Piada do Ano! Gonet não vê (?) elementos para suspeição de Toffoli no caso Master

Cunhada desmente o festival de mentiras sobre o resort de Dias Toffoli

Sem saber que estava sendo gravada, cunhada de Toffoli "abre o bico" (veja o vídeo)

Cunhada diz que o marido e pobre e não foi dono do resort

Pedro Augusto Figueiredo, Taba Benedicto e Luiz Vassallo
Estadão

A Maridt Participações, empresa dos irmãos do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli que chegou a ter um terço de participação no resort de luxo Tayayá, no interior do Paraná, tem como sede uma casa de 130 metros quadrados no bairro Jardim Universitário, em Marília, interior de São Paulo.

O local é a residência de José Eugênio Dias Toffoli, irmão do ministro que aparece como diretor-presidente da empresa. O imóvel tem sinais de deterioração. A pintura da fachada está rachada em alguns pontos e os pisos da garagem e da calçada estão quebrados.

TUDO MENTIRA – O Estadão foi até o endereço, obtido na Junta Comercial de São Paulo, e encontrou Cássia Pires Toffoli, esposa de José Eugênio. Questionada pela reportagem, ela disse que nunca soube que sua casa foi a sede da Maridt e que não tem conhecimento de qualquer ligação do marido com o resort.

José Eugênio, que é engenheiro eletricista, estava viajando a trabalho, segundo ela. O Estadão o procurou por mensagem, mas ele não respondeu até a publicação desta reportagem. O ministro Dias Toffoli também não se manifestou.

“Essa casa é minha, financiei com o meu dinheiro, por 25 anos”, disse Cássia. “Eu falei para as minhas irmãs que eu tenho vontade de sumir daqui. As pessoas ficam inventando coisas, que (José Eugênio) é dono do Tayayá”, disse Cássia ao ser questionada sobre a participação do marido na Maridt e da empresa no resort de luxo.

CASO MASTER – Como revelou o Estadão, em 2021, os irmãos Toffoli venderam metade da participação que tinham no resort, de R$ 6,6 milhões, para um fundo do pastor e empresário Fabiano Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.

Dias Toffoli é relator do inquérito do caso Master no STF, que também investiga a Reag Investimentos, gestora dos fundos envolvidos na transação.

Dias Toffoli passou a ser responsável pelo inquérito após aceitar um pedido da defesa do banqueiro Daniel Vorcaro para que o caso subisse para o STF.

DIZ A CUNHADA – “Moço, dá uma olhada na minha casa. Você está vendo a situação da minha casa? Eu não tenho nem dinheiro para arrumar as coisas da minha casa! Se você entrar dentro, vai ficar assustado. O que está lá (na Junta Comercial), eu não sei. Eu sei que moro aqui há 24 anos e não sei de nada que é sede (da Maridt) aqui. Aqui é onde eu moro”, acrescentou.

Ao ser questionada se o marido já havia comentado algo sobre o Tayayá Resort, a cunhada de Dias Toffoli respondeu: “Eu não sei e não quero nem saber”.

A casa em que ela atendeu à reportagem foi comprada por R$ 27 mil em 1998 e financiada pela Caixa Econômica Federal. Corrigido pelo Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M), comumente usado no mercado imobiliário, o valor atual é de R$ 276 mil.

NÃO TINHA DINHEIRO – “Quando eu financiei essa casa, eu morava com meu pai; a gente não tinha nem como fazer essa casa, não tinha nem dinheiro”, disse Cássia. “Meu marido é engenheiro e ele trabalha com coisas de engenheiro. Ele é engenheiro eletricista. Ele pega projetos.”

A Maridt é uma sociedade anônima, o que significa que seu quadro societário é sigiloso na Junta Comercial. Porém, o e-mail associado ao registro Maridt remete às iniciais de José Eugênio:“jedtoffoli”.

Além disso, documentos da Junta Comercial mostram que ele assina como presidente na venda de parte das cotas que a empresa detinha na Tayayá Administração e Participações e na DGEP Empreendimentos, donas do resort e que também tiveram como sócio Mario Umberto Degani, primo do ministro Dias Toffoli.

COMPRA E VENDA – As vendas das participações da companhia na Tayayá Administração e na DGEP se deram, respectivamente, por R$ 2,8 milhões e R$ 698 mil, em fevereiro de 2025, marcando a saída completa da Maridt das empresas do resort. Nas duas operações, a compradora foi a PHB Holding, pertencente ao advogado de Goiás Paulo Humberto Barbosa – que já advogou para a JBS em causas tributárias.

Em 2021, como revelou o Estadão, a Maridt já havia vendido fatias nas duas empresas do resort. Na época, o comprador foi o fundo Arleen, gerido pela Reag Investimentos e que pertence a Fabiano Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro.

O Arleen Fundo de Investimentos, da Reag, chegou a investir R$ 20 milhões nas duas empresas dos familiares do ministro responsáveis pelo resort de 58 mil metros quadrados, como revelou a Folha de S. Paulo. O jornal mostrou que o Arleen investiu em outros fundos que estão sob suspeita pela Polícia Federal.

ÚNICO DONO– Atualmente, nem o Arleen nem os familiares de Toffoli permaneceram formalmente na sociedade. O fundo, o primo e os irmãos do ministro cederam suas cotas para Paulo Humberto Barbosa, atualmente único sócio das empresas do resort. Mesmo sem participação direta no resort, o ministro Dias Toffoli ainda frequenta o Tayayá.

