PGR denuncia Malafaia por ofensas ao Alto Comando do Exército

Malafaia diz haver perseguição e que não citou nomes

Carolina Linhares
Folha

O ministro do STF (Supremo Tribunal Federal), Alexandre de Moraes, deu 15 dias para que o pastor Silas Malafaia apresente sua defesa em relação a uma denúncia pelos crimes de calúnia e injúria contra o comandante do Exército, general Tomás Paiva.

A denúncia foi apresentada pelo procurador-geral da República, Paulo Gonet, em 18 de dezembro, penúltimo dia antes do recesso do Judiciário. O caso teve origem em uma representação apresentada pelo general contra Malafaia.

OFENSA – Malafaia é acusado de ofender a dignidade e o decoro de Tomás Paiva durante uma manifestação bolsonarista em abril do ano passado. Na avenida Paulista, do alto do carro de som, o pastor atacou o Alto Comando do Exército, mas não citou nomes. “Cadê esses generais de quatro estrelas, do Alto Comando do Exército? Cambada de frouxos, cambada de covardes, cambada de omissos. Vocês não honram a farda que vestem. Não é para dar golpe, não, é para marcar posição”, afirmou.

O ato havia sido convocado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) para pressionar por anistia aos envolvidos nos ataques golpistas de 8 de janeiro de 2023. Em setembro, Bolsonaro foi condenado a 27 anos e 3 meses de prisão por tentativa de golpe de Estado e está preso desde novembro na superintendência da Polícia Federal em Brasília.

Segundo Gonet, o discurso de Malafaia ofendeu os generais que integram o Alto Comando, inclusive o comandante do Exército. O procurador argumenta que o pastor também imputou aos generais o falso crime de prevaricação e ainda divulgou sua fala nas redes sociais, em postagem com mais de 300 mil visualizações.

NOTIFICAÇÃO – No dia 20 de dezembro, durante o recesso do Judiciário, Moraes determinou que Malafaia fosse notificado e deu o prazo de 15 dias de defesa. O pastor recebeu a notificação em 23 de dezembro. O recesso e as férias coletivas dos ministros do STF vão até o fim de janeiro e, durante esse período, apenas casos urgentes são decididos pelo presidente da corte, Edson Fachin, ou pelo vice, Alexandre de Moraes.

Gonet encaminhou o caso para Moraes sob o argumento de haver “estrita conexão entre as condutas denunciadas” e as investigações dos inquéritos das fake news e das milícias digitais. No entendimento de Malafaia, porém, tal ligação não existe e a ação deveria tramitar na primeira instância. “Eu não tenho prerrogativa de função, que me mandasse, então, para a primeira instância”, diz à reportagem.

SEM MENÇÃO – Malafaia diz ainda que não ofendeu Tomás Paiva pois sequer menciona nomes. “A minha fala não cita o nome de ninguém. Eu não citei o nome do comandante do Exército”, afirma. O pastor diz ser vítima de perseguição por parte de Gonet e Moraes, a quem acusa de passar dos limites por determinar que a defesa seja apresentada em 15 dias em pleno recesso.

“O que tem a ver uma expressão de opinião em uma manifestação com fake news e milícia digital? Isso se chama liberdade de expressão, que Alexandre de Moraes transformou em crime de opinião com esse inquérito imoral e ilegal de fake news. Isso é perseguição política, é conluio”, conclui Malafaia.

PF apura menções a filho de Lula em investigação bilionária sobre desvios no INSS

Sempre alegre, Mário Quintana se distraiu e  escreveu um poema triste

Frases de Mario Quintana - Reflexões poéticas sobre a vida e o tempoPaulo Peres
Poemas & Canções

O jornalista, tradutor e poeta gaúcho Mário de Miranda Quintana (1906-1994), no poema “Eu Escrevi um Poema Triste”, afirma tê-lo feito apenas baseado na tristeza de uma outra pessoa. Quintana era uma poeta sempre bem-humorado, mas os problemas alheios também o afligiam.

EU ESCREVI UM POEMA TRISTE
Mário Quintana

Eu escrevi um poema triste
E belo, apesar da sua tristeza.
Não vem de ti essa tristeza
Mas das mudanças do Tempo,
Que ora nos traz esperanças
Ora nos dá incerteza…

Nem importa, ao velho Tempo,
Que sejas fiel ou infiel…
Eu fico, junto à correnteza,
Olhando as horas tão breves…
E das cartas que me escreves
Faço barcos de papel!      

