No Dia do Mestre, um poema de Cora Coralina homenageia os professores

Resultado de imagem para cora coralinaPaulo Peres
Site Poemas & Canções
Cora Coralina, pseudônimo de Ana Lins dos Guimarães Peixoto Bretas (1880-1985), nasceu em Goiás Velho. Mulher simples, doceira de profissão, tendo vivido longe dos grandes centros urbanos, alheia a modismos literários, produziu uma obra poética rica, conforme este belo poema “Elevar”, que publicamos hoje para homenagear o Dia do Mestre.


ELEVAR
 

Cora Coralina

Professor, “sois o sal da terra e a luz do mundo”.
Sem vós tudo seria baço e a terra escura.
Professor, faze de tua cadeira,
a cátedra de um mestre.
Se souberes elevar teu magistério,
ele te elevará à magnificência.
Tu és um jovem, sê, com o tempo e competência,
um excelente mestre.

Meu jovem Professor, quem mais ensina e quem mais aprende?
O professor ou o aluno?
De quem maior responsabilidade na classe,
do professor ou do aluno?
Professor, sê um mestre. Há uma diferença sutil
entre este e aquele.
Este leciona e vai prestes a outros afazeres.
Aquele mestreia e ajuda seus discípulos.
O professor tem uma tabela a que se apega.
O mestre excede a qualquer tabela e é sempre um mestre.
Feliz é o professor que aprende ensinando.
A criatura humana pode ter qualidades e faculdades.
Podemos aperfeiçoar as duas.
A mais importante faculdade de quem ensina
é a sua ascendência sobre a classe
Ascendência é uma irradiação magnética, dominadora
que se impõe sem palavras ou gestos,
sem criar atritos, ordem e aproveitamento.
É uma força sensível que emana da personalidade
e a faz querida e respeitada, aceita.
Pode ser consciente, pode ser desenvolvida na escola,
no lar, no trabalho e na sociedade.
Um poder condutor sobre o auditório, filhos, dependentes, alunos.
É tranquila e atuante. É um alto comando obscuro
e sempre presente. É a marca dos líderes.

A estrada da vida é uma reta marcada de encruzilhadas.
Caminhos certos e errados, encontros e desencontros
do começo ao fim.

Feliz aquele que transfere o que sabe e aprende o que ensina.
O melhor professor nem sempre é o de mais saber,
é sim aquele que, modesto, tem a faculdade de transferir
e manter o respeito e a disciplina da classe.

Organização Globo tenta demolir o ficha-limpa Witzel e eleger o ficha suja Paes

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Carlos Nuzman e Paes enriqueceram na Olimpíada

Carlos Newton

A campanha para governador do Rio de Janeiro está cada vez mais emocionante. Os dois candidatos (Wilson Witzel, do PSC, e Eduardo Paes, do DEM) deixaram as propostas de lado e a campanha descambou totalmente para a baixaria. O mais interessante, porém, é o apoio flagrante da Organização Globo, que usa todas as suas armas – jornais, TVs e rádios – na tentativa de destruir a imagem do ex-juiz Wilson Witzel, que tem ficha-limpa e uma carreira vitoriosa em concursos públicos.

PAES É FICHA-SUJA – O grupo empresarial dos irmão Marinho quer eleger Eduardo Paes, que é um tremendo ficha-suja e somente conseguiu ser candidato com uma liminar no TSE, depois de condenado pelo TRE estadual. Ou seja, Paes conquistou exatamente  o que Lula da Silva pretendia – ser candidato sub judice.

Junto com o Pedro Paulo, seu secretário da Casa Civil, Paes foi condenado em dezembro de 2017 por abuso de poder político-econômico e conduta vedada a agente público. Foi decisão unânime do TRE.

LIMINAR SALVADORA – Paes e Paulo, que fazem uma espécie de dupla Batman e Robin na política estadual (mas ninguém sabe quem é o Batman e quem é o Robin), conseguiram em maio uma liminar do ministro Jorge Mussi, em decisão monocrática provisória que desconheceu a Lei da Ficha Limpa.

Pedro Paulo foi eleito deputado federal pelo DEM, mas perderá o mandato se o TSE confirmar a decisão unânime do TRE. O mesmo acontecerá com Paes, caso derrote Witzel, o que parece altamente improvável, embora não se possa desprezar o poderio da Vênus Platinada.

E a situação agora se complicou, porque a delação da Odebrecht acaba de revelar que um dos maiores legados da Olimpíada foram as propinas recebidas por Eduardo Paes e seu secretário de Obras, Alexandre Pinto, que depôs na Justiça Federal e acusou o então prefeito de chefiar o esquema de corrupção.

ODEBRECHT CONFIRMA – Muitas empreiteiras estão envolvidas no esquema de Paes. Reportagem do Estadão, publicada na última sexta-feira, dia 12, mostra que o homem forte do Departamento de Propinas da Odebrecht, Benedicto Barbosa da Silva Júnior, declarou em delação premiada que a empreiteira baiana repassou propinas de R$ 15 milhões ao ex-prefeito do Rio Eduardo Paes (PMDB) e está tudo registrado na planilha da empresa, na qual Paes é apelidado de “Nervosinho”.

Na verdade, Paes é um dos poucos líderes da quadrilha do MDB do Rio de Janeiro que continuam à solta, enquanto Sérgio Cabral, Eduardo Cunha, Jorge Picciani e muitos outros já estão até cumprindo pena.

IRMÃOS MARINHO – Esta opção preferencial pelo ficha-suja Eduardo Paes depõe contra a nova postura jornalística dos irmãos Marinho, que alegam praticar “jornalismo independente” desde que, em 31 de agosto de 2013, renegaram o passado de Roberto Marinho e publicaram editorial considerando um erro o apoio que o patriarca global deu à ditadura militar.

Quando se pensava que as coisas estivessem melhorando na  Organização Globo, constata-se que nada mudou. Entre apoiar um homem honrado como Wilson Witzel, os irmãos Marinho rasgam a fantasia e se aliam a Eduardo Paes, fazendo um papel tão lamentável quanto o comportamento de Roberto Marinho em 1964. E assim la nave va, cada vez mais fellinianamente.

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P.S. –
Eduardo Paes deixou a prefeitura falida e destruiu o sistema previdenciário municipal. Suas obras principais (Museu do Amanhã, Trenzinho VLT e Cidade das Artes, que herdou de Cesar Maia), dão um prejuízo absurdo à Municipalidade, e o prefeito Marcelo Crivella precisa convocar uma entrevista coletiva, ao lado do secretário da Fazenda, para denunciar a real dimensão do legado de Eduardo Paes e Pedro Paulo. Mas é claro esse tipo de denúncia a Organização Globo jamais divulgará. (C.N.)

