Polícia Federal quer investigar também a tentativa de obstrução da CPMI das Fake News

Blogueiro Allan dos Santos mostra "dedo do meio" para o STF

Allan dos Santos é uma figura-chave dessas investigações

Pepita Ortega, Rayssa Motta e Fausto Macedo
Estadão

A Polícia Federal sugeriu a abertura de uma investigação para apurar se apoiadores bolsonaristas tentaram obstruir os trabalhos da CPMI das Fake News. O documento foi enviado ao Supremo Tribunal Federal em dezembro, no curso do inquérito dos atos antidemocráticos. Mensagens obtidas pela PF apontam que membros de um grupo de WhatsApp batizado de ‘Conselheiros do TL’ tentaram convencer a deputada federal Bia Kicis (PSL-SP) a ‘derrubar’ a convocação de João Bernardo Barbosa para prestar depoimento na comissão parlamentar.

Apontado como sócio do blogueiro Allan dos Santos, dono do portal Terça Livre, Barbosa é descrito pela PF como a pessoa ‘que paga as contas de Allan’. Uma das mensagens teria sido enviada por Ayres – provavelmente Bruno Ayres, segundo a PF, outro sócio do Terça Livre – em novembro de 2019.

MENTIU NA CPMI – Os investigadores dizem ainda que Allan teria mentido em depoimento na CPMI das Fake News sobre a composição societária da empresa Terça Livre. “A investigação identificou que Allan dos Santos atestou em seu depoimento que João Bernardo Barbosa era apenas um voluntário do Terça-Livre, minimizando sua participação nos fatos. Não há clara indicação das circunstâncias, impondo-se o aprofundamento para verificação da repercussão”, aponta a PF.

Em outra frente, a Polícia Federal lança dúvidas sobre o recebimento de dinheiro de monetização do canal Terça Livre via Google.

Os investigadores sugerem um inquérito à parte para investigar a hipótese de ‘envio de valores ao exterior com a interposição de pessoas (BBTV)’. As suspeitas surgiram durante a análise do material apreendido com Allan dos Santos na Operação Lume.

O DINHEIRO VIAJA – “Identificou-se que ao menos uma parte do dinheiro retorna ao Brasil via Paypal, bem como por meio de alguns pagamentos de despesas de Allan e do site do Terça Livre realizados pelo sócio João Berbardo (empresário brasileiro residente nos EUA e vinculado ao canal). Permanece a necessidade de aprofundamento, a fim de verificar se esses pagamentos são feitos com valores da monetização pagas via empresa canadense e a motivação para a interposição de pessoas físicas e jurídicas, bem como a correta identificação do fluxo de monetização. Registre-se que há menção a um processo de criação da empresa Terça Livre Internacional, que seria sediada no exterior”, registra a PF.

O relatório da Polícia Federal aponta que os investigadores chegaram a formalizar uma representação para que o Google enviasse dados relacionados a pagamentos efetuados à BBTV, empresa estrangeira que presta consultoria a criadores de conteúdo, possivelmente destinados ao Terça Livre.

A PF também chegou a tentar uma cooperação jurídica com o Canadá para averiguar o ‘caminho do dinheiro’. Segundo a Polícia Federal, o governo canadense pediu que as autoridades brasileiras ‘enviem mais dados indicadores do envolvimento de Allan dos Santos nos fatos investigados’.

DOAÇÃO DE VALORES – Há ainda uma outra linha de investigação que atinge o Terça Livre, relacionada a doações de valores para o site. A PF aponta ‘possível interposição de pessoas para lavagem de capitais’. Os investigadores dizem que no curso das investigações foi identificado que o site bolsonarista e pessoas vinculadas a ele ‘recebem valores significativos doados ao canal por meio de plataformas de crowdfunding, feitos por meio de sites de doação ou diretamente em contas pessoais’.

“Durante a busca e apreensão executada na residência de Allan dos Santos, foi encontrada uma planilha de doadores do canal Terça Livre, via plataforma apoia-se, contendo mais de 1700 linhas. Entre os 16 primeiros doadores, há um servidor público do Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro que realizou 27 transações que totalizaram R$ 40.350,00, um servidor da Secretaria da Fazenda do Rio de Janeiro, realizou 31 transações que totalizaram R$ 15.500,00, um servidor do Senado Federal que doou, em três transações, R$ 15.000,00. Já uma servidora do BNDES doou diretamente na conta de sócio do Terça Livre ao menos R$ 70.000,00”, registra a representação da PF.

INQUÉRITO À PARTE – A Polícia Federal propôs as apurações em inquéritos apartados da investigação sobre os atos antidemocráticos. No relatório enviado em dezembro ao Supremo Tribunal Federal, a corporação aponta que há necessidade de aprofundamento dos fatos em procedimentos específicos.

Ao todo, os investigadores pediram oito frentes de apuração independentes, incluindo uma investigação sobre os mecanismos usados pela Secretaria Especial de Comunicação Social da Presidência (Secom) que podem ter favorecido canais bolsonaristas e antidemocráticos com anúncios publicitários custeados com dinheiro público.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG –
Ao pedir o arquivamento do inquérito dos atos antidemocráticos, aberto após manifestações defendendo a volta da ditadura militar, intervenção das Forças Armadas e atacando instituições, a Procuradoria-Geral da República se manifestou sobre essas novas investigações pedidas pela PF e defendeu que a documentação sobre os ‘eventos identificados’ ao longo das apurações fosse enviada para as Justiças Federal e Estadual. Ou seja, Aras tentou esfriar as denúncias. (C.N.)

Bolsonaro quer Crivella como embaixador, mas ele não pode sair do país e está com passaporte apreendido

Crivella e Bolsonaro

Marcelo Crivella procura seu passaporte, mas não acha

Lauro Jardim e João Paulo Saconi
O Globo

O Itamaraty quer fazer de Marcelo Crivella embaixador do Brasil na África do Sul. Beleza. Mas mesmo se o governo sul-africano der o o.k. e ainda que o Senado aprove o nome do ex-prefeito que não conseguiu passar o cargo ao sucessor por que estava preso, restará outro obstáculo a ser superado.

Talvez o Itamaraty tenha esquecido, mas na decisão que, em fevereiro, livrou Crivella da prisão domiciliar, Gilmar Mendes foi cirúrgico: o bispo estava proibido de deixar o país. Mais: foi obrigado a entregar o seu passaporte à Justiça.

LIVRO DE CRIVELLA – Após o convite de Jair Bolsonaro, o nome de Marcelo Crivella terá de ser aprovado no Senado e submetido às autoridades da África do Sul para se tornar o novo embaixador do Brasil em Pretória. Se tiverem acesso ao livro “Evangelizando a África”, que o bispo da Igreja Universal escreveu em 1999, o governo sul-africano pode acabar pensando duas vezes antes de aceitar a indicação.

Na obra, Crivella relata uma década de trabalho como missionário evangélico em países do continente. Sem comprovações, afirma que as religiões que encontrou por lá praticam o sacrifício de crianças e ainda sugere que “as tradições africanas permitem toda sorte de comportamento imoral, até mesmo com crianças de colo”.

Também há a afirmação de que os cultos que envolvem o sacrifício de animais em ofertas a entidades são um “ritual satânico que deve ser evitado”.

FEITICEIROS E BRUXOS – Ao mencionar os praticantes dessa fé, os editores do livro, na introdução, os classificam como “feiticeiros e bruxos, conhecidos no Brasil como pais, mães e filhos-de-santo”.

Quando essas e outras palavras vieram a público, na campanha de Crivella à Prefeitura do Rio, em 2016, o então candidato se desculpou, com foco sobretudo nas ofensas que também fez ao catolicismo. Na mensagem, reforçou o preconceito diante dos espíritas ao dizer que, na época em que escreveu o livro, vivia num “ambiente de guerras, superstição e feitiçaria”.

Crivella poderá ter uma nova oportunidade de se retratar. Caso o governo decida prosseguir com a indicação, ele será sabatinado pelo Senado, onde trabalhou por dois mandatos. A propósito, será que a Funag, a fundação de estudos do Itamaraty, que publica diversos livros, se animará em editar a obra máxima do pensamento de Crivella?

As empresas de maior futuro combinam equilíbrio ambiental, social e governança.

Ilustração de Johan Jarnestad (Arquivo Google)

Eurípedes Alcântara
O Globo

O lendário investidor Warren Buffett fez uma comparação assombrosa na última reunião anual da sua não menos influente Berkshire Hathaway. Buffett comparou a lista das 20 empresas mais valiosas em Bolsa em 1989 à das 20 mais valiosas atualmente. Nenhuma das 20 campeãs de 30 anos atrás continua na lista de agora.

