De olho no Senado, Castro ganhou mais 900 mil seguidores nas redes sociais

Castro ganhou quase 900 mil seguidores após a ação policial

Bela Megale
O Globo

Integrantes da cúpula do PL avaliam que a operação realizada no Rio de Janeiro contra o Comando Vermelho terá impacto direto para consolidar a candidatura de Cláudio Castro ao Senado.

Semanas antes da ação, o governador do Rio vinha dizendo a lideranças do partido que, se tivesse que bater o martelo neste momento sobre a disputa, abriria mão para permanecer no Palácio da Guanabara até o fim de dezembro de 2026. No início do mês, Castro repetiu a mensagem em entrevista ao O Globo.

CAPITALIZAÇÃO – A leitura entre correligionários do PL é que, com a ação policial, Castro capitalizou a pauta da segurança pública, em especial entre os eleitores da direita, e conseguiu ir além do público do Rio de Janeiro.

Com o discurso de que a operação foi um “sucesso” — mesmo sendo a mais letal da história fluminense, com mais de 120 mortes — e de que apenas os policiais foram vítimas, o governador fez acenos diretos à base bolsonarista. Integrantes do PL celebraram o ganho de quase 900 mil seguidores nas redes sociais de Castro após a ação policial.

CASSAÇÃO – O governador vinha liderando as pesquisas para as duas vagas do Rio de Janeiro no Senado, ao lado de Flávio Bolsonaro. Castro, no entanto, ainda tem outra batalha a ser vencida na esfera jurídica. Na terça-feira, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) vai analisar duas ações que podem cassá-lo e torná-lo inelegível.

Entretanto, o ministro Kassio Nunes Marques deu sinais de que pode paralisar o julgamento ao apresentar um pedido de vista. Com isso, a análise dos processos pode ficar suspensa até fevereiro de 2026.

Câmara e Motta em silêncio enquanto Eduardo Bolsonaro desgasta o mandato

Acredite se quiser! Manobra de Fux pode absolver Bolsonaro no Supremo

Luiz Fux, ministro do STF

Fux está dando uma aula de Direito Processual ao Supremo

Carlos Newton

Com o ministro Luiz Fux já integrando oficialmente a Segunda Turma, por decisão do presidente Edson Fachin, o futuro pessoal e político de Jair Bolsonaro depende agora de tricas e futricas no confronto do Regimento do Supremo com a jurisprudência do próprio tribunal.

É certo que a defesa de Bolsonaro apresentará embargo infringente, com base no voto de Fux pela absolvição. Trata-se de um recurso criminal, previsto no artigo 609 do Código de Processo Penal, que cabe contra um acórdão (decisão colegiada) não unânime, desfavorável ao réu.

CORREÇÃO DO ERRO – Conforme já destacamos aqui na Tribuna da Internet, o objetivo é garantir que o ponto divergente seja reexaminado por outro órgão colegiado, no caso, a Segunda Turma do STF, o que permitiria a correção de erro jurídico da Turma original e iria garantir maior segurança ao julgamento.

Ou seja, Bolsonaro poderá ser declarado inocente, pois Luiz Fux será autorizado a votar, na forma da lei. A hipótese é cabível, porque o julgamento de embargo infringente é considerado um novo processo, do qual Fux oficialmente ainda não participou, vejam como o debate processual é uma questão intrincada, que Fux domina de forma absoluta, considerado o maior especialista do país.

A interposição desse embargo infringente deve ser feita em 15 dias da publicação do acórdão e é um recurso exclusivo da defesa. 

BRIGA BOA – Haverá uma briga de cachorro grande, é claro, porque Alexandre de Moraes, como relator do processo original, vai protestar se o embargo infringente for remetido à Segunda Turma. Moraes irá exigir que o novo julgamento seja feito no Plenário.

Mas a defesa de Bolsonaro alegará que o réu tem direito de recorrer ao Plenário ou à outra Turma, pois o Regimento é claro a esse respeito, ao citar julgamento de embargo infringente de uma Turma pela outra.

