
Tavito e Rodrix, dois gigantes da MPB
Paulo Peres
Poemas & Canções
O músico e compositor carioca Zé Rodrix 1947/2009), nome artístico de José Rodrigues Trindade, na letra de “Casa no Campo”, parceira com o músico mineiro Tavito, nome artístico de Luís Otávio de Melo Carvalho, retratou sua intenção de trocar a agitação da cidade grande pela vida simples e tranquila do interior. A canção viria a se tornar um grande sucesso na voz de Elis Regina, através de um compacto duplo gravado em 1971, pela Philips.
CASA NO CAMPO
Zé Rodrix e Tavito
Eu quero uma casa no campo
Onde eu possa compor muitos rocks-rurais
E tenha somente a certeza
Dos amigos do peito e nada mais.
Eu quero uma casa no campo
Onde eu possa ficar no tamanho da paz
E tenha somente a certeza
Dos limites do corpo e nada mais
Eu quero carneiros e cabras pastando solenes
No meu jardim
Eu quero o silêncio das línguas cansadas
Eu quero a esperança de óculos
Meu filho de cuca legal
Eu quero plantar e colher com a mão
A pimenta e o sal
Eu quero uma casa no campo
Do tamanho ideal, pau-a-pique, sapê
Onde eu possa plantar meus amigos
Meus discos e livros
E nada mais.
Muito bonita essa música, época boa
Não acordo muito cedo
Mas não fico preocupado
Muita gente me censura
E acha que eu estou errado
Deus ajuda a quem madruga
Mas dormir não é pecado
O apressado come cru
E eu como mais descansado
Soy latino americano
E nunca me engano, e nunca me engano
Soy latino americano
E nunca me engano
Meu caminho pro trabalho
É um pouco mais comprido
Eu vou sempre pela praia
Que é muito mais divertido
Chego sempre atrasado
Mas eu não corro perigo
Quem devia dar o exemplo
Chega atrasado comigo, e diz
Soy latino americano
E nunca me engano, e nunca me engano
Soy latino americano
E nunca me engano
É legal voltar pra casa
Mas eu não volto correndo
Quem tem pressa de ir embora
No transporte vai morrendo
E eu que não me apresso nunca
Pro meu bar eu vou correndo
E encontro minha turma toda
Sentada na mesa dizendo assim
Soy latino americano
E nunca me engano, e nunca me engano
Soy latino americano
E nunca me engano
Quando eu abro a minha porta
Muita gente está jantando
Quando eu ponho a minha mesa
Muita gente esta deitando
Eu me arrumo e vou pra rua
E na rua vou achando
Muita gente que trabalha
Se divertindo e cantando assim
Soy latino americano
E nunca me engano, e nunca me engano
Soy latino americano
E nunca me engano
Soy latino americano
E nunca me engano, e nunca me engano
Soy latino americano
E nunca me engano
Soy latino americano
E nunca me engano, e nunca me engano
Quando será o dia da minha sorte?
Sei que antes da minha morte
Eu sei que esse dia chegará
Mas quando será?
Quando estava na barriga da minha maezinha
Sonhava com um berço de ouro, fralda de florzinha
Mas eu não sabia dos problemas que a família tinha
Morando apertada num barraco na beira da linha
Minha mãe me olhou e disse:
– Como vamos sustentar?
Mas meu pai respondeu pra ela:
– A sorte do menino vai mudar
(mas quando será?)
Quando será o dia da minha sorte?…
Fui crescendo com mais sonhos que um mestre-sala
Muito samba, muita bola e pouca escola
E o meu tio me dizia que eu tinha estrela
E que eu não me preocupasse que a vida é bela
Só que a sorte que eu queria custava muito a chegar
Mas vovó, que era uma santa, dizia:
– Sua sorte vai mudar
(mas quando será?)
Quando será o dia da minha sorte?…
Fui garçon, chofer de táxi, fui marinheiro
Vendedor de loteria e biscateiro
Quis ser muitas outras coisas mas tive medo
E cada emprego que arranjava ganhava menos
Procurei uma cigana para me aconselhar
Ela leu minha mão e me disse:
– Um dia a sua sorte vai mudar
(mas quando será?)
Quando será o dia da minha sorte?…
Oito anos de namoro, sonhos e planos
Cinco anos de casados, sonhos e planos
De noite nós dois na cama, sonhos e planos
Mas quando nascem os filhos nos preocupamos
A mulher sempre pergunta:
– Como vamos sustentar?
E como meu pai eu respondo:
– A sorte dos meninos vai mudar
(mas quando será?)
Quando será o dia da minha sorte?…