TV Globo tenta evitar que seu representante na Fifa faça delação premiada

marcelo campos pintoDeu no R7

Marcelo Campos Pinto, responsável pela aquisição dos eventos esportivos da Rede Globo nas últimas décadas, tinha procuração para negociar os contratos no Brasil e no exterior em nome da família Marinho, dona da emissora. O documento, obtido pelo Jornal da Record, é datado de 12 de março de 2013. No mesmo mês da procuração, a Rede Globo, a Televisa e a Torneos concordaram em pagar US$ 15 milhões de propina para garantir os direitos de transmissão das Copas do Mundo de 2026 e 2030, segundo o ex-presidente da empresa Torneos Y Competencias, Alejandro Burzaco.

A revelação foi feita nesta quarta-feira (15) na audiência de julgamento do ex-presidente da CBF José Maria Marin, em Nova York.

NA MIRA DO FBI – A operação do FBI para investigar a FIFA, deflagrada em maio de 2015, tirou o executivo das sombras e colocou os negócios dele no foco do FBI. A procuração, para tratar exclusivamente da negociação dos direitos de transmissão dos torneios da entidade máxima do futebol, demonstra o poder e a autonomia de que gozava Campos Pinto, então diretor de esportes da Globo.

Nos bastidores, Marcelo Campos Pinto era o poderoso chefe de esportes da Rede Globo com acesso direto aos dirigentes da CBF e da FIFA. Com a eclosão do escândalo, foi exposta a relação próxima do executivo com cartolas investigados e presos. O ex-diretor da Globo deixou a emissora dias depois da extradição de Marin para os Estados Unidos.

INTIMIDADE – Durante duas décadas, Marcelo Campos Pinto teve uma relação íntima com o ex-presidente da CBF Ricardo Teixeira. Quando o cartola se afastou, em meio a denúncias de corrupção, o executivo tratou de se aproximar dos sucessores.

Em outro depoimento prestado em Nova York, o delator Alejandro Burzaco disse que o ex-diretor da Globo teria garantido que as propinas antes pagas a Teixeira passariam a ser divididas entre Marin e o atual presidente da CBF Marco Polo Del Nero.

Uma mensagem de e-mail apreendida pela Polícia Federal em uma operação não relacionada ao futebol mostra a relação entre o executivo da Globo e os cartolas. Treze dias depois de Ricardo Teixeira se afastar da CBF, em 2012, Marcelo Campos Pinto escreveu mensagem a Del Nero em termos muito amigáveis. A mensagem foi anexada ao relatório alternativo da CPI do Futebol no Senado encerrada em 2016.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Os dois pontas-de-lança no time da Globo na Fifa eram  Marcelo Campos Pinto e J. Hawilla. Em 3 de novembro de 2015, o presidente da CBF, José Maria Marin, foi extraditado para os Estados Unidos, depois de ser preso em Zurique com outros seis dirigentes da Fifa, num hotel de luxo. Dois dias depois da extradição de Marin, em 5 de novembro de 2015, o presidente do Grupo Globo, Roberto Irineu Marinho, distribuiu comunicado informando o afastamento de Marcelo Campos Pinto da direção da Globo Esportes, o braço de negociações de direitos esportivos do Grupo Globo. O problema dos irmãos Marinho é evitar que J. Hawilla e Marcelo Campos Pinto façam delação premiada nos EUA, onde mentir dá cadeia. Em Nova York,  J. Hawilla confessou os crimes e não fez delação, mas nada impede que venha a fazer. (C.N.)

O pato de Skaf caiu na delação do marqueteiro Renato Pereira, do PMDB

BRASILIA, DF, BRASIL, 01-10-2015, 09h00: Um pato inflável de 12 metros de altura é visto no gramado em frente ao congresso, na esplanada dos ministérios em Brasília. O ato marca o lançamento da campanha "Não vou pagar o Pato" em Brasília, organizado pela FIESP. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress, PODER)

Fiesp colocou o pato e 5 mil patinhos no Congresso

Bernardo Mello Franco
Folha

As delações dos marqueteiros Duda Mendonça e João Santana ajudaram a desvendar os esquemas do PT. Agora é a vez de Renato Pereira abrir a caixa-preta do financiamento das campanhas do PMDB. As confissões do publicitário atingem figurões do partido nas duas maiores cidades do país. No Rio, ele delatou Sérgio Cabral, Luiz Fernando Pezão e Eduardo Paes. O primeiro está preso, o segundo é o atual governador e o terceiro quer disputar a cadeira em 2018. O plano pode ser abortado se a doutora Raquel Dodge completar o serviço do antecessor.

Na delação, Paes é acusado de organizar um caixa clandestino com dinheiro de empreiteiras e da máfia dos ônibus. Numa passagem, o marqueteiro diz que o ex-prefeito o orientou a buscar R$ 1 milhão em espécie na sede das empresas de Jacob Barata Filho, que voltou a ser preso nesta semana. Paes nega as acusações.

SKAF E MARTA – Em São Paulo, Pereira delatou Paulo Skaf e Marta Suplicy. A dupla defendeu as cores do PMDB nas últimas eleições para o governo e a prefeitura. No ano que vem, Skaf pretende disputar o mesmo cargo. Marta tentará a reeleição no Senado.

Segundo o publicitário, a ex-prefeita usou um contrato do Ministério da Cultura para cobrir gastos eleitorais. Se as provas forem suficientes, ela pode ser denunciada por peculato.

Na terça-feira, o ministro Ricardo Lewandowski cobrou ajustes no acordo de delação. A decisão abre espaço para que Pereira esclareça alguns pontos cegos do depoimento.

SISTEMA S – No capítulo sobre Skaf, o marqueteiro diz que recebeu dinheiro da Fiesp e do Sistema S para promover o empresário “com vistas à disputa eleitoral de 2018”. O desvio de finalidade está claro, mas o valor do serviço ainda é desconhecido.

Pereira também afirma que a campanha “Quem vai pagar o pato?”, que ajudou a instalar o PMDB na Presidência, foi fruto de uma fraude. Ele conta que Skaf direcionou uma licitação para beneficiar sua produtora. Falta dizer quanto ganhou pela ideia.

Temer decide poupar ministros na mira da Lava Jato, como Kassab e Pereira

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Kassab, do PSD, investigado em cinco inquéritos

Gerson Camarotti
G1 Brasília

Depois de alerta de aliados, o presidente Michel Temer decidiu poupar em definitivo ministros na mira da Lava Jato da mudança no primeiro escalão. A iniciativa vai preservar diretamente os ministros Marcos Pereira (Indústria e Comércio), do PRB, e Gilberto Kassab (Ciência, Tecnologia e Comunicações), do PSD. Houve forte mobilização na base aliada sobre a delicada situação de Kassab e Pereira, que, sem foro especial, passariam a ter seus casos analisados pela primeira instância da Justiça Federal. Os dois foram citados nas delações da Odebrecht e da JBS.

Esse fato também pesou na avaliação de Temer de reduzir o tamanho da reforma ministerial neste momento, para evitar atritos com a base aliada num momento em que o governo tenta conseguir votos para aprovar a reforma da Previdência. Com isso, a mudança deve ficar muito restrita, contemplando apenas algumas pastas, como o Ministério das Cidades e a Secretaria de Governo – feudos tucanos.

INJUSTIÇA – Ao Blog, interlocutores de Temer advertiram que seria injusto tirar Pereira e Kassab com o argumento de que vão disputar eleições no próximo ano, mantendo outros ministros também citados em delações, como Moreira Franco (Secretaria da Presidência), Eliseu Padilha (Casa Civil) e Aloysio Nunes (Relações Exteriores).

“Seria muito ruim para Temer fazer esse gesto de entregar Kassab e Marcos Pereira. Isso teria repercussão negativa na base. Além disso, iria refletir na imagem do próprio governo, pois os dois ficariam fragilizados na primeira instância [da Justiça]”, disse ao Blog um ministro próximo de Temer.

Como noticiou o Blog, apesar da intenção inicial do governo de fazer uma reforma ministerial ampla até “meados de dezembro”, houve forte reação de aliados. Os próprios ministros políticos avisaram que preferem sair apenas perto do prazo de desincompatibilização, em abril de 2018.

