Eu roubava essa rosa e ofertava, todo prosa, à primeira namorada…

Resultado de imagem para sergio bittencourt

Sérgio Bittencourt, um grande compositor

Paulo Peres
Site Poemas & Canções

O jornalista e compositor carioca Sérgio Freitas Bittencourt (1941-1979) revela, na letra de “Modinha”, o seu lírico e belíssimo sonho. Esta música foi vencedora do festival O Brasil Canta no Rio, em 1968, interpretada e, posteriormente, gravada por Taiguara.

MODINHA
Sérgio Bittencourt

Olho a rosa na janela,
sonho um sonho pequenino…
Se eu pudesse ser menino
eu roubava essa rosa
e ofertava, todo prosa,
à primeira namorada,
e nesse pouco ou quase nada
eu dizia o meu amor,
o meu amor…

Olho o sol findando lento,
sonho um sonho de adulto…
Minha voz, na voz do vento,
indo em busca do teu vulto,
e o meu verso em pedaços,
só querendo o teu perdão…
Eu me perco nos teus passos
e me encontro na canção…

Ai, amor, eu vou morrer
buscando o teu amor…
Ai, amor, eu vou morrer
buscando o teu amor…
(Eu vou morrer de muito amor)

Temer corta verbas das Forças Armadas e não fecha contas do orçamento 2018

Resultado de imagem para meirelles CHARGES

Charge do Amarildo (amarildo.com.br)

Pedro do Coutto

O presidente Michel Temer, provavelmente por pressão do ministro Henrique Meirelles, chefe da equipe econômica, aprovou um corte de 44% nas verbas do Exército, Marinha e Aeronáutica (reportagem de Tânia Monteiro e Lourencio Nossa, O Estado de São Paulo de segunda-feira) talvez em levar em conta o reflexo político. Agiu no sentido de equilibrar o orçamento, mas não conseguiu fechar as contas para 2018. A redução foi de 17,5 bilhões para 9,7 bilhões de reais. O comando das Forças Armadas sustentou que as consequências administrativas serão muito ruins.

No caso do Exército o projeto de segurança das fronteiras estará fortemente prejudicado, da mesma forma as operações voltadas a conter os desvios de explosivos que vão parar na mão do crime organizado.

ALHEIAMENTO – O presidente Michel Temer não levou em conta a sensibilidade que os cortes causam para o Exército, Marinha e Aeronáutica. Procurado pela reportagem, o Ministério do Planejamento informou que vai se esforçar para resolver os problemas mais graves do contingenciamento, evitando revelar essa disposição em relação ao corte das Forças Armadas. Acrescentou que aumentar os limites das verbas orçamentárias depende do alargamento do espaço fiscal.

Com sua resposta, deixou a impressão que o corte militar foi mais inspirado no ministro Dyogo Oliveira, titular do Planejamento, do que em Henrique Meirelles, chefe da equipe econômica. Mais uma vez evidencia-se um ponto de atrito entre os dois ministérios na disputa por mais espaço na Esplanada de Brasília.

NUVENS DIVERGENTES – A Esplanada de Brasília vem apresentando nuvens de divergências bastante amplas. Marta Beck, Geralda Doca e Cristiane Jungblut, O Globo desta terça-feira, destacam que o presidente Michel Temer concordou com o déficit de 159 bilhões de reais para as contas do orçamento de 2018, mas afirmou que não vai propor aumento de impostos, ao contrário da possibilidade admitida pelo ministro Henrique Meirelles.

Enquanto isso, o Centrão da Câmara dos Deputados está pressionando para que a projeção do déficit seja alargada para 179 bilhões.

A missão de harmonizar os cortes nas verbas militares, que ameaçam sofrer um colapso, o déficit previsto para 2018 e o entendimento de Henrique Meirelles, este admitindo elevação de tributos, tudo isso compõe um tema de solução difícil para Michel Temer. Difícil, porque depende em grande parte da sintonia entre Henrique Meirelles e Dyogo Oliveira, e isso não existe mais.

SEM SINTONIA – A sintonia mais difícil, entretanto, volta-se para um denominador comum, a esta altura quase impossível, entre o presidente da República e a população brasileira.

O aumento de impostos, além de ser repudiado , vai reduzir ainda mais o mercado de consumo. E sem consumo o país não avança, tão pouco se recupera.

Cármen Lúcia mentiu, pois a prisão em 2ª instância poderá ser revogada pelo STF

Resultado de imagem para Carmen Lucia

Nem Freud explicaria por que a Cármen mentiu

Carlos Newton

É constrangedor afirmar que a presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Cármen Lúcia, mentiu ao afirmar nesta terça-feira (dia 15) que não está em pauta no Supremo a possibilidade de mudança no entendimento que legalizou a prisão de condenados em segunda estância. “Não há nada pautado sobre isso. Não há nada cogitado”, disse ela, após um evento da Rádio JovemPan em São Paulo, no qual o juiz Sergio Moro, responsável pelos processos da Lava Jato na primeira instância, manifestou  “grande preocupação” com movimentações no sentido de alterar a jurisprudência.

A resposta da presidente do Supremo foi surpreendente, instigante e equivocada. Por que motivo ela disse que “não há nada cogitado” sobre a prisão de segunda instância? Nem Freud explicaria esse comportamento, porque a ministra está farta de saber que, especificamente sobre prisão em segunda instância, existem duas ações judiciais e uma decisão de relator que estavam previstas para ocorrer em agosto, e já estamos no dia 16.

MORO TEM RAZÃO – Não há a menor dúvida de que o juiz federal Sérgio Moro tem motivos para se preocupar com o próximo julgamento em que o Supremo poderá alterar a jurisprudência sobre o tema, fixada por 7 votos a 4 em fevereiro de 2016. Naquela histórica sessão, ficaram contra a prisão em segunda instância apenas os ministros Ricardo Lewandowski, Celso de Mello, Marco Aurélio Mello e Rosa Weber.

Mas de lá para cá as coisas mudaram muito. No início de julho de 2016, o ministro Celso de Mello alegou que a decisão de fevereiro não tinha “efeito vinculante” a outros casos, e  mandou soltar um réu sentenciado a 16 anos de cadeia por homicídio qualificado e ocultação de cadáver. Lewandowski fez o mesmo. Quer dizer, a jurisprudência do plenário simplesmente não está valendo nada.

Em maio deste ano, Gilmar Mendes sinalizou que pode acompanhar Dias Toffoli, que já mudou de ideia sobre o tema. Disse que a segunda instância deve ser uma possibilidade jurídica, não uma obrigação. “Manifesto, desde já, minha tendência em acompanhar o ministro Dias Toffoli no sentido de que a execução da pena com decisão de segundo grau deve aguardar o julgamento do recurso especial pelo STJ”, escreveu num voto.

DUAS AÇÕES – Com a mudança no entendimento do STF, a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e o Partido Ecológico Nacional (PEN) ajuizaram ações,  porque entendem que o princípio da “presunção da inocência” foi ferido com a mudança de jurisprudência dos ministros. E com frequência réus da Lava Jato e de outros processos entram com recursos, alegando a indefinição do Supremo. Portanto, não é por falta de pauta…

Moro tem razão em estar preocupado. Quando ocorrer um desses julgamento, e isso não vai demorar, o Brasil pode voltar a ser único país no mundo em que um criminoso só pode ser preso se tiver condenação confirmada por quatro instâncias — ou seja, só depois de um longo caminho até o Supremo, o que fará muitas punições serem extintas por prescrição. Ou os ministros podem apenas mitigar e só autorizar a prisão após a terceira instância, o Superior Tribunal de Justiça. De todo forma, essa impunidade prolongada é uma vergonha para o país.