Código de ética expõe forte resistência e silêncio incômodo no Supremo

PGR pede arquivamento de inquérito contra senador flagrado com dinheiro na cueca

Charge do Duke (Arquivo do Google)

Ana Pompeu
Folha

O procurador-geral da República, Paulo Gonet, se manifestou nesta terça-feira (6) pelo arquivamento do inquérito contra o senador Chico Rodrigues (PSB-RR), por ausência de provas. O parlamentar foi flagrado em uma operação da PF em 2020 com dinheiro vivo dentro da cueca.

O PGR afirmou que, apesar da forma como os valores foram encontrados, não foi possível demonstrar a proveniência ilícita do dinheiro. A manifestação foi enviada em 28 de dezembro ao ministro Flávio Dino, do STF (Supremo Tribunal Federal), relator do caso.

PEDIDO PARCIAL – Segundo a manifestação, sem a demonstração mínima da origem criminosa dos valores, não se configura o crime de lavagem de dinheiro. O pedido de arquivamento foi parcial. No mesmo documento, a PGR pediu o envio do caso para a Justiça Federal de Roraima para fatos que ainda demandam investigação, como o direcionamento de contratações emergenciais em favor da empresa Quantum Empreendimentos em Saúde, com indícios de superfaturamento e peculato.

Rodrigues foi indiciado pela Polícia Federal em 2021 sob suspeita de envolvimento em desvio de recursos públicos destinados ao combate à Covid-19. “No que se refere aos valores em espécie apreendidos na residência do senador da República, durante o cumprimento das diligências de busca e apreensão realizadas em 14.10.2020 —tanto aqueles localizados em cofres quanto os encontrados em suas vestes íntimas—, não se logrou demonstrar a proveniência ilícita do numerário”, disse o PGR ao STF.

De acordo com Gonet, o fato de o parlamentar ter escondido o dinheiro também não significa, por si só, tentativa de atrapalhar as investigações. “Tampouco se formaram elementos suficientes para caracterizar o crime de embaraço à investigação de organização criminosa, uma vez que a subsunção dessa conduta exige demonstração concreta de que a ocultação teve por finalidade frustrar ou dificultar a apuração de infração penal específica vinculada a organização criminosa”, afirmou.

OPERAÇÃO – Em outubro de 2020, a PF encontrou os valores com Chico Rodrigues em operação feita em Roraima contra o desvio de recursos públicos para o enfrentamento à Covid-19. Na ocasião, ele era vice-líder do governo Bolsonaro (PL) no Senado. Cerca de R$ 30 mil foram encontrados na casa do parlamentar.

Deflagrada pela PF e pela CGU (Controladoria Geral da União), a Operação Desvid-19 tinha o objetivo de coletar informações sobre o desvio de recursos públicos oriundos de emendas parlamentares. Cada congressista tem direito a R$ 15 milhões por ano em emendas ao Orçamento da União. Os valores eram destinados ao combate à pandemia da Covid-19 —recursos administrados pela Secretaria de Saúde de Roraima.

Em setembro passado, a Folha mostrou que a destinação de emendas parlamentares para a Polícia Federal disparou e chegou a R$ 37 milhões apenas em 2025. É o maior volume captado pelo órgão ao menos desde 2020 e incluiu recursos enviados por congressistas investigados pela corporação, entre eles o senador Chico Rodrigues.

SEM ENVOLVIMENTO  – Procurada, a assessoria do senador disse que a emenda “deve ter sido um pedido da Superintendência da PF em Roraima”, estado do parlamentar. Também afirmou que “todos os órgãos pedem” e que “em todos os anos é assim”. O senador tem afirmado que não tem envolvimento com qualquer ato ilícito.

Durante uma audiência pública da Comissão de Segurança Pública da Câmara dos Deputados, em julho, o diretor-geral da PF afirmou que aproveitaria a ocasião para fazer um lobby aos deputados para a destinação de emendas parlamentares do grupo à PF.

Entre a força e o princípio: o caso Maduro e seu impacto no Brasil

Lula recusou apoio tanto à ação militar quanto a Maduro

Pedro do Coutto

O encerramento do primeiro capítulo da chamada “operação Nicolás Maduro” — assim batizada por seus críticos e defensores — projeta sombras longas sobre o cenário político latino-americano e, de maneira particular, sobre as eleições presidenciais brasileiras de outubro. Mais do que um episódio isolado da já turbulenta relação entre Estados Unidos e Venezuela, o caso passou a operar como um teste político e moral para lideranças da região, obrigadas a se posicionar diante de um dilema clássico da política internacional: como condenar abusos de poder sem legitimar ações de força igualmente questionáveis.

No Brasil, onde se encontra o maior eleitorado da América Latina, o episódio tende a ser incorporado ao debate eleitoral. Não como tema central, mas como marcador simbólico de posições. A reação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ao recusar apoio tanto à ação militar quanto à figura de Nicolás Maduro, acabou por reforçar sua candidatura. Lula adotou uma linha que dialoga com o sentimento predominante em amplos setores da comunidade internacional: a rejeição à intervenção armada estrangeira, sem que isso implique endosso a governos acusados de práticas autoritárias.

