Uma certa Maria que ia voar e inspirou a poesia de Machado de Assis

Machado de AssisPaulo Peres
Poemas & Canções

O jornalista, crítico literário, dramaturgo, folhetinista, romancista, contista, cronista e poeta carioca Joaquim Maria Machado de Assis (1839-1908) é amplamente considerado como o maior nome da literatura nacional. Neste soneto, Machado de Assis descobre que a beleza existente nos olhos e no andar de ”Maria” assemelham-se a um pássaro, que a qualquer momento pode voar.

MARIA
Machado de Assis

Maria, há no seu gesto airoso e nobre,
Nos olhos meigos e no andar tão brando,
Um não sei quê suave que descobre,
Que lembra um grande pássaro marchando.

Quero, às vezes, pedir-lhe que desdobre
As asas, mas não peço, reparando
Que, desdobradas, podem ir voando
Levá-la ao teto azul que a terra cobre.

E penso então, e digo então comigo:
“Ao céu que vê passar todas as gentes
Bastem outros primores de valia.

Pássaro ou moça, fique o olhar amigo,
O nobre gesto e as graças excelentes
Da nossa cara e lépida Maria”.

2 thoughts on “Uma certa Maria que ia voar e inspirou a poesia de Machado de Assis

  1. O Crítico Machado de Asssis
    José Carlos Werneck
    Machado de Assis foi,também um excelente crítico.Escreveu textos comentando sobre Literatura,Teatro e Poesia,num total de 155 páginas.
    Estes textos estão no volume III,da Obra completa de de Assis publicado pela Editora JoséAguilar ,em 1962,organizada por Afrânio Coutinho.
    Quem tece considerações sobre “Machado deAssis,o crítico” é, o também,crítico literário,Alceu de Amoroso Lima,o Tristão de Athayde.
    Vale à pena a leitura!

  2. Por falar em Maria que lembra um pássaro marchando, lá vai, num tom mais brando, o retrato de minha Maria:

    Maria sofria mas nunca mostrava
    Sorria mesmo se por dentro chorava
    Nunca pedia, mas sempre se dava
    Diferia, sem mostrar que discordava

    Ela era frágil e formosa como uma rosa
    E da vida não lamentava seus espinhos
    Tratava todos com o carinho e o cuidado
    Com que os pássaros fazem seus ninhos

    Era acolhedora, era singela, era pura
    E ainda, mais que tudo, era tão bela!
    Um dia se foi e me deixou as agruras
    De não mais poder estar junto dela

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *