (Barão de Cocais, Santa Bárbara, São Gonçalo do Rio Abaixo, Ouro Preto, para citar apenas quatro de muitos deles) e as mineradoras  que exploram jazidas que pertencem à União, ambos estão produzindo um espetáculo deprimente, revoltante, abjeto, sem que nenhuma  voz se levante contra. Eles submetem a população dos municípios, formada de gente simples, gente modesta, gente boa, pacata e ingênua, a ensaios para se protegerem e não serem atingidos, caso as barragens de exploração de minério que circundam as cidades venham se romper.

E para os ensaios, decretam feriado. Tocam sirenes. Traçam rota de fuga. Marcam pontos de encontro tidos por seguros. Enfim, tratam as pessoas humanas como se fossem objetos e bonecos, removíveis do cenário de uma peça dramática e de script fúnebre. E todos obedecem, aceitam e nada reclamam.

VIDA DE GADO – Deixa até a impressão de uma boiada imensa, cercada e conduzida por vaqueiros com seus berrantes. Ninguém escapa: jovens, crianças, adultos, cadeirantes, enfermos, idosos…Todos querem preservar a vida, ainda que vida moribunda.

Todo este cenário, de pavor e medo, se justificaria se as populações estivessem na iminência de sofrer pesados danos decorrentes de fenômenos da natureza. De um furação, de um tornado, de tsunamis, de um vulcão, que inesperadamente entra em erupção e vai destruindo e matando tudo por onde suas lavas passam.

Mas os ensaios não são por causa dos perigos dos fenômenos da natureza. São pelo risco, permanente e perfeitamente removível, que mãos humanas criaram, como são todas as barragens de exploração de minério.

ELIMINAR A CAUSA – Não se pode compreender nem admitir que as vítimas do risco sejam treinadas para enfrentar e se defender do perigo sem a eliminação da causa do risco, sem a eliminação do perigo. E a causa do risco e do perigo são as barragens de exploração de minério. Basta acabar com todas elas. Pelo menos aquelas que representam perigo de desastre como aconteceu em Mariana e Brumadinho.

A pessoa humana não vem ao mundo para sofrer. Ela nasce para viver na paz e na felicidade completas. Já não bastassem as vicissitudes da própria vida, as enfermidades, a violência, as guerras, os crimes de toda ordem…. a população de cidades de Minas Gerais ainda tem que enfrentar o perigo que o próprio Poder Público a todos submete, sem piedade e sem clemência.

ABOMINÁVEL COVARDIA – Não, não são os moradores das cidades de Minas Gerais que devem abandonar suas casas para se refugiar em tal lugar no caso do rompimento de barragens de rejeitos de minério. São as barragens que devem acabar, que devem sair de lá, que devem ser extintas. O valoroso é a vida humana.

E cumpre a todos nós, e fundamentalmente aos poderes públicos, não criar situação de perigo contra a vida do próximo, e sim ampará-lo, plenamente, em todas as suas necessidades. O que estão fazendo com os moradores destas cidades de Minas Gerais é uma abominável covardia.

22 thoughts on “Poder público e mineradoras barbarizam moradores de cidades de Minas Gerais

  1. Caro Dr. Beja,
    Simplesmente PRIMOROSAS e muito BEM LANÇADAS as palavras neste EXUBERANTE artigo.
    Artigo escrito com acertadíssimo fundamento com o qual comungo in totum.
    Não há nada a acrescentar, porque o artigo diz TUDO.
    Não deixa pedra sobre pedra.
    Aonde é que eu o assino?
    Parabéns!

