Haddad deixa Fazenda para enfrentar Tarcísio em São Paulo, aposta de Lula para 2026

Haddad deixará governo na próxima semana

Vera Magalhães
O Globo

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, deixa o governo na semana que vem e será o candidato de Lula ao governo de São Paulo. A saída está sendo programada para quarta ou quinta-feira da próxima semana.

A decisão sobre a candidatura vinha sendo amadurecida em sucessivas conversas entre o presidente e o ministro, mas a pesquisa Datafolha deste fim de semana, que mostra o petista com bom desempenho para enfrentar o governador Tarcísio de Freitas, praticamente selou a decisão.

PESQUISA – No Datafolha, o petista tem 28% ou 31% no primeiro turno, em diferentes cenários estimulados, contra 44% de Tarcísio nas duas projeções. No segundo turno, ele perde para Tarcísio por 52% a 37%. A expectativa do QG lulista não é vencer em São Paulo, mas “perder de pouco”. Estudos mostram que o fato de Lula ter conseguido vencer na capital paulista em 2022 e obter uma votação maior no Estado que a do próprio Haddad em 2018 foi preponderante para sua vitória sobre Jair Bolsonaro.

Pesaram na definição do ministro como candidato levantamentos qualitativos nos quais sua imagem se mostra preservada diante de duas crises que devem movimentar a campanha: a dos casos de corrupção (Master e INSS) e a de segurança pública. Ainda não está definido se o anúncio da pré-candidatura será feito junto com a saída da Fazenda ou logo em seguida, ou se ficará para mais adiante, junto com o restante da chapa de Lula em São Paulo.

CONFIRMAÇÕES – Pelo arranjo idealizado por Lula, também devem ser confirmadas Marina Silva e Simone Tebet na chapa de Haddad. Resta definir se ambas serão candidatas ao Senado ou se uma das ministras ocupará a vaga de vice na chapa do hoje colega.

Geraldo Alckmin pode tanto ser um coordenador-geral da campanha do PT em São Paulo, caso seja confirmado como vice na chapa de Lula à reeleição, como pode, caso haja aliança com algum outro partido, ser um dos postulantes ao Senado. Mas a chance de ele permanecer como vice “é de 90% hoje”, na projeção de um dos principais articuladores do palanque paulista.

Um poema-oração de Clarice Lispector, pedindo perdão pelo pecado de pensar…

Clarice Lispector - PensadorPaulo Peres
Poemas & Canções

A escritora, jornalista e poeta Clarice Lispector (1920-1977), nascida na Ucrânia e naturalizada brasileira, no poema “Meu Deus, me dê coragem’’, faz uma mensagem desesperada em busca da plenitude.

MEU DEUS, ME DÊ CORAGEM
Clarice Lispector

Meu Deus, me dê a coragem
de viver trezentos e sessenta e cinco dias e noites,
todos vazios de Tua presença.
Me dê a coragem de considerar esse vazio
como uma plenitude.
Faça com que eu seja a Tua amante humilde,
entrelaçada a Ti em êxtase.
Faça com que eu possa falar
com este vazio tremendo
e receber como resposta
o amor materno que nutre e embala.
Faça com que eu tenha a coragem de Te amar,
sem odiar as Tuas ofensas à minha alma e ao meu corpo.
Faça com que a solidão não me destrua.
Faça com que minha solidão me sirva de companhia.
Faça com que eu tenha a coragem de me enfrentar.
Faça com que eu saiba ficar com o nada
e mesmo assim me sentir
como se estivesse plena de tudo.
Receba em teus braços
meu pecado de pensar.

Sem visitas e com cama de concreto: a nova rotina de Vorcaro na prisão

Banqueiro passa por período de adaptação de até 20 dias

Luísa Marzullo
O Globo

Transferido para Brasília na sexta-feira passada, o banqueiro Daniel Vorcaro passou o primeiro fim de semana sob custódia no sistema penitenciário federal enfrentando uma mudança brusca de rotina. Acostumado ao cotidiano luxuoso e à intensa agenda de reuniões e viagens, Vorcaro agora passa a maior parte do tempo em uma cela individual de concreto, com circulação restrita e horários rigidamente controlados dentro da Penitenciária Federal em Brasília.

Nos primeiros dois dias na unidade, o banqueiro permanece praticamente todo o tempo dentro da cela, com poucas interações até mesmo com os agentes penitenciários. O espaço tem cerca de seis metros quadrados e segue o padrão das penitenciárias federais de segurança máxima: uma cama elevada de concreto com colchão fino, uma bancada que funciona como mesa, um banco fixo integrado à parede e uma pequena área de higiene com pia, vaso sanitário e chuveiro.

HORÁRIOS DEFINIDOS – Não há televisão, tomadas elétricas ou equipamentos eletrônicos. A iluminação da cela e o funcionamento do chuveiro são controlados externamente pelos agentes penitenciários, em horários definidos pela administração da unidade — normalmente entre 6h e 22h. Já o banho é um por dia, de no máximo 15 minutos, e no período da manhã. A única entrada de luz natural vem de uma pequena janela próxima ao teto, localizada na área de higiene.

Nesse ambiente fechado, a rotina do preso passa a ser marcada principalmente pelos horários de alimentação. Vorcaro recebe seis refeições por dia, entregues diretamente na porta da cela. O dia começa cedo com café da manhã, composto por fruta, pão e ovo, acompanhado de café ou leite. Algumas horas depois, ainda no período da manhã, os presos recebem uma colação, um pequeno lanche que pode incluir fruta ou biscoito.

O almoço é a refeição principal e costuma trazer uma proteína, como carne ou frango, acompanhada de arroz, feijão e salada. No meio da tarde é servido um novo lanche, geralmente com fruta, pão ou biscoito. À noite, a rotina alimentar termina com jantar, semelhante ao almoço, porém em porções menores, seguido de ceia, um lanche leve antes do recolhimento noturno.

BANHO DE SOL – Assim como os demais presos, Vorcaro passa a maior parte do tempo dentro da cela e deixa o espaço apenas em momentos autorizados pela administração da unidade, como para o banho de sol diário, cuja duração é de duas horas e é realizado sob escolta de agentes. Sempre que o preso deixa a cela, ele passa por revista realizada pelos agentes penitenciários, e o próprio espaço também é inspecionado periodicamente.

Além das restrições físicas, Vorcaro também enfrenta um período inicial de isolamento em relação ao mundo exterior. Nos primeiros dias após a chegada ao presídio federal, familiares e amigos não podem visitá-lo. O protocolo da unidade prevê que presos recém-chegados passem por um período de adaptação que pode chegar a até 20 dias sem visitas sociais.

Nesse intervalo, o contato externo fica praticamente restrito aos advogados, que podem se reunir com o preso em salas específicas da unidade, mediante identificação e registro na entrada do presídio. A defesa do banqueiro pediu ao ministro do Supremo Tribunal Federal André Mendonça autorização para que a primeira conversa entre Vorcaro no presídio federal ocorra sem gravação. A equipe jurídica afirma que ainda não conseguiu realizar um contato reservado com o cliente desde a prisão preventiva.

ESTRATÉGIA JURÍDICA – Segundo os advogados, a autorização é necessária para que possam discutir de forma confidencial a estratégia jurídica do caso nesta nova fase das investigações. Nas penitenciárias federais, os encontros entre presos e seus defensores costumam ser monitorados e registrados por áudio e vídeo, motivo pelo qual a defesa solicitou ao relator que a primeira reunião com Vorcaro ocorra sem esse tipo de registro.

A penitenciária federal em Brasília, inaugurada em 2018 e administrada pela Secretaria Nacional de Políticas Penais, integra o sistema nacional de presídios de segurança máxima criado para custodiar presos considerados de maior risco ou cuja permanência em presídios estaduais possa gerar problemas de segurança.

Tribunais desistem do sigilo e revelam penduricalhos de juízes e desembargadores

Charge do Alpino (Arquivo do Google)

Ana Gabriela Oliveira Lima
Folha

Lanche, vale-alimentação, plano de saúde, auxílio-creche, carro e motorista fazem parte dos benefícios de juízes e desembargadores de diferentes tribunais do país, na contramão do que foi dito, na última semana no STF (Supremo Tribunal Federal), por uma representante de uma associação de magistrados.