CINCO INQUÉRITOS – Ex-prefeito de São Paulo e presidente licenciado do PSD, Gilberto Kassab é alvo de cinco inquéritos no Supremo Tribunal Federal (STF): dois deles investigam denúncias contra Kassab apresentadas por delatores da Odebrecht e outros três são da época em que ele era prefeito da capital paulista.

Em um dos inquéritos ligados à Lava Jato, delatores afirmaram que, à frente da prefeitura de São Paulo e do Ministério das Cidades, entre 2008 e 2014, Kassab recebeu R$ 20 milhões, distribuídos ao longo de vários episódios.

Em outro inquérito que tramita no Supremo, o ministro de Ciência e Tecnologia é acusado de ser um dos beneficiários de um esquema de pagamentos de vantagem indevida a agentes públicos em obras viárias de São Paulo, em 2008.

PARECER DE JANOT – Em junho, o então procurador-geral da República, Rodrigo Janot, enviou parecer ao STF no qual defendeu retirar do âmbito da Lava Jato dois inquéritos abertos para investigar Kassab.

Presidente licenciado do PRB, o ministro Marcos Pereira também é alvo de um inquérito aberto no STF relacionado às delações da construtora Odebrecht. Os delatores afirmaram ter feito repasses de R$ 7 milhões para o PRB. O pagamento teria sido feito diretamente a Marcos Pereira.

O ministro do Desenvolvimento Econômico também foi citado nas delações de executivos do grupo J&F, dono do frigorífico JBS. O empresário Joesley Batista entregou ao Ministério Público uma gravação na qual cita a palavra saldo e indica que ele e o ministro estão tratando de repasse de propina.

PMDB inicia na TV a campanha para reeleição de Temer, enaltecendo o governo

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Perseguição a Temer ultrapassou os limites, diz PMDB

Marina Dias e Gustavo Uribe
Folha

O PMDB usará a propaganda partidária que vai ao ar em rede nacional a partir desta quinta-feira (16) para fazer a defesa do governo Michel Temer e dizer que “a perseguição” contra o presidente “ultrapassou todos os limites”. Em um dos vídeos, ao qual a Folha teve acesso, não há citação nominal ao ex-procurador-geral da República Rodrigo Janot, mas um narrador afirma que houve uma “trama” para “derrubar” Temer e que ela foi “desmontada”.

O presidente e seus aliados dizem que Janot trabalhou para tirar Temer do cargo ao apresentar contra ele duas denúncias – uma por corrupção passiva e outra por obstrução da Justiça e organização criminosa. Ambas tiveram seu prosseguimento barrado pela Câmara.

MAIS FORÇA… – “Tentaram derrubar o presidente, mas o Brasil está de pé”, diz o narrador, seguido pelo discurso de Temer: “A verdade é libertadora e não só nos livra das injustiças como nos dá ainda mais força, vontade e coragem para seguir em frente. É isso que vamos fazer com muita convicção, porque agora é avançar”, diz o peemedebista.

Em outro dos dez vídeos de 30 segundos que serão exibidos nesta semana, o partido trata as reformas, principais bandeiras do governo, como um evento histórico, comparando-as com a luta contra a ditadura, as campanhas pelas “Diretas Já” e pela Constituinte e, por fim, a avanços sociais da última década.

Desde que tomou posse, em maio de 2016, Temer tenta se colocar como um presidente reformista, que apostou nas reformas trabalhista e, agora, da Previdência – que ainda precisa ser aprovada no Congresso – como os legados de seu governo.

“MOVIMENTO” – “Agora é o movimento pelas reformas e, pelo visto, o movimento não para”, finaliza o narrador em uma analogia simples ao nome do PMDB (Partido do Movimento Democrático Brasileiro).

As peças publicitárias também serão utilizadas para tentar mostrar que alguns índices econômicos melhoraram, como a queda dos juros e da inflação, e diferenciar o governo Temer das gestões de Dilma Rousseff e de Luiz Inácio Lula da Silva. “Tiramos o país do vermelho”, diz o vídeo em uma referência à cor do PT.

Os números, apostam auxiliares do Palácio do Planalto, serão fundamentais na tentativa de recuperar um pouco da popularidade do presidente em ano eleitoral.

5% DE APROVAÇÃO – Hoje, Temer tem cerca de 5% de aprovação, segundo o Datafolha. Ele não é candidato à reeleição, mas quer ser um ativo importante na formação de uma aliança de centro-direita para a disputa pelo Planalto em 2018.

A ideia é que o presidente também seja protagonista do programa nacional do PMDB, de dez minutos, que irá ao ar no final deste mês.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
A matéria da Folha vinha bem, até dar uma topada, ao afirmar que Temer não é candidato à reeleição e tem 5% de aprovação (???). É candidatíssimo. O marqueteiro Elisinho Mouco e sua equipe estão instalados há meses no quarto andar do Planalto, pagos com recursos públicos pela agência Isobar, contratada pelo governo. Essa publicidade do PMDB, que inicia hoje a campanha de Temer pela reeleição, é da autoria deles, embora não sejam contratados pelo partido. Temer tem pressa e não está satisfeito com o trabalho deles. Por isso, acaba de sondar Nizan Guanaes, que não parece disposto a segurar o rojão dessa campanha para reeleger Temer. Vamos aguardar. (C.N.)

Assembleia já tem acordo para derrubar a prisão de Picciani, Melo e Albertassi

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Picciani deveria mandar flores a Cármen Lúcia

Jeferson Ribeiro e Marcelo Remígio
O Globo

A Assembleia Legislativa do Estado do Rio (Alerj) já está de prontidão para convocar uma sessão extraordinária, caso o Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF-2) determine hoje a prisão em flagrante dos deputados Jorge Picciani, presidente da Casa, Paulo Melo e Edson Albertassi, todos do PMDB. Desde terça, quando foi deflagrada a Operação Cadeia Velha, os parlamentares fluminenses debateram a necessidade de uma reunião extraordinária. Em privado, lideranças da Alerj dizem que a tendência é que se os magistrados decidirem pela prisão ela será revertida no plenário. O mesmo deve ocorrer caso o tribunal determine o afastamento dos parlamentares.

A tendência se baseia no amplo controle que Picciani e Melo, ex-presidente da Alerj, têm do plenário. Alguns parlamentares, porém, ponderam que os deputados mais novatos são mais suscetíveis à pressão popular. Na terça-feira, o procurador regional da república Carlos Aguiar chegou a convocar a população para pressionar a Assembleia para manter uma possível decisão do TRF-2 pela prisão.

CONSELHO DE ÉTICA – Para tentar reduzir o desgaste da já arranhada imagem da Alerj, há uma articulação para que os deputados recusem a decretação da prisão dos três, mas enviem o caso para análise do Conselho de Ética da Casa, longe dos holofotes do plenário e com acesso a recursos regimentais. A convocação para que os parlamentares compareçam hoje à Casa foi feito de modo informal, por meio de aliados de Picciani.

Um parlamentar do PMDB, que conversou com a reportagem sob condição de anonimato, disse que está seguro que se a prisão for decretada, a Alerj vai reverter a decisão.

“A única possibilidade de reduzir o apoio ao presidente é algum novato se intimidar com a pressão de protestos, como o conclamado por procuradores que deflagaram a Operação Cadeia Velha e pediram para que a população vá para a porta da Alerj. Há também aqueles que não terão coragem de se expor e faltarão alegando doença como motivo. Mas os pedidos serão derrubados com boa margem de vantagem” — afirmou o peemedebista.

ATÉ A OPOSIÇÃO – Outro aliado disse, também sob condição de anonimato, que até a oposição ajudará Picciani. “Vão justificar que o objetivo é preservar a independência dos Poderes. E não podemos esquecer ou minimizar também a influência de Paulo Melo na Casa. É um presidente e um ex-presidente na berlinda, muitos deputados devem favores e benesses a eles” — acrescenta o parlamentar da base do Palácio Guanabara.

“Picciani conhece quem é quem na Alerj, principalmente quem tem motivos para apoiá-lo” — concluiu o mesmo deputado.