RECUO – Essa postura não é trivial. Conforme noticiado por O Globo, setores da esquerda latino-americana e brasileira têm recuado de uma defesa automática do governo venezuelano, após críticas nas redes sociais e constrangimentos eleitorais recentes. O movimento revela uma inflexão importante: a tentativa de separar a crítica ao imperialismo e às ações unilaterais dos Estados Unidos da necessidade de reconhecer os impasses democráticos internos da Venezuela. Trata-se de um ajuste fino, politicamente arriscado, mas talvez inevitável.

O episódio envolvendo Maduro — cercado de controvérsias jurídicas e políticas — abriu espaço para um debate mais amplo sobre soberania, legalidade internacional e os limites da ação militar. A maioria dos países, inclusive aliados históricos de Washington, manifestou-se de forma crítica a qualquer operação que implique sequestro de um chefe de Estado e seu julgamento fora dos marcos do direito internacional. No Conselho da ONU, prevaleceu o entendimento de que violações à democracia não podem ser combatidas com métodos que também agridem princípios fundamentais do sistema internacional.

É evidente que Nicolás Maduro enfrenta acusações graves e um crescente isolamento político. Ainda assim, a constatação — e não a defesa — de que ele poderá ser condenado em instâncias internacionais não legitima uma ação armada conduzida à revelia do consenso global. A entrada direta dos Estados Unidos no caso, com o uso da força, reacendeu memórias incômodas na América Latina, região historicamente marcada por intervenções externas que produziram mais instabilidade do que soluções duradouras.

REPERCUSSÃO – No plano interno brasileiro, esse choque entre forças antidemocráticas distintas tende a repercutir no discurso eleitoral. Candidatos serão pressionados a explicar onde traçam a linha entre o combate a regimes autoritários e a defesa do direito internacional. Lula, ao alinhar-se a uma posição compartilhada por diversos países e ao mesmo tempo manter distância crítica de Maduro, ocupa um espaço de equilíbrio que pode se revelar eleitoralmente vantajoso.

O caso, em última instância, expõe uma realidade desconfortável: não há soluções simples quando princípios entram em colisão. Condenar Donald Trump por uma ação de força não significa absolver Nicolás Maduro de seus erros; apoiar a democracia não autoriza o atropelo das regras que a sustentam. É nesse terreno ambíguo, mas politicamente fértil, que a campanha brasileira deverá caminhar — e onde o eleitorado será chamado a decidir não apenas sobre nomes, mas sobre valores.

Planalto festejará o 8 de Janeiro com defesa da democracia e veto à Lei da Dosimetria

Evento fará defesa da democracia e das instituições

Victoria Azevedo
Sérgio Roxo
O Globo

O governo Luiz Inácio Lula da Silva prepara uma cerimônia para marcar os três anos dos ataques golpistas do 8 de Janeiro, e aliados defendem que o presidente não use a solenidade para vetar projeto de lei da dosimetria na presença dos chefes do Legislativo.

O gesto é considerado como uma tendência no Palácio do Planalto, mas parte dos auxiliares quer evitar um novo episódio de tensionamento com o Congresso. A proposta de redução de penas, aprovada pelo Parlamento nos últimos dias de trabalho de 2025, beneficia o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e outros envolvidos na trama golpista.

DEFESA DA DEMOCRACIA – A ideia da cerimônia é fazer uma defesa da democracia e das instituições brasileiras, três anos após a invasão das sedes dos três Poderes em Brasília, em 2023, e reforçar que o que ocorreu não pode cair no esquecimento. Além disso, aliados do presidente dizem que o ato ganha nova dimensão diante da conclusão do julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF) da trama golpista, que levou Bolsonaro e auxiliares dele à prisão.

No Legislativo, a base do governo se divide sobre a decisão de vetar o projeto na cerimônia de quinta-feira — o petista tem até o dia 12 deste mês para fazê-lo. Ele já decidiu que irá barrar a matéria e demonstrou a aliados a intenção de que isso poderia ocorrer no dia 8.

RELAÇÃO ENTRE PODERES –  Um auxiliar de Lula diz que a vontade do presidente prevalecerá, mas defende que isso não aconteça durante a cerimônia, para evitar qualquer atrito com representantes dos demais Poderes, sobretudo num momento em que o Planalto trabalha para distensionar a relação com o Legislativo.

Os presidentes da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB); do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP); e do STF, Edson Fachin, foram convidados para o ato institucional, mas ainda não confirmaram presença. Outro interlocutor frequente do presidente da República, no entanto, minimiza eventual tensionamento na relação com os chefes do Legislativo e diz que já está precificado no Congresso qual será o posicionamento de Lula.