Claudia Marcia de Carvalho Soares, que representava a ABMT (Associação Brasileira de Magistrados do Trabalho), afirmou que “juiz de primeiro grau não tem carro, paga do seu próprio bolso o combustível, não tem apartamento funcional, não tem plano de saúde, não tem refeitório, não tem água e não tem café. Desembargador não tem quase nada, a não ser um carro, mal tem lanche”.

RESTRIÇÃO DE VERBAS – A declaração foi dada durante sessão no Supremo que discutiu a restrição de verbas indenizatórias, os chamados penduricalhos, à categoria. O julgamento, adiado para o final de março, vem na esteira de decisões dos ministros do STF Flávio Dino e Gilmar Mendes, que limitaram a autorização para o pagamento das verbas.

Soares é juíza aposentada e, segundo dados do Tribunal Regional do Trabalho da 1ª Região, recebeu mais de R$ 700 mil em rendimento líquido em 2025. Desse valor, quase R$ 300 mil correspondem aos meses de outubro, novembro e dezembro, período de pagamento de abonos como décimo terceiro. Nos outros meses, o rendimento líquido ficou, no geral, na casa de R$ 44 mil mensais.

A Folha tentou contato com todos os 27 Tribunais de Justiça dos estados e do Distrito Federal, os seis Tribunais Regionais Federais e os 24 Tribunais Regionais do Trabalho para saber a que benefícios juízes e desembargadores têm acesso.

PADRÃO – Os Tribunais Regionais do Trabalho responderam à reportagem de forma conjunta, por meio do CSJT (Conselho Superior da Justiça do Trabalho). O Conselho informou que o padrão é disponibilizar carros para a magistratura de segundo grau, vinculado às atividades funcionais, “sendo que em alguns casos, como nos tribunais de grande porte, o atendimento é individualizado e voltado ao transporte de desembargadores”.

Sobre lanches, confirma o oferecimento em alguns casos. “Quando há sessões de manhã e à tarde, alguns regionais disponibilizam lanche aos magistrados e magistradas”. Cita, ainda, a oferta de planos de saúde ou ressarcimento de assistência médica.

O TJ-RN (Tribunal de Justiça do Rio Grande do Norte) informou que juízes, desembargadores e servidores recebem vale-alimentação de R$ 2.000 e auxílio-saúde com valores que vão de R$ 1.200 a R$ 1.900. Além disso, desembargadores têm direito a veículos funcionais.

AUXÍLIOS – O TJ-RS (Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul) disse que apenas o presidente, os vices e o corregedor-geral têm carro. A corte diz ter auxílio-alimentação, auxílio-saúde, auxílio-creche/babá com limitação de idade da criança e, para os desembargadores, lanche em dias de julgamento.

Magistrados do TJ-MG (Tribunal de Justiça de Minas Gerais) recebem auxílio-saúde, de alimentação e de creche. Além disso, “os desembargadores podem optar por contar com carro e motorista exclusivamente para o exercício de suas atividades funcionais”.

Por meio da assessoria, o TJ-SP (Tribunal de Justiça de São Paulo) disse oferecer auxílio-saúde, que contempla reembolso das despesas médicas comprovadas “até determinado limite”. O TJDFT (Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios) e o TJ-AM (Tribunal de Justiça do Amazonas) não nomearam os benefícios dados.

VEÍCULOS OFICIAIS – Segundo a assessoria do TJ-SC (Tribunal de Justiça de Santa Catarina), a corte não paga qualquer benefício além dos determinados pelo CNJ. O tribunal disse disponibilizar aos magistrados veículos oficiais para deslocamentos justificados e a trabalho.

O TJ-MT (Tribunal de Justiça do Mato Grosso) afirmou, de maneira genérica, que “não são pagos os referidos benefícios”, como carro e ajuda para combustível. A corte disse pagar apenas a remuneração prevista em lei, assim como o TJ-RR (Tribunal de Justiça de Roraima).

Já o TJ-RJ (Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro) informou que apenas desembargadores têm direito a veículo institucional blindado, e citou plano de saúde a servidores e de autogestão a seus magistrados. Além disso, “o tribunal disponibiliza área para o Sesc treinar profissionais na área de alimentação, através do chamado restaurante-escola, que é aberto a todo o público usuário da instituição e as refeições são pagas pelos próprios.”

VARIAÇÕES – Para a Transparência Brasil, ainda que existam variações nos benefícios dados a magistrados em diferentes instituições e níveis de carreira, o montante recebido com indenizações e gratificações viola reiteradamente o teto constitucional. “Alguns magistrados podem receber mais que outros, mas a maioria ganha acima do teto, principalmente nos tribunais de primeira e segunda instâncias. É um fenômeno sistêmico no Judiciário.”

Vitor Rhein Schirato, professor de direito administrativo da USP, classifica como “absurda” a manifestação sobre falta de lanche e auxílio a juízes e desembargadores. “É óbvio que o juiz tem que pagar o combustível e o carro. Por que todas as profissões do mundo pagam o próprio carro e o próprio combustível e o juiz não? Isso não faz o menor sentido, é um absurdo”, diz Schirato.

Além disso, hoje a preocupação de diplomatas, internacionalistas e especialistas no assunto é com relação às regras do direito internacional, e os últimos acontecimentos, como o sequestro de Nicolás Maduro da Venezuela, tem quebrado o convívio entre os países, o que é classificado como retrocesso.

Entre mensagens, versões e silêncio: o novo teste de credibilidade do Supremo

Viviane disse que não recebeu mensagens de Vorcaro

Pedro do Coutto

Em momentos de forte polarização política, episódios que em outros contextos poderiam permanecer restritos ao campo técnico acabam se transformando em crises institucionais. O mais recente envolve o entorno do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, e o banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master.

A controvérsia ganhou novo capítulo quando a advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do magistrado, afirmou não ter recebido mensagens atribuídas ao empresário no dia em que ele foi preso. A declaração, embora objetiva, não encerrou o debate — ao contrário, expôs mais uma vez o ambiente de suspeição que passou a cercar relações entre atores do sistema financeiro, do Judiciário e da política.

REGISTROS – A polêmica surgiu a partir de registros extraídos do celular de Vorcaro, apreendido durante investigações conduzidas pela Polícia Federal. Entre os arquivos analisados aparecem imagens de mensagens enviadas no dia 17 de novembro de 2025, poucas horas antes da primeira prisão do banqueiro. Em um dos registros, aparece a frase: “Alguma novidade? Conseguiu ter notícia ou bloquear?”. O material passou a circular em meio às apurações parlamentares conduzidas pela CPI do INSS e rapidamente ganhou repercussão política, sobretudo porque em alguns arquivos o destinatário aparece identificado como “Vivi Moraes”, nome associado à advogada.

Diante da repercussão, Viviane Barci de Moraes afirmou que não recebeu qualquer mensagem do empresário naquela data. A negativa se soma à versão divulgada anteriormente pelo próprio ministro Alexandre de Moraes. Segundo nota do Supremo, uma análise técnica dos dados telemáticos indicaria que os prints divulgados não correspondem aos contatos do magistrado e estariam vinculados a outros nomes da agenda telefônica de Vorcaro. Ainda assim, o episódio alimentou questionamentos em Brasília e reforçou a percepção de que o caso ultrapassou os limites de uma investigação financeira para se tornar também uma disputa política e institucional.

O pano de fundo dessa controvérsia é o colapso do Banco Master, que já vinha sendo investigado por operações consideradas de alto risco e por suspeitas envolvendo fundos de investimento e movimentações financeiras complexas. Nesse contexto, tornou-se público que o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes manteve um contrato de consultoria jurídica com a instituição financeira. Embora o escritório tenha afirmado que prestou serviços técnicos e que não atuou em processos do banco no Supremo, o simples fato de existir uma relação profissional entre a instituição financeira investigada e o escritório ligado à família de um ministro da Corte acabou ampliando o interesse público sobre o caso.

INVESTIGAÇÕES –  A repercussão não demorou a chegar ao Congresso. Parlamentares da oposição passaram a defender investigações mais amplas sobre as conexões entre o banco, seus dirigentes e autoridades públicas. Para esses setores, as mensagens atribuídas a Vorcaro poderiam indicar tentativas de interlocução com figuras próximas ao Judiciário. Já aliados do governo e integrantes do próprio sistema judicial argumentam que a divulgação fragmentada de informações, sem verificação completa, pode distorcer a percepção dos fatos e transformar indícios frágeis em suspeitas amplificadas politicamente.