5 VOTOS A 5 – Cármen Lúcia, Luiz Fux, Luís Roberto Barroso e Edson Fachin são quatro votos certos pela prisão após a segunda instância, além de Alexandre Moraes, que disse ser favorável durante a sabatina do Senado. Sabe-se que Celso de Mello, Ricardo Lewandowski, Marco Aurélio Mello, Gilmar Mendes e Dias Toffoli vão se manifestar a favor da impunidade, com o placar de 5 a 5. Portanto, o voto decisivo será de Rosa Weber, que em fevereiro de 2016 foi contra, mas pode mudar de posição, contrapondo-se a Dias Toffoli e Gilmar Mendes, que trocaram de lado.

Em tradução simultânea, neste tema da maior importância para o país a famosa deusa Minerva atende pelo nome de Rosa Weber. O julgamento deverá ser decidido pelo voto dela.

###
P.S. –  Se o Supremo revogar a prisão após condenação em segunda instância, é melhor nos mudarmos para uma país mais sério, como Paraguai, Venezuela ou Bolívia. (C.N.)

Temer confunde vida pública com a privada e faz as vontades da primeira-dama

Resultado de imagem para marcela temer

O amor é lindo e Marcela já tem até “nutricionista”

Deu em O Tempo

A Secretaria de Administração do Palácio do Planalto aprovou a concessão de apartamento funcional para duas assessoras pessoais da primeira-dama, Marcela Temer, segundo reportagem da jornalista Andréia Sadi, da GloboNews. Denise Silva dos Reis Leal e Cintia Borba estão lotadas no gabinete presidencial. Denise atua como nutricionista da primeira-dama, sendo responsável pelos cardápios elaborados para as refeições no Palácio do Jaburu e também no Palácio da Alvorada. Já Cintia é responsável pelas questões particulares de Marcela. De acordo com o Planalto, ela cuida da “rouparia”, atuando como uma espécie de “supervisora” da residência oficial do presidente da República. Ela seria responsável também por “lavanderia, faxina e arrumação” dos palácios do Jaburu e do Alvorada.

O apartamento funcional é dado a servidores que ocupam cargos DAS 4, 5 e 6. Ambas as servidoras são DAS 4, com salário mensal bruto de R$ 9.476 e carga horária de 40 horas semanais.

IRRITAÇÃO – De acordo com a apuração da jornalista da GloboNews, a concessão dos apartamentos funcionais a ambas irritou servidores do governo na semana passada, porque existe uma fila de espera para ser atendida com os apartamentos, e que as duas tiveram preferência por serem assessoras de Marcela Temer e passaram na frente de outros nomes que ainda aguardam ser contemplados.

Em nota, o Palácio do Planalto disse que os pedidos foram aprovados porque ambas cumpriam os requisitos para solicitação de apartamento funcional. A Presidência também negou que as servidoras tenham furado fila no processo e que, “diante da disponibilidade do imóvel e obedecendo a lista de solicitação”, a funcionária Cintia Borba foi contemplada com o apartamento funcional.

TEMER VETOU – Ainda segundo o Planalto, no caso da nutricionista, o pedido foi aprovado pela Secretaria de Administração, mas “o presidente, consultado, vetou verbalmente” o imóvel a Denise. Já o apartamento da “supervisora” Cintia foi formalizado no fim do ano passado.

A Secretaria de Administração cuida de 76 imóveis funcionais destinados a ministros e titulares de órgãos da Presidência da República e seus respectivos servidores. No âmbito da Presidência, os critérios para cessão dos imóveis “obedecerá a necessidade de serviço” e atenderá, preferencialmente, a seguinte ordem: ministro de Estado; ocupantes de cargos de Natureza Especial e ocupantes de cargo em comissão do Grupo-Direção e Assessoramento Superiores (DAS), níveis 4, 5 ou 6.

No caso de pedidos feitos por ocupantes de cargo de mesmo nível, são critérios de desempate, segundo a Presidência: data mais antiga da solicitação, maior tempo de serviço no cargo atual, maior número de dependentes em sua companhia; e idade superior.

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Se estivéssemos na Alemanha, Temer já teria sofrido impeachment por falta de decoro. Além de contratar babá para o filho com cargo DAS, a primeira-dama Marcela Temer também contratou nutricionista paga com dinheiro público.  Fica claro que um homem rico como Temer, ao desfrutar do poder, está confundindo a vida pública com a privada, como dizia o Barão de Itararé. (C.N.)

O desafio é se adaptar ao mundo como ele realmente se transformou

Resultado de imagem para espiritismo

Ilustração reproduzida do Arquivo Google

Eduardo Aquino
O Tempo

Vivemos de mania em mania, de moda em moda, tentando nos agarrar a pequenos milagres ou a grandes ilusões para seguir vivendo nosso agitado dia a dia. A última é a onda de “esvaziamento mental” , um desaceleramento dessa enxurrada de pensamentos, preocupações e sofrimentos antecipatórios, que nos mantêm em estado de alerta e estresse a cada instante. Surgem “gurus” e oferecem caminhos como se não fôssemos nós os autores e as vítimas de nossa realidade, como se a meditação não fosse milenar, assim como clausuras e monastérios.
O silêncio interior, assim dito, parece coisa de natureba ou riponga. Afinal, estamos submetidos a um bombardeio inclemente de informações e notícias sob a forma de sons e imagens de arrepiar. Tragédias, ameaças, dramas e violências são digeridos junto à macarronada, ao arroz com feijão, à cerveja ou ao refrigerante. Digerimos tudo.
NOVO NORMAL
– Nós nos acostumamos com essa azia física e mental. É o “novo normal”: ser ansioso, nervoso, irritado, insatisfeito, preocupado. Esvaziar a mente, no fundo, seria a capacidade de desconectar sem sentir culpa. Seria não sentir abstinência das redes, do smartphone, não existir internauticamente, mas interagir e saber usar como meio o ambiente eletrônico, o mundo virtual e relaxar no fim de seu uso.

Seria ficar de plantão aos sons irritantes e simultaneamente viciantes dos avisos de mensagens das redes e não sofrer imaginando o que se está perdendo ao não responder às mensagens, temendo uma tragédia, uma urgência do trabalho, um problema sério com os filhos.

MORTO-VIVO – Simples, não? Imaginar que o mundo pode seguir rodando sem nossa presença, sem nossa interferência, sem nossa ação; ser acusado de não responder aos whats e aos e-mails ou de não se exibir nas diversas redes sociais; ser um morto-vivo, um rebelde sem causa, alienado tecnológico, mas um feliz relaxado, desapegado, observador da natureza que nos rodeia, aprendiz de sábio.

O desafio é se adaptar ao mundo como ele é, usufruir o que ele nos oferece e, ainda assim, conseguir, no meio de tudo que não para de acontecer, ter momentos sagrados de paz interior, tempo para não fazer nada ou um lazer que desacelere o turbilhão de preocupações, seja sozinho, a dois ou em grupo. Pois quem consegue, sem dúvida, haverá de compartilhar.

Julgamento de Collor por corrupção e lavagem será na próxima terça-feira

Resultado de imagem para fernando collor

Collor será julgado pela Segunda Turma do STF

Renan Ramalho
G1 Brasília

A Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu adiar, no início da noite desta terça-feira (dia 15), a análise sobre uma denúncia por corrupção e lavagem de dinheiro contra o senador Fernando Collor de Mello (PTC-AL). Após ouvir acusação e defesas por cerca de 2 horas, os ministros Edson Fachin, Ricardo Lewandowski e Celso de Mello resolveram deixar a decisão, que pode tornar Collor réu na Operação Lava Jato, para a próxima terça-feira (dia 22).

Junto com outras sete pessoas ligadas a ele, Collor é acusado de receber mais de R$ 30 milhões em propina por negócios da BR Distribuidora, subsidiária da Petrobras na venda de combustíveis.

DIVERSOS CRIMES – A denúncia contra Collor, apresentada em agosto de 2015 pela Procuradoria Geral da República (PGR), origina-se de uma das seis investigações sobre o senador abertas no STF, sendo cinco da Lava Jato e outra baseada na delação da Odebrecht, sem relação com a Petrobras.

No total, Collor é acusado de cinco crimes: corrupção passiva, lavagem de dinheiro, organização criminosa, peculato e obstrução de Justiça.

