
Direita sente, em Flávio, o bafejo de maus ventos
Dora Kramer
Folha
Políticos, quando hesitam em embarcar numa canoa ou ameaçam desembarcar dela, fazem isso porque vislumbram no horizonte a possibilidade de naufrágio. A acurada percepção sobre a direção dos ventos é uma das habilidades inerentes à atividade.
Projetos com presumida taxa alta de sucesso atraem adesões por gravidade. Foi assim que a direita aderiu pragmaticamente aos governos do PT, até abandonar o partido no governo Dilma Rousseff 2, e foi assim também que Jair Bolsonaro (PL) conseguiu transformar sua inicialmente desacreditada candidatura à Presidência num êxito eleitoral que deu nome a um movimento.
FRAGILIDADE – O chamado bolsonarismo, contudo, dá sinais de fragilidade na ausência do chefe. Ao contrário do petismo, que se manteve vivo mesmo com a prisão de Luiz Inácio da Silva, em 2018, e na ausência de postulantes a substitutos a ponto de ir pela quinta vez ao Palácio do Planalto em 2022, a corrente se dispersa sob a administração dos herdeiros.
O atrito com Michelle é só o gesto mais atrativo, do ponto de vista da intriga midiática. Outros menos chamativos têm significado político que indica franca indisposição da direita —seja ela extrema ou moderada— com a candidatura de Flávio Bolsonaro (PL).
CONDICIONAMENTO – O natural, dada a condição de competitividade do senador nas pesquisas de opinião, seria a adesão desse campo sem contestações. No entanto, o que vemos é o Republicanos condicionar a aliança a apoios ao partido nos estados e a federação União Brasil-PP optar pela neutralidade.
Do coordenador da campanha em São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), não se vê empenho; em Minas Gerais, Nikolas Ferreira (PL) tampouco se esforça; em Santa Catarina, parte da direita se revolta com a invasão territorial de Carlos Bolsonaro; no Rio de Janeiro, o palanque local desmoronou ao peso de condenações, prisões e inelegibilidades de aliados. Tais contratempos podem não resultar em desembarques, mas comunicam que a hipótese da derrota é uma fava que se conta sem grandes lamentações.
salvo engano, Millor (?) disse: a esquerda só se une na cadeia… parafraseando: a direita vai se unir na derrota, exceto se uma 3a. via vir a derrotar o lulismo… quanta cegueira política e volúpia pela cadeira mor do Executivo Nacional…
Rachadinha: no fundo do poço
O que seria pior? a foto ora divulgada ou o filme antes tão propalado?
‘Campanha de Flávio tenta desqualificar nova pesquisa, mas vê dois sinais de alerta’
No 2º turno, a intenção de voto no petista cresceu principalmente entre os eleitores independentes; filho ’01’ de Jair Bolsonaro permanece preso à sua ‘bolha’ bolsonarista e não consegue avançar.
Incoerente e preso à bolha, Flávio patina na pré-campanha e terá de rever estratégias
Campanha bolsonarista tenta desqualificar pesquisa Genial/Quaest, mas expansão de Lula entre os eleitores independentes e fragilidade da intenção de voto em Flávio são motivos de alerta
Coluna do Estadão
Desqualificar pesquisa? Talvez devesse tentar se qualificar melhor como candidato; embora deva saber que isso é praticamente impossível.
Politicamente, o clã Bolsonaro nunca foi páreo para Lula
Do alto de seus 80 anos, o petista tem se mostrado estrategicamente superior nas articulações em relação a Flávio Rachadinha, assim como já havia se saído melhor nas eleições de 2022, derrotando o ex-mito candidato à reeleição, na cadeira presidencial e com a caneta na mão.
Lula também tem neutralizado com facilidade as investidas de Dudu Bananinha, que muitas vezes acaba servindo de cabo eleitoral para o governo petista.
Politicamente superior, Lula parece manipular a famiglia Bolsonaro como meras peças em seu tabuleiro.
E Lula ainda tira um sarro nos Bolsonaros
Dizem aliados que a diversão favorita de Lula no fim do dia é comentar as asneiras e besteiras perpetradas pela família Bolsonaro, tomando uns gorós e dando boas gargalhadas.