Buffett, então, desafiou a audiência virtual a supor quantas das atuais 20 empresas mais valiosas poderão ser encontradas na mesma lista daqui a 30 anos.

A REALIDADE MUDA – Disse ele: “Estávamos tão certos e confiantes em 1989 quanto à permanência daquelas empresas quanto estamos em relação às de agora, mas a realidade sempre pode mudar dramaticamente”.

A realidade não costuma ligar muito para nossos prognósticos, profecias e adivinhações. Felizmente para quem, como Buffett, vive de fazer apostas sobre o rumo dos ventos, algumas tendências dão pistas das sendas abertas pelas novas sensibilidades. Como diz a expressão consagrada, “siga o dinheiro”.

ATIVOS SUSTENTÁVEIS – Os grandes gestores globais sempre foram mais aptos a decifrar tendências duradouras em meio a modismos passageiros. Agora, o maior deles, a BlackRock, com US$ 7 trilhões em carteira de dinheiro dos outros, lidera com crescente convicção o que classifica de “mudança tectônica do capital rumo aos ativos sustentáveis”.

Ativos sustentáveis são empresas comprometidas com o fenômeno já bastante conhecido pelas três letras ESG em inglês, ou ASG em português — Ambiental, Social e Governança.

São empresas, obviamente na busca do lucro, pautadas pela preservação dos bens naturais, corte drástico das emissões de carbono na atmosfera e pela contratação de pessoas sem barreiras de gênero, cor ou religião.

VALOR DA AÇÕES – É mais inesperado ainda por trincar um dos pilares da economia de mercado, segundo o qual a única régua para medir o sucesso de uma companhia é quão bem ela remunera seus acionistas.

O ESG entrou como um torpedo no casco do mundo empresarial. Em menos de dois anos, saltou de uma ideia adotada por alguns líderes visionários para uma incômoda guinada no ambiente de negócios. Nos bolsões sinceros, mas fundamentalistas do mercado, o ESG ainda tem um grande número de — ia escrever negacionistas, mas seria exagero — descontentes.

Nada mais previsível. A paisagem mudou muito rápido, principalmente pela força da troca de comando geracional. Ao mesmo tempo, num movimento de pinça na cadeia produtiva, uma mesma geração de jovens naturalmente “esguianos” chegou ao poder nas empresas e na ponta do consumo.

A NOVA TENDÊNCIA – A mais completa pesquisa de aderência ao ESG mostra isso com clareza. A pesquisa da BlackRock, feita em setembro do ano passado, revela diferentes graus de adesão — 62% na Europa, 25% nas Américas e apenas 12% na Ásia.

O mais surpreendente, porém, é que, independentemente do comprometimento atual, a imensa maioria dos entrevistados pretende dobrar os ativos sustentáveis sob sua gestão nos próximos cinco anos. Apontam como respostas para a mudança, em primeiro lugar, uma razão moral, “ser a coisa certa a fazer”, mas também por “exigência dos clientes”, para “evitar passivos reputacionais e de investimentos”.

A segunda maior razão apontada é a que mais harmoniza a busca de lucro com os novos tempos: “melhor desempenho ajustado ao risco”. Ou seja, fazer a coisa certa parece ser também a menos arriscada e mais rentável.

INDICADORES PRECISOS – Os descontentes têm razão quando apontam ser preciso normatizar quais são os indicadores precisos do que seja sustentabilidade em cada tipo de empresa e de região do planeta. Muito do que se faz passar por sustentável hoje é apenas fachada ou greenwashing.

Tentando responder a Warren Buffett, é razoável supor que, daqui a 30 anos, as 20 empresas mais valiosas do planeta serão todas aderentes aos conceitos de ESG? Impossível afirmar que sim, pois a realidade tem a mania de nos contrariar, mas é bastante provável.

Ciro evita chamar Bolsonaro de “genocida” e prefere classificá-lo como “traidor”

Ciro lança vídeos curtos para pavimentar sua campanha

Sofia Aguiar
Portal Terra

Contrariando a onda de políticos que passaram a chamar o presidente Jair Bolsonaro de “genocida”, o pedetista Ciro Gomes afirma que há só uma palavra para definí-lo, defendendo o uso da expressão “traidor” para definir o chefe do governo.

Segundo o ex-ministro, pré-candidato à Presidência pelo PDT, “é tão vital denunciar Bolsonaro que as pessoas gastam, às vezes, um montão de palavras feias para defini-lo. Mas basta só uma: traidor”.

CITANDO AS TRAIÇÕES – Em vídeo publicado nas redes sociais nesta segunda-feira, 07, Ciro cita as “traições”, que a seu ver foram cometidas pelo presidente e que estariam ligadas ao prometido na campanha eleitoral de 2018.

“Traiu a religião, porque defende a morte no lugar da vida, e prega o ódio, no lugar do amor e da superação. Traiu as Forças Armadas, traiu a democracia, traiu nosso País”, declarou. Durante a narração de Ciro no vídeo, a palavra “traidor” aparece estampada em prédios.

Na avaliação do ex-ministro e pré-candidato a presidente em 2022, Bolsonaro só não traiu sua família e a si próprio “porque ele é a própria traição escancarada, a traição em pessoa”, finaliza o vídeo.

MARQUETEIRO – Desde 22 de abril, a comunicação do PDT tem sido comandada pelo publicitário João Santana, ex-marqueteiro do PT, contratado pelo presidente do partido, Carlos Lupi.

Nas últimas semanas, Ciro começou a publicar vídeos em tom de campanha eleitoral para 2022, já como trabalhos iniciais do marqueteiro que trabalhou para Lula e Dilma Rousseff.

Por temer o ridículo, o Exército impõe 100 anos de sigilo ao processo de Pazuello

Crédito: Sérgio Lima/ AFP

O problema é tudo o que Pazuello faz parece meio ridículo

Francisco Leali
O Globo

O Exército negou acesso ao processo administrativo, já arquivado, sobre a participação do general Eduardo Pazuello em ato político ao lado do presidente Jair Bolsonaro no final de maio no Rio de Janeiro. Em resposta a pedido formulado pelo GLOBO, o Exército respondeu que o processo contém informações pessoais e citou o dispositivo da Lei de Acesso à Informação (LAI) que garante, nessas situações, o sigilo por 100 anos. A decisão ignora entendimentos já firmados pela Controladoria Geral da União (CGU).

Em vários casos semelhantes, a CGU determinou a entrega dos documentos considerando que os procedimentos administrativos só devem ficar sob segredo enquanto a apuração está em curso. Depois de concluído, qualquer cidadão pode requerer o acesso ao chamado PAD.

ACESSO RESTRITO – Em resposta ao pedido do GLOBO, o Serviço de Informação ao Cidadão do Exército esclareceu que “a documentação solicitada é de acesso restrito aos agentes públicos legalmente autorizados e à pessoa a que ela se referir”.

Ainda cabe recurso à decisão de tornar o processo administrativo disciplinar sigiloso por 100 anos. Caso o Exército mantenha a ordem de restrição de acesso há possibilidade de interposição de apelação a CGU que detém inúmeros precedentes determinando a liberação da informação.

Segundo o Manual de Processo Administrativo Disciplinar da CGU, “os procedimentos disciplinares têm acesso restrito para terceiros até o julgamento”. Em casos já julgados pela Controladoria, quando houve pedido de acesso a íntegra de processos administrativos disciplinas por cidadão e o órgão se recusou a dar acesso, a decisão final foi para liberar a consulta ao processo.

CGU QUER TRANSPARÊNCIA – “A Controladoria Geral da União construiu entendimento, indicando que qualquer particular, independentemente de ser parte interessada ou não, tem o direito a ter vistas e receber cópias dos autos de processos administrativos disciplinares já encerrados”, diz parecer da CGU.

A controladoria abre uma exceção para vedar acesso a informações como dados bancários e fiscais, “informações pessoais sensíveis de terceiros e informações relativas à identificação de eventual denunciante”.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG –
O Exército precisa mesmo manter em sigilo esse processo administrativo sobre Pazuello, porque o arquivamento é uma decisão de cunho político que beira o ridículo. Aliás, o Brasil atravessa uma fase patética, surrealista e até mesmo cômica, devido à performance dos próceres da República. Não dá para levá-los a sério, é missão verdadeiramente impossível. (C.N.)

