Senado acelera debate sobre fim da escala 6×1 em meio à disputa entre Lula e Flávio

Charge do Nando Motta (Brasil 247)

Eduarda Teixeira
CNN

O Senado retoma, nesta terça-feira (13), a discussão da PEC (Proposta de Emenda à Constituição) que acaba com a escala 6×1. Será a quarta sessão de debate sobre o texto. A quinta e última está marcada para quarta-feira (14). A votação em primeiro turno será no mesmo dia.

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), definiu cinco sessões de discussão antes da votação. Três foram realizadas na semana passada, todas com maioria de governistas e baixa presença da oposição. Cumpridas as cinco, o texto estará pronto para ser votado em primeiro turno.

DOIS TURNOS – Para a aprovação total de uma PEC no Senado são necessários dois turnos de votação, com 49 votos favoráveis em cada um deles. Além disso, o regimento da Casa prevê três sessões de discussão entre o primeiro e o segundo turno.

O governo tenta coletar assinaturas para apresentar um calendário especial e quebrar essa pausa, chamada de interstício, entre o primeiro e o segundo turno. Sem o mecanismo, não há tempo hábil para aprovar a proposta antes do segundo turno das eleições, em 25 de outubro.

Os senadores de oposição querem adiar a votação para depois do segundo turno. O líder da oposição na Casa Alta, Rogério Marinho (PL-RN), que também coordena a campanha de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência, disse na semana passada que “não faz bem ao país” votar um tema desse tamanho durante o período eleitoral.

“OPORTUNISTA” – Ele classificou a discussão como “oportunista” e disse que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) está “desesperado” para se reconectar com o eleitorado. Há um receio entre aliados de que a medida beneficie Lula e, ao mesmo tempo, um entendimento de que votar contra a proposta pode atrapalhar a campanha de Flávio no segundo turno. O candidato do PL disse na quarta-feira (7) ter uma alternativa melhor do que o fim da 6×1.

Marinho também sinalizou contrariedade ao texto e defendeu uma proposta própria, que já tramita no Senado. O projeto flexibiliza a escala de trabalho, permite que o trabalhador seja remunerado por hora trabalhada e abre brecha para redução salarial. Para o senador, não pode haver uma determinação de cima para baixo sobre a escala de trabalho. Apesar das ressalvas, aliados de Flávio afirmam que o senador deve votar a favor da proposta para evitar danos eleitorais.

O QUE DIZ A PEC –  O texto reduz a escala para cinco dias de trabalho e dois de descanso por semana, com jornada de 40 horas semanais. A proposta foi aprovada na Câmara dos Deputados, mas está parada no Senado desde maio.

Alcolumbre chegou a dizer que não votaria o texto para não “contaminar” o processo eleitoral e que esperava um contato do presidente Lula, o que não aconteceu. A tensão só diminuiu após um almoço entre os dois e o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), em 27 de agosto.

Se aprovada, a proposta passa a valer 60 dias após a promulgação pelo Congresso. Nesse período, a jornada semanal cairá de 44 para 42 horas. Em 14 meses, para 40. O texto também fixa a obrigatoriedade de duas folgas por semana, sendo uma delas preferencialmente no domingo, ou distribuídas no mês calendário.

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Fazendeiros ameaçam invadir terra indígena se Flávio Bolsonaro vencer

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João Gabriel
Folha

Fazendeiros dizem que vão invadir territórios indígenas na Amazônia caso Flávio Bolsonaro (PL) vença as eleições de 2026, segundo áudios e relatos reunidos pela Folha. Os indícios de invasões a territórios chegaram às autoridades do governo federal, que também apuram se a onda crescente de incêndios florestais dentro de um território foi causada propositalmente por fazendeiros.

