Sem visitas e com cama de concreto: a nova rotina de Vorcaro na prisão

Banqueiro passa por período de adaptação de até 20 dias

Luísa Marzullo
O Globo

Transferido para Brasília na sexta-feira passada, o banqueiro Daniel Vorcaro passou o primeiro fim de semana sob custódia no sistema penitenciário federal enfrentando uma mudança brusca de rotina. Acostumado ao cotidiano luxuoso e à intensa agenda de reuniões e viagens, Vorcaro agora passa a maior parte do tempo em uma cela individual de concreto, com circulação restrita e horários rigidamente controlados dentro da Penitenciária Federal em Brasília.

Nos primeiros dois dias na unidade, o banqueiro permanece praticamente todo o tempo dentro da cela, com poucas interações até mesmo com os agentes penitenciários. O espaço tem cerca de seis metros quadrados e segue o padrão das penitenciárias federais de segurança máxima: uma cama elevada de concreto com colchão fino, uma bancada que funciona como mesa, um banco fixo integrado à parede e uma pequena área de higiene com pia, vaso sanitário e chuveiro.

HORÁRIOS DEFINIDOS – Não há televisão, tomadas elétricas ou equipamentos eletrônicos. A iluminação da cela e o funcionamento do chuveiro são controlados externamente pelos agentes penitenciários, em horários definidos pela administração da unidade — normalmente entre 6h e 22h. Já o banho é um por dia, de no máximo 15 minutos, e no período da manhã. A única entrada de luz natural vem de uma pequena janela próxima ao teto, localizada na área de higiene.

Nesse ambiente fechado, a rotina do preso passa a ser marcada principalmente pelos horários de alimentação. Vorcaro recebe seis refeições por dia, entregues diretamente na porta da cela. O dia começa cedo com café da manhã, composto por fruta, pão e ovo, acompanhado de café ou leite. Algumas horas depois, ainda no período da manhã, os presos recebem uma colação, um pequeno lanche que pode incluir fruta ou biscoito.

O almoço é a refeição principal e costuma trazer uma proteína, como carne ou frango, acompanhada de arroz, feijão e salada. No meio da tarde é servido um novo lanche, geralmente com fruta, pão ou biscoito. À noite, a rotina alimentar termina com jantar, semelhante ao almoço, porém em porções menores, seguido de ceia, um lanche leve antes do recolhimento noturno.

BANHO DE SOL – Assim como os demais presos, Vorcaro passa a maior parte do tempo dentro da cela e deixa o espaço apenas em momentos autorizados pela administração da unidade, como para o banho de sol diário, cuja duração é de duas horas e é realizado sob escolta de agentes. Sempre que o preso deixa a cela, ele passa por revista realizada pelos agentes penitenciários, e o próprio espaço também é inspecionado periodicamente.

Além das restrições físicas, Vorcaro também enfrenta um período inicial de isolamento em relação ao mundo exterior. Nos primeiros dias após a chegada ao presídio federal, familiares e amigos não podem visitá-lo. O protocolo da unidade prevê que presos recém-chegados passem por um período de adaptação que pode chegar a até 20 dias sem visitas sociais.

Nesse intervalo, o contato externo fica praticamente restrito aos advogados, que podem se reunir com o preso em salas específicas da unidade, mediante identificação e registro na entrada do presídio. A defesa do banqueiro pediu ao ministro do Supremo Tribunal Federal André Mendonça autorização para que a primeira conversa entre Vorcaro no presídio federal ocorra sem gravação. A equipe jurídica afirma que ainda não conseguiu realizar um contato reservado com o cliente desde a prisão preventiva.

ESTRATÉGIA JURÍDICA – Segundo os advogados, a autorização é necessária para que possam discutir de forma confidencial a estratégia jurídica do caso nesta nova fase das investigações. Nas penitenciárias federais, os encontros entre presos e seus defensores costumam ser monitorados e registrados por áudio e vídeo, motivo pelo qual a defesa solicitou ao relator que a primeira reunião com Vorcaro ocorra sem esse tipo de registro.

A penitenciária federal em Brasília, inaugurada em 2018 e administrada pela Secretaria Nacional de Políticas Penais, integra o sistema nacional de presídios de segurança máxima criado para custodiar presos considerados de maior risco ou cuja permanência em presídios estaduais possa gerar problemas de segurança.

17 thoughts on “Sem visitas e com cama de concreto: a nova rotina de Vorcaro na prisão

  1. O lixo das Organizações Globo. esse seguido pelo espaço.
    Aqui, Merval é um herói.

    Lava Jato 2.0: Merval Pereira retoma golpismo de 2016 e pede para comandantes militares enquadrarem Lula

    Porta-voz político do clã Marinho, da Globo, Merval convoca comandantes militares contra Lula e faz uma espécie de copywriting de um artigo escrito em 2016, em meio à condução coercitiva determinada por Moro, citando tese do “artigo 142” adotada depois pelos bolsonaristas.