Na CPI, a atuação mais ridícula é de Eduardo Girão, que pensa ser “enviado de Deus”

Girão não quer apurar nada e fica tumultuando a CPI

Vicente Limongi Netto

Na CPI da Covid, o senador Eduardo Girão (Podemos-CE) está se comportando como um franciscano de plástico, enfiou na cabeça que é enviado de Deus. Desagradável e empolada figura, usa em vão o nome de Alan Kardec para exibir toda sua colossal subserviência ao Palácio do Planalto.

Fantasiado de homem puro para salvar os pecadores do planeta e da CPI da Covid, dorme com sandálias da blasfêmia. O que seria dos bons espíritos se Girão não existisse? O “paz e bem” da boca para fora do loroteiro Girão ecoa como lições de cinismo e oportunismo, na comissão.  #xôgirão.

AMEAÇAS E OFENSAS – O senador Renan Calheiros está recebendo insultos e ameaças pelo WhastsApp e redes sociais. É a tática imunda e covarde dos fantoches governistas tentando intimidar o relator da CPI da Covid. Calheiros reage com bom humor e avisa que não vai ficar “batendo boca com robozinho”.

Essa robotização é uma praga de abjetos e subservientes rastejando para alquimistas palacianos. É o desespero batendo na porta do governo. As investigações apuradas e checadas pela CPI anunciam nuvens negras e fortes tempestades nos telhados do Palácio do Planalto.

Os alicerces e paredes da bela obra de Oscar Niemeyer vão tremer. O último a fugir do terremoto que chame Bolsonaro e o serviçal fardado, Eduardo Pazuello para apagar as luzes da empulhação, do deboche e insensibilidade diante das mais de 470 mil mortes, vítimas da pandemia.

EXISTEM LIMITES – Afirmações firmes, republicanas e serenas do presidente da Câmara, deputado Arthur Lira, no Correio Braziliense de 03/06, a propósito da reforma administrativa, advertindo que precisam ser fixados e salientados limites para engravatados oportunistas, palanqueiros e demagogos:

“Esta presidência não admitirá, em hipótese alguma, nenhum ataque aos servidores atuais, ao direito adquirido, a tudo que está posto hoje na legislação”, disse Lira, explicando que a Constituição é clara a respeito.

Ministro indica compra de 90 tratores e 21 máquinas com verbas do orçamento secreto

Rogério-Marinho

Marinho não tem como explicar tanta generosidade

Breno Pires
Estadão

O ministro do Desenvolvimento Regional, Rogério Marinho, empenhou recursos do orçamento secreto para a compra de 90 tratores, nove motoniveladoras e 12 pás carregadeiras para o Rio Grande do Norte, seu estado de origem. As verbas foram direcionadas à Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf).

Revelado numa série de reportagens do Estadão, o orçamento secreto é um esquema criado pelo governo de Jair Bolsonaro, no ano passado, para beneficiar aliados políticos com indicação de destinação de recursos das emendas de relator-geral (de sigla RP9) e garantir apoio no Congresso.

DEPOIMENTO – Marinho vai depor hoje na Comissão de Trabalho da Câmara. Deputados querem que o ministro explique o esquema do orçamento secreto montado pelo governo, como revelou o Estadão.

Apesar de declarar que o Legislativo tem o domínio do orçamento secreto, Marinho também teve sua cota de indicações dentro do total de R$ 3,3 bilhões empenhados pelo governo federal em dezembro, só da parte do Ministério do Desenvolvimento Regional. Dos R$ 130 milhões que o gabinete do ministro direcionou — sem ser a pedido de parlamentares —, dois terços (R$ 88 milhões) têm como destino o Rio Grande do Norte.

Os preços previstos para essas aquisições superam os valores que a Codevasf vai pagar para a compra de máquinas dos mesmos tipos também com recursos originários das emendas de relator-geral do orçamento. Além disso, estão acima da tabela de referência de preços da própria pasta.

OUTROS CONVÊNIOS – Do montante definido pelo gabinete do ministro, R$ 76,4 milhões serão executados pela Codevasf. Além disso, a pasta firmou convênios com municípios do Rio Grande do Norte com valores que, ao todo, chegam a R$ 11,5 milhões.

Os investimentos vão para pavimentação, compra de máquinas, perfuração de poços artesianos e implantação de sistema de abastecimento de água em vilas.

As indicações aparecem com a sigla “GM” (Gabinete do Ministro) no planilhão elaborado pelo ministério, em que se pode ler os nomes de mais de 285 parlamentares dos agraciados com cotas dentro do bolo de R$ 3,3 bilhões que a pasta do Desenvolvimento Regional empenhou em dezembro, enquanto o governo articulava para eleger o deputado Arthur Lira (Progressistas-AL) presidente da Câmara dos Deputados e o senador Rodrigo Pacheco (DEM-MG) presidente do Senado.

DIFERENÇA DE PREÇOS – Indicado pelo ministro, um Termo de Execução Descentralizada (TED) prevê a compra de 90 tratores agrícolas, pela Codevasf, junto à empresa CNH Industrial Brasil LTDA, pelo preço de R$ 112 mil por unidade, com custo total de R$ 10 milhões, para entrega no Rio Grande do Norte.

Por outro lado, a Codevasf vai pagar por cada um dos onze tratores que vai entregar em Pernambuco o preço de R$ 92 mil. Nos dois casos, os tratores têm 75 cavalos e tração 4×4. Apesar disso, a diferença de custos, no entanto, é de 21%.

Além dos tratores, o ministro também indicou a compra de motoniveladoras com valores elevados. No Portal da Transparência, é possível ver que a empresa XCMG Brasil Indústria LTDA fornecerá à Codevasf no Rio Grande do Norte nove máquinas do tipo ao preço unitário de R$ 695,5 mil. O valor representa 43% a mais do que a própria Codevasf vai pagar à mesma empresa XCMG por cada uma das seis motoniveladoras que serão entregues em Minas Gerais também com recursos do orçamento secreto — o custo unitário sairá por R$ 462 mil, de acordo com o Portal da Transparência.

MAIS DIFERENÇAS – Também está prevista a compra de doze pás carregadeiras com valor unitário de R$ 345 mil, via Codevasf, junto à empresa Otmiza, para entrega no Rio Grande do Norte. O valor por é cerca de R$ 95 mil a mais do que a Codevasf pagará para a entrega de pás carregadeiras em Minas — R$ 249 mil.

Os valores totais para as aquisições dessas máquinas pesadas para o Rio Grande do Norte são R$ 20,4 milhões. Se fossem praticados os preços que a Codevasf pagará em outros estados, por itens do mesmo tipo, a economia seria de R$ 5 milhões.

O uso das verbas por indicação do gabinete do ministro contradiz a versão apresentada por Marinho sobre quem controla o destino dos recursos da emenda de relator-geral do orçamento, chamada de RP9.

ALEGA “PRERROGATIVA” – O ministro afirma que é “prerrogativa” do Congresso o direcionamento dos valores. O Estadão tem mostrado que a definição cabe ao governo, mas o Executivo resolveu entregar a aliados o controle do orçamento em dezembro de 2020. A destinação, como foi feita, descumpriu regras orçamentárias e vetos do presidente Jair Bolsonaro, e foi feita de maneira desigual, priorizando apoiadores do governo.

A pasta atribuiu a fatores logísticos e geográficos os custos elevados das máquinas que serão compradas pela Codevasf para o Estado, na comparação com os preços que a empresa pagará em outros estados por itens do mesmo tipo. As compras, segundo o ministério, acontecem em diferentes processos licitatórios, estados e quantidades. “A regionalização das licitações é prática consolidada que segue recomendações dos órgãos de fiscalização e controle. Fatores logísticos, como frete, quantidade de equipamentos e impostos, podem influenciar no preço”, ressaltou.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Esse orçamento paralelo fede a quilômetros de distância. E os sobrepreços são inexplicáveis. São uns ratos, é a única explicação. (C.N.)

Bolsonaro acelera o passo na estrada que pode levá-lo ao autoritarismo

Charge do Nani (nanihumor.com)

Pedro do Coutto

Os últimos acontecimentos na área política e na esfera militar assinalam o ingresso mais rápido de Jair Bolsonaro na estrada que separa a democracia  do reencontro do governo com o tempo que antecedeu a posse de José Sarney na Presidência da República.