A principal acusação é de que, em conjunto com outras pessoas, ele pediu e recebeu, entre 2010 e 2014, pelo menos R$ 30,950 milhões em três negócios envolvendo a BR Distribuidora, que tinha dois diretores indicados pelo senador.

OS NEGÓCIOS – O primeiro negócio, para viabilizar que a rede de postos DVBR Derivados do Brasil passasse a revender combustíveis da BR Distribuidora. O segundo foi a viabilização de quatro contratos entre a BR e a construtora UTC para construção de bases de distribuição de combustíveis. O terceiro envolveu contrato de gestão de pagamentos e programa de milhagens da BR com a FTC Cards Processamento e Serviços de Fidelização.

Nos três casos, Collor atuou em conjunto com diversas pessoas, incluindo seu ex-ministro Pedro Paulo Bergamaschi e sua mulher Caroline Serejo, além de outras cinco pessoas, incluindo um ex-assessor parlamentar.

LAVAGEM – Boa parte da denúncia descreve supostas operações de Collor para lavagem de dinheiro e ocultar o recebimento da propina, inclusive com a compra de carros luxuosos, imóveis e obras de arte usando dinheiro sujo depositado em suas empresas.

A Procuradoria lista, por exemplo, a compra de: 1 Bentley Continental Flying Spur, por R$ 975 mil; 1 Range Rover SDV8 Vogue, por R$ 570 mil; 1 Ferrari 458, por R$ 1,450 milhão; 1 Porsche Panamera S, pago em espécie, em valor não discriminado; 1 Rolls Royce Phantom, por R$ 1,350 milhão; 1 casa de campo em Campos do Jordão (SP), por R$ 4,5 milhões; 1 terreno litorâneo em Barra de São Miguel (AL), por R$ 450 mil; 4 salas comerciais no edifício The Square Park Office, em Maceió, por R$ 953,7 mil; 1 quadro de Di Cavalcanti e outras obras de arte e antiguidades, por R$ 4,6 milhões; 1 lancha, chamada Mama Mia II, por R$ 900 mil.

Comissão da Câmara aprova o ‘distritão’ e o Fundo Eleitoral

Resultado de imagem para reforma política charges

Charge do Genlldo (Charge Online)

Bernardo Caram
G1, Brasília

A comissão especial da Câmara que analisou nos últimos meses uma proposta de reforma política concluiu nesta terça-feira (15) a votação do relatório que estabelece o “distritão” para as eleições de 2018 e cria um fundo para bancar as campanhas com dinheiro público (veja mais abaixo as mudanças propostas pela reforma). O texto agora seguirá para análise do plenário da Câmara. Por se tratar de uma proposta de emenda à Constituição, deve passar por dois turnos e obter em cada um o apoio mínimo de 308 dos 513 deputados. Se for aprovada, a reforma seguirá para o Senado.

Para as mudanças passarem a valer já nas eleições de 2018, precisam ser aprovadas na Câmara e no Senado até 7 de outubro. Por isso, o Congresso corre contra o tempo.

JOGO RÁPIDO – A sessão da reforma política nesta terça começou com 1h30 de atraso. Depois que foi aberta, no entanto, os deputados concluíram a votação do relatório em menos de 15 minutos. Com o texto-base aprovado na última semana, restava apenas a análise de duas sugestões de mudanças na proposta.

A proposta estabelece o “distritão” para as eleições de 2018 e de 2020. Com o “distritão”, cada estado ou município vira um distrito eleitoral. São eleitos os candidatos mais votados dentro do distrito; Não são levados em conta os votos para partido ou coligação.

Na prática, torna-se uma eleição majoritária, como já acontece na escolha de presidente da República, governador, prefeito e senador.

NANICOS ENFRAQUECIDOS – O “distritão” é criticado por PT, PR, PSB, PRB, PDT, PCdoB, PPS, PHS, Rede, PV, PEN e PSOL, que argumentam que esse formato enfraquece as legendas.

Os partidos dizem entender que a medida vai encarecer as campanhas individuais e somente os candidatos mais conhecidos conseguirão se eleger, dificultando o surgimento de novos nomes na política.

Partidos que defendem o “distritão” afirmam, porém, que o modelo acabará com os chamados “puxadores de votos”, candidatos com votação expressiva que ampliam o quociente eleitoral do partido ou coligação e garantem vagas para outros candidatos, mesmo que esses “puxados” tenham votação inexpressiva.

O “distritão” já foi rejeitado pelo plenário da Câmara, em 2015, quando a Casa era comandada por Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Nos últimos dias, porém, o sistema ganhou força entre parlamentares e lideranças partidárias.

FUNDO ELEITORAL – O projeto institui o Fundo Especial de Financiamento da Democracia, mantido com recursos públicos previstos no Orçamento. O valor do fundo será de 0,5% da Receita Corrente Líquida do governo em 12 meses, o que corresponderá a cerca de R$ 3,6 bilhões em 2018.

Outra comissão da Câmara que discute a reforma política pode votar, também nesta terça, o relatório de um projeto de lei que, entre outros pontos, regulamenta a distribuição dos recursos do fundo entre partidos e candidatos.

A partir de 2022, conforme o texto aprovado na comissão, será adotado o sistema “distrital misto” nas eleições para deputado federal, deputado estadual e vereador. O modelo é uma mistura dos sistemas proporcional e majoritário.

DISTRITAL MISTO – No sistema “distrital misto”, a eleição dos deputados federais, por exemplo, seria assim: O eleitor vota duas vezes: em um candidato do distrito e em uma lista fechada de candidatos estabelecida pelos partidos. Metade das vagas vai para os candidatos mais votados nos distritos. A outra metade é preenchida pelos candidatos da lista partidária.

O texto prevê também mandato de dez anos para integrantes de tribunais superiores, como o Supremo Tribunal Federal (STF) e o Superior Tribunal de Justiça (STJ).

Atualmente, ministros de tribunais superiores e do Tribunal de Contas da União (TCU) não têm mandato, mas são obrigados a se aposentar compulsoriamente aos 75 anos.

Na prática, todos os membros do Supremo Tribunal Federal, do Superior Tribunal Militar e dos Tribunais de Contas da União, estados e municípios terão mandatos de 10 anos.

OUTROS TRIBUNAIS – Nos casos dos outros órgãos, como Superior Tribunal de Justiça (STJ), Tribunal Superior do Trabalho (TST) e tribunais federais, a limitação valerá apenas para aqueles que forem indicados pelo Ministério Público ou que sejam representantes dos advogados.

O mandato dos membros dos tribunais eleitorais será de quatro anos, sem possibilidade de recondução. Na regra atual, eles têm mandato de dois anos, que podem ser prolongados por mais dois anos.

A regra não valerá para os atuais membros dos tribunais. Somente aqueles indicados após a possível promulgação da proposta passarão a ter o limite de mandato.

E as datas das posses dos eleitos para o Executivo passarão a ser as seguintes: 6 de janeiro: governadores e prefeitos; 7 de janeiro: presidente da República; 1º de fevereiro: deputados e vereadores.

Juiz Moro teme que o Supremo revogue a prisão em segunda instância

Imagem relacionada

Moro acha que o STF coloca em risco a Lava Jato

Will Soares
G1 SP, São Paulo

A presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Cármen Lúcia, afirmou nesta terça-feira (dia 15), após um seminário em São Paulo, que nenhuma mudança no entendimento que legalizou a prisão de condenados em segunda estância está em pauta na Suprema Corte. “Não há nada pautado sobre isso. Não há nada cogitado”, disse. A declaração da ministra foi dada pouco depois do juiz Sergio Moro, responsável pelos processos da Lava Jato na primeira instância, ter manifestado, durante discurso no mesmo evento, uma “grande preocupação” com “movimentações no sentido de alterar o precedente”.

Segundo Moro, revogar a decisão seria um “retrocesso” e “desastroso” para a Justiça criminal: “A exigência do trânsito em julgado significa, na prática, a impunidade dos crimes dos poderosos”.