    Por: Plinio Teodoro

    Porta-voz do clã Marinho, o editorialista Merval Pereira retomou o roteiro do golpe contra Dilma Rousseff em 2016 e fez um espécie de copywriting de um artigo escrito à época para pedir que comandantes militares enquadrem Lula, em uma reedição do que já vem sendo tratado como Lava Jato 2.0, em meio aos vazamentos seletivos de informações para jornalistas do grupo Globo.

    “E aí o Lula tá conversando com os militares”, emenda o editorialista do clã Marinho, que admite se quer ter confirmação da conversa do presidente com as Forças Armadas sobre o tema. “E não consegui confirmar, mas haveria uma reunião ontem do Lula com os ministros militares exatamente para desanuviar esse clima”, afirmou, com verbo na condicional.

    “Pessoas que tiveram com o Lula me disseram que estava muito preocupado com essa situação. Não é ainda insatisfação, não. É só um chamado: nós estamos quieto aqui”, afirmou Pereira, complementado por Octávio Guedes ao lado de Malu Gaspar. “Um salve. Manda um salve”.

    https://revistaforum.com.br/politica/lava-jato-merval-pereira-militares-lula/

  2. Um pouco de jornalismo, para variar:

    Como a flexibilização de Campos Neto permitiu a infiltração do crime organizado
    Como a desregulamentação promovida por Paulo Guedes e Roberto Campos Neto abriu brechas estruturais para a lavagem de dinheiro no Brasil

    Por Luis Nassif

    Peça 1. O Caso Banco Master: Ponto de Partida:

    Investigações do ICL Notícias revelaram que o fundo responsável pela aquisição do Banco Master para Vorcaro teria utilizado recursos do narcotraficante espanhol Oliver Ortiz de Zarate Martin. O caso expõe uma vulnerabilidade sistêmica: a entrada de capital criminoso no mercado financeiro brasileiro por meio de um instrumento criado justamente para modernizá-lo — as contas fiduciárias.

    A porta de entrada do crime organizado não foi um esquema artesanal de doleiros. Foi uma estrutura regulatória criada pelo Estado brasileiro.

    Peça 2. Contas Fiduciárias: O Instrumento e Suas Fragilidades

    Uma conta fiduciária é uma conta bancária em que uma instituição guarda ou administra recursos em nome de terceiros. Embora conceitualmente simples, sua opacidade é estrutural: por definição, o gestor pode sempre alegar que o dinheiro não é seu.

    Elas surgiram nos anos 90 no Brasil, tiveram um bom impulso a partir de 2010. E escancarou-se o mercado com a entrada de Roberto Campos Neto. Entre 2019 e 2024 houve a explosão das FIDCs (Fundo de Investimentos em Direitos Creditórios), CRIs (Certificados de Recebíveis Imobiliários), CRAs (Certificados de Recebíveis do Agronegócio) e fundos de crédito privado, todos operando através de contas fiduciárias.

    Diferencia-se do truste — instrumento do direito anglo-saxão com obrigações legais claras entre instituidor, administrador e beneficiário — por carecer de transparência equivalente sobre o beneficiário econômico final.

    Três informações centrais ficam sistematicamente ocultas:

    • Quem efetivamente controla o fluxo da conta

    • Quem é o beneficiário econômico real

    • Se os recebíveis vinculados são reais ou fictícios

    Peça 3. A Decisão Regulatória: Fintechs como Justificativa

    A flexibilização das contas fiduciárias foi introduzida durante a gestão Guedes-Campos Neto com o objetivo declarado de estimular o ecossistema de fintechs. Na prática, o resultado foi a criação de um sistema de crédito paralelo — o shadow banking — amplo, interconectado e de difícil rastreamento.

    Uma das mudanças estruturais foi a criação de dois novos tipos de instituição financeira:

    SCD – Sociedade de Crédito Direto
    SEP – Sociedade de Empréstimo entre Pessoas→ Pagamento final chega a investidores ou empresas relacionadas com aparência de legitimidade

    Legalização via recebíveis

    Organização criminosa controla empresa que cria vendas fictícias, gera duplicatas ou recebíveis e os cede a um fundo de investimento. O dinheiro entra no sistema financeiro formal com a aparência de uma transação comercial ordinária, validada contabilmente por um FIDC.

    Multiplicação do capital

    O capital ilícito é aportado em um FIDC, que o utiliza para conceder empréstimos. Os juros pagos pelos tomadores fazem o capital crescer dentro do sistema regulado. Recursos de origem criminosa convertem-se, progressivamente, em rendimentos financeiros aparentemente legítimos.

    Peça 6. A Segregação Patrimonial como Escudo

    As contas fiduciárias operam sob segregação patrimonial — o dinheiro dos clientes não se mistura com o patrimônio da instituição. Embora esse mecanismo proteja o investidor comum, o crime organizado o utiliza para ocultar o beneficiário final, depositar recursos em nome de terceiros ou empresas de fachada e realizar a triangulação de capitais.

    No caso Master, recursos do narcotráfico foram injetados em fundos administrados por DTVMs — como a Sefer/Foco — que os repassaram como capital para instituições financeiras maiores, com cada intermediário podendo alegar desconhecimento da origem.

