“Bolsonaro tem de devolver as joias”, afirma a auditoria do TCU, sem a menor base legal

Ex-presidente Jair Bolsonaro e joias sauditas que ele ganhou durante seu mandato. Fotos: Alex Brandon/AP e Estadão

Auditores do TCU não sabem o que é um “objeto pessoal”

Pepita Ortega
Estadão

A Secretaria de Controle Externo da Governança, Inovação e Transformação Digital do Estado do Tribunal de Contas da União deu parecer favorável a uma das representações que apontam irregularidades no caso das joias sauditas – revelado pelo Estadão.

A sugestão da área técnica da Corte, que ainda será analisada pelos ministros, é para que o ex-presidente Jair Bolsonaro entregue à Presidência os bens que ganhou enquanto chefe de Estado e manteve após a derrota nas eleições 2022.

O auditor Wanderley Lopes da Mota apontou que tanto os bens apreendidos pela Receita Federal – o conjunto de joias Chopard e uma estátua de cavalo ornamental dados ao governo pelo Reino da Arábia Saudita -, assim como o conjunto de armas que estava em posse de Bolsonaro – um fuzil com dois carregadores e uma pistola com dois carregadores dados ao ex-presidente pelo governo dos Emirados Árabes Unidos – são presentes ofertados à República Federativa do Brasil.

SÃO BENS PÚBLICOS – Ainda de acordo com a área técnica do TCU, os itens confiscados pela Receita no final do ano passado, são bens públicos da União, ‘ainda que pendentes da devida incorporação pela Presidência da República’.

O documento ainda aponta que outros bens, entregues por Bolsonaro à Caixa por ordem do TCU, têm características de bens públicos, ‘razão pela qual sua destinação ao acervo documental privado do ex-presidente deve ser revista’.

O principal encaminhamento proposto pela área técnica do TCU é para que a Corte determine a Bolsonaro que ‘entregue à Presidência da República todos os itens de seu acervo documental privado bem como os objetos recebidos a título de presentes em função da condição de Presidente que não foram devidamente registrados’.

CORRETA DESTINAÇÃO – Caberá ao governo avaliar a correta destinação dos itens. Da mesma maneira, as outras instituições que estão com a posse de itens presenteados durante o governo Bplsonaro, como  a Receita, a Caixa Econômica e a Polícia Federal (em posse das armas que estavam com Bolsonaro),  – também devem encaminhar os objetos à Presidência.

Apesar das determinações quanto ao destino dos bens, o documento não menciona qualquer responsabilização de envolvidos no caso, como o ex-presidente, beneficiário das supostas irregularidades.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Não é bom misturar as coisas. Auditores do TCU são contabilistas, não tem a formação jurídica necessária para opinar num caso complicado como este. A lei determina que os presentes de caráter personalíssimo devem ficar com o presidente (e sua esposa, por analogia). Ora, objetos pessoais são os que a própria pessoa usa e não podem ser usados pela Presidência, ao contrário de obras de arte e outros bens não pessoais, tipo estatuetas, espadas, adagas, esculturas, jarros, faqueiros, tapeçarias etc., que devem pertencer à União. Portanto, repita-se que canetas, abotoaduras, anéis, relógios e joias são objetos de uso estritamente pessoal, pois são portados pelo possuidor. É lógico que esses bens são personalíssimos e pertencem ao presidente que os tiver recebido. O resto é silêncio, como diria o genial Érico Veríssimo. (C.N.)

10 thoughts on ““Bolsonaro tem de devolver as joias”, afirma a auditoria do TCU, sem a menor base legal

  1. Sr. Newton,

    Um boa noticia para o Páis, com certeza a cambada de vagabundos do Sindicato do Crime e o Sinistro do Trabalho e o Quadrilhao do Cachaça vão relinchar bastante ……

    STF nega vínculo trabalhista entre motoristas e empresas de aplicativo

    Ministro relator diz que Constituição admite outras formas de trabalho

    https://agenciabrasil.ebc.com.br/justica/noticia/2023-12/stf-nega-vinculo-trabalhista-entre-motoristas-e-empresas-de-aplicativo

  2. Não sei se é piada do ano o comentário de CN. O TCU em 2016, já explicou detalhadamente o que é bem personalíssimo, bem como o próprio autor da tal Portaria revogada.

    Joias valiosas não se enquadram em bens personalíssimos e tais presentes recebidos devem ir ao acervo da União.

    • Você está enganado, Vidal.

      Caneta, abotoadura, prendedor de gravata, anel, relógio, joias em geral, tudo isso são bens pessoais ou personalíssimos, no Brasil e no mundo. É apenas uma questão de lógica e racionalidade.

      Quer dizer que o Piaget que Lula ganhou de Jacques Chirac não é de Lula? Ora, se não é dele, não é de ninguém, porque República não tem pulso. E as joás de águas marinhas que o Brasil deu à Rainha Elizabeth? É claro que foram dados a ela e não ao Império Britânico.

      Não me interessa se estou falando de Bolsonaro ou Lula. Apenas acho que devemos ser racionais quando falamos de política. Não custa nada e vale muito.

      Abs.
      CN

      .

      • Claro CN, sempre devemos ser imparciais nas nossas opiniões. No caso nem interessam nossas opiniões, mas o que está decidido pelas instituições.

        Esse relógio que Lula usa foi dado no primeiro mandato de Lula, antes do TCU interpretar a lei e que definiu os itens personalíssimos, em 2016. Tanto é que o advogado de Lula, à época Zanin, alegou que o decidido pelo TCU decidiu não poderia valer para o segundo mandato de Lula, haja vista a decisão ter-se dada há mais de cinco anos do fim do mandato. Isso não colou e Lula teve que devolver todos os itens considerados valiosos.

        Olha só a entrevista do próprio autor da Portaria: revogada: https://www.intercept.com.br/2023/08/24/bolsonaro-jamais-poderia-ter-ficado-com-joias-portaria/

        abraço
        JV.

  3. Manda o Luladrão 9 dedos devolver também
    faqueiro de ouro o crucifixo e outras centenas de itens que não eram pessoais. Imaginem se tivesse os 10 dedos…

  4. A ideologia levada ao aspecto legal contempla o esquerdismo enquistado na máquina pública onde temos o canalha do bem.
    Um relógio é pinto pra quem tira um cara da cadeia e o coloca na presidência.

  5. Sr. Newton

    A Alma Honesta também “passou na mão” um Relógio Cartier….

    Os mais baratos chegam a custa 50 mil contos….

    Presentes de luxo: Lula ficou com relógios Cartier, Piaget e colar de ouro branco

    • O acervo privado do petista traz ainda um relógio suíço folheado em prata, que conta com a imagem do coronel Muammar Kadafi, antigo ditador da Líbia. Não há informações sobre a marca nem o modelo do relógio.

  6. Quem tem de decidir se os presentes são personalíssimos ou não é a lei. Por isso o TCU está pedindo que Bolsonaro devolva todos os presentes para verificar o que é pessoal e o que é da União, se depender de Bolsonaro todos os presentes que recebeu são pessoais.

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