Quem acusava a urna eletrônica de ser fraudada agora confia nela. Até quando?

Nas mãos do PT, a Bahia entra em crise e retrocede, ao invés de se desenvolver

Rui Costa e Jaques Wagner lideram corrida para o Senado na Bahia, aponta  Paraná Pesquisas | Se Ligue Bahia

Wagner e Costa enriqueceram, enquanto empobreciam a Bahia

Rodrigo Constantino
Gazeta do Povo

O baiano foi às urnas neste domingo e renovou o contrato. Jerônimo Rodrigues, do PT, foi reeleito governador no primeiro turno com 55,8% dos votos válidos, 4,62 milhões, contra 43,7% de ACM Neto, 3,62 milhões. Rui Costa e Jaques Wagner levaram as duas vagas do Senado. Na disputa presidencial, Lula fez 66,2% na Bahia, 5,66 milhões de votos, contra 28,5% de Flávio Bolsonaro, 2,44 milhões. A diferença passou de 3,2 milhões. Em 2022, Lula já havia levado 69,7% no estado. O mapa não mudou muito.

O PT governa a Bahia desde 2007, ciclo aberto por Wagner, continuado por Rui e agora esticado até 2030 com Jerônimo Rodrigues. São seis mandatos seguidos. Vinte anos de um mesmo projeto. E o estado anda para trás. A desculpa costumeira é a herança, o coronelismo, o sol. A desculpa caducou. Duas décadas são tempo de sobra para inverter uma trajetória, se a trajetória fosse o problema e não o método.

RECUANDO… – A Bahia tem a quarta maior população do país e, ainda assim, perdeu posição. Em 2006, antes de o PT sentar em Ondina, era o sexto maior PIB estadual. Hoje é o sétimo. A fatia do estado na economia brasileira encolheu sob os governos petistas.

Não se trata de crescer devagar. Trata-se de crescer menos do que os outros e entregar participação. Um estado que encolhe no ranking nacional enquanto o partido no poder se reelege no primeiro turno não está sendo punido. Está tendo o que deseja.

 O IBGE registra um dado interessante: Salvador passou de 2.675.656 habitantes em 2010 para 2.417.678 em 2022. Foram 257.978 moradores a menos, queda de 9,64%, a maior entre as capitais brasileiras. Mais de 20 mil baianos mudaram para Santa Catarina.

DESABAFO -Um baiano me mandou a seguinte mensagem de desabafo: “Os jovens talentos estão indo embora. O capital intelectual que poderia gerar riqueza está se formando fora daqui e não volta mais. Vejo esse movimento entre famílias próximas. Meu filho é um bom exemplo, formou-se em Engenharia Aeroespacial na UFMG e trabalha na Embraer há um ano e meio”. E acrescentou:

“Pelo menos dois clientes meus, mineradores tradicionais, disseram que precisarão vender suas empresas porque os filhos construíram a vida fora e não querem assumir os negócios. Neste ano, ouvi o presidente da Ademi-BA manifestar preocupação com a necessidade de reter talentos em Salvador e na Bahia”.

E acentua, em tom fatalista: “Daniela Mercury e outros artistas adoram propagar a frase ‘baiano não nasce, estreia’. E assim, muita gente aqui, sem talento algum, pensa que é artista. Garotos pobres, da favela, ficam batucando e achando que estão fazendo algo importante… Mas o povo tem esse DNA de preguiça, de miséria, de mendicância, que não vai mudar nunca. A grande maioria aqui é ‘PTzão’ mesmo, a Bahia é a joia da coroa do PT. Existem muitos exemplos extraordinários de empreendedores, juristas, diplomatas e políticos baianos, mas hoje são muito poucos”.

ALTO DESEMPREGO – O mercado de trabalho acusa o golpe. A taxa de desemprego baiana só não é pior do que a do Piauí, outro estado governado pelo PT. No rendimento médio do trabalho, o baiano supera apenas o maranhense. Em 2025, 52,8% dos ocupados na Bahia estavam na informalidade, a terceira pior marca do país. Em São Paulo, a informalidade era de 29%. Em Santa Catarina, estado mais conservador, 26,3%.

Mais da metade de quem trabalha na Bahia vive sem carteira, sem proteção e sem horizonte. Isso não é acidente estatístico. É o resultado de uma economia que não cria emprego formal porque o custo de criar emprego formal é alto, o ambiente é hostil e o governo prefere distribuir o que arrecada a deixar o cidadão produzir.

O desenvolvimento humano confirma o diagnóstico. No primeiro registro do IDHM durante os governos do PT, em 2012, a Bahia estava em 22º entre os estados. Hoje está em 23º. Vinte anos de “inclusão” e o estado desceu um degrau no fundo da tabela. Na saúde, a expectativa de vida ao nascer saiu da 14ª para a 18ª posição entre as unidades da Federação. O discurso oficial fala em hospitais inaugurados e escolas de tempo integral. O dado frio fala em gente que vive menos, relativamente aos outros estados, do que vivia quando o PT chegou.

INSEGURANÇA – A violência fecha o quadro. A Bahia tem a segunda maior taxa de mortes violentas intencionais do país, 36,8 por 100 mil habitantes, mais que o dobro da média brasileira. Das dez cidades com as maiores taxas, metade fica na Bahia. Jequié, município baiano, é a cidade mais violenta do Brasil. Não é um surto. É uma política de segurança que tratou o crime como fenômeno social a ser compreendido, enquanto o cidadão enterrava filho. O eleitor que reconduz esse governo não está mal informado sobre o homicídio. Mora ao lado dele.

A pergunta incômoda é porque o recibo eleitoral nega a realidade. A resposta não está na alma do baiano. Está no desenho do incentivo. O PT construiu na Bahia uma máquina de transferência, prefeitura alinhada, programa social e cabresto moderno. A migalha chega com logo, com data de pagamento e com cabos eleitorais que lembram de quem é o padrinho.

