Netanyahu vê risco de Bolsonaro ser investigado por ‘genocídio’ de povos indígenas, diz ex-embaixador

Netanyanu percebeu que Bolsonaro é do tipo “confuso”

Yasmim Perna e Alexandro Martello
TV Globo e G1 — Brasília

O ex-embaixador do Brasil em Israel, Paulo Cesar Meira de Vasconcellos, afirmou em telegrama enviado ao Itamaraty em 2020 que o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu via “risco real” do presidente Jair Bolsonaro ser investigado pelo Tribunal Penal Internacional por “genocídio de povos indígenas”.

A correspondência, que está em posse da CPI da Covid e foi obtida pela TV Globo, é datada de 7 maio de 2020, quando Vasconcellos ainda chefiava a Embaixada brasileira no país. O documento foi classificado com prioridade “urgentíssima”. Vasconcellos foi substituído no cargo pelo general Gerson Menandro Garcia de Freitas no fim de 2020.

“DEIXOU CLARO” – Paulo Cesar Meira de Vasconcellos cita no documento uma reunião, ocorrida em dezembro de 2019 entre uma autoridade política brasileira em visita à Israel e o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, na qual o primeiro-ministro de Israel “deixou claro” que Israel gostaria de contar com “firme apoio” brasileiro a processos no Tribunal Penal Internacional, já que “quando todo mundo estava contra o Brasil durante incêndios da Amazônia, Israel apoiou o Brasil”.

Ainda, segundo a carta, naquele encontro Netanyahu teria dito que o apoio seria mútuo “uma vez que há risco real de que o presidente Bolsonaro venha a ser investigado naquele Tribunal por genocídio de povos indígenas”.

De acordo com o documento, o primeiro-ministro teria dito que acredita que o governo brasileiro poderia vir a ser responsabilizado “internacionalmente” por “omissão na proteção da Amazônia” e “por crimes internacionais no que se refere à proteção de povos indígenas”.

CRIMES INTERNACIONAIS – “Parece-me seguro afirmar que pelo menos parte das autoridades locais, inclusive o primeiro-ministro [Benjamin Netanyahu] acreditam que o governo brasileiro poderia vir a ser responsabilizado internacionalmente no futuro por omissão na proteção da Amazônia e até mesmo por crimes internacionais no que se refere à proteção de povos indígenas“, diz o ex-embaixador brasileiro na correspondência.

O G1 entrou em contato com o Ministério das Relações Exteriores e com o Palácio do Planalto, mas o governo não se manifestou até a última atualização dessa reportagem.

Na correspondência, Vasconcellos também informou ter percebido que “parte expressiva da população local é crescentemente crítica do que percebe como aumento dos níveis de desmatamento, elevação do número de queimadas e relativização do compromisso do governo brasileiro com preservação ambiental e com medidas a fazer frente à mudança do clima”.

OUTROS PROBLEMAS – “Também pesam em desfavor da imagem do Brasil a crescente aceitação local da narrativa de que o governo brasileiro não protege de maneira adequada os povos indígenas do país e, apesar de ser uma das maiores potências internacionais na área de agricultura e pecuária, não possui política clara sobre bem-estar animal”, acrescentou na carta o ex-embaixador em Israel.

Vasconcellos também disse na correspondência que em agosto de 2019, durante o pico das queimadas, o prédio da embaixada brasileira em Israel foi cercado por 10 dias, por manifestantes que demandavam fim das queimadas.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGSem novidade. A condenação internacional ao Brasil é clara e consistente. Apenas Bolsonaro e os generais do Planalto não conseguem enxergar, em função da prepotência e da arrogância predominantes. Netanyahu ficou tão impressionado com essa postura brasileira que fez a sutil recomendação. (C.N.)

Pazuello relatou à Opas queda de 70% nas mortes após aplicação de drogas ineficazes

Charge do Edgar Vasques (Arquivo Gioogle)

Wellington Hanna e Filipe Matoso
TV Globo e G1 — Brasília

Documentos enviados pelo Ministério das Relações Exteriores à CPI da Covid e obtidos pela TV Globo mostram que o ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello relatou à Organização Pan-Americana de Saúde (Opas) queda de 70% nos óbitos por Covid no Brasil por meio do tratamento com drogas ineficazes contra a doença.

A reunião aconteceu em 16 de outubro de 2020, quando Pazuello ainda estava no ministério. Os documentos não dizem a qual período Pazuello se referiu; não relatam a apresentação de provas pelo então ministro; e não informam dados científicos que tenham sido exibidos.

NÚMEROS ENGANOSOS – Segundo o consórcio de veículos de imprensa, no dia da reunião, o Brasil somava 153.229 óbitos, quase oito mil a mais na comparação com duas semanas antes, quando o país havia chegado a 145.431 mortes. Duas semanas depois da reunião, em 30 de outubro, já eram contabilizadas 159,5 mil mortes.

Quando a reunião aconteceu, a média móvel diária de mortes registrava queda de 23% na comparação com duas semanas antes. Na ocasião, foi o 5º dia com a curva indicando queda, após 28 dias em estabilidade (variação inferior a 15%). Não houve nenhuma comprovação de que a queda estaria relacionada a um eventual tratamento. Além disso, não houve tendência de queda entre novembro de 2020 e abril de 2021.

O tratamento por meio do uso de medicamentos como cloroquina e ivermectina é defendido pelo presidente Jair Bolsonaro. No entanto, estudos científicos já comprovaram a ineficácia desses remédios contra a Covid.

DIZ O DOCUMENTO – “[Na reunião com a Opas, Pazuello] avaliou que a primeira orientação das autoridades sanitárias no início da pandemia ao redor do mundo, no sentido de que as pessoas ficassem em casa e só procurassem um hospital se estivesse muito doentes, criou uma situação de grave negligência no tratamento de diversas doenças, e teria se mostrado equivocado. Especificamente em relação à Covid-19, apontou que o Brasil conseguiu diminuir em 70% a proporção de óbitos com a adoção de tratamento precoce”, afirma o documento do Itamaraty.

Entidades de saúde, nacionais e internacionais, condenam o uso de drogas ineficazes contra a Covid. Por exemplo: a Organização Mundial de Saúde (OMS) diz que a cloroquina não deve ser usada como forma de prevenção; a Associação Médica Brasileira (AMB) diz que o uso de cloroquina e outros remédios sem eficácia contra Covid deve ser banido; a Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI) diz que a cloroquina não tem efeito e deve ser abandonada.

PROPAGANDA INÚTIL – Em outro documento enviado à CPI da Covid e também obtido pela TV Globo, o Ministério da Saúde informou que foram gastos R$ 23 milhões com campanhas de divulgação do tratamento precoce com drogas ineficazes.

O governo pagou US$ 10 (R$ 51,20, pela cotação desta sexta) por dose da vacina da Pfizer. Com os R$ 23,3 milhões gastos com a propaganda, seria possível adquirir 456.718 doses da vacina, o suficiente para imunizar com duas doses quase toda a população de uma cidade como Presidente Prudente (230 mil habitantes), no oeste de São Paulo.

Em nota, o Ministério da Saúde afirmou: “Foi realizada uma campanha sobre tratamento imediato para orientar a população a procurar uma unidade de saúde ao sentir os primeiros sintomas da Covid-19”, acrescentou a pasta. Depois, o ministério informou que onde se lê “tratamento imediato”, deve-se ler “atendimento imediato”.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Caramba! Não conseguem escrever corretamente nem mesmo uma mensagem de apenas cinco linhas; Estamos mal, mesmo! (C.N.)

Lula busca apoio e diz que ‘jamais’ tratará o PDT e Ciro Gomes como inimigos

Ex-presidente Lula se reúne com políticos e lideranças comunitárias no Rio Foto: Ricardo Stuckert/ divulgação

No Rio, Lula se reuniu com seus adoradores de sempre

 

Camila Zarur
O Globo

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou que seu partido “jamais vai tratar como inimigo” o PDT, legenda de Ciro Gomes, que pretende concorrer à eleição presidencial de 2022. A declaração do petista foi dada neste sábado durante sua passagem pelo Rio de Janeiro.