O caso mais emblemático, até agora, aconteceu no Pará, na terra indígena Apyterewa, próxima ao rio Xingu, que tem longo histórico de violência e viveu um pico de desmatamento durante o governo Jair Bolsonaro (PL). Pecuaristas chegaram a construir uma pequena cidade dentro da área protegida, conhecida como Vila Renascer.

AMEAÇAS – Oito áudios obtidos pela Folha revelam ameaças de invasão ao território onde vivem os parakanãs —povo de recente contato com não indígenas e, por isso, mais vulneráveis— previstas para o próximo dia 25, data do segundo turno das eleições, e citam Flávio.

Por razões de segurança, a transcrição dos áudios não será publicada, nem a identidade dos envolvidos. Os recados foram enviados por WhatsApp por moradores da região a indígenas nos últimos dias. O material é de conhecimento dos órgãos de inteligência do governo federal.

As mensagens dizem que os fazendeiros aguardam o dia da eleição para entrar na terra indígena e construir suas fazendas lá dentro, diante da expectativa deles de que Flávio, caso vitorioso, e o já eleito governador, Dr. Daniel (Podemos), retirem o território dos Parakanã e passem para os pecuaristas da região.

METADADOS – A Folha cruzou os metadados de origem dos áudios com banco de dados e conversou com investigadores que atuam nesse caso para confirmar que eles são ligados a endereços nos arredores do território Apyterewa.

A campanha de Flávio é procurada pela reportagem, por meio de seu canal oficial de imprensa, desde a noite de quinta-feira (8), mas não respondeu até a publicação desta reportagem. O mesmo foi feito com a gestão estadual do Pará, que não se posicionou. Dr. Daniel, governador eleito no Pará, disse por meio de sua assessoria que não vai comentar.

Os áudios e as ameaças foram pauta da reunião do Comitê de Desintrusão do governo Lula (PT) da última quinta. Polícia Federal (PF), Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente), Funai (Fundação dos Povos Indígenas) e Ministério dos Povos Indígenas disseram que monitoram a situação.

PRESSÃO – O Ministério dos Povos Indígenas disse que monitora o “aumento da pressão para a ocupação ilegal do território”. “Durante a reunião, o Comitê deliberou pelo reforço das ações de segurança, incluindo o aumento do efetivo mobilizado, a fim de intensificar a manutenção da desintrusão e prevenir novas ocupações ilegais”, afirmou em nota.

“Em relação aos áudios que associam as eleições de 2026 à invasão do território indígena, o Ministério esclarece que a apuração dos fatos compete às autoridades policiais responsáveis pela investigação”, completou.

O Ibama disse que acompanha a situação. “Também há evidências de mobilização em outras regiões da Amazônia, tanto em terras indígenas, quanto em outras áreas protegidas, com vistas à retomada das atividades de garimpo ilegal”, completou o órgão. Um agente da Polícia Federal disse à reportagem, sob anonimato, que as informações de inteligência quanto às ameaças aos parakanãs são sólidas e preocupantes.

HISTÓRICO –  Dados de desmatamento do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisa Espacial) mostram que a área desmatada na Apyterewa foi de 18,9 km² em 2018 para 85,3 km² em 2019, primeiro ano da gestão bolsonarista, e bateu o recorde em 2022, com 102, 2 km² destruídos. Em 2023, primeiro ano do governo Lula, despencou para 20,6 km².

A Apyterewa também é um dos territórios que foi objeto da ADPF (Ação por Descumprimento de Preceito Fundamental) 709. Em 2020, o então ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Luís Roberto Barroso ordenou que o governo federal deveria expulsar invasores das áreas indígenas —determinação não cumprida por Bolsonaro.

A desintrusão começou em 2023, com reação violenta dos fazendeiros, que realizam periodicamente emboscadas contra operações de retirada do gado ilegal. Em diversos casos, pontes dentro da área foram derrubadas para inviabilizar a passagem dos agentes. Um servidor da Funai foi baleado no final de 2023 e um contratado do Ibama foi morto em 2025.