FIM DO FERIADÃO – A operação abortou o feriadão programado pelos deputados, que chegaram a antecipar a sessão de hoje para a última segunda-feira para emendar o feriado do Dia da República com o final de semana.

“Depois da Operação (Cadeia Velha), muitos deputados tiveram que cancelar a viagem porque podem ser convocados para essa sessão extraordinária” — disse ao Globo o líder do PSOL, deputado Marcelo Freixo. Ele lembrou que em 2008, o deputado Álvaro Lins (PMDB) também foi preso e libertado pela Alerj e também reconheceu que dificilmente a Assembleia manteria a decisão do TRF-2 a favor da prisão.

NO TRIBUNAL – Os desembargadores da Seção Criminal do TRF-2 vão votar, a partir das 13h, os pedidos de afastamento e de prisão em flagrante dos três deputados do PMDB.

Como o flagrante em crime inafiançável é o único caminho legal para tirar o trio da Alerj e levá-lo à cadeia, a força-tarefa da Procuradoria Regional da República no Rio sustentará que o pagamento de propina na Assembleia, iniciado dos anos 1990, continua ativo até hoje, mantendo viva a organização criminosa e a lavagem de dinheiro. Isso porque, pela tese da acusação, enquanto a propina permanece oculta, o crime está sendo praticado.

A sessão de hoje, no TRF-2, será exclusiva para julgar o pedido. Não haverá sustentação oral de defesa e acusação. O relator do caso, desembargador Abel Gomes, será o primeiro a votar. Ele é mesmo que autorizou todas as ações de terça-feira, incluindo as conduções coercitivas de Picciani, Melo e Albertassi.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Conforme anunciamos aqui na TI, está tudo dominado na Assembleia para libertar Picciani, Melo e Albertassi, graças à generosidade da presidente do Supremo, Cármen Lúcia, que deu o voto de minerva em favor da corrupção que assola a política. É bom lembrar uma frase dela: “Nós, brasileiros, precisamos assumir a ousadia que os canalhas têm”, afirmou a ministra durante uma palestra, conclamando os brasileiros a trabalharem para tirar o Brasil da crise. (C.N.)

Filho de Picciani que é ministro direcionou licitação das agências de publicidade

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Leonardo e o filho de Cabral são dois “fenômenos”

Fábio Fabrini, Letícia Casado e Reynaldo Turollo Jr.
Folha

O marqueteiro Renato Pereira disse em delação premiada que o ministro do Esporte, Leonardo Picciani (PMDB-RJ), direcionou uma licitação de publicidade da pasta para sua agência, a Prole Propaganda, no ano passado. Em depoimento prestado à PGR (Procuradoria-Geral da República), o colaborador contou ter viajado para Brasília para tratar pessoalmente do acerto com o peemedebista – que assumiu o cargo em 12 de maio de 2016, com o afastamento da presidente Dilma Rousseff e sua substituição por Michel Temer.

“[Pereira] Veio a Brasília e teve uma reunião com Picciani no seu gabinete, onde ficou acertado que ganharia a conta de publicidade do ministério”, diz o depoimento.

GANHOU E DESISTIU – A concorrência para a conta do Esporte foi aberta na gestão de Picciani. A Prole, de fato, foi classificada entre as duas vencedoras do processo para dividir uma conta de R$ 55 milhões.

No dia da assinatura do contrato, no entanto, os representantes da empresa não apareceram. A agência desistiu de prestar os serviços, alegando dificuldades financeiras. A decisão foi tomada em dezembro, dias depois de o ex-governador do Rio de Janeiro Sérgio Cabral (PMDB-RJ) ser preso por suposta participação em esquemas de corrupção que envolveriam a Prole e o marqueteiro.

Como a Folha mostrou no mês passado, o Ministério do Esporte convocou para assinar o contrato a Calia Y2, terceira classificada na licitação. A empresa – que aumentou expressivamente seus ganhos no atual governo– pertence a Gustavo Mouco, irmão do marqueteiro de Temer, Elsinho Mouco. A outra vencedora da concorrência no Esporte foi a Agência Nacional de Propaganda, que, segundo Pereira, seria próxima do ministro Picciani e teria participado de outras tratativas para fraudar licitações no governo do Rio e no Ministério da Saúde.

COMISSÃO DE 3% – O delator relatou ainda que Picciani teria acertado em 2015 comissão de 3%, em troca de direcionar a conta de publicidade do Ministério da Saúde – na época, o PMDB comandava a pasta no governo Dilma Rousseff.

O marqueteiro teria viajado a Brasília para uma reunião com um funcionário do ministério, identificado apenas como “Valter”, e o publicitário Paulo de Tarso Lobão Morais, sócio da Nacional.

“Nessa reunião ficou confirmado que a Prole seria uma das agências vencedoras da conta de publicidade do Ministério da Saúde”, afirmou Pereira. Ele explicou que, com o processo de impeachment de Dilma, o governo foi trocado, o PMDB do Rio perdeu influência na Saúde, e os planos não prosperaram.

NA CAMPANHA – Dono da agência Nacional, Lobão Morais trabalhou como marqueteiro do deputado estadual fluminense Jorge Picciani (PMDB), pai do ministro, nas campanhas de 2010 e 2014. Ele nega qualquer envolvimento em ilicitudes.

O Ministério do Esporte pagou R$ 28,2 milhões à Nacional neste ano. O contrato com a pasta vencerá em dezembro, mas em agosto o ministério firmou aditivo para aumentar em até 20% o valor dos repasses previstos para a empresa e para a Calia, parceira de contrato.

A delação de Pereira foi enviada ao STF (Supremo Tribunal Federal) para homologação, mas o ministro Ricardo Lewandowski, responsável pelo caso, decidiu devolvê-la à PGR para ajustes nos benefícios negociados com o delator. Ele entendeu que os termos pactuados foram demasiadamente benéficos. Alguns, na avaliação do magistrado, são inconstitucionais.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Como diz o velho ditado, “tal pai, tal filho”. O atual ministro Leonardo Picciani é um fenômeno igual ao filho de Lula, Fábio Luís, que tem demonstrado grande vocação para fazer negócios, digamos assim. (C.N.)

A extraordinária força do luar, na poesia de Edney Vasconcelos

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Ilustração reproduzida do Arquivo Google

Paulo Peres

Site Poemas & Canções
O médico e poeta carioca Edney Vasconcelos chama a “Lua” para iluminar a noite e cravar-lhe sua poesia.


LUA
Edney Vasconcelos

Vem Lua
Ilumina a mata
Mostra a natureza noturna
Que pulsa no silêncio da noite
Abaixa mais um pouco…
Se mostra entre os muros e edifícios
Penetra nas casa, nos lares

Traz iluminação prateada
Traz o canto dos bichos
Crava em mim tua poesia
Toda noite, todo o dia !!!

Em 2018, pela primeira vez haverá ‘publicidade eleitoral paga’ nas redes sociais

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Charge do Lynch (maisum.altervista.org)

Bertha Maakaroun
Correio Braziliense

Embora o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Gilmar Mendes, tenha anunciado a formação de um comitê no âmbito da Justiça Eleitoral, para enfrentar o que ele chama de “notícias falsas” nas eleições de 2018, essa é uma batalha que já nasce perdida: a começar pela tênue linha entre a censura e a identificação das notícias falsas. E a terminar pela dificuldade, não do monitoramento, mas da suspensão desse material, armazenado no exterior.

O problema que se coloca é como agir rapidamente quando o conteúdo de fake news está postado em provedor no exterior e, a partir do link, são feitos os compartilhamentos. “A legislação determina que qualquer propaganda eleitoral seja realizada em sites que estejam abrigados em provedores brasileiros. Contudo, se a fonte das notícias falsas está fora do país, as ações para retirar o material do ar são mais complicadas”, avalia Diogo Cruvinel.

NOVA LEGISLAÇÃO – A reforma política aprovada pelo Congresso Nacional traz poucas mudanças relacionadas ao uso da internet e redes sociais para as eleições de 2018. A principal delas: permite que candidatos impulsionem as suas postagens. “A legislação permite que o candidato, o partido e as coligações paguem as redes sociais para impulsionar o seu conteúdo. É um gasto que tem de ser declarado na prestação de contas”, informa Edson Resende, coordenador da Coordenadoria Estadual de Apoio aos Promotores Eleitorais (Cael). As resoluções do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) vão regulamentar esses novos dispositivos da reforma eleitoral.

