
Moro e Flávio estarão no mesmo palanque em 2026
Carolina Linhares
Raphael Di Cunto
Depois de acertar o apoio do PL à sua candidatura ao Governo do Paraná, o senador Sergio Moro (União Brasil-PR) decidiu, nesta quarta-feira (18), deixar seu partido e se filiar à legenda de Flávio Bolsonaro para disputar a eleição. Moro tem aparecido à frente em pesquisas de intenção de voto no estado.
O senador se reuniu com a cúpula da federação União Brasil-PP para decidir por qual partido iria concorrer —o PL também havia lhe oferecido a legenda. A tendência do União Brasil era apoiar a candidatura de Moro, mas o senador enfrenta resistências no PP do Paraná.
VAGA DE VICE – A ideia, segundo a reportagem apurou, é de que a vaga de vice na chapa do senador seja oferecida à federação. O PL pretende também lançar o deputado Filipe Barros (PL-PR) ao Senado, e a segunda vaga de candidato a senador seria de Deltan Dallagnol (Novo-PR). Com isso, a jornalista Cristina Graeml, que era pré-candidata ao Senado pelo União Brasil com apoio de Moro, ficaria sem espaço. Uma possibilidade é que ela concorra pelo PL a uma vaga na Câmara dos Deputados.
Agora aliado de Flávio, Moro já criticou o senador. “Chega de rachadinha”, disse ele em pronunciamento em 2021, em uma referência a acusações contra o filho mais velho do então presidente. Ainda nesta quarta, o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, se reuniu com Moro e declarou o apoio do PL à candidatura do senador, o que representou um rompimento com o governador do Paraná, Ratinho Jr. (PSD).
Como afirmou Valdemar, a preocupação do PL era a de garantir um palanque para Flávio no estado, já que Ratinho Jr. deve ser escolhido candidato do PSD à Presidência da República na próxima semana. “Nós vamos ter que unir todo mundo lá para ele ganhar a eleição no primeiro turno. Senão nós estamos mortos por causa do Ratinho”, disse Valdemar, pouco antes de Moro decidir trocar o União Brasil pelo PL.
ROMPIMENTO – Questionado sobre o rompimento entre o PL e Ratinho Jr, Valdemar respondeu que o governador do Paraná mora no seu coração. “Mas acontece que ele vai sair de candidato a presidente, então vamos fazer zero votos no Paraná? E Moro está lá explodindo. Talvez, com 22 [na legenda], Moro ganhe até a eleição no primeiro turno.”
Na semana passada, Ratinho chegou a se reunir com o coordenador da campanha de Flávio, o senador Rogério Marinho (PL-RN), para tentar barrar o apoio do PL a Moro, o que atrapalharia seus planos de sucessão no estado.
A condição colocada pelo PL, no entanto, foi de que Ratinho Jr. desistisse de concorrer ao Palácio do Planalto para apoiar Flávio —o governador é cotado inclusive como possível vice do presidenciável bolsonarista. Mas o que ocorreu foi o oposto: o PSD consolidou a decisão de lançar Ratinho nos próximos dias, o que acelerou o acordo entre o PL e Moro.
ACORDO – Até esta quarta, havia um acordo para que a sigla do ex-presidente Jair Bolsonaro se aliasse ao candidato de Ratinho no estado, em troca de Filipe Barros concorrer ao Senado. O presidente da Assembleia Legislativa, Alexandre Curi (PSD), trabalha para ser escolhido por Ratinho como seu sucessor, mas o governador demonstra preferência pelo secretário das Cidades, Guto Silva (PSD).
O acordo entre o ex-juiz da Lava Jato e o partido de Bolsonaro marca uma nova reviravolta na relação dele com o bolsonarismo. Em 2018, o hoje senador do União Brasil largou a magistratura para ser ministro da Justiça do então presidente eleito. A aceitação do convite foi tornada pública no dia 1º de novembro daquele ano, apenas quatro dias depois da vitória eleitoral do futuro chefe.
Após um processo de desgaste contínuo, o ex-juiz acabou pedindo demissão em abril de 2020, em meio a acusações de que Bolsonaro tentava interferir indevidamente na Polícia Federal. Em 2022, tentou se lançar à Presidência da República, com discurso crítico ao bolsonarismo, mas não conseguiu apoio partidário nem no Podemos, onde se filiou primeiramente, e nem no União Brasil.
MUDANÇA DE POSIÇÃO – Ainda em 2022, mudou de posição e fez campanha para Bolsonaro no segundo turno da eleição, tendo inclusive acompanhado o aliado em debate na TV Bandeirantes.
Moro foi o responsável pelo julgamento dos casos da Lava Jato na 13ª Vara de Curitiba, incluindo a condenação que acabaria por levar à prisão e barrar a candidatura presidencial de Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Justo! Muito Justo! Justíssimo!
Mora e o ex-mito se merecem.
O “ pato de Maringá “não passa de um juizeco de merda.
Prisão domiciliar de Bolsonaro é caso de memória curta e editoriais ‘humanitaristas’ de ocasião
A memória curta dos editoriais do Globo e Estadão sobre Bolsonaro tenta lavar a biografia de um golpista
Há uma coincidência curiosa nas páginas de opinião dos grandes jornais essa semana: Tanto O Globo quanto o Estadão decidiram que é hora de o STF ter um “gesto de sensatez e humanidade” e transferir Jair Bolsonaro para a prisão domiciliar.
