O caso Banco Master : regulação, política e confiança pública

TCU pode investigar a legalidade dos atos praticados

Pedro do Coutto

Na semana que se inicia, o que parecia um embate técnico entre instituições brasileiras ganhou contornos mais amplos — e potencialmente mais profundos — no tabuleiro institucional e político do país. O processo a respeito da liquidação do Banco Master — uma instituição de porte mediano que veio crescendo rapidamente nos últimos anos — caminha agora para um momento decisivo nos tribunais e levanta questões que vão muito além da regulação bancária e da legalidade da intervenção do Estado na economia.

O caso começou, em novembro de 2025, com a decisão do Banco Central (BC) de decretar a liquidação extrajudicial do Banco Master, em meio a alegações de sérios problemas de liquidez e violações normativas que comprometeriam a solidez da instituição. Na mesma ocasião, o controlador do banco, Daniel Vorcaro, foi detido pela Polícia Federal no contexto de uma investigação mais ampla — a chamada Operação Compliance Zero — que apura irregularidades na emissão de títulos e possíveis fraudes.

COMPETÊNCIA – O Tribunal de Contas da União (TCU), instância que não tem poder de reverter a liquidação, entrou em cena para examinar se o BC agiu dentro dos parâmetros legais e procedimentais esperados de uma autoridade reguladora de um sistema financeiro. O presidente do TCU, Vital do Rêgo, sinalizou com clareza: o tribunal não tem competência para desfazer a liquidação decretada pelo Banco Central, mas pode investigar a legalidade dos atos praticados, revisando os “atos motivacionais” que embasaram a medida.

O teor desta investigação tornou-se um foco político significativo porque revela tensões entre a autonomia do Banco Central — defendida por setores da comunidade financeira e por grande parte do próprio TCU — e o escrutínio externo que se instaura num momento de fragilidade institucional. Enquanto técnicos do tribunal, em análise preliminar, já indicaram que o BC atuou de forma adequada, cabendo apenas esclarecer fundamentos e motivos formais, outro ministro do TCU chegou a propor medidas cautelares que limitassem a venda de ativos do banco em liquidação, gerando reação e discussão sobre os limites e procedimentos de atuação da Corte.

CONFIANÇA –  A repercussão desse episódio vai além do campo jurídico-técnico e toca no âmago da confiança no sistema financeiro e na estabilidade das regras do jogo institucional no Brasil. Para milhões de investidores que aplicaram seus recursos no Master, muitos deles na expectativa de receber valores garantidos pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC) — um mecanismo crucial de proteção a depositantes e investidores —, a forma como o caso é resolvido afetará não apenas a restituição de bilhões de reais, mas também a percepção sobre a eficácia e os limites da regulação no país.

Além disso, a sucessão de decisões técnicas e as declarações de lideranças envolvidas refletem um momento em que instituições clássicas — como o Banco Central e o TCU — se veem pressionadas a justificar, com transparência, suas ações não apenas perante o direito, mas perante a opinião pública. Esse tipo de escrutínio é saudável em democracias maduras, mas também exige responsabilidade institucional para que o debate não se transforme em um jogo de forças que fragilize o próprio sistema financeiro ou a confiança do mercado.

PONTO DE INFLEXÃO – O comentário do jornalista Elio Gaspari, ao destacar que o TCU “sabe como e onde intervir” com base em informações internas do Banco Master, é um sinal de como a imprensa especializada percebe a complexidade deste caso: não apenas como um litígio técnico, mas como um ponto de inflexão que expõe falhas, desafios e responsabilidades nas práticas de supervisão financeira.

No fundo, o que está em jogo não é apenas um banco, nem apenas a aplicação de regras contábeis ou jurídicas: é a confiança de investidores, a credibilidade de órgãos regulatórios e a clareza com que o Brasil lida com casos complexos de intervenção no mercado financeiro. Em um cenário em que instituições como a Suprema Corte e o TCU estão chamadas a balizar decisões em temas sensíveis, este episódio pode marcar um precedente para os limites entre autonomia regulatória, controle externo e o papel político de decisões econômicas que impactam a vida de milhões de brasileiros.

À medida que o processo avança, com reuniões já marcadas entre as altas cúpulas do Banco Central e do TCU, e com prazos para conclusões formais, a sociedade brasileira precisa acompanhar com rigor e senso crítico — não apenas os aspectos técnicos, mas também as implicações para a governança institucional e a percepção de que o Estado e suas instituições podem responder de forma eficaz e transparente às crises.