Além de José Eugênio, José Carlos, outro irmão do ministro, também já apareceu em documentos oficiais como presidente da Maridt. Ele é cônego da Diocese de Marília, mas, desde que a ligação com o Tayayá veio a público, em 2021, ele foi afastado da paróquia pela qual era responsável.

O Estadão também foi até a residência do padre, uma chácara chamada Recanto Quatro, no condomínio Estância Uberlândia. “Até logo, passar bem”, disse pelo interfone após a reportagem se identificar. O local conta com um pequeno campo de futebol, uma rede de vôlei e um deck externo à casa. No caminho para se chegar ao condomínio está a Avenida Luiz Toffoli, batizada com o nome do pai do ministro do STF.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG –
Em tradução simultânea, Toffoly é um corrupto trapalhão, que não sabe esconder suas lavagens de dinheiro. É uma vergonha para o Supremo, para o Brasil e para o PT de Lula, que é da mesma coudelaria, sempre envolvida  com enriquecimento ilícito. Como dizia Tom Jobim, é a lama, é a lama, é lama. (C.N.)

Lula pede que Gleisi dispute o Senado e abre a disputa pela articulação política

Pedido antecipa debate sobre quem sucederá a ministra

Augusto Tenório
Catia Seabra
Mariana Brasil
Folha

Ao pedir que a ministra Gleisi Hoffmann (PT) concorra ao Senado pelo Paraná, o presidente Lula (PT) precipitou o debate sobre quem ficará à frente do comando das Relações Institucionais do governo a partir de abril. Há uma constelação de cotados para assumir a articulação política do Planalto em meio a outras mudanças no palácio e na Esplanada.

Gleisi já deixaria o cargo para concorrer à Câmara dos Deputados, cuja eleição é considerada a via mais certeira para continuar com mandato por, pelo menos, mais quatro anos. Mas, na quarta-feira (14), Lula conversou com a ministra e pediu que concorra ao Senado, segundo fontes palacianas.

ENTUSIASMO – A interlocutores, Gleisi afirmou estar entusiasmada para cumprir o que considera uma missão dada pelo presidente. Nos bastidores, porém, aliados apontam uma certa reticência para assumir a candidatura e recomendam cautela. O PT do Paraná, já ciente do pedido de Lula, não crava posição e aguarda um posicionamento oficial de Gleisi para montar sua chapa majoritária.

Tradicionalmente, ministros que saem do cargo para concorrer nas eleições deixam a pasta sob o comando do seu secretário-executivo. Quem ocupa o posto na SRI (Secretaria de Relações Institucionais) é Marcelo Costa. Diplomata de carreira, ele tem perfil técnico, mas alas do PT entendem que a pasta precisa de um nome político, mesmo durante os meses da eleição.

Nesse sentido, correm pelos corredores do Planalto nomes de lideranças petistas cotadas para assumir o posto de Gleisi. Nesse rol são citados os ministros Wellington Dias (Desenvolvimento Social) e Camilo Santana (Educação). Ambos se elegeram senadores em 2022 e, dessa forma, não precisam disputar o pleito deste ano para continuar com mandato.

RISCO – Camilo, porém, tem futuro incerto. Sob risco de derrota no Ceará, o ministro é cotado para disputar o governo estadual. Nesse desenho, o atual governador, Elmano de Freitas (PT), concorreria ao Senado. Nessa dança das cadeiras, o atual líder do governo na Câmara, José Guimarães, não veria sua pré-candidatura a senador prosperar.

O deputado, que já foi considerado para a articulação política do governo, voltou a ser cotado para o ministério palaciano. Segundo aliados, o parlamentar de cinco mandatos tem dito que não tem interesse em permanecer mais quatro anos na Câmara. Assumir as Relações Institucionais, pelo menos até a formação do eventual quarto mandato de Lula, é visto no PT como uma saída para o cearense.

PERFIL DIFERENTE – Nos bastidores, Lula tem dito a aliados que a eleição de 2026 terá um perfil diferente das anteriores. O presidente pretende avaliar com lupa e intervir na nomeação dos ministros que substituirão os titulares que deixarão o cargo em abril.

Na Casa Civil, por outro lado, a nomeação da secretária-executiva Miriam Belchior está encaminhada. O ministro Rui Costa (PT) deixa o cargo para concorrer ao Senado ou ao Governo na Bahia, a depender da performance do atual governador, Jerônimo Rodrigues (PT), nas pesquisas.

Segundo interlocutores, Lula passou a dar atenção especial à eleição para o Senado, em reação à estratégia da base do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) para conseguir maioria na Casa a partir de 2027. A direita bolsonarista visa conter os poderes do STF (Supremo Tribunal Federal) e impor derrotas a um eventual quarto mandato do petista.

PERMANÊNCIA DE BOULOS –  Um dos poucos ministros de Lula que se manterão no cargo durante a campanha será Guilherme Boulos (Secretaria-Geral), que assumiu a posição em outubro passado. Deputado federal licenciado pelo PSOL-SP, Boulos poderia se afastar da posição atual para disputar a reeleição enquanto parlamentar, como será o caso de demais ministros. A opção do presidente, no entanto, foi mantê-lo no Planalto durante a campanha.

A permanência no governo até o fim do mandato foi um dos requisitos para que Boulos aceitasse entrar no governo Lula, em substituição a Márcio Macêdo (PT). O psolista assumiu a posição após meses de conversas em torno do comando da pasta, que é responsável pela ponte entre o presidente e movimento populares, assumindo cerca de oito meses antes do começo da campanha eleitoral.