A legislação em vigor até o pleito passado vedava qualquer tipo de propaganda paga na internet. “Agora é possível pagar não só pelo impulsionamento nas redes sociais, como também pelo mecanismo de busca do Google”, afirma Diogo Cruvinel, secretário de Gestão de Atos Partidários e da Informação do Tribunal Regional Eleitoral de Minas Gerais (TRE-MG), que lembra: continua proibida a propaganda eleitoral em sites de notícias, em sites de pessoas jurídicas, com ou sem fim lucrativo, e sites públicos .

No âmbito das redes sociais, o impulsionamento só poderá ser feito em benefício do candidato. “Um candidato que quiser falar mal do adversário na rede social não poderá impulsionar a postagem”, acrescenta Cruvinel.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
– Vai ser interessante acompanhar como se processará essa propaganda eleitoral paga nas redes sociais. Será muito ridículo, porque só vale elogiar o candidato que patrocina a rede social, mas não pode falar mal do concorrente. Quem vai fiscalizar. A Justiça Eleitoral? Só se for Piada do Ano. (C.N.)

Crise na Globo é grave e desdobramento do caso Fifa assusta os irmãos Marinho

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Ilustração reproduzida do Arquivo Google

Carlos Newton

O desdobramento do processo contra a Fifa nos Estados tirou o sossego dos irmãos Marinho e da cúpula da Rede Globo, porque a Justiça norte-americana está avançando com celeridade as investigações, com a ajuda do empresário argentino Alejandro Buzarco. Quando o promotor lhe perguntou se o pagamento de propinas a dirigentes da Fifa em busca dos direitos de transmissão era realizado em parceria com as emissoras, o delator citou empresas de comunicação de diversos países: “Várias. Fox Sports, dos Estados Unidos, Televisa, do México, Media Pro, da Espanha, TV Globo, do Brasil” – disse ele, que também afirmou ter-se associado a companhias com atuação no mesmo ramo de negócios que a sua Torneos y Competencias, como a brasileira Traffic e a argentina Full Play.

O delator já revelou também que a TV Globo, a mexicana Televisa e sua empresa Torneos y Competencias pagaram juntas US$ 15 milhões em propina a Julio Humberto Grondona, ex-chefe do futebol argentino, pelos direitos de transmissão da Copa do Mundo de 2026 e 2030. O valor, que garante direitos de TV, rádio e internet, teria sido depositado no banco Julius Bär, sediado na Suíça.

GLOBO NEGA TUDO – A TV Globo nega qualquer participação em irregularidades. Afirma que em 2015, um ano após o surgimento do escândalo conhecido como Fifagate, abriu “amplas investigações internas” e teria sido apurado que o Grupo Globo “jamais realizou pagamentos que não os previstos nos contratos”.

Se for conferida a contabilidade da TV Globo, essas declarações serão consideradas verdadeiras, porque não houve participação direta da emissora nas mutretas da Fifa. Quem se encarregava do chamado papel sujo era a empresa de marketing Traffic, do ex-repórter esportivo J. Hawilla, que se tornou empresário de enorme sucesso, e o próprio diretor da Globo Esportes, Marcelo Campos Pinto, que foi demitido em 2015, logo depois da prisão de José Maria Marin, presidente da CBF, na Suíça.

No mundo dos negócios esportivos, J. Hawilla foi do zero ao milhão numa rapidez impressionante, de fazer inveja ao filho fenômeno de Lula. Associou-se à Globo e, por coincidência, passou a ser dono ou controlar grande número de emissoras no interior de São Paulo, filiadas à rede da família Marinho. No embalo, virou empresário internacional de sucesso, comprou um time da segunda divisão portuguesa, o Estoril Praia, e levou-o disputar a Liga Europa. Para ele, o céu parecia ser o limite.

PARCEIRO DE SUCESSO – O sucesso da Traffic era espantoso. Disputava com a Globo, a Record e a Bandeirantes os direitos de transmissão de importantes eventos esportivos na Fifa e saía vencedora.

Hoje, o problema dos irmãos Marinho, que faziam negócios pessoalmente com J. Hawilla, é saber até onde vai a lealdade do parceiro. O FBI começou as investigações em 2011, para apurar ocorrências desde 1991. E os policiais federais americanos logo chegaram à Traffic. Quando constatou que seria apanhado, J. Hawilla se adiantou e, em 12 de dezembro de 2014, confessou-se culpado perante a Justiça dos Estados Unidos. Assumiu as acusações de extorsão, conspiração por fraude eletrônica, lavagem de dinheiro e obstrução da justiça e concordou em restituir US$ 151 milhões, tendo pago US$ 25 milhões no momento do acordo.

Segundo o Departamento de Justiça dos Estados Unidos, o dinheiro está reservado caso as vítimas dos crimes devam ser restituídas.

NÃO PODE MENTIR – Em seus depoimentos, o empresário argentino Alejandro Buzarco está citando diretamente a Globo, não a Traffic. Ele sabe que não pode mentir, porque sua delação premiada logo seria anulada. A Globo alega que jamais pagou propina, mas tudo indica que esse papel sujo esteve a cargo da Traffic, até porque J. Hawilla sempre transferiu à rede da família Marinho os direitos de transmissão dos campeonatos que a Traffic conquistou junto à Fifa, mediante propina. Se você acredita em coincidência, é um prato feito.

O relacionamento íntimo entre J. Hawilla e os irmãos Marinho não tarda a ser investigado. É aí que mora o perigo. Hoje, J. Hawilla é um homem muito rico, com patrimônio de aproximadamente R$ 2 bilhões. Aos 74 anos, no final de emocionante jornada, não deve nada a ninguém. Já é delator, mas não disse tudo o que sabe. Sua lealdade à Globo hoje está por um fio e não vale uma nota de três dólares.

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P.S.
O assunto é instigante, empolgante e eletrizante. Amanhã, voltaremos a ele, com informações rigorosamente verdadeiras sobre a situação de pânico que desespera os irmãos Marinho, por causa do escândalo da Fifa. O tema é importantíssimo e envolve também o presidente Michel Temer, que entrou de gaiato na história, ajudou com presteza os irmãos Marinho num momento de dificuldade e agora está sendo detonado por eles. Como dizia nosso amigo Ibrahim Sued, que era íntimo de Roberto Marinho e ficou famoso por causa dessa amizade com ele, em sociedade tudo se sabe. (C.N.)

PMDB afunda caravela de Ulysses Guimarães num mar revolto da corrupção

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Charge do Jota A (Portal O Dia/PI)

Pedro do Coutto

A ação da Polícia Federal no Rio de Janeiro, na terça-feira, revelou à sociedade brasileira que o PMDB, outrora líder na luta pela liberdade, pelo voto direto e contra a corrupção, afundou a caravela de Ulisses Guimarães no mar revolto de assalto aos recursos públicos, o que quer dizer também assalto aos legítimos interesses do povo. Os mais jovens podem não entender direito o título deste artigo. Eu explico: o deputado Ulysses Guimarães era o presidente nacional do PMDB e, no seu famoso discurso no comício de um milhão de pessoas no Centro do Rio de Janeiro, ao abrir a campanha pela eleições diretas, proferiu o discurso que fica na história por seu caráter poético e seu tom afirmativo.

Ao lado de Tancredo Neves, Ulysses afirmou: “a caravela vai partir. Sabemos os perigos que nos esperam. Mas a mão do ideal está firme no leme e as velas pandas de sonhos. Espero em breve poder dizer do alto da gávea: senhor comandante, terra à vista, terra abençoada da liberdade”

A VEZ DE JUCÁ – Hoje , digo eu, a presidência nacional do PMDB é ocupada pelo senador Romero Jucá. O presidente da República chama-se Michel Temer, contra quem a Procuradoria Geral da República enviou ao STF dois processos acusando-o de corrupção. Mas a Câmara Federal barrou a sequência das denúncia bloqueando o julgamento das acusações.