É nestas brechas da lei que se esgueira Luiz Fux, para proceder a um novo julgamento de Jair Bolsonaro, com possibilidade concreta de absolvê-lo, para alegria do presidente Donald Trump na matriz U.S.A. e de metade dos brasileiros aqui na filial Brazil…

DIZ A LEI – O Regimento do Supremo, que tem força de lei, faz referência específica ao fato de uma decisão penal de uma das turmas ser julgada pela outra.

Art. 76. Se a decisão embargada for de uma Turma, far-se-á a distribuição dos embargos dentre os Ministros da outra; se do Plenário, serão excluídos da distribuição o Relator e o Revisor.

Com toda certeza, Bolsonaro poderá até ser absolvido pela Segunda Turma, com três votos a favor dele (Luiz Fux, Nunes Marques e André Mendonça) e dois votos contra (Gilmar Mendes e Dias Toffoli).

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P.S.
1A manobra de Fux para absolver Bolsonaro é de uma competência surpreendente e fora do comum. Soube aproveitar a situação, com a renúncia de Luís Roberto Barroso, que atuava na Segunda Turma, e está dando um xeque-mate em Alexandre de Moraes, para virar pelo avesso a política brasileira.

P.S. 2É impressionante que nenhum jurista de notório saber tenha percebido o alcance da manobra de Fux. Para entendê-la, basta ler os autos, conferir a lei e consultar a jurisprudência, como costumamos fazer aqui na Tribuna da Internet. Amanhã, voltaremos ao inquietante assunto. sempre com absoluta exclusividade, é claro. (C.N.)

Governo Lula corre atrás do prejuízo e quer emplacar a PEC da Segurança

PEC cria o Sistema Único de Segurança Pública

Deu no G1

O secretário nacional de Segurança Pública, Mário Sarrubbo, defendeu na última sexta-feira (31) a PEC da Segurança Pública e afirmou que a medida “não muda uma vírgula nas autonomias dos estados e municípios”. A proposta de emenda à Constituição cria o Sistema Único de Segurança Pública, que passaria a coordenar as ações entre União, estados e municípios. Governadores de oposição criticam o texto sob o argumento de que ela diminuiria a autonomia dos estados.

Parada havia quatro meses no Congresso, ela voltou a ser discutida após a megaoperação nos complexos do Alemão e da Penha contra o Comando Vermelho, no Rio de Janeiro, que terminou com mais de 100 mortos.

CONSÓRCIO – Sarrubbo deu a declaração em entrevista coletiva após uma reunião com prefeitos e secretários municipais e membros das Guardas Civis Municipais promovida pelo Consórcio Intermunicipal da Região Oeste Metropolitana de São Paulo (CIOESTE). O consórcio reúne 14 cidades, incluindo a capital paulista.

Sobre a operação no Rio, Sarrubbo afirmou que o papel do governo federal é dialogar com as forças do Rio de Janeiro e oferecer o apoio necessário no combate ao crime organizado. Ele disse não considerar a ação um sucesso:

“Na minha visão, uma operação policial de sucesso absoluto é aquela sem mortes, em que o criminoso é conduzido à Justiça, vivo de preferência, com sua integridade física preservada”, declarou. Segundo ele, “o isolamento dos estados, o isolamento das forças federais, o não compartilhamento de dados e informações nos levou a esse estado de coisas”.

“NADA DISSO” –  O secretário ponderou que aí “surge esse debate de que o governo federal quer tomar conta de tudo”, mas afirmou que “não é nada disso”. “O que nós queremos é ter um olhar nacional sobre a segurança pública. Porque, se lá nas décadas de 1980 e 1990, nós tivéssemos tido esse olhar para o Brasil, o crime organizado não teria se espalhado por todo o país”, completou Sarrubbo.

O governo federal apresentou a PEC há um ano. Na terça-feira (28), o relator da proposta, o deputado Mendonça Filho (DEM-PE), disse que vai antecipar a apresentação do seu relatório para novembro. O parlamentar afirmou que, em um primeiro momento, apresentaria o parecer em dezembro, mas que agora vai protocolar o relatório em novembro.