QUEIMADAS –  Nos últimos meses, o clima eleitoral voltou a acirrar os ânimos na região, segundo autoridades ouvidas pela reportagem. Os focos de incêndio explodiram nas últimas semanas, e investigadores suspeitam de queimadas propositais. Segundo dados do Inpe compilados pelo Programa Xingu, passaram de 41 em julho para 626 em agosto e 1.007 no mês passado.

Homologada em 2007, a terra indígena Apyterewa fica em São Félix do Xingu (PA), ocupa 773 mil hectares e abriga mais de mil parakanãs de recente contato. A classificação indica que o povo preserva sua cultura e organização social, com autonomia e certo distanciamento da sociedade não indígena. Por isso, a interação não controlada com invasores representa uma ameaça maior do que para grupos mais integrados à sociedade ocidental.

Em áudios recebidos pelas lideranças e obtidos pela Folha, moradores relatam maior circulação de motos e caminhonetes e dizem que fazendeiros compram lonas e materiais de roça para iniciar uma invasão após o segundo turno. As mensagens orientam os indígenas a evitar áreas onde pecuaristas já preparam o solo para pastagens e plantações e sugerem que os parakanãs deixem a região.

Para ganhar a eleição, basta Flávio não responder os ataques absurdos de Lula


Flávio Bolsonaro defende programa Bolsa Família: "direito adquirido"

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Carlos Newton

No desespero, o presidente Lula da Silva decidiu investir todas as fichas na tentativa de convencer o eleitorado de que Flávio Bolsonaro representa um ameaça maior à democracia do que o próprio pai, que chegou a planejar com as Forças Armadas aquele golpe militar que não aconteceu, porque resolveram consultar o Estado-Maior do Exército, e os generais de quatro estrelas disseram não, criando uma conspiração tipo Viúva Porcina, “aquela que foi sem ter sido”, no dizer irônico do escritor Dias  Gomes.

A imprensa amestrada atribui essa decisão de radicalizar a disputa à cúpula do PT e à coordenação de campanha, mas isso não existe na realidade. No PT, desde sua criação no colégio Sion, em São Paulo, em 1980,  jamais houve direção partidária ou articulação de campanha do PT, nem mesmo quando Dilma Rousseff e Fernando Haddad foram escolhidos por Lula para disputar a eleição. As campanhas sempre foram feitas por ele, no seu estilo.

LULA REINA – No PT, quem decide tudo é o próprio Lula, que após o primeiro turno afastou da campanha o presidente do partido, Edinho Silva, e os outros dirigentes, e estamos conversados.

Talvez, no futuro próximo, pode ser que até passe a existir uma cúpula partidária atuante, com uma coordenação profissional de campanha. Porém, enquanto Lula continuar na ativa, isso certamente não acontecerá. Assim, a sobrevivência do PT, a partir de agora, passa a ser altamente improvável. Se Lula perder a eleição, o partido fica sem perspectivas.

A mudança é tão abrupta que a maior base do PT é a Bahia, onde o partido segue controlado por dois políticos corruptíssimos – Jaques Wagner e Rui Costa, que conseguiram reeleger o governado Jerônimo Rodrigues. Já são 20 anos de reinado petista, com resultado constrangedor. A Bahia tornou-se o estado mais violento do país, entrou em retrocesso socioeconômico e a população está crescendo em ritmo muito lento, enquanto muitos municípios específicos (e a capital, Salvador) perdem moradores.

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P.S. 1
– Lula é um fenômeno. Foi descoberto pelo delegado federal federal Romeu Tuma, que sugeriu ao general Golbery do Coutto e Silva, chefe do Serviço Nacional de Informações, a contratação dele como agente infiltrado  no sindicalismo, para destruir a imagem do trabalhismo de Leonel Brizola. O projeto de Golbery deu tão certo que Lula se tornou o maior político brasileiro. Mas tudo tem seu tempo e agora chegamos a um ponto sem retorno. Se Lula perder, pode-se encomendar o velório do petismo. É isso que está sendo decidido no dia 25, com Lula em tempo de inferno astral, pois seu aniversário é somente n0 dia 27, com a eleição mais do que terminada. (C.N.)