RETROCESSO – A prosperidade não chega com logo. Ela exige regra estável, imposto que não sufoque, segurança que permita abrir o comércio à noite e um Estado que saia da frente de quem produz. Nada disso rende palanque em ano eleitoral. O Bolsa Família rende. A nomeação rende. A obra inaugurada três semanas antes do voto rende.

O custo dessa troca é pago por quem não aparece no comício. O trabalhador informal que ganharia mais com carteira assinada num estado que crescesse acima da média. O jovem que emigra porque a oportunidade ficou em Santa Catarina ou no interior de São Paulo. A família que perde um parente numa cidade que lidera o ranking de morte violenta e, no domingo seguinte, recoloca no poder o mesmo grupo.

Não é falta de alternativa. ACM Neto chegou a 43,7%. Havia voto de oposição. Faltou maioria. A maioria preferiu a continuidade do arranjo que a mantém dependente.

CONDENAÇÃO – Liberais gostam de tratar o Nordeste como exceção cultural, quase uma fatalidade. Talvez seja. Mas não há nada escrito em pedra que deva ser assim para sempre.

A Bahia não está condenada à pobreza relativa. Está condenada, por enquanto, a um cálculo eleitoral racional e perverso: o voto premia quem distribui o presente e pune quem promete o futuro. Enquanto a urna pagar melhor a migalha do que a prosperidade, o PT terá sexto, sétimo, oitavo mandato.

Assim, o principal Estado do Nordeste continuará caindo no PIB, na longevidade e na segurança. E o resto do país continuará financiando, via União, o modelo que a Bahia acaba de reeleger. Precisamos falar sobre a Bahia porque a Bahia, neste domingo, falou sobre o Brasil.

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – Impressionante matéria, enviada pelo comentarista Mário Assis Causanilhas, mostrando que a Bahia entrou em grave retrocesso nas mãos de corruptos como Jaques Wagner e Rui Costa, ambos enriquecidos ilicitamente. (C.N.)

Imprensa será cada vez mais importante para evitar fake news nas eleições

Saiba como explorar imagens e charges na prova de redação do vestibular | Guia do Estudante

Charge do Laerte (Folha)

Carlos Newton

A imprensa escrita – ou jornais e revistas – está apavorada e teme desaparecer, tragada pela concorrência crescente e avassaladora da imprensa digital, que funciona ao vivo e a cores nas rádios, televisões, computadores e celulares da plebe rude. A preocupação é procedente, claro, porque a publicidade está migrando junto com a informação gratuita.

No entanto, não deve haver desespero, porque a imprensa escrita não vai acabar, terá apenas de se adaptar. Mas os empresários da comunicação ainda não apreenderam a fazer essa adaptação e estão gastando o que resta de suas fortunas para fazer, ao mesmo tempo, jornalismo escrito e eletrônico, criando pequenas emissoras de TV, para os repórteres lerem as matérias que escreveram, como se não tivessem mais o que fazer.

NÃO DÁ CERTO – Isso já foi tentado e não deu certo. A primeira iniciativa foi de O Globo, que há alguns anos criou um simulacro de emissora de TV na redação do jornal, mas deu tudo errado e os irmãos Marinho, que têm rádios, televisões, jornais, revistas e portais, abandonaram a tentativa e deixaram cada empresa em seu quadradinho, digamos assim.

Foi uma sábia decisão, que infelizmente não foi adotada em outras grandes empresas de comunicação. Há alguns anos, a Editora Abril, que já tinha uma emissora (MTV), resolveu criar a TV Veja, e foi um fiasco enorme, que ajudou a destruir o grupo da família Civita.

O empresário Fábio Carvalho, que assumiu o conglomerado Abril, agora está cometendo o mesmo erro e investindo em uma nova TV Veja, com a Folha e o Estadão caindo na mesma armadilha. Vão perder dinheiro adoidado.

E A SAÍDA? – Os empresário não perceberam que, daqui para frente, a existência dos grandes grupos de jornalismo estará garantida, porque são menos frequentados pelas fake news e precisam se firmar como inimigos das falsas notícias. Ou seja, estamos chegando a um ponto em que as pessoas esclarecidas serão obrigadas a ler as reportagens e análises dos grandes portais, para saber o que realmente está acontecendo e se livrar das fake News, que nada têm de positivo.

Por enquanto, ainda existe nos grandes portais a infiltração de jornalistas que manipulam informações com interesses políticos, fazendo militância a favor de fulano e contra beltrano, circunstância que derruba a credibilidade dso veículo, porque o jornalismo só presta quando é independente e desatrelado.

Aqui na Tribuna não somos perfeitos, mas nos orgulhamos de trabalhar sob o signo da liberdade, tentando defender a predominância dos interesses coletivos sobre os meramente individuais.

BALANÇO – Como fazemos sempre, vamos publicar a seguir o balanço das contribuições feitas ao blog no mês anterior, agradecendo muitíssimo a quem nos apoia nesse esforço de manter um espaço independente na web.

De início, as contribuições na Caixa Econômica Federal:

DIA  REGISTRO   OPERAÇÃO              VALOR
05    051226        DEP DINH LOT………100,00
12    121229        DEP DINH LOT………200,00
17    171128        DEP DINH LOT………100,00
17    171706        DEP DINH LOT………230,00
24    241602        DEP DINH LOT………200,00
29    291116        DEP DINH LOT………230,00
30    000001        TED JPNVIDAL………..40,00

Agora, os depósitos na conta do Banco Itaú:
01    TED 001.5977 JOSE PJ……………….351,09
01    PIX TRANS PAULO RO………………..100,00
01    PIX TRANSF JOSE FR01/09……….150,00
15    TED 001.4416.MARIO ACRO………300,00
30    TED 033.3591.ROBERTO SD……..200,00

Agradecendo muitíssimo pelo apoio que nos permite perseguir essa utopia sem patrocínio político ou empresarial, vamos em frente, enquanto deixarem, porque essa liberdade incomoda  a quem tem medo da verdade, e assim o blog vive sob permanente ataque. (C.N.)