SIMBOLISMO – Na visão dele, não haverá, portanto, desconforto. Pelo contrário, ele diz que seria importante que isso ocorresse na data de 8 de janeiro, dando maior peso e simbolismo à decisão. Um terceiro auxiliar do petista diz que a palavra final sobre a oficialização do veto deverá ser debatida em reuniões com o presidente hoje, quando ele retorna a Brasília, e amanhã.

O Planalto também convocou ministros do governo para participar da cerimônia. Além do ato, está prevista uma atividade do lado de fora do Palácio do Planalto, com a participação de representantes da sociedade civil e de movimentos sociais. Segundo pessoas que estão participando da organização, a expectativa é que o presidente desça a rampa do palácio ao fim do evento para se juntar ao público.

VENEZUELA –  Já o PT convocou atos por todo o país no dia 8 em defesa da democracia e da soberania brasileira. Um dos motes é mobilização contrária ao projeto de lei da dosimetria. Diante da invasão da Venezuela pelos Estados Unidos que levou à captura do ditador Nicolás Maduro, no sábado, representantes da executiva do partido de Lula também defendem incorporar a defesa da soberania da América Latina nessas manifestações.

— A cerimônia tem esse duplo significado: a defesa da democracia e da soberania. E o que vale para o Brasil vale para a América Latina. O ato ganha um simbolismo muito grande num momento em que acontece o que aconteceu na Venezuela. O ato tomou essa nova conotação — diz o líder do governo na Câmara, José Guimarães (PT-CE).

FOCO – O ministro Guilherme Boulos, da Secretaria-Geral da Presidência, afirma que os temas da soberania e defesa da paz ganharam força após os ataques na Venezuela e serão “complementares” na cerimônia na quinta, mas reforça que o foco é a defesa da democracia brasileira.

— O centro do ato de 8 de janeiro é a defesa da democracia e a condenação do golpismo. É o primeiro 8/1 após a condenação e a prisão dos criminosos golpistas. Agora, é evidente que os temas da soberania e defesa da paz ganharam força após os ataques dos EUA e serão complementares no ato. O Brasil defende democracia com soberania nacional. E essa defesa estará presente no ato do 8/1 — diz Boulos.

O que há no celular de Vorcaro? Negativa à PF intensifica suspeitas no escândalo do Master

O que Ruy Barbosa diria sobre as “interpretações” jurídicas que o STF faz?

16 melhores ideias de Rui barbosa frases | rui barbosa frases, frases de conhecimento, pensamentosCarlos Newton

Um dos maiores sonhos da humanidade continua a ser a busca da neutralidade, meta que ainda não foi atingida em nenhum regime político. Realmente, é um sonho dificílimo de ser concretizado, e cabe à imprensa fiscalizar os três Poderes da democracia, para que a neutralidade não seja desprezada por qualquer motivo que pareça nobre e justificável, como “defender a democracia”, por exemplo.

Por isso, é bom lembrar Ruy Barbosa, ao defender leis que obrigassem os detentores do poder a manter a neutralidade em todas as situações.

DIZIA RUY – “A lei que protege meu inimigo é a lei que me protege”, dizia o grande jurista e político, referindo-se à necessidade de alternância no poder, uma das principais características da democracia.

Para que haja a troca de governantes, é preciso que o poder seja exercido com neutralidade, de forma a garantir que a oposição possa amealhar apoio popular para vencer as eleições.

No entanto, mais de 100 anos após a morte de Ruy Barbosa, o Brasil continua engatinhando em busca da neutralidade. e ele avisava que a pior ditadura é do Judiciário, contra a qual não se pode recorrer.

8 DE JANEIRO – Com toda certeza, ficará na História o caso do golpe que chegou a ser planejado no Brasil, mas acabou não aconteceu e sequer foi tentado. Porém, apesar de não ter havido a tentativa prevista em lei, o Supremo “reinterpretou “a legislação para punir os que considerou culpados.

Com a neutralidade atirada “às favas”, que faz lembrar os escrúpulos do coronel-ministro Jarbas Passarinho em 1968 (AI-5), o Supremo conseguiu transformar em golpe a manifestação popular de 8 de Janeiro.

Artificialmente, o relator Alexandre de Moraes criou mais de 1,5 mil terroristas, que seriam membros de uma organização criminosa armada, e os condenou a penas de até 17 anos de prisão, algo jamais visto no mundo civilizado, vejam que determinados juízes não têm medo do ridículo.

