
Com Alckmin, Lula conseguiu reduzir resistências
Pedro do Coutto
Em política, decisões aparentemente simples costumam carregar grande densidade estratégica. A sinalização de que Luiz Inácio Lula da Silva deve manter Geraldo Alckmin como seu vice na campanha à reeleição em 2026, segundo o jornalista Lauro Jardim, do O Globo, vai exatamente nessa direção: mais do que uma escolha natural, trata-se de uma decisão politicamente madura — e, ao que tudo indica, a mais acertada.
Desde 2022, a composição entre Lula e Alckmin não foi apenas uma aliança eleitoral, mas uma engenharia política cuidadosamente desenhada para ampliar o campo de apoio do governo. Ao trazer um nome historicamente ligado ao centro e ao eleitorado paulista, Lula conseguiu reduzir resistências, dialogar com setores mais moderados e construir uma base mais ampla em um país profundamente polarizado. Essa lógica não perdeu validade — ao contrário, tornou-se ainda mais relevante.
ESTABILIDADE – A manutenção de Alckmin transmite um sinal claro de estabilidade. Em um cenário político marcado por volatilidade, ruídos institucionais e disputas narrativas intensas, a previsibilidade se torna um ativo valioso. O eleitor médio, especialmente aquele mais distante da militância ideológica, tende a valorizar arranjos que indicam continuidade, equilíbrio e ausência de sobressaltos.
Além disso, há um fator eleitoral decisivo: São Paulo. Maior colégio eleitoral do país, o estado segue sendo peça-chave em qualquer disputa presidencial. Alckmin, com sua longa trajetória política e forte identificação regional, continua sendo um ativo importante para Lula nesse território. Substituí-lo, a esta altura, significaria abrir mão de uma vantagem concreta sem garantia de compensação equivalente.
FRAGMENTAÇÃO – Outro ponto que reforça a correção da escolha é o cenário do campo adversário. O bolsonarismo, que já se apresentou como força coesa e disciplinada, hoje enfrenta sinais de fragmentação e disputa interna. Nesse contexto, a estratégia mais eficiente para o governo não é reinventar sua fórmula, mas consolidar aquilo que já demonstrou funcionar. Manter Alckmin é, portanto, uma aposta na racionalidade política.
Isso não significa ausência de desafios. O próprio Partido dos Trabalhadores enfrenta tensões internas em alguns estados, e a construção de alianças regionais continuará exigindo habilidade e negociação. Mas esses são elementos inerentes ao jogo político — e não se resolvem com mudanças bruscas na chapa presidencial.
Há também o papel de outras lideranças, como Fernando Haddad, que devem atuar de forma complementar na estratégia eleitoral, seja fortalecendo palanques regionais, seja contribuindo para a narrativa econômica do governo. O equilíbrio entre essas forças é justamente o que dá consistência ao projeto.
ALIANÇA – No fim das contas, a manutenção de Alckmin ao lado de Lula revela uma compreensão clara do momento político: em vez de arriscar em movimentos incertos, o presidente opta por preservar uma aliança que amplia, equilibra e agrega.
Em eleições apertadas — como têm sido as brasileiras —, não se trata apenas de conquistar novos votos, mas de não perder aqueles que já foram conquistados. E, nesse aspecto, Alckmin continua sendo um dos principais fiadores dessa base ampliada.
Se a política é, em grande medida, a arte de escolher riscos, Lula parece ter feito aqui uma escolha consciente: reduzir incertezas e apostar na estabilidade. Em tempos de polarização e imprevisibilidade, isso não é pouco — é estratégia.
Depois do que o Alckimin disse do lula e se juntou com ele, nada maus justo continuarem juntos. Pois, os mentirosos não vivem num ambiente onde a verdade prevalece
Junte-se um cadáver insepulto com um picolé de chuchu e tem-se uma dupla inbatível conforme o missivista.
Se não mantiver o Alckmin perderá o eleitor de centro que a contra gosto votou em Lula para não ver Bolsonaro novamente no Alvorada principalmente os eleitores do interior de SP.