Totalmente desmoralizados, Ibope e Datafolha preparam novas pesquisas

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Charge do Newton Silva (newtonsilva.com)

Léo Simonini
O Tempo

Ibope e Datafolha, dois dos principais institutos de pesquisas do país, irão divulgar mais um levantamento nesta semana, tanto da disputa presidencial entre Fernando Haddad (PT) e Jair Bolsonaro (PSL), quanto da estadual, entre Antonio Anastasia (PSDB) e Romeu Zema (Novo). Para a disputa pelo Palácio do Planalto, o Ibope divulga novos números nesta segunda-feira (15), onde serão entrevistadas 2506 pessoas de todo o Brasil.

A pesquisa foi contratada pela rede Globo e pelo Estadão. Para as disputas de governadores, o instituto divulga o resultado na quarta-feira (17), quando serão ouvidas cerca de 1,5 mil pessoas em cada Estado.

Também na quarta-feira 17 o Datafolha mostra os dois resultados, tanto para presidente, quanto para governador. Serão 9128 entrevistados no Brasil, enquanto que para o cargo de governador serão cerca de 1,5 mil eleitores ouvidos.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Os institutos de pesquisa – todos eles, incluindo Vox Populi, Paraná, MDA etc. – estão completamente desmoralizados pela imprecisão de seus resultados no primeiro turno. Vamos acompanhar como se comportarão agora, já quase na metade do segundo tempo. Aliás, será que existe alguém que ainda confie em pesquisa eleitoral? (C.N.)

Fernando Haddad espera que FHC formalize apoio à sua candidatura

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FHC diz que não apoia Bolsonaro, de jeito nenhum

Alessandro Giannini
O Globo

O candidato do PT à Presidência da República, Fernando Haddad,  disse neste domingo, em São Paulo, que espera obter apoio do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que declarou neutralidade, mas admitiu a possibilidade de apoiar o concorrente petista. Em entrevista ao jornal “O Estado de S. Paulo”, publicada neste domingo, FH disse existir um muro entre ele e Bolsonaro, e que, por enquanto, havia uma porta a ser aberta na direção de Haddad.

—  Se depender de mim, essa porta vai ser aberta em nome da democracia — disse o candidato, que mantém uma relação cordial com Cardoso, além de terem amigos em comum.

DEMOCRACIA EM JOGO —“Independentemente de o PSDB ser oposição ou situação no próximo governo, o mais importante hoje é garantir as liberdades democráticas, que estão em risco em nosso país, como ele mesmo reconhece na entrevista”, disse. 

Haddad também comentou a campanha de Bolsonaro na TV e no rádio, que aponta o PT e seus principais líderes como defensores dos regimes de Cuba e Venezuela:

— Olha, o PT nunca violou um princípio democrático enquanto esteve no comando do governo. O Estado democrático de Direito era e continua sendo um princípio basilar nosso. O meu adversário, ao contrário, defendeu tortura, a morte de 30 mil pessoas durante a ditadura, chamou Dom Paulo Evaristo Arns de vagabundo e charlatão. E está tudo registrado.

OLAVO DE CARVALHO – O candidato petista também comentou um tuíte publicado pelo filósofo Olavo de Carvalho, e republicado por um dos filhos de Bolsonaro, dizendo que o candidato do PT defendia o incesto. Carvalho apagou a publicação logo em seguida. 

—  Já disseram que sou dono de uma Ferrari e que meu relógio, presente da minha família quando me formei, custa R$ 400 mil reais —  disse —  Onde essa loucura vai parar?

Haddad também atacou Bolsonaro por espalhar “mentiras” na internet sobre sua religiosidade. E incluiu a imprensa no desabafo:  “Não entendo por que razão a imprensa não está denunciando isso”.

Guedes quer baixar o imposto de importação e destruir a indústria brasileira

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Guedes é um apátrida que não se interessa pelo Brasil

Daniela Lima
Folha/Painel

O presidente do DEM, ACM Neto, quer manter distância pública de Jair Bolsonaro (PSL), mas avisou a aliados que sua estrutura na Bahia vai trabalhar e pedir votos para o candidato. Prefeito de Salvador, ACM Neto disse optar pelo capitão da reserva contra o PT, mas afirmou que não se envolveria pessoalmente na eleição. Ele, porém, tem falado com apoiadores do presidenciável para acompanhar os passos da campanha e já na semana passada admitiu colocar o bloco na rua para ajudar no Nordeste.

A pessoas próximas, ACM Neto disse que não está disposto a fazer campanha em suas redes sociais, mas que derrotar o PT é fundamental para sua estratégia política no estado, governado por petistas há mais de uma década.

ACENDA O FAROL – Executivos de emissoras de televisão disseram a interlocutores que um dos pleitos que farão ao próximo governo é a proibição do pagamento de bonificações por volume, espécie de bônus a agências que emplaquem publicidades na grade de programação. A TV Globo é adepta da prática.

O PT vai explorar contradições de Bolsonaro em relação a questões sociais. Neste domingo (14), Haddad terá um encontro com pessoas com deficiência, em SP. O capitão reformado e seu filho Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) votaram contra um inciso da lei que criou o Estatuto da Pessoa com Deficiência, em 2015.

APOIO A HADDAD – O grupo de advogados intitulado “Prerrogativas” lança nesta segunda (15) manifesto pluripartidário em apoio à candidatura de Fernando Haddad (PT). O documento afirma que a união se dá em torno da defesa da democracia, que está acima de “interesses individuais, corporativos e partidários”. Os organizadores recolheram, até a noite de sexta-feira (dia 12), cerca de 500 adesões ao manifesto.

O candidato ao governo do RN, Carlos Eduardo (PDT), deve ser no máximo advertido pela sigla por ter declarado apoio a Bolsonaro. Ele disputa o segundo turno contra Fátima Bezerra (PT).

Um pedetista justifica: o partido não pode obrigá-lo a se suicidar eleitoralmente para preservar o PT.

FINS E MEIOS – A equipe que ajuda o guru econômico de Bolsonaro, Paulo Guedes, a estruturar as ideias para a área incluiu como medida a ser tomada nos 100 primeiros dias de um eventual governo a redução drástica de tarifas aplicadas ao mercado externo.

A proposta tem como guia relatório técnico da Secretaria de Assuntos Estratégicos do governo Temer de março deste ano. O estudo simula a redução da tarifa para a importação de produtos de 57 setores de bens comercializáveis.

O relatório da SAE estima que haveria redução geral de no mínimo 5% no patamar dos preços. Por outro lado, “as firmas menos competitivas tendem a não sobreviver, o que leva os trabalhadores a migrarem para outros setores da economia”.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Ao invés de incentivar a indústria brasileira, o gênio do mal Paulo Guedes quer baixar o imposto de importação (IPI) para abrir empregos na China e em outros países. Os generais que assessoram Bolsonaro precisam enquadrar esse entreguista, que pretende vender o Brasil por 30 dinheiros. (C.N.)