O argumento é o quadro clínico sensível. É a mesma música cantada pela família e pelos advogados de defesa, agora com o coro da dita imprensa tradicional.
Engraçado que essa súbita onda de ‘humanitarismo’ parece ter destino certo.
Não se lê nos mesmos editoriais uma linha sequer sobre os milhares de presos que sofrem de doenças graves, muitas vezes piores que as de Bolsonaro, e que continuam mofando e morrendo nos presídios brasileiros sem qualquer “extrema cautela” das instituições.
Para esses, a legislação que admite a domiciliar em casos de saúde incompatível com o cárcere parece não existir.
O Estadão fala em “dever de maturidade” e lembra que a prisão de um ex-presidente nunca é um fato trivial. De fato, não é. Bolsonaro é o primeiro ex-presidente condenado por tentativa de golpe.
A tentativa de levar Bolsonaro para prisão domiciliar ignora o essencial: o comportamento do réu. Bolsonaro sempre foi um desrespeitador contumaz das ordens judiciais. Foi para a Papudinha justamente porque não sabe conviver com os limites da lei.
Dar a Bolsonaro o benefício da domiciliar agora, sob o pretexto de um quadro que o Estado já se provou capaz de tratar com 144 atendimentos em um mês, não é humanidade. É privilégio. É tratar um cidadão comum como se ainda estivesse acima da lei por conta do cargo que ocupou e que tentou manter no grito.
Metrópoles, Opinião, 19/03/2026 08:00 Por Ricardo Noblat
MEGA X MAGA. Tudo seria muitíssimo diferente, melhor e mais alvissareiro para conjunto da população se a BOA ÍNDOLE, boa-fé, honestidade, honradez, verdade, justiça…, fossem os critérios norteadores da união de políticos, autoridades e pessoas comuns, no entorno de bons propósitos, como propõe a Democracia Direta, com Meritocracia e Deus na causa, no bojo da RPL-PNBC-DD-ME, porque o resto é só perder… Grau de consciência apurado, evoluído, em todos os segmentos sociais, é disso que a Humanidade está necessitando há muito tempo para dar o grande salto de qualidade, rumo a uma possível civilização, verdadeiramente democrática, não obstante a loucura por dinheiro, poder, vantagens e privilégios, sem limite$, geradora de fenômenos ditatoriais que, desde priscas eras dominam a seara política enquanto carro-chefe do conjunto da sociedade. Da minha parte, antes de partir desta para outra, tratei e trato há cerca de 40 anos de legar à Humanidade a Democracia de Verdade, Direta, com Meritocracia e Deus na causa, que, certamente, trata-se de uma semente que tem tudo para nos fazer evoluir rumo a um possível novo mundo porque Ela desentope todos os canais e caminhos, remove todos os obstáculos e “mata” no ninho todo tipo e sorte de ditadores…, exceto a malvada ditadura do tempo, lembrando que a pior e mais terríveis das ditaduras é a ditadura da criminalidade que mata pareio, pobres, ricos e remediados, por causa de um par de tênis, um celular, uma moto, um carro, um iate, um avião, um navio e, enfim fim, por qualquer coisa, até por causa de um olhar meio torno, ditadura essa que no Brasil, infelizmente, está pegando geral e pesado.
Prisão domiciliar para Jair Bolsonaro é uma tremenda safadeza , canalhice , pilantragem e um tremendo tapa na cara do povo de bem Brasileiro , por tudo de mal que Jair Bolsonaro fez ao Brasil e a seu povo .
Moro e a pá de cal no discurso de paladino
Sérgio Moro cede ao apoio de Flávio no PL de Valdemar. Tudo pelo poder?
O ex-juiz que construiu sua fama condenando o sistema e apontando o dedo para o PL de Valdemar – a quem chamava de ícone da corrupção do Mensalão – agora entrou de vez na mesma legenda.
A manobra não é apenas um movimento de sobrevivência de Moro, é sobretudo, uma jogada de Flávio.
Ao atrair Moro para o PL, o “01” mata dois coelhos com uma cajadada só: garante um palanque forte e usa a liderança de Moro nas pesquisas para “chantagear” o governador Ratinho Jr.
A estratégia é clara: Flávio quer que Ratinho desista de sua aventura presidencial – que divide os votos da direita e do antipetismo – para ser o seu vice.
Se Ratinho não se dobrar, terá que enfrentar a máquina do PL e o “efeito Moro” no seu próprio quintal.
Moro, que aceitou ser ministro do ex-mito antes mesmo do segundo turno de 2018 e depois saiu atirando, agora volta de cabeça baixa para o colo de quem jurou combater.
Ao aceitar o abraço de Valdemar, o ex-paladino da Lava Jato destrói o que restava da reputação da operação e mostra que, no fim das contas, seu projeto sempre foi o poder pelo poder.
No teatro político do Poder, a coerência é o primeiro personagem a morrer. Moro apenas provou ser um ator dedicado ao roteiro do pragmatismo mais rasteiro.
Fonte: Metrópoles, Opinião, 20/03/2026 09:00 Por Ricardo Noblat