Irmãos de Toffoli negociaram fatia milionária em resort com fundo ligado ao caso Banco Master

Piada do Ano! Lula e o PT tentam “derrubar” a CPI do Banco Master

Lula intervém e BC veta compra do Banco Master pelo BRB, causando prejuízo a Brasília - Expressão Brasiliense

Charge reproduzida do Arquivo Google)

Carlos Newton

Quando a gente pensa que já viu tudo em matéria de tentativas de salvar o banqueiro fraudador Daniel Vorcaro, sempre aparece alguma novidade. Desta vez é a notícia de que o presidente Lula da Silva e o PT estão entrando para valer no escândalo do Banco Master e pretendem fazer o possível e o impossível para evitar a criação da CPI no Congresso.

Mas a jornalista Roseann Kennedy, do Estadão, informa que um dos articuladores da CPI, o deputado Carlos Jordy (PL-RJ) garante que o número de assinaturas cresceu nos últimos dias.

APOIO SUFICIENTE – Até sexta-feira, dia 9, já havia adesão de 208 deputados e 37 senadores. Ou seja, número suficiente para garantir a instalação, que cumpre a exigência regimental de existir “fato determinado”.

O mais interessante é que os lulistas, como diz Dilma Rousseff, estão fazendo o diabo para boicotar a convocação.  Até agora, segundo o deputado Carlos Jordy, nenhum petista assinou a CPI e apenas três integrantes da base aliada apoiam a convocação Tabata Amaral (PSB-SP), Duarte Junior (PSB-MA) e Marcos Tavares (PDT-RJ).

Desde o início do escândalo, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), deixou claro que tentará evitar a formação dessa CPI. Mas ele tem um inimigo poderoso Alessandro Vieira (MDB-SE), o senador mais respeitado da atual legislatura, ex-delegado de polícia e que também está colhendo assinaturas.

CHEGOU A HORA – Ao anunciar que buscaria apoio durante o recesso para formar a CPI, Alessandro Vieira se mostrou indignado com os rumos da crise do Banco Master e com a chamada “ditadura do Judiciário”, e desabafou: “Está na hora de ministro de tribunal superior ir para a prisão”.

Nesse clima de ressurreição do combate à corrupção, a Piada do Ano é a posição do Planalto. Sabe-se que Lula e os principais dirigentes de seu partido têm uma certa dificuldade de desenvolver raciocínios. Mesmo assim, causa espanto a estratégia adotada, de torpedear a qualquer custo a formação da CPI do Master.

O mais ridículo é a justificativa do Planalto. Segundo a jornalista Roseann Kennedy, Lula vai alegar que falta “viabilidade pragmática” para o funcionamento da comissão, pelo provável esvaziamento do Congresso no ano eleitoral. Realmente, uma piada da melhor qualidade.

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P.S.
– O silêncio de Lula e do PT sobre o caso Master é significativo, O máximo que o eterno presidente petista fez até agora foi pedir a seu ministro-marqueteiro para dizer que acompanha o caso do Master com preocupação. Aliás, Lula deve se preocupar muito, porque o escândalo vai influir na eleição, com toda certeza. (C.N.)

Com recorde de R$ 61 bilhões, emendas ampliam controle do Congresso sobre Orçamento

Empresas da família de Toffoli têm envolvimento com fundos do Master

Drika Arretada - A Notícia como deve ser - Toffoli esqueceu de perguntar se  Moraes pressionou o Banco Central

Charge do Duke (Itatiaia)

Lucas Marchesini e José Marques
Folha

Duas empresas ligadas a parentes do ministro Dias Toffoli, do STF (Supremo Tribunal Federal), tiveram como sócio um fundo de investimentos conectado à teia usada pelo Banco Master em fraudes investigadas por autoridades, de acordo com documentos e dados oficiais analisados pela Folha.

O Arleen Fundo de Investimentos teve, ao menos até maio de 2025, ações da Tayayá Administração e Participações, responsável por um resort em Ribeirão Claro (PR) que pertencia em parte à família de Toffoli, e também participação direta na DGEP Empreendimentos, incorporadora imobiliária da mesma cidade que tinha como um de seus sócios um primo do ministro.

CADEIA DE FUNDOS – A conexão com o caso Master se dá por uma cadeia de fundos. O Arleen foi um dos cotistas do RWM Plus, que por sua vez também recebeu investimentos de fundos ligados ao Maia 95, um dos seis apontados pelo Banco Central como integrantes da teia de fraudes do banco de Daniel Vorcaro. O fundo Arleen em si não é alvo de investigação.

 

O Arleen e todos os demais fundos da teia têm como administradora a Reag, que administrava também fundos ligados a Vorcaro e é investigada na operação Carbono Oculto, por suspeita de lavar dinheiro para o PCC (Primeiro Comando da Capital).