AGENDA – Deixar a posição em abril —época indicada para que os ministros se descompatibilizem— daria pouco tempo para entregas. Uma das principais de sua agenda para o primeiro semestre de 2026, que deve ter relevância no período de pré-campanha antes de começarem as restrições eleitorais, será o Governo do Brasil na Rua, ação que leva serviços dos ministérios aos estados por meio de mutirões.

Em 2024, Boulos disputou a Prefeitura de São Paulo, perdendo para Ricardo Nunes (MDB). Interlocutores passaram a citar seu nome como cotado para a Secretaria-Geral meses depois, no início de 2025. Junto a Boulos, o ministro-chefe do GSI (Gabinete de Segurança Institucional), general Amaro dos Santos, também se manterá no cargo, uma vez que não ocupa uma posição política.

Chega de fofocas! O “resort do Toffoli” nunca pertenceu ao ministro do STF

Amplia desgaste do RESORT TAYAYÁ de Ribeirão Claro: assista - NPDiário

Toffoli ficará espantado ao saber que há um cassino no hotel

Mario Sabino
Metrópoles

Os repórteres Valentina Monteiro e Sam Pancher, colegas de Metrópoles, hospedaram-se no resort Tayayá, no interior do Paraná, que foi vendido “oficialmente” por dois irmãos e um primo do ministro Dias Toffoli a um advogado da J&F, o conglomerado dos irmãos Batista.

Antes disso, os parentes do ministro haviam negociado uma participação no resort construído por eles com um fundo que tinha como investidor o pastor empresário Fabiano Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.

INSINUAÇÕES MALDOSAS – São apenas coincidências no dinâmico mercado dos negócios brasileiros. Porém, apesar dessa teia de aquisições, os repórteres constataram que todo mundo em Ribeirão Claro, município onde fica o Tayayá, conhece o hotel como “o resort do Toffoli”.

Dá para entender essas insinuações. Afinal, o ministro é frequentador assíduo do resort, deu festa de arromba por lá e tem até uma casa exclusiva para ele na parte chique do empreendimento.

A casa, enorme, fica no alto de uma colina com vista para a represa de Xavantes, às margens da qual o Tayayá se espraia. Toffoli também tem um barco que permanece o tempo inteiro à sua disposição.

IGUAL A LULA… – Sigamos firmes nos registros imobiliários, contudo, porque brasileiro é apressado nas conclusões: assim como Lula nunca foi dono do Sítio de Atibaia e dos pedalinhos que havia no laguinho local, Toffoli jamais foi proprietário do resort Tayayá e do barco ancorado na represa de Xavantes.

Como é que o ministro poderia ser dono de um resort, se o seu salário no STF não chega a R$ 50 mil? Só porque o “Zé” (é como os funcionários do empreendimento chamam Toffoli) tem parentes bem-sucedidos, isso não significa que ele seja rico.

O mesmo vale, aliás, para Alexandre de Moraes: não é porque a sua mulher é advogada de sucesso, não menos do que estrondoso, que o mérito é dele, ora bolas. Chega de maliciar.

HOTEL-CASSINO – Valentina Monteiro e Sam Pancher descobriram que o resort Tayayá tem um cassino. Há máquinas de apostas que são legais no Paraná e sessões de jogatina a dinheiro que são ilegais em qualquer lugar do Brasil.

O advogado da J&F, dono oficial do resort, negou qualquer ilegalidade, e Toffoli não se dignou a responder aos questionamentos da reportagem do Metrópoles. Ministros do STF, como se sabe, não têm de dar explicação de nada a ninguém, muito menos a jornalistas.

Imaginei, ainda assim, a surpresa de Toffoli ao ler que há um cassino no resort que não é dele.

“CASABLANCA” – Veio à minha cabeça, então, uma cena famosa do filme “Casablanca”, que nada tem a ver com a história do resort Tayayá. É só o meu inconsciente fazendo associações completamente aleatórias, Freud explica.

A cena é aquela em que, pressionado por nazistas, o chefe de polícia da cidade fecha o Rick’s Café American, dizendo que estava “chocado por saber que há jogos de azar acontecendo aqui” (em inglês, a fala é mais divertida: “I’m shocked, shocked to find out that gambling is going on in here”).

Segundos depois, um crupiê entrega ao chefe de polícia o montante que ele havia ganhado na mesa de roleta, em visita anterior. O chefe de polícia, então, responde: “Ah, muito obrigado”.

Flávio Bolsonaro esbarra em resistência evangélica como herdeiro do bolsonarismo

“Levaram o cassino para dentro de casa”, diz Lula ao criticar bets herdadas do governo Bolsonaro

Relação com Lúcio Funaro aumenta os boatos sobre delação de Vorcaro

Tribuna da Internet | Repercussão do retorno de Funaro movimenta bastidores  do mercado

Lucio Funaro, preso na Lava Jato, procura ajudar Vorcaro

Carlos Newton

Em Brasília, as relações contam. E contam muito. Não apenas as relações formais, que aparecem em contratos e atas, mas também aquelas que se constroem ao longo do tempo, em encontros repetidos, conversas reservadas e círculos de confiança.

No caso que envolve o Banco Master e operações financeiras que passaram a chamar atenção pública, uma dessas relações merece registro jornalístico: a relação entre Daniel Vorcaro e Lúcio Funaro, o famoso doleiro e operador que foi preso na Lava Jato e fez espetacular delação.

DE VOLTA AO MERCADO – Não se trata de especulação. Funaro está de volta ao mercado há mais de um ano, como “consultor financeiro”. Sua relação com Vorcaro existe, as reuniões aconteceram e são conhecidas nos bastidores políticos e empresariais.