Esse choque de narrativas revela algo mais profundo do que o episódio específico das mensagens. O caso reflete uma tendência recente da política brasileira: a crescente judicialização dos conflitos e, ao mesmo tempo, a politização das investigações judiciais. O Supremo passou a ocupar posição central no funcionamento do sistema político, julgando temas que vão desde disputas eleitorais até investigações de corrupção e tentativas de ruptura institucional. Com isso, qualquer episódio que envolva ministros da Corte ganha imediatamente dimensão política.

Em democracias consolidadas, a credibilidade das cortes superiores depende não apenas da legalidade das decisões, mas também da percepção pública de independência e transparência. Quando surgem dúvidas sobre relações privadas ou profissionais envolvendo magistrados ou seus familiares, mesmo que posteriormente se revelem infundadas, o impacto sobre a imagem institucional pode ser significativo. É por isso que tribunais em diversos países adotam regras rígidas de transparência, divulgação de atividades externas e prevenção de conflitos de interesse.

CÓDIGO DE ÉTICA –  No Brasil, a discussão sobre padrões de conduta no Supremo tem ressurgido com frequência nos últimos anos. Propostas de códigos de ética específicos para ministros e regras mais claras sobre relações institucionais voltaram a ser mencionadas em meio às crises recentes. A controvérsia envolvendo o Banco Master e as mensagens atribuídas a Vorcaro acaba reforçando esse debate. Não necessariamente porque prove irregularidades, mas porque evidencia como a ausência de parâmetros explícitos de transparência pode abrir espaço para interpretações conflitantes.

No fim das contas, o episódio das mensagens ilustra um fenômeno recorrente na política brasileira contemporânea: a transformação de investigações técnicas em arenas de disputa narrativa. De um lado, denúncias e suspeitas são amplificadas por adversários políticos; de outro, respostas institucionais muitas vezes aparecem de forma tardia ou defensiva, alimentando ainda mais o ciclo de desconfiança. Entre documentos vazados, versões contraditórias e disputas partidárias, a verdade factual frequentemente se perde no ruído.

Por enquanto, o caso segue em análise no contexto mais amplo das investigações sobre o Banco Master e das apurações parlamentares em curso. Mas, independentemente do desfecho, a controvérsia já deixa uma lição clara: em tempos de hiperexposição e polarização, a reputação das instituições depende não apenas da correção jurídica de suas decisões, mas também da capacidade de responder rapidamente às dúvidas da sociedade. Quando isso não acontece, mesmo uma mensagem cuja autenticidade ainda é discutida pode se transformar em um problema político de grandes proporções.

“Explicações” da mulher de Moraes são uma espécie de confissão espontânea

Esposa de Moraes diz que foi consultora jurídica do Master | Metrópoles

Tudo ia bem, até Moraes decidir “trabalhar” para a mulher

Mario Sabino
Metrópoles

Depois que a casa caiu com a descoberta das conversas estarrecedoras entre Daniel Vorcaro e Alexandre de Moraes, no dia da primeira prisão do estelionatário, a doutora Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro do STF, decidiu dar satisfações sobre o seu contrato com o Banco Master.

As satisfações não satisfazem. Vamos à primeira por ordem de relevância: Em nota de esclarecimento à imprensa que a doutora Viviane divulgou nesta segunda-feira, ela afirma que o seu escritório fez 94 reuniões de trabalho com o Master e confeccionou 36 pareceres para o banco.

PIADAS PRONTAS – O comunicado diz que a sua equipe atuou na área de compliance do Master, ajudando a estruturá-la. A piada já veio pronta, nada a acrescentar.

A nota também afirma que, para além dos trabalhos para a área administrativa do banco, os causídicos auxiliaram na “análise consultiva e estratégica de inquéritos policiais”, sem nunca ter representado o banco perante o STF. Não há explicação sobre a quais análises e estratégias o escritório se ateve.

Quem redigiu a nota fez um esforço tremendo para esticar o texto ao máximo, como se cada linha a mais pudesse justificar cada milhão embolsado pelo escritório.

ENCHENDO LINGUIÇA – Veja-se o seguinte parágrafo, um clássico master da encheção de linguiça: “Elaboração e apresentação de processos para certificação de ética e governança, com mapeamento das atividades, levantamento de documentação-base, análise das oportunidades, elaboração e revisão e treinamentos do público-alvo sobre as novas políticas, a partir da revisão do Código de Ética e Conduta, políticas de integridade, estruturação do departamento de compliance e apoio à alta administração.”

De advocacia mesmo, tem-se “atuação contenciosa específica em ação penal, cujo ajuizamento ocorreu em 17/10/2024, e inquérito policial federal específico, cuja habilitação se deu em 8/4/2024”.

Vamos fazer uma continha de padeiro: 94 reuniões, 36 pareceres e 2 atuações, uma em ação penal e outra em inquérito policial, em 22 meses de trabalho, de fevereiro de 2024 a novembro de 2025, período que consta na nota de esclarecimento.

132 TAREFAS – Portanto, ao todo, entre reuniões, pareceres e atuações elencados na nota de esclarecimento,132 tarefas foram executadas.

Muito bem, o valor total do contrato de três anos era de espetaculares R$ 129 milhões (não há menção a dinheiro na nota); mas, como o Master foi liquidado, calcula-se que o escritório da doutora Viviane tenha recebido R$ 79,2 milhões, visto que a quantia mensal prevista no acordo era de R$ 3,6 milhões.

Deixando de lado as especificidades e os diferentes graus de complexidade das tarefas, isso significa que cada uma delas saiu pelo preço médio de R$ 600 mil, valor de apartamentos de médio padrão em São Paulo.

MUNDO DE SONHOS – É um preço que só existe no mundo que parecia maravilhoso de Daniel Vorcaro, um especialista em fazer amigos caros em Brasília. E se a conta de padeiro fosse feita de outro modo, com base apenas no alegado número de horas trabalhadas (advogados faturam por hora) e no que normalmente é cobrado na indústria de pareceres, a distância entre os valores do mercado da advocacia brasileira e a bolada efetivamente ganha pelo escritório seria de uma imensidão igualmente atípica, eufemismo para escandalosa.

Supõe-se que a evolução patrimonial da doutora Viviane, de R$ 24 milhões, no final de 2023, para R$ 79,7 milhões, no final de 2024, conforme publicou Lauro Jardim, o jornalista de quem Vorcaro queria “quebrar os dentes”, deva-se principalmente aos dividendos obtidos por meio do Master. Ou seja, o contrato assinado com o banco proporcionou à mulher de Moraes um lucro estratosférico, até mesmo estelar. Curiosamente, o valor atípico não acendeu o alerta da área de compliance do banco, estruturada com a ajuda do escritório da doutora Viviane.

ADVOGADA RELAPSA – Vamos à segunda satisfação: Como as emoções não param no Jardim Europa, a mulher de Moraes havia divulgado outra nota no sábado para dizer que não foi ela quem recebeu as mensagens de Vorcaro no dia da primeira prisão do banqueiro.

É uma afirmação que só serviu para complicar a vida do ministro: se a advogada contratada a peso de ouro não foi consultada em momento tão crucial para o dono do Master, isso reforça a impressão de que o contratado por Vorcaro foi, na verdade, Moraes, não a advogada casada com ele.

O ministro era o destinatário das mensagens, não resta dúvida, a doutora Viviane poderia ter poupado esforço. Ele até tentou negar na sexta-feira, mas o fez de maneira tão canhestra, que ficou ainda mais fácil para o jornal O Globo desmentir o desmentido de Moraes. É que gente que acha que não deve satisfações a ninguém é muito ruim quando se vê obrigada a fazê-lo. E, pelo visto, contratou a assessoria de imprensa errada.

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P.S. –
Doeu na alma que os cenários do noivado tão faustoso quanto fajuto de Vorcaro com a influencer tenham sido Villa Adriana e o Palazzo Colonna. O estelionatário conseguiu sujar até mesmo a história da minha Roma. (M.S.)

PF mira fundos ligados ao Tayayá para alcançar as transações de Toffoli

Supremo vive o momento mais vergonhoso desde sua fundação em 1829

André Mendonça toma posse como ministro efetivo do TSE | CNN Brasil

Cármen e Mendonça são os únicos com reputação ilibada

Carlos Newton

Jamais se viu nada igual na história do Supremo , criado em 1829, durante o período imperial, quando ainda era denominado como Supremo Tribunal de Justiça. Quase 200 anos depois, a vergonha e o arrependimento da maioria de seus ministros chegam a ser comoventes, jamais imaginaram que a situação chegasse a tamanha gravidade.