Isso de um lado. De outro, o esperado silêncio partidário diante das acusações, especialmente destacadas na reportagem de Chico Otávio, Daniel Brassetto, Miguel Caballero e Juliana Castro, em O Globo desta quarta-feira. O afundamento do barco libertador de Ulysses passou a encontrar o silêncio como resposta. Não só do PMDB, mas também do PSDB de FHC e, evidentemente, dos partidos do Centrão. Silêncio comprometedor e poluidor do quadro político em geral.

JOAQUIM BARBOSA – A esse propósito, cumpre destacar o artigo de Elio Gaspari, O Globo e Folha de São Paulo fazendo uma redução sociológica das legendas políticas e destacando, em consequência, a importância da candidatura de Joaquim Barbosa pelo PSB.

Seria uma saída da crise nacional pela simples e direta esperança de moralidade, mesmo o grau de moralidade exigido pelas lutas políticas. Eu falei em redução sociológica. É o título de excelente livro do professor Guerreiro Ramos, um dos integrantes do pensamento de centro-esquerda dos anos dourados de 55 a 60 em apoio ao governo Juscelino Kubitschek. Um presidente que produziu grandes avanços no país e cuja atuação foi expressa numa síntese do livro de Paulo Pinheiro Chagas: “JK, um contemporâneo do futuro”.

Mas agora tudo isso é passado. E os mais de 200 milhões de brasileiros e brasileiras aguardam uma nova alvorada. Vamos ter esperança.

INTOLERÂNCIA – Esperança é fundamental a vida humana, e nós a encontramos a cada passo que caminhamos. Inclusive em manifestações simples marcadas por gestos como o das autênticas Igrejas Evangélicas que a arrecadaram recursos para reconstrução de um Terreiro de Candomblé destruído pela intolerância. Destaque para o Pastor Edson Fernando, da Igreja Cristã de Ipanema, que coordenou a arrecadação. Os recursos serão entregues numa reunião a ser realizada no terreno em que o Terreiro funcionava na cidade Fluminense da Caxias.

Falei em intolerância, inspirado no filme famoso de David Griffith, 1916, um clássico até hoje, considerado um dos maiores filmes de todos os tempos. Entre os episódios que marcaram o motivo da obra, destaca-se a crucificação de Jesus Cristo. No Brasil de 2017 predomina a tolerância com a corrupção. Era exceção, transformou-se em regra. Precisa mudar.

Polícia Federal apreende drogas, joias, arma e munição em casas de deputados

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Silval Barbosa entregou a quadrilha inteira

Deu em O Tempo
(Agência Estado)

Joias, entorpecentes e até mesmo uma arma estão entre os itens apreendidos em endereços ligados a deputados estaduais de Mato Grosso, alvo da Operação Malebouge, embasada na ‘monstruosa’ delação do ex-governador Silval Barbosa (PMDB). As buscas e apreensões investigam o pagamento de propinas a políticos do Estado, entre eles, os flagrados nas imagens da romaria para o recebimento de maços de dinheiro no gabinete de Silval, o delator peemedebista.

A Operação Malebolge, deflagrada no dia 14 de setembro, por ordem do ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal, tem como alvo sete deputados estaduais de Mato Grosso. Naquele dia, a Polícia Federal vasculhou por mais de duas horas os gabinetes e endereços residenciais de Wagner Ramos (PSD), Silvano Amaral (PMDB), Baiano Filho (PSDB), Romoaldo Júnior (PMDB), José Domingos Fraga (PSD), Oscar Bezerra (PSB) e Gilmar Fabris (PSD)

ECSTASY – Na residência de Itamara Cenci, ex-mulher do deputado Fraga, foram encontradas cápsulas de ecstasy ‘em formato de sorvete’, como descreveu a Polícia Federal. A perícia ainda vai avaliar o conteúdo de um envelope com 14,5 gramas de pó branco. As drogas estavam em um cofre. Diversos brincos, pulseiras e anéis também foram localizados na casa de Itamara.

Fraga é um dos deputados que aparecem em vídeos pegando dinheiro no gabinete de Silval. Ele levou os maços em uma caixa de papelão.

No endereço de Airton Rondina (PSD), que foi flagrado em vídeo pegando dinheiro no gabinete de Silval tinha em casa uma garrucha de cano simples e 50 cartuchos de munição.

DOAÇÃO DE 300 MIL – Maria Aparecida Gonçalves, com quem o deputado Romualdo Júnior tem uma filha, também foi conduzida coercitivamente e alvo de buscas e apreensões. Na casa dela, foi encontrada, na declaração de seu imposto de renda de 2015/16 uma doação do parlamentar no valor de R$ 300 mil.

Ao pedir a investigação sobre a origem do repasse, a procuradora-geral Raquel Dodge afirmou que é ‘importante destacar que entre os crimes investigados, em tese praticados por Romoaldo Júnior, encontra-se o crime de corrupção passiva por ter recebido a quantia de R$ 600.000,00 (seiscentos mil reais), em doze parcelas de R$ 50.000,00 (cinquenta mil reais) do então governador Silval Barbosa na condição de Deputado Estadual para manter a governabilidade, votar de acordo com os projetos do governo e não investigar os membros do alto escalão”.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG –
Como disse o ministro-relator Fux, trata-se de uma “delação monstruosa” e envolve o atual ministro Blairo Maggi, da Agricultura. E as investigações estão apenas começando… (C.N.)

TV Globo e grupo do México deram US$ 15 milhões em propina nas Copas

Alejandro Burzaco prestou depoimento pelo segundo dia seguido em Nova York

Burzaco chorou antes de prestar novo depoimento

Silas Martí
Folha

Em mais um dia de depoimento, Alejandro Burzaco disse que a TV Globo, a mexicana Televisa e sua empresa de marketing esportivo, Torneos y Competencias, pagaram juntas US$ 15 milhões em propina a Julio Humberto Grondona, ex-chefe do futebol argentino, pelos direitos de transmissão da Copa do Mundo de 2026 e 2030. O valor, que garantia direitos de TV, rádio e internet para os eventos esportivos, teria sido depositado no banco Julius Bär, sediado na Suíça.

Essa conta era controlada pela T&T, empresa criada pelo grupo de Burzaco para fazer pagamentos com verbas ilícitas. De acordo com ele, os valores pagos eram abaixo do mercado para que pudessem ser inflados com propinas.

DETALHES – Uma das principais testemunhas da acusação no julgamento de José Maria Marin, ex-presidente da CBF que está sendo julgado em Nova York no escândalo de corrupção da Fifa, Burzaco deu detalhes de um suposto encontro há quatro anos no hotel Waldorf Hilton, em Londres, onde teria fechado o acordo.

Também na capital britânica, Burzaco disse ter se encontrado com Marin, Marco Polo Del Nero, atual presidente da CBF, e executivos da americana Fox Sports que queriam “ampliar suas operações no Brasil e ter laços mais estreitos com o futebol”.

Na ocasião, Marin e Del Nero teriam reclamado do atraso em seus pagamentos de propina relativos à Copa Libertadores da América e a Copa Sul-Americana daquele ano. Eles discutiram ainda pagamentos pendentes de US$ 2 milhões e US$ 3 milhões, relacionados a outras negociações de direitos de transmissão de campeonatos.

E-MAILS COMPROMETEDORES – Numa série de e-mails mostrados pelos promotores americanos entre a testemunha e o chefe administrativo de sua empresa, Eladio Rodríguez, Burzaco discute os detalhes do pagamento, que teria que ser realizado às pressas dada a “irritação e insatisfação” dos cartolas brasileiros identificados juntos como “brasilero” em alguns dos e-mails.

Marin e Del Nero, depois do encontro em Londres, estavam, segundo as mensagens, nos Estados Unidos e exigiam receber o pagamento aqui, operação que o empresário considerava arriscada, mas concordou em fazer.

Burzaco, que está em prisão domiciliar há dois anos em Nova York e fechou um acordo de delação premiada com a Justiça americana, ainda aguarda a sua sentença.

CAIU NO CHORO – Na corte do Brooklyn, ele chorou no início do segundo dia de depoimentos, interrompendo o julgamento. Isso foi menos de 24 horas depois do suicídio de um advogado argentino citado por ele como um dos que receberam propina no esquema -Jorge Delhon se jogou na frente de um trem em Buenos Aires.