A Folha procurou a assessoria do STF e perguntou se Dias Toffoli tinha conhecimento dessas conexões e se ele considera que as informações criam algum empecilho para a condução do caso, mas o ministro não respondeu até a publicação desta reportagem. Parentes do ministro também não se manifestaram. A Reag não comentou o caso.

DEFESA DE VORCARO – Em nota enviada após a publicação da reportagem, a defesa de Vorcaro negou qualquer irregularidade ou envolvimento do Master com fraudes, fundos ilícitos ou operações destinadas a beneficiar terceiros.

Disse que a reportagem estabelece “conexões inexistentes e distorce fatos ao sugerir vínculo entre o banco, seus executivos e investimentos mencionados”.

“O banco nunca foi gestor, administrador ou cotista dos referidos fundos”, declarou a defesa, que disse ainda seguir colaborando integralmente com as autoridades.

SOB ENCOMENDA – Com apenas um cotista, o Arleen foi encerrado no fim do ano passado. De acordo com balanço de maio de 2025, o fundo tinha apenas quatro investimentos: em duas empresas ligadas à família Toffoli (Tayayá e DGEP), em uma holding que não aparece em bases de dados oficiais, e no RWM Plus.

De acordo com investigadores, uma cadeia de fundos administrados pela Reag era usada para desviar dinheiro emprestado pelo Master, com a cumplicidade do banco. Isso acontecia por meio da aplicação dos recursos desses empréstimos.

A partir daí, o dinheiro transitava por uma teia de fundos comprando ativos podres que serviam para inflar artificialmente o valor de ativos, entre outras operações ilegais.

TOFFOLI EM CENA – O resort Tayayá foi inaugurado em 2008 e teve participações acionárias de diversos integrantes da família Toffoli nos últimos anos.

O empreendimento fica às margens do rio Itararé, que separa o Paraná de São Paulo. O hotel tem 4 estrelas e 58 mil metros quadrados.

Em 2017, o ministro recebeu uma homenagem da Câmara de Vereadores local por ter “colaborado para o desenvolvimento e incremento turístico do Município de Ribeirão Claro, notadamente por meio do apoio decisivo na implantação da empresa Tayayá Aquaparque Hotel e Resort”.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Importantíssima a matéria enviada por José Perez. Como se vê, o ministro Toffoli não tem nenhum interesse em defender o Banco Master e o banqueiro Daniel Vorcaro. É tudo em nome da Justiça… (C.N.)

Aos 85 anos, Gérson Nunes ainda dá show em matéria de futebol

Niteroi devia estender um tapete verde para seu maior craque, Gerson Nunes - Coluna do Gilson

Gérson diz que o melhor meia hoje é o ´português Vitinha

Vicente Limongi Netto

Coloque dois craques no celular. Cardápio saboroso. Deuses do futebol presentes. Um jornalista com pena brilhante conversando com um gênio eterno. No cardápio, opiniões qualificadas e respeitadas e sacadas primorosas de quem encantou estádios do Brasil e do mundo.

Palmas para o repórter Marco Paulo Lima (Correio Braziliense – 11/01) pela matéria exclusiva com Gerson Nunes, o inigualável Canhotinha de Ouro do Tri, no México, completando 85 anos de idade.

GRANDES LIÇÕES – Matéria indispensável para a leitura de Carlo Ancelotti.  Para saborear opiniões de quem honrou a amarelinha pentacampeã do mundo.

Opiniões claras, serenas e taxativas de Gerson servem como lições para treinadores, novas gerações de atletas e, também, para jogadores em atividade.

Gerson destaca o português Vitinha, do Paris Saint-Germain como o melhor meia do mundo. Alerta professores de escolinhas, “nunca se estrese com um menino. Não gritem, não xinguem. Não passem do limite. Fui orientado assim e valeu mil por cento para minha carreira”.

TÉCNICA E FORÇA – Gerson não gosta das muitas trocas na seleção. Lamenta que o Brasil não tenha ainda um meio de campo definido. Gerson recorda os tempos e as diferenças: “Perdemos a técnica e entramos na força física. Estamos em um desespero danado”.

A seu ver, mesmo com 60% de forma física, Neymar deve jogar, porque “tecnicamente ele é muito bom”.

A magnífica matéria registra opiniões de personalidades sobre o esmerado futebol de Gerson, como Ruy Castro, Nelson Rodrigues, Zagalo, Pelé, Didi, João Saldanha e Tostão.

DIZIAM DELE – Para Pelé, o maior de todos, Gerson “fazia o jogo ficar fácil. Um dos maiores passadores que vi jogar”.