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Após derrota eleitoral,Romeu Zema sinaliza que pretende se afastar da política

Aliados afastam ideia de Zema compor eventual governo Flávio

Isabel Mega
CNN

O ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), indicou a aliados que pretende se afastar por um tempo da política após a eleição de 2026. Os relatos são de que Zema não estaria disposto a assumir cargos no executivo.

Após o 1º turno, o mineiro deu apoio à candidatura de Flávio Bolsonaro (PL), que teve uma vantagem de dois pontos sobre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O objetivo partidário de usar a candidatura para capitalizar apoio aos candidatos para a Câmara dos Deputados, no entanto, foi cumprido. O Novo conseguiu ultrapassar a cláusula de barreira e elegeu 10 parlamentares.

“NÃO É DA POLÍTICA” –  Aliados afirmam que, apesar de ter deixado de ser um “outsider” da política, Zema nunca vestiu de fato o figurino de político. “A política é muito difícil para quem não é da política e Romeu não é da política”, relata uma pessoa próxima.

Ao longo da campanha, o ex-governador enfrentou pressão do PL e do próprio partido para desistir e teve que dosar reações para evitar desgastar o Novo. Os relatos são de esgotamento após o cenário do primeiro turno.

Zema teve desempenho inexpressivo nas urnas no 1º turno e ficou em sexto lugar no próprio estado onde foi eleito em 2018 e reeleito em 2022 para o governo. O candidato não ganhou em nenhuma cidade mineira e também não conseguiu fazer a eleição do sucessor, Mateus Simões (PSD).

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Mendonça proíbe Lula de impulsionar vídeo que aponta Flávio contra o fim da escala 6×1

Mendonça também manda CUT retirar vídeos

Márcio Falcão
Vinícius Cassela
G1

O vice-presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), André Mendonça, decidiu neste domingo (11), proibir a campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de impulsionar um vídeo em que afirma que o senador e candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), é contra a escala 6×1.

A decisão acontece após um pedido da campanha de Flávio Bolsonaro para suspensão do conteúdo que “desqualifica” o candidato. A decisão foi de forma preliminar e ainda precisa ser referendada pelo plenário do TSE.

MENSAGEM NEGATIVA – “A utilização de recursos financeiros para ampliar a difusão de mensagem predominantemente negativa contra candidatura adversária encontra vedação expressa na legislação eleitoral”, justificou Mendonça. No vídeo, com uma duração de 30 segundos, uma atriz afirma que Flávio Bolsonaro seria contrário ao fim da escala de trabalho 6×1 e que Partido Liberal, a qual é filiado, estaria realizando campanha para impedir a aprovação da medida.

De acordo com a defesa de Bolsonaro, a campanha de Lula fez dois anúncios que juntos “registraram entre 715.000 e 820.000 impressões, com soma dos alcances informados de 369.144 contas” e estimam que foram gastos entre R$ 10 e R$ 15 mil nas divulgações, entre os dias 12 e 14 de setembro.

Mendonça pondera que o vídeo parou de ser impulsionados nas redes sociais após o prazo informado e que, por isso, a decisão valerá apenas para caso a campanha de Lula queira voltar a propagar o vídeo por meio de impulsionamentos pagos e não para divulgação de forma orgânica.

PROIBIÇÃO À CUT –  Em outro processo, o ministro André Mendonça também decidiu que a Central Única dos Trabalhadores (CUT) remova cinco vídeos contra Flávio Bolsonaro de suas páginas oficiais.