Depois de sua crise de choro, Burzaco foi reconduzido ao tribunal. Ele então deu mais detalhes de suas ligações com a TV Globo e a Fox. Num café da manhã num restaurante do Copacabana Palace, no Rio, durante a Copa do Mundo de 2014, o empresário teria se encontrado com Marcelo Campos Pinto, então responsável na emissora brasileira pela compra dos direitos de transmissões.

Segundo Burzaco, eles discutiram a intenção da Globo de estender o pagamento de propinas para a Conmebol via T&T, empresa do argentino com sede na Holanda, em troca de direitos da Libertadores e da Copa Sul-Americana.

HAVIA PRESSÕES – “Não queríamos que essa estrutura mudasse”, explicou a testemunha. Ele disse que o encontro com o executivo da Globo tinha como objetivo garantir a continuidade dos pagamentos do canal, já que estava sofrendo pressões de outros grupos, como a Fox.

Burzaco também detalhou os valores e as datas de pagamento de propina a cartolas da Conmebol, prevendo gastar pelo menos US$ 66 milhões em propina sobre contratos das edições de 2015, 2019 e 2023 da Copa América, além da edição especial do torneio realizada em 2016.

Entre os destinatários desses pagamentos estavam José Maria Marin e Marco Polo Del Nero. Eles haviam passado a receber a cota de dinheiro ilícito antes paga a Ricardo Teixeira, que deixou o comando da CBF, há cinco anos, sob uma série de suspeitas.

EMPRESAS FALSAS – Burzaco também detalhou como criou empresas e contratos falsos para realizar suas operações, entre elas a Datisa, junção de sua firma Torneos y Competencias com a brasileira Traffic, de José Hawilla, e a argentina Full Play.

Ele disse que negociou com Hugo Jinkis e Mariano Jinkis, os donos da Full Play, para fazer com que Hawilla assinasse contratos de US$ 20 milhões -acima dos valores antes acordados- para evitar que uma eventual venda da Traffic revelasse o esquema.

Esses valores, no caso, também estariam ligados a pagamentos de propina pelos direitos de transmissão da Copa América. Burzaco estava preocupado que o brasileiro saísse do negócio do futebol e que futuros donos da Traffic barrassem os acordos.

DIZ O GLOBO – Procurado pela Folha, o Grupo Globo, detentor da TV Globo, manteve o mesmo posicionamento que havia passado na terça-feira (14) após ter seu nome citado em pagamento de propinas para diversos torneios internacionais.

Em nota enviada à reportagem, o grupo afirma “veementemente” que “não pratica nem tolera qualquer pagamento de propina”. “Após mais de dois anos de investigação [o Grupo Globo] não é parte nos processos que correm na Justiça americana”, lembra a empresa no comunicado.

O Grupo Globo afirma ainda que conduziu “amplas investigações internas” desde que o escândalo da Fifa foi revelado, em 2015. Nelas, ainda segundo o comunicado, foi apurado que o Grupo Globo “jamais realizou pagamentos que não os previstos nos contratos”.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Como dizia o slogan da série Arquivo X, um dos maiores sucessos da história da TV, “a verdade está lá fora”. Como se sabe, todas as grandes emissoras mundiais. No entanto, segundo o grupo Globo, a empresa brasileira não participou do esquema. Seria um bom tema para a próxima novela do horário nobre, que poderia ter o título “Me Engana que Eu Gosto”. (C.N.)

Advogado envolvido no escândalo da Fifa se suicida e o suspense aumenta

Resultado de imagem para Advogado argentino Jorge DelhonDeu na ESPN

O advogado argentino Jorge Delhon, de 52 anos, supostamente envolvido no esquema de corrupção conhecido como “Fifagate”, se suicidou na terça-feira, ao se jogar sob um trem em movimento, em Lanús, em Buenos Aires, de acordo com informações passadas à Agência Efe por fontes policiais. O fato aconteceu depois que Alejandro Burzaco, ex-diretor-executivo da empresa argentina de marketing Torneos y Competencias, que admitiu ter subornado a Fifa para obter direitos de transmissão de futebol, declarou na terça, nos Estados Unidos, que entre os anos e 2011 e 2014 pagou propinas milionárias a Delhon e Alejandro Paladino, segundo divulgaram os meios de comunicação da Argentina.

Paladino foi coordenador do programa “Fútbol Para Todos”, recentemente cancelado, no qual as partidas eram transmitidas desde 2009, durante o governo de Cristina Kirchner, através de canais de televisão aberta. Por sua parte, Delhon era um advogado ligado ao kirchnerismo.

PROPINAS – “Nós pagamos propinas a esses dois senhores por US$ 4 milhões”, disse Burzaco, segundo o jornal argentino “La Nación”, quando a justiça americana lhe perguntou pelo papel dos dois ex-funcionários do “Fútbol Para Todos”.

As fontes da segunda delegacia de Lanús confirmaram à Efe o suicídio de Delhon, depois que soldados o encontraram na terça nas ferrovias. O “Fifagate” foi revelado no final de maio de 2015, às vésperas do congresso em que o suíço Joseph Blatter seria reeleito presidente, quando a polícia, numa operação conjunta entre os EUA e Suíça, entraram no hotel de Zurique onde estava a maioria dos dirigentes e realizou várias prisões.

A Torneos y Competencias, dedicada a transmitir eventos esportivos, admitiu ter subornado a Fifa para obter os direitos das Copas do Mundo de 2018, 2022, 2026 e 2030. Em dezembro do ano passado, a empresa negociou um acordo com as autoridades americanas para pagar quase US$ 113 milhões de multa para fechar o caso.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
O suicídio do advogado argentino, envolvido no Fifagate, indica que seriam verdadeiras as revelações do delator Alejandro Burzaco, ex-diretor-executivo da empresa argentina de marketing Torneos y Competencias, sobre suborno das autoridades da Fifa pelas emissoras que transmitem a Copa do Mundo e outros campeonatos organizados pela Federação. Como dizia nosso vizinho Miguel Gustavo, na diretoria da Vênus Platinada o suspense é de matar o Hitchcock... (C.N.)

Diretor da PF frustra o Planalto e vai acelerar investigações de políticos no STF

Obstinação de Segóvia leva o Planalto ao desespero

Jailton de Carvalho
O Globo

O diretor-geral da Polícia Federal, Fernando Segóvia, afirmou que vai aumentar o número de policiais responsáveis pelos inquéritos abertos no Supremo Tribunal Federal (STF) contra deputados, senadores e ministros para, a partir daí, acelerar as investigações sobre políticos, a maioria deles citados na Operação Lava-Jato. Segóvia disse, no entanto, que as investigações devem ser mantidas em sigilo até serem concluídas e que não admitirá vazamentos ou exploração política de inquéritos.

O diretor disse que até já existem duas investigações na Corregedoria-Geral sobre supostos desvios de conduta com objetivo político na Lava-Jato. Depois de negar que tenha sido indicado para o cargo pelo ex-presidente José Sarney ou pelo ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, expôs as linhas gerais de seu plano à frente da PF.

MAIOR VELOCIDADE – “Talvez seja o momento de a Polícia Federal, quem sabe, dar um upgrade na equipe de investigação dos inquéritos do STF para que haja uma velocidade maior nessas investigações. Para que a gente possa concluí-las no menor prazo possível” — afirmou Fernando Segóvia.

O diretor-geral explica que alguns ministros do STF já reclamaram sobre a lentidão dessas investigações. Disse ainda que diretores da gestão anterior também reconheceram a necessidade de imprimir velocidade aos inquéritos sobre deputados, ministros e senadores. Para Segóvia, é importante agilizar as apurações e dar uma resposta à sociedade sobre os políticos acusados de corrupção. Como vários deles serão candidatos nas eleições de 2018, os eleitores teriam o direito de saber se as suspeitas levantadas até agora têm ou não fundamento à luz de uma investigação criminal.

Segóvia disse ainda que, se for necessário, criará forças-tarefa nos estados para aprofundar outras frentes de investigação, algumas delas relacionadas à Lava-Jato.