Ele disse ainda que a expectativa é que a PEC seja analisada pelo plenário da Câmara em dezembro. “O evento de hoje deu força [para o projeto]. Ajudou a quebrar muitas barreiras”, disse.

CRÍTICA – Durante o discurso, Sarrubbo criticou a fragmentação histórica das políticas públicas na área.

“Enquanto o Rio de Janeiro cuidava da facção dele e São Paulo da sua, o crime estava voando para Bahia, Recife, Alagoas, Manaus, abrindo novos mercados. E nós continuávamos discutindo facção de São Paulo e facção do Rio”, disse.

“Nós todos precisamos extrair soluções por meio do diálogo, e esse diálogo passa por um ente que tenho a oportunidade de secretariar com muita alegria”, afirmou.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGO governo Lula recusou-se a ceder veículos blindados, alegando uma proibição inexistente, porque a lei exige decreto de Garantia da Lei e da Ordem (GLO) apenas para envio de tropa federal, sem abranger a cessão de equipamentos. Agora, o governo federal está correndo atrás do prejuízo, porque a maioria dos favelados (88%) apoiou a operação policial, segundo pesquisa Atlasintel. Os trabalhadores já se cansaram de ser oprimidos e explorados pelas milícias e facções. (C.N.)

Kataguiri se decepciona e diz que não apoiará ninguém da família Bolsonaro

CPI do INSS vira palanque e os parlamentares dobram seus seguidores

Carlos Viana quase dobrou seu número de seguidores

Caio Spechoto
Folha

Os parlamentares da CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) do INSS têm aproveitado a visibilidade proporcionada pelas investigações para se promover. O número de seguidores de alguns deles praticamente dobrou, o que pode impulsionar seus planos eleitorais para 2026.

Dados mostram que o colegiado tem mantido um nível de atenção relativamente estável sobre o tema, ainda que sem o mesmo poder de pautar o debate público da operação da Polícia Federal que expôs as fraudes na Previdência ou do vídeo que o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) divulgou sobre o assunto na época.

GANHOS DE VISIBILIDADE – O presidente do colegiado, Carlos Viana (Podemos-MG), quase dobrou seu número de seguidores. Até mesmo aliados do governo federal têm obtido ganhos de visibilidade. As informações estão em um levantamento elaborado pela consultoria Bites a pedido da Folha.

A primeira reunião da comissão foi a que mais obteve atenção das redes. Houve uma surpresa naquele dia: a oposição conseguiu emplacar o senador Carlos Viana (Podemos-MG) como presidente e o deputado Alfredo Gaspar (União Brasil-AL) como relator. Viana passou de 363,7 mil seguidores no início da CPI para 696,4 mil em 13 de outubro. Ele quer se reeleger como senador em 2026 e tem uma campanha difícil pela frente.

O congressista disputou o Governo de Minas Gerais em 2022 e terminou o primeiro turno com 7,23% dos votos. Em 2024, tentou ser prefeito de Belo Horizonte e obteve 1%. Ele foi eleito senador em 2018 na onda bolsonarista, mas se afastou do grupo. Pesquisas eleitorais têm mostrado uma reação de Viana.

FÔLEGO – Adversários do senador avaliam nos bastidores que a visibilidade proporcionada pela presidência da CPI aumenta seu eleitorado potencial. A ressalva é se esse ganho terá fôlego até outubro de 2026, quando a eleição será realizada, já que a CPI terminará em março.

O relator, Alfredo Gaspar, passou de 358,1 mil seguidores para 541,7 mil (crescimento de 51%). Ele é cotado para disputar uma vaga de senador. Em 2020, ele disputou a Prefeitura de Maceió, foi para o segundo turno e obteve 41,26% dos votos. Gaspar costuma fazer acusações frontais contra depoentes da CPI durante as reuniões. Também passou a exibir slides onde seu nome aparece e a conduzir os interrogatórios de pé em vez de sentado, como é mais comum em comissões. Tudo é transmitido em vídeo.