O propósito de Bolsonaro ganhou mais nitidez com a solução aplicada ao episódio Eduardo Pazuello na caravana de motociclistas no Rio de Janeiro. Bolsonaro firmou o seu conceito contra a punição do ex-ministro da Saúde que assumiu a Secretaria de Logística, cargo criado para circunstâncias do momento, representando também um alinhamento das Forças Armadas ao lado do sombrio objetivo que, no fundo, em seu conteúdo propõe a destruição da democracia.

RUMOS INCERTOS – Merval Pereira, no O Globo de domingo, e Fernando Gabeira, no O Globo desta segunda-feira, focalizam os rumos incertos nos quais trafega o presidente da República. Ele não deseja somente ser reeleito. Na realidade, está disposto a abrir mão da democracia se mantiver o apoio militar para a sua aventura golpista.

Para alguém que em 2020 iniciou a campanha sucessória para as urnas de 2022, Bolsoanro demonstra tacitamente que alcançou o poder e desse poder não deseja se afastar. E, de preferência, sem o apelo às urnas. O apelo de Jair Bolsonaro agora dirige-se mais para as armas, pois sentiu, de acordo com a pesquisa no Datafolha a qual me referi ontem, que não baterá Lula da Silva na disputa de 2022.

CONTRA A DEMOCRACIA – A anulação das sentenças contra Lula levou a um novo panorama que não é desconhecido para aqueles que, apoiando Bolsonaro, não escondem que rejeitam a democracia. Aliás, é só recorrer ao arquivo de imagens sobre a manifestação de Brasília em frente ao Forte Apache, quando radicais da direita ostentavam cartazes destacando a ditadura militar como o melhor caminho para Bolsonaro transformar-se de presidente em um imperador. Com esses apoiadores e com as forças militares com as quais Bolsonaro conta, aponta-se uma solução de força fazendo a democracia submergir no lago da capital.

Além das duas análises as quais me referi, de Merval Pereira e Fernando Gabeira, pode-se acrescentar uma série de artigos de Ruy Castro, na Folha de São Paulo, iluminando o trajeto sombrio que coloca em risco a população brasileira. Um recuo no tempo e a volta de um regime de exceção que tantas marcas deixou na história brasileira. As forças democráticas necessitam se unir imediatamente porque, se divididas, permitirão a escalada que Bolsonaro tanto pretende para se estabelecer no topo do poder.

SEM FISCALIZAÇÃO –  Na noite de domingo, o Fantástico da TV Globo focalizou os mais recentes desabamentos na Zona Oeste do Rio que se sucederam em construções de edifícios sem o menor critério de segurança. Outro dia aconteceu na região do Muzema, com pessoas perdendo suas vidas. Na última semana, o mesmo ocorreu em Rio das Pedras. Onde está a fiscalização da Prefeitura ? Onde está a fiscalização do governo estadual? Em lugar algum, tanto é que as milícias e o tráfico de drogas estão ocupando espaços cada vez maiores na Cidade.

A corrupção se transformou em rotina, de exceção à regra. E, nessa regra, só os bandidos dominam. O Rio de Janeiro é um exemplo dramático da desonestidade e um desafio à Segurança Pública.

No Rio governos se sucederam ao ritmo das prisões. Agora mesmo, na última semana, o ex-governador Fernando Pezão  foi condenado a mais de 20 anos de prisão. Está se tornando cada vez menos possível o combate aos crimes que a cada dia ocupam maiores espaços. Ninguém se iluda: mantido o ritmo atual, não se poderá mais sair de casa no império da ilegalidade e da desordem. O Brasil e o Rio de Janeiro estão sob ameaça.

“Estamos realmente sós?” Novo relatório oficial dos EUA sobre OVNIs deixará o mistério no ar

As imagens do OVNI triangular foram publicadas no Twitter na última semana pelo documentarista Jeremy Corbell

Essas imagens do OVNI triangular foram feitas pela Marinha dos EUA

Deu no Correio Braziliense

Ao que tudo indica, ainda não será desta vez que teremos uma resposta para a já clássica indagação: nós, terráqueos, estamos realmente sós? Aguardado com grande expectativa, o relatório oficial dos Estados Unidos sobre os arquivos secretos do governo que tratam de OVNIs, os objetos voadores não-identificados, não trará uma conclusão sobre o tema, segundo a mídia norte-americana.

De acordo com o jornal The New York Times e outros meios de comunicação dos EUA, as Forças Armadas e a Inteligência americanas não encontraram nenhuma evidência da existência de naves extraterrestres. Entretanto, o relatório a ser encaminhado ao Congresso americano não explica dezenas de fenômenos e incidentes, alguns filmados por pilotos, de modo que a existência de alienígenas não pode ser absolutamente descartada.

SEM EXPLICAÇÃO – O The New York Times, que cita altos funcionários ouvidos sob condição de anonimato, informou que o documento conclui que a maioria dos cerca de 120 incidentes nos últimos 20 anos não tem nada a ver com o desconhecido, segredos militares americanos ou tecnologia do governo. Também não estão relacionados a objetos como balões de pesquisa que, para alguns, estariam por trás dos relatos.

E é por esse motivo que a investigação não explica, por exemplo, o que pilotos da Marinha dos Estados Unidos teriam exatamente visto quando filmaram objetos viajando a velocidades quase hipersônicas, girando e desaparecendo misteriosamente.

A quantidade do que o Pentágono chama de “Fenômenos Aéreos Não Identificados” (UAP) trata-se de um dado sério quando adversários dos EUA, como Rússia ou China, podem estar usando tecnologias de vigilância desconhecidas e altamente avançadas.

RELATÓRIO FINAL – A investigação sobre os OVNIs foi solicitada no ano passado e o resultado será enviado ao Legislativo até o fim do mês pela diretora nacional de Inteligência, Avril Haines.

O relatório principal pode ser tornado público, mas terá anexos que serão mantidos em sigilo. O The Washington Post, a exemplo do jornal nova-iorquino, assinalou que o documento “não oferecerá conclusões firmes sobre quais objetos (…) poderiam ser”.

O interesse na possibilidade de vida extraterrestre altamente inteligente foi ainda mais alimentado depois que o Pentágono lançou, no ano passado, vídeos nos quais os pilotos se mostraram espantados com objetos desconhecidos que se moviam rapidamente.

FALAM OS PILOTOS – Além disso, tiveram grande peso comentários de altos funcionários com acesso a relatórios de inteligência, incluindo o ex-presidente Barack Obama, e um relatório do programa 60 Minutos, da CBS, no qual os pilotos deram seus depoimentos. Os comandantes da Força Aérea americana disseram ter visto naves que voavam mais rápido e eram mais ágeis do que qualquer outra conhecida.

“O que é certo, e falo isso realmente a sério, é que há imagens e registros de objetos no céu que não sabemos exatamente o que são”, ressaltou, por sua vez, Barack Obama ao The Late Show, da rede CBS, em 17 de maio passado.

“Há muito mais avistamentos do que os que foram divulgados”, disse John Ratcliffe, que foi diretor de Inteligência Nacional nos últimos oito meses do governo Donald Trump, em entrevista ao canal Fox News, em março. “Muitas aparições foram tornadas públicas. Há momentos em que não temos boas explicações para muitas coisas que vimos”, observou.

TECNOLOGIA AVANÇADA – O especialista Luis Elizondo, que trabalhou na investigação do Pentágono e defende a divulgação do que é conhecido, afirmou que muito do que é visto sugere uma tecnologia extremamente avançada e desconhecida pelos humanos.

“Se as informações do New York Times estiverem corretas, os objetos vistos pelos pilotos ao redor do mundo são muito mais avançados do que qualquer outra tecnologia terrestre conhecida por nossos serviços de inteligência”, tuitou Elizondo. “É hora de divulgar o relatório completo, vídeos e dados do que vimos no Pentágono”, acrescentou.

No ano passado, o departamento americano da Defesa divulgou três vídeos em preto e branco, gravados por pilotos. Neles, ovnis parecem ser vistos. Os pilotos expressam assombro com o que veem e não dão nenhuma explicação. Para o Pentágono não se trata de extraterrestres, mas de equipamentos tecnológicos criados por rivais dos Estados Unidos e desconhecidos dos pilotos.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Para ilustra a matéria, escolhemos uma imagem recente, divulgada em abril, que o Pentágono confirmou ser verdadeira, gravada por um navio da Marinha. Nas imagens gravadas em equipamento de visão noturna é possível ver ao menos três objetos triangulares no céu. Um deles parece emitir alguma luz que fica piscando. É muita pretensão nossa acreditar que estamos sozinhos no Universo. Essa exclusividade non ecziste, diria o Padre Quevedo. A vida é divina e não a dominamos. Aliás, a existência de vida extraterrena é um questão lógica de Física, Química e Geologia. E a verdade está lá fora, bem longe do Arquivo X. (C.N.)