Avanço da direita nas urnas ameaça aprovação da PEC do fim da escala 6×1

Charge do Gilmar Fraga (Zero Hora)

Danilo Moliterno
CNN

Articuladores do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) preveem maior dificuldade para aprovar a PEC (Proposta de Emenda à Constituição) do fim da escala 6×1 após o avanço da direita no primeiro turno das eleições de 2026.

O governo Lula teme que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), desacelere a tramitação da matéria de olho no cenário eleitoral. O parlamentar pautou para a próxima semana a discussão da PEC.

PONDERAÇÃO –  Segundo relatos, Alcolumbre ainda garante o debate na próxima semana, mas pondera a necessidade de convencer uma maioria de senadores a votá-la. Governistas admitem que a oposição ganhou força para pressionar o presidente da Casa a não tramitar a matéria neste momento.

Existe ainda a avaliação de que, após o resultado sobre os senadores eleitos para mandatos de oito anos, os parlamentares de oposição e do Centrão estarão menos expostos à pressão popular e aos riscos de um voto contrário.

Nesta terça-feira (6), lideranças do governo no Congresso Nacional se reúnem para definir a estratégia para a semana de “esforço concentrado”. A PEC do fim da 6×1, de olho na eleição presidencial, é prioridade total. O presidente Lula terminou o primeiro turno das eleições atrás de Flávio Bolsonaro (PL). Além disso, seu campo político viu a direita avançar em governos estaduais, na Câmara dos Deputados e em especial no Senado.

Michel Temer declara apoio a Flávio e amplia pressão sobre o MDB

Brasília será a vergonha do país, com três senadoras que são absolutamente inúteis

Direita elege primeira bancada 100% feminina do DF para o Senado

Damares, Michelle e Bia , três inutilidades na política do DF

Vicente Limongi Netto

Algo em torno de 2 milhões e meio de votos podem impedir a preservação das conquistas socioeconômicas, mergulhando o país num futuro incerto.

Dois milhões e meio de votos que separam um ex-torneiro mecânico, que chegou à chefia da nação abrindo portas do mundo para o Brasil, e um senador inútil e martirizado, que só pensa em vingança contra os responsáveis pela condenação e prisão do pai dele.

São dois milhões e meio de votos que separam um Brasil ordeiro, que ocupa a décima colocação no ranking da economia potência mundial, e uma malta de milicianos e rachadinhas com sangue nos olhos, ávidos para instalar a desordem e o caos no Brasil.

BAIXARIA TOTAL – As urnas mostram as garras, assustam o eleitor um pouco mais exigentes. Damares Alves, Bia Kicis e Michelle Bolsonaro, senadoras por Brasília, são escolhas pavorosas.

Michelle vai aparecer trajando o manto de imperatriz do marido presidiário e golpista, enquanto Bia e Damares surgirão nos holofotes como ardorosas serviçais da mulher do Bozo de tornozeleira.

E de quebra, no Senado, deus do céu, o enteado Carluxo, enquanto o mais jovem Jair Renan se torna deputado federal, eleito sob o nome de Jair Bolsonaro, escondendo o nome Renan.  Carluxo aprendeu as rachadinhas com o pai e o irmão Flávio. Agora, vai transmitir esses ensinamentos ao irmão mais novo, Jair Renan. Que família, hein?

Lindbergh e Rogério Correia recorrem a Fachin contra notícia-crime de Flávio

A autofagia ameaça a autoridade do Supremo, cuja crise está se aprofundando

Cláusula de barreira começa a redesenhar o mapa partidário do próximo governo

Doze partidos ficam sob a ameaça da cláusula de barreira

Bernardo Lima
Dimitrius Dantas
O Globo

Com o endurecimento da denominada cláusula de barreira nas eleições deste ano, 12 siglas devem ficar de fora e ter acesso restrito aos recursos do fundo partidário e propaganda gratuita no rádio e na televisão. Estão neste grupo a federação PSOL e Rede, o PDT, o Missão, de Renan Santos, e o Avante, de Augusto Cury.

Em 2026, para atingir a cláusula de desempenho, as legendas têm como meta eleger 13 deputados federais em pelo menos nove estados. Outra opção é alcançar 2,5% dos votos válidos para a Câmara em todo o país, sendo no mínimo 1,5% em nove locais diferentes.

IMPEDIMENTO – Se isso não acontecer, o partido fica impedido de receber fundo partidário nos próximos quatro anos e não participa da distribuição do tempo de propaganda gratuita em rádio e TV, que costuma ser uma moeda de troca política para cargos de maior estatura.

PSOL e Rede, que integram uma federação, somaram 4,89% dos votos válidos para a Câmara. As siglas devem ficar abaixo da cláusula porque alcançaram o percentual mínimo exigido em apenas oito estados, e não em nove.

O PDT também ficou abaixo da cláusula, com 1,64% dos votos e quatro deputados eleitos. O mesmo ocorreu com o Avante, de Augusto Cury, que somou 1,59% dos votos e elegeu um deputado, e com o Missão, de Renan Santos, que teve 1,08% e não conseguiu eleger representantes para a Câmara.

LEGENDAS – Em 2022, foram seis as legendas que não atingiram a cláusula de barreira: Novo, PTB, Solidariedade, PSC, Patriota e Pros. Desta vez, o Novo conseguiu atingir a cláusula. Na época, as exigências eram mais brandas. Os partidos precisavam obter 2% dos votos válidos para a Câmara, com ao menos 1% em nove estados, ou eleger 11 deputados federais distribuídos por pelo menos nove estados.