De acordo com o ministro, um perfil institucional não pode divulgar propaganda eleitoral, independente da veracidade do conteúdo. “As cinco publicações somavam mais de 29 mil curtidas e aproximadamente 4,5 mil comentários, indicando significativa circulação na plataforma Instagram”, afirmou.

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É bestial ler que Darcy Ribeiro fundou a UnB e também ouvir elogios a Buarque

Juscelino Kubitschek (1902-1976) - TV Senado

JK foi o criador e fundador da Universidade de Brasília

Vicente Limongi Netto

Lamentável e deplorável que um repórter estagiário, com a benevolência de uma jornalista profissional, na matéria destacando o medíocre ex-reitor da Universidade de Brasília, Cristovam Buarque (Correio Braziliense -11/10), chame o ex-reitor José Carlos Azevedo apenas de “capitão de mar e guerra”, numa estúpida e covarde tentativa de diminuí-lo profissionalmente.

Azevedo tinha Mestrado e Doutorado em Física, Engenharia Nuclear e Arquitetura e Engenharia Naval,  pelo Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), nos Estados Unidos.

DARCY RIBEIRO -Outro equívoco grotesco da matéria foi informar que Darcy Ribeiro fundou a UnB. Darcy foi somente o primeiro reitor da Instituição. Nesta linha, na mesma edição do Correio Braziliense, o conceituado Jorge Henrique Cartaxo, jornalista e mestre em História pela Universidade Paris-Sorbonne,  é categórico, definitivo e claro:

“No dia 21 de abril de 1960,  no dia da inauguração de Brasília, JK enviou sua primeira mensagem do Palácio do Planalto, ao Congresso Nacional, criando a Universidade de Brasília, que seria inaugurada em 1962”.

EMOÇÃO – Coração do Flavinho  Rachadinha explodindo de emoção. O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, autorizou o candidato mentiroso, pretensioso e arrogante, a visitar o pai Jair, golpista e presidiário. Não está decidido se o bondoso Xandão vai liberar outro pedido singelo do candidato falastrão, levar um grupo de milicianos para um comovente abraço no mestre Bozo.

 

 

Fachin deve receber relatórios da PF sobre citações a ministros do STF no caso Master

Áudio sobre suposto financiamento de filme de Lula não tem valor jurídico, diz professor

Milton e Márcio Borges, no trem Vera Cruz, em busca de um amor perdido

Milron Nascimento e Márcio Borges na Homenagem à Fernando Brant - Inhotim/MG/2015 | Cantores, Clube da esquina, Cantor brasileiro

Márcio Borges e Milton, grandes parceiros

Paulo Peres
Poemas & Canções

O escritor, diretor do Museu do Clube da Esquina e poeta mineiro Márcio Hilton Fragoso Borges é, sem dúvida, um dos melhores letristas do nosso cancioneiro popular, criador da expressão “os sonhos não envelhecem”.

A letra de “Vera Cruz” admite três interpretações, uma vez que, pode ser vista como a mulher amada, como a mulher-pátria ou uma composição ferroviária homônima que fazia o trajeto Belo Horizonte-Rio de Janeiro. A música “Vera Cruz” foi gravada por Milton Nascimento no LP Angelus, em 1993.

VERA CRUZ
Milton Nascimento e Márcio Borges

Hoje foi que a perdi
Mas onde já nem sei
Me levo para o mar
Em Vera me larguei
E deito nessa dor
Meu corpo sem lugar

Ah! Quisera esquecer
A moça que se foi
De nossa Vera Cruz
E o pranto que ficou
Da morte que sonhei
Nas coisas de um olhar

Ah! nos rios me larguei
Correndo sem parar
Buscava Vera Cruz
Nos campos e no mar
Mas ela se soltou
No longe se perdeu

Quero em outra mansidão
Um dia ancorar
E aos ventos me esquecer
Que ao vento me amarrei
E nele vou partir
Atrás de Vera Cruz

Ah! Quisera encontrar
A moça que se foi
No mar de Vera Cruz
E o pranto que ficou
Do norte que perdi
Nas coisas de um olhar

Lula diz que votação do fim da escala 6×1 antes do segundo turno está acertada com Alcolumbre

PEC é uma das apostas do PT na reta final da campanha

Deu na Folha

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disse neste domingo (11) que a PEC (Proposta de Emenda à Constituição) que põe fim à escala 6×1 está com data de votação marcada para antes do segundo turno. Segundo ele, o tema já está “conversado” com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP).