Eles já se encontraram diversas vezes, em contextos que variaram de conversas reservadas a reuniões mais amplas, segundo relatos convergentes de pessoas que transitam no mesmo ambiente. Isso não é segredo, nem foi negado por quem conhece os dois.

Funaro é um personagem conhecido do país. Seu nome atravessou diferentes momentos da vida política e econômica brasileira, sempre associado aos bastidores, às articulações e à compreensão de estruturas financeiras complexas. Vorcaro, por sua vez, ocupa posição central em um grupo financeiro que cresceu rapidamente e passou a operar em áreas sensíveis, envolvendo grandes volumes de recursos e ativos de difícil avaliação.

RELAÇÕES PERIGOSAS –  A existência dessa relação, por si só, não configura qualquer irregularidade. Amizades e encontros não são crimes. O jornalismo sério não acusa — apenas informa. E registra fatos em histórias que envolvem cifras elevadas, porque nessas decisões estratégicas e de exposição ao público investidor, as redes de relacionamento fazem parte do contexto que ajuda a compreender o todo.

O ponto relevante não é o simples fato de terem se encontrado, mas a naturalidade com que esses encontros ocorreram e a recorrência com que são mencionados por diferentes interlocutores. No Brasil, raramente grandes operações surgem isoladas.

Elas costumam nascer em ambientes de confiança mútua, onde pessoas se conhecem, se escutam e trocam impressões antes que qualquer coisa ganhe forma concreta.

INFORMAÇÃO RELEVANTE – Nada se afirma aqui sobre o conteúdo dessas conversas. Não se diz que houve negociação, influência indevida ou participação em decisões específicas. O que se afirma — e isso é um dado objetivo — é que há uma relação, há proximidade e houve encontros. E isso, goste-se ou não, é informação relevante em qualquer apuração que se pretenda completa.

O jornalismo não pode tratar relações pessoais como se fossem invisíveis, nem pode transformá-las automaticamente em acusações. Entre um extremo e outro existe o registro responsável dos fatos. E o fato é que Lúcio Funaro e Daniel Vorcaro mantêm relação conhecida no meio, inserida em um contexto maior que ainda está sendo examinado.

Em histórias assim, o silêncio não esclarece — apenas esconde. Registrar o que é conhecido não significa condenar ninguém. Significa apenas cumprir a função básica da imprensa: mostrar o cenário inteiro, para que o leitor tire suas próprias conclusões. E o principal assunto em Brasília é a possibilidade de delação de Daniel Vorcaro, que pode estremecer o país.

Procuradoria não reage e Dias Toffoli tem certeza de que ficará impune

Parlamentares pedem suspeição de Toffoli por elo de irmãos com cunhado de Vorcaro

Toffoli acumula irregulares sem que possa sofrer punição

Rafael Moraes Moura
O Globo

Apesar da insatisfação no Supremo Tribunal Federal (STF) e na própria Procuradoria-Geral da República (PGR) com a condução de Dias Toffoli no caso Banco Master, a PGR não deve pedir o afastamento do ministro das investigações envolvendo uma fraude bilionária no banco do executivo Daniel Vorcaro.

Segundo fontes a par das investigações, tentar afastar Toffoli do caso Banco Master não é um bom movimento em termos estratégicos, já que poderia abrir brecha para eventuais pedidos de nulidade das provas colhidas depois que o caso subiu para o STF.

DECLARAR GUERRA – Além disso, qualquer ofensiva nesse sentido, capitaneada pela PGR, poderia ser interpretada como uma declaração de guerra ao STF, em um momento em que o próprio Toffoli já está em guerra com a Polícia Federal e o tribunal, na mira da opinião pública também em razão da atuação de Alexandre de Moraes nos bastidores a favor do Master, conforme revelou o blog.

Na última segunda-feira (19), o procurador-geral da República, Paulo Gonet, foi acionado pelo senador Eduardo Girão (Novo-CE), que pediu que fosse apurada a conduta de Toffoli na relatoria do caso.

Girão também solicitou uma “análise técnica independente sobre possíveis conflitos de interesse e impedimentos” que deveriam afastar o ministro das investigações, por conta das conexões de seus familiares com Vorcaro. O pedido do parlamentar, no entanto, deve ser negado.

CABO DE GUERRA – Embora reconheçam reservadamente o constrangimento por conta das revelações sobre Toffoli e o Master — como a viagem de jatinho para o Peru com o advogado de um do investigados no mesmo dia em que decretou sigilo sobre o caso, e O fato de um cunhado de Vorcaro, o pastor e empresário Fabiano Zettel, ser dono de fundos de investimento que compraram parte do resort da família do ministro no Paraná —, integrantes da PGR afirmam que, como nenhum desses fatos consta do processo, não haveria razões técnicas para pedir o impedimento.

Um outro complicador é que uma eventual investigação contra Toffoli, nos termos solicitados por Girão, ficaria sob a responsabilidade do próprio Supremo – ou seja, caberia aos pares do ministro avaliar qualquer acusação formal contra ele.

Recentemente, a própria PGR já se manifestou defendendo a manutenção das investigações com Toffoli, pelo menos neste momento, “por cautela”.

JUSTIFICATIVA – Em parecer de 17 de dezembro, Gonet concordou com a tese da defesa de Vorcaro de manter as investigações no STF, em função de um contrato imobiliário apreendido pelos investigadores que menciona o deputado federal João Carlos Bacelar (PL-BA). Esse contrato foi usado pela defesa de Vorcaro para tirar o caso da Justiça Federal de Brasília e levá-lo para o STF.