Hoje, entre os dez ministros do STF, pelo menos oito deles estão envolvidos diretamente em episódios de enriquecimento ilícito, como Dias Toffoli e Alexandre de Moraes, ou então ajudaram a montar a impressionante indústria de escritórios de advocacia com sobrenomes famosos, que se faz presente nos tribunais superiores, especialmente no Supremo e no Superior Tribunal de Justiça.

BARROSO ESCAPOU – Na verdade, até o ano passado eram nove ministros praticando esses desvios de caráter, mas Luís Roberto Barroso sentiu o cheiro de queimado e repentinamente se aposentou, apresentando uma justificativa patética.

Disse que havia prometido à mulher deixar o Supremo para viajarem pelo mundo. Porém, como ela ficou doente e morreu, o ministro então resolveu se aposentar e viajar sozinho, em homenagem à memória dela. Sinceramente, teria sido melhor Barroso não dar qualquer justificativa e simplesmente sumir de Brasília.

Assim, no início de 2026 pelo menos oito ministros têm parentes advogando em processos na corte, totalizando mais de uma dezena de familiares atuando no tribunal. Os integrantes do STF que incentivam essa prática indecorosa são Dias Toffoli, Nunes Marques, Luiz Fux, Edson Fachin, Flávio Dino, Cristiano Zanin, Gilmar Mendes e Alexandre de Moraes.

SOBRARAM DOIS – Por incrível que pareça, apenas dois ministros – Cármen Lúcia e André Mendonça – adotam o procedimento correto e jamais permitiram que seus parentes, especialmente cônjuges e filhos, abrissem escritórios em Brasília para defender causas no Supremo.

Assim, como as exceções apenas confirmam a regra, Cármen Lúcia e André Mendonça são obrigados a conviver com ministros que decididamente preferiram enriquecer do que seguir as regras de sua profissão, a magistratura, que deve ser considerada a mais importante das atividades.

Afinal, a sociedade só existe e funciona porque há leis e normas a serem obedecidas por todos, sem distinção. Cabe aos juízes a tarefa de exigir que não haja infrações, para que a vida transcorra da melhor maneira possível para todos os cidadãos. Mas no Brasil isso ainda é apenas um sonho. Aqui reina a esculhambação.

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P.S. –
O fato concreto é que a  magistratura não somente se corrompeu, como também criou os penduricalhos salariais, que foram aprovados pelo Supremo nos últimos anos. Agora, é preciso lavar, enxovalhar e passar a limpo os três Poderes. Essa tarefa hercúlea está entregue a Carmen Lúcia e André Mendonça, os únicos em que podemos confiar. Eles sabem o que fazer, o exemplo que devem dar a nação. Quanto aos demais ministros, o futuro deles já está na lata de lixo da História. (C.N.)

Sob desgaste do caso Master, STF enfrenta julgamento sobre emendas parlamentares

Ex-ministro petista Franklin Martins foi detido no Panamá e deportado

Franklin Martins, ex-ministro de Lula, relê a política em mil canções -  20/06/2015 - Ilustrada - Folha de S.Paulo

Franklin Martins vive em Lisboa, onde se sente protegido

Vicente Limongi Netto

Como virou moda haver notícias envolvendo patifes e picaretas de alto coturno, aí vai mais uma. Noticia-se que um ex-ministro de Lula, o notório Franklin Martins, que participou do sequestro do embaixador americano no regime militar, foi detido no aeroporto do Panamá, mas acionou o Itamarati foi deportado para o Brasil.

Não se tem mais informações sobre o pilantra, porém  Martins certamente estava no Panamá vendo a grana que tem por lá no paraíso fiscal preferido pelos petistas.

ENRIQUECIMENTO – Em Brasília, comenta-se que o ex-guerrilheiro Martins enriqueceu depois que achacou empreiteiras como OAS, Odebrecht, AG e Camargo Correa quando era ministro de Lula, a pretexto de filmar um documentário fantasma sobre “Os presidentes africanos”, na esteira da visita de Lula à África.

Ex-comentarista da TV Globo, Martins leva vida de nababo em Lisboa. Mora na famosa Rua das Janelas. Vizinho da Madonna. Dirige carro Bentley, que custa em Lisboa perto de 240 mil euros. 

VERGONHA – Perder em série de pênaltis um título estadual,  cobrados bisonhamente por jogadores profissionais é de amargar. O Fluminense tem bom time, elenco eficiente, mas peca muito nas cobranças de penalidades. Jogadores frios pareciam peladeiros nas cobranças.

Fluminense tem que melhorar e muito nas penalidades máximas. Chega a ser vergonhoso. Torcedor fiel, que gosta do time, merece voltar feliz para casa. Francamente. 

Namorada desiste do noivado em Roma e abandona Vorcaro definitivamente

Namorada 'stalkeada' por Vorcaro nas redes sociais curte dias em NY e Miami

Vorcaro e Martha iam noivar numa festa de R$ 200 milhões

Deu no Estadão 

A influenciadora Martha Graeff, que namoradva de Daniel Vorcaro, contratou nova assessoria e um advogado. A equipe, que afirma ter havido rompimento do relacionamento há alguns meses, procurou veículos de imprensa para informar que ela não tem nada a ver com o Banco Master, o contato entre ambos ocorria principalmente à distância, garantindo que Martha Graeff e Vorcaro já não mantinham o namoro “há alguns meses”.

“Martha vive fora do Brasil há cerca de 20 anos, atualmente em Miami, e também não vai ao Brasil há alguns meses”, diz o comunicado.

NEGÓCIOS À PARTE – A influenciadora também afirma ausência de relação com os negócios do banqueiro, hoje sob investigação.

“As mensagens que vêm sendo mencionadas publicamente referem-se a conversas privadas trocadas durante o período em que estavam em um relacionamento, em um contexto estritamente pessoal, como qualquer casal que compartilha aspectos do seu dia a dia. Martha nunca participou ou teve qualquer envolvimento com os negócios ou atividades profissionais de Daniel Vorcaro”, diz uma nota da assessoria.

Em manifestação separada, o advogado Lúcio de Constantino afirma haver constrangimento diante da exposição das mensagens. O defensor também menciona adoção de medidas judiciais e extrajudiciais para proteção dos direitos da cliente.

NOIVADO EM ROMA – Reportagem do jornal O Estado de S. Paulo relatou planos de Vorcaro para uma festa de noivado em Roma, na Itália. O projeto incluía um festival com apresentação da banda Coldplay. A proposta previa evento estimado em R$ 200 milhões, com artistas internacionais e ambientação inspirada no filme O Poderoso Chefão.

Mensagens analisadas pela Polícia Federal também indicam planos para o Carnaval no Rio de Janeiro. Em uma conversa, Vorcaro menciona a possibilidade de encontro com Ivanka Trump.

Segundo o diálogo obtido pelos investigadores, Martha teria proximidade com Ivanka: “Ela não para de mandar mensagem sobre o carnaval”.

SEGUNDA PRISÃO – Vorcaro teve a segunda prisão decretada na última quarta-feira (4). Atualmente permanece na Penitenciária Federal em Brasília.

O banqueiro tornou-se alvo da terceira fase da Operação Compliance Zero, investigação sobre suspeitas de irregularidades na gestão do banco.

A Polícia Federal aponta comando de organização criminosa, com existência de “braço armado” e necessidade de prisão para interromper a atuação do grupo.

FORA DA LISTA – Martha Graeff não integra a lista de investigados. O nome passou a circular após divulgação de trocas de mensagens entre ela e Vorcaro encontradas no celular do banqueiro. O aparelho passou por perícia da Polícia Federal.

Nos diálogos aparecem mensagens pessoais e comentários sobre encontros com autoridades. Vorcaro também menciona políticos e o ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes.

E seu advogado agora ameaça a imprensa, dizendo: “A Sra. Martha Graeff adotará, com a presteza necessária, todas as providências cabíveis para a salvaguarda de seus direitos, não hesitando em valer-se das medidas judiciais e extrajudiciais pertinentes em face daqueles que venham atentar contra a sua integridade ou privacidade”.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
– O ditado é válido: os ratos abandonam o navio quando está afundando. Por fim, como dizia Vinicius de Moraes, “o amor é a coisa mais triste quando se desfaz”. (C.N.)