A cláusula ficará ainda mais rígida a partir de 2030. Para ter acesso ao fundo partidário e à propaganda gratuita, as legendas terão de eleger ao menos 15 deputados federais distribuídos por pelo menos um terço das unidades da Federação ou obter 3% dos votos válidos para a Câmara, com um mínimo de 2% em pelo menos nove estados.

As urnas contrariaram totalmente as contas do ministro Alexandre de Moraes

Resultado do 1º turno frustra previsões de Moraes

Bela Megale
O Globo

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes compartilhou nos últimos dias, em conversas reservadas com colegas da corte, suas expectativas para o primeiro turno das eleições deste domingo (4). Munido de informações de lideranças do Congresso com as quais tem proximidade, Moraes acreditava que o cenário eleitoral seria bem diferente do que se revelou.

Segundo relatos de integrantes do tribunal, o ministro esperava que a bancada de senadores eleita não formasse uma maioria consolidada a favor do impeachment de ministros do STF. Essa projeção, no entanto, acabou frustrada pelos resultados, que apontam para um grupo expressivo de parlamentares com esse posicionamento, ampliando o risco de desgaste institucional para o tribunal.

RIO E S. PAULO – Outra expectativa de Moraes dividida com colegas era que estados como Rio de Janeiro e São Paulo elegeriam, em ao menos uma das duas vagas, nomes que não tivessem a ofensiva contra o STF como bandeira. Essa previsão, contudo, não se confirmou, reforçando o avanço dos senadores alinhados com o discurso de contestação ao tribunal.

Além disso, o ministro contava com a eleição de parlamentares como Randolfe Rodrigues (PT-AP), cuja postura crítica contra o impeachment de ministros é conhecida, mas ele não conseguiu se reeleger.

LIDERANÇA DE LULA – No campo presidencial, Alexandre de Moraes também compartilhou com ministros a previsão de uma liderança de Lula no primeiro turno com pequena vantagem em relação a Flávio Bolsonaro, fato que não se realizou.

Diante deste cenário, o Supremo enfrenta o desafio de lidar com uma composição do Senado que vai intensificar as pressões políticas sobre a corte, num momento em que o tribunal está mais dividido do que nunca pelas disputas internas.

TSE informa que as eleições registram 907 crimes eleitorais no primeiro turno

Boca de urna e propaganda irregular lideram os registros

Patrik Camporez
O Globo

A operação de segurança do primeiro turno das eleições contabilizou 907 registros de crimes eleitorais neste domingo, segundo balanço do Ministério da Justiça. Ao todo, foram registradas 966 ocorrências, e as forças de segurança apreenderam R$ 626.338, quatro armas, 13 veículos e 5.557 materiais de campanha.

Boca de urna foi a ocorrência mais frequente, com 311 registros, seguida de propaganda eleitoral irregular, com 272. O levantamento também contabilizou 114 ocorrências de compra de votos ou corrupção eleitoral, 46 de desobediência às ordens da Justiça Eleitoral e 31 de violação ou tentativa de violação do sigilo do voto.

OCORRÊNCIAS – Minas Gerais teve o maior número de ocorrências, com 113, seguido do Rio Grande do Sul, com 89, e do Paraná, com 81. Por região, o Nordeste concentrou 292 registros, à frente do Sul, com 222, e do Sudeste, com 217.

Além dos crimes eleitorais, o boletim apontou seis registros de crimes comuns contra candidatos e 12 em locais de votação ou apuração. Entre as ocorrências detalhadas, há cinco registros de uso de violência ou grave ameaça para obter voto ou abstenção e um de violência política de gênero.

A operação mobilizou 321.097 agentes em todo o país, com acompanhamento nas 27 unidades da Federação. O efetivo incluiu forças estaduais, Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal e Força Nacional.

Segundo turno: Flávio aposta na vantagem; Lula prepara uma nova campanha

Flávio deverá ficar na ofensiva e Lula em busca de reação

Jeniffer Gularte
Luísa Marzullo
O Globo

Após passar ao segundo turno em primeiro lugar, o candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro, conta com o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), para ampliar a vantagem no estado e deve viajar com o aliado pelo país, em agendas que devem ser fechadas nos próximos dias.

A campanha também aposta no desgaste do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em uma tentativa de apresentá-lo como um personagem político ultrapassado. Já a campanha do atual presidente mira em ampliar o placar no Nordeste e vai aumentar o papel do vice, Geraldo Alckmin, buscando atrair eleitores de centro.

ANTIPETISMO – A campanha de Flávio vai manter o mote do antipetismo, das bandeiras de segurança pública e aumento de custo de vida e fará uma ofensiva para aproximar aliados que saíram fortalecidos das urnas, caso de governadores que foram vitoriosos no primeiro turno.

A vantagem obtida no primeiro turno, em que teve 47% dos votos contra 45% de Lula, levou a campanha de Flávio a descartar, neste primeiro momento, uma reformulação profunda da estratégia. A avaliação é que o candidato precisa ampliar o eleitorado sem abandonar o discurso que o levou à dianteira. Para isso, a estratégia é investir nos eleitores dos candidatos Augusto Cury (Avante), Renan Santos, Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo), que foram derrotados.

Juntos, Renan, Caiado e Zema somaram 5,6 milhões de votos. Zema deve declarar apoio a Flávio junto com o Novo nos próximos dias, enquanto Caiado ainda não anunciou seu voto, e aliados avaliam que pode evitar uma adesão formal.

VOTO NULO – A campanha aposta, mesmo assim, em absorver parte dos 2,6 milhões de votos do ex-governador de Goiás. Renan, que recebeu 2,67 milhões, também não deve apoiar nenhum dos dois candidatos e tende a incentivar o voto nulo, orientação que a equipe de Flávio acredita que não será seguida por todo o seu eleitorado.