PROPAGANDA ELEITORAL – A postura do relator foi questionada na reunião de 6 de outubro. “Cada um de nós parlamentares, quando formos falar, poderemos mandar colocar o nosso nome ali em destaque?”, disse o deputado Paulo Pimenta (PT-RS). “Está utilizando a CPMI para fazer propaganda eleitoral”, declarou o deputado Alencar Santana (PT-SP). Presidente do colegiado, Viana disse que os demais integrantes poderiam fazer o mesmo. Gaspar não fez comentários na ocasião.

Integrantes da CPI e assessores de congressistas ouvidos pela reportagem reservadamente afirmam que os momentos de embate ou de palavras fortes contra os depoentes são os que mais engajam os eleitores. Essa lógica funcionaria inclusive para governistas, que têm como principal missão no colegiado defender a gestão Lula.

INTERAÇÕES – Alencar Santana, por exemplo, emplacou uma das postagens com mais interações da CPI até agora, com 90 mil curtidas no Instagram. Trata-se de um vídeo em que o ministro da CGU, Vinícius Carvalho, discute em seu depoimento com o senador Sergio Moro (União Brasil-PR). A postagem campeã de curtidas na CPI até agora, conforme o levantamento, é do opositor Marcel Van Hattem (Novo-RS), com 438 mil.

O escândalo foi exposto pela operação Sem Desconto em 23 de abril. Naquele dia, o número de menções ao tema ficou próximo de 300 mil considerando as redes socais abertas —ou seja, sem contar trocas de mensagens privadas. As menções diminuíram para cerca de 200 mil ao dia até 7 de maio. Quando Nikolas Ferreira criticou o governo devido ao escândalo em um vídeo que viralizou, as menções ao assunto ficaram próximas de 350 mil.

IMPACTO – Desde que a CPI foi instalada, em 20 de agosto, são realizadas duas reuniões por semana. Segundo os dados da Bites, o número de menções ao tema nas redes sociais varia de 57 mil a 127 mil por dia. O diretor técnico da Bites, André Eler, disse que o assunto das fraudes no INSS se mantém no debate público por ser um tema de fácil entendimento e, principalmente, pelo impacto efetivo na vida dos beneficiários.

Ele também mencionou a capacidade dos grupos de direita de manter o tema em alta na tentativa de desgastar o governo Lula. Esses fatores possibilitariam que os integrantes da CPI tenham ganhos de imagem junto ao eleitorado. “Estamos falando de pessoas que não têm projeção nos temas mais nacionais e não costumam ter tanto protagonismo. Quando aparece um tema desses, eles conseguem de alguma forma fazer ressoar as ideias”, declarou Eler.

Violência nas favelas, alívio no colarinho branco: a contradição exposta no PL

Exército afasta Mauro Cid com férias e prepara sua transferência para a reserva

Militar terá 60 dias de descanso antes de ir para a reserva

Cézar Feitoza
Folha

O tenente-coronel Mauro Cid volta ao serviço no Exército na próxima terça-feira (5), primeiro dia após o início definitivo do cumprimento de sua pena de dois anos de reclusão por participação na trama golpista. Para evitar constrangimentos, o Exército decidiu que Cid precisará tirar 60 dias de férias —período correspondente às folgas não tiradas durante sua atuação como ajudante de ordens do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Mauro Cid não deve voltar ao QG do Exército este ano. A expectativa na Força é que o comandante do Exército, general Tomás Paiva, conceda até o início de janeiro o direito de o tenente-coronel ir para a reserva. O tenente-coronel não tira férias desde 2020. Ele recebeu uma autorização excepcional do Comando do Exército na época, para permanecer no serviço como chefe da Ajudância de Ordens da Presidência.

SAÍDA  – Os regimentos internos da Força estabelecem que o militar que não tirou férias, por motivos excepcionais, deve se retirar do serviço na primeira oportunidade que tiver. Para a cúpula do Exército, essa é a situação de Mauro Cid. O assunto foi tratado com o próprio tenente-coronel nos últimos dias, segundo duas pessoas com conhecimento das tratativas. Mesmo com cinco férias a tirar, a decisão provisória é de apenas 60 dias de folga. Cid não se opôs à determinação.