“Bolsonaro fomenta violência e estupro”, declara Haddad à agência France Press

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Haddad investe na “demonização” de seu adversário

Deu no Correio Braziliense

O candidato à presidência, Fernando Haddad, acusou neste sábado (14/10) seu adversário de ultradireita, Jair Bolsonaro, favorito nas pesquisas, de fomentar a violência e a cultura do estupro. “Meu adversário fomenta violência, inclusive a cultura do estupro, ele chegou a dizer para uma colega do parlamento que não a estuprava porque não o merecia. Você quer uma sinalização mais violenta do que essa em relação à sociedade?”, alertou Haddad em uma entrevista exclusiva à agência France Press em São Paulo.

Bolsonaro, que obteve no primeiro turno 46% dos votos, contra 29% de Haddad, candidato do Partido dos Trabalhadores (PT), propõe liberalizar o porte de armas para combater a criminalidade, um dos temas mais controversos da campanha.

HADDAD CRITICA – Para Haddad,  escolhido do ex-presidente Lula para substituí-lo na corrida à presidência enquanto cumpre pena de prisão em Curitiba, trata-se de uma resposta com limitações. “Ninguém suporta bandidagem. A questão é que as propostas do Bolsonaro, que são pouquíssimas, inclusive na área em que ele se diz especialista, não vão resolver”, disse o ex-prefeito de São Paulo, de 55 anos.

“Armar a população não vai resolver. Quem tem que prestar o serviço de segurança publica é o Estado. E, se o Estado não está prestando o serviço corretamente, nós temos que adequar o serviço. A minha proposta é que o governo federal, que hoje cuida pouco da segurança, passe a cuidar e a assumir parte das responsabilidades, sobretudo em relação ao crime organizado”, acrescentou.

CONFIANÇA – Haddad, que é professor de Ciência Política e Políticas Públicas, acredita que Bolsonaro perderá a eleição e que ele encontrará canais de diálogo com o Legislativo. “Um professor tem muita mais chance de abrir um diálogo do que alguém como meu adversário, que nunca vi chamar ninguém para dialogar, que nunca aprovou nada relevante em 28 anos de mandato”, afirmou. Haddad ressaltou que Bolsonaro “sempre incitou a violência”. “Imagina uma pessoa que tem como herói um dos maiores torturadores do continente. Essa pessoa é que lidera as pesquisas, mas vai perder”, declarou.

O candidato do PT criticou ainda a forma como Bolsonaro, conhecido por sua retórica misógina, homofóbica e racista, faz campanha, sobretudo por meio do aplicativo de mensagens Whatsapp. “Acho que o que predominou foi a mentira, não foi o Whatsapp. Se ele tivesse usado o Whatsapp para falar a verdade eu não teria nenhum problema com a campanha dele. O problema é que nós já entramos com não sei quantas ações judiciais para tirar do ar os vídeos que a campanha dele produz falando mentiras a respeito de mim e da minha vice (Manuela d’Ávila). O trabalho de desfazer uma mentira é muito maior do que de falar a verdade”, reclama.

“Não sei de onde vem tanto dinheiro para tanta mensagem de Whatsapp, porque ele não declara os custos disso, dando a impressão de que é tudo voluntário”, questiona.

“ERROS” DO PT – Outra estratégia eleitoral de Bolsonaro é vincular Haddad à perpetuação da corrupção, já que o PT foi um dos partidos mais atingidos pela operação Lava-Jato. Haddad reconheceu que seu partido cometeu “erros” quando esteve no poder, mas lembrou que nesses treze anos de governo Lula e Dilma fortaleceram os órgãos de combate à corrupção que permitiram à polícia e à justiça avançar nas investigações.

“Se você perguntar qual foi o governo que mais equipou o Estado para combater a corrupção, foi o nosso. Nosso governo não botou nada para baixo do tapete”.

“Eu compartilho a mesma visão da sociedade de que a corrupção é uma coisa intolerável, mas Bolsonaro em 28 anos no Congresso federal não fez nada, em área nenhuma. Ele só grita contra as coisas, mas o que ele propõe não tem consistência nenhuma”, disse.

Bolsonaro ironiza Haddad e diz que só aceita debate ‘sem interferência de Lula’

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Bolsonaro diz que Haddad será “ventríloquo” de Lula 

Correio Braziliense
(Agência Estado)

O candidato do PSL à Presidência da República, Jair Bolsonaro, disse que concorda em ir a debates com seu adversário, Fernando Haddad (PT), mas desde que não haja “interferência externa”, referindo-se à suposta influência do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva na campanha de Fernando Haddad (PT).

“Se for debate só eu e ele (Haddad), sem interferência externa (de Lula), eu topo comparecer. Estou pronto para debater; tem de ser sem participação de terceiros”, ironizou, em meio a uma gravação de programas eleitoral na casa do empresário Paulo Marinho, no Jardim botânico, bairro da zona sul do Rio.

O fato de Bolsonaro não confirmar a participação em debates — o capitão reformado já disse que avalia não ir a nenhum, como estratégia para vencer — tem sido uma das maiores críticas feitas por Haddad a ele. No sábado pela manhã, o petista voltou a falar sobre o tema: “Quem não tem propostas, não tem o que debater”, afirmou, antes de encontro com coletivos culturais na Cohab Raposo Tavares, na zona oeste da capital paulista.

VENTRÍLOQUO – Bolsonaro tem rebatido as críticas dizendo que não vale a pena debater com Haddad porque não é ele quem toma as decisões. O militar chamou Haddad de “ventríloquo de Lula” (em aparente confusão, pois ele deveria querer dizer que Lula é o ventríloquo de Haddad) e disse que o adversário não escolherá os ministros caso seja eleito.

 “Quem vai escalar time de ministros será o Lula. Não adianta (ele) ter boas propostas se vai ter indicação política”, continuou. “O mais importante é ter independência para escalar um time de ministros componentes.”

Continência – Questionado sobre essas falas do candidato do PSL, Haddad respondeu que “quem bate continência para americano não tem moral para falar nada”, em referência a uma ocasião em que, em viagem aos Estados Unidos, Bolsonaro bateu continência à bandeira norte-americana.

Haddad ainda tenta encontrar uma estratégia para enfrentar Bolsonaro

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Agora, as duas campanhas usam o verdade e amarelo

Sérgio Roxo
O Globo

Na primeira semana antes do segundo turno, o candidato petista Fernando Haddad não conseguiu fechar as alianças da pretendida “frente democrática” e deixou de lado as agendas de rua que vinha fazendo, passando a se dedicar a reuniões com o comando da campanha em busca de uma estratégia para superar a vantagem de Bolsonaro, e às gravações para o horário eleitoral. O programa agora é diário e tem cinco minutos de duração, quase o dobro do primeiro turno. Serão 13 até a disputa eleitoral, além das inserções exibidas ao longo da programação.