  2. Prezado Béja,
    seu post bem intencionado e, como sempre, humano passa por cima do problema mais premente: claro que a solução completa para o problema está na destruição das barragens, ninguém tem dúvida, mas enquanto isso não é feito, porque ainda que seja iniciado neste preciso momento para todas as barragens demorará vários meses, já que elas começaram a se romper é preciso, e muito, aumentar o mais possível as possibilidades de que as pessoas ameaçadas se salvem quando ocorrem os rompimentos. Para isso os e exercícios e os planos de fuga. Resolverão o problema? Não. Mas talvez diminuam o número de vítimas enquanto ele é resolvido. Porque se as barragens de Mariana e Brumadinho, segundo a Vale, estavam estáveis e se romperam com essa enorme destruição, como poderemos acreditar que as dezenas de outras que aí estão nos darão tempo de serem neutralizadas?
    É como as pessoas que defendem não deixar os civis terem armas para sua defesa porque a solução da violência só será feita através da educação e da redução das desigualdades. Claro que só será feita através disso. Mas é um processo que leva vinte, trinta ou mais anos para dar fruto. E enquanto isso é preciso que as pessoas possam tentar não serem incluídas nos mais de sessenta mil assassinados por ano no Brasil.
    Há medidas de curto, médio e longo prazo para estes problemas, e umas não excluem as outras.

  3. “Disse um povo que há tempos se acabou
    Que ela vive nas cinzas e há de voltar
    Ela é pássaro é fogo, monstro e flor
    Traz a vida e a morte juntas.

    Quando a Fênix nasce do sol
    As asas cobrindo o céu
    Traz vida pros olhos já cegos
    Pros sentidos quase mortos.

    Sobre os vales de calma solidão
    Nas montanhas que a neve sempre escondeu
    Ela é anjo e demônio, ódio, amor
    Traz a vida e a morte juntas.

    Quando a Fênix nasce do sol
    As asas cobrindo o céu
    Traz vida pros olhos já cegos
    Pros sentidos quase mortos.

    Quando a Fênix nasce do sol
    As asas cobrindo o céu
    Traz vida pros olhos já cegos
    Pros sentidos quase mortos.

    Quando a Fênix nasce do sol
    As asas cobrindo o céu
    Traz vida pros olhos já cegos
    Pros sentidos quase mortos.”

    Vôo da Fenix – Casa Encantada – O Terço

  4. E eliminando as barragens existe alguma outra forma de manter a mineração nestas cidades e assim assegurar os benefícios econômicos advindos da extração mineral?
    Caso exista uma solução, que se elimine mesmo os reservatórios.
    A vida é acima de tudo. Agora a sobrevivência digna depende do trabalho. Certamente, as mineradoras levam emprego, pagam impostos, movimentam a economia nestes municípios. Não vejo com maus olhos o treinamento da população. Preparar pro pior é uma conduta libada, responsável. Veja que em Angra do Reis a população é treinada rotineiramente pra uma eventual catástrofe. E mesmo com um risco em potencial infinitamente maior e pior que o do rompimento de uma Barragem, não vale a pena abrir mão das usinas de Angra.
    Deste modo, sobre as mineradoras, caso exista uma outra forma de lavar o minério sem ser com água, então que se acabe com as barragens. Se não, ou o risco à vida mas com uma estabilidade econômica na região, ou deixa a pobreza imperar em nome da paz quanto às catástrofes.

  5. Tudo isto são palavras jogadas ao vento, como a fumaça logo se dissipa. Enquanto nós tivermos uma justiça lerda, exibicionista e que protege corruptos, isto se repetirá até o final dos tempos. V
    Basta ver o desembargador corrupto que soltou o temeroso.

  6. Artigo extraordinário, pois trás à tona o desprezo dos governantes pelo povo!

    Ninguém foi preso, responsabilizado, alegando simplesmente um trágico acidente.

    Inúmeras famílias perderam seus entes queridos, mas, o inaceitável, abominável, exasperador, diz respeito às mais de uma centena de corpos que jamais vão ser encontrados, que foram soterrados vivos!

    Tanto o nosso país quanto seus dirigentes, autoridades, mandatários, governantes, encontram-se em patamares muito inferiores com relação à vida da população, mostrando-se bestas humanas, predadores, inúteis, incompetentes, corruptos e ladrões, todos, sem exceção!

    Verdadeiramente inadmissível que uma empresa arrase com o meio ambiente, flora e sauna de parte de um Estado, MG, além de matar centenas de pessoas, e tem quem ainda se preocupe com a arrecadação que a Vale deixa às prefeituras, como se o dinheiro fosse mais importante que vidas humanas!