A avaliação de oficiais do Exército ouvidos nos últimos meses pela Folha é que não há clima para o retorno de Cid aos trabalhos nos quartéis. Esse é um dos motivos pelos quais o pedido de aposentadoria antecipada do militar é visto com bons olhos no quartel-general de Brasília.

O Exército recebeu em agosto um pedido de Mauro Cid para ir à reserva antes de completar o tempo mínimo de serviço. A Força criou uma comissão para analisar a documentação do militar antes de tomar uma decisão —esperada para o fim de dezembro ou início de janeiro.

COTA COMPULSÓRIA – O pedido é conhecido como cota compulsória —mecanismo pelo qual um militar pode passar à reserva do Exército e receber como aposentadoria um valor proporcional ao tempo de serviço.

Mauro Cid tem 29 anos e 6 meses de serviços prestados pelo Exército. Ele teria o direito de deixar o serviço ativo, com todos os benefícios, somente após 31 anos de trabalho. Na prática, no entanto, uma redução salarial na reserva seria pequena.

O pedido de cota compulsória não é automático. Uma comissão do Exército vai analisar toda a documentação entregue por Cid —que inclui seu histórico militar e os motivos do pedido— e vai sugerir ao Comando do Exército uma decisão para o caso.

ARGUMENTO – O Exército sugeriu a Mauro Cid que fosse para a reserva ainda em 2023, por meio da cota compulsória, segundo três generais ouvidos pela reportagem. O argumento era de que o militar pudesse focar seus esforços em sua defesa diante do avanço das investigações sobre a trama golpista.

O tenente-coronel negou a sugestão na época. Ele acreditava que era possível reverter o cenário, ainda confiante de que nem sequer seria denunciado pela tentativa de golpe de Estado. A avaliação de aliados de Cid é que a situação acabou se tornando insustentável, e o melhor caminho era deixar o Exército.

O ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), determinou na quinta (30) o início do cumprimento da pena de Cid pela participação na trama golpista. Ele foi condenado a dois anos de reclusão, em regime aberto.

AUDIÊNCIA – O militar passará na segunda (3) por uma audiência no Supremo para dar início efetivo à pena. Ele ainda poderá retirar a tornozeleira eletrônica, que utiliza desde setembro de 2023.

Moraes também determinou que se prepare um atestado de pena a cumprir por Cid e que seja calculado o “período em que o réu permaneceu preso provisoriamente para fins de detração penal”. A decisão de Moraes não cita o retorno ao trabalho do tenente-coronel.

PLANOS – Como a Folha mostrou, Cid tem feito planos para seu futuro. Ele espera conseguir até o início de 2026 a autorização do Exército para ir à reserva remunerada, mantendo seus benefícios como militar. Ele avalia se mudar para os Estados Unidos, onde mora um de seus irmãos.

Ele também avalia se capacitar para dar aulas e prestar consultorias sobre as Forças Armadas. Segundo um de seus interlocutores, o militar diz não ter nenhuma experiência no mundo civil e segue com o futuro incerto após o fim de seu processo no Supremo.

Comissão de Justiça quer acelerar o processo para cassar Zambelli

Se Roberto Carlos quiser falar com Deus, tem de consultar Gilberto Gil?

Gilberto Gil canta com Roberto Carlos e faz homenagem a Preta Gil em último  show em SP - Novabrasil

Roberto Carlos e Gilberto Gil são grandes amigos

Paulo Peres
Poemas & Canções

Em 1981, Roberto Carlos pediu uma canção a Gilberto Gil, para gravar. “Do que eu vou falar?” – perguntou-se Gil. “Ele é tão religioso… E se eu quiser falar de Deus? E se eu quiser falar de falar com Deus?”

Com esses pensamentos e inquirições,  Gil deu início a uma exaustiva enumeração: ‘Se eu quiser falar com Deus, tenho que isso, que aquilo, que aquilo outro’. E saiu de casa. À noite, voltou e organizou as frases em três estrofes.