Senadores viabilizam CPI para investigar Moraes e Toffoli no caso Banco Master

Instalação de CPI depende do aval de Davi Alcolumbre

Lauriberto Pompeu
O Globo

Um requerimento para criar uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Senado para investigar os ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, atingiu o número mínimo de assinaturas para que o colegiado possa ser instalado. Até o começo da tarde desta segunda-feira, o pedido reuniu o apoio de 29 senadores, dois a mais que o mínimo necessário.

O senador Alessandro Vieira (MDB-SE) é o autor do requerimento que quer investigar a conduta dos ministros no escândalo do banco Master. Entre os endossos há uma maioria de senadores ligados à oposição, inclusive Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato a presidente. Nenhum parlamentar do PT assina o pedido. O único senador da base governista a endossar o documento foi Flávio Arns (PSB-PR).

AVAL – A criação da comissão de inquérito, no entanto, depende do aval do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP). O chefe da Casa Legislativa tem resistido a instalar uma CPI sobre o tema. Uma CPI mista para investigar o escândalo do banco Master também já tem assinaturas, mas está sem perspectiva de ser instalada.

Mais cedo, o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro Alexandre de Moraes, divulgou uma nota sobre o contrato com o Banco Master, que está no centro de um escândalo financeiro bilionário em um inquérito que tramita na Suprema Corte. No texto, o escritório afirma que durante o período do contrato, de fevereiro de 2024 a novembro de 2025, produziu 36 pareceres e fez 94 reuniões de trabalho. A nota afirma que a banca nunca atuou perante o STF.

Por sua vez, Toffoli era o relator no Supremo do caso envolvendo o Banco Master, mas deixou a função em fevereiro após um relatório da Polícia Federal revelar mensagens de Daniel Vorcaro, dono do banco, que faziam citações ao ministro. A relatoria passou para ministro André Mendonça.

Gilmar Mendes dá 72 horas para MP justificar “penduricalhos” salariais

Minha charge de hoje na @folhadespaulo

Charge do Jean Galvão (Folha)

Márcio Falcão
g1 / TV Globo

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, relator da ação que contesta o pagamento de penduricalhos, determinou neste domingo, dia 8, que o Ministério Público do Rio de Janeiro preste informações complementares que comprovem o cumprimento das decisões sobre o pagamento de verbas indenizatórias.

A expressão ‘penduricalho’ é utilizada para se referir a verbas indenizatórias, gratificações e auxílios que são somados ao salário de servidores públicos. Essas gratificações servem para compensar gastos relacionados ao exercício da função ou ressarcir direitos não usufruídos.

SEM JUSTIFICATIVA – Mendes considerou insuficientes as informações prestadas pelo procurador-geral para justificar o cumprimento das determinações anteriores. Por isso, estabeleceu prazo para o MP RJ tem até 72 horas para se explicar.

O Ministério Público terá que detalhar como estão sendo feitos os pagamentos de verbas indenizatórias, inclusive de eventuais valores retroativos autorizados e pagos entre janeiro e fevereiro, com a indicação das datas de autorização e de efetivação dos pagamentos, bem como a documentação que comprove quando a ordem de pagamento foi encaminhada à instituição financeira.

O decano do Supremo reiterou que está vigorando a primeira decisão proferida nos autos, em 23 de fevereiro,  que proibiu imediatamente o pagamento de valores retroativos.

AUTORIZAÇÃO – Apenas em 26 de fevereiro, com o objetivo de harmonizar prazos, foi autorizada a quitação desse tipo de verba, mas exclusivamente em relação a valores que já estivessem regularmente programados para o período correspondente.

No final de fevereiro, Gilmar Mendes determinou que verbas de caráter indenizatório, os chamados penduricalhos, somente podem ser pagas a integrantes do Poder Judiciário e do Ministério Público quando estiverem previstas em lei aprovada pelo Congresso Nacional.

A decisão também definiu que o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e o Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) devem se restringir à regulamentação do que já estiver previsto em lei, com indicação clara da base de cálculo, do percentual aplicado e do limite máximo do benefício.

OUTRO PRAZO – Por meio de liminar, o ministro firmou um prazo de 60 dias para que tribunais e Ministérios Públicos estaduais interrompam o pagamento dos penduricalhos com fundamento em leis estaduais.

Também deu 45 dias para que sejam suspensos os pagamentos instituídos por decisões administrativas ou por atos normativos secundários.

“O pagamento de quaisquer verbas, após os prazos acima assinalados, em desconformidade com a presente decisão consubstanciará ato atentatório à dignidade da justiça e deverá ser apurado no âmbito administrativo-disciplinar e penal, sem prejuízo do dever de devolução de tais valores”, afirmou.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
A Constituição de 1988 tratou corretamente do assunto e proibiu, terminantemente, o recebimento de qualquer valor acima do teto salarial do serviço público. A preocupação dos constituintes foi tamanha que o respeito ao teto salarial foi fixado em dois dispositivos diferentes. Mas o tempo passou e os juízes forçaram a barra, desrespeitaram a Constituição e iniciaram a rapinagem dos cofres públicos, de forma voraz e indecente. Detalhe importante: todos os penduricalhos ilegais foram autorizados pelo Supremo. Agora, Flávio Dino e Gilmar Mendes entram de sola contra os penduricalhos, justamente num momento em que o STF precisa mostrar serviço, digamos assim. Será coincidência? O assunto é importantíssimo e vamos voltar a ele com detalhes estarrecedores. (C.N.)

No Senado, a Liga do Bem é exemplo de solidariedade e amor ao próximo

Voluntários do Senado enviam mais de 90 toneladas de doações para o Rio  Grande do Sul - Tereza Cristina

Para o Rio Grande do Sul, foram enviadas 90 toneladas

Vicente Limongi Netto

Completando 10 anos de vitoriosa existência, a Liga do Bem, marcante iniciativa dos servidores do Senado, empenha-se em arrecadar donativos para famílias carentes e pessoas em vulnerabilidade. Promove cursos, distribui cestas básicas, oferece cobertores, lanches e sopas em noites frias para moradores de rua. 

Tudo com um toque de amor, respeito e solidariedade. Depois de dirigir suas ações para flagelados das enchentes em Petrópolis. Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul, a Liga do Bem orienta suas ações agora para desabrigados nas enchentes de Minas Gerais.

DONATIVOS – Caminhões da Liga do Bem chegaram a Zona da Mata mineira com 100 colchões, 240 fronhas, 240 lençóis, 240 travesseiros e 240 cobertores.  E muitas doações continuam chegando.

A Liga do Bem está precisando de voluntários. O trabalho é incessante. Dezenas de servidores do Sendo e brasilienses voluntários estão trabalhando duro. A instituição ajuda creches de crianças desamparadas, casas de idosos, entidades e abrigos com mulheres sobreviventes de feminicídios.

A diretora-geral do Senado, Ilana Trombka, está sempre nas dependências da liga. Atuante, ajudando no que pode. 

PARTICIPANTES – Também marca presença a senhora Paula Mourão, mulher do senador e general Hamilton Mourão, doando e ajudando. As senadoras Leila Barros e Soraya Thronicke igualmente participam. Leila Barros, inclusive, foi autora do requerimento de sessão especial em homenagem a Liga do Bem.

Nessa linha, outras senadoras e mulheres de parlamentares poderiam também tirar um tempinho para ajudar. Vai a pena acrescentar mais amor no coração de todos. Solidariedade ao próximo é edificante. Quem comparecer para ajudar será recebido de braços abertos. 

Escândalo do Master desmoraliza STF e põe em xeque a liderança de Fachin

A reação de Fachin, a ironia do General e outras frases da semana | GZH

Charge do Gilmar Fraga (Gaúcha/Zero Hora)

Carolina Brígido
Estadão

O Supremo Tribunal Federal (STF) bem que tentou se distanciar do escândalo do Banco Master, mas foi arrastado de novo para os holofotes. A revelação de que Alexandre de Moraes trocou mensagens com Daniel Vorcaro no dia que o banqueiro foi preso pela primeira vez mostra que não há liderança capaz de segurar as rédeas de ministros e devolver credibilidade ao tribunal.