Nelson Rodriges, gênio da raça, ferrenho  tricolor, por sua vez, sentenciou; “Gerson jogava de cabeça erguida porque usava a cabeça.

Gerson humilhava o adversário. não com dribles mas com inteligência. Mandava sem gritar. Bastava um passe”.

A esquerda morreu — e só a justiça tributária pode ressuscitá-la, diz Jessé Souza

Messias ainda enfrenta dilemas que podem atrapalhar seu futuro no Supremo

PT pressiona PSOL a entrar em federação e expõe disputa pelo rumo da esquerda

Rombo do Master será “coberto” por fundos estatais de previdência

Banqueiros escancaram cobiça pela Previdência | Sindicato dos Bancários

Charge reproduzida do Arquivo Google

Fábio Pupo
Folha

O governo federal concluiu que estados e municípios serão os responsáveis finais por cobrir rombos em fundos de previdência caso tenham prejuízo em investimentos feitos em títulos vendidos pelo Banco Master. Institutos que pagam aposentadorias a servidores aplicaram ao menos R$ 1,8 bilhão em Letras Financeiras do banco, que teve liquidação decretada há menos de dois meses.

A conclusão está em documento formulado pelo Ministério da Previdência Social em resposta a questionamentos feitos pela deputada federal Laura Carneiro (PSD-RJ), que requisitou informações sobre o caso do Rioprevidência (Fundo Único de Previdência Social do Estado do Rio de Janeiro).

PREJUÍZO DIRETO – A parlamentar perguntou sobre os riscos aos quais o fundo está exposto e sobre uma eventual moratória do banco. De acordo com o Ministério da Previdência, caso faltem recursos nos institutos estatais de previdência para o pagamento das aposentadorias e pensões em decorrência do caso Master, esses valores serão de responsabilidade dos Tesouros dos respectivos entes federativos.

“Com a liquidação do Banco Master realizada pelo Banco Central do Brasil em 18 de novembro de 2025, caso as contribuições do regime ou recursos por ele acumulados venham a se tornar insuficientes, o ente é o responsável por adimplir com essas obrigações”, afirma a pasta.

A interpretação do governo é que não há necessidade imediata de aporte decorrente do caso Master, mas a lei obriga esse repasse caso faltem recursos no futuro.

TÊM DE COBRIR – A lei nº 9.717/1998 estabelece que União, estados, Distrito Federal e os municípios são responsáveis pela cobertura de eventuais insuficiências financeiras do respectivo regime próprio decorrentes do pagamento de benefícios previdenciários.

Conforme mostrou a Folha, 18 institutos municipais e estaduais investiram em Letras Financeiras do Master nos últimos anos. Entre eles, destacam-se o Rioprevidência, do estado do Rio de Janeiro, com R$ 970 milhões investidos, a Amprev (estado do Amapá), com R$ 400 milhões, e o Iprev de Maceió, com R$ 97 milhões.

Além destas, o instituto de previdência do Amazonas fez “aplicações”, assim como a cidade de São Roque, no interior de São Paulo, com 79 mil habitantes, que “investiu” R$ 93 milhões em Letras Financeiras. 

SEM GARANTIA – Diferentemente dos CDBs, que foram vendidos pelo Master no mercado, as Letras Financeiras não são garantidas pelo FGC (Fundo Garantidor de Créditos), que ressarce investidores ao limite de R$ 250 mil por CPF.

Por isso, os aportes de quase R$ 2 bilhões feitos pelas previdências dos estados e municípios serão contabilizados como dívida durante o processo de liquidação do banco, o que torna a recuperação dos valores incerta.

O governo ressaltou no documento que a União não tem competência legal para intervir na gestão dos fundos nem para punir diretamente gestores locais, e que seu trabalho é limitado à fiscalização do cumprimento das normas gerais.

CONSEQUÊNCIA – A principal sanção disponível é a suspensão do Certificado de Regularidade Previdenciária (CRP), documento exigido para o recebimento de transferências voluntárias da União e para a contratação de empréstimos com aval federal.

De acordo com o ministério, a ampliação de investimentos em ativos considerados mais arriscados foi identificada ainda em 2024 por meio das análises de risco usadas na supervisão dos regimes previdenciários. 

Ao todo, 29 entes federativos foram selecionados para auditorias por aplicações em Letras Financeiras, seja por meio de intermediários, seja em instituições de menor porte. Dezessete deles tinham investimentos diretos no Banco Master. 