“Uma vez que o documento se refere a agente político com foro especial, justifica-se, por cautela, que o Supremo Tribunal Federal entenda oportuno seguir desenvolvendo as atividades investigativas, até, pelo menos, que, eventualmente, fique afastada a repercussão da investigação sobre detentor de foro privilegiado”, observou Gonet.

Na avaliação de Girão, um dos parlamentares mais críticos ao STF, Toffoli cometeu uma série de irregularidades na relatoria das investigações do Master, como a decisão em que determinou que todo o material apreendido na segunda fase da Operação Compliance Zero fosse remetido diretamente para o seu gabinete, ao invés de ser submetido para perícia técnica da Polícia Federal, escancarando a queda de braço entre o ministro e a corporação, a quem ele acusou de “inércia”.

FORA DA LEI – “Esta medida, de caráter absolutamente excepcional, rompe com procedimentos consolidados no direito processual penal brasileiro. Mais grave ainda: ocorre justamente em investigações relacionadas ao Banco Master, caso no qual o próprio Ministro Toffoli avocou para si (também de maneira excepcional) as investigações e decretou inexplicável sigilo sobre elementos cruciais que permeiam a temática”, afirmou Girão.

“A situação é grave e demonstra que não se trata de preocupação isolada, mas de questionamento institucional legítimo sobre a conduta de membro da mais alta Corte do país.”

Também consta do pedido do senador a sociedade no resort. Girão aponta que “familiares próximos do ministro Toffoli e pessoas de seu círculo íntimo mantêm relações comerciais com possíveis envolvidos no escândalo do Banco Master”.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
A sociedade civil tenta reagir a essa insegurança jurídica, mas a blindagem corporativa do Supremo mostra ser impenetrável e imune a qualquer tipo de controle, porque o Senado e conivente e não abre processo de impeachment. Se os poderes da República funcionassem e cumprissem a lei, o Brasil seria um país muito melhor. (C.N.)

Resort da família Toffoli opera um cassino com caça-níqueis e carteado

Irmãos de Toffoli se tornam sócios de resort no Paraná | Brasil | Pleno.News

Hotel-cassino de Toffoli tem estrutura de primeiro mundo

Valentina Moreira e Samuel Pancher
Metrópoles

O Resort Tayayá, erguido em Ribeirão Claro (PR) pela família do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), abriga um cassino ilegal. O estabelecimento está no centro de um escândalo que lançou desconfiança sobre a atuação de Toffoli no caso do Banco Master.

O cassino tem entre seus atrativos máquinas eletrônicas de apostas e mesas de jogos de carteado. No local, é possível jogar blackjack, modalidade de aposta com cartas proibida no Brasil. Todos os jogos são valendo dinheiro.

RESORT DO TOFFOLI – Em Ribeirão Claro, o local é conhecido como o “resort do Toffoli”. A coluna se hospedou no hotel nesta semana e, embora o nome do ministro não conste em documentos oficiais, funcionários tratam Dias Toffoli como o proprietário.

No fim do ano passado, Toffoli fechou o resort para uma festa destinada a familiares e convidados. Na ocasião, o estabelecimento já havia sido vendido por dois irmãos e um primo do ministro a um advogado da J&F, a gigante frigorífica de Joesley e Wesley Batista.

Antes disso, ações do hotel foram adquiridas por um fundo que tinha como investidor o pastor e empresário Fabiano Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro, do Banco Master. Toffoli é o relator, no STF, de investigação envolvendo o banco. Também já atuou em processos da J&F.

FESTA DE ARROMBA – Funcionários do hotel disseram à coluna que o evento de Toffoli, no fim de 2025, mobilizou toda a equipe do resort. O festejo contou com a presença de artistas e do ex-jogador de futebol Ronaldo Nazário, o Fenômeno.

Um funcionário publicou foto de Ronaldo no local, mas a apagou posteriormente. Na festa promovida por Toffoli, Ronaldo teria inaugurado a área de jogatina. Ele é jogador profissional de pôquer, modalidade legalizada no Brasil.

O cassino dispõe de 14 máquinas de vídeo loteria. Na prática, as apostas funcionam como caça-níqueis, mas são regulamentadas pelo governo do Paraná. O ambiente tem iluminação artificial, carpetes e luzes de neon, reproduzindo a estética de casas de apostas no exterior.

JOGO PROIBIDO – O Metrópoles esteve no local sem se identificar. Os repórteres foram convidados a participar, após o horário oficial de fechamento, às 23h, de outros tipos de jogos, como blackjack. Nessa modalidade, o jogador disputa contra o “dealer” para que a soma dos pontos das cartas se aproxime de 21. Esse tipo de jogatina, valendo dinheiro, não é legal no Brasil.

O cassino funciona sem controle de entrada. A reportagem flagrou crianças nas máquinas caça-níqueis em duas ocasiões. Elas estavam entre adultos que consumiam bebidas alcoólicas.

Jogos de azar presenciais são proibidos no Brasil. Em 2020, contudo, uma decisão do Supremo (na ADPF nº 492) permitiu que os estados explorassem as chamadas “vídeo loterias” (equivalente a caça-níquel). Este é o nome técnico das maquininhas disponibilizadas no Resort Tayayá.

DIZ O SUPREMO – Sob a relatoria do ministro Gilmar Mendes, o STF entendeu que não há exclusividade da União para a exploração dessas atividades. O ministro Dias Toffoli acompanhou o voto do relator.

