Aliados de Eduardo Bolsonaro ampliam pressão sobre campanha de Flávio

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  1. Base aliada de Flávio no Rio é desbaratada pela PF

    A Polícia Federal deflagrou sucessivas fases da Operação Unha e Carne e outras ações recentes que atingiram fortemente os palanques e aliados de Flávio no Rio de Janeiro.

    Os principais impactos da atuação da PF sobre a chapa incluem:

    Márcio Canella: O ex-prefeito de Belford Roxo e então pré-candidato ao Senado Federal foi alvo de uma das fases da Operação Unha e Carne, que investiga um esquema bilionário de lavagem de dinheiro e organização criminosa.

    Durante buscas, ele foi preso em flagrante por porte ilegal de arma de fogo.

    Cláudio Castro: O ex-governador do Rio e aliado de primeira hora de Flávio desistiu de sua candidatura ao Senado após se tornar alvo de operações da PF e ser declarado inelegível pelo TSE.

    Outros Nomes: Deputados e aliados próximos de Flávio, como Sóstenes Cavalcante e figuras influentes ligadas à Alerj também foram afetados por desdobramentos de investigações, o que levou a uma desestabilização da base bolsonarista no estado.

    Esses reveses vêm impondo uma grave crise na pré-campanha Flávio, forçando o Rachadinha e o ex-mito a redesenhar constantemente as chapas majoritárias no Rio, considerado um dos berços políticos do grupo.

  2. Flávio desserve o Brasil

    Na chance que teve para defender os exportadores brasileiros, Flávio privilegiou seus interesses pessoais em Washington e provou ser indigno da confiança do setor produtivo nacional

    Flávio Bolsonaro transformou em comício a audiência promovida pelo Escritório do Representante de Comércio dos States (USTR) para ouvir argumentos técnicos contra a adoção de tarifas americanas a produtos brasileiros.

    Em vez de defender o Brasil com ponderações adequadas àquele fórum, Flávio envergonhou os brasileiros ao usar os poucos minutos que tinha para atacar Lula e para sugerir que os EUA esperem a eleição para então negociar com um novo presidente – isto é, ele –, que será muito mais alinhado a Trump.

    Com isso, Flávio perdeu a chance de provar que está interessado em servir o Brasil – coisa que a família Bolsonaro, afinal, jamais fez.

    A reação do setor produtivo não poderia ser outra: empresários presentes à audiência classificaram como “deslocada” e “constrangedora” a atuação de Flávio.

    Enquanto autoridades e empresários adotaram o tom pragmático que a situação exigia, Flávio discursou sobre regulação de big techs, corrupção no Brasil e Pix – temas irrelevantes para o propósito daquele fórum.

    Para comprovar que seu interesse não era defender os exportadores brasileiros, e sim apenas fustigar Lula, Flávio apresentou-se ao lado de Dudu Bananinha, deputado cassado que está homiziado nos States conspirando dia e noite contra o Brasil e que havia defendido entusiasticamente a adoção de tarifas americanas. Nada mais precisava ser dito.

    Não foram necessários mais do que cinco minutos para que Flávio Bolsonaro provasse, de uma vez por todas, que é indigno da confiança do setor produtivo nacional. Houve premeditação.

    O senador tinha objetivos muito bem definidos ao viajar aos Estados Unidos – e nenhum deles remotamente ligado à defesa dos produtores industriais e agrícolas do País, muito menos dos empregos de milhões de brasileiros.

    O objetivo mais evidente da viagem de Flávio era provar para sua própria bolha de apoiadores e correligionários que ainda é a melhor opção da oposição para desafiar Lula.

    O PL marcou para o próximo dia 25 a convenção que deve confirmar o nome que representará o partido na eleição de outubro. Até lá, o senador precisa desesperadamente convencer sua própria base de que, a despeito dos muitos rolos em que está metido e das inúmeras trapalhadas de sua campanha, é o nome com mais chances de derrotar o incumbente.

    A tarefa é árdua: Flávio não goza da confiança de parte de seus correligionários, e o desgaste chegou até o seio familiar, como se viu no vídeo publicado por Micheque.

    Somem-se a isso sua relação de “irmão” com Vorcaro, a quem Flávio pediu de viva voz cerca de R$ 134 milhões, e o passado para lá de suspeito do senador, que envolve prática de “rachadinhas”, suspeita de lavagem de dinheiro por meio de loja de chocolates, compra de imóveis em dinheiro vivo e ligações com milicianos do Rio.

    É nesse contexto de fragilidade política que Rachadinha foi a Washington para tentar reconstruir, à força de fotos e “cortes” para as mídias sociais, uma viabilidade eleitoral que os fatos vêm corroendo dia após dia.

    Enquanto os Bolsonaros prejudicam o Brasil para seus propósitos pessoais, os diplomatas, líderes setoriais e técnicos brasileiros continuam empenhados em tentar minimizar os danos das tarifas que provavelmente serão adotadas contra o País. É isso o que fazem os que têm genuíno interesse em ajudar o Brasil.

    E aqui cabe o registro de que, na embaraçosa foto de Rachadinha e Bananinha na sessão do USTR, aparece ao lado deles um constrangido embaixador Roberto Azevêdo, ex-diretor-geral da Organização Mundial do Comércio, com décadas de atuação na diplomacia comercial. Ele estava lá a trabalho. Já os Bolsonaros só queriam atrapalhar.

    Fonte: O Estado de S. Paulo, Opinião, 09/07/2026 | 03h02 Por Editorial

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