Questionado se há a possibilidade de se aproximar do ex-ministro para a articulação de uma possível aliança ampla contra o presidente, Jair Bolsonaro (sem partido), Lula respondeu que na política “nada é impossível”, porém disse que não há tentativas de conversa com o pedetista no momento.

RESPEITO E ADMIRAÇÃO — “Em política você sempre trabalha com a tese de que nada é impossível. Se o PDT decide que o Ciro é candidato, é um direito do PDT” — afirmou Lula, que completou: “Da nossa parte, nós jamais trataremos o PDT como inimigo. O PDT é um adversário eleitoral, e a gente vai disputar da forma mais civilizada possível. Não vamos aceitar nenhuma provocação. Não vamos ter nenhuma agressão. E eu continuo dizendo que apesar das críticas, eu tenho respeito e admiração pelo Ciro Gomes”.

Perguntado sobre se há alguma tentativa de aproximação com Ciro, Lula respondeu: “Não sei se é possível. Só o tempo é que vai se encarregar e ver o que vai acontecer. Da nossa parte é isso que nós queremos”.

O ex-presidente, que chegou à capital fluminense na quinta-feira, se encontrou com lideranças da esquerda e do centro para articular um palanque no Rio.

COM FREIXO – Na reunião que teve com o deputado federal Marcelo Freixo (Sem partido-RJ), apontado como um dos candidatos ao governo do estado pelo PSB, Lula disse que é hora de ser “generoso” com as alianças para a eleição do ano. Na ocasião, evitou críticas ao PDT e a Ciro Gomes e lamentou que a legenda de seu ex-ministro esteja afastada das conversas para a formação de uma frente ampla.

A mudança de tom do Lula contrasta com as brigas recentes que o petista teve com Ciro. Em meados de maio, os dois trocaram atritos pelas redes sociais. O pedetista rebateu uma publicação em que Lula havia escrito que adoraria dizer que seu ex-ministro “é um amigo”, mas “infelizmente ele não quer”.

“Todo mundo sabe que você só considera amigo uma única pessoa no mundo: você próprio”, escreveu Ciro no Twitter.

PALANQUES ESTADUAIS – Ainda que não confirme que concorrerá à Presidência em 2022, Lula tem se dedicado à construção dos palanques estaduais. A líderes comunitários, disse que pretende ouvir mais as críticas e sugestões da população quando for o candidato “no tempo certo”, frisou.

Para a disputa do Rio, o ex-presidente tenta articular a candidatura de Freixo, que se desfiliou recentemente do PSOL e vai migrar para o PSB. No entanto, não descarta a possibilidade de uma aliança com o prefeito Eduardo Paes (PSD), que já indicou como seu candidato o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Felipe Santa Cruz.

Lula, Paes e Santa Cruz almoçaram juntos na sexta-feira; o encontro também teve a presença do ex-presidente da Câmara Rodrigo Maia (DEM-RJ). 

ATAQUES A BOLSONARO – Neste sábado, Lula se esquivou de definir em qual palanque estará caso não haja uma aliança ampla no Rio. A jornalistas, o petista apenas elogiou Freixo e Santa Cruz e disse que o Rio ter esses dois nomes como candidatos marca uma diferença das últimas eleições.

O ex-presidente não poupou críticas a Bolsonaro e à forma com que ele conduziu a pandemia. Lula chamou o presidente de “genocida” e afirmou que ele nunca esteve preparado para assumir a Presidência do país.

Também comentou sobre a defesa de Bolsonaro em relação ao voto impresso. Sobre isso, declarou: “Bolsonaro não é burro. Ele é inteligente. Ele quer criar a tese que de que, lá depois, foi roubado. Bolsonaro é o rei da bobagem, e ele fala de propósito e ele pensa isso. E ele acha bonito.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Lula e Bolsonaro são parecidos. Ambos usam a política com objetivos pessoais e familiares. E são exclusivistas, não deixam que apareçam lideranças alternativas em seus grupos políticos. Bolsonaro nem tem partido, mas quer se apossar de alguma legenda já constituída. Lula é dono do PT, mas o partido não existe mais. Quando Lula morrer, o PT vai ser sepultado no mesmo caixão, junto com ele.
(C.N.)

Sem máscara, Bolsonaro cita Deus e militares, ataca isolamento, mas exalta a PM e a cloroquina

Bolsonaro mantém-se em campanha para enfrentar Lula

Disse que nunca se curvou à pandemia e, mais uma vez, sugeriu uma regra para dispensar o uso de máscara. “Eu autorizo”, gritaram em resposta os seus apoiadores.

TRATAMENTO PRECOCE – Alvo de investigação da CPI da Covid no Senado, o presidente de novo defendeu o tratamento precoce, citando a cloroquina, e atacou as políticas de isolamento contra a pandemia, em ataque direto a Doria.

“Fora, Doria”, responderam os apoiadores em mais de um momento. Bolsonaro ainda chamou o tucano de ditador, por ter decretado toque de recolher, e o desafiou a participar de um evento como a motociata.

Ainda sobre a pandemia, disse que nunca mandou fechar as igrejas. O presidente citou de novo que atua dentro das “quatro linhas da Constituição”.

DIREITO AO TRABALHO – “Quando vamos no artigo 5º da Constituição, que é o capítulo das cláusulas pétreas, entre as dezenas de incisos, encontramos o direito ao trabalho, coisa que o governador de vocês retirou de vocês quando tirou de vocês. O direito de ir e vir, quando o governador que se diz democrata mas é um ditador, decretou toque de recolher”, disse.

Além disso, voltou a falar em supernotificação de mortes por coronavírus, o que já lhe rendeu um desmentido nesta semana pelo TCU (Tribunal de Contas da União).

O uso de máscaras entres os apoiadores de Bolsonaro que compareceram ao Ibirapuera nesta tarde foi maior do que entre os motociclistas que se reuniram pela manhã para a motociata, onde a máscara era um item quase inexistente.

Militares planejam se manter no poder ‘com ou sem Bolsonaro’, diz coronel da reserva

Rafael Barifouse
BBC News Brasil

Os militares conquistaram o poder e querem permanecer

O coronel da reserva Marcelo Pimentel Jorge de Souza virou nos últimos anos uma das vozes mais críticas ao envolvimento das Forças Armadas na política. Para explicar o porquê, ele conta sobre uma conversa que teve com um tenente sobre como vários dos colegas com quem tinha servido estavam no governo.

“O tenente disse: ‘É, realmente, houve um aparelhamento, mas o outro lado, quando governava, fazia o mesmo’. Na hora nem percebi, mas depois vi que ele pensa que os militares têm um lado. Isso é errado”, diz o coronel Pimentel à BBC News Brasil.

É UMA ANTIDOUTRINA  – Nascido em uma família de militares e formado pela turma de 1987 da Academia Militar das Agulhas Negras (Aman), Pimentel diz que isso vai contra tudo pelo que ele trabalhou até deixar a ativa, em 2018.

“Estão destruindo a muralha que minha geração construiu entre as Forças Armadas e o governo, entre o militar e a política”, diz o coronel de 54 anos. Se os militares tomam partido, “deixam de ter representatividade para defender o Brasil inteiro”, defende ele.

Pimentel avalia que essa mentalidade é cada vez mais comum entre os militares. Mas acredita que as baixas patentes estão apenas seguindo o exemplo que vem de cima, dos generais que formam o que Pimentel chama de “Partido Militar”.

CHEGANDO AO PODER – Em sua visão, esse grupo, que comanda o Exército, encontrou no presidente Jair Bolsonaro (sem partido) uma forma de chegar ao Planalto sem uma ruptura institucional, como no golpe de 1964.