    Se o sistema das barragens que foram construídas não oferecia segurança plena, das duas uma:
    ou se retiravam as cidades de perto ou que não fossem erguidas!

    Mas não é assim no Brasil.

    Primeiro, as tragédias ocasionadas pela mão do homem acontecem, para depois se pensar em soluções, evidentemente tardias e extremamente danosas e prejudiciais ao povo;
    depois, protestos, reclamações, gente prometendo e jurando que não se repetirá a calamidade, e será uma questão de tempo para que volte a matar e destruir.
    Foi assim com Mariana.
    Brumadinho veio em seguida, confirmando o desprezo pelo povo e território.

    Nesse meio tempo, parentes das vítimas assassinadas choram pelos seus mortos, não se resignam ao episódio, aos que desapareceram, e aguardam as devidas providências de um governo … inexistente, covarde, canalha, que nada faz para prevenir fatalidades como estas duas, de Mariana e Brumadinho.

    Parabenizo o artigo do dr.Béja, pois corajoso, verdadeiro, legítimo brado em favor dos desvalidos, dos esquecidos, dos abandonados pelas ditas autoridades competentes.

    E, minha solidariedade durante a minha existência para os que sofrem, padecem, sentem saudades indescritíveis de seus amados, onde suas vidas foram roubadas com extrema violência, desrespeito e desconsideração, um crime legitimamente lesa-pátria!

    Meu abraço ao nobre jurista.
    Vida longa ao nosso articulista, que tanto nos ensina e informa sobre as leis, que deixam de ser cumpridas até mesmo por aqueles que juraram defendê-las!

    • Às vezes penso: se nós deixássemos os minérios nas montanhas, intocáveis, não seria mais barato para o país?

      É justo ‘fabricarmos’ uma tragédia ambiental e humana a cada rompimento de uma barragem, provocando prejuízos incalculáveis em nome de uma exploração mineral irresponsável, como vem ocorrendo no país?

      Existem barragens ‘desativadas’ há mais de 30, 40 anos e os rejeitos permanecem lá ad eternum, quando poderiam ser transferidos para lugares mais apropriados ou estes materiais poderiam ser utilizados como base na construção de estradas, por exemplo?
      São tantos técnicos, engenheiros, mas solução que é bom, nada.

  7. Eu gostaria de saber por que tantos elogios a este artigo? Porque muitos dos males que sofremos é por causa de nossa justiça que protege bandidos. Basta ver o exemplo recente do julgamento do menino que foi assassiano no Sul. Um dos culpados já foi solto. Outro exemplo é de duas filhas de ministros do sofremos que foram indicadas como desembargadoras na região do trf2. Por favor caiam na real.

  8. Jorge,

    Faz o contrário, por favor.

    Aponta o que não gostaste do artigo, mas não perguntes a nós os porquês de o elogiarmos, pois nossos motivos estão presentes nos comentários postados.

    Diga-nos aquilo que não aceitas, e poderemos debater ou não as tuas alegações.

  9. Sinceramente, muito do que ocorre neste País são simplesmente discursos e artigos que não resultam em nada. Não sei se foi esta semana o autor deste artigo criticou o JUIZ BRETAS pela prisão do temeroso. Será que ele conhece as entranhas deste processo. Como naquela música do Roberto Carlos a curvas da estrada de Santos. Há décadas o nome do temeroso tem uma relação direta com o porto de Santos. Só cego e surdo não vêm isto. Eu e alguns colegas há mais de vinte anos sofrem com um processo na justiça federal e alguns já faleceram. Sinceramente me diga o que esperar de nossa justiça. Eu cansei. Só ingenuos acreditam em nossa justiça.

  10. Jorge,

    O artigo do dr.Béja, apontava que as prisões determinadas pelo juiz federal, Bretas, poderiam ser facilmente contestadas no Tribunal.

    Tinha razão o nosso articulista, pois o desembargador Athíé os liberou da prisão.

    Logo, o dr.Béja não criticou a decisão em Primeiro Grau como dizes, não.
    Apenas nos mostrou que as razões do juiz eram frágeis, além de Temer não ter sido quando preso, sequer réu.