Numa estratégia desenhada para ser implantada de forma casada com a adesão de integrantes de outras correntes políticas, a campanha trocou as cores principais do material de campanha, reduzindo o vermelho e aumentado o verde, o amarelo e o azul. O slogan passou a ser “Brasil para Todos” em substituição ao “Brasil Feliz de Novo”, que remetia aos anos Lula. O líder petista, que está preso em Curitiba, também perdeu destaque na campanha.

DUAS SEMANAS – O PT terá agora apenas duas semanas para tentar reverter a situação. Pesquisa Datafolha divulgada na última quarta-feira mostrou Bolsonaro com 58% dos votos válidos, e Haddad com 42%. A aposta será toda nos ataques duros ao capitão reformado, que começaram a ser adotados pelo presidenciável petista em entrevistas e no horário eleitoral.

A ideia é ligá-lo aos episódios de violência registrados nos últimos dias e destacar o medo no eleitor de um eventual governo da candidato do PSL. Declarações do adversário contra o Bolsa Família e direitos dos trabalhadores também serão exploradas.

Nesta segunda-feira, o candidato deve aproveitar o Dia do Professor e fazer uma agenda com representantes da categoria em São Paulo. Faz parte da estratégia destacar a vida de Haddad como professor. Até assumir a candidatura, ele dava aulas no Insper, em São Paulo.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGAté agora, a nova estratégia se resumiu em colocar o verde e amarelo na campanha, reduzir a onipresença de Lula e chamar Bolsonaro para um debate.  Apenas isso, e é muito pouco para derrotar o capitão. (C.N.)

Vice de Bolsonaro está proibido de dar entrevistas e prepara-se para casar

General Antônio Hamilton Mourão em entrevista no dia da eleição
Foto: Ailton Freitas / Ailton Freitas

Última declaração foi sobre o “braqueamento da raça”

Jussara Soares
O Globo

Na quinta-feira, o presidenciável Jair Bolsonaro se reuniu pela primeira vez com a bancada eleita de seu partido, o PSL, no Rio de Janeiro. Cinquenta dos 52 deputados federais compareceram. Uma ausência, porém, foi sentida: a do candidato a vice de Bolsonaro, general Antonio Hamilton Mourão (PRTB).

Antes onipresente, Mourão sumiu após o primeiro turno. Antes solícito, esquivou-se de entrevistas. Sua última declaração foi no dia da eleição, quando admitiu ter errado ao dizer que o neto era bonito e contribuía para o “branqueamento da raça”.

A PEDIDOS – O sumiço é um pedido da equipe da campanha. A capacidade de Mourão de colecionar polêmicas com suas declarações preocupava o entorno de Bolsonaro.

Mourão sempre ignorou a fama de falastrão. Disse que foi justamente a clareza com que expõe suas ideias que o aproximou de Bolsonaro na política.

— Ele sempre soube dos meus posicionamentos – diz o general de 65 anos, assinalando que suas palestras de cerca de 45 minutos só agora começaram a ser criticadas. Em suas explanações, fala desde a formação do povo brasileiro até ao fato do neto de 10 anos estudar filosofia na escola. Foi em ambientes favoráveis que ele afirmou que o brasileiro herdou a “indolência” do índio e a “malandragem” do negro, e que lares apenas com “mães e avós” são “fábricas de desajustados.”

— Quando eu não era candidato ninguém dava bola para isso. Agora passou a ter repercussão – disse Mourão antes de sumir.

13º SALÁRIO – A declaração mais delicada de Mourão, que gerou uma reprimenda pública de Bolsonaro, foi uma crítica ao 13º salário. Mas, ao contrário de Bolsonaro, Mourão não se sente perseguido pela imprensa.

— Eu não fico chateado, porque creio na liberdade de imprensa, entendo como um valor. A mídia é feita para os governados, não para os governantes. Os governantes têm que estar sob pressão – diz. – Você vai apanhar sempre. Sei que estou suscetível a críticas.

Foi justamente após uma declaração polêmica que Mourão recebeu o convite de Bolsonaro para entrar na política, no fim de 2017. Na oportunidade, ele havia perdido o cargo de secretário de Economia e Finanças do Exército por defender a possibilidade da intervenção militar caso o Judiciário não conseguisse resolver “o problema político”.

VELHOS AMIGOS – Bolsonaro e Mourão se conheceram em 1986, quando eram tenentes no 8° Grupo de Artilharia de Campanha Paraquedista, no Rio. Em setembro daquele ano, Bolsonaro foi preso por 15 dias após publicar um artigo na revista “Veja” protestando contra os baixos salários. A convivência na Vila Militar, onde ambos moravam,foi curta. Em 1988, Bolsonaro foi eleito vereador.

— Sempre tivemos uma boa relação. Éramos uma dupla de amigos no Exército – contou Mourão.

É essa dupla de amigos que Mourão garante que os dois vão reeditar – e não uma versão verde oliva de Dilma Rousseff e Michel Temer.

VAI CASAR – O fato de ser um general e estar subordinado a um capitão, posição inferior na hierarquia militar, não será uma questão.

— Isso não tem problema – afirma Mourão, cuja patente alta o blinda de ser questionado por outros integrantes da campanha.

O único assunto que Mourão se recusa a comentar é seu casamento com uma tenente-coronel do Exército, de 42 anos, marcado para depois das eleições. “Isso é particular. Eu sou viúvo. A pessoa com quem eu convivo é divorciada. Nada mais natural que a gente se case” – resumiu.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Não somente o vice foi proibido de dar declarações por Bolsonaro, mas também o futuro ministro da Fazenda, Paulo Guedes, teve de ficar calado. Guedes revelou um furor uterino pelas privatizações e foi contido pela camisa-de-força dos generais que hoje cercam Bolsonaro para impedi-lo de fazer besteiras. (C.N.)

Advogado acusa Jungmann de crimes contra quem denunciou fraude nas urnas

Jugmann não apura denúncias e ameaça o eleitor

Jorge Béja

Sem convicção, sem certeza e cheio de desconfiança, mesmo assim adotemos como verdadeira a afirmação de que “a urna eletrônica é segura, não permite fraudes e é inviolável”. Ainda assim, se o eleitor a denuncia com provas que conseguiu obter –e não uma denúncia vazia e oportunista – neste caso as autoridades estão obrigadas a instaurar procedimento, no mínimo investigativo, com a convocação do eleitor (ou eleitores) para comprovar a denúncia.

O fato é gravíssimo e as autoridades não podem cruzar os braços. E tratando-se do pior e mais hediondo e abominável crime eleitoral, por ludibriar a boa-fé e a inocência de todo o povo brasileiro e de mais de 147 milhões de eleitores, as autoridades têm o indeclinável dever de acolher o(s) denunciante(s), tratá-los condignamente, por sua coragem, por seu civismo e por seu patriotismo de se expor(em) por uma causa justa e que precisa, inegavelmente, de imediata apuração.