“Dos 17 generais que formam o Alto Comando do Exército, 15 exercem cargos de primeira ordem. Há militares tanto na administração direta, que é a Esplanada dos Ministérios, quanto nas empresas estatais, autarquias, órgãos de fiscalização.”

Ele diz ser por isso que ele chama o atual governo é um governo militar. “As pessoas não enxergam porque esse grupo chegou ao poder sem uma ruptura institucional, mas eles ocupam cabeça, tronco, membros, entranhas e alma desse governo.”

FICAR NO PODER – De volta ao comando do país, diz Pimentel, esses militares agora estão se preparando para se manter no poder, “com ou sem Bolsonaro”.

Pimentel diz que pegou emprestado de cientistas sociais o termo Partido Militar para falar desse grupo que decidiu se lançar na política.

Ele aponta que são militares formados na Aman nos anos 1970, em plena ditadura — como o próprio Bolsonaro. Tornaram-se generais no primeiro mandato de Lula, segundo Pimentel, e chegaram ao comando do Exército no governo Dilma.

UM GRUPO COESO – “São generais da reserva em sua maioria, mas também da ativa. É um grupo bastante coeso, hierarquizado, disciplinado, com algumas características autoritárias e pretensões de poder até hegemônicas. Sua finalidade é manter o poder conquistado”, diz.

O grupo teria começado a se articular no início da década passada, segundo o coronel, em parte por causa das insatisfações com as conclusões da Comissão da Verdade sobre os crimes cometidos por militares na ditadura e o fato do país ser governado por Dilma Rousseff (PT), uma ex-guerrilheira.

Ao mesmo tempo, a missão da Organização das Nações Unidas (ONU) no Haiti aproximou as Forças Armadas brasileiras e americanas.

MATRIZ E FILIAL – “Estabeleceram-se relações pessoais entre os generais brasileiros e americanos. O lazer das tropas era na Flórida, em Nova York, em Washington. Esses oficiais viram como o cidadão americano tratava o militar. olhavam para cá e não sentiam que o brasileiro valorizava, né?”, comenta Pimentel.

O coronel diz que foi esse grupo que procurou Bolsonaro e não o contrário. Não teria sido por acaso, portanto, que o presidente lançou sua candidatura na Aman, ainda em 2014.

“Nós temos que mudar o Brasil, tá ok?”, disse Bolsonaro na época, diante de um grupo de aspirantes que o chamavam de líder . “Alguns vão morrer pelo caminho, mas estou disposto em 2018, seja o que Deus quiser, a tentar jogar para a direita este país.”

ESTAVA PREVENDO – “Parece até que ele estava vaticinando o que ia acontecer na presidência dele”, diz Pimentel, que é um crítico antigo do presidente.

O coronel diz que, em algum momento do primeiro mandato de Dilma foi fechado um acordo em torno da candidatura de Bolsonaro. Ele afirma ter acompanhado de perto a transformação da imagem do então deputado federal entre as tropas.

“Em 2015, eu fui a uma formatura na Aman, e Bolsonaro era simplesmente o maior astro. Como um camarada que tinha saído do Exército pela porta dos fundos tinha sido de repente convertido em mito?”, questiona.

MUITO PLANEJAMENTO – “Essa candidatura foi muito bem pensada, planejada, e foi usada muita história de cobertura para disfarçar o envolvimento desse grupo, como aquela novela (da escolha) do vice. Falaram no Magno Malta, no príncipe (Luiz Phelippe de Orleans e Bragança), na Janaína Paschoal, mas a única dúvida era se seria o (general Augusto) Heleno ou o (general Hamilton) Mourão.”

A idade avançada de Heleno acabou sendo decisiva, e Mourão foi o escolhido, completa o coronel. A chapa Bolsonaro-Mourão venceu as eleições, e o Partido Militar ocupou o governo e a máquina pública, diz Pimentel.

O coronel diz que o mesmo grupo agora está se preparando para continuar no poder. “Repito: com ou sem o atual presidente da República”, pontua.

MOURÃO E SANTOS CRUZ – Ele calcula que uma possibilidade passa por Mourão — “podendo ser ele o cabeça de chapa” — ou pelo general Santos Cruz, “como o candidato de uma frente ampla”.

Pimentel atuou junto com Santos Cruz em 2016 em um grupo de trabalho do Estado Maior do Exército que era supervisionado pelo coronel, ainda na ativa, e orientado pelo general, que já estava na reserva.

“Talvez o Mourão passe para o segundo turno. Talvez seja o Santos Cruz”, especula Pimentel. “Mas o Partido Militar vai estar no segundo turno no ano que vem.”

Corrupção na Saúde? Empresa recebe R$ 500 milhões para intermediar compra da Covaxin

O senador Alessandro Vieira:

A contratação chama muita atenção, diz Alessandro Vieira

Sarah Teófilo e Bruna Lima
Correio Braziliense


Agora no “rastro do dinheiro”, a CPI da Covid obteve documentos mostrando que a empresa Precisa Medicamentos, que atuou como intermediadora na negociação entre o Brasil e a Bharat Biotech para a aquisição da vacina Covaxin, recebeu R$ 500 milhões do contrato de R$ 1,6 bilhão fechado pelo governo brasileiro com o laboratório indiano, ou seja, um terço do valor total previsto no documento, firmado em 25 de fevereiro.

Mesmo antes de ter qualquer tipo de aval regulatório, a vacina já era apontada pelo presidente Jair Bolsonaro como escolhida para integrar o Programa Nacional de Imunização (PNI), enquanto outras candidatas mais adiantadas, mais baratas e com estudos no Brasil, ficaram fora.


O Correio entrou em contato com a Precisa Medicamentos, mas não recebeu resposta até a última atualização. A empresa firmou uma parceria no ano passado com a Bharat e tornou-se a representante oficial da farmacêutica no Brasil. Em janeiro deste ano, a Bharat assinou um acordo com a Precisa para fornecimento da Covaxin ao Brasil.

A informação sobre os valores envolvidos na compra da Covaxin foi obtida pelo Correio e confirmada pelo senador Alessandro Vieira (sem partido-SE).

MAIS ESCLARECIMENTOS
– “A gente está, inclusive, convocando pessoas ligadas à Precisa para que possam prestar mais esclarecimentos para a gente entender”, afirmou.

“A negociação da Precisa é totalmente diferente de todas as outras. É a única que tem intermediação; é por um valor mais elevado do que a média das outras e é muito mais rápida do que as outras. A gente tem de aguardar mais dados para aprofundar, mas é uma contratação que chama muita atenção.”

Relator da comissão, o senador Renan Calheiros (MDB-AL), questionado sobre a Precisa, também afirmou que a empresa atuou como intermediadora entre o governo e a farmacêutica indiana, obtendo R$ 500 milhões do total do contrato.

QUEBRA DE SIGILO
– Nesta semana, a comissão aprovou a quebra de sigilo telefônico e telemático de Francisco Emerson Maximiano, sócio da empresa, e do representante dela, Túlio Silveira.
À época em que o documento foi firmado com o Brasil, a Covaxin ainda não tinha autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para a realização de estudo fase 3. Somente em 14 de maio deste ano a agência deu aval à realização de ensaios clínicos do imunizante no Brasil.

A vacina ainda sofre restrições de importação, ficando permitido, no início de junho, somente o uso sob condições controladas, concessão que pode ser suspensa “caso o pedido de uso emergencial em análise pela Anvisa ou pela Organização Mundial da Saúde (OMS) seja negado, ou ainda com base em informações provenientes do controle e do monitoramento do uso da vacina Covaxin no Brasil”, como informa a Anvisa.

CAIU EM EXIGÊNCIAS – A autorização restrita ocorreu após dificuldades de aprovação. No fim de março, o certificado de Boas Práticas e o uso emergencial foram negados pela Anvisa. Na justificativa, o relator da 5ª diretoria e relator do processo, Alex Machado Campos, apontou inconsistência na documentação.