Roberto não gravou, porque sua concepção de Deus é diferente. Elis Regina e o próprio Gil gravaram. Hoje em dia, mais de três décadas depois, Gil é pouco religioso, mas de vez em quando reza um “Pai Nosso”, por via das dúvidas.

SE EU QUISER FALAR COM DEUS
Gilberto Gil

Se eu quiser falar com Deus
Tenho que ficar a sós
Tenho que apagar a luz
Tenho que calar a voz
Tenho que encontrar a paz
Tenho que folgar os nós
Dos sapatos, da gravata
Dos desejos, dos receios
Tenho que esquecer a data
Tenho que perder a conta
Tenho que ter mãos vazias
Ter a alma e o corpo nus

Se eu quiser falar com Deus
Tenho que aceitar a dor
Tenho que comer o pão
Que o diabo amassou
Tenho que virar um cão
Tenho que lamber o chão
Dos palácios, dos castelos
Suntuosos do meu sonho
Tenho que me ver tristonho
Tenho que me achar medonho
E apesar de um mal tamanho
Alegrar meu coração

Se eu quiser falar com Deus
Tenho que me aventurar
Tenho que subir aos céus
Sem cordas pra segurar
Tenho que dizer adeus
Dar as costas, caminhar
Decidido, pela estrada
Que ao findar vai dar em nada
Nada, nada, nada, nada
Nada, nada, nada, nada
Nada, nada, nada, nada
Do que eu pensava encontrar

Defensoria pede rejeição da denúncia de que Eduardo Bolsonaro coagiu o STF

A verdadeira segurança se constrói com investimento social e presença do Estado

É preciso discutir o peso real da dívida pública, mas o Brasil insiste em ignorar

Charge reproduzida do Arquivo do Google

Pedro do Coutto

Na entrevista concedida  na última sexta-feira à jornalista Natuza Nery na GloboNews, a economista Zeina Latif chamou atenção para um ponto que raramente é compreendido de forma clara pelo público: o tamanho do endividamento brasileiro.

Disse que a dívida bruta do país alcança cerca de 78% do Produto Interno Bruto, o que é tecnicamente correto, mas percentuais, quando não traduzidos em números absolutos, acabam criando uma discussão abstrata, distante da realidade concreta.

DÍVIDA BRUTA – Para que essa proporção seja compreendida, é necessário atravessar o cálculo: o PIB brasileiro está hoje em torno de R$ 10 trilhões; portanto, a dívida bruta se aproxima de R$ 7,8 trilhões. É um montante que não se paga da noite para o dia, tampouco sem uma estratégia de crescimento consistente. Quanto maior a dívida, maior o peso dos juros; quanto mais se gasta com juros, menos sobra para investimento em áreas essenciais como infraestrutura, saúde, educação e desenvolvimento produtivo.

É nesse ponto que entra a política monetária. O Banco Central, agora sob a presidência de Gabriel Galípolo, mantém a taxa de juros em patamar elevado para garantir atratividade dos títulos públicos, controlar expectativas de inflação e assegurar que o governo consiga rolar sua dívida. Juros altos, porém, têm um custo social.

Encarecem o crédito, inibem o investimento produtivo e limitam a capacidade de expansão do setor privado. A economia real — aquela que pesa no bolso do trabalhador, no preço do alimento, no financiamento da casa, na pequena empresa que decide contratar ou não — sente esse impacto de forma direta.

TENSÃO POLÍTICA – É por isso que o tema dos juros volta e meia gera tensão política: o governo Lula, que criticou duramente Roberto Campos Neto por manter taxas elevadas, agora vê que a troca de comando não significou automaticamente uma mudança de orientação. Há aí um desconforto compreensível, porque a política monetária segue uma lógica que não se move no ritmo das expectativas políticas.

Ainda assim, há sinais de dinamismo na economia. O desemprego caiu para 5,6%, segundo o IBGE, o menor índice em anos, representando cerca de 6 milhões de pessoas sem trabalho — número ainda alto, mas muito inferior aos quase 14% registrados durante a pandemia.