A força do direito deve superar o... Rui Barbosa - PensadorPODE TUDO – Hoje, o Judiciário brasileiro recebe as maiores remunerações do mundo e tudo é permitido ao Supremo, que solta traficantes, políticos e corruptos confessos, e pode até lhes devolver os dinheiros sujos que confessaram haver recebido.

Nosso STF permite também que cônjuges e parentes de ministros mantenham escritórios abertos em Brasília, cobrando até R$ 3,6 milhões mensais para dar assistência a criminosos notórios, e o procurador-geral da República considera “normal” este valor.

Outro exemplo: o Banco Central intervém numa instituição financeira envolvida em fraudes gravíssimas, e logo se forma um lobby no Supremo para desmoralizar o corpo técnico do BC. Minha gente, que país é esse?

NOSSA REALIDADE – Onde está a neutralidade que Ruy Barbosa pregava? A imprensa está fazendo seu papel, mas a opinião pública não reage. Infelizmente, esta é a nossa realidade.

E como sempre fazemos a cada mês, vamos divulgar agora as contribuições de nossos colaboradores e amigos que ajudam a sustentar este espaço sob o signo da liberdade.

Na Caixa Econômica Federal, houve os seguintes depósitos:

DIA  REGISTRO   OPERAÇÃO             VALOR
05    051535        DEP DIN LOT………….500,00

08    081714        DEP DIN LOT………….500,00
12    121627        TRANS. LINCOLN…..205,00
13    131130        DEP DIN LOT………….100,00
23    232542        DEP DIN LOT………….100,00
30    303515        DEP DIN LOT………….300,00
30    301626        DEP DIN LOT………….230,00

Agora, os depósitos na conta do banco Itaú/Unibanco:

01    PIX TRANS JOSE FR………………..150,00
01    PIX TRANS PAULO ROB…………..100,00
01    PTED 001 593 JOS.A.P.J………….601,12
05    PIX TRANS JOAO ANT……………….50,00
15    PTED 001.4416 MACRO…………..300,00
29    PTED 039.3591 ROBSNA…………200,00
31    PIX TRANSF DUABER……………….180,00

Agradecemos muitíssimo a quem colabora para tornar realidade a utopia de uma imprensa livre, que funcione como o maior e mais eficiente fiscal das práticas democráticas, para que as coisas se acertem aqui debaixo do Equador. (C.N.)

Liquidação do Banco Master vira prova de fogo para a autonomia do Banco Central

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Falsos democratas criticam prisão de Maduro, um tirano sanguinário

Eleição nos EUA e de Maduro, pode implodir o futuro de Lula - O Hoje

Charge reproduzida do Arquivo Google

Vicente Limongi Netto

No caso da Venezuela, falsos democratas, fantasiados de puros, na verdade não passam de demagogos, enquanto entidades verdadeiramente inúteis, como a ONU e OEA,  estão desapontadas porque Donald Trump está ajudando o mundo tirando de circulação ratos, abutres, assassinos, terroristas, narcotraficantes e ditadores. Como fez, agora, com Nicolás Maduro.

Algemado e com macacão de prisioneiro, Maduro foi ouvido na audiência de custódia, teve o direito de mentir à vontade. Ardiloso e cínico, clamou que é decente. Caramba! Na realidade, Maduro é merecedor de uma viagem direta para o inferno.

SEM REGALIAS – O ditador venezuelano continuará preso. Sem regalias. Já virou réu, porque Trump agiu  rápido, tipo motoqueiro de delivery.

A diferença é que levou e entregou o pedido do mundo civilizado, que anseia por democrata à justiça. Mereceu nota 10. Missão concluída.

Outros chefes de nações, que se dizem bravos e democratas, estão declarando montes de sandices contra Trump. Precisam ficar espertos, porque a  carapuça é enorme e nela cabe a cabeça de muita gente.  Maduro será ouvido novamente pela justiça americana em março. Jornalistas também fizeram questão de criticar Trump. Patéticos, nem sabem o que dizem. Vão na onda.

ÓPERA BUFA – Aliás, a Globonews é esmerada em conversa mole em ópera bufa. Impressionante como os rapazes e moçoilas enchem a boca para repudiar ações de Trump. O presidente dos Estados Unidos nem sabe da existência deles.

É deprimente. Coitados. Comprem espelhos.  O julgamento do patife venezuelano não tem data marcada. Provável que seja no final do ano. Poderá pegar 40 anos de cadeia ou, prisão perpétua. 