Segundo ele, “a área técnica identifica riscos e incertezas no uso da vacina Covaxin nas condições atuais”, de maneira que não foi possível determinar “a relação benefício risco com as informações disponíveis até o momento”.

A vacina estava programada para chegar em março, mas somente esta semana teve a Certificação de Boas Práticas de Fabricação das plantas aprovadas, um dos primeiros passos para a regularização do imunizante.

OPÇÃO MAIS CARA – Mesmo assim, o governo escolheu fechar contrato de 20 milhões de doses da Covaxin, a R$ 80 cada, a mais cara entre as opções mais adiantadas: CoronaVac e Pfizer. Além disso, o acordo ocorreu com dispensa de licitação “para facilitar o processo de aquisição”.

As negociações já estavam avançadas em janeiro, quando Bolsonaro, em carta enviada ao primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, afirmou que a Covaxin estava “entre as vacinas selecionadas pelo governo brasileiro”, citando, também, o imunizante da AstraZeneca com a Universidade de Oxford.

A carta é de 8 de janeiro, foi divulgada pela imprensa, à época, e nela o presidente pede urgência no envio de 2 milhões de doses da AstraZeneca.

INTERMEDIÁRIA – Os senadores apontam que a Precisa chama atenção por ter atuado como “intermediadora” ou “facilitadora” da aquisição da Covaxin. Analisam com estranheza, também, o fato de Bolsonaro ter feito um movimento direto em busca dessa vacina. 

Questionado pelo Correio se existe uma relação entre Bolsonaro e representantes da Precisa que demonstre qualquer benefício monetário ilícito, o vice-presidente da CPI, Randolfe Rodrigues (Rede-AP) respondeu ser uma hipótese com a qual a comissão trabalha.

“Já ficou evidente a contradição do tratamento do senhor presidente da República com a Precisa para com os outros imunizantes”, disse. O senador ressaltou que o chefe do Planalto fez uma intervenção direta apenas para essa vacina.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – Esse assunto está fedendo a quilômetros de distância. Nessa, Bolsonaro meteu a mão na cumbuca, vai ser difícil tirar. (C.N.)

Quem acha que “Diário de Anne Frank” é pornografia está exercendo que “direitos”?

O sol brilha, o céu está muito azul, sopra um vento magnífico e eu anseio tanto - anseio tanto - por tudo... Tenho saudades de conversar, de liberdade, de amigo... Frase de Anne Frank.Hélio Schwartsman
Folha

Pais de alunos da escola Móbile, em São Paulo, procuraram a direção do educandário para protestar contra a utilização de uma versão em quadrinhos do “Diário de Anne Frank” nas aulas de inglês do 7º ano. O motivo da revolta são passagens em que a autora fala de sua sexualidade e que os genitores interpretaram como pornográficas.

Lamento dizer que esses pais estão errados. E nem entro na discussão de conteúdo. Como o bolsonarismo ainda não triunfou, cada indivíduo é livre para fazer a exegese que preferir do texto que lhe aprouver.

ESCOLHA DO COLÉGIO – Quem acha que Anne Frank é pornografia está exercendo seus direitos hermenêuticos, ainda que essa seja uma opinião difícil de sustentar num foro mais técnico.

Esses pais erraram é na escolha da escola em que puseram seus filhos. Ao contrário do que ocorre na rede pública de ensino, onde é o endereço que define em qual instituição a criança vai estudar, no sistema privado cabe aos responsáveis selecionar o colégio.

Costumam fazê-lo com base em diferentes matrizes de critérios, que vão desde a comodidade (a escola fica perto de casa?) até valores espirituais, passando, é claro, pelo preço.

ABERTURA AO NOVO – Um parâmetro particularmente sensível é a abertura ao novo. Como ela afeta desde a pauta de leituras até o grau de rigidez moral e a disciplina a que o aluno será submetido, se houver desacordo entre pais e instituição nesse quesito, as consequências tendem a ser desastrosas.

Não só haverá atritos entre a família e a direção como o conflito logo será levado para dentro de casa, à medida que o estudante assimilar valores muito diferentes dos de seus genitores.

Se a escola particular só manda seu filho ler livros que lhe parecem obscenos, aja com discrição e troque de colégio no final do ano. Caso contrário, você estará escancarando que fracassou na elementar tarefa de escolher uma instituição compatível com seu modo de pensar. É um pai nota zero.

Ainda neste mês, o Brasil pode enfim chegar a 100 milhões de doses aplicadas

É preciso aplicar mais vacinas também no fim de semana

José Carlos Werneck

Para se chegar a esse significativo número, basta manter a média dos últimos cinco dias, que deve subir com o início da aplicação das segundas doses da Fiocruz. O Brasil aplicou pouco mais de 78 milhões de doses de vacinas contra a Covid-19 desde o início da campanha nacional de imunização e pode superar a marca de 100 milhões de doses até o final deste mês. 

Para isso se concretize, não é necessária grande aceleração no Plano Nacional de Imunização (PNI), bastando apenas manter a média de doses aplicadas nos últimos cinco dias.

NA MÉDIA – Desde segunda-feira, foram aplicadas, em média, 1,1 milhão de doses por dia. Até o dia 30, se chegaria a pouco mais de 21 milhões de doses necessárias.

O grande desafio é elevar o número de doses aplicadas nos finais de semana, que puxam a média geral para baixo, atualmente em 850 mil. A expectativa em torno dessa importante meta ganhou força com as novas entregas, que fizeram o total de vacinas disponibilizadas chegar a 109,2 milhões.

O primeiro lote de vacinas da Fiocruz foi entregue em 17 de março e, três meses depois, as segundas doses começam a ser aplicadas esta semana.

USO DA MÁSCARA – É importantíssimo também lembrar que o uso da máscara, o distanciamento social e todas as medidas de higiene continuam igualmente necessárias para se evitar a proliferação do Coronavírus, que continua
matando muitas pessoas por todo o País!

Bolsonaro oferece uma embaixada para ministro do TCU antecipar aposentadoria

O ministro do TCU, Raimundo Carreiro

Raimundo Carreiro pode virar embaixador em Portugal

Lauriberto Pompeu
Estadão

A crise que envolveu o Tribunal de Contas da União (TCU) e o Palácio do Planalto no episódio do relatório paralelo sobre mortes por covid ressuscitou a pressão do presidente Jair Bolsonaro para mudar a composição da Corte. A intenção de Bolsonaro é antecipar em dois anos a aposentadoria de Raimundo Carreiro e influenciar na escolha de um nome mais alinhado ao governo.

Carreiro é apadrinhado pelo ex-presidente José Sarney e pelo senador Renan Calheiros (MDB-AL), relator da CPI da Covid.

UMA EMBAIXADA –
Ao ministro foi oferecida uma vaga de embaixador em Portugal como contrapartida para deixar o TCU antes da aposentadoria compulsória, aos 75 anos, que ele só completará em 2023. O atual embaixador do Brasil em Portugal é Carlos Alberto Simas Magalhães, que está no posto desde o fim de 2019. Há, porém, resistências para que essa operação seja concretizada.

Relator no TCU do processo que trata da aquisição de tecnologia 5G, Carreiro está desde o dia 6 nos Estados Unidos. A comitiva também conta com a participação de Walton Alencar, também ministro do tribunal e integrante de um grupo de trabalho sobre 5G, além dos senadores Flávio Bolsonaro  (Patriota-RJ), Ciro Nogueira  (Progressistas-PI) e do ministro das Comunicações, Fábio Faria.


INDICAÇÃO DO SENADO
– Cabe ao Senado indicar o substituto de Carreiro. Hoje, o nome mais forte para a vaga é o de Antonio Anastasia (PSD-MG). O presidente da Casa, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), é quem conduz as negociações para emplacar Anastasia no TCU, embora negue fazer parte das articulações. 