Estrelas e astros formam um caudal de ilusões insensatas, na poesia de Cruz e Sousa

Nada há que me domine e que me vença Quando a minha alma mudamente acorda... Ela rebenta em flor, ela transborda Nos alvoroços da emoção imensa.... Frase de Cruz e Sousa.Paulo Peres
Poemas & Canções

O poeta João da Cruz e Sousa (1861-1898) nasceu em Desterro, atual Florianópolis. No soneto “As Estrelas”, ele questiona se tais astros não são sentimentos dispersos de primitivos grupos humanos.

AS ESTRELAS
Cruz e Sousa

Lá, nas celestes regiões distantes,
No fundo melancólico da Esfera,
Nos caminhos da eterna Primavera
Do amor, eis as estrelas palpitantes.

Quantos mistérios andarão errantes,
Quantas almas em busca de Quimera,
Lá, das estrelas nessa paz austera
Soluçarão, nos altos céus radiantes.

Finas flores de pérolas e prata,
Das estrelas serenas se desata
Toda a caudal das ilusões insanas.

Quem sabe, pelos tempos esquecidos,
Se as estrelas não são os ais perdidos
Das primitivas legiões humanas?!

Cidadania defende terceira via para 2022 e critica os governos Lula, Dilma e Bolsonaro

Roberto Freire (Cidadania) em lançamento de livro em São Paulo

Roberto Freire, ex-deputado, é o presidente do Cidadania

Deu no Painel da Folha

Um vídeo publicitário elaborado a pedido do presidente do Cidadania, Roberto Freire (PE), defende uma terceira via para 2022 com o mote “bora fazer juntos um futuro melhor para o nosso país”.

O Cidadania é um dos entusiastas de uma eventual candidatura do apresentador Luciano Huck e tentava atrair o global para se filiar à sigla.

DIZ O VÍDEO – O vídeo mostra imagens e trechos de gravações com frases polêmicas de Dilma Rousseff (PT), uma fala em que Luiz Inácio Lula da Silva afirma ser honesto e o presidente Jair Bolsonaro dizendo que “acabou com a Lava Jato”.

“O passado volta para assombrar”, diz o narrador seguido de montagens com fotos da Malevóla, bruxa do desenho da Branca de Neve, com o rosto de Dilma.​

O presidente Jair Bolsonaro é criticado pela condução da pandemia e pela volta da fome no país.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
O Cidadania é o antigo PPS (Partido Popular Socialista), oriundo do histórico Partido Comunista Brasileiro (PCB), liderado por Luiz Carlos Prestes. Mesmo tendo alinhamento com o governo do presidente Jair Bolsonaro (em votações na Câmara dos Deputados, até abril de 2021, votou 83% com o governo, em fevereiro de 2021 o Diretório Nacional aprovou um indicativo de impeachment do chefe do governo. Agora, a defesa da terceira via mostra que o Cidadania entrou no caminho certo, pois o equilíbrio está no meio.  (C.N.)

Bolsonaro é novamente desmentido em público. Desta vez, pelo Tribunal de Contas da União.

No Palácio Alvorada, Bolsonro mente com a maior convicção

Daniel Gullino
O Globo

O Tribunal de Contas da União (TCU) desmentiu o presidente Jair Bolsonaro e afirmou que não fez um relatório que apontasse que 50% dos óbitos atribuídos à Covid-19 no Brasil no ano passado não foram causados pela doença.

“O TCU esclarece que não há informações em relatórios do tribunal que apontem que ‘em torno de 50% dos óbitos por Covid no ano passado não foram por Covid’, conforme afirmação do presidente Jair Bolsonaro divulgada hoje”, disse o TCU, em nota divulgada na tarde desta segunda-feira.

DISSE BOLSONARO – De manhã, durante conversa com apoiadores no Palácio da Alvorada, Bolsonaro falou que estava divulgando “em primeira mão” a informação sobre o suposto relatório, que teria sido divulgado “há alguns dias”.

— Em primeira mão para vocês. Não é meu, é do tal do Tribunal de Contas da União, questionando o número de óbitos no ano passado por Covid. E ali o relatório final, não é conclusivo, mas em torno de 50% por Covid no ano passado não foram por Covid, segundo o Tribunal de Contas da União. Esse relatório saiu há alguns dias, logicamente que a imprensa não vai divulgar, vamos divulgar hoje aqui.

O Palácio do Planalto foi procurado para explicar a origem da informação, mas não respondeu até o momento. Desde o início da pandemia de Covid-19, no ano passado, Bolsonaro já questionou diversas vezes os números de óbitos pelo novo coronavírus, mas nunca apresentou evidências.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Mais um vexame. O presidente da República divulga uma fake news com a maior sem-cerimônia e tem esse constrangimento de ser desmentido publicamente. É impressionante a falta de decoro do atual presidente. Se ainda estivesse conosco, Noel Rosa perguntaria a Bolsonaro: “Quem é você, que não sabe o que diz? Meu Deus do céu, que palpite infeliz…”. (C.N.)

Provas ‘contundentes’ apontam lavagem de dinheiro da Universal em Angola, dizem investigadores

O bispo Edir Macedo, líder da Igreja Universal do Reino de Deus

Riquíssimo, Edir Macedo esta na mira das investigações

Matheus Magenta
BBC News Brasil

As provas reunidas contra quatro integrantes da Igreja Universal do Reino de Deus (IURD) em Angola, denunciados sob acusação de crimes como lavagem de dinheiro, evasão de divisas e associação criminosa no país, são fartas e contundentes, afirmam a Procuradoria-Geral da República (PGR) de Angola e o Serviço de Investigação Criminal (SIC, a polícia federal angolana) em entrevista à BBC News Brasil.

Os quatro investigados no caso são: Honorilton Gonçalves da Costa, ex-representante máximo da Igreja Universal do Reino de Deus em Angola, Fernando Henriques Teixeira, ex-diretor da TV Record África, o bispo António Pedro Correia da Silva (então representante legal da Record e presidente do conselho da IURD em Angola) e o pastor Valdir de Sousa dos Santos.

SOB SIGILO – O processo corre atualmente sob sigilo, mas deve vir a público em breve durante a tramitação judicial que começou em maio, após um ano e meio de investigações por parte da PGR e do SIC.

“Quando você retira dinheiro de um Estado de forma não lícita, você já está a branquear e a violar a lei”, explicou Álvaro João, porta-voz da PGR. Segundo ele, há fatos e provas “que nos levam a chegar à conclusão de que de fato há branqueamento de capitais ou crimes conexos”.

O conceito de branqueamento de capitais no ordenamento jurídico angolano é equivalente à lavagem de dinheiro na legislação brasileira, que se trata de esconder a origem de recursos ilegais por meio de operações comerciais ou financeiras.

PROVAS SUBSTANCIAIS – Manuel Halaiwa, superintendente do Serviço de Investigação Criminal (SIC), afirmou à reportagem que se as provas não fossem contundentes os investigadores da polícia federal angolana não teriam indiciado os quatro acusados brasileiros.

Tanto João quanto Halaiwa disseram não poder dar detalhes das provas obtidas porque o processo está sob sigilo. Mas membros angolanos da Igreja Universal que assumiram o comando da instituição no país têm falado publicamente sobre parte das provas que entregaram aos investigadores e sobre detalhes de como, segundo eles, funcionava o esquema criminoso no país.

Valente Bezerra Luís, bispo que está há 30 anos na IURD Angola e atualmente ocupa o cargo máximo da igreja no país, disse, por exemplo, que grande parte do dinheiro arrecadado com dízimos e doações não passava por contas bancárias, era convertido em dólar no mercado informal e depois levado por bispos e pastores na bagagem para o Brasil ou escondido em carros de luxo para a África do Sul.

BRAÇO DO TV RECORD – Segundo Bezerra Luís, o esquema de lavagem de dinheiro da Universal envolvia o braço da Record no país.

“Pedro Antonio Correia da Silva era o representante legal da Record e ao mesmo tempo era presidente do conselho de direção da igreja. Então vamos entender. A igreja faz programas na Record, e a igreja paga. Quem assina o cheque para pagar a Record é o mesmo representante legal da Record e é o mesmo presidente do conselho de direção da igreja. Quer dizer, ele paga a ele”, disse em entrevista à emissora pública angolana (TPA) no fim de maio.

