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Marcus André Melo
Folha
O vale tudo pós-Lava Jato explica muita coisa, mas não se trata apenas da velha promiscuidade entre Estado e grandes interesses privados
Em “O Triste Fim de Policarpo Quaresma”, o personagem Genelício é o arquétipo do barnabé indolente, inepto, e diligente apenas na arte de parecer ocupado. Finge trabalhar enquanto se ocupa obsessivamente de regras obsoletas e protocolos irrelevantes.
Dizia dedicar-se à redação de um monumental volume intitulado “Os Tribunais de Contas nos Países Asiáticos” —iniciativa tão inútil quanto o aprendizado do javanês em outro texto cáustico de Lima Barreto.
CORRUPÇÃO ETERNA – O autor escrevia em 1911. Mais de um século depois, porém, o tema outrora exótico e quase irrelevante dos tribunais de contas converteu-se em questão central da agenda pública na atual conjuntura.
Ruy Barbosa, em seu parecer sobre a criação do Tribunal de Contas da União, já advertia para o risco de que a instituição se transformasse em um “ornato aparatoso e inútil”, um verdadeiro “Tribunal de Faz-de-Conta”.
O célebre jurista não poderia imaginar que o perigo seria ainda maior: o de os tribunais de contas se tornarem engrenagens auxiliares de uma trama protetiva de esquemas ilícitos de grande envergadura.
TERRA ARRASADA – A sensação contemporânea é a de terra arrasada. Até a Polícia Federal, que ainda figurava como baluarte de credibilidade, começa a ser atingida. Praticamente todos os atores institucionais encontram-se sob suspeita.
O affair Master abalou profundamente a reputação do Supremo —e não apenas a de dois de seus ministros. A CPI do INSS e os esquemas de blindagem por ela revelados agravaram ainda mais o desgaste do governo e do Legislativo como um todo.
O presidente do Senado enfrenta denúncias, o vice-líder do governo foi alvo de busca e apreensão, e as investigações alcançam o círculo familiar do presidente da República. A exposição de milícias digitais em processos envolvendo corrupção tampouco é novidade absoluta —basta lembrar o episódio dos “blogs sujos”—, embora antes sua atuação estivesse mais circunscrita ao terreno político-partidário.
PÓS-LAVA JATO – Como chegamos até aqui? A estrutura de incentivos mudou com o vale tudo pós-Lava Jato. Mas nada disso seria exatamente inédito se estivéssemos falando apenas da velha promiscuidade entre Estado e grandes interesses privados.
A maior empreiteira do país mantinha um departamento inteiro de “operações estruturadas”, dedicado exclusivamente ao pagamento sistemático de propinas a milhares de agentes públicos.
A J&F, em escala semelhante, distribuiu cerca de R$ 500 milhões a quase 2.000 atores políticos. O manual é conhecido, o roteiro é repetido, os personagens apenas trocam de figurino.
HÁ NOVIDADES – O que é efetivamente novo são dois elementos. Primeiro, as denúncias envolvendo membros das instituições superiores da República, como o STF e os tribunais de contas.
Segundo, a crescente conexão desses esquemas com o crime organizado —fenômeno já conhecido no plano subnacional, notadamente no Rio de Janeiro, mas que agora alcança o centro do sistema. Não por acaso, um conselheiro de Tribunal de Contas daquele estado encontra-se hoje atrás das grades.
A sociedade e a imprensa estão fortemente polarizadas, o que cria limitações importantes para o exercício de alguma forma de accountability social. A única reação a este estado de coisas veio da imprensa. Ou mais propriamente de jornalistas individuais. Lima Barreto vive.
O PROBLEMA MAIOR do Brasil, na seara política, que o impede de romper com as suas velhas amarrações, se libertar e evoluir, não é este ou aquele partido, nem esta ou aquela igreja, nem este ou aquele veículo de imprensa falada, escrita e televisionada, mas isto o conjunto da obra da república utópica do militarismo e do partidarismo, politiqueiro$, e seus tentáculos velhaco$, forjada, protagonizada e desfrutada pelos me$mo$ há 136 anos, não obstante o fato de que há algum muito tempo transpira decadência terminal por todos os seus poros, sob a motivação da gastança, da comilança e da impostança, manivelada pela plutocracia putrefata com jeitão de cleptocracia e ares fétidos de bandidocracia, made in USA, copiada mal e porcamente no Brasil pelos me$mo$, há 136 anos, capitaneada e protegida por um modelo de congresso do tempo do onça, de índole e mentalidade antiga, mercantilista, superada, que não faz mais sentido lógico e nem tem mais razão de ser, como comprovado pelo advento da RPL-PNBC-DD-ME, que deixou a dita-cuja nua, pelada e com as mãos nos bolsos em praça pública, não obstante cercada, boicotada, censurada, cancelada e excluída pelos me$mo$, há cerca de 40 anos na estrada da vida, às próprias custas, riscos e sacrifícios, principalmente pela imprensa falada, escrita e televisionada arvorada em baluarte da liberdade de expressão e da democracia, na cara dura, pega com a boca na botija, sonegando à opinião pública o conhecimento e a verdade da mega solução, via evolução, para o país, a política. a vida e a convivência pacífica do conjunto da população, para os próximos 500 anos, assassinando assim por omissão a única possibilidade de reinvenção evolutiva da nação, com a sua melhor, mais evoluída, mais próspera e mais alvissareira versão, realmente diferente de tudo isso que aí está há 136 anos, com prazo de validade vencido há muito tempo. https://www.tribunadainternet.com.br/2026/01/11/congresso-inimigo-do-povo-expoe-dilemas-do-populismo-alimentado-pelo-pt/?fbclid=IwY2xjawPR6NhleHRuA2FlbQIxMQBzcnRjBmFwcF9pZBAyMjIwMzkxNzg4MjAwODkyAAEeyLZuvunsz6ERa4GcULx6lY1P4haRxlUqEamfYcA3YNPSJFSbthtuLaq-16A_aem_n4AgB1SAcAz7XW8WJyMysg#comments
Sensacional esse artigo.
O TCU é mesmo como previu Rui Barbosa, um Tribunal de faz de conta.
Essa notícia, de que os ministros receberam 4,3 milhões de penduricalhos é um absurdo comparado aos 1700 dos trabalhadores que ganham salário mínimo.
Lima Barreto um visionário vive.
Um aplauso para o Capistrano de Abreu e dois para Lima Barreto.