Mais difícil, na avaliação da campanha, será avançar sobre os 3,4 milhões de eleitores de Augusto Cury (Avante) e sobre quem não escolheu nenhum candidato no primeiro turno. Nesse campo, a estratégia é explorar a insatisfação com o governo e dar mais espaço a temas econômicos que atinjam o cotidiano, sobretudo preços e poder de compra, sem depender apenas da identificação com a direita. A equipe também pretende buscar parte dos eleitores que se abstiveram ou votaram em branco e nulo, grupo visto como uma fonte adicional de votos numa disputa em que Flávio já começa próximo da maioria necessária.

A busca por esses eleitores terá também um componente territorial. A campanha pretende concentrar esforços nos três maiores colégios eleitorais e aproveitar o resultado de aliados que saíram fortalecidos das urnas. Tarcísio de Freitas (Republicanos), reeleito em São Paulo, deverá entrar de forma mais intensa na campanha e pode ceder integrantes de sua equipe, sobretudo das áreas de marketing e redes sociais. Em Minas, Flávio contará com Cleitinho Azevedo (Republicanos), eleito governador, e Nikolas Ferreira (PL), que teve mais de 3 milhões de votos para deputado federal; no Rio, Douglas Ruas (PL) também deverá participar das agendas.

AGENDAS – A intenção, porém, é não limitar essas lideranças às fronteiras de seus estados. Tarcísio já se colocou à disposição para participar de compromissos fora de São Paulo, e nomes com apelo sobre segmentos específicos deverão ser deslocados segundo o público que a campanha pretende alcançar. Nikolas, presença frequente ao lado de Flávio no primeiro turno, deverá continuar sendo acionado em agendas voltadas principalmente aos eleitores mais jovens e cristãos.

Na tarde desta segunda, Flávio se reunirá com a equipe para fazer um alinhamento total antes dos próximos 19 dias. A expectativa é que ele intensifique agendas também no Nordeste, com o intuito de reduzir a vantagem de Lula na região.

Também mirando essa fatia do eleitorado que não optou por Flávio nem Lula no primeiro turno, a campanha do PL vai reforçar a necessidade de mudança, tom usado pelo senador no discurso após o resultado do primeiro turno. O presidenciável disse que a “era do PT” terminou e vai insistir na rejeição a Lula como trunfo para sair vitorioso no segundo turno.

OS PLANOS DE LULA –  No caso de Lula, o desafio é buscar uma virada inédita — nunca um candidato à Presidência que passou ao segundo turno atrás do adversário foi vitorioso. A necessidade vai forçar uma guinada na campanha, e uma nova estratégia está sendo desenhada.

O plano inclui a tentativa de ampliar a vantagem no Nordeste, onde superou Flávio e o PT reelegeu três governadores, e reduzir a abstenção. No primeiro turno, 33,4 milhões de eleitores não compareceram às urnas, um índice de 21,08%, o maior desde 1998 e recorde em números absolutos. O PT já começou a orientar a militância a procurar eleitores que não votaram e convencê-los a ir nas urnas em 25 de outubro.

Internamente, Lula disse a aliados logo após o resultado que é preciso ver onde se errou e buscar corrigir rumos para o segundo turno. Auxiliares que acompanharam a apuração com o petista avaliam que o cenário não está perdido, mas que as mudanças são urgentes.

A estratégia do PT deve começar por tentar ampliar apoio em estados onde Lula e candidatos petistas já tiveram boa votação, especialmente no Nordeste, onde o PT reelegeu os governadores Rafael Fonteles, no Piauí, Elmano de Freitas, no Ceará, e Jerônimo Rodrigues, na Bahia. Haverá também um foco em ampliar a votação em Minas Gerais, onde Lula venceu em 2002, mas foi derrotado por Flávio agora.

PROTAGONISMO – Lula também deve dar mais protagonismo a Alckmin, em busca de eleitores de centro. “Ninguém neste país tem autoridade moral para falar de política fiscal e seriedade fiscal para mim e para o Alckmin. Pelo que ele fez no estado de São Paulo e pelo nós fizemos no Brasil “, disse Lula, em uma das citações no discurso domingo à noite, após a divulgação do resultado.

Setores do governo e da campanha criticaram o fato de Alckmin não ter tido um papel de destaque no primeiro turno. A avaliação é que o vice tem condições de dialogar melhor com uma fatia do eleitorado que é refratária a Lula e ao PT. Pelo plano definido após o resultado do primeiro turno, o vice da chapa também deve aparecer mais no horário eleitoral na televisão.

Na tarde desta segunda-feira, Lula deve se reunir em Brasília com a coordenação da campanha, além de políticos aliados que disputaram vagas ao Senado e aos governos estaduais para discutir o rumo da candidatura do petista no segundo turno. Auxiliares do presidente entendem também que podem usar a rejeição a Flávio para desidratar o adversário e vai seguir fazendo a vinculação às fraudes do banco Master — Lula tem se referido ao caso como a “orgia do Master”. As pesquisas indicam um patamar alto de rejeição aos dois candidatos: segundo a Quaest, Flávio é rejeitado por 56% dos eleitores, e Lula por 55%.

Sempre existirá um rancho fundo, onde a dor e a saudade contam coisas da cidade…

Eternas Músicas: Lamartine Babo

Ary e Lamartine, grandes compositores

Paulo Peres
Poemas & Canções

O radialista, músico e compositor mineiro Ary de Resende Barroso (1903-1964) e o advogado e compositor carioca Lamartine de Azeredo Babo (1904-1963), na letra de “No Rancho Fundo”, falam das desilusões amorosas de um violeiro que mora no interior, longe das cidades.

O samba-canção “No Rancho Fundo” foi lançado por Elisa Coelho, em 1931, pela RCA Victor, e depois por muitos intérpretes, como Silvio Caldas, Fábio Júnior e Chitãozinho e Xororó, sempre com grande sucesso.

NO RANCHO FUNDO
Lamartine Babo e Ary Barroso

No rancho fundo,
bem pra lá do fim do mundo
Onde a dor e a saudade
contam coisas da cidade.