BRECHAS NA LEI – De acordo com o magistrado, a necessidade do trânsito em julgado para a decretação de prisões permite que os “poderosos” encontrem brechas na lei para retardar os processos de modo que eles nunca cheguem ao fim. “O STF, antenado que esse sistema estava levando à impunidade, mudou seus precedentes”, elogiou.

O STF passou a admitir em 2016 que réus condenados na segunda instância da Justiça comecem a cumprir pena de prisão mesmo que ainda estejam recorrendo aos tribunais superiores. Com isto, basta a sentença condenatória de um tribunal de Justiça estadual (TJ) ou de um tribunal regional federal (TRF) para a execução da pena. Até então, era possível recorrer em liberdade ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) e ao próprio Supremo.

Apesar de, na opinião de Moro, a decisão “contribuir de forma muito incisiva” no combate à corrupção, ela voltou a dividir posições de ministros do STF neste ano.

GILMAR SINALIZA – Em maio, durante uma sessão da Segunda Turma, onde são julgados recursos da Lava Jato como, por exemplo, pedidos de liberdade, Gilmar Mendes sinalizou que pode mudar de ideia sobre o tema.

Para o ministro Gilmar, a prisão em segunda instância deve ser uma possibilidade jurídica, não uma obrigação. “Manifesto, desde já, minha tendência em acompanhar o ministro Dias Toffoli no sentido de que a execução da pena com decisão de segundo grau deve aguardar o julgamento do recurso especial pelo STJ”, escreveu no voto.

Nesta terça, Moro disse que respeita as instituições, mas que o foco deveria ser em “mudanças mais perenes”. “Não quero efetuar [nenhuma] espécie de pressão. Tenho compreensão que essa mudança foi importante e essencial. Lamentável que isso fosse alterado”, avaliou.

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
A preocupação do juiz Sergio Moro é procedente. O placar sobre a prisão em  segundo instância está 5 a 5, faltando definição da ministra Rosa Weber, que é absolutamente imprevisível. A ministra Cármen Lúcia não terá como evitar. Vamos voltar ao assunto. (C.N.)

Procurem o concorrente, por favor!

Resultado de imagem para banco do brasil charges

Charge do Pelicano (pelicanocartum.net)

Mauro Santayna

Um amigo, recém-retornado ao Brasil depois de muitos anos trabalhando no exterior, resolveu abrir, outro dia, com parte de suas economias, uma conta na agência Estilo do Banco do Brasil do Setor Sudoeste, em Brasília, e não conseguiu. A justificativa, citada pela atendente – que não quis nem saber sequer quanto ele tinha para depositar e aplicar, foi “tout court”, “superlotação”, como se tratasse não de uma agência bancária top de linha, mas de uma vulgar – e desumana – cela de prisão.

A apressada e repentina decisão do governo Temer, tomada a toque de caixa, com menos de seis meses de governo e sem discussão com a sociedade, de fechar ou transformar em postos de atendimento centenas de agências do BB, apesar de o Banco do Brasil não ter tido um centavo de prejuízo nos últimos 15 anos e dos seus funcionários já estarem atendendo, em média, mais de 400 contas por cabeça quando a medida entrou em vigor.

PELA INTERNET – Orientado, em nova agência, a tentar abrir sua conta pela internet, ele tentou várias vezes, mas também não conseguiu, embora o governo tenha feito paradoxalmente há alguns meses campanhas na  televisão sobre apps do banco, em seu esforço de tentar molhar a pata de veículos que – com seus próprios interesses em vista e decepcionados com a baixíssima popularidade de Temer – agora mordem a sua mão.

Conversando com outro funcionário, na porta do estabelecimento, foi lhe explicado, diretamente e sem subterfúgios, que, com a desculpa de “modernizar” o banco, se está sabotando deliberadamente o Banco do Brasil – como se fez no governo FHC – com a intenção de privatizá-lo, de forma fatiada, a médio prazo.

Na verdade, esse é um movimento que já começou, com a venda de ações do Banco do Brasil do Fundo Soberano, que fará cair a participação do governo para apenas 50,7% do total. Enquanto isso, entrega-se, diminuindo a qualidade do atendimento ao consumidor, parcelas cada vez maiores do seu público e de seu mercado aos bancos privados, corrigindo o “crime” perpetrado por Lula e Dilma, de terem fortalecido – da Caixa Econômica federal ao BNDES – o papel dos bancos públicos e aumentado o percentual de sua participação no mercado financeiro e na economia nacionais.

FALTAM RESPOSTAS – Quantos clientes do Banco do Brasil, ou potenciais  clientes, como esse, se passaram, nos últimos meses – irritados com a queda de qualidade do atendimento – para bancos particulares, ou pior, para bancos particulares estrangeiros – como o Santander, que em plena pressão pela Reforma da Previdência, acaba de ter 338 milhões de reais em multa perdoados pelo CARF –  desde que começou, no BB, essa pilantragem chamada genericamente de “reestruturação”?

A quem interessa arrebentar com os nossos bancos públicos – a Caixa e o BNDES também estão sob insuportável pressão – indiscutíveis e estratégicos instrumentos para o desenvolvimento nacional?

Por que os sindicatos não entram – ou não entraram – na justiça para contestar essas medidas?

Por que o extremamente bem sucedido Ministro da Fazenda de um governo sem voto, que ganhou de fontes privadas mais de 200 milhões de reais em “consultoria” nos últimos quatro anos – de um país de uma justiça absurda, no qual tem gente que está se arriscando a ser preso e ter seus direitos políticos cassados por ser “dono” de um apto do qual não possui escritura, cujas chaves nunca recebeu – não tenta aplicar, para mostrar confiança na nação – pelo menos uma parte dessa “merreca” no Banco do Brasil?

Joesley escondeu crimes no BNDES, diz procurador Marx (sem apresentar provas)

Resultado de imagem para ivan marx

Marx, que defendeu pedaladas, acusa o BNDES

Fábio Fabrini e Fabio Serapião
Estadão

O procurador Ivan Marx, do Ministério Público Federal (MPF) em Brasília, afirmou que o empresário Joesley Batista e executivos do Grupo J&F esconderam, em suas delações premiadas, crimes praticados no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Apesar da imunidade penal obtida pelos delatores no acordo com o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, Marx disse que pretende apresentar denúncia pelos delitos e cobrar R$ 1 bilhão a mais da companhia por prejuízos ao erário.

Responsável pela Operação Bullish, que mira nos negócios do banco com o grupo, Marx afirmou que as fraudes em aportes bilionários feitos no conglomerado estão demonstradas na investigação. “Onde eu digo que eles estão mentindo é no BNDES. A Bullish apontou mais de R$ 1 bilhão de problemas em contratos. Os executivos vão lá, fazem uma delação, conseguem imunidade e agora não querem responder à investigação”, disse ao Estado.

LÍDER MUNDIAL – Entre 2005 e 2014, o BNDES aportou R$ 10,63 bilhões na J&F para viabilizar a aquisição de outras companhias, o que a transformou em líder mundial no segmento de proteína animal. A política foi amplamente adotada nos governos Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff.

Em delação, homologada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), executivos da J&F disseram ter pago propina ao ex-ministro da Fazenda Guido Mantega para não atrapalhar os trâmites das operações no BNDES. Mantega nega. Porém, alegaram que não houve interferência na análise técnica e na concessão dos aportes. Laudos da Bullish, deflagrada em maio, apontam, porém, fraudes em ao menos seis aportes.

GESTÃO TEMERÁRIA – Marx disse que as investigações mostram, no mínimo, a ocorrência de gestão temerária nas operações. Para ele, isso justifica processar tanto os gestores do banco quanto os executivos, na condição de coautores.

“O BNDES não fez isso sozinho. Foi sempre por demanda deles (JBS)”, afirmou, ressaltando que os crimes estão “muito bem detalhados” no inquérito. “A empresa errou quando se ‘esqueceu’ que o problema dela é o BNDES.” A operação avalia agora se houve outros delitos, além da gestão temerária. Não há prazo para eventual denúncia.