Embora seja visto como independente, Anastasia é muito próximo ao deputado Aécio Neves (PSDB-MG), que rejeita o rótulo de governista, mas tem atuado como aliado do Palácio do Planalto em várias ocasiões. Nesta quinta, 10, por exemplo, a Comissão de Relações Exteriores da Câmara, presidida por Aécio, aprovou acordo de cooperação tecnológica entre os governos brasileiro e israelense. A ação foi elogiada pelo deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) no Twitter. 

Anastasia entrou na política pelas mãos de Aécio, quando foi vice do tucano no governo de Minas, de 2007 a 2010. Após esse período, ele se elegeu governador e senador. 

TEM TRÊS VOTOS  – Atualmente, dos nove ministros do TCU, Bolsonaro só indicou um até agora: Jorge Oliveira, ex-titular da Secretaria Geral da Presidência. Além dele, os outros dois nomes simpáticos ao governo são Walton Alencar e Augusto Nardes. 

Na tentativa de blindar o governo, Bolsonaro já fez várias mudanças na chefia de instituições e até de empresas estratégicas.

Foi assim que avalizou a troca de comando na Polícia Federal, na Agência Brasileira de Inteligência (Abin) e na Petrobrás. O presidente também considera o procurador-geral da República, Augusto Aras, como um aliado importante. 

Alexandre Garcia lidera faturamento com “fake news”, informa Google à CPI

Natália Portinari
O Globo

Dados sigilosos enviados pelo Google à CPI da Covid mostram que canais no YouTube, entre eles de apoiadores do presidente Jair Bolsonaro, ganharam dinheiro disseminando notícias falsas sobre a pandemia antes que seus vídeos fossem apagados da rede social. A pedido da comissão, a empresa de tecnologia forneceu uma lista de 385 vídeos removidos pelo Youtube ou deletados pelos próprios usuários após serem identificados como disseminadores de desinformação sobre formas de tratamento para a Covid-19 ou a pandemia. A listagem foi acompanhada de quanto cada publicação rendeu aos donos dos canais até saírem do ar.

O jornalista Alexandre Garcia encabeça a relação, tendo tido 126 tirados doar por ele próprio ou pela plataforma que haviam rendido quase R$ 70 mil em remuneração pela audiência e publicidade.

OUTROS FATURADORES – Gustavo Gayer (R$ 40 mil), Notícias Política BR (R$ 20,7 mil), Brasil Notícias (R$ 17,7 mil), completam as primeiras colocações. Ao todo, os usuários ganharam US$ 45 mil, o equivalente a R$ 230 mil.

Desde o início da pandemia, responsáveis por canais que tiveram conteúdo removido pela plataforma refutam ter publicado desinformação de forma deliberada. Em alguns caos, afirmam ser vitima de censura pelas empresas de tecnologia.

O Google forneceu dados sobre 385 vídeos de 34 canais identificados como disseminadores de notícias falsas no Brasil. Destes, 90 publicações não geraram renda aos administradores.

TIRADOS DO AR – A empresa frisou, em sua resposta à CPI, que os vídeos em questão se encontram fora do ar, alguns deles por desrespeitarem os termos de uso da plataforma.

Grande parte é de vídeos com propagandas de drogas comprovadamente ineficazes contra o coronavírus, como a ivermectina e a cloroquina, denunciando um suposto complô contra o uso desses medicamentos da parte de opositores de Jair Bolsonaro.

MENTIRAS VARIADAS – O canal Aconteceu na Política alegou sem provas, por exemplo, que “governadores estão estocando vacinas e 6 milhões sumiram” e disseminou mentiras sobre a CoronaVac (“A Vacina de Taubaté de Doria — Bolsonaro sai na frente mais uma vez”).

Em um vídeo do Aconteceu na Política, o youtuber afirma que o Brasil havia superado a porcentagem de população vacinada da Europa, o que nunca ocorreu. Um vídeo com título idêntico do canal de Gustavo Gayer continua no ar. Gayer teve 56 publicações deletadas ou removidas.

“Pazuello detona Mandetta e diz que muita gente poderia ter sido salva com tratamento precoce!”, diz o título de um dos 25 vídeos deletados do canal Brasil de Olho.

NOTÍCIAS FALSAS – O mesmo canal Brasil de Olho publicou os vídeos “Pesquisa surpreende ao mostrar quantos brasileiros tomariam hidroxicloroquina” e “Reunião secreta de Doria é vazada e prova uso político da vacina e revela plano para tirar Bolsonaro”, entre outros.

Em um vídeo do canal Casando o Verbo, havia a alegação de que os registros de 62 mil pessoas que morreram de AVC foram falseados para incluir Covid-19 como causa da morte, sem base em provas. O título fazia referência à morte do ator Tom Veiga, intérprete do Louro José, que morreu após um AVC.

Os youtubers apelavam a títulos cifrados para impedir que o Google encontrasse o conteúdo, como o uso da palavra “V4C1NA” e “tratamento inicial” em vez de “tratamento precoce”, nome mais comum para se referir ao “kit Covid”, de medicamentos ineficazes contra o coronavírus, defendido em 2020 pelo governo Jair Bolsonaro.

DIRETO DO PLANALTO – O levantamento contém três vídeos do Foco do Brasil, canal investigado no inquérito dos atos antidemocráticos, aberto pelo STF, pela ligação com o Palácio do Planalto. O assessor do chamado “gabinete do ódio” Tercio Arnaud Tomaz repassou vídeos ao canal e ajudou seu administrador a retransmitir imagens da TV Brasil.

Em depoimento em julho do ano passado, o dono do Foco do Brasil, Anderson Rossi, disse à Polícia Federal ter um faturamento mensal de R$ 50 mil a R$ 140 mil. Nos vídeos citados sobre Covid, porém, a monetização foi baixa, de apenas R$ 368.

GRAVES CONSEQUÊNCIAS  – Os dados foram enviados à CPI a pedido do senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), com base em um levantamento da Novelo Data sobre vídeos que “desapareceram” da rede social em 2021.

“A propagação de fake news a respeito da pandemia tem sido uma ação orquestrada e com consequências diretas no agravamento do número de mortes pela covid-19”, frisa o senador em seu pedido.

No mundo todo, o Google removeu mais de um milhão de vídeos desde fevereiro do ano passado por disseminarem desinformação sobre a pandemia.

‘Motociata’ de Bolsonaro ganha apoio evangélico e reúne milhares em meio à pandemia

Apoiadores de Bolsonaro antes de 'motociata' em São Paulo

Desde cedo já havia grande número de motociclistas

Renata Galf e Victoria Azevedo
Folha

Centenas de motociclistas e apoiadores a pé se aglomeraram na manhã deste sábado (12), na avenida Braz Leme, em Santana, zona norte de São Paulo, parar participar da chamada “motociata” com o presidente Jair Bolsonaro (sem partido).

Um “pedágio solidário” foi montado para receber doações de alimentos que serão distribuídos em comunidades em São Paulo. Duas fileiras com voluntários, em sua maioria de máscara, recepcionavam os motociclistas que seguiam rumo a praça Campo de Bagatelle e distribuíam bandeiras do Brasil e adesivos.

SEM MÁSCARAS
–  A maioria dos motociclistas não usava máscara de proteção contra a Covid-19 e tinha bandeiras do Brasil amarradas no corpo. O fluxo aumentou a partir das 8h30. A manifestação, intitulada “Acelera para Cristo”, está prevista para começar às 10h.

Na reunião com a PM, foram estabelecidas algumas regras: as motos deverão estar todas emplacadas e não poderão trafegar a mais de 40 km/h. Será proibido empinar o veículo, e todos deverão usar capacete e máscaras.