Além disso, o rendimento médio subiu para cerca de R$ 3.500, o maior da série histórica desde 2012, indicando que parte das famílias voltou a ter algum fôlego no consumo. Isso não significa prosperidade plena, mas indica um país que respira, que se reorganiza, que tenta retomar seu ritmo.

DIMENSÃO REAL – O ponto central, no entanto, permanece: indicadores percentuais, sozinhos, não revelam a dimensão real dos problemas ou avanços. Como dizia Roberto Campos, números só ganham sentido quando traduzidos em valores absolutos. E essa tradução é indispensável para que a sociedade compreenda para onde o país está indo e quais escolhas serão necessárias.

O Brasil, portanto, vive um paradoxo: ao mesmo tempo em que melhora indicadores sociais importantes, carrega uma âncora fiscal pesada e difícil de administrar. Não é possível sustentar indefinidamente juros elevados e dívida crescente sem comprometer o futuro.

Também não é possível resolver o problema com ajustes bruscos que destruam empregos e renda. O caminho exige crescimento sustentado, produtividade, reforma tributária eficiente e, sobretudo, planejamento de longo prazo — algo que ultrapassa governos, ciclos eleitorais e interesses momentâneos. A questão que se impõe, então, é simples, ainda que difícil: queremos continuar discutindo percentuais ou finalmente encarar o tamanho real da conta?

Rótulo de terrorista para o CV tem peso político e diplomático, alertam autoridades

Bolsonaro pode obter “empate” no STF com recurso baseado no voto de Fux  

O caso no STF que deve entrar recurso de Bolsonaro na trama golpista – CartaCapital

Defesa de Bolsonaro vai apresentar recurso infringente

Carlos Newton

Depois de sua votação de 13 horas, em que inocentou o ex-presidente Jair Bolsonaro de participação no golpe de Estado, o ministro Luiz Fux continua levantando polêmicas no Supremo Tribunal Federal. Na semana passada, ele pediu para fazer ajustes gramaticais no voto que proferiu justamente neste julgamento, e isso vai atrasar a decisão final do STF.

Fux já tinha liberado seu voto para a elaboração do julgamento, mas mudou de ideia na última semana e solicitou o documento novamente, para fazer ajustes. A informação foi divulgada inicialmente pela “Folha de S.Paulo” e divulgada pela CNN Brasil.

ALEGAÇÃO TOLA – A justificativa oficial apresentada por Fux foi a “necessidade de realizar ajustes gramaticais” no extenso voto, numa alegação que logo gerou questionamentos, já que o pedido do ministro impediu a conclusão e publicação do acordão que decidiu pela prisão de Bolsonaro e dos outros sete militares que foram considerados membros do núcleo central do golpe.

A revisão a ser feita por Fux atrasará a publicação, impedindo a possibilidade de prisão de Bolsonaro numa penitenciária, condenado a 27 anos e 3 meses de prisão por crimes contra a democracia.

O Regimento do Supremo prevê 60 dias para publicação do acórdão e depois passam a correr os prazos para embargos de declaração, quando a defesa ou a acusação pedem para esclarecer algum ponto do julgamento, ou embargos infringentes, quando a decisão não é unânime.

HAVERÁ RECURSO – É certo que a defesa de Bolsonaro apresente embargo infringente, com base no voto de Fux. Trata-se de um recurso criminal, previsto no artigo 609 do Código de Processo Penal, que cabe contra um acórdão (decisão colegiada) não unânime, desfavorável ao réu.

O objetivo é garantir que o ponto divergente seja reexaminado por outro órgão colegiado, no caso, a Segunda Turma do STF, o que permitiria a correção de erro jurídico e garantiria maior segurança ao julgamento.

A interposição desse embargo infringente deve ser feita em 10 dias da publicação do acórdão e é um recurso exclusivo de defesa. 