MAS NA PRÁTICA… – Mas parece que as coisas não são assim. Circula na internet um vídeo de pouco mais de 5 minutos, em que o advogado Adão Paiani, com voz firme e demonstrando segurança, convicção e lastreamento fático e jurídico no que está afirmando, anuncia ele que deu entrada no dia 11 de outubro com uma representação criminal na Procuradoria-Geral da República contra o ministro da Segurança Pública, Raul Jungmann, pela prática dos crimes de prevaricação, constrangimento ilegal, ameaça e abuso de autoridade.

Isto porque, segundo o advogado, o ministro vem intimidando os cidadãos que denunciam irregularidades que comprometem a lisura da urna eletrônica, como ficou constatado no primeiro turno, diz o advogado. No final deste breve artigo, o endereço do vídeo para ser acessado e ver e ouvir o que fala o doutor Paiane.

TEM TODA RAZÃO – Não conheço o referido advogado. Mas como cidadão, eleitor e também advogado, dou razão ao doutor Adão PaianI. Se há denúncia de irregularidade, a postura da autoridade pública não pode ser a de ameaçar o(s) denunciante(s), e sim chamá-lo(s) e ouvi-lo(s), formalmente, para que traga(m) as provas, e sempre e sempre com a presença do Ministério Público Eleitoral, facultado ao denunciante, arguente ou queixoso – não importa o nome jurídico que lhe seja emprestado – a ampla defesa, o mais transparente e abrangente contraditório e a produção de todas as provas, que conseguiu obter e as que faltam produzir, visto tratar-se de tema intrincado, complexo, e sujeito a todo tipo de trapaça, como ocorre com tudo aquilo que diz respeito à informática e a modernidade do mundo virtual. Afinal de contas, é a Democracia que está em causa. E se procedente a denúncia, somos mais de 200 milhões de vitimados.

SEM IMPUTAÇÃO – E se a denúncia ou queixa não proceder, os eleitores (o eleitor) que reclamaram, se queixaram e se sentiram enganados pelo que, solitariamente, constataram na cabine diante daquela pequena telinha da urna eletrônica, a eles nenhuma imputação criminal pode ser feita. Mas não seria, em tese, denunciação caluniosa? Claro que não.

Ainda que não reste comprovada a denúncia, a denunciação foi corajosa e jamais caluniosa, mesmo porque inexiste sujeito passivo para tal eventual imputação, que seria desarrazoada. Amedrontadora é a posição do ministro contra quem o referido advogado representou criminalmente pelos crimes de constrangimento ilegal, prevaricação, ameaça e abuso de autoridade. Em todas as eleições, gerais ou não, a festa é do povo. E só ao povo pertence. Povo-eleitor.

E se parte do destinatário da festa denúncia de irregularidade (no caso, gravíssima), a denúncia é tão importante quanto o voto. E se muitas são as denúncias de igual sentido, como anuncia o doutor Adão Paiani, aí mesmo é que a gravidade se agiganta e compromete toda a Democracia e a confiança do eleitor. E assim estaremos diante de uma desgraça nacional.

Legado olímpico: Eduardo Paes levou R$ 15 milhões em propina da Olimpíada

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O maior legado foi para os bolsos de Eduardo Paes

Deu em O Dia
(Estadão Conteúdo)

O homem forte do Departamento de Propinas da Odebrecht, Benedicto Barbosa da Silva Júnior, declarou em delação premiada perante a Procuradoria-Geral da República que o grupo empresarial repassou mais de R$ 15 milhões ao ex-prefeito do Rio Eduardo Paes (PMDB), o ‘Nervosinho’, ‘ante seu interesse na facilitação de contratos relativos às Olimpíadas de 2016’. As solicitações teriam sido feitas em 2012.

“Dessa quantia, R$ 11 milhões foram repassados no Brasil e outros R$ 5 milhões por meio de contas no exterior. O colaborador apresenta documentos que, em tese, corroboram essas informações prestadas, havendo, em seus relatos, menção a Leonel Brizola Neto e Cristiane Brasil como possíveis destinatários dos valores”, relata o ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF) em decisão de 4 de abril que mandou investigar Eduardo Paes.

OUTRAS DELAÇÕES – O Estadão teve acesso a despachos do ministro Fachin, assinados eletronicamente no dia 4 de abril. Além de Benedicto Júnior, o ex-prefeito do Rio foi delatado pelos executivos da Odebrecht Leandro Andrade Azevedo e Luiz Eduardo da Rocha Soares.

Segundo Leandro André Azevedo, o ex-prefeito do Rio também teria negociado repasse de R$ 3 milhões da Odebrecht para a campanha a deputado federal de Pedro Paulo (PMDB) em 2010. O delator citou o sistema Drousys, a rede de comunicação interna, uma espécie de intranet, dos funcionários do “departamento da propina” da Odebrecht.

“Essas somas seriam da ordem de R$ 3 milhões, tendo a transação sido facilitada por Eduardo Paes, ex-prefeito do município do Rio de Janeiro, por meio de contato com o diretor Benedicto Júnior. Afirma-se, nesse contexto, que, no sistema ‘Drousys’, há referência a diversos pagamentos a “Nervosinho”, suposto apelido de Eduardo Paes”, narra Fachin na decisão que mandou investigar os peemedebistas.

PAES NEGA – Procurado pelo DIA, Eduardo Paes afirmou que “é absurda e mentirosa a acusação de que teria recebido vantagens indevidas por obras relacionadas aos Jogos Olímpicos.” Confira a nota na íntegra.

Eduardo Paes afirma que é absurda e mentirosa a acusação de que teria recebido vantagens indevidas por obras relacionadas aos Jogos Olímpicos. Ele nega veementemente que tenha aceitado propina para facilitar ou beneficiar os interesses da empresa Odebrecht. E reitera que jamais aceitou qualquer contrapartida, de qualquer natureza, pela realização de obras ou projetos conduzidos no seu governo. Paes ressalta que nunca teve contas no exterior e que todos os recursos recebidos em sua campanha de reeleição foram devidamente declarados à Justiça Eleitoral.

PLANILHAS CONFIRMAM – Em anexos aos termos de declaração, segundo o ministro do Supremo, o delator Leandro Andrade Azevedo apresenta as planilhas de que constariam os pagamentos e e-mails em que reuniões teriam sido agendas e solicitações de pagamentos foram feitas.

Em 2016, Pedro Paulo foi o candidato de Eduardo Paes à Prefeitura do Rio. O peemedebista foi derrotado no primeiro turno.

Dois anos antes, em 2014, Pedro Paulo teria recebido R$ 300 mil, ‘de maneira oculta, para a campanha à prefeitura’, segundo Benedicto Júnior. O pedido foi intermediado por Eduardo Paes e haveria registro no Sistema “Drousys” de pagamentos a “Nervosinho”.