Marx disse que não é sua tarefa, mas da PGR, tomar medidas para suspender ou anular colaborações. “O que me cabe é dizer que tenho prova dos crimes e processá-los.”

Procurada, a JBS não se manifestou. O BNDES informou que não comentaria o caso.

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Trata-se do mesmo procurador que defendeu Dilma e disse que ela não praticou pedaladas fiscais. Essas declarações do Dr. Marx se chocam com afirmações de Joesley Batista, que não aceitou ser chantageado por Eduardo Cunha e lhe disse que poderia abrir à vontade a CPI do BNDES, porque não havia nada errado. E recentemente o novo presidente do BNDES, Paulo Rabelo de Castro, elogiou as operações com a JBS e disse ter sido o melhor negócio já feito pelo banco estatal. E agora? O procurador precisa apresentar as provas do que diz. Alegar gestão temerária só se sustenta em operação financeira que deu errado e infringiu lei ou normas. Vamos aguardar. (C.N.)

A verdade e a imparcialidade devem nortear o bom jornalismo

Imagem relacionada

Collor chamou Janot de ‘figura tosca’ e ‘fascista’

José Carlos Werneck

Enquanto toda a mídia está preocupada em denegrir a imagem da nova procuradora-geral da República, Raquel Dodge, fica esquecido, no tempo e no espaço, este discurso pronunciado no dia 10 de junho de 2015, pelo senador Fernando Collor de Mello na tribuna do Senado Federal, e que até hoje não foi contestado pelo Sr.Rodrigo Janot. Realmente têm razão aqueles que acreditam na seletividade das críticas e dos que são escolhidos, para encarnarem os papéis de vilões ou de santos. O jornalismo para ser honesto e imparcial não deve ter personagens preferidos na política ou em qualquer outra atividade.

A verdade deve ser dita, doa a quem doer!

DISCURSO DE COLLOR – Eis a íntegra do discurso de Collor:

Sr. Presidente, Sras. e Srs. Senadores,

Quero hoje mostrar, para todo o Brasil, um outro lado da face oculta de Rodrigo Janot, Procurador-Geral da República. Um lado que precisa ser do conhecimento não só deste Parlamento, mas de toda a sociedade brasileira. É o lado sórdido, que acaba espelhando quem de fato ele é. Só assim, Sr. Presidente, poderão os brasileiros aquilatar com fidelidade a figura canhestra de Rodrigo Janot. Ele, que é o pretenso chefe do guardião da justiça brasileira, o Ministério Público, esta importante e tão propalada instituição responsável pela defesa da ordem jurídica e dos interesses sociais e individuais.

Por isso, peço a atenção de todos, especialmente daqueles que, neste momento, nos assistem e nos ouvem.

Sr. Presidente, Sras. e Srs. Senadores, permitam-me ser o mais direto possível: Sr. Janot, o senhor conhece uma empresa constituída em 20 de julho de 1995, sediada na Bélgica, em Saint-Gilles, Bruxelas, à rua Berckmans, nº 3, denominada “Multi-Media Component”? Sr. Janot, o senhor sabia que esta empresa, uma importadora de componentes de informática, sonegou dos cofres públicos da Bélgica nada menos do que 149 milhões de francos belgas em impostos não recolhidos? O senhor sabia, Sr. Janot, que o dono dessa empresa era o seu irmão Rogério Janot Monteiro de Barros?

Sr. Janot, o senhor, por acaso, acobertou os crimes internacionais do seu irmão, a começar pela fuga dele da Bélgica em 1995? Sr. Janot, o senhor sabia que até o falecimento do seu irmão, em 21 de maio de 2010, ele era procurado em todo o mundo pela Interpol e que, por isso, não podia sair do Brasil?

O senhor sabia, Sr. Janot, que seu irmão constava da Ordem de Captura, conhecida na Interpol como “Difusão Vermelha”, por meio da Circular no 4834/96, de 29/04/96, requerida pela Juíza de Instrução Calewaert, de Bruxelas, inclusive com pedido de extradição ao Brasil caso ele fosse encontrado?

Sr. Janot, o senhor tinha conhecimento dos crimes de que seu irmão foi cúmplice na Bélgica, como falsificação de escrituras, fraude e infração à legislação tributária? Sr. Janot, o senhor já era procurador federal nesta época? O senhor sabia que seu irmão, apesar de não ter nenhuma formação profissional específica, era um vendedor nato e que se gabava da competência jurídica de seu irmão mais novo, ou seja, o senhor mesmo? Sr. Janot, o senhor chegou a orientar seu irmão nas atividades de ludibriar a lei e escafeder-se das malhas da justiça, seja ela nacional ou internacional? O senhor ajudou, Sr. Janot, de alguma forma o seu irmão a se manter, aqui no Brasil, na clandestinidade internacional? Por que ele, Sr. Janot, nunca foi procurado ou encontrado aqui no Brasil, mesmo com endereço certo e conhecido, para ao menos o Brasil negar o pedido de extradição? Sr. Janot, depois dessa fuga para não responder na justiça belga pelos crimes cometidos, seu irmão voltou a viajar para o exterior?

Sr. Presidente, permita-me continuar sendo direto: Sr. Janot, o senhor ainda possui uma casa em Angra dos Reis, no Condomínio Praia do Engenho, Km 110, da Rodovia Rio-Santos? Sr. Janot, o senhor continua homiziando nesta casa um contumaz e confesso estelionatário, sócio do seu irmão, como fez nos anos noventa, depois de exercer o cargo de procurador-chefe substituto no Distrito Federal? Sr. Janot, o senhor continua recebendo renda de aluguel sem passar recibo? Sr. Janot, o senhor continua sonegando imposto por não declarar os recursos recebidos desses alugueis? O que foi feito dessa casa, afinal, Sr. Janot? O senhor abandonou o imóvel? Transferiu? Alugou de novo? Vendeu?

E mais, Sr. Janot: o senhor sabia também que seu irmão fez fortuna por um período, entre 1990 e 1992, vendendo equipamentos de informática com “notas frias”? O senhor lembra, Sr. Janot, que por seus conhecimentos nas Alterosas e sua influência, intermediando o negócio do seu irmão – diga-se, há anos estabelecido no Rio de Janeiro –, ele vendia a uma grande empreiteira mineira aquele antigo modelo de

computador, o 386? Pois bem, Sr. Janot, o senhor sabia que cada máquina era comercializada a 3.500 dólares, em lotes de 30 a 40 unidades? E o senhor teve conhecimento, Sr. Janot, que seu irmão chegou a comprar um apartamento no Rio de Janeiro, na Barra da Tijuca, à Av. Sernambetiba, no 1250, apto 201, com o lucro dessas vendas ilegais de computador? Quem mora hoje nesse apartamento, Sr. Janot? Seria a ex-esposa de seu irmão, sua cunhada?

Sr. Janot, o senhor também sabia que aqueles equipamentos, vendidos com notas frias, eram destinados aos canteiros de obra daquela grande empreiteira mineira? Sr. Janot, essa empreiteira está de fato arrolada na Operação Lava-Jato, com dirigentes já presos, como ocorreu com as outras grandes empreiteiras? Por acaso, Sr. Janot, o senhor aplica a seletividade também em relação às construtoras? Afinal, Sr. Janot, o senhor ainda tem alguma ligação com essa empreiteira de Minas Gerais?

Diga a verdade, Sr. Janot, o senhor conhecia as atividades criminosas de seu irmão ou o senhor foi apenas um procurador, digamos, complacente, furtando-se à vigilância pelos crimes fraternos? Não fosse o Sr. Rogério seu irmão a cometer crimes fiscais e tributários, o senhor agiria da mesma forma, sem o rigor da lei – embora seletivo – que o senhor tanto prega?

