
Charge do Duke (Arquivo do Google)
Dora Kramer
Folha
Não há dúvida sobre a necessidade de o Supremo Tribunal Federal promover um ajuste na conduta de magistrados que ferem a reputação da corte. Mas também é verdade que seus companheiros no pódio dos Poderes contribuem para a erosão de imagem do tribunal.
O presidente Edson Fachin tentou não deixar margem para adiamentos na reabertura dos trabalhos do Judiciário ao reiterar compromisso com a adoção de um código de ética e entregar a relatoria à ministra Cármen Lúcia, uma inequívoca parceira no propósito.
Fachin foi certeiro ao ressaltar o papel da Justiça na guarda da democracia e contemporâneo ao constatar que “o momento agora é outro”. Hora de avançar no aperfeiçoamento institucional, uma tarefa que cabe ao Supremo e aos demais Poderes.
ESPAÇO VAZIO – Se o STF ocupou lugar central, deveu-se também ao fato de encontrar espaço vazio para tal. Legislativo e Executivo têm parcela significativa de responsabilidade. Daí Fachin ter feito a chamada geral à “autocorreção” na repartição dos deveres republicanos.
O Parlamento banaliza suas prerrogativas quando propõe impeachment de ministros do Supremo por impulso ideológico, tornando o ato banal e passível de ser ignorado. Vulgariza o cenário também ao conduzir sem rigor as sabatinas dos indicados pelo chefe do Executivo.
COMPANHEIRO – Já o presidente da República esvazia os requisitos constitucionais para o preenchimento das vagas ao estabelecer como critérios a proximidade, identidade e confiança pessoais. Trata o Supremo como mais um companheiro.
Nos pronunciamentos de seus comandantes na volta do recesso, Congresso e Palácio estiveram muito distantes da convocação ao “aperfeiçoamento” feito por Fachin. Luiz Inácio da Silva (PT) fez propaganda de si, Davi Alcolumbre (União Brasil) reiterou a própria autoridade e Hugo Motta (Republicanos) apegou-se à defesa das emendas.
Uma pobreza. Coisa de quem não entendeu que a proposta do manual de ética não diz respeito à edição de um livrinho. É sugestão para mudança de paradigma na qualidade das instituições.
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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – A experiente Dora Krames está correta ao apoiar o Código de Ética no Supremo. O problema é que Gilmar Mendes, Alexandre de Moraes e Dias Toffoli, que hoje mandam no STF, não pretendem ceder e vão boicotar o Código de todas as maneiras. Para enfrentá-los, Fachin terá de ser mais agressivo, porque eles gostam de briga. Vamos aguardar. (C.N.)
Para quem não tem ética, claro que serão contra esse código
La no passado remoto, um sujeito chamado Miguel de Cervantes, já tinha escrito uma obra exaltando um personagem (Dom Quixote), que estaria com o mesmo ímpeto do Facchin.
Seu Janjão, é totalmente descabida a comparação! Dom Quixote É Dom Quixote! Fachin é, além de nada ser, e como ele próprio diria em seu rocambolesco e bolorento vernáculo, um mero Fachin