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Se estivéssemos sob a democracia que funciona em nossa matriz U.S.A., essa corja de administradores públicos que “aplicaram” no Master já estariam na cadeia, fazendo delação e apontando os governadores e prefeitos que participaram do butim, como se dizia antigamente. Mas aqui na filial Brazil, não vai acontecer nada a essa gentalha. (C.N.)

Uma certa Maria que ia voar e inspirou a poesia de Machado de Assis

Machado de AssisPaulo Peres
Poemas & Canções

O jornalista, crítico literário, dramaturgo, folhetinista, romancista, contista, cronista e poeta carioca Joaquim Maria Machado de Assis (1839-1908) é amplamente considerado como o maior nome da literatura nacional. Neste soneto, Machado de Assis descobre que a beleza existente nos olhos e no andar de ”Maria” assemelham-se a um pássaro, que a qualquer momento pode voar.

MARIA
Machado de Assis

Maria, há no seu gesto airoso e nobre,
Nos olhos meigos e no andar tão brando,
Um não sei quê suave que descobre,
Que lembra um grande pássaro marchando.

Quero, às vezes, pedir-lhe que desdobre
As asas, mas não peço, reparando
Que, desdobradas, podem ir voando
Levá-la ao teto azul que a terra cobre.

E penso então, e digo então comigo:
“Ao céu que vê passar todas as gentes
Bastem outros primores de valia.

Pássaro ou moça, fique o olhar amigo,
O nobre gesto e as graças excelentes
Da nossa cara e lépida Maria”.

Galípolo e a direção do BC marcam reunião com o presidente do TCU

Avesso a holofotes e leal ao Centrão, Jhonatan de Jesus opera à sua maneira  no TCU | Finanças | Valor Econômico

Jhonatan de Jesus perdeu completamente a dignidade

Deu no Infomoney

O presidente do Tribunal de Contas da União (TCU), ministro Vital do Rêgo, vai se reunir nesta segunda-feira com o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, e os diretores da autoridade monetária Ailton de Aquino (Fiscalização), Gilneu Vivan (Regulação), Izabela Correa (Cidadania e Supervisão de Conduta) e Rogério Lucca (Secretário-Executivo).

O encontro acontece em meio a um imbróglio envolvendo o Banco Master. A reunião está marcada para às 14h e consta na agenda oficial do BC como sendo para tratar de “assuntos institucionais”.

SEM INSPEÇÃO – A conversa vai acontecer na semana seguinte ao ministro Jhonatan de Jesus, do TCU, suspender a inspeção presencial no Banco Central , determinada por ele para apurar os procedimentos adotados na liquidação extrajudicial do Banco Master, ocorrida em novembro.

Depois, pressionado pelo presidente Vital do Rego,o ministro Jhonatan submeteu o caso ao plenário, em decisão assinada na quinta-feira.

A decisão ocorreu após o Banco Central apresentar um recurso chamado de embargo de declaração, contestando a competência do ministro para autorizar, de forma monocrática, uma inspeção desse porte.

JUSTIFICATIVA – O BC argumenta que tal diligência deveria ser aprovada por um órgão colegiado do TCU. Embora Jhonatan de Jesus tenha defendido que o regimento interno do TCU lhe confere poderes para determinar inspeções necessárias à instrução processual, o ministro optou por conferir efeito suspensivo ao recurso para evitar instabilidade institucional.

Na decisão, o ministro do TCU ressaltou que a “dimensão pública assumida pelo caso, com contornos desproporcionais para providência instrutória corriqueira nesta Corte”, recomenda que a controvérsia seja submetida ao crivo do plenário, instância que considera natural para “estabilizar institucionalmente a matéria”.

O caso teve origem em uma representação do Ministério Público junto ao TCU, motivada pela decretação da liquidação extrajudicial do Master.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Em tradução simultânea, fracassou a tentativa do ministro Jhonatan de Jesus salvar o fraudador Daniel Vorcaro. E o escândalo tornou-se ainda mais grave. (C.N.)

Segunda Turma do STF dominou a concessões de habeas corpus em 2025

No Banco Máster, a blindagem patrimonial fracassa, mas as instituições resistem

Fracasso da estratégia de Vorcaro é um recado claro ao mercado

Pedro do Coutto

A decisão da Justiça dos Estados Unidos de reconhecer a liquidação do Banco Máster determinada pelo Banco Central do Brasil é mais do que um revés jurídico para Daniel Vorcaro. Ela funciona como um teste de estresse institucional — e, até aqui, o sistema tem respondido melhor do que muitos imaginavam.