“A única coisa que a oposição pode fazer é demonstrar se eles vão ter coragem de votar contra ou a favor. Eles vão ter só isso”, disse o chefe do Executivo durante ato, batizado de Marcha pela Democracia, na avenida Paulista.

HORA DA VERDADE – “O que eles não podem é tentar protelar para enganar o povo depois das eleições. Agora é a hora da verdade. O PL tem que dizer se ele é favorável aos trabalhadores descansarem mais ou se quer que os trabalhadores continuem trabalhando mais”, completou.

A proposta, já aprovada pela Câmara, em maio, e pela CCJ do Senado, no início de setembro, reduz a jornada de trabalho de 44 horas semanais para 40 horas, com a concessão obrigatória de duas folgas semanais, uma delas preferencialmente aos domingos. A alteração constitucional prevê uma transição para a redução das quatro horas semanais.

A primeira etapa começa a valer 60 dias depois da promulgação, com a redução da jornada semanal a 42 horas. A segunda e última fase, a redução para 40 horas, será aplicada 12 meses depois. A redução na jornada, segundo a PEC, não pode resultar em redução salarial.

MODELO ALTERNATIVO – O candidato Flávio Bolsonaro (PL) defende um modelo alternativo para a mudança de jornada, com remuneração por hora trabalhada. Direitos como férias, 13º e FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) seriam mantidos, mas também seriam pagos de forma proporcional.

A PEC deve passar nesta semana pelas duas últimas sessões de discussão antes da votação em primeiro turno. O texto está na pauta das sessões de terça-feira (13) e quarta-feira (14) do plenário do Senado.

Preocupada com um possível efeito eleitoral positivo para Lula, a oposição, a oposição no Senado tentou adiar o início da análise para depois das eleições. Senadores de PL, PP e Republicanos se reuniram na última quarta-feira (7) para tentar fechar uma estratégia diante do início da discussão da PEC no plenário.

SEM SUCESSO – A senadora Tereza Cristina (PP-MS) foi escalada para tentar, com Alcolumbre, evitar que a votação aconteça antes do segundo turno, marcado para 25 de outubro, mas não obteve sucesso.

O regimento do Senado prevê que alterações constitucionais sejam discutidas em cinco sessões plenárias antes da votação em primeiro turno. Alcolumbre, a quem cabe decidir o que entra ou não na pauta, disse que colocará a PEC em votação na próxima quarta-feira (14).

Na última semana, a Casa começou a discutir a proposta. Na terça (6), o governo Lula mobilizou sua base e conseguiu que a primeira das cinco sessões para discutir a PEC fosse dominada por discursos favoráveis à modificação.

DESONERAÇÃO – Essa é uma das apostas de Lula para aumentar sua popularidade e angariar votos na reta final das eleições para o Executivo. Na última sexta-feira (9), a 16 dias do segundo turno, o governo Lula anunciou a renovação e a ampliação da desoneração de impostos federais sobre etanol e gasolina e a criação de uma subvenção exclusiva à importação do diesel.

A medida zera os impostos federais sobre a gasolina (R$ 0,89/litro), renova o subsídio do etanol anunciado em setembro (R$ 0,19/litro) e acrescenta a subvenção à importação do óleo diesel (R$ 1,40/litro). De acordo com o Ministério do Planejamento, todas as ações para conter o preço dos combustíveis já somam R$ 41 bilhões.

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