Apesar da legalização das vídeo loterias, a prática de jogos de azar, como partidas com a presença de dealers e jogos de cartas com apostas em dinheiro, não é autorizada pela legislação nacional, permanecendo ilegal à luz das normas atuais.

Dias Toffoli vai com frequência ao Resort Tayayá. O ministro dispõe de uma casa em uma área denominada Ecoview, destinada a hóspedes de alto padrão. Ele tem também à sua disposição uma embarcação, que fica atracada no píer do resort.

IRMÃO DO MINISTRO – Outra residência dentro do hotel é utilizada por José Carlos Dias Toffoli, irmão do ministro. José Carlos e outro irmão do ministro, José Eugênio, foram sócios de uma incorporadora avaliada atualmente em R$ 30 milhões. Essa incorporadora foi responsável pela construção dos apartamentos do resort. Antes dos negócios milionários no ramo hoteleiro, José Carlos era padre.

Colegas de Toffoli no Supremo já se hospedaram no Tayayá. Funcionários citam, por exemplo, a ministra Cármen Lúcia. O resort fica às margens da represa de Xavantes, próximo à divisa do Paraná com o estado de São Paulo.

As diárias chegam a R$ 2 mil nos apartamentos mais simples. O lugar chama a atenção pela arquitetura rústica — estilo que, segundo funcionários, agrada ao “Zé”, como o ministro é chamado.

ALTO LUXO – A estrutura de lazer inclui seis piscinas, sendo três aquecidas, quadras de tênis e de beach tennis, além de atividades recreativas para crianças.

O acesso ao resort exige logística. Para chegar por via aérea, o hóspede precisa de um voo fretado até a cidade de Ourinhos (SP), seguido de um voo de helicóptero.

Procurado, o advogado Paulo Humberto negou que o resort ofereça jogos ilegais. “Em relação à jogatina, os jogos existentes no Tayayá são autorizados pela loteria do estado. Quanto aos jogos de cartas, as mesas disponíveis são para diversão dos próprios hóspedes, que jogam de truco a pôquer. Não há interferência nem incentivo à jogatina”, afirmou. O ministro Dias Toffoli não respondeu aos questionamentos da reportagem.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Sensacional a reportagem do Metrópoles. Mostra que Toffoli é igual a Lula – tem uma luxuosa casa de campo, onde se hospeda quando quer, mas diz que não lhe pertencia. Lula e Toffoli, tudo a ver. (C.N.)

Banco Central decreta liquidação do Will Bank, banco digital do grupo Master

O encanto da favela, na visão de Nelson Sargento, um dos mitos da Mangueira

Nelson Sargento / FathiPaulo Peres
Poemas & Canções

O artista plástico, escritor, cantor e compositor carioca Nelson Mattos (1924/2021) foi sargento do Exército, daí o apelido que virou nome artístico. Na letra de “Encanto da Paisagem”, mostra a sua visão poética e social sobre a realidade existente nos morros. Este samba intitula o LP “Encanto da Paisagem” gravado por Nelson Sargento, em 1986,  pela Kuarup.

ENCANTO DA PAISAGEM

Nelson Sargento

Morro,
És o encanto da paisagem
Suntuoso personagem
De rudimentar beleza
Morro,
Progresso lento e primário
És imponente no cenário
Inspiração da natureza

Na topografia da cidade
Com toda simplicidade,
És chamado de elevação
Vielas, becos e buracos
Choupanas, tendinhas, barracos
Sem discriminação

Morro,
Pés descalços na ladeira
Lata d´água na cabeça
Vida rude alvissareira
Crianças sem futuro e sem escola
Se não der sorte na bola
Vai sofrer a vida inteira

Morro,
O teu samba foi minado
Ficou tão sofisticado,
Já não é tradicional
Morro,
És lindo quando o sol desponta
E as mazelas vão por conta
do desajuste social

Caso Master: esposa de Moraes representa banco em processo remetido a Toffoli no STF

Boulos diz que Faria Lima quer “bolsonarismo de garfo e faca” e critica Tarcísio

Polícia Federal avalia se prisão domiciliar é alternativa adequada para Bolsonaro

Moraes enviou lista de perguntas apresentada por defesa

Daniel Gullino
O Globo

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), enviou para a Polícia Federal (PF) questionamentos apresentados pela defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). As perguntas deverão ser respondidas como parte da avaliação médica que a corporação irá realizar.

A PF deverá responder se a permanência de Bolsonaro na prisão significa “risco aumentado, concreto e previsível de agravamento” das suas doenças e se a prisão domiciliar seria a “melhor alternativa” para “preservar a vida, a integridade física e a dignidade humana”.

JUNTA MÉDICA – Na semana passada, ao determinar a transferência de Bolsonaro, Moraes também ordenou que o ex-presidente fosse submetido a uma junta médica da PF, que deve analisar se ele pode continuar cumprindo a pena na prisão. O ministro deu o prazo de dez dias para apresentação do laudo.

Na sexta-feira, os advogados de Bolsonaro apresentaram uma lista com 39 perguntas. Nesta segunda-feira, Moraes determinou o envio à PF. “Encaminhem-se cópia dos quesitos formulados pela defesa à Superintendência Regional da Polícia Federal no Distrito Federal, para que sejam respondidos pelos peritos no prazo assinalado”, estabeleceu.

Bolsonaro foi levado na semana passada para o 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal (PM-DF), conhecido como Papudinha, após passar quase dois meses na Superintendência da PF em Brasília.

