PF vê omissões graves em delação de Vorcaro sobre Flávio Bolsonaro e Ciro Nogueira

4 thoughts on “PF vê omissões graves em delação de Vorcaro sobre Flávio Bolsonaro e Ciro Nogueira

  1. Que espetáculo seria para o Brasil a chapa Flávio Bolsonaro – Ciro Nogueira (ventilada antes de todos esses escândalos)… e tendo do outro lado Lula – Alckmin. Tudo farinha do mesmo saco. Coitado desse país

  2. Não, Flávio, não era “dinheiro privado”: era dinheiro roubado

    O valor de R$ 134 milhões é troco de padaria comparado aos bilhões de dinheiro público que o bolsonarismo deu ao Master

    Em 16 de novembro de 2025, Flávio Rachadinha enviou uma mensagem a Vorcaro, dono do banco Master. Dizia: “Irmão, eu estarei contigo sempre, não tem meia conversa entre a gente, só preciso que me dê uma luz”. A luz, no caso, eram R$ 134 milhões que Vorcaro daria para a realização de “Dark Horse”, a cinebiografia do ex-mito.

    Vorcaro prometia essa fortuna para Flávio um dia antes de perguntar a Moraes: “Consegue bloquear?”; um dia antes de ser preso tentando fugir do Brasil. Dois dias antes de o BC liquidar o Banco Master.

    A revelação foi feita pelo The Intercept Brasil. O Master prometeu a Flávio mais do que prometeu ao escritório de Viviane Barci, esposa de Alexandre de Moraes. No caso de Xandão, a suspeita é de suborno para livrar Vorcaro da cadeia. Por que a suspeita seria diferente no caso de Flávio Bolsonaro?

    Os R$ 134 milhões parecem muito dinheiro para fazer um filme: segundo o jornal O Globo, é mais do que o orçamento de 15 entre os últimos 20 ganhadores do Oscar.

    Mas são troco de padaria comparados aos bilhões de reais de dinheiro público que os governadores bolsonaristas deram, e os congressistas bolsonaristas tentaram dar, para o Banco Master.

    Quando Flávio pediu dinheiro a Vorcaro, o governador bolsonarista Ibaneis Rocha já havia dado muitos bilhões de reais do povo do DF para tentar salvar o Master. O governador bolsonarista Cláudio Castro já havia dado ao Master R$ 1 bilhão dos aposentados do Rio de Janeiro.

    O deputado bolsonarista Filipe Barros, do PL de Flávio e companheiro de chapa de Sergio Moro, já havia apresentado projeto de lei para estender a cobertura do FGC (Fundo Garantidor de Crédito) e dar sobrevida ao esquema.

    Era a mesma manobra da emenda Master, que o “vice dos sonhos” Ciro Nogueira recebeu em um envelope de Vorcaro.

    O PL de Bolsonaro já havia assinado, com PP, União Brasil, Republicanos, MDB e PSB, um requerimento para autorizar o Congresso a demitir diretores do Banco Central que votassem contra o Master.

    Não, Flávio, não era “dinheiro privado”: era dinheiro roubado.

    Roubado dos correntistas do Master, dos aposentados do Rio de Janeiro, Amapá, Amazonas e mais 15 municípios, das pessoas que sofrerão os efeitos do rombo no FGC —provavelmente difusos e sutis demais para que o cidadão prejudicado perceba sua ligação com o caso Master.

    Bolsonaristas que mentem para si mesmos sobre a matança da pandemia e o golpe de 2022 serão capazes de mentir para si mesmos sobre seus líderes terem participado da maior fraude financeira da história brasileira?

    Mas e o pessoal que chegou na candidatura Flávio por estar (corretamente) indignado com o envolvimento de Moraes no caso Master? Continuará ali depois de perceber que o Master é, até agora, um escândalo de direita em que há pessoas do STF envolvidas?

    A palavra de ordem “bolsomaster” peca por excluir o resto da direita do escândalo. Mas, se alguém tinha alguma dúvida de que o golpe de 2022 teria instaurado um regime favorável a oligarcas como Daniel Vorcaro, é hora de abandoná-las.

    Fonte: Folha de S. Paulo, Opinião, 16.mai.2026 às 15h52 Por Celso Rocha de Barros

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