Atualmente, a Record está fora do ar em Angola, mas isso não tem relação direta com a investigação. Estima-se que a IURD em gola arrecadava anualmente por meio de seus 354 templos cerca de US$ 80 milhões (quase R$ 400 milhões), e mais da metade seja enviada para o exterior de forma ilícita, segundo a denúncia.

TEMPLOS FECHADOS – Atualmente, em razão da investigação, grande parte dos templos foi alvo de busca e apreensão e está de portas fechadas.

Procurada pela BBC News Brasil, a Igreja Universal do Reino de Deus no Brasil refutou todas as acusações, as classificou de fake news e disse que os quatro membros acusados ainda não conseguiram acesso à investigação formal. “Nem a Universal nem seus bispos e pastores praticaram crimes em Angola.”

Moraes retira o sigilo do inquérito dos atos antidemocráticos, que Aras tentara arquivar

Charge do Nani (nanihumor.com)

Márcio Falcão
TV Globo — Brasília

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), retirou o sigilo do inquérito dos atos antidemocráticos, que corria até então em segredo de Justiça. A decisão foi tomada na última sexta-feira (4) e operacionalizada pelos técnicos do tribunal nesta segunda (7). Moraes manteve o sigilo dos anexos.

O inquérito investiga a organização e o financiamento de manifestações que, no ano passado, foram às ruas para defender causas antidemocráticas e inconstitucionais, como o fechamento do Congresso e do STF, e a adoção de um novo AI-5, o ato mais repressor da ditadura militar.

ARAS PEDIU ARQUIVAMENTO – Blogueiros e parlamentares bolsonaristas são investigados no inquérito. A investigação foi aberta em 2020, a pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR). Moraes é o relator.

Na sexta-feira (4), a PGR pediu ao STF o arquivamento do inquérito. A manifestação da PGR ocorreu 5 meses depois que o órgão recebeu da Polícia Federal um relatório parcial apontando a necessidade de se aprofundarem as investigações. A PGR não fez as diligência sugeridas pela PF.

A TV Globo teve acesso ao relatório parcial da PF. No despacho em que determina a queda do sigilo, Moraes cita o relatório parcial: “No caso dos autos, embora a necessidade de cumprimento das numerosas diligências determinadas exigisse, a princípio, a imposição de sigilo à totalidade dos autos, é certo que, diante do relatório parcial apresentado pela autoridade policial – e com vista à Procuradoria-Geral da República, desde 4/01/2021 – não há necessidade de manutenção da total restrição de publicidade”, escreveu o ministro.

RELATÓRIO PARCIAL – No relatório parcial entregue à PGR em janeiro que ficou 5 meses sem resposta, a PF afirma que há “justa causa” para aprofundamento das investigações, mesmo diante de “lacunas” na apuração.

O documento é assinado pela delegada da PF Denisse Ribeiro. Algumas dessas lacunas, segundo ela, ocorreram porque a PF não conseguiu obter provas junto à CPI das Fake News.

Em outro trecho, a PF afirma que a investigação permitiu identificar a “existência de um grupo de pessoas que se influenciam mutuamente, tanto pessoalmente como por meio de redes sociais digitais, com o objetivo de auferir apoio político partidário por meio da difusão de ideologia dita conservadora”.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Aras fica mal no episódio. Passou cinco meses sentado em cima dos autos. Quando levantou o traseiro, pediu arquivamento de um inquérito que ele mesmo abrira… Agora, recebeu o troco. Queria arquivamento e ganhou uma quebra de sigilo. Ponto para o ministro Moraes. (C.N.)

Empresário pagou material de campanha de Bolsonaro sem declarar à Justiça Eleitoral

Otávio Fakhoury (Foto: Reprodução/YouTube)

Otávio Fakhoury colocou dinheiro por dentro e por fora

Aguirre Talento e Mariana Muniz
O Globo

Documentos obtidos pela Polícia Federal indicam que um empresário de São Paulo bancou material de divulgação da campanha de Jair Bolsonaro à presidência da República nas eleições em 2018 sem declarar à Justiça Eleitoral. Ao longo das investigações no inquérito dos atos antidemocráticos, que tramita no Supremo Tribunal Federal (STF), a PF encontrou no computador de Otávio Fakhoury, apoiador de Bolsonaro, notas fiscais emitidas por duas gráficas sediadas na região Nordeste.

Os serviços, contratados pelo empresário, consistiram na impressão de 560 mil itens de propaganda eleitoral de Bolsonaro como panfletos e adesivos com foto do candidato, o número da chapa e a proposta de campanha.

Procurado, o empresário confirma a existência dos documentos, mas diz que eles se referem a “despesas de amigos que fazem parte de movimentos sociais”.

EXPLICA, MAS NÃO JUSTIFICA – “Por não se tratarem de doação à campanha do candidato, não comuniquei a ele, à coordenação da campanha ou a pessoas próximas a ele sobre esses pagamentos. No mais, reitero que todas as minhas contribuições de campanhas eleitorais foram regularmente declaradas aos órgãos eleitorais competentes”, afirma Fakhoury.

Ouvido sobre o caso, um ex-ministro do TSE afirmou que a investigação só poderia caracterizar o crime de caixa dois por parte da campanha caso fique comprovado que a equipe do candidato tinha conhecimento da produção dos panfletos.

Na prestação de contas da campanha de Bolsonaro apresentada ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Fakhoury não aparece como doador oficial. As gráficas contratadas pelo empresário também não constam da lista de fornecedoras.

ALEGA A ADVOGADA – Procurado, o presidente Jair Bolsonaro afirmou através de sua advogada, Karina Kufa, desconhecer a doação:

“O Presidente da República e a equipe de campanha jamais tiveram essa informação, vindo a saber pelo veículo de comunicação sobre essas eventuais despesas, desconhecendo, até o momento, o conteúdo do material publicitário, já que os inquéritos do STF tramitam sob sigilo. Ressalte-se que seria impossível o lançamento de despesa desconhecida, não produzida e não autorizada pela campanha, com base no art. 37 da Res/TSE n. 23.553/17. A campanha presidencial declarou na prestação de contas, aprovada pelo TSE, todos os seus gastos com propaganda, inclusive os materiais confeccionados pela campanha, que foram distribuídos nas reuniões e manifestações nas ruas”.

NO SEGUNDO TURNO – De acordo com a PF, foram encontradas três notas fiscais com o valor total de R$ 53.300,00 e emitidas em nome de Otávio Fakhoury. As duas primeiras datam de 23 de outubro de 2018. A terceira, de 25 de outubro de 2018.

Todas, portanto, são referentes ao período do segundo turno presidencial, disputado entre Bolsonaro e o candidato do PT Fernando Haddad, que tinha votação mais expressiva na região Nordeste, justamente onde o material gráfico foi bancado pelo empresário.

Ainda segundo a PF, as gráficas contratadas por Fakhoury estão sediadas em João Pessoa (PB) e em Natal (RN). O dono de uma delas, José Luciano Araújo dos Santos, fundador da Gráfica Criart, foi procurado pelo GLOBO e confirmou ter prestado os serviços de impressão de material publicitário para a campanha de Bolsonaro, mas não quis falar a respeito do contratante: “Foi tudo passado para a Polícia Federal” — afirmou ele.

EMPRESÁRIO NEGA – Ao prestar depoimento à PF no inquérito dos atos antidemocráticos, Fakhoury foi indagado se fez colaborações à campanha eleitoral de Jair Bolsonaro, mas respondeu que não. O empresário disse apenas ter feito doações oficiais para quatro candidatos do PSL em São Paulo.

Empresário do ramo imobiliário, Otávio Fakhoury entrou na mira do inquérito dos atos antidemocráticos após ter financiado a realização de manifestações com ataques ao STF. Ele faz parte de um grupo de apoiadores do presidente que inclui o dono da Havan, Luciano Hang, e o dono do restaurante Madero, Junior Durski, dentre outros empresários.

Fakhoury chegou a articular a compra de uma rádio por um pool de empresários bolsonaristas para veicular conteúdo favorável ao governo, mas o assunto não avançou. Em seu telefone celular, a PF encontrou conversas frequentes com o deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) a respeito da aquisição da rádio.

OUTRA ACUSAÇÃO – Bolsonaro já é alvo de uma investigação no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob a suspeita de que empresários teriam contratado serviço de disparo em massa de WhatsApp no período eleitoral, também fora da prestação de contas oficial.