Sr. Janot, não posso deixar de lamentar o falecimento de seu irmão mais velho, Rogério, ocorrido em 2010. Sei que depois de um grave acidente – um atropelamento – na Barra da Tijuca ele foi levado aos Hospitais Lourenço Jorge e Miguel Couto no Rio de Janeiro. Sei também que, em virtude de uma infecção hospitalar, ele foi transferido para uma clínica na Tijuca, onde veio a falecer. Mas diga, Sr. Janot, é verdade que o senhor, ao pagar as despesas hospitalares, na casa das dezenas de milhares de reais, conseguiu baixar o preço utilizando-se de sua condição, em 2010, de subprocurador-geral da República e então diretor da Escola Superior do Ministério Público da União? O senhor deu – como se diz no popular – uma “carteirada” no hospital, Sr. Janot? De onde vieram esses recursos com os quais o senhor pagou uma conta altíssima, algo próximo a 100 mil reais? O senhor tinha, de fato, toda essa renda disponível? Certamente abateu as despesas no Imposto de Renda, não foi, Sr. Janot?

Aliás, Sr. Janot, por falar em renda, é verdade que o senhor trabalha camufladamente há anos, ou décadas, para o escritório do ex-procurador-geral Aristides Junqueira? É verdade que, mesmo impedido de advogar, o senhor – claro, sem nada assinar – obtém lucros auxiliando a banca do Dr. Aristides

Junqueira? Sr. Janot, isto é moralmente aceitável? É legítimo? É ético, Sr. Janot? Não constitui crime um procurador-geral da República advogar paralelamente? Desde quando o senhor pratica essa dupla atividade? E como o senhor faz, Sr. Janot, com sua declaração de rendimento? Como justifica perante o fisco essa renda, digamos, extra?

Finalizando, Sr. Presidente, Sras. e Srs. Senadores, e continuando a ser direto: Sr. Janot, o senhor teria coragem de ser acareado publicamente com algumas testemunhas desses fatos? Diga-nos, diretamente, Sr. Janot: quem é o senhor de fato? Um pretenso defensor da lei ou o senhor, na verdade, é um infrator da lei, da moral, da ética, seja no passado, seja no presente? Em qual dos dois Janótes os brasileiros devem acreditar?

Sr. Janot, pelo sim, pelo não, no fundo de sua alma, o senhor não se sente desconfortável ao acomodar-se na cadeira de um Procurador-Geral da República que deveria honrar o seu mister?

Era o que tinha a dizer, por enquanto, Sr. Presidente, Sras. e Srs. Senadores.

Raquel Dodge decepciona Planalto e vai manter a equipe de Janot na Lava Jato

Resultado de imagem para raquel dodge idade

Raquel Dodge não será manipulada pelo Planalto

Reynaldo Turollo Jr.
Folha

O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, encontrou-se nesta segunda-feira (dia 14) com sua sucessora, a subprocuradora-geral Raquel Dodge, na primeira reunião realizada entre os dois para discutir a transição na cúpula do Ministério Público Federal. Dodge reiterou, no encontro, o convite para que os procuradores que integram o grupo de trabalho da Lava Jato na PGR (Procuradoria-Geral da República) permaneçam em suas funções, segundo nota divulgada pela assessoria da instituição. A futura procuradora-geral já havia dito, durante sua campanha, que convidaria os investigadores para continuar no gabinete.

O mandato de Janot termina em 17 de setembro. Dodge tomará posse no dia 18. Ela foi nomeada pelo presidente Michel Temer no mês passado.

LAVA JATO – O grupo de trabalho da Lava Jato na PGR é formado por nove procuradores que ajudam Janot a investigar políticos com foro privilegiado.

Segundo interlocutores de Dodge, dois desses membros, Sérgio Bruno Fernandes e Wilton Queiroz, já trabalharam com ela nas investigações resultantes da Operação Caixa de Pandora, que tiveram como alvo o ex-governador do Distrito Federal José Roberto Arruda.

Segundo a nota da PGR, Janot considera as reuniões de transição importantes para evitar a descontinuidade das investigações. “As equipes trabalham de forma profissional e visando o interesse público. O Ministério Público sai fortalecido com isso”, disse Janot.

FORA DA AGENDA – Na última terça-feira (8), Dodge gerou polêmica ao se encontrar com o presidente Temer no Palácio do Jaburu. O encontro não constava da agenda do peemedebista e veio a público porque foi registrado por um cinegrafista da TV Globo por volta das 22h.

Neste domingo (dia 13), Dodge divulgou um e-mail, enviado por ela ao gabinete da Presidência um dia antes do encontro, solicitando a reunião. Segundo a futura procuradora-geral, os dois conversaram sobre o horário da cerimônia de sua posse, marcada para o mês que vem.

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Conforme já salientamos duas vezes aqui, continuamos confiantes nas informações de José Carlos Werneck de que a procuradora Raquel Dodge não esvaziará a Lava Jato, muito pelo contrário. (C.N.)

Operação da PF em cinco Estados desvenda quadrilha que lavou R$ 5,7 bilhões

Resultado de imagem para policia federal

Federais fizeram três operações num só dia

Jacqueline Saraiva
Correio Braziliense

Uma quadrilha especializada na prática de lavagem de dinheiro e evasão de divisas, que atua no Brasil e em outros países, é alvo de uma investigação da Polícia Federal (PF) na Operação Hammer-on, que ocorre nesta terça-feira (dia 15/8). Há indícios de que empresas controladas pelo grupo criminoso movimentaram mais de R$ 5,7 bilhões de origem ilícita de 2012 a 2016.  As 153 ordens judiciais expedidas pela 13ª Vara Federal de Curitiba, do juiz Sérgio Moro, são cumpridas por cerca de 300 agentes da PF e 45 servidores da Receita Federal, que atuam em conjunto.

São 2 mandados de prisão preventiva, 17 de prisão temporária, 53 de condução coercitiva e 82 de busca e apreensão em várias cidades do Paraná, São Paulo, Espírito Santo, Minas Gerais e Santa Catarina.

MUITOS CRIMES – Os investigados responderão pelos crimes de organização criminosa, lavagem de dinheiro, evasão de divisas, gestão temerária, operação irregular de instituição financeira e uso de documento falso.

De acordo com a PF, a investigação foi iniciada em 2015, com foco em um grupo criminoso composto de cinco núcleos interdependentes. Eles utilizavam contas bancárias de várias empresas, geralmente fantasmas, para receber grandes valores de pessoas físicas e jurídicas interessadas em adquirir mercadorias, drogas e cigarros provenientes do exterior, especialmente do Paraguai. “O dinheiro sujo era creditado nas contas das empresas controladas pela organização criminosa e, em seguida, enviado para o exterior”, afirmou a PF em nota.

Para que os valores chegassem nas contas do exterior, os criminosos usavam o sistema internacional de compensação paralelo, sem registro nos órgãos oficiais, mais conhecido como operações dólar-cabo.

ORDENS DE PAGAMENTO – Outra forma para a lavagem de dinheiro ocorria por intermédio de ordens de pagamento internacionais emitidas por algumas instituições financeiras brasileiras, duas destas já liquidadas pelo Banco Central (BC). “Essas ordens de pagamento eram realizadas com base em contratos de câmbio manifestamente fraudulentos, celebrados com empresas fantasmas que nem sequer possuíam habilitação para operar no comércio exterior”, explicou a PF.

A Operação Hammer-on – nome dado à técnica usada em instrumentos de corda para ligar duas notas musicais com uma mesma mão – é um desdobramento das operações Sustenido e Bemol, feitas pela Polícia Federal e pela Receita Federal de Foz do Iguaçu (PR) respectivamente, em 2014 e 2015. Segundo a PF, as organizações criminosas investigadas nas duas últimas ações intermediavam as negociações entre criminosos brasileiros e paraguaios, sendo responsáveis por garantir o pagamento de fornecedores paraguaios de drogas, cigarros e mercadorias, além de ocultar dinheiro de origem criminosa.