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NOTA DA REDAÇÃO DO GLOBO
Está engraçada a eleição no Rio de Janeiro. A toda-poderosa Organização Globo está atacando por todos os lados o ex-juiz Wilson Witzel, que é o candidato ficha limpa, e enaltecendo o ex-prefeito Eduardo Paes, o candidato ficha-suja. A manipulação dos fatos é evidente e vamos voltar ao assunto, é claro. (C.N.)

 

Haddad tem semana perdida em busca de alianças para o segundo turno

Campanha petista adota cautela em conversas com tucanos para evitar novo revés à campanha de Haddad
Foto: Givaldo Barbosa / Agência O Globo

Haddad não conseguiu formar a “frente democrática”

Sérgio Roxo
O Globo

A primeira das três semanas que terá para tentar reverter a vantagem de 18 milhões de votos de Jair Bolsonaro (PSL) no segundo turno da disputa presidencial foi praticamente perdida para o candidato do PT, Fernando Haddad. A estratégia de construir uma frente democrática, para indicar ao eleitor que a candidatura não representa apenas o petismo, ainda parece distante. Apesar das movimentações, o presidenciável não conseguiu anunciar nenhuma adesão de peso até agora.

Na noite de domingo, logo após ter a passagem confirmada para a etapa final da eleição, Haddad anunciou o plano de “reunir os democratas do Brasil” contra o candidato do PSL. A avaliação dos petistas naquele momento era que não haveria dificuldade para conseguir apoio efetivo do candidato do PDT, Ciro Gomes, terceiro colocado no primeiro turno.

APOIO DE CIRO – Pelo plano traçado, Ciro não apenas declararia adesão ao candidato petista como seria incorporado ao comando da campanha, com voz ativa para definir os rumos no segundo turno. Aliados de Haddad especulavam até que ministério o pedetista ocuparia num eventual governo do ex-prefeito de São Paulo.

Mas a decisão na última quarta-feira do PDT de anunciar apenas um “apoio crítico” jogou um balde de água na estratégia. Em seguida, foi divulgado que Ciro passaria uma semana na Europa, inviabilizando qualquer chance de o pedetista mergulhar na campanha imediatamente. Ciro tem apenas criticado Bolsonaro. Ontem, no Twitter, escreveu: “Bolsonaro é a promessa certa de uma crise.”

A busca para atrair o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) só aconteceria após o apoio de Ciro. E a viagem do terceiro colocado na eleição presidencial deve alterar os planos.

APOIO DE FHC – Em entrevista, Haddad disse que ele o tucano estão se aproximando. Os dois mantêm boa relação, apesar das diferenças partidárias. Quando o petista era prefeito, ele se encontrou com o ex-presidente e os dois chegaram a ir juntos ao Theatro Municipal assistir a uma ópera.

A avaliação entre os petistas é que, depois do balde de água fria despejado por Ciro, o movimento em direção a Fernando Henrique precisa ser bastante calculado para que não ocorra um novo revés, que poderia enterrar definitivamente o sonho da frente democrática. Em entrevista ao Globo, o senador eleito Jaques Wagner, que assumiu a coordenação política da campanha, falou também em tentar atrair Marina Silva (Rede).

Sem mais o que apresentar, Haddad tem enfatizado que conseguiu o apoio do “Esquerda Pra Valer”, um grupo de tucanos que não conta com participação de nenhuma liderança expressiva do PSDB. O petista tem se fiado à promessa de que os integrantes da corrente buscarão figuras históricas do partido.

APOIO DO PSB – Dos candidatos que disputaram a eleição, apenas Guilherme Boulos (PSOL), décimo colocado na corrida pelo Palácio do Planalto, com 617 mil votos, se reuniu com o presidenciável petista para reafirmar apoio. Entre os partidos, o PSB, que havia ficado neutro no primeiro turno da disputa, declarou apoio a Haddad, mas os dois principais candidatos da legenda que disputam o segundo turno da eleição para governador, Márcio França, em São Paulo, e Rodrigo Rollemberg, no Distrito Federal, foram autorizados a ficar neutros.

Na quarta-feira pela manhã, Haddad anunciou que receberia os governadores do PSB que gostariam de anunciar alianças. Só Paulo Câmara (PE) e Ricardo Coutinho (PB), que já haviam declarado apoio ao presidenciável petista no primeiro turno, apareceram.

Se houver reformas, o novo governo pode conseguir estabilizar a economia

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Charge do Genildo (Arquivo Google)

Vicente Nunes
Correio Braziliense

Pelos cenários traçados por Carlos Thadeu Filho, economista sênior do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) da Fundação Getúlio Vargas (FGV), se o futuro presidente conseguir reformar o regime previdenciário e o sistema tributário na primeira parte de seu mandato, poderá manter, tranquilamente, o teto que limita o aumento de gastos públicos até 2021. Será um desgaste a menos. Também não terá de se preocupar com a inflação e os juros, já que o teto dos gastos funciona como uma âncora para o Banco Central. Ao limitar o crescimento das despesas pela inflação do ano anterior, o teto indica ao BC que não há risco de deterioração fiscal.

Por mais apoio popular e do Congresso que o próximo presidente da República venha a ter, é certo que ele lidará com inflação e juros maiores. O tamanho do custo de vida e da taxa básica (Selic) dependerá, porém, das políticas que serão adotadas na economia. No cenário base projetado por Thadeu Filho, em que toda a base da atual política macroeconômica será mantida, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) ficará em 4,6% e a Selic saltará dos atuais 6,5% para 8,5% ao ano. Nada que não seja controlável.

É PROIBIDO ERRAR – O importante, ressalta o economista, é que não se cometam erros, que o futuro presidente não embarque em aventuras. O mercado financeiro está acreditando que é mais seguro seguir com Jair Bolsonaro no comando do país, mesmo ele não tendo sido testado em nenhum cargo administrativo.

Apesar de rejeitado pelos donos do dinheiro, Fernando Haddad tem a plena consciência de que, com a inflação sob controle e os juros baixos, poderá retomar as políticas sociais executadas durante os governo de Lula, que engrossaram o mercado de consumo em quase 50 milhões de pessoas.

Diante de tantas expectativas, é importantíssimo que Bolsonaro e Haddad aproveitem as próximas três semanas para explicitarem o que pretendem fazer na economia. Até agora, nenhum dos dois teve a preocupação de mostrar aos eleitores os programas de governo para fazer o país crescer novamente, gerar empregos e distribuir renda. A renovação no Congresso é um sinal eloquente de que ninguém aguenta mais todas as mazelas que se arrastam desde 2014, quando o Brasil mergulhou na mais severa recessão da história.