    7. Conclusão: Uma Herança Regulatória

    O caso Banco Master não é um episódio isolado. É o sintoma de uma arquitetura regulatória que priorizou a agilidade do mercado em detrimento de controles efetivos de rastreabilidade. A combinação de contas fiduciárias, FIDCs, securitizações e plataformas digitais criou um sistema de crédito paralelo em que a opacidade é funcional — e explorada.

    A flexibilização promovida durante a gestão Guedes-Campos Neto abriu uma janela que substituiu os controles sobre o mercado de trust por um instrumento com menor transparência e menor responsabilização. O crime organizado não precisou forçar a entrada: encontrou a porta aberta.

    O mercado financeiro ‘fecha uma porta e abre uma janela’. A conta fiduciária foi a janela aberta em substituição ao trust — com menos controles e mais opacidade. No caso Master, com um agravante: Roberto Campos Neto autorizou a compra do Banco Máxima para uma pessoa, Daniel Vorcaro, que já tinha sido denunciada pela Polícia Federal.

  3. Quem quiser aprofundar:

    “Como Campos Neto livrou seu antigo empregador, e a si próprio, de denúncias de gestão fraudulenta
    Até 2018 Campos Neto trabalhou no Santander e, em 2017, o banco se envolveu na compra de criptoativos e lavagem de dinheiro.”

    https://jornalggn.com.br/economia/crime/como-campos-neto-livrou-seu-antigo-empregador-e-a-si-proprio-de-denuncias-de-gestao-fraudulenta/

    A Máquina de Lucro por Trás do Modelo Campos Neto, por Luís Nassif
    Como XP e BTG faturaram até R$ 1,6 bilhão distribuindo CDBs de risco enquanto o prejuízo foi socializa

    https://jornalggn.com.br/coluna-economica/a-maquina-de-lucro-por-tras-do-banco-master-por-luis-nassif/

  4. Minha agna cidão está cheia:

    – protestar contra a bárbarie institucional que estão praticando contra vorcaro,

    – potestar contr a transformação do PCC e CV em organizações terroristas.

    • Minha agenda cidadã está cheia:

      – protestar contra a bárbarie institucional que estão praticando contra Vorcaro,

      – protestar contra a transformação do PCC e CV em organizações terroristas.

  5. A oab vai entrar com um pedido para condições mais humanas para esse grande bem feitor dos corruPTos. Será que terá direito a visitas íntimas das ucranianas

  6. Vorcaro foi remanejado de um presídio estadual de São Paulo para o presídio federal no complexo da Papuda. A regra é clara.
    No presídio de segurança máxima, o áudio da conversa entre os presos e os advogados é gravada. Ponto.
    Bem, no que tange a Daniel Vorcaro, os advogados pediram e o Relator André Mendonça autorizou as conversas sem gravação.

    Vejam bem, a regra foi violada para um preso. Todos no presídio federal ficaram sabendo dessa benesse para Vorcaro e vão pedir o mesmo benefício, alegando isonomia de tratamento. Todos são iguais perante a Lei, logo se vale um dispositivo para Vorcaro, também deverá valer para todos os outros presos.

    Basta requerer ao juiz e acostar a decisão do ministro André Mendonça do STF, a última instância do Judiciário. Nenhum juiz terá a coragem de negar o pleito.

    • A regra geral no Brasil é que a conversa entre advogado e cliente preso NÃO deve ser gravada, pois o sigilo profissional é garantido constitucionalmente e pelo Estatuto da Advocacia (Lei 8.906/94) como parte do direito à ampla defesa

    • Roberto, há (ao menos teoricamente) uma diferença entre o Vorcaro e os demais presos numa prisão de segurança máxima: geralmente estão nela presos que, por sua periculosidade comprovada, ofereceriam risco de continuarem a comandar facções através de advogados que se prestassem a ser “pombos correios”. Por isso o monitoramento dessas conversas. No caso do Vorcaro, a razão alegada para a transferência dele para lá foi para proteger a integridade física dele próprio – imagine a quanta gente poderosa no Brasil conviria uma “queima de arquivo” o mais rapidamente possível antes de uma possível delação premiada que certamente estremeceria os alicerces do poder. Então (novamente teoricamente) ele conserva o direito legal, dado a qualquer outro preso fora de um presídio de segurança máxima, do sigilo entre cliente e advogado.

  7. Saiba quanto do seu imposto via pra financiar imprensa oficial do Aparato.

    Imprensa alinhada ao PT – valores públicos mais recentes (referências até 2025) (valores diretos identificados em publicidade federal; estatais muitas vezes não divulgam valor por veículo)

    CartaCapital — cerca de R$ 1,1 milhão

    Brasil 247 — cerca de R$ 745 mil

    Diário do Centro do Mundo (DCM) — recebe publicidade federal e de estatais (valor não divulgado)

    Opera Mundi — recebe publicidade de Banco do Brasil e Caixa (valor não divulgado)

    GGN (Luis Nassif) — recebe publicidade de estatais federais (valor não divulgado)

    O Cafezinho — recebeu pequenos anúncios federais (dezenas de milhares)

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