No rancho fundo,
de olhar triste e profundo
Um moreno conta as mágoas
tendo os olhos rasos d’água.

Pobre moreno,
que de tarde no sereno
Espera a lua no terreiro
tendo o cigarro por companheiro
Sem um aceno
ele pega da viola
E a lua, por esmola,
vem pro quintal deste moreno.

No rancho fundo,
bem pra lá do fim do mundo,
Nunca mais houve alegria
nem de noite nem de dia.
Os arvoredos
já não contam mais segredos
e a última palmeira
já morreu na cordilheira.

Os passarinhos
internaram-se nos ninhos,
de tão triste esta tristeza
enche de trevas a natureza.
Tudo por quê?
Só por causa do moreno,
que era grande, hoje é pequeno
para uma casa de sapê.

AGU desiste de apoiar bets e pede que STF derrube a regulamentaram das apostas

Charge do Orlando Pedroso (Canal do Meio)

Fernanda Fonseca
Helena Prestes
CNN

A AGU (Advocacia-Geral da União) mudou de posição sobre a regulamentação das apostas online e pediu ao STF (Supremo Tribunal Federal) que declare inconstitucional o núcleo das leis que permitiram e disciplinaram a exploração das bets no país.

A manifestação foi apresentada na última sexta-feira (2) na ADI (Ação Direta de Inconstitucionalidade) relatada pelo ministro Luiz Fux, e ocorre uma semana depois do governo Lula (PT) editar uma medida provisória que proibiu a exploração, a oferta e a publicidade das apostas de quota fixa em todo o território nacional.

ACOMPANHAMENTO – Em outra ação sobre o tema, a AGU havia defendido que a legislação era “ainda constitucional, sujeita a processo de progressiva inconstitucionalização”. Na ocasião, o órgão afirmou que a regulamentação era recente e que seus efeitos ainda precisavam ser acompanhados.

Agora, a Advocacia-Geral sustenta que o período de monitoramento demonstrou que as medidas adotadas pelo Executivo não foram suficientes para corrigir as fragilidades do modelo. Segundo a manifestação, os indicadores disponíveis apontam para a persistência e o agravamento de danos que a legislação deveria evitar.

IMPACTOS – Entre os problemas citados estão os impactos sobre a saúde pública, o endividamento das famílias, a proteção dos consumidores e a utilização de plataformas de apostas para lavagem de dinheiro e outras atividades ilícitas.

“Informações apresentadas pelo Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social apontam impactos sobre insegurança alimentar, endividamento e vulnerabilidade, além da fragilização de vínculos familiares e sociais”, diz.

A AGU cita, por exemplo, um crescimento de 140% nos atendimentos do SUS relacionados ao jogo patológico e à mania de jogos e apostas entre 2018 e 2025. O documento também menciona estimativa segundo a qual as apostas retiraram cerca de R$ 62,5 bilhões dos orçamentos familiares em 2025.

DERRUBADA DOS DISPOSITIVOS – Ao final, o órgão pede que o STF derrube os dispositivos das leis de 2018 e 2023 que formam o núcleo jurídico da exploração das apostas de quota fixa. A ação é diferente dos processos que questionam diretamente a medida provisória que proibiu as bets. Segundo a própria AGU, o órgão ainda apresentará manifestação específica nessas ações quando for formalmente intimado.

A manifestação da AGU questiona dispositivos de duas leis federais que formaram a base jurídica para a exploração das apostas de quota fixa, as chamadas bets, no Brasil.

Uma lei de 2018, aprovada pelo Congresso Nacional e sancionada pelo então presidente Michel Temer, criou a modalidade de aposta de quota fixa no país. Foi ela que autorizou esse tipo de loteria, em que o apostador sabe previamente qual será a taxa de retorno em caso de acerto. A AGU pede que sejam declarados inconstitucionais os artigos 29 a 35 da norma, que instituíram a modalidade e estabeleceram regras ligadas à sua exploração.

REGRAS – Já em 2023, o Parlamento aprovou e Lula sancionou a regulamentação do setor. A norma estabeleceu regras para autorização das empresas, funcionamento das plataformas, publicidade, direitos dos apostadores, prevenção à lavagem de dinheiro e mecanismos de jogo responsável.

Na avaliação atual da AGU, porém, esse conjunto de regras não criou salvaguardas suficientes para conter os riscos associados às apostas. O órgão sustenta que, mesmo após medidas complementares adotadas pelo Executivo desde 2024, persistiram problemas relacionados à saúde, ao endividamento das famílias, à publicidade e ao mercado clandestino.

A discussão é diferente das ações que questionam a medida provisória editada pelo governo em 2026 para proibir as bets em todo o país.

A Câmara que sai das urnas impõe um novo equilíbrio de forças

A direita avança e muda o jogo na Câmara

Lauriberto Pompeu
O Globo

Com expectativa de eleger uma das maiores bancadas na Câmara desde a redemocratização, o PL teve ontem os campeões de votos nos maiores colégios eleitorais do país. Em Minas Gerais, Nikolas Ferreira quase triplicou sua votação em comparação ao pleito passado e ultrapassou a marca de 3,1 milhões de votos — o melhor desempenho da História, ultrapassando a marca de Eduardo Bolsonaro (PL-SP) em 2018.

Já o PT despontava na noite de ontem como a segunda maior legenda da Casa, mas em um cenário ainda incerto. Até o fechamento desta edição, 286 de 513 deputados foram confirmados eleitos.

EXPECTATIVA – Entre parlamentares, há expectativa de fortalecimento de partidos do Centrão, como a federação União-PP e Republicanos, com a consequente formação de um grande bloco de direita e centro-direita.

Esse cenário seria ainda mais difícil para uma eventual reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Por outro lado, a composição com um eventual governo Flávio Bolsonaro (PL), candidato que saiu na frente no primeiro turno, deve ser mais fácil, segundo os próprios parlamentares.