Causas sociais e políticas ajudam a corromper o caráter dos mais jovens

Cartazes do Black Lives Matter ganham acervo nos EUA - 18/02/2022 - Mundo - Fotografia - Folha de S.Paulo

“Esperança há muitas, mas não para nós”

Luiz Felipe Pondé
Folha

Em maio de 2020, no início da pandemia de Covid-19, numa cidade fictícia do Novo México, é onde transcorre o drama do livro “Eddington”, que resume muito o surto que os Estados Unidos, em particular, e o mundo em geral, passava. O filme com o mesmo nome encena o trágico e o ridículo de uma espécie psicótica como a nossa. Como disse certa feita Kafka ao seu amigo Max Brod, que o acusava de pessimista por parecer não ter nenhuma esperança: “Esperança há muitas, mas não para nós”.

O filme “Eddington”, dirigido por Ari Aster, e estrelado por Joaquin Phoenix, Pedro Pascal e Emma Stone, é uma análise psicossocial da América profunda atravessada não só pela pandemia de Covid-19 em 2020, mas também pela tragédia que matou George Floyd e o surgimento do movimento Black Lives Matter. E toda a cacofonia que se seguiu a esses eventos.

PEQUENOS ATOS – Com um leve toque de sátira, o filme é um panorama de como pequenos atos das pessoas crescem ao ponto de mergulharmos num nonsense absoluto. Um dos grandes efeitos do filme é destruir a crença no sentido de muitos dos diálogos em inúmeras cenas.

Ninguém ouve ninguém e a razão soa patética nas tentativas de ser ouvida. O mito idiota iluminista surge em toda sua estupidez. O filme torna-se uma cacofonia histérica em que os protagonistas somos nós, ainda que representados pelos personagens, como na tragédia grega.

Primeiro de tudo, as discussões ridículas que ouvíamos sobre máscara, sim, máscara, não — alguém ainda lembra disso? Uma espécie de liberalismo tosco não queria reconhecer que uma pandemia é um quadro coletivo e social e não, apenas, individual.

LIBERAL TOSCO – O xerife, interpretado por Joaquin Phoenix, faz o discurso do liberal tosco contra a determinação do prefeito, Pedro Pascal, seguindo a norma do governo, que estabelecera o lockdown. Tudo tão longe, né? Como alguém ainda pode acreditar numa memória social?

Lembro da horda de idiotas que afirmavam que a humanidade seria outra por conta da pandemia, mais solidária e humana. Outros viam um sentido espiritual na pandemia. Dela esquecemos cinco minutos depois. E se outra vier, o circo se repetirá. Mas o caos em “Eddington” não se restringe a pandemia enquanto tal.

O movimento Black Lives Matter põe em marcha um significativo grupo numericamente minúsculo de jovens da cidade que se lançam a um protesto e quebram lojas. Cacofonia absoluta. Jovens brancos quase se autoflagelando porque pisavam em solo “roubado” dos povos originários e que deveria ser devolvido a essa população.

QUÃO RIDÍCULO – Um pai lúcido chama a atenção de um desses jovens, seu filho, o quão ridículo era ele, um branco, falar essas coisas. Num discurso mais à frente no roteiro, este mesmo menino anuncia que brancos como ele deveriam perder o direito à palavra. E depois, se torna um influencer conservador nas redes. Como somos ridículos, e ainda tem gente que nos leva a sério.

As cenas revelam o tom grotesco de muitos desses protestos, em que os jovens assumem faces, gestos e palavras de psicopatas alienados numa “causa” qualquer. O ativismo fez e faz muito mal aos jovens, além, é claro, de prestar um enorme serviço à preguiça que os assola quando têm que arrumar o quarto, atividade bem mais difícil do que salvar o mundo e seguir a Greta Thunberg. Causas sociais e políticas corrompem o caráter dos mais jovens.

Uma jovem esposa —a premiada Emma Stone—, completamente perdida, abandona o marido por um guru picareta que mistura Jesus e combate a pedofilia. O “grande líder” vive narrando supostas histórias que teriam acontecido com ele na infância que soam completamente absurdas e mentirosas para quem tem acima de dois neurônios. Ela, por sua vez, vive a clássica esposa entediada em busca de um amante poderoso e audacioso.

ENTROPIA SOCIAL – Pandemia, movimentos sociais de protestos cada vez mais agressivos ao longo do roteiro, seitas de cristãos que deixariam os mais radicais dos evangélicos em crise. Uma verdadeira entropia social anárquica, mascarada de causas políticas.

Mas a loucura escala. Grupos denominados “terroristas”, que voam — em jatinhos — atacam a cidade e o xerife, que tudo que quer é ser prefeito, coroando o caos e o “futuro” político bufão da pequena e irrelevante cidade. O que todo mundo quer é ficar famoso. A cidade lembra o Brasil, no seu ridículo desejo de ser relevante quando é, na verdade, um nada do ponto de vista geopolítico.