Em nota nesta sexta-feira, a Secretaria da Segurança Pública de São Paulo afirmou que haverá um efetivo de mais 6.300 policiais a postos. O policiamento será reforçado em toda a capital, na região metropolitana e na rodovia dos Bandeirantes. Também os pontos de concentração e dispersão do ato terão patrulhamento ampliado.

OPERAÇÃO DE GUERRA –
Para tanto, a polícia diz que contará com diferentes batalhões, com cerca de 2.100 viaturas, cinco aeronaves e dez drones. A operação também contará com apoio de CET, Guarda Civil Metropolitana e AutoBAn.

O evento vinha sendo pensado há cerca de um mês com proporções bem mais modestas, organizado por um grupo de comerciantes, com Vilar à frente, e de igrejas evangélicas do estado.

Mas o ato cresceu muito desde que Bolsonaro confirmou participação, o que inclusive começou a incomodar alguns representantes de associações de motociclistas, que dizem que o evento foi “sequestrado” por líderes religiosos sem relação com o universo motoqueiro.

VIROU ATO EVANGÉLICO – Em parte, a ideia é compensar o cancelamento presencial do maior evento evangélico do país, a Marcha Para Jesus, por causa da pandemia. A marcha costuma ocorrer no mês de junho. E o presidente tem no meio evangélico uma base de seguidores fiel.

Mais recentemente, Bolsonaro passou a receber também o apoio de muitos motociclistas, que se organizam no Brasil em diversos clubes de aficionados pelas duas rodas. Grande parte deles associa o presidente, que é motociclista amador, à defesa da liberdade.

Bolsonaro também promoveu a redução do valor do seguro obrigatório e acenou com a isenção de pedágio em estradas federais para os motociclistas.

Bolsonaro prepara um golpe caso permaneça atrás nas pesquisas do Datafolha

Charge do Jota A (portalodia.com)

Pedro do Coutto

Mais uma vez, ao longo da história moderna do país, a democracia corre sério risco, o que faz com que a preocupação volte a criar uma atmosfera densa de ruptura constitucional. Essa perspectiva, inclusive, está bem levantada pelo jornalista Ruy Castro na edição de ontem da Folha de São Paulo.

A questão é simples, aliás como o próprio articulista definiu: os generais, referindo-se ao comando do Exército, deixaram a crise ir longe demais, em decorrência do caso Eduardo Pazuello. Conseguiram esticar a corda demais e não há margem de recuo possível.

SINUCA DE BICO – Portanto, como poderiam os militares pensar em agir a partir de agora? Deixaram escapar uma situação criada pelo próprio presidente da República na medida em que este se empenhou em resguardar Pazuello de qualquer punição militar.

Além disso, ainda nomeou o general como titular da Secretaria de Planejamento Estratégico. Parece até uma surpresa, não fosse Bolsonaro o personagem principal de contradições em série. Ele exalta Pazuello, mas esquece que usou a caneta para demiti-lo da pasta da Saúde.

QUEIROGA – Matéria da Folha de São Paulo, assinada por Daniel Carvalho e Natalia Cancian, ressalta a afirmação literal do próprio presidente da República sobre o seu atual ministro da Saúde. Nesta altura é possível ser ex-ministro da Saúde pelo espaço que existe entre esse artigo e o desfecho na Esplanada de Brasília.

Disse Bolsonaro: “Acabei de conversar com um tal de Queiroga, não sei se vocês sabem quem é. Ele vai ultimar um parecer para desobrigar o uso de máscara por parte daqueles que estejam vacinados ou que já foram contaminados, para tirar esse símbolo”. Não pode haver um tratamento mais radical e mais ofensivo do que esse, sobretudo vindo de um homem sem qualquer conhecimento médico ou científico, e que coloca-se acima das definições de grupos da Ciência.

CRISE – Enquanto isso, as contaminações continuam a ter uma presença marcante no incrível panorama nacional. Parece não ter saída a crise que se instalou, cujo final pode representar um recuo a dezembro de 1968 com a decretação do Ato Institucional nº 5 que ampliou o regime ditatorial e a falta de segurança individual das pessoas.

Finalmente, Jair Bolsonaro empenha-se em mudar a realidade. Tirou a máscara da face e agora a estrada a percorrer será marcada pelos obstáculos produzidos

CPI da Covid encomenda estudo de juristas para identificar os crimes de Bolsonaro na pandemia

Bate-boca na CPI da covid-19

Charge do J. Bosco (Arquivo Google)

Eliane Cantanhêde e Julia Affonso
Estadão

CPI da Covid aprovou requerimento para que juristas e pesquisadores de universidades apresentem um estudo sobre os crimes que podem ser imputados ao presidente Jair Bolsonaro por ações e omissões no combate à pandemia da covid-19. O objetivo é ter uma avaliação aprofundada de especialistas sobre as penas que podem ser atribuídas a Bolsonaro e outras autoridades consideradas responsáveis pelo agravamento da crise sanitária.
O pedido aos especialistas foi aprovado na sessão de quinta-feira, 11, em meio às diversas quebras de sigilo de aliados do presidente.

AÇÕES E OMISSÕES
– A ideia é que o núcleo de juristas avalie, por exemplo, em quais crimes podem ser enquadrados atos como desinformação e escolhas administrativas deliberadamente equivocadas.
Apresentado pelo senador  Alessandro Vieira (sem partido-SE), o requerimento afirma que o grupo será liderado pelo professor adjunto de Direito Penal Salo de Carvalho, da Faculdade Nacional de Direito da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

“Precisamos de uma avaliação jurídica mais aprofundada sobre o enquadramento típico da conduta do presidente da República”, afirmou Vieira, que é delegado de polícia. “Até tenho minha opinião sobre os tipos legais que se aplicam, mas é oportuno buscar um respaldo maior.”

PEDIDOS DE INVESTIGAÇÃO – Como mostrou o Estadão em março, os pedidos para a Procuradoria-Geral da República (PGR) investigar presidentes bateram recorde na gestão de Bolsonaro. De cada três pedidos de investigação, dois foram apresentados depois do início da pandemia.

Parlamentares de partidos de oposição, como PSOL e PT, assinam algumas destas representações em que cobram a atuação do procurador-geral da República, Augusto Aras.

Nelas, acusam o chefe do Executivo de infrações a medidas sanitárias por não usar máscara, crime de responsabilidade e até genocídio. Nenhum dos pedidos, porém, avançou até agora.

QUEBRA DE SIGILO – A CPI já aprovou a quebra do sigilo telefônico e telemático de pessoas ligadas a Bolsonaro e integrantes do chamado “gabinete paralelo”. O grupo assessorou o presidente, incentivando o discurso contrário à vacina e defendendo o tratamento precoce com medicamentos sem eficácia comprovada para combater o coronavírus, como a cloroquina.

“Fiz uma reunião aqui do (grupo) ‘Médicos pela Vida’. Entre eles, a Nise Yamaguchi (…). Conversei com Arthur Weintraub. A CPI mostra aquilo como gabinete paralelo. É como falam em gabinete do ódio”, criticou Bolsonaro, na noite desta quinta-feira, 10, em transmissão ao vivo pelas redes sociais.

A lista dos que terão seus dados abertos inclui os ex-ministros Eduardo Pazuello (Saúde), Ernesto Araújo (Relações Exteriores) e o assessor especial da Presidência, Filipe Martins.

VENDAS DE CLOROQUINA – Além disso, a CPI pediu acesso a informações de empresas que receberam recursos públicos e tiveram aumento nas vendas de cloroquina.

As medidas foram aprovadas no mesmo dia em que estava previsto o depoimento do governador do Amazonas, Wilson Lima. Ele não foi à CPI após decisão da ministra Rosa Weber, do Supremo Tribunal Federal (STF), que o livrou de prestar depoimento. A determinação abre caminho para que o mesmo ocorra com os outros oito governadores convocados, deixando o foco de desgaste para Bolsonaro.