Algumas reflexões sobre um estranho fenômeno chamado Jair Bolsonaro

Resultado de imagem para bolsonaro chargesCarlos Newton

Os chamados políticos profissionais, que a cada eleição saem às ruas para pedir votos, até agora não entenderam o que aconteceu desta vez. Por dever de ofício, os analistas políticos fazem contorcionismos e acrobacias intelectuais, para fingir que sabem explicar o fenômeno Jair Bolsonaro, mas na verdade também estão completamente perdidos, batendo cabeça, como se dizia antigamente. Tudo mudou na política, não há dúvida. E quando não há explicação, o jeito é fazer como no filme “Casablanca” e culpar os suspeitos de sempre, que hoje atendem pelo nome de “novos tempos”.

Os astrólogos da política diriam que houve a conjunção de cinco fatores sociais que se alinharam e explodiram como um Big Bang eleitoral: 1) a persistência da crise econômica e do desemprego; 2) a desmoralização da classe política pela corrupção epidêmica; 3) o primado da criminalidade e da insegurança; 4) a necessidade de acreditar no surgimento de um messias; 5) e a disseminação da comunicação via celular, whatsapp e redes sociais, que levou Bolsonaro à vitória na maior parte do país, perdendo apenas nos grotões, especialmente no Nordeste mais pobre e com menos celulares.

SURGIU BOLSONARO – Na conjunção dos cinco fatores, surgiu o fenômeno Jair Messias Bolsonaro, que teve um extraordinário senso de oportunidade. Foi o primeiro candidato a se lançar, e sem ter partido, porque jamais ganharia legenda no PP. Sua campanha foi perfeita e barata, apenas viajando pelo país e plantando outdoors pelas estradas, para ressoar como voz do desapontamento coletivo.

Aos poucos, a campanha foi ganhando corpo, Bolsonaro passou a ser uma atração nos aeroportos e nos aviões de carreira. Não tinha partido nem teria exposição suficiente no rádio e TV. Mas nada disso o enfraqueceu, porque as redes sociais passaram a amplificar o discurso do candidato que expressava o descontentamento comum a todos, como uma catarse ciclópica nas nuvens da web. E quem embarcou na onda se deu bem, com a eleição em massa dos seguidores de Bolsonaro, os “antipolíticos”.

O DIA SEGUINTE – A eleição presidencial já está ganha desde a facada em Bolsonaro, mas vêm aí o dia seguinte, as semanas seguintes, os meses seguintes… Os governos dos três níveis – federal, estadual e municipal – estão quebrados. Não adianta os dois candidatos oferecerem quimeras, como ampliar a isenção do Imposto de Renda ou dar 13º para o Bolsa Família. Quem cumprir esse tipo de promessa estará enveredando pelo tenebroso caminho da irresponsabilidade fiscal, já percorrido por Dilma Rousseff até sofrer impeachment.

A dívida pública é a Esfinge que logo no primeiro dia desafiará o vencedor, que se chama Bolsonaro. Mesmo assessorado pelos generais, o capitão não conseguirá decifrar o enigma. Se tiver juízo, procurará então aconselhamento com a auditora Maria Lúcia Fattorelli, considerada uma das maiores especialistas mundiais em dívida pública. Ela lhe dirá exatamente o que fazer.

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P.S.
Se preferir ouvir o Posto Ipiranga do neoliberalismo banqueiro de Paulo Guedes, logo nos primeiros meses do governo começará a emergir o fenômeno negativo da decepção com o mito Bolsonaro.

P.S. 2De agora em diante, as eleições serão assim, decididas nas nuvens da web. Como ensinava o genial Érico Veríssimo, “quando os ventos de mudança sopram, umas pessoas levantam barreiras, outras constroem moinhos de vento”. Logo veremos se Bolsonaro saberá aproveitar a força dos ventos de mudança ou também será tragado por eles. (C.N.)

De onde Haddad poderá, ou poderia, tirar votos para conseguir virar o jogo?

Resultado de imagem para HADDAD VERDE E AMARELOEliane Cantanhêde
Estadão

As últimas pesquisas foram recebidas com alívio, até com discreta comemoração, na campanha de Jair Bolsonaro, do PSL, que não só continua liderando com folga como mantém a diferença do fim do primeiro turno. Era de 17 pontos, agora é de 16. Ou seja, ele e Fernando Haddad, do PT, cresceram praticamente a mesma coisa, 12 um, 13 o outro, o que cristaliza o favoritismo de Bolsonaro. Só o “imponderável”, ou uma “hecatombe”, tiraria a vitória do capitão.

O pior já passou. Esse é o clima entre os bolsonaristas, que esperavam ansiosamente as primeiras pesquisas, temendo uma transferência maciça de votos de Ciro Gomes (PDT) para Haddad. Ciro ficou em terceiro lugar, com 12%, e isso poderia reduzir significativamente a distância entre o capitão e o petista. Mas não aconteceu e Ciro logo voou para o exterior.

ARITMÉTICA – No PT, a conta é a seguinte: com 16 pontos de diferença, basta mudar oito pontos para um empate. Aritmeticamente está certo, porque, se um voto sai de um para o outro, a diferença entre eles cai dois pontos. Mas a questão não é aritmética, é político-eleitoral. E, aí, a conta não fecha. Numa eleição radicalizada como a atual, dificilmente haverá uma migração de votos de Bolsonaro para Haddad ou de Haddad para Bolsonaro. Quem votou num não vota no outro de jeito nenhum.

Logo, o desafio do PT para dar a volta por cima não é tirar voto do adversário, mas pescar votos dos candidatos derrotados. O principal deles é Ciro, porque teve mais votos e porque 70% dos seus eleitores, segundo o Datafolha, tendem a votar em Haddad.

E ALCKMIN? – Em seguida vem Geraldo Alckmin, do PSDB, que chegou em quarto lugar, com menos de 5% dos votos. Para piorar, 54% dos seus eleitores, segundo a pesquisa, preferem Bolsonaro a Haddad. O resto é o resto, inclusive Marina Silva, que tem peso simbólico, mas perdeu relevância eleitoral, ao cair do segundo para o oitavo lugar, com 1%.

A pergunta que não quer calar, portanto, é: de onde Haddad poderá, ou poderia, tirar votos para virar o jogo?

Mas o dia vai chegar, e o mundo vai saber que não se vive sem se dar…

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Paulo Sérgio e Marcos, irmãos e parceiros 

Paulo Peres

Site Poemas & Canções

O cantor, instrumentista, arranjador e compositor carioca Marcos Kostenbader Valle e seu irmão Paulo Sérgio retratam na letra de “Terra de Ninguém” a submissão, a injustiça, o sofrimento, a luta, a fé e a esperança que o nordestino carrega em busca de um pedaço de terra para plantar, porque “Quem trabalha é que tem / Direito de viver / Pois a terra é de ninguém”, condições estas que, histórica e politicamente, originaram os Sem-Terra atuais. Esta bossa-nova foi gravada por Elis Regina e Jair Rodrigues no Lp Dois Na Bossa, em 1964, pela Philips .