Reportagem de Ivan Martínez-Vargas, O Globo, revelou com precisão a estratégia adotada pelo banqueiro para tentar proteger ativos no exterior e, na prática, escapar do alcance dos credores. A manobra falhou. O Tribunal de Falências do Distrito Sul da Flórida, reconheceu a legitimidade da liquidação brasileira, esvaziando a principal aposta de Vorcaro: usar a jurisdição americana como refúgio patrimonial.

BLINDAGEM – O episódio lança luz sobre a intensidade — e a ousadia — da tentativa de blindagem. Ao buscar o reconhecimento de uma suposta insolvência transnacional em termos favoráveis a si mesmo, Vorcaro pretendia impedir que ativos nos Estados Unidos fossem preservados para a massa de credores sob administração do liquidante nomeado pelo Banco Central. O pedido foi rechaçado após manifestação da empresa responsável pelo regime especial de liquidação, que contestou os argumentos do banqueiro ponto a ponto.

Não se trata apenas de uma disputa técnica. Há um componente ético e político evidente. A estratégia, agora frustrada, tinha um objetivo simples e brutal: ganhar tempo, dissipar patrimônio e deixar credores a descoberto. A decisão americana, ao reconhecer a liquidação brasileira, reforça um princípio essencial ao sistema financeiro global: não há atalhos legítimos para fugir de responsabilidades quando autoridades regulatórias agem dentro da lei.

PERPLEXIDADE – Os efeitos dessa decisão ultrapassam as fronteiras. No Brasil, ela enfraquece a ofensiva paralela que buscava, no Tribunal de Contas da União, criar um ambiente de instabilidade em torno da decisão do Banco Central. Ministros do Supremo Tribunal Federal, segundo relatos de bastidores amplamente divulgados por colunistas como Malu Gaspar, receberam a iniciativa com perplexidade. A avaliação é quase unânime: qualquer tentativa de desconstituir a liquidação extrajudicial seria rapidamente derrubada pelo STF, cuja jurisprudência é clara na proteção às decisões técnicas de agências reguladoras, especialmente em matéria bancária.

Há também um dado que não pode ser ignorado. Poucos meses antes da liquidação, empresas ligadas a Vorcaro realizaram aquisições imobiliárias vultosas nos Estados Unidos. Informações apontam compras que somam centenas de milhões de reais, incluindo uma mansão em um dos condomínios mais exclusivos de Miami. Um escritório de grandes dimensões em um arranha-céu de luxo chegou a ser adquirido e jamais ocupado. No mínimo, são movimentos que reforçam a suspeita de tentativa de ocultação patrimonial às vésperas do colapso.

RUÍDO – No plano político, o caso produziu ruído. A atuação do TCU, as movimentações no STF e a preocupação explícita do Palácio do Planalto com a repercussão no mercado financeiro revelam um ponto sensível: a necessidade de preservar a autoridade do Banco Central em decisões duras, porém necessárias. O presidente Lula, segundo interlocutores, buscou compreender o cenário e manifestar apoio institucional à autoridade monetária. Fernando Haddad, mesmo em férias, também atuou nos bastidores em defesa da estabilidade.

Até aqui, o governo tem sido cauteloso. E faz bem. Interferir formalmente poderia alimentar a narrativa de politização de um processo que é, antes de tudo, técnico e jurídico. A melhor resposta tem sido permitir que as instituições funcionem — e, neste caso, elas funcionaram.

RECADO AO MERCADO – O fracasso da estratégia de Vorcaro nos Estados Unidos é um recado claro ao mercado e à sociedade: tentativas de driblar a lei, ainda que sofisticadas e internacionalizadas, encontram limites quando há cooperação entre jurisdições e firmeza regulatória. O desafio agora é garantir que o mesmo rigor prevaleça no Brasil, evitando que manobras protelatórias corroam a confiança no sistema financeiro.

Não é apenas o destino de um banco que está em jogo. É a credibilidade das regras, a proteção dos credores e a mensagem de que enriquecimento à custa de fraude não pode ser normalizado. Neste capítulo, ao menos, a blindagem caiu — e as instituições passaram no teste.

“Congresso inimigo do povo” expõe dilemas do populismo alimentado pelo PT

Presidência do Senado contratou ex-senadora em cargo com salário de R$ 31 mil

Toffoli precisa ser um dos primeiros convocados, se houver CPI do Master

Amigo diligente, é melhor que parente 😎 #imaginasefossepobre #vorcaro #sigilo #bancomaster #tcu

Charge do Iotti (Arquivo Google)

Roberto Nascimento

O ministro Dias Toffoli tinha que ser investigado e deveria ser um dos primeiros a prestar depoimento na CPI do Master, caso a oposição consiga no Congresso a investigação das fraudes financeiras, pois o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (ele, sempre ele…) tenta impedir a CPI de funcionar.