O filme é um exercício de cinismo filosófico fazendo um sobrevoo sobre o cenário das causas sociais do século 21. A América, maior potência mundial, se afoga na própria loucura criada no seu quintal, transformando a população num ninho de cobras. O tema é a entropia, o caos social e político.

Justiça da Espanha dá uma lição ao Brasil sobre liberdade de expressão

Fui vítima de uma perseguição doentia”, diz Oswaldo Eustáquio | VEJA

Espanha considera Oswaldo Eustáquio vítima de perseguição

Fernando Schüler
Estadão

Quem me acompanha, por aqui, sabe do meu gosto pelo acontecimento. Pelos fatos, eles mesmos, e o que eles podem nos ensinar. Nossa era é de excesso retórico. Dizem que há perto de 200 zettabytes de informação, rodando o planeta, nesta entrada de 2026, contra pouco mais de um zettabyte, década e meia atrás. Vem daí a força do acontecimento.

Quando Voltaire quis mostrar os males do fanatismo religioso na França, no século XVIII, nada foi tão poderoso quanto mostrar a inocência de Jean Calas, condenado e martirizado pela horda de fanáticos, em Toulouse, por um crime que não havia cometido.

MESMO PRINCÍPIO – O Brasil de hoje é seguramente menos dramático do que a França de Voltaire, mas vale o mesmíssimo princípio. Se alguém quiser entender a debacle do nosso estado de direito, observe aquela prisão de meio ano, ou mais, de Filipe Martins, por uma tentativa de fuga que sabidamente não existiu.

Se quer saber um pouco sobre a loucura` da censura prévia, pergunte por que Luciano Hang foi censurado por mais de dois anos, ou quem sabe o professor Marcos Cintra ou o PCO.

Tente sair, por um momento que seja, do reino da retórica fácil, e pergunte sobre os fatos. Não digo que seja fácil, em especial para os apaixonados. Mas é possível.

EXEMPLO ESPANHOL – Ainda agora tivemos um caso revelador. Foi a negativa da Espanha de extraditar Oswaldo Eustáquio. Para quem não se lembra, Eustáquio é um jornalista paranaense censurado pelo nosso STF, preso e tudo mais, e que se refugiou na Espanha.

Seu processo correu, o Brasil gastou um bom dinheiro tentando provar ao Tributal espanhol que ele era um criminoso, mas não conseguiu. Agora, na decisão final, a Espanha diz que parte relevante das posições de Eustáquio estão protegidas “pelo direito fundamental à liberdade de expressão”.

Diz também que ele exerce a profissão de jornalista, e que uma extradição representaria um sério risco de que sua situação se “agravasse por causa de suas opiniões políticas”.

TRADUZINDO – Na prática, o que o Tribunal espanhol está dizendo é que aquele País não criminaliza a opinião política, como o Brasil está fazendo. O problema disso tudo é simples: na Constituição brasileira também não existe “delito de opinião”.

E é isto que torna este caso particularmente vergonhoso, para o Brasil. Ao longo dos últimos anos, escutamos que a liberdade de expressão era “uma coisa dos americanos, com sua Primeira Emenda”.

Pois bem: não é. A Espanha, um país europeu, é que está nos oferecendo uma lição.

RUMO DO JORNALISMO – Nas últimas semanas, tenho lido sobre a retomada do “jornalismo investigativo”, ou ao menos do “jornalismo crítico”, no Brasil.

Haveria um certo cansaço com a lógica da exceção e do abuso de poder, agora inclusive por questões éticas, e seria a hora de dar um basta e se retomar algum respeito pelo direito e pela ética, no País.

Confesso meu ceticismo. Nosso jornalismo silenciou durante anos, em casos como o de Eustáquio. Agora temos que escutar de um alto tribunal espanhol o que não tivemos coragem de dizer a nós mesmos, nos anos recentes. Oxalá, dessa vez, sejamos capazes de prestar alguma atenção.

Hoje é o Dia dos Santos Reis, quando se encerra a festa da Folia de Reis

Folia de Reis, tradição da antiguidade que faz parte da história brasileira

Folia de Reis, uma tradição que ainda resiste no interior

Paulo Peres
Poemas & Canções

A Folia de Reis faz parte do Natal no folclore brasileiro, a festa popular se inicia na noite de 24 de dezembro e se estende até 6 de janeiro, com a Festa de Reis. A letra desta folia pertence ao folclore da cidade de Urucaia, MG.

