
Flávio passa Tarcísio e vira o favoritoem atos bolsonaristas
Yago Godoy
O Globo
A maioria dos manifestantes (74%) que compareceram ao ato bolsonarista na Avenida Paulista no último domingo prefere que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) seja o candidato da direita à Presidência. O quadro reforça a consolidação da pré-candidatura do filho de Jair Bolsonaro, mas também marca uma virada: em levantamentos feitos em manifestações anteriores do segmento, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro apareciam à frente de Flávio entre os favoritos para representar Bolsonaro na corrida.
Os dados são do Monitor do Debate Político, do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap), — coordenado por Pablo Ortellado e Márcio Moretto, da Universidade de São Paulo (USP) —, e da ONG More in Common. A pesquisa ouviu 704 manifestantes no ato em São Paulo, que contou com 20,4 mil apoiadores de Bolsonaro, conforme estimativa também do Monitor do Debate Político e da More in Common.
AUSÊNCIA – Em relação ao nome preferido para a disputa pelo Palácio do Planalto, apenas 10% citaram Tarcísio, que não esteve presente na manifestação após viajar à Alemanha para cumprir agendas na área de tecnologia. Outros 4% citaram Michelle, enquanto 9% mencionaram “outros nomes”.
Em março de 2025, no ato na Praia de Copacabana, no Rio, um levantamento do mesmo grupo de pesquisa apontou que 42% dos entrevistados preferiam, na ocasião, o governador paulista para o pleito. Àquela altura, Flávio somava apenas 6% de apoio, atrás até mesmo de seu irmão, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro (16%). Michelle aparecia em segundo, com 21%.
Três meses depois, em junho de 2025, em um ato na Avenida Paulista, o estudo apontou Flávio ainda mais distante de outros nomes, sendo preterido até mesmo pelo governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), também pré-candidato à Presidência. Tarcísio se manteve na dianteira, mas foi seguido de perto por Eduardo que, àquela altura, articulava a imposição de sanções dos EUA ao Brasil.
PERFIL – Entre o público presente no ato de domingo, 77% se definiram como sendo “muito de direita”. A maioria também declarou ser muito conservador em relação a temas como família e sexualidade (67%) e era formada por homens (62%).
O apoio ao impeachment dos ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), era outro ponto de unidade no movimento. Em relação a Toffoli, criticado por sua atuação nas investigações que envolvem o caso do Banco Master, o índice é de 93%. Já para Moraes, principal alvo bolsonarista dos últimos anos, o percentual alcança 95%.
DIVISÃO – Já em relação ao destino de condenados pelo 8 de Janeiro que cometeram violência ou vandalismo, há divisão. Somam 58% os que concordam com a prisão desse grupo: 33% consideram que os condenados devem seguir as penas estipuladas pelo STF, enquanto 25% defendem que, embora a detenção tenha que ser cumprida, as penas deveriam ser reduzidas. Outros 39% defenderam a anistia aos envolvidos.
A percepção muda em relação a presos que não participaram diretamente da depredação dos prédios da Praça dos Três Poderes. Nesse caso, a anistia deve ser concedida para 91% dos entrevistados. Em relação aos políticos e militares condenados pela trama golpista, 81% dizem que devem ser anistiados, 7% consideram que devem cumprir as penas e outros 7% defendem reduzi-las.
Sem decidir quem lançar, Kassab acaba travando principalmente a candidatura de Ratinho Jr.
O maior ‘escândalo financeiro’ atingiu o coração da política e do STF, mas e os bancos?
O maior “escândalo financeiro” do País”, como classificou Haddad, não fez (ainda?) nem cócegas na reputação dos bancos, dos banqueiros e da Faria Lima, mas atingiu o coração da política em ano eleitoral e o fígado do Supremo.
O escândalo Master, assim, ainda vai chegar ao sistema financeiro, mas já jogou pesadas nuvens sobre o futuro, não só do STF, mas do Brasil.
Para soltar aquela nota tentando explicar a troca de mensagens com Vorkaro, teria sido melhor para Moraes continuar quieto e calado.
A nota confunde mais do que esclarece e ajuda a empurrar o Supremo para o fundo do poço e a exacerbar a crise entre STF, PF e PGR, que não é só um embate entre siglas, mas entre instituições.
O Supremo está, na prática, não com um, mas com três ministros a menos. Em vez de onze, são oito, o que é número par, que não permite desempate.
Toffoli está fora de combate, Xandão está gravemente ferido e o advogado geral da União, Jorge Messias, aguarda atrás da trincheira, sabe-se lá até quando.
A guerra interna e as decisões sobre o Master no Supremo estão envolvidas numa enorme nuvem de fumaça em que se misturam bilhões de reais, ou dólares, jatinhos e resorts, almoços e jantares em residências oficiais.
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A lista de envolvidos com Vorcaro já não é tão sigilosa, mas continua crescendo. Ciro Nogueira, ex-chefe da Casa Civil do ex-mito, deixou de ser o mais ácido inimigo do atual governo para ser um dócil interlocutor do Barba.
Há de tudo: Ministros do STF, ministros do governo, ex-ministros, governadores, senadores, deputados, advogados aos borbotões (e aos $ milhões).
Na fase seguinte, a expectativa é que os bancos deixem de apenas planejar mudanças de autodefesa em créditos, fundos e FGC e passem a entrar na linha de fogo. E que, da Faria Lima, a crise possa chegar ao PCC.
Fonte: O Estado de S. Paulo, Política, Opinião, 07/03/2026 | 21h12 Por Eliane Cantanhêde
Dispara não só entre os bolsonaristas…