O relatório parcial da Polícia Federal sobre o inquérito dos atos antidemocráticos propõe o aprofundamento em duas linhas de investigação, uma delas sobre o repasse de recursos do governo federal para grupos envolvidos com atos antidemocráticos, e outra a respeito da formação de uma milícia digital com perfis falsos para apoio ao governo.

A Procuradoria-Geral da República (PGR), em manifestação enviada ao Supremo Tribunal Federal (STF) na sexta-feira passada, pediu o arquivamento do caso após apontar que a PF desviou o foco da investigação e não encontrou provas do envolvimento de parlamentares. Agora, o caso depende de uma decisão do ministro Alexandre de Moraes.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Nos governos de Fernando Henrique Cardoso, notabilizou-se o “engavetador-geral da República” Geraldo Brindeiro. Julgava-se que sua desfaçatez jamais se repetiria. Mas eis que surgiu do nada o procurador Augusto Aras, que nem se candidatara à lista tríplice, e logo passou Brindeiro para trás, como um insuperável “prevaricador-geral da República”. Quanto ao empresário Otavio Fakhoury, arrolado em dois processos, um deles de fake news aberto pelo STF, e idealizador do partido Aliança pelo Brasil, oficialmente deixou na campanha R$ 110 mil. O resto foi por fora. E vida que segue, como diria João Saldanha. (C.N.)

CPI da Covid quer aprovar a quebra de sigilo de Carlos Bolsonaro e outros sete envolvidos

Vereador do Rio de Janeiro, Carlos Bolsonaro (Republicanos), filho do presidente Jair Bolsonaro (sem partido)(foto: Reprodução)

Carluxo era um dos condutores do Gabinete Paralelo

Julia Lindner e Natália Portinari
O Globo

A cúpula da CPI da Covid, em acordo com a ala oposicionista, que é maioria no colegiado, decidiu colocar em votação nesta terça-feira a quebra de sigilo telefônico e telemático de oito pessoas ligadas ao governo, entre elas o filho do presidente da República, Carlos Bolsonaro (RJ).

Na pauta da sessão, destinada ao depoimento do ministro Marcelo Queiroga, consta também pedido de transferência de sigilo telefônico do ex-ministro Eduardo Pazuello, do ex-chanceler Ernesto Araújo, do ex-secretário de Comunicação da Presidência, Fábio Wajngarten, e suas empresas, e do assessor especial da Presidência, Filipe Martins.

GABINETE PARALELO – Segundo o senador Alessandro Vieira (Cidadania-SE), autor dos pedidos, a ideia é avançar sobre a investigação do “gabinete paralelo” de aconselhamento do presidente na pandemia. Ele sustenta que a CPI já encontrou indícios da participação dessas pessoas nessa estrutura.

— Há a necessidade de apurar de forma aprofundada os relacionamentos entre aqueles que participavam de uma estrutura de assessoramento e aconselhamento na tomada de decisões do presidente da República na pandemia — diz Alessandro Vieira sobre os pedidos.

TERRA E ZANOTTO – Na mesma sessão, o grupo dos independentes e da oposição, apelidados de G7, também pretende aprovar a convocação do deputado Osmar Terra (MDB-RS) e do médico Paolo Zanotto. Os dois aparecem em um evento do Palácio do Planalto, em setembro do ano passado, no qual se levantou a possibilidade de criar um “shadow cabinet” (gabinete das sombras) para discutir questões da vacina para a Covid-19 no Brasil.

Há, ainda, requerimentos de quebra de sigilo telefônico que miram auxiliares que trabalharam com Pazuello, como a secretária Mayra Pinheiro, do Ministério da Saúde, e o marqueteiro Marcos Eraldo Arnoud, conhecido como Markinhos Show. O empresário Carlos Wizard, outro apontado como integrante do “gabinete paralelo”, também deve ter sigilo quebrado.

Clientes têm R$ 8 bilhões a receber dos bancos e precisam saber cobrar, diz o Banco Central

Charge reproduzida do Arquivo Google

Jéssica Sant’Ana
G1 — Brasília

O Banco Central informou nesta terça-feira (1º) que os clientes de bancos têm cerca de R$ 8 bilhões a receber das instituições. Esse montante, conforme o BC, é referente a parcelas e tarifas cobradas indevidamente, além de saldo não sacado após encerramento de conta, por exemplo. Segundo o banco, parte das pessoas não sabe ou não se lembra que tem o dinheiro a receber.

As informações foram dadas durante o anúncio da criação de um sistema para que pessoas e empresas possam consultar se têm algum valor a receber. A expectativa é que o sistema esteja em funcionamento em dezembro.

RECEBER DE VOLTA – O objetivo do sistema é justamente dar publicidade a esses valores e facilitar a consulta. Para receber o dinheiro, pessoas e empresas têm que entrar em contato com a instituição financeira.

“Além disso, a perspectiva de recebimento de valores baixos pode não motivar as pessoas a procurarem as instituições financeiras com as quais mantém ou mantiveram relacionamento atrás de informações”, afirmou o BC em nota.

A expectativa é que o sistema esteja em funcionamento em dezembro, informou o BC. O programa vai se chamar Sistema de Informações de Valores a Receber (SVR), e a consulta será online.

VEJA AS INFORMAÇÕES – O sistema será alimentado pelas seguintes informações que os bancos e demais instituições financeiras precisam repassar ao Banco Central:

+ contas de depósitos em moeda nacional encerradas com saldo disponível;

+ contas de pagamento pré-paga e pós-paga encerradas com saldo disponível;

+ contas de registro mantidas por sociedades corretoras de títulos e valores mobiliários, por sociedades distribuidoras de títulos e valores mobiliários utilizadas para registro de operações de clientes encerradas com saldo disponível;

+ tarifas cobradas indevidamente, não devolvidas ou sujeitas à devolução em decorrência de compromissos com entidades e órgãos reguladores e de fiscalização;

+ parcelas ou obrigações relativas a operações de crédito cobradas indevidamente, não devolvidas ou sujeitas à devolução em decorrência de compromissos com entidades e órgãos reguladores e de fiscalização;

+ cotas de capital e rateio de sobras líquidas de beneficiários e participantes de cooperativas de crédito;

+ recursos não procurados relativos a grupos de consórcio encerrados;

+ outras situações que englobem valores a devolver reconhecidos pelas instituições financeiras.

A partir de outubro, as instituições precisam enviar as informações ao BC mensalmente, exceto no caso dos recursos relativos a grupos de consórcio, que serão informados trimestralmente.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
– Belíssima iniciativa. Tenho interesse todo especial pela tarifas. Um banco (a Caixa), que me cobra uma tarifa só para eu ter a conta, vou lá reclamar. Tem outro (Itaú), que faz o mesmo e ainda me cobrava para eu ter cartão de crédito. Reclamei e eles pararam de cobrar o cartão, falta a tarifa da conta. E um terceiro banco (Bradesco) também cobrava tarifa pela conta, reclamei, porque era conta-salário e eles cortaram. Os bancos têm mentes maquiavélicas que ficam inventando maneiras de nos extorquir (a palavra correta é esta). (C.N.)

Na CPI, o submundo policial do Senado grita o que é ‘ciência boa’ e o que é ‘ciência ruim’

CPI da Covid

Os senadores da CPI deviam equilibrar um pouco a cena

J.R. Guzzo
Estadão

Um dos efeitos mais notáveis da covid, e não só no Brasil, foi ter criado um tipo até então desconhecido de ciência – a ciência estática, na qual um bloco de cientistas tem certeza absoluta de que todo o conhecimento humano existente na área de medicina, por exemplo, chegou ao seu ponto máximo e não pode mais ser ampliado, nem modificado. Não poderia haver uma abordagem diferente para uma questão médica, sobretudo se ela nunca se apresentou antes? Não, não poderia.

A verdade científica, por esta visão do mundo, esgota-se naquilo que o professor Pedro ou o pesquisador Paulo sabem – ou, mais precisamente, naquilo que acham que está certo, ou de que gostam.

CIENTIFICAMENTE CORRETO – Resultado: é proibido discutir, segundo a ciência estática, qualquer afirmação, constatação ou hipótese que não seja aprovada pelos gestores do que se tornou hoje o universo “cientificamente correto”.