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Uma terça-feira gorda, como se dizia antigamente, com a Polícia Federal fazendo três importantes operações, que envolveram organizações criminosas em sete Estados, um governador (Robinson Faria, do RN) e um ex-deputado e secretário municipal (Rodrigo Bethlem, do Rio). Parabéns a esse jovens juízes, procuradores, delegados, auditores e agentes que mostram que este país pode ter jeito. (C.N.)

Operação da PF no Rio tem como alvo ex-secretário do prefeito Eduardo Paes

Resultado de imagem para rodrigo bethlem

Bethlem era um dos principais secretários de Paes

Italo Nogueira
Folha

A Polícia Federal realiza na manhã desta terça-feira (15) operação para cumprir mandados de busca e apreensão em endereços ligados ao ex-deputado Rodrigo Bethlem, ex-braço direito do ex-prefeito do Rio Eduardo Paes (PMDB). A ação é um desdobramento das operações Calicute e Ponto Final. Mensagens de celular e e-mails interceptadas pelo Ministério Público Federal indicam que Bethlem atuaria como um intermediário dos empresários de ônibus. Há indícios de que ele articularia para que um esquema de corrupção instalado na prefeitura fosse continuado na gestão de Marcelo Crivella (PRB).

Bethlem ocupou os cargos de secretário municipal de Ordem Pública e Assistência Social na gestão de Eduardo Paes até 2014. Os dois romperam após a divulgação de gravações que indicavam que ele mantinha contas na Suíça.

TRANQUILIZANDO – Bethlem enviou mensagem no dia último dia 28 de dezembro a Lélis Teixeira, ex-presidente da Fetranspor preso na Operação Ponto Final, dizendo que “tranquilizasse a ‘turma’, pois o esquema seria supostamente mantido, ao que tudo indica, pela atual administração municipal”.

“Meu amigo garantiu que se o atual fizer ele mantém. Entendeu?”, escreveu Bethlem a Teixeira, pouco depois de pedir um encontro “urgente”.

Uma das suspeitas é que a mensagem seja endereçada ao empresário Jacob Barata Filho, também preso na Ponto Final. Há diversos e-mails que indicam reuniões frequentes entre os dois.

APOIO A CRIVELLA – Na campanha do ano passado, Bethlem auxiliou Crivella, de quem se aproximou no último ano. Embora não ocupe cargo público, segue influenciando nos bastidores a atual gestão municipal.

Em mensagens trocadas no dia 2 de janeiro, Bethlem afirma a Teixeira que “este vice vai dar muito trabalho”, em referência ao vice-prefeito Fernando MacDowell.

Engenheiro e ex-funcionário do metrô, MacDowell vetou o reajuste contratual da tarifa este ano. Ele acumulou a Secretaria Municipal de Transporte, onde tem protagonizado embates com as empresas de ônibus. “Ele que criou caso. Os dois tinham se acertado”, escreveu Bethlem.

E-MAILS REVELADORES – O Ministério Público Federal interceptou ainda, com autorização da Justiça Federal, e-mails entre Bethlem e os ex-secretários estaduais Hudson Braga, Wilson Carlos e o ex-governador Sérgio Cabral (PMDB) todos presos desde novembro.

Neles, há referências a possíveis ameaças do ex-secretário de Paes contra os peemedebistas, em razão do bloqueio de seus bens pela Justiça estadual.

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGA fila anda, e se aproxima a vez de Eduardo Paes, que chefiava no Rio a quadrilha dos “legados da Copa e da Olimpíada”, digamos assim. (C.N.)

Nova operação da PF tem como alvo o governador Robinson Faria, do RN

Resultado de imagem para robinson faria

Robinson Faria é acusado de obstrução à Justiça

Bela Megale
Folha

A Polícia Federal deflagrou nesta terça (15) a operação Anteros, que tem entre os alvos o governador do Rio Grande do Norte, Robinson Faria (PSD). Segundo nota da PF, ele teria atuado para obstruir a justiça. Faria é alvo de busca e apreensão. Cerca de 70 policiais estão cumprindo 11 mandados, sendo dois de prisão e nove de busca e apreensão. Todos foram expedidos pelo STJ (Superior Tribunal de Justiça).

“O ministro Raul Araújo Filho, da Corte Especial do STJ, determinou que fosse iniciada investigação preliminar para apurar os crimes de organização criminosa e obstrução da Justiça que estariam sendo praticados pelo governador do Estado com ajuda de servidores estaduais”, diz a nota da PF.

Os investigadores afirmam que as manobras ilegais tinham o objetivo encobrir a apuração de atos do Executivo do Rio Grande do Norte relativos ao desvio de recursos públicos por meio da inclusão de funcionários fantasmas na folha de pagamento da Assembleia Legislativa do Estado entre os anos de 2006 até os dias atuais.

Segundo a Folha apurou, a operação é decorrente de uma delação premiada que envolve todos os poderes do Rio Grande do Norte, Executivo, Legislativo e Judiciário, além de parcela significativa dos empresários de Natal.

A reportagem ainda não localizou a defesa do governador.

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
O filho do governador, deputado Fábio Faria (PSD-RN), se envolveu em corrupção com o pai, no esquema de Joesley Batista, e está sendo denunciado em anexo pelo controlador da JBS. Como diz o velho ditado, adaptado para a realidade atual, família que rouba unida permanece unida. (C.N.)

De Autran a Fernanda Montenegro, a arte no adeus de um amor fraterno

Resultado de imagem para paulo autran + otelo

Autran e Fernanda, em sua amizade eterna

Pedro do Coutto

Excepcional e emocionante a reportagem de Mônica Bergamo, Folha de São Paulo de domingo, focalizando as últimas cartas trocadas entre Paulo Autran e Fernanda Montenegro pouco antes da morte do ator, em outubro de 2007. Datou a carta no dia 12. Fernanda Montenegro respondeu três dias depois. O grande intérprete, para quem o teatro era a própria vida, foi vítima de câncer no pulmão. Sua trajetória brilhante ilumina até hoje e iluminará sempre os palcos brasileiros.

Representar, para ele, bem com para ela, era menos uma profissão do que um ato de amor. Nos seus personagens viveram e vivem a sua própria vida, sua própria existência, sua própria emoção.

FORÇA DA ARTE – Paulo Autran, que começou na década de 40 com “Balabanian”, de Henrique Pongetti, viveu intensamente entre “Otelo” de Shakespeare e “O Avarento” de Moliere. Personagens totalmente diferentes, mas que ele encantou com a força de sua arte. Falei em “Balabanian”, não por acaso. Lembrei-me de que na apresentação de “Otelo” em 1956, ele próprio no folheto distribuído no teatro Dulcina falou sobre seu papel, unindo-o ao início de sua carreira como “Balabanian”.

A peça fez um enorme sucesso. Ele estava ao lado de Tônia Carrero, como “Desdêmona”, Felipe Wagner, como “Iago”, e Margarida Rei como “Haia”, mulher de “Iago”. A peça destacou amplamente Autran e lembro-me bem de Felipe Wagner como “Iago”, que era representado durante séculos como um enviado do demônio, capaz de todas as intrigas. A interpretação de Wagner retirou “Iago do misticismo” para, na tradução de Onestaldo de Pena Forte, conduzi-lo ao plano freudiano de seu complexo de inferioridade. Por isso, detestava seu benfeitor, seu brilho, sua personalidade.

FERNANDA CHOROU – Mas falei da atuação de Autran no palco da vida. Fernanda Montenegro, na carta-resposta do adeus disse que ele sempre teve uma postura clássica. Uma coisa com que se nasce ou não. O ator que entra em cena e sabe ficar sobre as duas colunas que são as suas pernas.  E aí é preciso ter o que falar. Hoje em dia, acrescentou Fernanda a Mônica Bergamo, estamos em uma pobre época de teatro. Fernanda Montenegro chorou ao reler a carta de adeus.

Não é fácil atravessar a chamada velhice. No entanto, resistimos, alimentados pela bendita arte de gente do teatro, cada um a seu modo. Para Fernanda, Paulo Autran tinha também o dom raro de saber ouvir. Quando a pessoa está viva, fazendo sucesso, quando entra em cena o ator fica com possibilidades impensáveis.