RESPOSTA – A transferência foi uma resposta às críticas de familiares e aliados do ex-presidente sobre as instalações da PF. Moraes rebateu as reclamações, mas alegou que isso não impedia a mudança “para uma Sala de Estado Maior com condições ainda mais favoráveis”.

O ministro citou que o batalhão da PM-DF permitirá, por exemplo, “o aumento do tempo de visitas aos familiares, a realização livre de ‘banho de sol’ e de exercícios a qualquer horário do dia, inclusive com a instalação de aparelhos para fisioterapia, tais como esteira e bicicleta”.

Piada do Ano! Fachin volta a Brasília para tentar conter o desgaste do STF

Código de conduta no STF provoca mal-estar e abre primeira crise na gestão Fachin @charges_ismecio #fachin #etica #STF #judiciário Curta, compartilhe, salve, comente

Charge do Ismécio (Instagram)

Carolina Brígido
Estadão

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, interrompeu suas férias, que tinha iniciado quinta-feira passada, dia 15, o retorno a Brasília, onde desembarcou na noite de segunda-feira, 19. A interlocutores e ministros, Fachin justificou a volta antes da reabertura do Judiciário com a avaliação de que “o momento exige” sua presença na capital.

O objetivo central de Fachin é gerenciar o desgaste na imagem do tribunal, provocado pelos recentes desdobramentos do inquérito do Banco Master, sob relatoria do ministro Dias Toffoli.

ROTA DE COLISÃO – Fachin, que havia transferido a presidência interina ao vice, Alexandre de Moraes, busca articular uma saída institucional para o impasse que colocou o Supremo em rota de colisão com a Polícia Federal (PF) e a Procuradoria-Geral da República (PGR).

Fachin já conversou com Moraes, Gilmar Mendes, Luiz Fux, Nunes Marques, Cristiano Zanin, Cármen Lúcia e o próprio Toffoli. A alguns ministros, o presidente voltou a mencionar a importância de se debater um código de conduta para a Corte.

Nesta terça-feira, dia 20, o presidente do STF cumpre agenda em São Luís, no Maranhão, para um encontro com o ministro Flávio Dino. Fachin decidiu ir para a capital do Maranhão para se encontrar presencialmente com o ministro porque o filho de Dino vai passar por uma cirurgia.

ATAQUES A TOFFOLI – O procurador-geral da República, Paulo Gonet, recebeu quatro representações de parlamentares nos últimos meses para que ele proponha perante ao STF a suspeição de Toffoli como relator do inquérito que investiga fraudes e crimes cometidos pelos proprietários do Master.

Ao longo dos últimos 26 anos, no entanto, não houve nenhuma decisão do Supremo favorável a pedido de afastamento de um ministro.

O foco das preocupações da presidência é a manutenção e o método de condução de Dias Toffoli no caso. Decisões do relator geraram forte desconforto no meio jurídico.

TUDO ERRADO – Toffoli avocou para o STF todas as investigações sobre o Banco Master – incluindo processos que tramitavam na primeira instância sem envolvimento de autoridades com foro privilegiado – e impôs elevado sigilo, impedindo a visualização de atos processuais nos sistemas de consulta pública.

A tensão institucional escalou quando o ministro determinou que todo o material apreendido pela Polícia Federal em novas fases da operação fosse enviado diretamente ao seu gabinete.

A ordem foi revista somente após a PF alertar para o risco de prejuízo à análise das provas e a PGR emitir parecer contrário. Após o recuo, ficou definido que o material permaneceria sob guarda da Procuradoria.

POLÍCIA REAGE – O mal-estar tornou-se público no último sábado, dia 17, quando a Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal (ADPF) divulgou nota classificando o cenário como “atípico”.

 A entidade apontou “afronta às prerrogativas” da corporação, citando interferências diretas no planejamento investigativo, como a imposição de prazos exíguos para buscas, a realização de acareações fora do padrão e a escolha nominal de peritos pelo magistrado.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
É apenas mais uma Piada do Ano. Fachin fala muito e age pouco. Sabe que o tal Código de Ética jamais será adotado. O julgamento do 8 de Janeiro mostrou que todos ministros descumprem as leis com a maior tranquilidade. E o passado condena Fachin, que em 2021 “inventou” uma maneira de “descondenar” Lula e limpar a ficha imunda dele. E agora, quem pode confiar em Fachin? (C.N.)

AGU arquiva pedido do Exército para manter sigilo sobre morte de Rubens Paiva

Família de Vorcaro criou projeto que inflou fundos do Master ilegalmente

Ataque ao patrimônio. Charge de João Spacca para a newsletter desta segunda-feira (19). #meio #newsletter #charge #bancomaster

Charge do João Spacca (Arquivo Google)

André Borges, Adriana Fernandes e Lucas Marchesini
Folha

A família de Daniel Vorcaro, banqueiro do Master acusado de orquestrar um esquema fraudulento envolvendo fundos de investimento, é a investidora de um projeto bilionário de créditos de carbono realizado sobre terras públicas e baseado em valores inflados, sem lastro na realidade do mercado.

Documentos obtidos pela Folha apontam que os Vorcaro estão envolvidos desde a origem no plano de explorar esses créditos em uma área da Amazônia, por meio da alavancagem financeira realizada com fundos da administradora Reag.

COMO FUNCIONA – Créditos de carbono são certificados que empresas podem comprar para compensar suas emissões de carbono. Projetos de restauração florestal e energia limpa, por exemplo, geram créditos conforme a quantidade de gases evitados ou removidos da atmosfera, que podem ser repassados.