    • Este tal desembargador como é do conhecimento ele disse que o dinheiro dos corruptos é uma gorjeta. Este desembargador é ficha suja, como já foi demonstrado. O que falta neste País é uma pessoa igual a Jesus que entre em nossos tribunais e acabem com este farsa.

  11. Ou ser crucificado, Jorge?!

    Tenho lá as minhas dúvidas, se as parábolas de Cristo teriam hoje alguma utilidade!

    Nada que seja honesto, autêntico, legítimo, nossos poderes constituídos aceitam, pois não admitem que cidadãos corretos e decentes – mesmo Jesus! -, ensinam-lhes como agir.

    Eu seria mais adepto, e concordaria plenamente, se Jesus usasse os meios que utilizou quando expulsou do Templo seus vendilhões, quem o frequentava para vender, conversar, discutir, debater, menos rezar e se conectar com Deus!

    Agora, convenhamos, Jorge, um cara que fosse igual a Jesus nesta vida, pensa bem.
    Muito mais fácil eu me tornar Presidente do Brasil que encontrarmos um ser humano que pudesse ser comparado a … DEUS!!!

    • Infelizmente não aprendemos nada com que JESUS pregou. Pelo caminhar que estamos seguindo nossa civilização esta fadada ao fracasso. Jesus através de suas palavras nos deixou um exemplo de vida. Corintians 10:14 nos fala sobre idolatria. Acho que em muitos dos artigos deste nosso autor existe uma idolatria exagerada.

  12. Bah, mas é justamente onde tu mais te anganas!

    Não idolatramos o articulista, mas o admiramos, respeitamos, e reverenciamos seus conhecimentos sobre Direito, além do seu cavalheirismo e atenção que nos trata igualmente.

    Idolatria é o comportamento dos adoradores de Lula, seus fanáticos seguidores, que sequer levam em conta os crimes do ladrão e genocida!

      • Sim, é verdade e absoluta:
        Eu e o dr.Béja somos amigos, muito amigos.

        Trata-se de uma condição que muitas pessoas não só não entendem, como jamais terão a felicidade de ter um amigo!

        Esta falta de amizade é um sintoma claro de alguém muito infeliz!

  13. Caro Dr. Béja,

    Conforme o Sr. explicitou de maneira clara e precisa, a população dessas áreas está refém de quem tem o dever de protegê-la, seja na esfera da estatalidade, seja naquela dos agentes econômicos que exploram os recursos minerais.

    Em meu humilde entendimento, esses agentes econômicos e, especialmente, as esferas da estatalidade (vez que os recursos minerais são bens públicos, como o Sr. indicou), deveriam atuar pesadamente com todos instrumentos possíveis para evitar novos “rompimentos” os quais, como demonstrado no artigo, potencial ou efetivamente, barbarizam a realidade dessas pessoas.

    Vemos que após o rompimento de uma barragem em Itabirito/MG, em 2014, que vitimou 3 operários, a empresa passou a utilizar o “processamento a seco” (talvez tangenciam-se alguns dos questionamentos do comentarista Francisco Menezes, 2:39pm):

    x-x-x

    http://g1.globo.com/minas-gerais/noticia/2014/09/rompimento-de-barreira-soterra-veiculos-na-cidade-de-itabirito.html

    http://g1.globo.com/minas-gerais/noticia/2015/12/mp-firma-termo-para-mineradora-desativar-barragens-em-itabirito.html

    https://www.em.com.br/app/noticia/gerais/2015/12/03/interna_gerais,713773/a-conta-da-recuperacao.shtml

    x-x-x

    Se, quanto à tragédia de 2014 supracitada foi possível obrigar a empresa a operar o “processamento a seco”, por que a demora em estabelecer prazo para que as demais trabalhem no mesmo sistema?

    O atrofiamento da estatalidade em face desses agentes econômicos e concomitante agigantamento em relação às pessoas simples do povo que sofrem os efeitos nefastos dessas atividades sinalizam conteúdo muito distante de um regime que se pretenda democrático, conforme explicitado no artigo.

    Muito obrigado!

    Saúde e Paz!

    Cordiais saudações,
    Christian Cardoso.

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