Neste momento, Dias Toffoli não vai decidir nada. O relator agora sabe que o escândalo é gigantesco e a sociedade está contra o cerco que ele e o ministro Jhonatan de Jesus, do TCU, tentam fazer contra o Banco Central.

MÍDIA REAGE – É impressionante como a imprensa desta vez se uniu. Não há nenhum veículo da mídia se manifestando em apoio a Toffoli e a Jhonatan, que caíram da escada segurando a brocha.

Apesar dessa extraordinária pressão da mídia, os mesmos grupos de sempre vão procurar manter o caso Master em banho-maria, até sair do noticiário, sendo substituído por outro novo escândalo ou a invasão do Trump tomando a Groelândia ou atacando o México por terra.

Tudo parece possível. Porém, desta vez os fatos são de tamanha gravidade que a investigação do caso do Master se tornou irreversível, até porque a liquidação extrajudicial é uma medida definitiva no mercado financeiro. Qual o maluco que vai investir dinheiro nesse banco, depois de terem vindo a público as falcatruas de seu presidente Daniel Vorcaro?

PIZZA INVIÁVEL – É uma lama movediça essa tentativa de ajudar Vorcaro, que está provado ser um criminoso contumaz. Será muito difícil assar essa pizza no forno do Supremo e do TCU, onde a maioria dos ministros agora tenta escapar da podridão.

É preciso lembrar que o povo pode novamente sair às ruas, para exigir o fim da corrupção. Vejam o exemplo do Irã. Mesmo com a forte repressão da ditadura, o povo está indo às ruas, cansado de sofrer.

Aqui no Brasil, que vive uma democracia relativa, precisamos lutar para mostrar que ninguém está acima da lei, seja no caso de quem a elabora, que é o Congresso, de quem analisa a constitucionalidade dela, que é o Supremo, e de quem está obrigado a obedecê-la, que é o governo.

“PT não pode estar sempre associando criminosos a problemas sociais”, diz Tarso Genro

Incrível! Ainda existe quem defenda os “direitos” do sanguinário Maduro

Iotti: caindo de Maduro | GZH

Charge do Iotti (Gaúcha/Zero Hora)

Vicente Limongi Netto

O coração sangra. A alma cai em profunda tristeza, quando leio pessoas de gabarito que se dizem penalizadas porque   Donald Trump enxotou, expulsou, o tirano Nicolás Maduro da Venezuela. 

Dizem que Trump exagerou na dose. Pura maldade. A soberania venezuelana chora. Maduro não merecia tanta humilhação, porque Maduro tem lado puro em seu coração imundo.

BAILARINO – Sabe-se que o ditador venezuelano gostava de dançar para os serviçais. Era elegante nos trajes. Sorridente para o mundo, como se nada faltasse para o povo esfomeado e lascado.

Jornalistas sofriam com a brutal censura. Prisões lotadas de presos políticos. Outros tantos desaparecidos. Depois do banho de sol, sessões de tortura, de assassinatos. Porque ninguém é de ferro.

Quem manda jornalista ser intrometido e lutar para saber e divulgar verdades, doa a quem doer? Que coisa, essa saudável mania dos jornalistas é universal cumprir durante décadas a tal de pauta.

FLORES E POESIA – Larguei de mão a fascinante tarefa. Agora cuido de flores, dos netos e da poesia. Aos que protestam e andam tristes pela casa, sem ânimo para pegar uma piscina, namorar de mãos dadas, tomar um chope ou correr no Parque da Cidade, sugiro que visitem a Venezuela. Avaliem entre populares, os horrores do bonzinho Maduro. 

Na volta, ainda com a alma adormecida e estarrecida de tanta brutalidade, covardia e canalhice da longa tirania do ordinário Nicolas Maduro, seguramente cairão em si.

É preciso que todos se convençam de que Maduro faz parte da escória que já deveria ter ido para o inferno. Com passagem só de ida.

Saída de Lewandowski ameaça travar PEC da Segurança no Congresso

Troca no comando aprofunda resistências ao texto

Luísa Marzullo
O Globo

O pedido de demissão de Ricardo Lewandowski do comando do Ministério da Justiça e Segurança Pública deve dificultar o avanço da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública no Congresso, na avaliação de líderes partidários. A medida vinha sendo tratada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva como uma das principais apostas na área neste ano, quando tentará a reeleição.