SEM CHANCE – Hipoteticamente, Bolsonaro poderá até não ser condenado pela Segunda Turma, com dois votos a favor dele (Nunes Marques e André Mendonça) e dois votos contra (Gilmar Mendes e Dias Toffoli). Mesmo assim, prevalecerá a decisão da Primeira Turma, por não ter sorte maioria para alterá-la. A situação, portanto, não é de “empate” no sentido de paridade, mas de que a decisão-base será mantida, porque o recurso não foi recolhido por maioria. 

Em tradução simultânea, nada de novo no front ocidental. Bolsonaro deve cumprir pelo menos um sexto da longa pena, em prisão domiciliar, porque Alexandre de Moraes não fez a burrice de mandar o ex-presidente para a Penitenciária da Papuda, embora todos saibam que esse ministro é muito capaz, no sentido de que é capaz de tudo, exigir assim.

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P.S.
A dúvida é saber se Fux conseguirá votar na Segunda Turma. Se tiver esse direito, seu voto será confirmado por André Mendonça e Nunes Marques, garantindo a absolvição de Bolsonaro. É uma possibilidade real, que vamos analisar amanhã. (C.N.)

Tralli no lugar de Bonner é mais uma tremenda mancada da TV Globo

César Tralli deixa 'Jornal Hoje'; veja o presente que ele ganhou - Contigo!

Tralli terá a missão de substituir o melhor âncora do país

Vicente Limongi Netto

O clima era de furo internacional. Faltaram balões e salgadinhos. A emoção tomou conta dos estúdios platinados. A TV Globo antecipou o halloween. Parecia hora de um longo recreio no mundo da bruxaria. Abissal pantomima.

Saiu William Bonner, entrou Cesar Tralli. O jornalismo brasileiro está salvo. Palmas, lágrimas, abraços, beijos marcaram os novos caminhos do Jornal Nacional.

ABISMO DO FRACASSO – O frio Bonner, como ele mesmo se definiu, estava mais feliz do que pinto no lixo. Vai poder voltar a andar na rua mais sossegado. Tralli, que adora falar pelos cotovelos depois de cada notícia, levará a audiência do JN ao abismo do fracasso.

Bonner gostava de fazer matérias nas ruas. Trabalhou bem, cobrindo as enchentes no Rio Grande do Sul. Tralli não fica atrás. Cobriu terremoto na Turquia e prisão de traficante internacional.

Telespectadores vibrariam, vendo o falante Tralli voltando a trabalhar nas ruas tranquilas do Rio de Janeiro. Cobrindo, ao vivo, por exemplo, as batalhas sangrentas da polícia nas favelas cariocas contra facções de bandidos, traficantes e assassinos. Pauta desafiadora para Tralli. 

SUPERTÉCNICO – Amado e idolatrado pela torcida, o português Abel Ferreira é o cara. Tem o apoio e respeito dos jogadores. Não mastiga chiclete. Cospe fogo quando o Palmeiras é prejudicado em campo. Não para de levar o Palmeiras a conquistas gloriosas e heroicas. Não usa paletó. Prefere moletom e tênis. É muito mais técnico do que Carlo Ancelotti. Em todos os sentidos.

Quando muitos estavam empolgados com a fama de Ancelotti, Abel chegou a ser cotado para comandar a seleção. Foi vencido pelo lobby de ex-jogadores, junto a CBF, que trabalharam com ele, no futebol italiano.

NO OLHO MÁGICO – Hoje, seguramente, diante dos jogos medíocres da seleção, conseguindo no olho mágico, a duras penas a classificação para a Copa do Mundo, aqueles que cegamente idolatravam Ancelotti agora estão arrependidos.

Ancelotti não é de nada. Tem muitos títulos, mas Abel Ferreira também tem. É notável a força e a fibra que Abel passa aos jogadores. Não existe jogo perdido para eles. Exemplo marcante: agora mesmo, entrando em campo perdendo de 3 a zero, contra o LDU, do Equador, virou o jogo. Venceu com sensacional 4 a 3. 

Façam pesquisa, hoje, entre torcedores, jornalistas e jogadores, para ver qual é o melhor para comandar a seleção. Abel ganharia de goleada do mafioso Ancelotti.  

Apoio à democracia no Brasil convive com nostalgia por soluções autoritárias

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