A MAGIA DO RISCO – Para mim, a magia do teatro em grande parte está no risco. Não é como o cinema, em que, se houver erro, o diretor repete a cena. Cada entrada no palco teatral é um salto no espaço sem rede de proteção.

Na peça “O Avarento”, em São  Paulo, no Teatro Cultura, Paulo Autran representava sua nonagésima e última interpretação. Uma noite não houve sessão, Paulo Autran teve um infarte pouco antes do início. Não pode mais retornar até o câncer levá-lo. Karin Rodrigues, sua mulher e companheira de arte, acentua a entrevista, disse que Autran morreu no dia em que o médico avisou que ele não podia mais representar.

Autran fica para sempre. Aplica-se a ele a frase de Guimarães Rosa: as pessoas não morrem, ficam encantadas.

“Dói longe”, diz o poeta Mauro Mota, em seus versos de tristeza

Imagem relacionada

“Quem dá mais?”, pergunta Mauro Mota

Paulo Peres

Site Poemas & Canções

O advogado, jornalista, professor, memorialista, cronista, ensaísta e poeta pernambucano Mauro Ramos da Mota e Albuquerque(1911-1984), no poema “Leilão”, sofre quando o leiloeiro grita: Quem dá mais? E bate o martelo, bate aqui, dói longe, diz ele em seus versos de tristeza.

LEILÃO
Mauro Mota

– Quanto dão? Quanto dão?
– Quem dá mais?, grita mais o leiloeiro.
– Esta bengala de castão de ouro!
(Onde anda sem levá-la o dono antigo?)
– Esta arca colonial!
(Falam dedicatórias de retratos,
falam cartas de amor, a voz trancada.)
– Esta mobília de jacarandá!
(As visitas na sala, o pai, a mãe,
a irmã, a avó cochila no sofá.)
– Este faqueiro de prata!
(Cruzados os talheres,
as mãos cruzadas.)
– Esta cômoda do século XIX!
(Soluçam as gavetas; dentro delas,
cheiro de roupa branca e de alecrim.)
– Esta louça azul de Macau!
(A fumaça da sopa?) na terrina.
Na borda (asa quebrada) desta xícara
os vestígios dos lábios da menina.
Quem tira as rosas que a moça bota
nos jarros de opaline do consolo?
E a moça presa dentro deste espelho
do toucador do quarto de dormir?
– Quem dá mais? grita mais o leiloeiro.
Bate o martelo, bate aqui, dói longe.

Olhos de hoje e de ontem

Resultado de imagem para LEILA DINIZ GRAVIDA

Em 1971, a belíssima gravidez de Leila Diniz

Ruy Castro
Folha

Há cem anos, em 1917, os homens usavam calças muito justas e altas, acima do umbigo, e sapatos de bico fino, apontado para cima. Contrastava com as sobrecasacas largas e folgadas, recheadas pelos coletes, o que dava àqueles homens um perfil de inseto. Nos anos 1920, a situação se inverteu, com a instituição dos ternos americanos, mais leves e estreitos, e as calças de pernas e bocas largas. A moda foi e voltou várias vezes e, hoje, voltamos a ver homens de calças justas e usando sapatos de Aladim, como em 1917.

Também há cem anos, as feministas brasileiras lutavam pelo direito ao voto e ao trabalho, mas eram contra o divórcio. Achavam que, com o divórcio, os homens iriam abandonar os lares em massa e se juntar às suas sirigaitas. O fato é que, em 1932, elas tiveram o direito ao voto e ao trabalho, mas o divórcio, que também viria beneficiá-las, só chegou ao Brasil em 1977.

O CONTRÁRIO – Na França, foi o contrário. Intelectuais, como a romancista Colette, eram a favor do divórcio e do direito ao trabalho, mas contra o voto feminino –achavam que as mulheres atrasadas das províncias iriam votar em quem o padre mandasse. Com isso, as francesas só puderam votar em 1945.

Há 50 anos, as mulheres brasileiras lutavam pelo direito ao próprio corpo, e sair nuas em revistas era um ato libertário. Estrelas como Leila Diniz, Ítala Nandi e Betty Faria foram pioneiras e pagaram caro por isso – a sociedade lhes apontava o dedo acusatório. Hoje, a sociedade está pouco ligando se uma mulher fica pelada ou não, mas, para as próprias mulheres, sair nua em revistas é compactuar com uma cultura machista.

O que era tabu deixou de ser e vice-versa, e isso é normal. O problema é julgar o passado com os olhos de hoje, como se faz muito.

Tão sem sentido quanto julgar o presente com os olhos de ontem.

Procuradoria supera blindagem e investiga Temer em dois inquéritos da Lava Jato

Resultado de imagem para temer investigado charges

Charge do Laerte (laerte.com.br)

Carlos Newton

Quando a compra e venda de deputados funcionou e a Câmara protegeu o presidente Michel Temer, evitando que fosse afastado por 180 dias e processado no Supremo por corrupção passiva, é claro que houve uma frenética comemoração no Palácio do Planalto. O chefe do governo então teve um delírio de grandeza, achou que estava blindado e abriu desrespeitosa ofensiva contra a honra do procurador-geral Rodrigo Janot, com apoio total do ministro Gilmar Mendes, que desde então vem atacando incessantemente o chefe do Ministério Público Federal.

Essa estratégia de partir para um confronto pessoal, como se fosse uma briga de rua, logo se mostraria totalmente equivocada, porque Janot se comportou com muita dignidade, em nenhum momento desceu o nível e conseguiu o apoio da influente Associação Nacional dos Procuradores da República.

DEU TUDO ERRADO – As ofensas de Michel Temer e Gilmar Mendes tiveram efeito contrário, uniram o Ministério Público Federal em torno de Janot  e deixaram em má situação a subprocuradora Raquel Dodge, que Temer nomeou para comandar a Procuradoria-Geral a partir do dia 18 de setembro.

O pior para o Planalto é que a atuação dos procuradores para investigar Temer agora só tende a se intensificar. A nova procuradora-geral Raquel Dodge poderia até tentar a blindagem do presidente, conforme o Planalto almeja, mas não conseguiria, porque a grande maioria dos integrantes Ministério Público tem demonstrado descontentamento com as baixarias de Temer e Gilmar.

E os resultados dessa reação já começam a aparecer, com a intensificação de investigações que oficialmente visam outros indiciados, mas de forma indireta também acabam apurando a participação de Temer, por se tratar de “fatos conexos”, como se diz no linguajar judicial.

DOIS INQUÉRITOS – A blindagem de Temer só o protegia pela frente, a retaguarda continuava vulnerável e ele agora passa a ser investigado simultaneamente em dois inquéritos da força-tarefa da Lava Jato. Um deles apura as propinas e doações de caixa 2 recebidas pelo chamado “quadrilhão”, como passou a ser conhecido o bando formado pelos caciques do PMDB  — Renan Calheiros, Romero Jucá, Eduardo Cunha, Eliseu Padilha, Moreira Franco, Michel Temer, Valdir Raupp, Jader Barbalho, José Sarney, Edison Lobão etc., não necessariamente nesta ordem.

O outro inquérito é fruto do desmembramento da denúncia da Procuradoria-Geral da República contra o presidente Temer e seu assessor Rocha Loures, que passa a ser investigado em primeira instância no caso da mala com R$ 500 mil, que supostamente seria destinada ao chefe do governo. Ao investigar o então assessor presidencial (condição em que se encontrava ao receber a mala, porque somente no dia seguinte viria a assumir a vaga de deputado), a força-tarefa automaticamente estará apurando também o envolvimento de Temer. Isso significa que o presidente continuará a ser alvo de flechadas e bordunadas  dos guerreiros da Lava Jato.

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGNunca se viu uma campanha tão forte contra um procurador-geral da República como a que está sendo desfechada para destruir a imagem e o trabalho de Rodrigo Janot. Afinal, o que foi que ele fez (ou teria feito) de tão errado assim??? (C.N.)