No Dia dos Namorados, um poema de Paulo Peres em louvor à sua musa, a bela Cristina

Resultado de imagem para paulo peres poetaCarlos Newton

O advogado, jornalista, analista judiciário aposentado do Tribunal de Justiça (RJ), compositor, letrista e poeta carioca Paulo Roberto Peres homenageia o dia de hoje através deste “Soneto dos Namorados” e festeja seu amor à bela Cristina.

SONETO DOS NAMORADOS

Paulo Peres

Dia dos Namorados.
Corações iluminados,
Beijos, abraços, amores,
Poemas, canções e flores.

Nos salões dos sentimentos
Sob luz de velas e violinos
Casais eternizam momentos,
Sonhos reais, cristalinos.

O namorar é o vital sabor
Da idade, descoberta e valor
Cuja beleza maior está na grandeza modesta.

Invoco à bênção futura
Cultivar do passado a ternura
Aos hoje namorados em festa.

Objetivo do Supremo é governar o país sem ter a necessidade de participar das eleições

Charge do Duke (domtotal.com)

J.R. Guzzo
Gazeta do Povo 

O Supremo Tribunal Federal, quando se deixa de lado os não-me-toques usados para “proteger as instituições”, e se fala em português claro, funciona cada vez mais abertamente como o principal protetor do crime no Brasil — e tem cada vez menos interesse em disfarçar o que está fazendo.

O ministro Fachin proibiu os voos de helicóptero da polícia sobre as favelas do Rio de Janeiro; o único direito que ficou garantido, no caso, foi o dos criminosos, que agora estão protegidos de ações policiais capazes de revelar suas posições no território que ocupam.

OUTRAS DECISÕES – O ministro Marco Aurélio soltou um dos maiores traficantes de droga do país; o homem fugiu no ato, e nunca mais foi encontrado.

O ministro Gilmar Mendes não pode ver um ladrão do erário sem sacar do bolso um alvará de soltura.

Agora é a vez da ministra Rosa Weber, que deu ao governador do Amazonas, um dos políticos brasileiros mais enrolados com suspeitas de corrupção no uso de verbas públicas no combate à covid, o privilégio de não ser interrogado nesse picadeiro de circo que “investiga” a pandemia no Brasil.

ARGUMENTO ESPANTOSO –  A ministra  Weber deu um argumento espantoso para a sua decisão: o governador, segundo ela, não pode sofrer “constrangimentos” na CPI da Covid. Por que não?

Só porque está metido na Operação Sangria, da Polícia Federal? Ou só porque precisa esconder as responsabilidades diretas do governo do Amazonas no sinistro colapso do fornecimento de oxigênio em Manaus, no começo do ano — que a “Resistência”, desde então, tenta desesperadamente jogar em cima do governo federal?

Todos os inimigos do presidente da CPI, do seu relator e da bancada da esquerda que controla os chamados “trabalhos” têm sido insultados em público, das formas mais grosseiras que se possa imaginar, pelos inquisidores.

DIREITOS HUMANOS – Ninguém, no STF ou em qualquer outra entidade de oposição ao governo, se lembrou até agora de mexer uma palha em favor dos seus direitos.

Por acaso eles não estão sendo constrangidos da maneira mais agressiva, cínica e desleal em seus interrogatórios? Por que o governador do Amazonas não pode ser constrangido, mas a dra. Mayra Pinheiro pode?

Há desculpas vagas de que ouvir o governador na CPI poderia ferir a “independência de poderes”. Como assim, se o próprio STF não faz outra coisa senão violar diretamente os direitos dos outros dois poderes?

DEPUTADO PRESO – Os ministros conseguiram prender um deputado federal em pleno exercício do seu mandato. A cada instante dão “três dias”, ou “cinco dias”, para o presidente da República e os seus ministros fazerem isso e aquilo.

Atendem a qualquer exigência que os partidos de esquerda lhes apresentam, por mais fútil que seja, para atacar o governo. “Interferência?” Que conversa é essa?

Alega-se, também, que o governador do Amazonas — o Estado brasileiro onde o Covidão roubou mais que em qualquer outro — está sendo investigado pela polícia, e se fosse ouvido na CPI poderia incriminar a si mesmo.

BAIXA QUALIDADE – É chicana jurídica de baixa qualidade. Um administrador minimamente honesto não teria problema nenhum em responder a qualquer pergunta, na CPI ou onde for. Se não fez nada de errado, por que está se escondendo?

Quanto à possibilidade de “incriminação”, estamos diante de uma piada vulgar. Não é exatamente esse o propósito declarado dos donos da CPI — incriminar os adversários?

Desde o seu primeiro dia, essa CPI tem sido um espetáculo inédito, mesmo para os padrões de safadeza da vida política brasileira, em matéria de hipocrisia, de desrespeito ao público e de desonestidade em estado bruto.

PIORES DENÚNCIAS – Como definir esta aglomeração, quando o presidente da CPI é um político desse mesmíssimo Amazonas, envolvido nas piores denúncias de roubalheira na área da saúde?

Sua própria mulher foi presa, pelo mesmo motivo; seus três irmãos também foram presos, também por ladroagem e também na saúde. Dizer mais o quê?

É óbvio que o STF está agindo e vai agir como aliado vital dessa gente. Faz todo o sentido que seja assim. Sua missão, seu objetivo e seus interesses são os mesmos — governar o país sem a necessidade de ganhar eleições

Vão fazer qualquer coisa para continuar assim.

(artigo enviado por Celso Serra)

Ministro Gueiroga se equilibra na corda bamba e Bolsonaro está doido para derrubá-lo

Charge do Clayton (O Povo/CE)

Vicente Limongi Netto

O ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, está no dilema da peça de Oduvaldo Viana Filho e Ferreira Gullar: se correr o bicho pega, se ficar o bicho come. Caso endosse a maluquice de Bolsonaro contra o uso da máscara pelos vacinados ou curados, está fadado a se desmoralizar e se tornar irmão siamês do ex-ministro Eduardo Pazuello, o serviçal fardado.

Como tem de discordar do atabalhoado presidente, o “tal Queiroga” cai em desgraça e deve ser o quarto da lista. Tem que se equilibrar na corda bamba, sem rede por baixo

500 MIL MORTOS – Triste cenário da quadra brasileira. Estamos à mercê de atitudes desvairadas e irresponsáveis de um chefe da nação que parece torcer para o Brasil alcançar, ainda em junho, o patamar desesperador de 500 mil mortos pela covid-19.

Enquanto isso, na CPI, o  senador Marcos Rogério (DEM-RO), além de esmerado subserviente ao governo Bolsonaro, revela outro torpe desvio de conduta — a falta de educação.

Desesperado, sem argumentos, foi grosseiro e rude com o senador e médico baiano, Otto Alencar, o integrante mais idoso da CPI da covid-19.  Mas Alencar naõ se intimidou e respondeu no tom que a estupidez do transloucado  Rogério merecia. 

MOSTRANDO SERVIÇO – Arrogante e pretensioso, sempre na ânsia de mostrar repugnantes serviços ao Palácio do Planalto,  o enfadonho e empolado senador tem  o patético  costume de desapreciar as decisões do presidente Omar Aziz, do vice-presidente Randolfe Rodrigues  e do relator Renan Calheiros.

Quando mostra-se acuado diante das sandices que defende e não tem mais argumentos, Marcos Rogério tumultua os trabalhos da comissão, com provocações, intromissões e pérfidas ironias, tentando agradar Bolsonaro. 