Dois fundos sob gestão da Reag tiveram seu patrimônio reavaliado porque duas empresas das quais eles eram acionistas foram turbinadas em mais de R$ 45,5 bilhões com a geração de carbono advinda de uma área pública da União na Amazônia, o que é irregular. Isso transforma o caso em um dos maiores escândalos do setor.

O elo entre o projeto irregular de carbono e a família Vorcaro se dá por meio de uma empresa chamada Alliance Participações, conforme contratos e laudos aos quais a reportagem teve acesso.

SOCIEDADE FAMILIAR – A Alliance, uma sociedade anônima fechada, é controlada por Henrique Moura Vorcaro, que ocupa a cadeira de presidente, e Natália Bueno Vorcaro Zettel, diretora da empresa e mulher de Fabiano Zettel, alvo de operação na semana passada. Tratam-se do pai e da irmã de Daniel Vorcaro, que sempre negou participação no negócio de carbono na região.

Em agosto de 2022, um Contrato de Opção de Compra e Venda foi assinado entre a Alliance, o fazendeiro Marco Antônio de Melo, que aparece como dono da terra, e José Antônio Ramos Bittencourt, que atuou como mediador da transação comercial.

Com o acordo, a Alliance passou a ser dona majoritária das unidades de carbono associadas à Fazenda Floresta Amazônica, em Apuí (AM), com 80% do que seria produzido, enquanto Bittencourt ficou com 20%. O passo seguinte foi estruturar a engrenagem dos fundos da Reag que assumiriam o projeto.

COTAS DE FUNDOS – Em 2023, com o acordo formalizado, as operações transformam as 168,872 milhões de unidades de estoque de carbono estimadas no território da Fazenda Floresta Amazônica em cotas de fundos. Neste acerto, o intermediário do negócio, José Antônio Ramos Bittencourt, recebeu cotas de dois fundos da Reag como pagamento, ficando com 2,5% do New Jade 2 e 7,5% do Biguaçu.

O arranjo financeiro passou a incluir, ainda, a possibilidade de negociações com tokens de carbono (um tipo de “vale digital” de carbono, um registro certificado usado para tentar transformar uma promessa de crédito ambiental em ativo financeiro) e outros ativos como forma de quitação.

O contrato prevê que o fazendeiro Marco Antônio de Melo seria remunerado por cotas e tokens, mas não detalha os percentuais ou fundos usados para remunerá-lo.

CARBONO VOADOR – Este carbono da Alliance, empresa que agora se sabe pertence à família Vorcaro, foi parar na Global Carbon e na Golden Green, duas companhias da teia que inflaram o patrimônio dos fundos de investimentos sob gestão da Reag.

Os fundos foram usados, segundo os investigadores, para desviar dinheiro do Master e para retroalimentar a ciranda financeira, ampliando o patrimônio do banco, o que permitiu à instituição financeira seguir vendendo CDBs no mercado.

No caso do negócio envolvendo créditos de carbono, a complexidade da trama vai além da sucessão de fundos para inflar patrimônio. O que está por trás da valorização explosiva de empresas que, de uma hora para a outra, passaram a valer dezenas de bilhões de reais, diz respeito à própria natureza do que seria supostamente negociado.

SEM CERTIFICAÇÃO – Enquanto o crédito de carbono tradicional depende de certificação reconhecida e redução comprovada de emissões, as tais unidades de estoque tratadas no contrato e medidas pela Unesp são descritas como estimativas, sem referência de mercado transparente ou preço público. Ainda assim, foram usadas como base para estruturar os fundos e reorganizações que sustentaram a narrativa de um ativo bilionário.

Como mostrou a Folha, as duas empresas controladas por fundos da Reag, a Golden Green e a Global Carbon, passaram a valer R$ 14,5 bilhões e R$ 31 bilhões, respectivamente, mesmo sem vender um único crédito.

Esses R$ 45,5 bilhões não eram dinheiro vivo, não podiam ser sacados por seus cotistas, mas ajudavam a inflar um patrimônio financeiro fictício que poderia turbinar empréstimos e fazer girar a ciranda dos negócios atrelados às suas cadeias de fundos.

ÁREA DA UNIÃO – A própria terra e a floresta que dariam origem a esses créditos sempre estiveram enroladas com papéis e registros cartoriais que comprovam que se trata de uma área da União, impedida de ser negociada por terceiros e destinada à reforma agrária.

Nada disso, porém, teria impedido que auditorias chancelassem os negócios, baseados unicamente no patrimônio financeiro informado pelas próprias empresas, sem nenhum tipo de checagem concreta sobre o que, afinal, poderia produzir aqueles créditos.

A Golden Green tem como investidor o fundo Jade; e a Global Carbon, o New Jade 2, ambos administrados pela Reag e investigados desde a Operação Carbono Oculto, que apura a suspeita de lavagem de dinheiro para o PCC. O New Jade 2 está na ponta de uma cadeia de controle de fundos que se inicia no Hans 95, um dos seis apontados como fraudulentos pelo Banco Central no caso Master, conforme mostrou a Folha.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Importantíssima matéria da Folha, que indica falhas grotescas na fiscalização que deveria ter sido feita pelo Banco Central, desde a época de Roberto Campos Neto, aquele economista que presidiu o BC mas não acreditava no próprio trabalho, porque mantinha sua fortuna no exterior, como também fazia Paulo Guedes, o então ministro da Fazenda. Ah, Brasil, você não merece essa gentalha… (C.N.)

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