TERRA DE NINGUÉM
Marcos e Paulo Sérgio Valle

Segue nessa marcha triste
Seu caminho aflito
Leva só saudade
E a injustiça que só lhe foi feita
Desde que nasceu
Pelo mundo inteiro
Que nada lhe deu

Anda, teu caminho é longo
Cheio de incerteza
Tudo é só pobreza
Tudo é só tristeza
Tudo é terra morta
Onde a terra é boa
O senhor é dono
Não deixa passar.

Para no final da tarde
Tomba já cansado
Cai um nordestino
Reza uma oração
Prá voltar um dia
E criar coragem
Prá poder lutar
Pelo que é seu.

Mas…
O dia vai chegar
Que o mundo vai saber
Não se vive sem se dar
Quem trabalha é que tem
Direito de viver
Pois a terra é de ninguém

Afinal, por que os militares não serão atingidos pela reforma da Previdência?

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Charge do J. Cesar (Humor Gráfico)

Carlos Newton

Economistas de todas as tendências demonstram consenso em dois pontos da crise brasileira, que precisam ser equacionados para que haja uma retomada sólida do desenvolvimento socioeconômico – a reforma da Previdência e a redução da dívida pública bruta, que engloba governo federal, INSS, governos estaduais e municipais. Sem essas duas providências, continuará a falta de recursos para gastos de primeira necessidade, como infra-estrutura, assistência à saúde, serviços de segurança e educação pública. Ou seja, sem solucionar esses dois desafios, o Brasil não tem futuro, será uma gigantesca Grécia tropical.

Diante dessa realidade, seria de se esperar que a campanha eleitoral dos presidenciáveis abordasse prioritariamente esses dois problemas gravíssimos, mas não é isso que se vê nos programas eleitorais, em que os candidatos irresponsavelmente nos prometem céus e terras, representando partidos que mais parecem as Organizações Tabajara a nos informar: “Seus problemas acabaram!”. Mas na verdade eles estão apenas começando…

NÃO HÁ MISTÉRIO – O governo pega dinheiro emprestado com investidores para honrar os compromissos. Em troca, compromete-se a resgatar seus títulos com alguma correção, que pode ser prefixada (definida com antecedência) ou seguir a Selic, a inflação ou o câmbio.

Atualmente, a Selic está em 6,5% ao ano, no menor nível da história. No entanto, por causa das turbulências no mercado financeiro, esse papel continua a ser o mais atraente aos investidores. Como o governo não consegue pagar, vai rolando a dívida através da emissão de mais títulos, e a bola de neve segue aumentando, ameaçadoramente.

Apesar da gravidade da situação, o assunto não é discutido e a mídia se omite, criminosamente, porque está tão endividada quanto o governo e não pode enfrentar os banqueiros.

E A PREVIDÊNCIA – O buraco nas contas da Previdência chegou a R$ 268,8 bilhões no ano passado, em meio às discussões sobre a reforma no Congresso. Mas também no caso do déficit do INSS os candidatos são reticentes. E não é para menos. Os militares pesam 16 vezes mais no rombo da Previdência do que os segurados do INSS.

É espantoso que as Forças Armadas estejam fora da reforma da Previdência. O déficit da reforma (aposentadoria) de cada militar foi de ficou em R$ 99,4 mil no ano passado. E entre os servidores civis da União, o prejuízo do INSS foi de R$ 66,2 mil, contra apenas R$ 6,25 mil de cada segurado do INSS.

Não há um estudo, nenhuma palavra sobre os prejuízos bilionários da pejotização – a transformação de empregados em pessoas jurídicas, para que as empresas e seus funcionários possam sonegar INSS, FGTS e Imposto de Renda.

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P.S.
Este problema da pejotização é fundamental. O único candidato que tocou no assunto foi Bolsonaro, ao criticar os jornalistas da GloboNews por serem pejotizados. É claro que vVamos voltar a esse tema, que não pode continuar encoberto. (C.N.)

Facebook anuncia esquema para tentar a anulação das fake news

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Charge de Delize (Arquivo Google)

Pedro do Coutto

Reportagens de Paula Soprana, Folha de São Paulo, e Mariana Lima, O Estado de São Paulo, edições de 12 de outubro, destacam a iniciativa do Facebook de oferecer um esquema de contextualização especial para o Brasil no sentido de dificultar ao máximo ou até mesmo anular as fake news que invadem a rede espacial eletrônica.

Trata-se de uma espécie de botão que conduz todas as mensagens sobre determinado assunto para uma contextualização de notícias. A engrenagem é simples, mas extremamente necessária para impedir o uso indevido ou falso das matérias veiculadas tanto pelo Facebook quanto pelo Whatsapp, que pertence a mesma rede. Tem-se a impressão de que a contextualização é uma forma de conduzir mensagens semelhantes por assunto e proporcionar assim melhor percepção sobre o que é falso e o que é verdadeiro.

POR ASSUNTO – Sobre tal sistema presume-se que seja a separação das comunicações por assunto. Assim como os jornais já há tempos adotam esquema parecido.

Antes um jornal publicava matérias correlatas em páginas diferentes. Isso dificultava a leitura ao contrário de unir textos e imagens sobre determinado assunto sempre na mesma página ou nas mesmas páginas dependendo do porte da matéria.

Agora o Facebook projeta a implantação de algo semelhante, porém muito mais complexo, bastando se ver o número de mensagens que são enviadas para as redes sociais. Calcula o Facebook que nos Estados Unidos sejam 500 mil por dia, que irão para uma página específica ou páginas específicas que levam leitores, são milhões em todo o mundo, a poderem comparar as comunicações e assim afastar de cogitação aquelas que destoam das demais. 

PELA LÓGICA – Ou seja, o leitor, que também é transmissor de notícias, poderá verificar pela lógica e pela sensibilidade do que é verdadeiro e o que é falso. Na parte das imagens o mesmo ocorre, uma vez que existem peritos capazes de montar fotografias exibindo absurdos. Aliás não precisa ser perito, basta comparar fotos que reproduzem personagens, às vezes em situações que levam a pensar ser verdadeira a fotografia projetada.

Há um sistema para isso. Individualmente a pessoa pode verificar, mas impossível detectar montagens, digamos abrangendo 500 mil postagens como acontece nos Estados Unidos.  Verifica-se assim a enorme dimensão da comunicação eletrônica no Brasil e no mundo. O Facebook anuncia um botão de contexto específico para o Brasil.

Assim quem desejar mais informações a respeito desse botão mágico, penso eu, deve ler as reportagens a que me refiro. A abrangência das redes sociais foi decisiva para o primeiro turno das eleições de outubro. No segundo turno será mais fácil, pois ao invés de dar seis votos, como no primeiro, no caso do Rio de Janeiro serão duas marcações.