Outro que deu vexame na CPI foi Angelo Denicoli, militar demitido segunda-feira do cargo de diretor do Departamento de Monitoramento e Avaliação do SUS. Por incrível que pareça, no mesmo dia foi contratado para o gabinete da presidência da Petrobras, como gerente-executivo. 
INFORMAÇÃO FALSA – Segundo o jornalista Lauro Jardim, de O Globo, o bajulador Delicoli notabilizou-se no ministéiro da Saúde por ter publicado em sua conta no Instagram uma informação falsa sobre a hidroxicloroquina, anunciando que uma organização dos EUA aprovara seu uso para tratamento de todos os casos de Covid. Publicou ainda em seu perfil críticas à OMS.
Agora , aparece nomeado para a Petrobras no mesmo dia em que foi demitido no Ministério da Saúde, numa velocidade inacreditável, foi a nomeação mais rápida da História Universal.
A Petrobras  tem Código de Ética. Será que vai examinar quem é esse novo gerente-executivo? A nomeação-relâmpago mancha a marca Petrobras que vinha se recuperando de repetidos escândalos.

Bolsonaro acredita que a quebra de sigilos pela CPI da Covid pode “ferrar” o governo 

Jair-Bolsonaro

Jair Bolsonaro enfrenta um problema atrás do outro

Vicente Nunes
Correio Braziliense

Duas pessoas que conversaram com o presidente Jair Bolsonaro afirmam, de forma categórica, que ele está com muito medo da quebra de sigilos pela CPI da Covid. No entender de Bolsonaro, isso pode “ferrar” o governo.

Há suspeitas entre os senadores de que integrantes do Palácio do Planalto receberam propina de laboratórios fabricantes de cloroquina.

ESTRATÉGIAS – Não por acaso, o presidente está tentando criar um fato atrás do outro para confundir a população. A fala sobre o possibilidade de o governo derrubar a obrigatoriedade do uso de máscaras por quem já foi vacinado ou teve covid-19 está dentro dessas estratégias.

Assessores do presidente já estão correndo para averiguar até que ponto a quebra de sigilos pela CPI pode atingir em cheio o Planalto. Estão na lista das pessoas que tiveram aprovada a quebra de sigilos telefônico e telemático o ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello, o assessor internacional da Presidência da República, Filipe Martins, e o empresário Carlos Wizard.

QUEIROGA NA MIRA – Nos bastidores do governo, o ministro da Economia, Paulo Guedes, costuma se referir ao ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, como uma mistura de Eduardo Pazuello com Luiz Henrique Mandetta, ex-chefes da pasta.

Para Guedes, Queiroga reúne a subserviência de Pazuello ao presidente Jair Bolsonaro e a exposição midiática de Mandetta. 

Ou seja, nas entranhas do governo, Queiroga faz o que Bolsonaro quer, sem questioná-lo, mesmo que não concorde com as determinações, mas, quando está de frente para as câmaras defende o que a ciência prega e fica bem na foto.

NA FRITURA – Porém, mesmo com esse jogo de cintura do ministro, quem sabe das coisas de dentro do governo diz que, apesar do seu lado Pazuello, Queiroga já não agrada mais Bolsonaro. O presidente vê nele mais o lado Mandetta, por ter bom trânsito com a mídia.

Bolsonaro, como se sabe, é invejoso demais. Portanto, começou a contagem regressiva para ver até quanto tempo Queiroga fica no cargo.

Como ocorre no Brasil, os super-ricos dos EUA não pagam quase nada de imposto de renda

Jeff Bezos, Warren Buffet e Elon Musk

Site vasculhou as declarações de Bezos, Buffet e Musk

Deu na BBC

Detalhes que alegam revelar quão pouco imposto de renda pagam os bilionários americanos vazaram para um site de notícias. O site ProPublica afirma ter visto as declarações de impostos de algumas das pessoas mais ricas do mundo, incluindo Jeff Bezos, Elon Musk e Warren Buffett.

Alega que Bezos, da Amazon, não pagou impostos em 2007 e 2011, enquanto Musk, da Tesla, não pagou nada em 2018. Uma porta-voz da Casa Branca chamou o vazamento de “ilegal”, e o FBI e as autoridades fiscais estão investigando.

TESOURO DE DADOS – O ProPublica disse que está analisando o que chama de “vasto tesouro de dados da Receita Federal” sobre os impostos dos bilionários e que divulgará mais detalhes nas próximas semanas.

Embora a BBC não tenha conseguido confirmar as alegações, o alegado vazamento ocorre em um momento de crescente debate sobre o valor dos impostos pagos pelos ricos e a crescente desigualdade. O ProPublica disse que os 25 americanos mais ricos pagam menos impostos – uma média de 15,8% da renda bruta ajustada – do que a maioria dos trabalhadores americanos tradicionais.

Jesse Eisinger, repórter sênior e editor da ProPublica, disse ao Programa Hoje: “Ficamos muito surpresos que você pudesse baixar [os impostos] a zero se fosse um multimilionário. Na verdade, pagar zero em impostos realmente nos deixava no chão. Pessoas ultrarricas podem contornar o sistema de uma forma totalmente legal.”

BRECHAS NO SISTEMA – “Os ricos têm uma capacidade enorme de encontrar deduções, encontrar créditos e explorar brechas no sistema”, disse ele. Portanto, embora o valor da riqueza cresça enormemente por meio da propriedade de ações de sua empresa, isso não é registrado como receita.

Porém, há mais do que isso, disse ele: “Eles também fazem deduções fiscais agressivas, muitas vezes porque pediram dinheiro emprestado para financiar seu estilo de vida.”

Ele disse que os bilionários americanos compram um ativo, constroem um ou herdam uma fortuna e, então, tomam emprestado contra sua riqueza. Assim, porque eles não realizam nenhum ganho ou vendem qualquer ação, eles não estão recebendo nenhuma receita, que possa ser tributada.

DEDUZEM TUDO – “Eles então pegam emprestado de um banco a uma taxa de juros relativamente baixa, vivem disso e podem usar as despesas com juros como dedução de suas receitas”, disse ele.

O site disse que “usando estratégias tributárias perfeitamente legais, muitos dos super-ricos são capazes de reduzir suas contas de impostos federais a nada ou quase a isso”, mesmo que sua riqueza tenha disparado nos últimos anos.

Os ricos, como acontece com muitos cidadãos comuns, podem reduzir suas contas de imposto de renda por meio de coisas como doações de caridade e retirando dinheiro da receita de investimentos em vez da receita de salários.

MENOS IMPOSTOS – O site ProPublica, usando dados coletados pela revista Forbes, disse que a riqueza dos 25 americanos mais ricos coletivamente aumentou US$ 401 bilhões de 2014 a 2018 – mas eles pagaram US$ 13,6 bilhões em imposto de renda ao longo desses anos.

O presidente Joe Biden prometeu aumentar os impostos sobre os americanos mais ricos para melhorar a igualdade e arrecadar dinheiro para seu enorme programa de investimento em infraestrutura.

Ele quer aumentar a alíquota máxima do imposto, dobrar o imposto sobre o que aqueles que ganham com altos investimentos e alterar o imposto sobre herança. No entanto, a análise da ProPublica concluiu: “Enquanto alguns americanos ricos, como administradores de fundos de hedge, pagariam mais impostos sob as atuais propostas do governo Biden, a grande maioria dos 25 principais veria pouca mudança.”

DIZ SOROS – Um dos bilionários mencionados, o filantropo George Soros, também teria pago impostos mínimos. Seu escritório não respondeu a um pedido de comentários da BBC, mas disse em um comunicado à ProPublica que Soros não devia impostos há alguns anos por causa de perdas em investimentos.

A declaração também apontou que ele há muito apóia impostos mais altos para as pessoas mais ricas da América.

De acordo com relatos nos Estados Unidos, Michael Bloomberg, ex-prefeito de Nova York cujos detalhes fiscais estavam entre os documentos, disse que a divulgação levantava questões de privacidade e que ele usaria “meios legais” para descobrir a fonte do vazamento.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Se lá na matriz USA é assim, apesar de sonegação dar cadeia, como nos casos do gangster Al Capone e do ator Wesley Snipes, imaginem como funciona a coisa aqui na filial Brazil, onde ministro do Supremo é apanhado em sonegação e dá ordens para a Receita esquecer o assunto… Ah, Brasil! (C.N.)