RECORDE DE VOTOS –  Atrás de Nikolas, o segundo mais votado do país foi Lucas Pavanato (PL), pelo estado de São Paulo, com pouco mais de três milhões de votos. Pavanato tem a atuação política marcada pela pauta de costumes, como a proibição de mulheres trans em banheiros femininos e a abertura de CPIs contra grupos de moradia.

Criado em uma família evangélica pentecostal, com primeiros discursos feitos na Assembleia de Deus, Pavanato ingressou na política formal por meio do Movimento Brasil Livre (MBL), mas rompeu com o grupo ao se associar ao bolsonarismo.

Também em São Paulo, o segundo lugar ficou Erika Hiton (PSOL-SP), com 1,5 milhão de votos. Na eleição passada, ela foi a primeira deputada trans a ser eleita, junto com Duda Salabert (PDT-MG).

REELEIÇÃO – Com 99,98% das urnas apuradas na Paraíba, o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), foi reeleito entre os cinco deputados federais mais votados do estado. O paraibano teve ao menos 124 mil votos e caminha para o seu quinto mandato, com expectativa de costurar sua reeleição ao comando da Casa.

O cenário nacional marcado por uma onda da direita, porém, pode ser um obstáculo. Motta fez campanha para Lula em seu estado e tem se comprometido com a agenda do atual governo. Apesar disso, aliados de Motta avaliam que ainda é possível uma composição com o PL. É citado o exemplo do ex-presidente da Câmara Arthur Lira, que apoiou o ex-presidente Jair Bolsonaro em 2022, mas conseguiu uma aliança com Lula e o PT para ser reeleito presidente da Casa em 2023.

“A Câmara dos Deputados é a Casa do Povo e, independentemente dos resultados, seguirá cumprindo o seu papel inegociável de representar a população, respeitando a Constituição e dialogando por um país melhor”, disse Motta nas redes sociais na noite deste domingo.

PESO POLÍTICO – O entorno de Motta avalia também que há um peso no fato de ele comandar a Casa e ficar no cargo pelo menos até fevereiro de 2027. Esses aliados dizem que o chefe da Casa tem a disposição para atrair os deputados com promessas de cargos, distribuição de apartamentos funcionais e de gabinetes na Câmara.

Motta também conta com a tentativa de aproximação com deputados novatos, que ainda não formaram alianças sólidas em Brasília e têm uma tendência maior de seguir as orientações partidárias.

Motta é herdeiro político de uma das famílias mais tradicionais da Paraíba. Em 2010, foi eleito o deputado federal mais jovem do Brasil, com 21 anos. Na época, ele recebeu 86.150 votos. A família, originalmente ligada ao MDB, tem influência em Patos, município do sertão com pouco mais de 100 mil habitantes.

MEDALHÕES DE FORA –  Até o fechamento da edição, estavam longe de conquistar a eleição medalhões da política, como o ex-ministro José Dirceu (PT), em São Paulo, ou o ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha (Republicanos) em Minas Gerais. Assim como a eleição de 2022, a de 2026 deve ser marcada pelo empoderamento do Poder Legislativo sobre o orçamento federal.

Apesar de uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) ter acabado com as chamadas emendas de relator, instrumento pelo qual os recursos tinham sua autoria escondida e serviam como moeda de troca para apoio político, o chamado “orçamento secreto” passo a ser investigado nas despesas de emendas de comissão.

Flávio vê no novo Congresso a base para um eventual governo

Filho de Jair Bolsonaro celebra desempenho da direita

Luísa Marzullo
O Globo

Depois de terminar o primeiro turno na liderança da corrida presidencial, com 47,03% dos votos válidos, Flávio Bolsonaro (PL) afirmou nesta segunda-feira que o resultado das urnas também deixou o Congresso “configurado” para um eventual governo seu. O candidato, que enfrentará o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno, comemorou o avanço de aliados nas eleições para Câmara e Senado e fez um aceno a governadores e prefeitos ao defender uma atuação conjunta no combate ao que chamou de “narcoterrorismo”.

— Obrigado, Deus! Obrigado, Brasil! O país se manifestou nas urnas pela mudança e pelo futuro! Não apenas na Presidência da República, mas também no Senado e na Câmara dos Deputados — escreveu Flávio.

NOVA COMPOSIÇÃO – No dia seguinte à votação, Flávio associou seu desempenho ao resultado obtido por candidatos de direita para o Legislativo. O senador afirmou que a nova composição do Congresso poderá dar sustentação a um eventual governo.

— A maioria esmagadora que fizemos no Congresso trará de volta a segurança jurídica que o país tanto precisa para crescer. O Legislativo federal está configurado para um presidente como Flávio Bolsonaro! — afirmou.

DIÁLOGO – Flávio também parabenizou os governadores e deputados estaduais eleitos e sinalizou que buscará diálogo para além de seus aliados partidários em caso de vitória no segundo turno.

— Faço o compromisso de sempre colocar o povo acima de qualquer questão partidária, pois, por exemplo, o combate efetivo ao narcoterrorismo tem que ser feito em conjunto com governadores e prefeitos.

Flávio recebeu 56,1 milhões de votos, o equivalente a 47,03% dos votos válidos, contra 53,9 milhões, ou 45,16%, de Lula. Os dois voltarão a se enfrentar no segundo turno. O candidato encerrou a publicação em tom de mobilização para a nova etapa da campanha: “Faltam poucos dias para o resgate do Brasil! Bora pra cima com tudo”. No post, Flávio anexou uma foto em que aparece diante de um retrato do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro.