Parlamentares afirmam que a mudança na pasta desmonta a articulação política construída até aqui, além de abrir margem para mudanças no texto que desvirtue os pontos principais da PEC. Apresentada pelo Executivo com o objetivo de reorganizar a política de segurança pública e fortalecer a integração entre União, estados e municípios, a PEC vinha sendo alvo de críticas no Congresso por envolver temas sensíveis, como a divisão de competências entre entes federativos, o papel das polícias e a possível sobrecarga para os municípios. O debate ocorre em um ambiente já contaminado pela leitura eleitoral da pauta.

NEGOCIAÇÃO – No entorno do presidente da Câmara, Hugo Motta, a avaliação era de que o cenário para votação ainda exigiria negociação. Em café com jornalistas no mês passado, Motta indicou a intenção de trabalhar para que o texto avance após o recesso parlamentar. “É um trabalho de aprimoramento do Congresso do projeto que veio do Executivo. Vamos trabalhar para votarmos na volta do recesso”, afirmou.

Presidente do PP e aliado próximo de Motta, o senador Ciro Nogueira (PI) é um dos que acreditam que, sem o peso político do agora ex-ministro da Justiça, será mais difícil para o governo avançar com a proposta. “Lewandowski era o grande fiador. Todos têm muito respeito por ele. E antes não se tinha consenso. É um tema difícil de aprovar quando a origem é na esquerda”, afirmou.

A resistência à proposta, contudo, não se limita à saída do ministro. Antes mesmo do anúncio da demissão, aliados de Motta já apontavam dificuldades adicionais pelo fato de a PEC ser vista como uma bandeira do governo Lula em um ano eleitoral. A avaliação predominante no Congresso é de que conceder ao Planalto uma vitória expressiva em uma pauta sensível como a segurança pública pode gerar desgaste político junto às bases eleitorais.

PREOCUPAÇÃO – Para o deputado Reimont (PT-RJ), a troca no comando da pasta é um fator preocupante, mas não altera o diagnóstico central sobre a dificuldade de avanço da proposta no Legislativo.

“Acho preocupante, mas, ao mesmo tempo, penso que, de toda forma, a PEC sofre resistência do Congresso, independentemente de que ministro esteja de plantão. O Congresso, apelidado pelo povo de “inimigo do povo”, não quer segurança pública de verdade. Quer blindar-se. Quer proteger as grandes corporações. Quer enfraquecer a Polícia Federal”, afirmou.

Na mesma linha, Mária do Rosário (PT-RS) afirmou que o tema da segurança pública tem se mantido “refém do bolsonarismo”. Segundo a parlamentar, Lewandowski buscou recuperar o interesse público como superior na matéria, mas enfrentou resistências pela “desqualificação do Parlamento”.

APOIO – Já o relator da proposta na Câmara, o deputado Mendonça Filho (União Brasil-PE), discorda. Ele afirma acreditar que a saída de Lewandowski do governo não deve comprometer o cronograma de votação e avaliou que o texto já reúne apoio suficiente na Casa. “Creio que não vai atrapalhar a aprovação. Nossa previsão é que votaremos até a primeira quinzena de março. Acho que temos uma aceitação muito boa na Casa”, declarou.

Outros integrantes da base governista também minimizam o impacto da troca no comando da pasta. Para eles, o texto amadurecido pelo relator é suficiente para sustentar a votação, independentemente da mudança ministerial. “O texto do relator ficou bom. Acho que passa”, disse o vice-líder do governo, Rubens Pereira Júnior (PT-MA).

Lewandowski entregou sua carta de demissão ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva alegando razões pessoais e familiares, com saída prevista para esta sexta-feira. No documento, afirmou ter exercido as atribuições do cargo com zelo e dignidade, apesar das limitações políticas, conjunturais e orçamentárias. A decisão foi acertada após reunião no Palácio do Planalto, horas antes do ato que marcou os três anos dos ataques de 8 de janeiro.

COTADOS – Lula ainda não definiu quem será o substituto. Entre os nomes cotados estão o advogado-geral da Petrobras, Wellington César Lima e Silva, o advogado Marco Aurélio de Carvalho, ligado ao grupo Prerrogativas, e o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues. A indefinição sobre o comando da pasta também pesa na avaliação de líderes do Congresso, que veem dificuldade em manter a PEC como prioridade sem um interlocutor político forte no Executivo.

Com a retomada dos trabalhos legislativos prevista para fevereiro, aliados de Motta avaliam que a proposta ainda pode avançar, mas reconhecem que o ambiente político se tornou mais hostil. A combinação de resistências de mérito, cautela eleitoral e a saída do principal articulador do texto no governo reforça o risco de que a PEC da Segurança se arraste no Congresso ou tenha seu alcance reduzido, num momento em que o Planalto tenta evitar novas derrotas.