Antes, o Supremo era motivo de críticas pela conduta de Dias Toffoli, que conduzia as investigações e, ao mesmo tempo, tinha no histórico de sua empresa uma milionária movimentação financeira com fundo ligado a Vorcaro. A solução encontrada nos bastidores foi afastar o ministro da relatoria. Agora, a gravidade da situação não mostra uma porta de saída para a crise.

SEM SAÍDA – O presidente do STF, Edson Fachin, terá dificuldade para tirar o tribunal da crise de credibilidade que enfrenta. E Moraes está absolutamente enfraquecido. Não é relator do caso e sequer participará dos julgamentos sobre a fraude financeira, porque integra a Primeira Turma e o processo tramita no colegiado vizinho.

Ainda assim, a falta de reação do ministro diante de provas da relação próxima que mantinha com Vorcaro contamina o Supremo como um todo.

Os diálogos vazados, somados ao contrato milionário da esposa de Moraes com o Banco Master, dificultam ainda mais o trabalho de Edson Fachin. Para tentar limpar a imagem do tribunal, o presidente da Corte defendeu o afastamento de Toffoli da relatoria das investigações. A solução para tentar tirar o Supremo do novo capítulo de escândalos exige mais engenhosidade.

TENTAR EXPLICAÇÕES – E não é por falta de habilidade política de Fachin. De fato, que outro ministro do Supremo, se estivesse na presidência, conseguiria convencer Moraes a fornecer explicações plausíveis para o envolvimento dele com os negócios de Vorcaro?

A bandeira do código de conduta hasteada por Fachin ficou pequena. Se houvesse um código em vigor agora, ele provavelmente não teria sido capaz de impedir a ligação de Toffoli e Moraes com o Banco Master — o que aprofundaria a crise de credibilidade do tribunal.

Hoje, fica claro que o alto sigilo imposto por Toffoli às investigações protegeram Moraes.

VAZAMENTOS – Quando André Mendonça assumiu a relatoria, franqueou acesso ao material sigiloso a um número maior de pessoas. A decisão forneceu mais elementos para os investigadores avançarem nas descobertas. Por outro lado, aumentou a chance de vazamento de informações sensíveis.

Mendonça não parece disposto a retroceder — nem em relação ao sigilo, nem ao estilo de conduzir as investigações. Ele tem dito a pessoas próximas que não vai aliviar para ninguém, e isso inclui autoridades.

Pessoas com acesso às investigações atestam que há menções nos autos a pessoas com direito ao foro especial no Supremo. As suspeitas recaem, portanto, sobre integrantes do governo, do Congresso Nacional e do Judiciário.

IMPEACHMENT– E como isso termina? Com tantas autoridades envolvidas no caso Master, é pouco provável que haja disposição política para o Congresso Nacional abrir processos de impeachment contra Moraes e Toffoli.

A dupla, aliás, não está isolada no Supremo, longe disso. Flávio Dino e Gilmar Mendes são relatores de processos sobre cortes de penduricalhos que atingem os Três Poderes. Dino é relator de um processo sobre desvios de emendas parlamentares. A munição para o fogo cruzado está posta.

Pode até ser que, concretamente, não haja consequência alguma para a conduta dos ministros. O mais provável é que Fachin continue quebrando a cabeça para gerir um tribunal desgovernado, que padece dos impactos institucionais causados pelas escolhas individuais de seus ministros.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGA única saída para Moraes e Toffoli é a aposentadoria, único jeito de evitar o impeachment. Quanto aos processos que deverão movidos contra eles, isso é outro departamento, porque o corporativismo é uma chaga que desgraçadamente contamina todos os ministros do STF, a meu ver. De qualquer forma, comprem pipocas. (C.N.)

Ary, o grande compositor mineiro, tinha belas inspirações na Bahia

Carmen Miranda, 105 anos da mais brasileira das cantoras - Jornal GGN

Carmen Miranda gravou o sucesso de Ary Barroso

Paulo Peres
Poemas & Canções

O radialista, músico e compositor mineiro Ary de Resende Barroso (1903-1964), na letra de “No Tabuleiro da Baiana”, retrata com muita criatividade os quitutes do culinária baiana e traça uma bela história de amor. Esse samba foi lançado pela atriz e cantora Aracy Cortes numa peça de teatro de revista em 1929 e gravado por Carmen Miranda e Luiz Barbosa em 1936. 

NO TABULEIRO DA BAIANA
Ary Barroso

No tabuleiro da baiana tem
Vatapá
Caruru
Mungunzá
Tem umbu
Pra ioiô

Se eu pedir você me dá
O seu coração
Seu amor de iaiá

No coração da baiana tem
Sedução
Canjerê
Ilusão
Candomblé
Pra você

Juro por Deus
Pelo senhor do Bonfim
Quero você, baianinha, inteirinha pra mim
E depois o que será de nós dois
Seu amor é tão fugaz, enganador

Tudo já fiz
Fui até num canjerê
Pra ser feliz
Meus trapinhos juntar com você
E depois vai ser mais uma ilusão
No amor quem governa é o coração              

Prisão de Daniel Vorcaro vira munição eleitoral e coloca Planalto na defensiva

Caso pode gerar disputa de narrativas com a oposição

Deu na CNN

De acordo com a analista de Política da CNN Clarissa Oliveira, a prisão do dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, deve gerar forte impacto político, especialmente por ocorrer em ano eleitoral. O caso já se tornou um elemento de disputa entre diferentes forças políticas e pode influenciar o cenário das próximas eleições.

Clarissa avalia que o desempenho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pode ser afetado durante a campanha eleitoral, uma vez que o caso Master favorece o discurso anticorrupção no campo bolsonarista. A investigação é vista pelo Palácio do Planalto como uma “bomba enorme” no meio do processo eleitoral, com potencial para prejudicar o desempenho do presidente nas urnas.

EMBATE –  A analista da CNN destaca que um elemento que adiciona complexidade ao caso é o aparente conflito entre o STF (Supremo Tribunal Federal) e a PGR (Procuradoria-Geral da República). O ministro do STF André Mendonça, responsável pelo caso, utilizou um tom descrito como “quase provocativo” ao afirmar que, se as medidas requeridas pela PF (Polícia Federal) não fossem acolhidas com urgência, poderia haver risco à segurança de pessoas envolvidas e dificuldade na recuperação de “ativos bilionários”.

O documento assinado pelo ministro sugere uma “névoa de desconfiança” em relação à atuação da PGR, insinuando que haveria motivos não explícitos para eventual demora na análise do caso. Esse embate institucional acrescenta uma camada política adicional à operação.

NARRATIVAS –  Enquanto o caso Master se desenrola, já se observa uma disputa de narrativas entre governo e oposição. Por um lado, representantes do governo federal argumentam que é a PF vinculada à atual gestão que está conduzindo a investigação com transparência, com apoio do Banco Central. Por outro lado, há uma tentativa de associar figuras próximas a Vorcaro com políticos do campo bolsonarista.

Clarissa comenta que o governo destaca que Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro, foi o maior doador de campanhas do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), figuras importantes da oposição. Simultaneamente, há movimentações no Congresso que são interpretadas como tentativas de “congelar” a operação e diminuir sua repercussão midiática.

JOGO POLÍTICO – O caso Master se configura como um elemento com potencial para influenciar o jogo político nacional, especialmente por ocorrer no início de um período eleitoral, quando as disputas por narrativas se intensificam e qualquer escândalo pode ter impacto significativo nas urnas.

Após a repercussão da decisão, o gabinete do ministro procurou a imprensa para afirmar que a decisão atinge somente o caso de Roberta Luchsinger – o que não ficou claro no próprio despacho. Questionada sobre a que o ministro se referia e se a decisão só atingiria outros investigados caso provocassem ao STF, a assessoria do ministro informou que ele não se manifestaria sobre o assunto.

Moraes e a mulher Viviane pensam (?) que todos os brasileiros são estúpidos

Saiba o que Moraes e esposa recuperam após saída da Lei Magnitsky

São dois pilantras, que já perderam o direito de sair às ruas

Carlos Newton

É preciso ter inesgotável paciência para ser brasileiro, continuar honesto e com a reputadação ilibada, em meio a uma administração pública infestada por trambiqueiros de todos os níveis nos Três Poderes.