A eleição recomeça do zero no segundo turno e tudo pode acontecer

Caso de Deltan Dallagnol expõe racha no TSE na véspera da eleição dele

Desfaçatez do Supremo é responsável pela onda de direita que ocorreu na eleição

Tribuna da Internet | Ministros do Supremo festejaram seu pior Natal de todo os tempos

Charge do Zappa (humortadela)

Fabiano Lana
Estadão

Decisões eleitorais para o Legislativo, principalmente para o Senado, em geral são tomadas na véspera das eleições. Candidatos para esses cargos costumam surfar na onda do momento. Qual foi ela? A impressão de impunidade e intervenções generalizadas do Judiciário gerou um movimento de revolta em eleitores, a desaguar votos de protestos em candidatos de direita e mesmo extrema-direita.

Impeachment de ministros do STF foi uma das principais bandeiras de campanha de candidatos ao Senado em todo o Brasil. O irônico é o mote ter ganhado impulso dos próprios ministros do STF em duas decisões tomadas em pleno processo eleitoral.

A primeira delas foi poupar Alexandre de Moraes de um pedido de investigação por ligações espúrias com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. A segunda foram as interferências explícitas no debate da Rede Globo, que acabaram por provocar o cancelamento pela emissora.

REVOLTA GERAL – A empáfia dos ministros, principalmente de Flávio Dino, Gilmar Mendes e do próprio Alexandre de Moraes, transmitida ao vivo pela televisão, não revoltou apenas bolsonaristas, mas também aqueles eleitores independentes que queriam votar no menos ruim, ou em ninguém. Os próprios ministros acabaram por direcionar o movimento contra eles.

Não foi apenas estratégia equivocada, mas também certa cegueira com relação aos movimentos da sociedade. O voto raivoso contra o Judiciário pode levar a um strike comandado por senadores antissistema das regiões Sudeste, Sul, Centro-Oeste e parte do Norte do país.

Nem mesmo barrar a candidatura de Deltan Dallagnol, no Paraná, iria frear o movimento. Ao contrário, conseguiria exacerbá-lo e Deltan está eleito.

FLÁVIO E LULA – O paradoxo é que um candidato que ainda precisava dar explicações sobre suas relações com Vorcaro, o senador Flávio Bolsonaro, acabou sendo beneficiado no final desses movimentos tectônicos.

Sem biografia ou trajetória consistente, Flávio ameaça o mais expressivo político brasileiro dos últimos 70 anos. Talvez a explicação não passe pelos critérios racionais de decisão, mas pela emoção envolvida.

O sobrenome Bolsonaro tornou-se sinônimo de tudo o que é antissistema, e o sistema a ser combatido agora é identificado por uma espécie de joint venture que une o Palácio do Planalto e o STF. Agora, eles veem atônitos os “bárbaros” se aproximarem com avidez de suas cidadelas.

Flávio e a direita demonstram força e conseguem isolar Lula e aliados do PT

Se Flávio Bolsonaro for eleito, investigações do caso Master contra ele serão suspensas

Nas eleições, a direita deu um banho e Flávio é favorito

Deu na Folha

Depois de passar quase toda a campanha em segundo lugar na grande maioria das pesquisas eleitorais, Flávio Bolsonaro (PL) conquistou 47% dos votos válidos no primeiro turno, à frente dos 45% de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e não muito distante da maioria necessária para encerrar a disputa presidencial neste domingo (4).

Não se pode falar em surpresa. Nos últimos pleitos, o bolsonarismo mostrou mais força nas urnas do que nas sondagens de intenções, seja devido a eleitores que não declaravam abertamente suas preferências, ao voto útil antipetista ou a maiores taxas de abstenção no campo adversário.

SEM BRILHO – O feito é particularmente notável porque a candidatura de Flávio mal foi levada a sério quando lançada por seu pai. Trata-se, afinal, de um político não apenas sem brilho próprio, dependente do sobrenome, mas também despreparado e, se não bastasse, com longo histórico de ligações com personagens das milícias do Rio — e, mais recentemente, com o corruptor Daniel Vorcaro.

O patriarca da família foi corretamente condenado por tentativa de golpe de Estado, e o indulto prometido pelo filho será uma afronta à democracia. Com tais credenciais, Flávio não conseguiu apoio de nenhum outro partido.

Seu PL, legenda secundária no país até abrigar o bolsonarismo, ampliou seu poderio nacional. Garantiu já no primeiro turno os governos dos três estados do Sul, de Roraima e Rondônia; estará no segundo turno no Rio e no Amazonas. Michelle e Carlos Bolsonaro conquistaram mandatos no Senado, para o qual a sigla teve votação avassaladora.

OUTRAS VITÓRIAS – A direita obteve outras vitórias importantes, a começar pelos governos de São Paulo e Minas, os dois maiores colégios eleitorais, assegurados pelo Republicanos. Nos dois estados, postulantes conservadores conseguiram 3 das 4 vagas de senador.

O PT de Lula, por ora, se mantém restrito ao Nordeste, preservando Bahia, Ceará e Piauí. Disputará o segundo turno no Distrito Federal e no Rio Grande do Norte. Ex-ministras de Lula, Marina Silva (Rede) e Simone Tebet (PSB), foram derrotadas na disputa paulista pelo Senado.

O presidente da República terá uma tarefa difícil na segunda rodada do pleito —até hoje, nunca o segundo colocado no primeiro turno conseguiu vencer a eleição presidencial.

SEM MUNIÇÃO – Cartuchos importantes já foram queimados, como a ampliação da isenção do Imposto de Renda, o reajuste do Bolsa Família e a proibição das bets, sem resultados palpáveis. A próxima empreitada será a votação do fim da escala de trabalho 6×1.

Desde a recessão catastrófica produzida por Dilma Rousseff (PT) e a ascensão da direita populista, o discurso econômico e social do partido de Lula tem menos apelo —ainda mais quando os juros resultantes de sua política gastadora sufocam as famílias.

E os demais postulantes da corrida ao Planalto reúnem mais votos conservadores, que tendem a migrar para Flávio.