FOLIA DE REIS

Porta aberta, luz acesa,
Recebei com alegria
A visita dos Reis Magos
Com sua nobre folia

Lá vai a garça voando,
Lá no céu bateu as asas
Vai voando e vai dizendo
Viva o dono desta casa

Entra, entra, minha bandeira,
Por essa porta adentro
Vai fazer sua visita
À senhora lá de dentro

Os três reis quando saíram
Cantando sua folia
Eles cantavam de noite
E de dia recolhia

Quando era boca da noite
A estrela aparecia
Os três reis se alevantava
Em seu caminho seguia

Foram saudar o Deus Menino
Que nasceu pro nosso bem
Ô bendito louvado seja,
Para todo sempre Amém   

Socorro ao Master já previa cortar a ajuda em caso de investigação

Regulação das fintechs coíbe fraudes trabalhistas e financeiras | Sindicato dos Bancários

Ilustração reproduzida do Arquivo Google

Adriana Fernandes
Folha

A linha emergencial de empréstimo do FGC (Fundo Garantidor de Crédito) para o Master honrar os pagamentos dos CDBs (Certificado de Depósitos Bancários) continha uma cláusula para suspender o socorro de liquidez no caso de o banco de Daniel Vorcaro ser alvo de operação da Polícia Federal ou do Ministério Público Federal.

Confidencial, a cláusula foi feita pelo Fundo após reportagem da Folha revelar que a PF havia aberto inquérito, no final de setembro, com base em documentação que sustentou a decisão do Banco Central para rejeitar a operação de compra do banco Master pelo BRB (Banco Regional de Brasília).

A investigação apontou indícios de fraudes na venda de carteiras de crédito para o BRB.

CLÁUSULA NOVA – O dispositivo de proteção contratual foi incluído na documentação da renovação da linha de assistência de liquidez de curto prazo, que estava em andamento desde maio do ano passado.

O documento deixa claro que a cláusula seria acionada no caso de envolvimento não só do Master, como também de “qualquer das sociedades integrantes do conglomerado do banco ou de qualquer dos fiadores”.

Incluía também a previsão de interrupção do socorro na hipótese de instauração e andamento do procedimento investigativo “ou medida correlata que pudesse configurar ou conduzir ao descumprimento das condições de concessão da linha de empréstimo”.

GRAVE CRISE – O socorro inicial do FGC foi aprovado em maio, menos de três meses depois de o BRB anunciar ao mercado o interesse em adquirir o Master..

No pedido ao fundo, o Master alegou que enfrentava uma grave crise de liquidez para pagar os CDBs que estavam vencendo. A admissão formal de falta de liquidez, o termo técnico que designa o caixa vazio do banco, aparece no contrato firmado pelo FGC com o Master.

O Master requisitou recursos de emergência ao FGC por meio de um instrumento particular de liquidez de curto prazo para honrar seus compromissos e recebeu, em uma primeira parcela, R$ 4,3 bilhões.

PRÉ-FALIDO – O reconhecimento de falta de liquidez e a cláusula confidencial desmontam a tese de que, não fosse a decisão do Banco Central de liquidar a instituição, os pagamentos pelo Master seriam retomados, na avaliação de investigadores ouvidos pela Folha. A liquidação foi comunicada ao mercado pelo BC na manhã de 18 de novembro.

O inquérito da PF estava sob sigilo e só foi efetivamente conhecido com a prisão de Vorcaro na noite do dia 17 de novembro. O episódio acionaria a cláusula confidencial e interromperia os repasses do FGC ao Master. Como a liquidação foi decretada pelo BC, a cláusula não chegou a ser acionada.

Na visão de investigadores, caso a liquidação não fosse decretada, o banco ficaria imediatamente sem recursos para bancar a própria dívida, pois não poderia mais contar com o FGC. E acabaria liquidado por não conseguir honrar os pagamentos dos CDBs.

ESTADO TERMINAL – O banco de Vorcaro só estava sobrevivendo graças ao suporte do FGC, o fundo bancado por aportes das instituições financeiras para ressarcir investidores em caso de quebra de um banco.

Desde o início do processo de avaliação do negócio do Master com o BRB, os maiores bancos foram resistentes ao socorro do Master pelo FGC, prevendo que o rombo seria muito grande e drenaria recursos do fundo, o que acabou acontecendo.

Mas a defesa de Vorcaro tem insistido na tese falaciosa de que houve uma coordenação da Polícia Federal com o BC para prender o banqueiro, o que teria atrapalhado a venda do banco para a Fictor Holding Financeira. A única defesa dos advogados é dizer que a liquidação foi precipitada.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Belíssima e elucidadora matéria de Adriana Fernandes. Desfaz a balela de classificar como erro a liquidação do banco. No mercado, todos sabiam que o Master estava quebrado, porque o rendimento dos CDBs que oferecia era tão alto que seria impossível pagá-lo. Mesmo assim, no Supremo, no Governo, no Congresso e no TCU, ainda há quem defenda o banqueiro fraudador, certamente por conta de 30 dinheiros, como diz a Bíblia Sagrada. (C.N.)

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