SEM VAZAMENTOS – O diretor deixou claro que não vai aceitar vazamentos ou desvios político-partidários em inquéritos criminais. Segundo ele, a polícia deve ser republicana, investigar em silêncio e não pode, em hipótese alguma, interferir no processo político-eleitoral do país.

“A gente percebe que algumas investigações ao longo da história da Polícia Federal tiveram alguns desvios dentro das linhas investigativas. Alguns delegados nossos tiveram desvios no sentido que eu diria até meio político-partidários. Então há uma necessidade grande de que a PF tenha um trabalho muito profissional para que a gente busque somente a verdade real dos fatos” — disse, sem citar os policiais que teriam se desviado.

NA LAVA JATO – Ao responder se esse tipo de desvio também teria ocorrido na Lava-Jato, Segóvia disse que há uma suspeita e que já existem duas investigações na Corregedoria-Geral para apurar a denúncia de um suposto grampo ilegal na cela onde estava preso o doleiro Alberto Youssef, um dos delatores da Lava-Jato. Ele disse que, no momento oportuno, o resultado das investigações será divulgado: “Todas essas suposições, nada provado, estão sendo investigadas. A nossa Corregedoria mandou uma, duas vezes já pessoal (para Curitiba) para fazer esse tipo de investigação. Qualquer desvio de conduta de qualquer delegado nosso, que houver suspeita, faremos uma investigação”.

O diretor disse ainda que a procuradora-geral da República, Raquel Dodge, partilha da preocupação com o sigilo das investigações. Os dois conversaram por quase três horas na última sexta-feira. Segóvia foi ao encontro da procuradora-geral minutos depois de tomar posse, um gesto inédito na história dos diretores da PF.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG –
O importante é que o diretor-geral confirmou que a Superintendência do Paraná, posto estratégico da Lava Jato, será ocupada pelo delegado Maurício Valeixo, atual diretor de Combate ao Crime Organizado. Quer dizer, não haverá boicote à Lava Jato, para desespero do Planalto e da bancada da Oposição. (C.N.)

TV Globo nega envolvimento no escândalo da Fifa, mas a questão é delicadíssima    

Ex-executivo  revela como funcionava o esquema

Deu em O Globo

O julgamento de José Maria Marin, ex-presidente da CBF, em um tribunal no Brooklyn, em Nova York, teve um desdobramento importante nesta terça-feira: além de cartolas como Marin e o atual presidente da confederação, Marco Polo Del Nero, agora grupos de mídia, como a TV Globo, a Televisa, do México, e a Fox Sports dos EUA também foram acusados de receber propina. O delator é o argentino Alejandro Burzaco, ex-executivo da empresa Torneos y Competencias, que fazia a mediação entre as competições e as redes interessadas em sua transmissão.

Burzaco falou por mais de três horas no tribunal americano e confessou os crimes de lavagem de dinheiro, fraude e conspiração.

MARIN E TEIXEIRA – O delator citou nominalmente Marin, Juan Manuel Napout, ex-presidente da Conmebol e da federação paraguaia, e Manuel Burga, que comandava a federação peruana. Marin teria recebido propina entre 2012 e 2015, quando deixou a CBF.

Em outro momento do depoimento, disse também que a Torneos y Competencias teria pago propina a Ricardo Teixeira, presidente da entidade entre 1989 e 2012. O ex-dirigente teria recebido US$ 600 mil (cerca de R$ 2 milhões) por ano entre 2006 e 2012, em contas bancárias indicadas por ele mesmo ou por seu secretário, Alexandre Teixeira.

Burzaco também citou pelo nome grupos de comunicação de diversos países, quando o promotor lhe perguntou se o pagamento de propinas a dirigentes em busca dos direitos de transmissão era realizado em parceria com elas: “Várias. Fox Sports, dos Estados Unidos, Televisa, do México, Media Pro, da Espanha, TV Globo, do Brasil – disse ele, que também afirmou ter-se associado a companhias com atuação no mesmo ramo de negócios que a Torneos y Competencias, como a brasileira Traffic e a argentina Full Play.

SOMENTE A FOX – No entanto, quando o promotor perguntou se as empresas eram informadas de que parte do valor pago era destinado a subornar dirigentes, ele mencionou apenas a Fox Panamerican Sports – que compraria mais tarde uma grande parte da Torneos e Competencias.

A maior ênfase do ex-executivo – que foi demitido da Torneos y Competencias poucos dias depois da prisão de vários dirigentes, inclusive Marin, em Zurique, na Suíça, em maio de 2015 e se entregou às autoridades americanas no mês seguinte – foi no pagamento de propina a dirigentes sul-americanos, entre os anos de 2006 e 2015.

– (Pagamos) para todos. Presidentes, integrantes do comitê executivo, vice-presidentes, secretário-geral, presidentes de federações nacionais. Todos.

TV GLOBO NEGA – A TV Globo emitiu um comunicado (ao lado) defendendo-se das acusações de Burzaco.

“Sobre depoimento ocorrido em Nova York, no julgamento do caso Fifa pela Justiça dos Estados Unidos, o Grupo Globo afirma veementemente que não pratica nem tolera qualquer pagamento de propina. Esclarece que após mais de dois anos de investigação não é parte nos processos que correm na justiça americana. Em suas amplas investigações internas, apurou que jamais realizou pagamentos que não os previstos nos contratos. Por outro lado, o Grupo Globo se colocará plenamente à disposição das autoridades americanas para que tudo seja esclarecido. Para a Globo, isso é uma questão de honra. Não seria diferente, mas é fundamental garantir aos leitores, ouvintes e espectadores do Grupo Globo de que o noticiário a respeito será divulgado com a transparência que o jornalismo exige.”

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
O assunto é importantíssimo e merece tradução simultânea. O grupo Globo está sendo varrido por um furacão interno, que balança a Vênus Platinada. Os irmãos Marinho estão muito preocupados, quer dizer, preocupadíssimos, com os desdobramentos. Por isso, vão investir pesado na sucessão presidencial, que será decisiva para eles. O assunto é tabu e a grande mídia faz um silêncio respeitoso, digamos assim. Vamos escrever a respeito aqui na Tribuna da Internet, com informações exclusivas e rigorosamente verdadeiras. (C.N.)

 

 

Black Friday de Temer começa com a volta do PP aos cofres públicos

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Charge do Gilmar (gilmar.zip.net)

Bernardo Mello Franco
Folha

No governo Temer, a Black Friday vai começar mais cedo. A debandada do PSDB antecipou o saldão de cargos na Esplanada. O presidente promete negociar até 17 ministérios, segundo as contas do senador Romero Jucá. A primeira pasta em liquidação é a das Cidades, que ficou vaga com a saída do tucano Bruno Araújo. O favorito para arrematar a cadeira é o PP, partido com mais políticos investigados na Lava Jato.

O ministério foi criado em 2003, no início do governo Lula. No discurso, serviria para melhorar as políticas públicas de saneamento, transporte e habitação. Na prática, virou mais uma mercadoria a ser trocada por votos no Congresso.

PASTA DO PP – O fisiologismo abocanhou a pasta em 2005. Em plena crise do mensalão, Lula demitiu o petista Olívio Dutra e entregou o lugar ao PP. A escolha do novo ministro coube a Severino Cavalcanti, que renunciou à presidência da Câmara após ser acusado de achacar um dono de lanchonete.

Nas Cidades, o partido descobriu uma vocação insuspeita para os assuntos urbanos. Os pepistas comandariam a pasta por dez anos. Foi um período marcado por obras milionárias e operações da Polícia Federal.

PP NÃO É BURRO – A revoada dos tucanos abriu caminho para que o PP volte ao ministério, que terá R$ 8 bilhões para gastar no ano eleitoral. O clima de flashback é tão forte que os dois candidatos mais cotados para assumir o cargo já passaram por ele: Aguinaldo Ribeiro e Gilberto Occhi.

Líder do governo na Câmara, Ribeiro foi denunciado ao Supremo no mês passado, sob acusação de integrar uma organização criminosa. Presidente da Caixa Econômica Federal, Occhi foi delatado por Lúcio Funaro, que o acusou de cobrar propina em empréstimos do banco.