Os exemplos de corrupção se amontoam, denunciados a cada dia pela imprensa, e a coisa mais rara é ver um milionário na cadeia, como está acontecendo com Jair Bolsonaro e Daniel Vorcaro, ambos enriquecidos ilicitamente, embora o ex-presidente só cumpra pena (exageradíssima1)  por um golpe que planejou dar, mas não concretizou.

As pilantragens do Supremo chegaram a tal ponto que transformaram o Brasil no único país do mundo em que criminoso não é preso após condenação em segunda instância, quando se esgota juridicamente a discussão do mérito, fica estabelecido se o réu era culpado ou não.

ILEGALIDADES – Para libertar Lula da Silva da prisão por corrupção e lavagem de dinheiro, crimes pelos quais nunca foi inocentado judicialmente, mas condenado em três instâncias, sempre por unanimidade, em 2019 o Supremo (presidido pelo Dias Toffoli) decidiu sujar o nome do país no cenário mundial e adotou essa estranha tese jurídica.

Julgava-se que tivesse sido uma iniciativa extraordinária do STF, tomada para evitar a reeleição de Bolsonaro, um presidente esquisito, que não acreditava em vacinas e avanço da ciência. Mas não era um fato isolado, pois a bizarrice jurídica passou a comandar o país.

E as patuscadas pareciam não ter fim. Moraes multiplicou crimes e penas, inventando a existência de 1,5 mil terroristas, que formavam uma “organização criminal armada”, embora nem se conhecessem entre si e jamais tivessem sido vistos portando armas. Entre os terroristas estava a mulher do batom, vejam quanta maluquice jurídica.

ENRIQUECIDOS – Devido ao escândalo do Banco Master, agora sabe-se que todas essas insanidades ocorreram no Brasil por causa de enriquecimento ilícito, com fica provado nos casos de Dias Toffoli, Alexandre de Moraes e outros ministros, que são mais discretos, pelo menos.

No caso de Moraes, ele é tão delirante e irresponsável que chegou ao cúmulo de emitir decisões no Brasil a serem cumpridas pela Justiça americana. Resultado, está sendo processado por duas empresas do presidente Donald Trump, e Moraes está fugindo da Justiça, para não ser intimado nesse processo nos Estados Unidos, onde acabará sendo condenado à revelia, sem se defender, pois não tem condições de fazê-lo.

Agora, vem a mulher dele, Viviane de Moraes, a tripudiar da Justiça e da opinião pública, tentando esclarecer (?) seu incansável trabalho em favor do banqueiro Vorcaro. Suas justificativas atingem o nível da debilidade mental, porque ela e o marido pensam (?) que só existem imbecis no Brasil.

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P.S. –
O mais inacreditável nisso tudo foi o fato de o casal Moraes ter nos enganado durante tanto tempo, pois ele chegou até a ser admirado como “salvador da Pátria”. Se os dois conhecessem Abraham Lincoln, saberiam que ninguém engana a todos, durante todo o tempo. (C.N.)

O escândalo do Banco Master e a urgência de um código de ética no STF

Charge do Clayton (O Povo/CE)

Pedro do Coutto

A crise institucional provocada pelo escândalo envolvendo o Banco Master trouxe à superfície uma discussão que há anos ronda silenciosamente o sistema judicial brasileiro: a ausência de um código de ética formal e abrangente para os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Em artigo publicado ontem na Folha de S. Paulo e no O Globo, o jornalista e colunista Elio Gaspari argumenta que os fatos revelados nas investigações sobre o banqueiro Daniel Vorcaro expõem uma fragilidade institucional que não pode mais ser ignorada: as zonas cinzentas nas relações entre magistrados da mais alta Corte do país e atores do sistema financeiro.

O caso do Banco Master, que culminou com a prisão de Vorcaro e a liquidação da instituição após investigações de fraudes bilionárias, corrupção e lavagem de dinheiro, tornou-se um dos maiores escândalos financeiros recentes no Brasil. As apurações indicam a existência de uma complexa rede que envolveria corrupção institucional, cooptação de servidores públicos e tentativas de obstrução da Justiça. A dimensão do caso levou o processo até o Supremo, ampliando o impacto político e institucional da investigação.

CONEXÕES – Foi nesse contexto que vieram à tona episódios que levantaram questionamentos sobre possíveis conexões entre o banco e integrantes da Corte. Investigações apontaram, por exemplo, que mensagens encontradas no celular de Vorcaro indicariam contatos com o ministro Alexandre de Moraes, o que gerou desconforto interno entre magistrados e abriu uma crise de imagem para o tribunal. Integrantes do próprio Supremo reconheceram, em conversas reservadas, que a troca de mensagens no momento da prisão do banqueiro é “grave” e difícil de explicar, intensificando o debate sobre transparência e conflitos de interesse na Corte.

Outro episódio citado nas discussões públicas envolve o ministro Dias Toffoli, cujo nome apareceu em documentos relacionados a negócios envolvendo um resort posteriormente adquirido por um fundo ligado a Vorcaro. Embora o magistrado tenha negado qualquer relação pessoal ou financeira com o banqueiro, as revelações contribuíram para aumentar a percepção de proximidade entre figuras do Judiciário e agentes do sistema financeiro — algo particularmente sensível quando essas mesmas autoridades podem julgar casos envolvendo tais interesses.

CÓDIGO DE ÉTICA – É precisamente nesse ponto que o argumento de Gaspari ganha força. O jornalista sustenta que grande parte dessas situações poderia ter sido evitada se o Supremo já dispusesse de um código de ética claro e rigoroso, capaz de estabelecer limites objetivos para interações entre ministros e atores econômicos potencialmente envolvidos em processos judiciais. Em termos institucionais, esse tipo de norma funciona como um mecanismo preventivo: não se trata necessariamente de presumir irregularidades, mas de impedir que relações privadas gerem dúvidas públicas sobre a imparcialidade das decisões.

Nos sistemas judiciais de democracias consolidadas, códigos de conduta desse tipo são considerados instrumentos essenciais de preservação da legitimidade institucional. A máxima clássica do direito romano — segundo a qual “não basta ser honesto, é preciso parecer honesto” — traduz a lógica por trás dessas regras: a confiança pública no Judiciário depende não apenas da legalidade das decisões, mas também da percepção de independência de seus magistrados.

O escândalo do Banco Master evidencia exatamente esse dilema. Mesmo quando não há prova de irregularidade direta, a simples existência de relações informais entre magistrados e atores investigados pode comprometer a credibilidade da Justiça. O resultado é um desgaste que ultrapassa indivíduos e atinge a própria instituição.

LINHA DIVISÓRIA  – Nesse cenário, a proposta de um código de ética para o STF — tema que já foi discutido internamente em diferentes momentos — volta ao centro do debate. A criação de normas claras sobre conflitos de interesse, participação em eventos financiados por empresas, relações profissionais familiares e comunicação com partes potencialmente envolvidas em processos poderia estabelecer uma linha divisória mais nítida entre a esfera privada e a função pública dos ministros.

A crise provocada pelo caso Master pode, portanto, representar um ponto de inflexão. Se por um lado expôs vulnerabilidades institucionais, por outro criou a oportunidade de fortalecer mecanismos de integridade no tribunal mais poderoso do país. No longo prazo, o que está em jogo não é apenas a reputação de ministros ou a resolução de um escândalo financeiro, mas a preservação da confiança pública no próprio Estado de Direito.

Em democracias maduras, tribunais constitucionais não vivem apenas de suas decisões — vivem também de sua credibilidade. E credibilidade, uma vez abalada, exige muito mais do que sentenças para ser reconstruída. Exige regras claras, transparência e, sobretudo, instituições capazes de se reformar diante das próprias crises.

Piada do Ano! Escritório de Viviane Moraes tenta esclarecer contratação por Vorcaro

Advogada divulgou detalhes do contrato com o Master

Túlio Amâncio
G1

O escritório de advocacia Barci de Moraes Sociedade de Advogados, de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes, divulgou uma nota nesta segunda-feira (9) na qual esclarece como foi feita a contratação de serviços pelo banqueiro preso Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Também informa que “nunca conduziu nenhuma causa para o Banco Master no âmbito do Supremo Tribunal Federal (STF)”.

De acordo com a nota, o escritório foi contratado no período entre fevereiro de 2024 e novembro de 2025, pelo cliente Banco Master, “para o qual realizou ampla consultoria e atuação jurídica”, informa. O serviço foi prestado por uma equipe composta por 15 advogados. “Para a realização dos serviços, também contratou outros três escritórios especializados em consultoria, que ficaram sob sua coordenação”, prossegue o texto.

