
‘Tiro pode sair pela culatra’, alerta professor
Pedro Martins
Correio Braziliense
Professor de política internacional e comparada da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Dawisson Belém Lopes diz que ainda é cedo para estimar os impactos que a classificação do Comando Vermelho (CV) e do Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas pelos Estados Unidos deve ter nas eleições.
“Qualquer previsão neste momento é imprecisa, porque é preciso entender como essa decisão será lida pela imprensa, por Flávio Bolsonaro, por Lula e por outros agentes políticos que influenciam o debate”, diz ele, que tem artigos e livros publicados sobre política externa ligada à América Latina e ao Brasil, escritos a partir de pesquisas em universidades na Alemanha, na Bélgica e na Índia.
TRAÇÃO – O professor reconhece a possibilidade de o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ganhar tração no tema da segurança pública, algo caro a grande parte dos brasileiros e área na qual o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) registrou sua pior avaliação em pesquisa Datafolha publicada há duas semanas.
Por outro lado, Lopes avalia que Lula, mais experiente em debates, pode virar o jogo ao argumentar que a medida revela a incapacidade do adversário de lidar com problemas internos, a ponto de recorrer à ajuda externa. “Essa medida pode ser vista como entreguismo, algo contra o Brasil, não a favor, porque prevê uma renúncia de soberania”, analisa.
ORGANIZAÇÕES TERRORISTAS – Dois dias após Flávio se encontrar com Donald Trump e um dia após se reunir com Marco Rubio, secretário de Estado dos Estados Unidos, o governo americano decidiu classificar o PCC e o CV como organizações terroristas internacionais.
Para estudiosos, facções como o PCC e o Comando Vermelho são criminosas, porque agem por interesses econômicos, sem qualquer motivação ideológica, diferentemente das organizações terroristas. Mas Trump tem contestado essa distinção, a exemplo do que também fez no México, com os cartéis, no ano passado.
SANÇÕES – A partir do dia 5 de junho, as facções passarão a ser tratadas por Washington como uma ameaça à segurança dos Estados Unidos, o que poderia abrir a possibilidade de o republicano promover intervenções militares em território brasileiro e também impor sanções diversas ao país e a quem, mesmo sem saber, mantenha alguma relação com essas organizações.
É nesse sentido, diz o professor, que “o tiro pode sair pela culatra” para Flávio. “Pode-se cogitar que a iniciativa vá alvejar pessoas ligadas à política, além de políticos profissionais, que mantenham interações com o PCC e o CV. Isso já tem vindo à tona nos últimos tempos. Já se sabe de algumas relações envolvendo a turma da Faria Lima, os investidores e os bancos com o crime organizado. Quem propôs essa medida pode estar jogando contra si.”
Essas figuras, que em sua maioria apoiam a pré-candidatura do senador à Presidência, diz o professor, “se forem atingidas podem se voltar contra ele, porque são pessoas com muito dinheiro e influência para mexer nas alavancas do sistema político brasileiro”. Sua visão encontra amparo em investigações conduzidas por autoridades como a Receita Federal, a Polícia Federal e o Ministério Público.
ESQUEMA – Essas três entidades deflagraram no ano passado uma operação contra um esquema que se valia de fundos de investimentos e empresas financeiras que operam na Faria Lima para gerar, lavar, ocultar e blindar recursos da atuação do PCC no tráfico de drogas e no setor de combustíveis.
Ao todo, a estimativa da PF à época era de que o esquema tenha movimentado pelo menos R$ 52 bilhões entre 2020 e 2024. Na ala política, o ex-presidente da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), Rodrigo Bacellar (União), foi preso suspeito de vazar informações sigilosas e obstruir investigações contra facções como o Comando Vermelho.
LEI MAGNISTY – Possíveis sanções ao Brasil e a brasileiros após a decisão de Trump poderiam se assemelhar à Lei Magnitsky, usada contra indivíduos acusados de corrupção ou violações de direitos humanos. Foi ela que, no ano passado, Trump usou contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), dificultando sua relação com o sistema financeiro americano.
A sorte do senador é que as sanções financeiras, ao menos na avaliação do professor, devem ser brandas. Para ilustrar seu argumento, ele lembra que os bancos brasileiros se recusaram a se voltar contra Moraes e a atender ao desejo dos Estados Unidos.
“Os bancos brasileiros foram pressionados a quebrar negócios com ele, mas resistiram, porque foram instruídos pelo Ministério da Fazenda e pelo Banco Central para fazer isso. O Brasil já está vacinado contra esse tipo de pressão. Não vejo o sistema bancário sucumbindo e fazendo o jogo da diplomacia estadunidense, até pelas garantias que o governo brasileiro tem dado”, diz o professor.
TARIFAÇO – Ele recorda ainda que, na época, a conexão entre Brasília e Washington era mais delicada e vinha na esteira do “tarifaço”. “Neste momento, a relação é bastante civilizada, e o nível de tensão, bastante controlado. Não vejo possibilidade de uma disrupção”, opina.
Há, por fim, um terceiro argumento ao qual o professor recorre: a experiência do México, que teve seus cartéis classificados como organizações terroristas internacionais logo no início do segundo mandato de Trump, no ano passado.
Na ocasião, a presidente mexicana, Claudia Sheinbaum, atendeu a parte das demandas de Washington — como a extradição de criminosos e o reforço da segurança nas fronteiras — e afastou rapidamente qualquer retaliação mais profunda.