Outra maneira, menos paciente, de descrever isso tudo é dizer logo de uma vez que a política, na onda da covid, entrou com as quatro patas na ciência. Nada demonstra essa perversão tão bem quanto a “CPI” da covid, na qual o submundo policial do Senado grita todos os dias o que é “ciência boa” e o que é “ciência ruim”. A primeira é qualquer coisa que sirva aos seus interesses políticos. A segunda são os fatos que querem abolir.

Todo mundo vê: semianalfabetos que não saberiam dizer que horas são, mas têm uma carteirinha de senador, interrogando médicos e outras pessoas de bem como se fossem um soldado da PM diante de algum vagabundo numa delegacia de polícia. É um “ambiente tóxico”, disse o presidente do Conselho Federal de Medicina. E é isso, na sua forma mais grosseira, o “cientificamente correto”.

MILITANTES EM AÇÃO – Que gente com o nível de um senador de CPI faça isso, quando se pensa cinco segundos no assunto, é bem aquilo que se poderia mesmo esperar. Menos compreensível é a atuação, cada vez mais excitada, agressiva e repressora, dos médicos, pesquisadores e cientistas que praticam o “cientificamente correto” e se tornaram militantes de uma causa: a de que a covid só pode ser tratada de uma forma, a sua, e que qualquer ideia diferente tem de ser denunciada como uma ameaça à saúde pública.

Assumiram o papel de vigilantes. Na vertente mais lamentável da sua conduta, querem punição, inclusive penal, para colegas que estiverem em desacordo com eles.

A política e a ideologia já interferem de maneira cada vez mais rancorosa nas disciplinas da ciência ligadas ao meio ambiente, na biologia humana, na gramática – fala-se, até, de uma “matemática negra”. Por que a medicina seria poupada dessas deformações?

SEM CREDIBILIDADE – Mas é especialmente perturbador que a contaminação política vá tornando cada vez menor, junto à população brasileira, a credibilidade da medicina e dos médicos. Talvez nada comprove isso de maneira tão clara quanto a guerra aberta ao tratamento precoce da covid – ou as tentativas de se fazer alguma coisa pelo paciente antes que a sua situação se agrave a ponto de precisar de uma UTI.

O Conselho Federal de Medicina se coloca, claramente, a favor do direito dos médicos de darem o tratamento que julgarem mais indicado para quem lhes pede socorro, dentro de sua relação pessoal e intransferível com os clientes. É assim em todas as doenças – por que não na covid? Negar a liberdade do médico, aí, é tornar ilegal o livre exercício da medicina no Brasil.

O CFM tem a atribuição constitucional de supervisionar a prática da medicina no País; não é um botequim onde se dá palpite sobre remédio. Não faz nenhum sentido, como acontece na CPI e nos grupos onde se trata a covid como questão política, jogar suas recomendações na lata de lixo.

Bolsonaro acena ao baixo escalão das Forças Armadas, além das Polícias Militares e Bombeiros

Resultado de imagem para jair bolsonaro PMs

Bolsonaro investe para ter fortes ligações com os PMs

Deu no Correio Braziliense

A decisão do comando do Exército em não punir o general Eduardo Pazuello, que, na última semana, foi acolhido em outro cargo no Palácio do Planalto, gerou reação imediata de diferentes frentes políticas no Brasil. Analistas apontam que, para promover as seguidas intervenções na caserna, Bolsonaro se escora no “baixo escalão” militar, uma característica que manteve dos tempos em que chegou a capitão, oficial subalterno na gradação do Exército.

Para o sócio da Hold Assessoria Legislativa, André César, o chefe do Executivo está criando uma mobilização nas baixas patentes “porque elas falam a língua dele”, assim como as Polícias Militares e os Corpos de Bombeiros.

QUEBRA-CABEÇA – “O presidente está jogando, montando um quebra-cabeça, peça por peça, para fazer uma projeção que pode ser uma prévia de uma ação mais efetiva e mais dramática. Bolsonaro saiu da retórica para a ação. E essa ação pode se dar em cima dos bolsonaristas raiz, da Polícia Militar e do baixo escalão dos militares”, alerta André César.

Camilo Onoda Caldas, diretor do Instituto Luiz Gama, constitucionalista e doutor em Filosofia e Teoria Geral do Direito pela Universidade de São Paulo, tem uma visão semelhante. Ele destaca que Bolsonaro vem testando os limites das instituições e o desafio ao comandante do Exército foi mais um.

“Nenhum episódio de ruptura institucional acontece a partir de um ato isolado. É sempre uma soma de pequenos atos que podem culminar em um grande evento. O regime autoritário não se institui do dia para a noite. Ele testa as instituições. Já tivemos outras experiências no governo Bolsonaro e essa, claramente, é mais uma”, observou.

TOLERÂNCIA – A decisão do comandante do Exército, para o jurista, mostrou uma corporação disposta a tolerar ações políticas de seus agentes. “Imagine se fosse em um ato do Lula? As Forças Armadas proíbem ato político. Basta pensar: se fosse Lula e um general. Alguém ia dizer que não tem caráter político? As Forças Armadas já estão dizendo que são mais tolerantes com um grupo do que com o outro”, aponta.

Professor de História da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Rodrigo Patto Sá Motta afirma que a decisão do comandante “acende um alerta e gera uma preocupação sobre qual postura o Exército vai tomar no cenário eleitoral”. “Talvez o que o Bolsonaro queira não seja garantir o alinhamento de todos, mas garantir um bloco forte ao lado dele. Talvez, nas contas que faça, isso seja suficiente”, diz.

O professor ressalta que o mais importante é observar quem estaria disposto a “dar um golpe” a favor do presidente.

CÁLCULO DO GOLPISTA – “Essa é a pergunta real. A decisão de não punir a indisciplina é muito ruim, porque indica a tolerância à anarquia e um aval para tomar medidas golpistas a favor do Bolsonaro”, afirma.

Segundo ele, entretanto, o “cálculo do golpista não é só dar o golpe, mas ter força para governar”. Nesse caso, sem o apoio da maior parcela população, do empresariado e da grande imprensa, a situação se complicaria, caso invista numa tentativa sem sustentação de dentro ou de fora do país.

Analista político do portal Inteligência Política, Melillo Dinis não vê risco de ruptura da ordem democrática com o apoio do Exército. “Duvido que o Exército tome partido a favor do presidente. Do ponto de vista geopolítico, isso é fechar o Brasil. Quem vai querer, num contexto que não é de guerra fria, num contexto internacional, se liquidar junto com Bolsonaro?”, questiona.

GEROU DESGASTE – A decisão do general Paulo Sérgio Nogueira, para Melillo, gera o desgaste da democracia, do Exército e do presidente. “Ninguém sai disso por cima. É ilusão achar que Bolsonaro saiu por cima desse episódio. Ele saiu com muitos problemas para resolver”, avalia. Para o analista, ao atropelar a disciplina militar para submeter aos seus objetivos, o presidente dá um salto no escuro “que vai ter volta do Exército enquanto instituição”.

No último dia 2, durante cerimônia de formatura do curso de aperfeiçoamento de oficiais da Polícia Militar do Distrito Federal, o coronel William Delano Marques de Araújo, que comanda a academia, encerrou seu discurso dizendo:

“Brasil acima de tudo, Deus acima de todos”. Em seguida, o coronel Márcio Cavalcante de Vasconcelos, comandante-geral da PM-DF, concluiu sua fala da seguinte forma: “Deus os abençoe, muita sorte, sucesso. Brasil acima de tudo, Deus acima de todos”. As frases remetem ao lema da campanha eleitoral de Jair Bolsonaro, que, aliás, participou do evento.

NO BAIXO ESCALÃO – Desde que assumiu, o presidente é frequentemente visto em cerimônias das polícias militares, tanto nos eventos de formação de oficiais quanto no de soldados. Para o professor Rodrigo Patto Sá Motta, professor de História da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), a imagem que se projeta é a de que Bolsonaro comanda o Exército passando por cima dos regulamentos. Algo que, segundo ele, tem peso nas PMs, forças auxiliares à Arma terrestre.

“Muita gente tinha expectativa de que o Exército seria mais institucional, uma força da República, serviria de anteparo ao bolsonarismo nas polícias. Mas isso não se confirma. A sensação que fica é a de que uma aventura golpista, que, porventura, venha de policiais, pode não ter anteparo das Forças Armadas. Podem se omitir, lavar as mãos”, avalia.

Eleito com o apoio dos militares, inclusive dos policiais, e das categorias da área da Segurança Pública, é preciso observar de perto o movimento dessas corporações.