MENSAGENS –  Na última semana, uma reportagem publicada pelo blog da jornalista Malu Gaspar, do jornal “O Globo”, trouxe novos prints de mensagens atribuídas ao banqueiro Daniel Vorcaro enviadas ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes no dia 17 de novembro de 2025, horas antes de Vorcaro ser preso pela primeira vez.

Em nota divulgada pela Secretaria de Comunicação do STF na noite de sexta-feira, o ministro Alexandre de Moraes negou que as mensagens enviadas pelo banqueiro foram para ele. O texto diz que os prints das mensagens enviadas por Vorcaro estão vinculadas a pastas de outras pessoas de sua lista de contatos e não constam como direcionadas ao ministro Alexandre de Moraes.

SERVIÇOS PRESTADOS – A nota especifica os serviços prestados e documentos entregues como resultado do contrato. As duas equipes jurídicas responsáveis pela consultoria e atuação jurídicas, entre o início do contrato, em 2024, e a liquidação extrajudicial do banco, em novembro de 2025, com o consequente encerramento contratual.

Ao todo, informa os seguintes encontros para a realização dos trabalhos: 79 reuniões presenciais na sede do Banco Master, todas com duração aproximada de três horas, entre o banco, por meio de suas superintendências de Compliance e Corporativa e gerência de Compliance, e a equipe jurídica do escritório Barci de Moraes Sociedade de Advogados, para análise de documentos, discussão dos problemas jurídicos e desenvolvimento do objeto do contrato; 13 reuniões com a presidência da instituição e a equipe jurídica, sendo 2 presenciais na sede do escritório e 11 por videoconferência, com duração aproximada de duas horas; duas reuniões por videoconferência entre o jurídico do Banco Master e a equipe jurídica do escritório Barci de Moraes, com duração aproximada de 2 horas.

CASO MASTER –  A liquidação do Banco Master pelo Banco Central, em novembro do ano passado, e a nova prisão de Daniel Vorcaro, dono da instituição, marcaram mais um capítulo de uma crise que já vinha se desenhando há meses e que também levou à liquidação do Will Bank e do Banco Pleno, integrantes do mesmo grupo.

O banco operava sob risco elevado de insolvência, pressionado pelo alto custo de captação e pela exposição a investimentos considerados arriscados, com juros muito acima do padrão de mercado. O sinal de alerta no mercado ficou mais evidente quando o banco passou a oferecer produtos financeiros com remunerações muito acima do padrão. O principal deles eram os CDBs emitidos pela instituição.

O Certificado de Depósito Bancário (CDB) é um investimento de renda fixa em que o investidor empresta dinheiro ao banco e recebe juros em troca. Essa remuneração pode ser pré-fixada (definida no momento da aplicação) ou pós-fixada (atrelada a indicadores como o CDI). Tentativas de venda do Master, como a proposta do Banco de Brasília (BRB), não avançaram. Todas foram interrompidas por questionamentos de órgãos de controle, falta de transparência, pressões políticas e menções ao Master em investigações.

NOTA NA ÍNTEGRA:

“O escritório Barci de Moraes Sociedade de Advogados esclarece que foi contratado, no período entre fevereiro de 2024 e novembro de 2025, pelo cliente Banco Master, para o qual realizou ampla consultoria e atuação jurídica, por meio de uma equipe composta por 15 (quinze) advogados. Para a realização dos serviços, também contratou outros três escritórios especializados em consultoria, que ficaram sob sua coordenação.

As duas equipes jurídicas responsáveis pela consultoria e atuação jurídicas, entre o início do contrato, em 2024, e a liquidação extrajudicial do banco, em novembro de 2025, com o consequente encerramento contratual, realizaram:

94 (noventa e quatro) reuniões de trabalho, sendo:

I.1) 79 (setenta e nove) reuniõespresenciais na sede do Banco Master, todas com duração aproximada de 3 (três) horas, entre o banco, por meio de suas superintendências de Compliance e Corporativa e gerência de Compliance, e a equipe jurídica do escritório Barci de Moraes Sociedade de Advogados, para análise de documentos, discussão dos problemas jurídicos e desenvolvimento do objeto do contrato;

I.2) 13 (treze) reuniões com a presidência da instituição e a equipe jurídica, sendo 2 (duas) presenciais na sede do escritório e 11 por videoconferência, com duração aproximada de 2 (duas) horas;

I.3) 2 (duas) reuniões por videoconferência entre o jurídico do Banco Master e a equipe jurídica do escritório Barci de Moraes, com duração aproximada de 2 (duas) horas.

A atuação de uma das equipes jurídicas, juntamente com os consultores contratados, englobou a elaboração de Opiniões Legais nos casos solicitados pelo Departamento de Compliance; Revisão da Política de Captação para o Regime Próprio da Previdência Social – RPPS; Revisão do Programa de Compliance & PLDFT para a obtenção do Selo Pro-Ética, implicando em: Revisão da Estrutura do Departamento de Compliance; Revisão do Código de Ética e Conduta; Elaboração das Políticas necessárias – Política de relacionamento com Poder Público; Política de licitações e contratos; Política de contato com concorrentes; Política de conflito de interesses; Política de Partes Relacionadas, entre outras; Revisão das demais políticas e procedimentos da área de Compliance para adequação ao exigido pela Corregedoria Geral da União – CGU.

Foram produzidos 36 (trinta e seis) pareceres e opiniões legais acerca de uma ampla gama de temas, como aspectos previdenciários, contratuais, negociais, trabalhistas, regulatórios, de compliance, proteção de dados e crédito, entre outros.

Elaboração e apresentação de processos para certificação de ética e governança, com mapeamento das atividades, levantamento de documentação-base, análise das oportunidades, elaboração e revisão e treinamentos do público-alvo sobre as novas políticas, a partir da revisão do Código de Ética e Conduta, políticas de integridade, estruturação do departamento de compliance e apoio à alta administração.

Elaboração e revisão do Manual de Gestão e Captação de Recursos do RPPS, Política de Relacionamento com o Poder Público, Política de treinamento, capacitação e certificação continuada, Política de PLDFT, Política de Risco Operacional, Política de Sucessão de Administradores, Política de Transação com Partes Relacionadas, Política de Canais de Denúncia e Investigações, Política de Gestão de BNDU, Política de fusões e aquisições, Política de Gestão de Consequências, Política de investimentos pessoais, Política de Responsabilidade Social, Ambiental e Climática, Política de Suitability, Política de Comunicação, Política de Saúde e Segurança no Trabalho, Manual de Contratação de Parceiros, Manual de Procedimentos Conheça seu Parceiro – KYP, Manual de Procedimentos Conheça seu Prestador de Serviço Terceirizado.

A equipe jurídica ajudou a implementar o Novo Código de Ética e Conduta do banco, com apresentação presencial às Superintendências, e realizou consultoria sobre temas do mercado financeiro, como questionário AMBIMA, revisão de formulários de Due diligence; a elaboração de modelos de relatório regulatório sobre remuneração; preenchimento de autoavaliação do Pacto Brasil (25 de setembro e 09 de outubro de 2025), entre outros.

Outra equipe do escritório Barci de Moraes, juntamente com os consultores, atuou, principalmente, na área penal e administrativa, na análise consultiva e estratégica de inquéritos policiais, ações penais, inquérito civis, ações civis públicas e ações de interesse ou que pudessem produzir reflexos na atuação do Banco Master e de seus dirigentes, vários deles sigilosos, bem como na atuação contenciosa específica em ação penal, cujo ajuizamento ocorreu em 17/10/2024, e inquérito policial federal específico, cuja habilitação se deu em 8/4/2024.

O escritório esclarece ainda que nunca conduziu nenhuma causa para o Banco Master no âmbito do STF (Supremo Tribunal Federal).

O Barci de Moraes Sociedade de Advogados tem uma trajetória de quase duas décadas prestando serviços altamente qualificados para grandes clientes, unindo visão jurídica e abordagem estratégica.”

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – No início, julguei que fosse mais uma Piada do Ano. Depois, vi que a coisa é séria e se trata da Piada do Século. São serviços altamente qualificados, não há dúvida, mas antigamente eram chamados de enriquecimento ilícito. Depois a gente volta ao assunto. (C.N.)