IMPACTO PEQUENO – “Se no México o impacto foi modesto, no Brasil tende a ser menor ainda”, diz Lopes, acrescentando que “as correntes de comércio exterior do México são, em sua maioria, com os Estados Unidos, e todos os dias centenas de milhares de mexicanos cruzam a fronteira, legalmente ou ilegalmente”.
“Os Estados Unidos são importantíssimos para o Brasil, sim, mas não são nem sequer nosso maior parceiro comercial. A China faz mais do que o dobro de comércio com o Brasil do que os Estados Unidos”, diz.
Autoridades brasileiras se perguntam: E as milícias, Flávio?
Classificação das facções como organizações terroristas reacende debate sobre soberania nacional e expõe ausência das milícias na ofensiva
A decisão de Marco Rubio, de classificar o CV e o PCC como organizações terroristas levantou uma pergunta no Judiciário brasileiro: e as milícias?
Nas palavras de um ministro do Supremo, “faltou alguém na sala”.
A indagação alcança Flávio, que atribuiu a si parte do mérito pela iniciativa do governo Trump contra as duas maiores facções criminosas do país. Dois dias antes do anúncio, Flávio esteve com o presidente americano e afirmou ter tratado do assunto.
Não houve, porém, qualquer menção ao enfrentamento das milícias, cujas lideranças, como é de conhecimento público, já foram homenageadas pela família Bolsonaro.
Em 2005, quando era deputado estadual, Flávio concedeu uma homenagem ao ex-capitão da Polícia Militar Adriano Magalhães da Nóbrega, chefe de uma milícia no Rio de Janeiro.
A medida adotada pelo governo Trump causa apreensão no Judiciário porque, como em uma CPI, todos sabem como começa, mas ninguém é capaz de prever onde pode terminar. O governo brasileiro vê riscos à soberania nacional.
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Fonte: Metrópoles, Opinião, 30/05/2026 12:47 Por Andreza Matais
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“Flávio não tem vergonha na cara de trair a nossa Pátria pedindo intervenção dos Estados Unidos. Se ele fosse pedir intervenção para prender miliciano, ele ficaria preso lá”. (Lula)
Metrópoles, Frase do Dia, 30/05/2026 07:00 Por Guga Noblat
O Metrópoles alinhado ao PT não é fonte de nada. Falam das milícas mas não assumem o fato que o Brasil deixou de ser soberano há muito tempo. Quem defende facções criminosas como o PCC e o CV deixou de ser soberano e passou a ser comandado por o que há de pior no Brasil. Aliás, o grande medo dos petistas é que a Orcrim PT também seja classificada pelos EUA como uma organização terrorista, também. E, é o que são. Agora, usar citações do Guga Noblat mostra claramente a que ponto a degradação chegou em certas pessoas.
É a honestidade intelectual de observar a fauna política brasileira com realismo e sem discriminação e exclusivamente do ponto de vista do interesse do país e seus habitantes.
De prática muito difícil, reconheça-se.
Entreguismo?
O mundo dos tidos desassemelhados para tanto alçados e locupletos, jaz hipnotizado pelos cifrões!
https://www.henrymakow.com/
O “agente khazariano!”
https://youtu.be/EwVk2Udr6bo?si=y-Nrjb75AvAT-hwU
BRICS – A NOVA ORDEM MUNDIAL – BRASIL – RÚSSIA – INDIA – CHINA – ÁFRICA:
Galera que tá julgando o Gakiya, não sabe de nada do cara, O cara foi um dos responsáveis por prender o Marcola
Ele tá na cola do PCC faz 20 anos, ele entende de direito Penal e processual penal, melhor que qualquer um alienado que achei que entender de leis, pra ele o PCC funciona mais parecido com uma máfia do que terroristas apesar do PCC ter envolvimento e ligações com grupos terroristas
Apesar de medidas mais severas e bloqueio de ativos e finanças do PCC e seus apoiadores e colaboradores pelo EUA
Durante anos, Lincoln Gakiya viveu sob escolta armada 24 horas por dia. O promotor foi alvo de sucessivas ameaças de morte do PCC, teve sua rotina completamente alterada, viu planos de atentado serem descobertos e convive há décadas com um “decreto de morte” atribuído à facção.
Agora, ao comentar a classificação do PCC e do CV pelos EUA, afirma que essas organizações não seriam grupos terroristas, mas sim organizações mafiosas com fins econômicos.
A ironia que muitos apontam é a seguinte: se uma facção é capaz de impor toque de recolher, controlar territórios, ameaçar autoridades, ordenar execuções e manter um promotor sob escolta permanente há mais de 20 anos, para parte da população a discussão sobre o rótulo parece cada vez menos importante do que a realidade enfrentada por quem combate essas organizações.
Despiciendo, pq já somos classificados como filial ou a republiqueta das bananas…
Eder Bukowski Jr.
Organização terrorista que existe no Brasil é a família Bolsonaro e seus eleitores.
Quem “enteregou” as terras raras brasileiras aos EUA ?
Mais um especialista em defender os narcotraficantes petistas. O pior é que essas desgraças são pagos pelo nosso suado dindim.
Especialista vê risco de entreguismo?! Não precisa ser especialista para ver que esse incompetent guy is a massive suck-up and lacks principles.
Senhor Carlos Pereira , o ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado , foi quem traiu o Brasil entregando aos EUA á preço vil as terras ” raras e nobres ” e sua única empresa mineradora , no entanto se apregoa no direito de presidir o Brasil , esse mesmo país que ele traiu e continua traindo consolidando seu crime .