Alta na aprovação de Lula é impulsionada por melhora no Sul, entre evangélicos e mais ricos
Segmentos representam eleitorado que, normalmente, o petista tinha mais dificuldade de conquistar
Genial/Quaest:
(…)
O Globo, Pulso, 15/07/2026 09h02 Por Yago Godoy — Rio de Janeiro
https://oglobo.globo.com/blogs/pulso/post/2026/07/genialquaest-alta-na-aprovacao-do-governo-lula-e-impulsionada-por-melhora-no-sul-entre-homens-e-independentes.ghtml
Flávio é o candidato mais rejeitado pelos eleitores (57%)
Mesmo sem nunca ter administrado sequer uma currutela na vida, Flávio Rachadinha tem uma rejeição (57%) maior do que a de Lula (50%), que já acumula três longos mandatos como presidente da República, revela pesquisa Genial/Quaest.
Flávio afirma não ter mais relação com Michelle, nem ter assistido a vídeo dela
Alegando não querer se contaminar com o material, Flávio tentou minimizar a disputa por capital político
Fonte: O Globo, Política, 15/07/2026 20h09 Por Filipe Vidon — São Paulo
No fundo do poço, Rachadinha só desagrega.
Site publica foto que mostra Flávio Bolsonaro ao lado de ‘Sicário’, capanga de Daniel Vorcaro
O portal ICL Notícias publicou uma foto que mostra o pré-candidato Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao lado de Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, o “Sicário”— apontado pela Polícia Federal como líder do setor de intimidação e coerção do Banco Master.
A imagem foi publicada nesta quarta-feira, 15, pela colunista Juliana Dal Piva e teria sido registrada em um hotel na zona sul do Rio de Janeiro em 2022.
A foto, segundo o ICL, foi checada em cinco diferentes plataformas de detecção de Inteligência Artificial, mas a possibilidade de fraude foi descartada. A colunista obteve o material com uma fonte que preferiu não se identificar.
Fonte: O Estado de S. Paulo, Caso Master, 15/07/2026 | 19h45 Por Guilherme Matos
No fundo do poço.
Tentar destruir Flávio hoje parece inútil diante da marca Bolsonaro impressa em sua testa
Os Bolsonaros mantêm acesa a campanha eleitoral de Flávio em torno de seus problemas, de suas questões, transformando brigas familiares em tema de debate político que inunda as redes sociais e as conforma em nichos da direita, dando pouco espaço para a esquerda se expandir.
Até agora está funcionando, ele aparece como competitivo no segundo turno.
À falta do carisma do personagem principal, o ex-mito, seu fantoche (Flávio), vai se movendo à sua sombra, passando ao eleitor uma imagem política frágil que, paradoxalmente, fortalece o significado final, que é a volta ao poder do ex-presidente por meio de seu avatar.
O ex-mito escreveu uma carta aos eleitores reafirmando que o filho Flávio é o seu único representante na corrida presidencial. Foi um golpe astucioso.
Flávio Bolsonaro tem o sobrenome a sustentá-lo, uma segunda pele a lembrar ao eleitor que quem está ali é o pai, não o candidato.
A imagem de Flávio como um “Bolsonaro vacinado” vai se esvaindo com o passar do tempo, e fica a do pai, que sustenta a votação da direita a favor do filho.
Tentar destruir Flávio hoje parece inútil diante da marca Bolsonaro impressa em sua testa.
Votar em Flávio vai muito além de votar na extrema direita, é votar pela anistia do ex-mito, é apoiar sua volta à política para manipular o filho.
O avatar Flávio procura um nome de peso para ser o seu “posto Ipiranga”, mas está difícil encontrar quem se disponha a isso
Fonte: O Globo, Política, Opinião, 14/07/2026 04h30 Por Merval Pereira
Após a perda da reeleição em 2022 e a frustração do golpe, ambos por incompetência própria, o ex-mito tenta voltar ao poder em 2026 através de um avatar, seu filho Flávio.