Quando Lula despejou Olívio, perguntaram a Severino por que seu partido tinha tanto interesse no Ministério das Cidades. “Tem uma coisa que vocês precisam admitir: o PP não é burro”, respondeu o ex-deputado.

TV Globo exige que Huck se defina sobre a eleição, mas ele não está nem ai…

Resultado de imagem para luciano huck candidatoNelson de Sá e Eliane Trindade (Folha)

Sem citar Luciano Huck ou sua mulher, Angélica, a Rede Globo informou à Folha que vem realizando “várias conversas” neste final de ano com funcionários seus, visando confirmar eventuais candidatos em 2018 e tirá-los do ar. “A Globo tem por hábito, no período que antecede anos eleitorais, conversar com diversos profissionais de seu ‘casting’ para lembrar a política interna de eleições”, afirmou a emissora, questionada sobre o apresentador.

“Por essa diretriz interna, já em vigor há anos, quem tem a intenção de se candidatar ou de participar de alguma campanha eleitoral deve avisar com antecedência à emissora.”

DIZ A VEJA – A revista “Veja” publicou que a direção da Globo teve uma “conversa franca” com Huck e decidiu que, se ele quiser se lançar candidato, “terá de sair da emissora até dezembro, sem volta”.

A pressão sobre o apresentador aumentou após suas reuniões públicas com o ex-presidente do Banco Central, Armínio Fraga, com o governador do Espírito Santo, Paulo Hartung (PMDB), sondado para vice, e com o PPS.

No caso da Globo, a rede define até dezembro a sua nova programação, inclusive orçamentos, para a temporada que começa em abril.

Mas a pressão não se restringe à televisão. Também os patrocinadores, tanto do programa quanto aqueles diretamente ligados a Huck, vêm cobrando uma definição do apresentador quanto à sua candidatura a presidente.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
As informações da Glogo são um monte de conversa fiada. 1) A Globo não quer perdê-lo para a política, de jeito algum. 2)  A emissora jamais realizou “conversas” com empregados que pretendam entrar na política. 3) Não há pressão de patrocinadores, eles estão adorando o crescimento da fama de Huck. 4) Se o apresentador entrar na política, os patrocinadores simplesmente migram para outro programa. 5) Hulk é um tremendo astro, seu programa é um sucesso nacional, ele não precisa da Globo para nada, fará sucesso em qualquer emissora. 6) Por fim, a Globo está vivendo a maior crise interna dos últimos tempos, mas isso é motivo de uma análise ampla, que faremos amanhã. (C.N.)

Desembargador solta ex-governador André Puccinelli e filho, um dia após prisão

André Puccinelli (ao centro), ex-governador do Estado, na Polícia Federal. (Foto: Marcos Ermínio)

Puccinelli se livra da prisão pela segunda vez…

Evelin Cáceres
MidiaMax

O desembargador federal Paulo Fontes, do TRF3 (Tribunal Regional Federal) da 3ª Região, que fica em São Paulo, acatou o pedido de habeas corpus ingressado no início da tarde desta terça-feira (14) pelo advogado Antonio Mariz, criminalista nacionalmente reconhecido. Com isso, o ex-governador André Puccinelli e o filho serão soltos ainda nesta quarta-feira (15). De acordo com o desembargador, em entrevista exclusiva ao Jornal Midiamax, a medida foi tomada, porque, para o magistrado, não há a contemporaneidade vislumbrada pela Polícia Federal nos supostos recebimentos de propina, relatados pelo pecuarista Ivanildo Miranda na delação premiada.

“Os principais fatos datam de 2006 a 2013, ou seja, não há contemporaneidade. É mesma situação de maio, quando o ex-governador pediu habeas corpus para finalizar o uso da tornozeleira”, disse.

SEM PASSAPORTES – Fontes disse que Puccinelli e o filho devem comparecer em juízo, entregar os passaportes e estão proibidos de deixar o país.

O desembargador explicou que a prisão cautelar também foi entendida como desnecessária em maio pela 3ª Vara da Justiça Federal de Campo Grande. “Também como em maio, a 5ª Turma ainda deve analisar, nos próximos dias, se mantém a liminar que eu concedi hoje.

A liminar já foi encaminhada para Campo Grande e deve ser cumprida ainda antes do almoço, já que falta apenas a emissão dos alvarás de soltura e entrega de ambos no Centro de Triagem, onde os dois dividem uma cela com outros 18 presos.

LAMA ASFÁLTICA – A Polícia Federal, a Controladoria Geral da União e a Receita Federal deflagraram na terça-feira (14) a quinta fase da Operação Lama Asfáltica, nomeada de Papiros de Lama por conta da compra de material jurídico, sem justificativa plausível, por parte de empresa concessionária de serviço público, e direcionamento dos lucros por um dos membros do que foi chamado de ‘organização criminosa’ pelas investigações. Ao todo, teriam sido desviados mais de R$ 235 milhões.

Foram cumpridos dois mandados de prisão preventiva, de Puccinelli e o filho, dois mandados de prisão temporária, João Paulo Calves e Jodascil Gonçalves Lopes, seis mandados de condução coercitiva, de André Luiz Cance ex-secretário de Estado de Fazenda, os empresários João Amorim e João Baird, o dono da gráfica Alvorada Mirched Jafar Júnior, dono da PSG Antônio Cortez e o engenheiro João Maurício Cance e 24 mandados de busca e apreensão, além do sequestro de valores nas contas bancárias de pessoas físicas e empresas investigadas.

SUPEROPERAÇÃO – As medidas foram sendo cumpridas em Campo Grande/MS, Nioaque/MS, Aquidauana/MS e São Paulo/SP, com a participação de mais de 300 Policiais Federais, servidores da CGU e servidores da Receita Federal.

A operação teve como objetivo desbaratar a organização criminosa que desviou recursos públicos por meio do direcionamento de licitações públicas, superfaturamento de obras públicas, aquisição fictícia ou ilícita de produtos, financiamento de atividades privadas sem relação com a atividade-fim de empresas estatais, concessão de créditos tributários com vistas ao recebimento de propina e corrupção de agentes públicos. Os recursos desviados passaram por processos elaborados de ocultação da origem, resultando na configuração do delito de lavagem de dinheiro, segundo a Polícia.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG –
O ex-governador escapou pela segunda vez, nem precisou apelar ao ministro Gilmar Mendes e ainda livrou também o filho, e isso aconteceu numa velocidade impressionante, em menos de 24 horas. E depois ainda dizem que a Justiça brasileira é lenta… (C.N.)

Gilmar Mendes evita comentar a nova prisão de Jacob Barata e Lélis Teixeira

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Gilmar faz cara de paisagem e não está nem aí

Karla Gamba
O Globo

O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), evitou comentar, nesta terça-feira, a Operação “Cadeia Velha”, deflagrada pela Polícia Federal no Rio de Janeiro. Entre os alvos estão os empresários do setor de tranportes Jacob Barata Filho e Lélis Teixeira, que foram beneficiados por dois habeas corpus, concedidos por Gilmar em dois dias seguidos, em agosto. Em setembro, a Segunda Turma do Supremo manteve a decisão de Gilmar, deixando Lélis e Barata fora da prisão. “São decisões da turma, vamos aguardar, eu não conheço a fundamentação, vamos aguardar as informações” — declarou Gilmar.

Jacob Barata Filho e Lélis Teixeira foram presos em julho no âmbito da Operação Ponto Final, que investiga o pagamento de propina por parte de empresários de ônibus a políticos. Em agosto, após o habeas corpus de Gilmar, passaram a cumprir recolhimento domiciliar.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
É claro que Gilmar Mendes não vai comentar a nova prisão dos empresários corruptores que ele generosamente soltou. Da mesma forma, o ministro não comenta a estranha prisão domiciliar de José Dirceu, com participação em rodas de samba em Brasília e livre atuação política, inclusive publicando artigo no site Nocaute, que reproduzimos aqui na TI, para mostrar o que o mentor do PT anda tramando. Gilmar também não comenta suas antigas decisões, como a libertação do médico estuprador Roger Abdelmassih, que fugiu para o Paraguai e demorou anos até ser preso e extraditado. Gilmar fala muito, mas tem horas em que prefere ficar estrategicamente calado. (C.N.)